O que é a Bíblia, por Wagner Menke

 
 
 

O INDEX

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Lector, suscipit vitae, quia ultra precipitas inferos, quo tu non somnium vivit. 

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PALAMARIUS 

De olhos bem fechados  

 

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Solum Textus

O post inominável

A divina tragédia

Jesus Cristo se masturbava?

Quando Deus cagava no mato

Teste seus amigos crentes

Teste seus amigos crentes 2

Teste seus amigos crentes 3

Teste seus amigos crentes 4

Que amor mais vagabundo!

Mentes pré-históricas

Cruz: o símbolo macabro do cristianismo

Seus problemas acabaram!

Barros vs. Diabo

Aleluia, Sócrates!!!

A moral de Deus

A moral flutuante de Deus

Barros, a mulher e o jumento

O sacrifício

Cara ou Coroa?

Pai-Nosso Ateu

Efeito borboleta

Eu, prolixo

Obrigado, Senhor!

Deus é negro, cego e toca piano

A chantagem suprema

Deus apareceu pra mim

O Problema do tempo

O universo veio do nada?

No primeiro dia, o Homem criou Deus

Deus… esse sujeito!

Eu escrevo Deus com “D”

Pequeno ensaio sobre o Vazio

Ridículo, com 4 letras

Pra não dizer que não falei das flores

Foi-se o tempo dos milagres!

Deus, ninguém me ama também

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Divisum Textibus:

Eternidade

Sê bem-vindo ao Inferno!

Deus, Alice e a Matrix

Quando os deuses se cansam

O Deus que não estava lá

Nada a ver com Deus

Tratado das ilusões 

As flores do mal

A cobiçada vagina de Nossa Senhora

Fé & Autoengano

Três deuses, um funeral

Deus está nu

O livre-arbítrio

Deus: aprecie com moderação

As Fadas de Barro

A insuportável arrogância do ser

A sociedade torturadora de bebês

Por que não acreditar

DEUS: Manual do Usuário  

O Sexo de Deus

Blasfêmia

Interpretareis conforme a vossa conveniência

Uma história sem final feliz

Espiritismo: sua alma é reciclável

Voo e Queda

O Evangelho segundo o Criador

Aborto: a batalha entre fé, moral e razão

Minha linda coroa de brilhantes 

O imbecilionismo

A Teoria do Barro(s)

As evidências de Deus

As sacolas de Sofia

Brincando de Deus

Deuses de mármore

Qual o sentido da vida?

Deus: aprecie com moderação

religião é uma droga

E há  sempre o caso do crente que exulta e se vangloria do fato de que “sua” igreja está crescendo:

— Somos, hoje, “tantos” milhões e a previsão para “tal” ano é de que esse número aumente para inacreditáveis “tantos” milhões!!!

Comparadamente, é a mesma alegria (ou esperança) que deveria ter o viciado em crack, por exemplo, ao saber que a quantidade de drogados no país está aumentando. Sim, porque, admitindo-se que esse número cresce de forma vertiginosa, é de se supor que o usuário de crack sonhe com o dia em que poderá fumar seu cachimbo despreocupadamente, já que se todo mundo estiver consumindo sua droga preferida, do policial que cumpre a lei ao deputado que a redige, ele certamente não será mais incomodado. Para o viciado, uma sociedade assim, onde todos seriam dependentes também; onde ele poderia curtir o seu barato de 10 segundos por baforada sem que ninguém viesse lhe encher o saco; onde ele poderia adquirir sua pedra legalmente em qualquer estabelecimento e fumá-la em qualquer lugar, “seria o céu!“.

Para o crente, é a mesmíssima coisa. Um lugar em que ninguém é mentalmente são, é um lugar onde não existe nenhum louco, porque a percepção da loucura só é possível numa mente sã.

