Resposta a ‘Um Deus sem Bíblia’ [Republicação]

ao pó voltarás

Criaturo, meu querido… Li seu texto. Duas vezes. Ufa… Graças a Deus, você não me decepcionou. É um texto até interessante, do ponto de vista literário, mas é do tipo que se espera de um crente; e isso não é um elogio.

Reservo-me o direito de não comentar exatamente tudo, bem como sequer estabelecer uma ordem nos pontos abordados. Assim, eu começo pelo que achei mais revelador: os percentuais da “Trindade Divina”.

Quando se estabelecem porcentagens, presume-se que alguém fez um cálculo ou uma estimativa perfeitamente reproduzíveis, se necessário. Eu posso dizer, por exemplo, que 75% do nosso planeta é coberto por água. Não é um cálculo preciso: é uma estimativa. Também posso dizer que, mês passado, eu comprometi 46,72% dos meus rendimentos com a aquisição de peças e tabuleiros de xadrez. Não é uma estimativa, é um cálculo preciso. Nos dois casos, eu poderia demonstrar como cheguei a esses números, de modo que você fosse capaz de repetir o processo e obter praticamente os mesmos resultados: com alguma tolerância em relação à estimativa planetária, e sem tolerância em relação às minhas dívidas.

Você listar a porcentagem de Deus que é humana, a porcentagem que é mecânica, e a porcentagem que é consciência é a sua assinatura endossando o ditado popular “Papel aceita tudo”, porque a única coisa racional que te fez escolher os valores de 30%, 30% e 40% só pode ter sido o fato desses números serem bem fáceis de somar de cabeça pra dar os 100%. Outra razão não há, nem poderia haver, porque, em se tratando de deuses, você não poderia fazer estimativas ou cálculos precisos. Quer dizer… Fazer até pode, mas não iria nunca ter como explicar como chegou aos tais valores.

No começo do texto, eu estava achando que havia entendido o seu ponto de vista: “Ah, então, pra ele, Deus é ‘tudo o que existe'; matéria, energia, antimatéria, o universo enfim. Ora, então a gente só está dando nomes diferentes para a mesma coisa”. Eu, sinceramente, até daria mais crédito ao pensamento de que havia um ser “incriado” e eterno que, de tão solitário no meio do nada infinito, resolveu se matar de tédio, explodindo em zilhões de pedacinhos que deram origem a tudo o que passou a existir no lugar dele. O problema é que isso implicaria na inescapável conclusão de que somos feitos dos átomos do corpo de um Deus suicida. E só, meu caro! E SÓ!! Esqueça a vida eterna, esqueça recompensas por não comer a mulher do vizinho, esqueça presentinhos materiais em troca da falsidade de dizer que ama quem você nunca nem viu.

Não sei quantas pessoas que hoje têm algum tipo de devoção religiosa iriam dormir tranquilas com essa visão de mundo.

Mas, então, você me veio com essa:

    Nós somos o livre-arbítrio de Deus, ele sente em nós o prazer da liberdade proporcionado pela autoignorância da sua onisciência.

“Ora”, eu pensei, “então Deus não se matou”. Isso significa que não entendi qual era seu argumento, ou você não soube explicá-lo, ou não notou que está discorrendo sobre um Deus feito de massinha de modelar, que toma a forma que você quer, pelo tempo que você acha conveniente, ora sendo ‘tudo o que existe’, ora sendo algo ou alguém específico, com direito a sentir prazer com a proeza de ter conseguido se separar de si mesmo, como se Deus fosse um adolescente cósmico que fez surgir de seu corpo uma mão autônoma para masturbá-lo.

Considero o abstracionismo do seu raciocínio até certo ponto louvável, mas não posso deixar de notar que ele está infectado dessa tal doença tautológica, debilitante, detratora, contaminante e indisfarçável, que o faz desmoronar devido à incapacidade de sustentar uma definição que traz entranhada em si mesma o objeto a ser definido, sem o qual não se completa.

Deus é o que uma parte independente dele diz que ele deve ser para que tudo seja como realmente é. Minha mente matematicoenxadrística me livrou da fascinação por esses jogos de palavras. Um Deus onicoisente, caso existisse, deveria poder ser percebido de uma maneira menos tola.