Mas eis que você, amigo crente, ainda não está vivendo nesse lugar. E o Barrinhos aqui vai continuar enchendo o vosso saco, feito à imagem e semelhança do saco sagrado do Criador: o que você não quer enxergar é que o número de fiéis está crescendo vertiginosamente porque muita gente esperta há tempos percebeu como é fácil ganhar dinheiro apenas com um altar e umas cadeiras de plástico.

Tudo não passa de uma relação forte, eficaz e rentabilíssima entre o usuário de Deus, eternamente drogado, e as quadrilhas de traficantes, eternamente sedentas por dinheiro. E a demanda pela droga é tão grande, que quando os donos da boca de culto não se entendem quanto à divisão dos lucros, eles nem precisam fazer uma guerra entre suas quadrilhas. Eles apenas se separam, e o dissidente funda uma nova igreja, precisando apenas arcar com o trabalho de marketing para a nova marca.

E a receita é a mesma: esperteza + ganância + talento + cara de pau + fé em Deus = grana. Muita grana.

A ideia de Deus — deixando de fora a coação e o doutrinamento infantil — se sustenta à custa de fantasias, ilusões, enganos, ignorância, medos, carências, mitos e mentiras descaradas. Tudo isso muito bem compartilhado e propagandeado como verdades óbvias, provas absolutas e explicações incontestáveis.

Só  pra ficar num exemplo apenas…

Todo dia alguém perde um voo, pelos mais variados motivos. Eu, por exemplo, já perdi uma vez por ter dormido na sala de embarque. Enfim, sempre alguém se atrasa, fica doente, ou preso num engarrafamento. E o avião decola com um a menos. Isso acontece o tempo todo, em todas as partes do mundo e a vida segue normalmente. Entretanto, quando acontece um acidente aéreo sem sobreviventes, aquele passageiro que perdeu o voo, juntamente com todos os outros cristãos dopados que nem ele, vai atribuir tal “milagre” ao seu Deus misericordioso, que impediu que ele embarcasse, salvando sua vida tão preciosa e poupando sua família e amigos de sofrer com a tragédia. Como se todos os outros mortos no acidente não gostassem de viver e não fossem fazer falta a ninguém.

Para mim, particularmente, seria muito mais fácil crer num Deus que permitisse a queda de um avião, se, depois, eu ficasse sabendo, pela Patrícia Poeta, que o cara que perdeu o voo era um crente dos mais devotos, e todos os que morreram, ateus. Se não for o caso — e nunca é — , nós só ficamos com a cretinice de uma religião que, além de ver o mundo do jeito que lhe convém, quer impor essa visão doentia a todo o resto de nós.

O mundo religioso é um embuste, uma farsa. É o efeito de uma droga que te ensinaram a consumir antes mesmo de você aprender a andar. Sua hóstia consagrada é uma massa de pão; o sangue de Cristo que o padre e o papa bebem no altar é apenas vinho misturado com água; seu livro sagrado é uma coleção de mitos; a imagem de Jesus na sua camiseta, de olhos azuis, ondulados cabelos castanhos-claros, lábios finos, pele branca, e cara de quem acabou de sair de um salão de beleza, é tão inverossímil quanto a entidade que ela representa; seus dogmas são ridículos; suas orações, inúteis.

Se todas essas coisas que as pessoas te disseram que são verdades se revelam mentiras grotescas, você bem que poderia extrapolar o raciocínio e tender a achar que tudo o mais também não passa de uma fraude, e acabar por concluir que o que você consegue na vida por obra e graça do Espírito Santo eu posso conseguir, também, se orar fervorosamente, todas as noites, ao meu ferro de passar roupa.

Mas você não quer pensar assim; você não quer nem pensar nisso. Na verdade, você não quer nem mesmo pensar. Você não consegue sequer imaginar como seria viver fora desse seu mundinho mágico. E nem mesmo tenta. Por quê?

Porque você se viciou numa droga chamada Deus.