Espero que, pelo menos, você tenha consciência de que não é um cristão, e de que a Bíblia não pode ser usada por você como os cristãos a usam, a menos que você se valha em igual medida de todos os outros livros sagrados que dão conta de todos e tantos deuses. Enquanto só você entendeu a essência desse Deus-além-Bíblia, talvez fundando essa nova religião da qual precisa ser o profeta, o papa e o único seguidor, também precisará aceitar cada palavra do que todos os crentes dizem, e cada ato que praticam em nome de seus numerosos deuses contraditórios e incompatíveis. Pois Deus é tudo, e pode ser tudo.

Inclusive nada.

Minha pequena coleção de pecados #2

Pelikan & Namiki 

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Por causa da minha caligrafia ruim e incapacidade de redigir textos à mão, eu enveredei por um caminho completamente novo que acabou revelando tantas coisas sobre mim quanto sobre ele mesmo. Descobri, por exemplo, que passei a minha vida toda segurando a caneta de uma forma errada, enquanto escrevia. Descobri o fascinante mundo das canetas-tinteiro, e toda a complexa relação que existe entre a ponta da pena, o tipo de papel, a qualidade da tinta e o estilo de escrita com a boa ou má caligrafia de cada um. E, finalmente, descobri que, se quisesse de fato alcançar a minha meta de reverter aquele quadro, eu teria que pagar um preço. E, nesse caso, meu cartão de crédito seria completamente inútil. Era preciso dedicação, esforço, perseverança, tempo e, o mais importante de tudo: motivação. Sem motivação nos tornamos escravos das nossas ações, porque acorrentamos nosso cérebro a elas, obrigando-o a trabalhar a contragosto e muito abaixo de sua capacidade, enquanto sonha estar em outro lugar, fazendo outra coisa.

Eu queria reaprender a escrever, e, para isso, eu precisaria escrever. E muito. Mas para realizar meu desejo de produzir textos sem auxílio de um teclado e com uma caligrafia bonita eu precisava também que essa prática perdurasse. Só que todo esforço, tempo e dedicação que eu empregasse nisso seriam inúteis se eu não tivesse algo que me motivasse a escrever. Uma das causas do meu fracasso inicial foi justamente a falta de motivação. Comprei uma caríssima caneta alemã e tinta alemã; comprei uma caríssima caneta japonesa e tinta japonesa; importei papéis da mais alta qualidade da Itália, França e Holanda. Mas não encontrei país nenhum no mundo que me fornecesse online a opção de comprar a mais ínfima lasca de incentivo.

Foi então que me veio a ideia de manter um diário. O compromisso de deixar registrada uma mensagem de cada um dos meus dias para o meu próprio futuro me fascinou. Talvez não fascine tanto a mais ninguém, mas não estou escrevendo para mais ninguém, além de mim mesmo, num ponto do futuro que nem sei se um dia irei alcançar.

Ainda ontem, enquanto abria aleatoriamente suas páginas para tirar uma outra foto dele para ilustrar esse texto, reli uma passagem em que eu discorria tristemente sobre a minha paixão secreta por uma certa moça que, naquela época, era tão inacessível para mim como se ela fosse a mais protegida das princesas na mais alta torre do mais inexpugnável dos castelos, e eu, o rapaz que limpa o cocô das estribarias. Quando terminei de ler minhas queixas sobre a voz dela que eu nunca tinha ouvido sendo dirigida a mim, sobre os olhos que nunca haviam se fixado nos meus, sobre como aquele sonho de me aproximar dela era a mais impossível das impossibilidades, eu apenas pulei para a página em que eu conto como foi aquela fresca e perfumada manhã de sol em que ela desceu dos céus até os porões da minha insignificância, e me pediu para lhe ensinar a andar a cavalo.

Não espero que ninguém mais se interesse pelo que eu vou deixar registrado nos meus Moleskines. Mesmo porque não tem nada que interesse a mais ninguém: é só a minha vida. Mas caso essa pessoa que, um dia, venha a ler meus diários queira me criticar pelas coisas que fiz de errado — no julgamento dela — , eu só queria deixar um recado. Se ela vai me perdoar ou não pelos meus poucos pecados, eu não dou a mínima, porque só me arrependo de uma coisa: não tê-los cometido com mais frequência, até que eles pudessem alcançar a perfeição que mereciam 

 

 

Minha pequena coleção de pecados #1

 diário

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Apesar de ter me doutrinado a nunca tratar de assuntos pessoais no meu blog, o que é um contrassenso, vez ou outra eu me permito certas impropriedades. Como agora. Há cerca de dois anos, descobri estarrecido que tinha perdido quase que completamente a habilidade de produzir textos manuscritos. Meus dedos se tornaram tão íntimos do teclado que só usava canetas para assinar meu nome. Graças à minha extrema competência em digitar com rapidez e precisão, meu cérebro meio que se acostumou a decalcar quase que instantaneamente o resplendor de suas sinapses na tela brilhante do meu MacBook. Quando, um dia, precisei redigir um texto usando uma esferográfica, o bicho travou. Meu cérebro, não o Mac.

Eu demorei muito para concluir meu trabalho, e mais ainda para entender o que tinha acontecido. Qual era o problema? Não era eu que gostava de dizer que era um “escritor”, porque escrevia textos para um blog quase todo dia? Não era eu que conseguia escrever em tempo récorde um relatório, um e-mail, ou seja lá o que fosse, justamente por ter prática de uso e domínio da linguagem escrita? Qual era a pane? O que havia de errado? E quando descobri que estava segurando todas as respostas em uma das mãos, eu me apavorei. Olhei para aquela esferográfica como se ela fosse um objeto alienígena que tivesse vindo dentro de um meteorito.

Meu primeiro pensamento foi “nunca mais pego numa esferográfica de novo”. Resultado do trauma, sem dúvida, essa decisão drástica acabou se concretizando, de certa forma. Virei fã de canetas-tinteiro, depois que decidi retreinar meu cérebro para escrever usando tinta e papel, para o caso de eu ser salvo, e descobrir que o Paraíso é tão chato que precise manter um diário pra passar o tempo, durante toda a eternidade.

A primeira providência que tomei foi adquirir o material necessário. Comprei uma das mais caras canetas-tinteiro da Sheaffer, uma Prelude Blue Shimmer; tinta japonesa de alta qualidade, da Pilot; um papel especial francês, chamado séyès, usado pelas crianças francesas para aprender caligrafia; e diversos bloquinhos da mundial-mente famosa marca italiana Moleskine. Foi quando os débitos em dólar, euros e libras esterlinas no meu cartão me revelaram duas coisas. Uma, que é um desperdício comprar uma Ferrari se o dono não sabe dirigir. A outra: a arte perdida de produzir um texto manuscrito não foi a causa dos músculos da minha mão terem esquecido seus movimentos, tornando minha caligrafia feia e penosamente lenta.

Era sua consequência.

Eu precisava praticar, e não acho que seria recomendável alguém querer aprender a dirigir numa Ferrari. Voltei pra internet e comprei algumas pontas de penas (dip pens), tinta Compactor para caligrafia, e imprimi vários copy books, aqueles livros que têm uma linha de texto que é preciso reescrever ao longo de toda a página, tentando imitar o modelo.

Foi incrível! Depois de algumas semanas me matando de tédio, lutando contra a vontade de tocar fogo naquilo tudo, e perdendo horas preciosas, eu finalmente descobri que todo meu esforço não estava adiantando absolutamente nada! Tirando um enorme calo que lentamente tomava o lugar do meu dedo médio e as manchas de tinta azul sob as minhas unhas, nada mais havia mudado.

Foi então que, depois de quase quatrocentos anos de existência, eu comecei a chorar.  

 

 

A sacrossanta convenção [Republicação]

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Muito provavelmente, a cidade onde você mora tem um santo padroeiro. Ou santa. Embora um mesmo santo possa dar conta de várias cidades ao mesmo tempo, o Brasil pode se dar ao luxo de ter um santo ou santa diferente para cada um dos seus 5.566 municípios. Mas aí, acho que iria faltar santo para apadrinhar outras coisas (das mais diversas). Por exemplo, a santa Cecília aí da imagem é a padroeira dos músicos.