 

Deus: aprecie com moderação [versão completa]

Jesus está voltando

 jesus está voltando

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Se tem uma coisa que me irrita bastante é ouvir pessoas inteligentes dizerem coisas sem sentido, baseadas em sua fé religiosa. Um colega de trabalho ia me fazer um discurso catequizador, mas começou com a frase errada:

– Barros, Jesus está voltando.

É óbvio que ele certamente tinha uma pilha de argumentos para me convencer de que meu ateísmo iria me levar para o Inferno, mas, pelo menos para mim, também era óbvio que tudo que ele tinha pra me dizer não fazia o menor sentido, a começar por aquele dito anedótico.

– Jesus está voltando? — eu repeti. — Voltando de onde?

Ele meio que se engasgou com a minha interrupção assim logo no início, mas era uma pergunta bastante evidente: se alguém está voltando, está voltando de algum lugar. A resposta foi que Jesus estava voltando “de junto do pai”.

Eu reconheço que sou uma pessoa insuportável, mas, vamos combinar:

– Tá. E o pai dele tava onde?

Ele meio que enrolou, mas acabou desembuchando: “no céu”. Ó, que ótimo! Estávamos progredindo! Só mais um pouquinho e eu já ia deixar ele passar pra segunda frase do discurso.

– O céu fica onde?

Surpreendentemente, meu colega se irritou com essa pergunta e quis continuar sua exposição passando por cima dela. Claro que eu não poderia permitir isso: a salvação da minha alma exigia que eu me inteirasse completamente do assunto. Mas, como ele de fato não sabia de onde Jesus estava voltando, achou que poderia compensar a ausência desse dado repetindo aquela afirmação mais algumas vezes:

– Jesus está voltando, Barros. Ele está voltando, entende? Logo todo joelho se dobrará e todo…

– Há dois milênios que ele está voltando, meu querido!

– Sim, mas a hora chegou! A Bíblia diz que haveriam guerras e rumores de guerras! Observe os sinais do fim dos tempos, Barros. Todo dia você vê a televisão mostrando furacão, tsunami,  guerra, terremoto, surto de…

– Mas isso sempre existiu!! O que nem sempre existiu foi a tevê. 

– …doenças contagiosas, nação se levantando contra nação, pai matando o filho! Esses sinais estão descritos na Bíblia!

É claro que ele não estava me ouvindo e, então, eu tive que dar uma alfinetada:

– Jesus não vai voltar de lugar algum, porque ele não foi pra lugar algum. Se a gente se congelasse e fosse reanimado daqui a mais dois mil anos, as pessoas nas ruas ainda estariam dizendo a mesma coisa. “Jesus está voltando” é uma frase sem sentido; não significa nada. Serve só pra sustentar sua fé em algo que não existe. Se não existe, o fato de ele não estar aqui pode ser explicado pela afirmação de que ele “está voltando”. Mas ele vai “estar voltando” sempre: nunca vai chegar. Nem hoje, nem amanhã.

Ele ficou pasmo com a minha petulância:

– Como que você pode dizer isso, rapaz?! Que argumentos você tem pra embasar o que você tá falando? Como você quer sustentar a afirmação de que ele não virá mesmo amanhã, se você não tem como saber o que vai acontecer amanhã?

– Eu aposto cinquenta reais com você que ele não virá amanhã.

– Que imbecilidade, rapaz…

– Cinquentinha só! Topa? Se ele não vier amanhã, você me paga.

– Você vai ser castigado por isso, Barros.

Ele encerrou a conversa e voltou pra seção dele. E eu deixei de ganhar cinquenta reais mole, mole, porque essa conversa foi ontem e, agora vocês também já estão sabendo, Jesus ainda não chegou.

O céu deve ficar a milhões de anos-luz daqui e, talvez, ele esteja vindo de jumento.