E como uma santa se torna padroeira de uma cidade (ou dos músicos)? Eu não sei. Mas isso não é novidade: eu sou muito ignorante. Mas eu gostaria muito de saber. Só que duvido que seja algo diferente disso: alguém, aqui na Terra, um ser humano igual a mim, baseado na simpatia de seu grupo social por um determinado santo, oficializa a preferência: tal santo é o padroeiro de tal cidade. Ponto. Se houver um documento para assinar, ele lasca uma assinatura. A partir daí, o povo ganha mais um feriado, e o santo, mais uma obrigação. Ninguém vai se lembrar, depois, que foram eles próprios que fizeram a coisa toda. E o feriado passa a ser sagrado. Simples assim.

Às vezes, só precisa mesmo de uma pessoa investida de autoridade suficiente para declarar algo como sagrado. O resto é propaganda, e décadas de tradição.

Esse mecanismo funciona mais ou menos do mesmo jeito para todas as coisas que são consideradas sagradas. A “Assunção de Maria”; o Santo Graal; a Terra Santa; o Santo Sudário; a Transubstanciação; a Cruz; a Bíblia. As pessoas consideram tais coisas sagradas porque, em algum momento, um homem ou uma comunidade resolveu definir que assim era.

Mas uma santa ser padroeira de uma cidade é pura convenção; a “Assunção de Maria” aos céus é um dogma; o pão que se torna carne, e o vinho que se torna sangue, idem; o Santo Sudário é uma fraude; o Santo Graal era só um verso num poema; a Terra Santa é apenas uma cidade histórica; a Cruz era um instrumento de tortura; a Bíblia é um punhado de estórias escritas por um punhado de gente. Essas coisas só se tornaram sagradas para as sociedades que as relacionaram à sua divindade específica. Por autoridade, por tradição, por convenção.

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Jesus: o mito da divinização do homem

No primeiro dia, o Homem criou Deus… [Republicação]

A religiosidade nos acompanha desde o nosso nascimento como espécie. Quando os primeiros da nossa estirpe vagavam em bandos nas planícies do que hoje conhecemos como África, quando ainda não dominavam o fogo nem tinham qualquer ferramenta, o dia lhes trazia calor, lhes trazia luz; permitia que identificassem, de longe, as feras e fugissem a tempo. Já a noite lhes trazia o frio e a escuridão; lhes deixava vulneráveis; gélidos de medo das sombras, de onde poderia surgir, a qualquer instante, a morte.

Nada mais óbvio do que imaginar como aqueles seres passaram a venerar o dia e a temer a noite. Daí a raiz da religiosidade: o culto à Luz e o medo da Escuridão. A noção primitiva do Bem e do Mal.

Para que a religião efetivamente nascesse, faltava ainda juntar a esse culto uma característica exclusivamente nossa, os animais ditos “superiores”: a personificação.

A seleção natural favoreceu aqueles que tinham o cérebro mais propenso a ver algo, ou alguém, naquilo que não estava totalmente definido. Os hominídeos que confundiam uma sombra qualquer tomando-a por um predador, saiam correndo para salvarem suas vidas. Se estivessem errados, isso só lhes teria custado energia e tempo. Mas eles mantinham-se vivos e passavam adiante essa característica para as gerações futuras. Já aqueles que confundiam um predador qualquer tomando-o por uma sombra, eram devorados e foram extintos.

Milhões de anos (e um cérebro três vez maior) depois, o homem aperfeiçoou essa habilidade. Nascia assim a figura da “divindade”: a personificação de algo que explicava o que não se podia entender.

Estamos a mais de quatro milhões de anos de distância daqueles primeiros hominídeos, mas ainda trazemos conosco o medo do escuro e a necessidade de nos sentirmos protegidos, quando não especiais. Ao homem moderno foi dada a opção de entender a origem do mundo e dele próprio como sendo resultado de um processo evolutivo. Mas essa ideia é altamente prejudicial aos nossos interesses: o ”processo” não ouve nossas preces, não nos protege de perigos; o “processo” não tem um plano para nossas vidas, não nos conforta em situações difíceis, não nos acena com uma outra vida muito melhor do que a que temos. O “processo” nos deixa entregues à nossa própria competência e aos nossos próprios recursos; o “processo” não se importa conosco.

Por isso é tão tentadora a ideia de um ser supremo, todo poderoso, que é convenientemente chamado de pai… porque essa necessidade de proteção vem justamente do que há de mais infantil em nós. O que passa sempre despercebido pela mente religiosa, é que o fato dessa ideia ser confortadora não a torna real. Deus é apenas uma ilusão. Uma poderosa ilusão.

Deus, pobreza, riqueza, paz e guerra

eu vim trazer a espada

 

Por Shirley S. Rodrigues (do blog Livre para pensar)

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A Irlanda foi, durante muito tempo, um dos países mais pobres da Europa e um dos mais fervorosamente religiosos, principalmente a parte católica.

Enquanto foi um país extremamente pobre, foi um país extremamente religioso, mergulhado em conflitos armados e atos terroristas, que culminaram numa guerra civil. A causa da pobreza devia-se, em grande parte, à dominação da ilha pela Grã-Bretanha, que, além da exploração dos recursos irlandeses, proibia a posse de terras e a educação católica aos irlandeses católicos, favorecendo os habitantes do Norte, de maioria protestante.

A partir do momento em que a Irlanda torna-se um país autônomo, há um gradativo processo de melhora na vida dos irlandeses. Hoje é um dos países com melhor IDH no mundo; suas universidades são afamadas pela qualidade, e a renda per capita está em torno de 45 mil dólares. O terrorismo, que gerou o mundialmente conhecido IRA e que causou cerca de 3500 mortes, hoje em dia é praticamente inexpressivo.

Podemos ver os efeitos dessa prosperidade na religião: dados de uma pesquisa de âmbito mundial do Instituto WIN (Gallup International, de 2012*) mostra que na Irlanda menos da metade da população ainda é católica, e o país entrou para o ranking dos menos religiosos no mundo. Além disso, o número de ateus declarados vem crescendo.

O caso da Irlanda ilustra perfeitamente a correlação entre pobreza, religião e violência. Quanto mais pobre é uma sociedade, mais religiosa ela é; quanto mais pobre e religiosa, mais violenta ela é.

Uma pesquisa realizada pelo GPI – Global Peace Index – mostra que os países menos violentos são também os menos religiosos. A propósito, o índice relativo a 2014 coloca o Brasil na 91ª posição entre os 162 pesquisados. A Síria, com sua população islâmica quase fundamentalista, ocupa o último lugar; e a Islândia, o primeiro. Neste país, uma pesquisa realizada pelo Instituto Gallup, em 2011, mostra que cerca de 60% da população não dá importância para a religião.

As religiões majoritárias no mundo têm sua origem em sociedades primitivas e pobres, em busca de territórios para se estabelecer. Vicejaram na ignorância e na pobreza, que geraram a violência na busca pela posse territorial.

Atualmente, quanto mais pobres e mais ignorantes são as sociedades, mais facilmente são presas da religião, ainda mais quando essa mistura se junta à questão territorial. É assim com o islamismo e o hinduísmo. O judaísmo foi e tem sido causa de conflitos violentos, ainda hoje, motivados pela posse do território.

O cristianismo, derivado do judaísmo, civilizou-se na mesma medida em que as sociedades em que estava inserido civilizaram-se. Com o gradativo estabelecimento de fronteiras definitivas na Europa, quanto mais aumenta o nível de conhecimento e quanto maior o nível de riqueza material, menos preponderância ele tem.

No fim de contas, Deus – qualquer um – é o senhor da guerra, da violência, da pobreza e da ignorância. E não poderia ser diferente. É uma criação gerada pela luta humana para superar sua condição animal no que ela tem de pior.

 

* O estudo do WIN mostra que Gana, Nigéria e Armênia, com respectivamente, 96%, 93% e 92% da população declarando-se crentes, são os países mais religiosos do mundo. A colocação desses países no GPI é: Gana: 61ª posição; Nigéria: 151ª posição e Armênia: 97ª posição. Todos esses são países muito pobres.

 

 

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