  

 

Eu sou o fantoche do Diabo

o bem e o mal 

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Dia desses eu fui abordado na porta da minha casa por duas irmãs que tinham invadido a rua com outros frequentadores da sua boca de culto. Como vi que ninguém estava carregando material suficiente para fazer uma fogueira, resisti ao impulso de correr para dentro de casa, e sorri pra elas duas, fingindo ser a pessoa mais doce do mundo. Os outros membros do bando passavam e sorriam pra mim, enquanto pareciam apertar, ainda com mais força, suas Bíblias contra os seus respectivos sovacos.

De repente, surgiu um anjinho do meu lado esquerdo, que é o lado do coração, que é o órgão responsável pelas minhas emoções e pelos meus pensamentos bons. Ele me cochichou dizendo que eu fosse educado e cortês, e tentasse assimilar, no meu coração, a mensagem que elas estavam querendo passar. Ao mesmo tempo, do meu lado direito, que é o lado do meu apêndice, que é o órgão responsável por me lembrar que eu não entendo nada de biologia, apareceu um diabinho rabudo e vermelho que disse: “Detona!”. Dessa vez eu decidi seguir o conselho do anjo, porque a minha psiquiatra me garantiu que essas vozes na minha cabeça só vão me deixar em paz depois que eu me tornar uma pessoa menos belicosa.

Elas começaram até bem: “A gente pode falar com você um minuto?”. Aí eu disse: “Sim”. Uma delas, então, me apresentou um panfleto impresso com algumas sentenças ao lado de quadradinhos [supostamente para alguém marcar com um X] onde eu li rapidamente coisas como a) Deus, b) Homem, c) Mídia, etc. Enquanto segurava o papel na minha frente, ela perguntou: “Você pode me dizer quem controla o mundo?”. Aí eu disse: “Não”. Foi quando ela começou rapidamente a me esclarecer sobre como tudo é extremamente simples: bastaria amar a Deus e ler a Bíblia, que todos os meus problemas e os problemas do mundo se resolveriam; e que todos os meus problemas, bem como os problemas do mundo, eram frutos do pecado.

Pacientemente eu a ouvi durante quase quarenta segundos; mas aquele diabinho estava agora arranhando meu apêndice com uma serrinha de unha, então eu tive que interrompê-la:

– Me dê um exemplo de pecado.

– Desobedecer as leis de Deus é pecado.

– Me dê um exemplo de pecado.

Minha professora de catecismo me chamou muitas vezes de “impertinente” por bem menos do que isso.

– O marido trair a esposa é um exemplo de pecado.

– E por que você acha que maridos traem as esposas?

– Porque eles cedem às tentações do Diabo.

Aqui o diabinho vermelho parou de lixar o meu apêndice e ficou prestando atenção na conversa.

– Quer dizer que, se eu fosse casado com você e tivesse um caso com a sua irmã aí, isso seria culpa do Diabo?

– Não: seria culpa sua e dela, por cederem à tentação dele. 

– Então a ideia de transar com a sua irmã foi posta na minha cabeça pelo Diabo?

— Foi… — ela disse, disfarçadamente avaliando a distância que se encontrava do resto do grupo, ao longo da rua. 

– Você acreditaria em mim se eu dissesse que, se sua irmã fosse bem feia, magrela e tivesse mau hálito, o Diabo poderia fazer o diabo, mas eu nunca trairia você com ela?

Elas não quiseram continuar a conversa, por algum motivo. Despediram-se entre apressados conselhos para que eu lesse a Bíblia, e foram se juntar aos outros do bando, que também não deviam entender nada de biologia, a ponto de achar que o desejo que um homem tem de transar com mais de uma mulher é motivado por uma criatura malévola que habita uma dimensão mágica.   

  

 

Você conhece Deus?

Mais uma indicação imperdível do leitor Cristiano:

Hoje é dia de Maria

hoje é dia de maria 

 

A leitora Maria me escreveu um comentário fazendo as seguintes perguntas:

  Se se esgotassem todas as alternativas, o que faria? Imagine-se numa grande dificuldade, sem amigos, sem parentes que quisessem saber de si… Não se ajoelharia? Não suplicaria?       

Eu havia prometido a ela que responderia com um texto aqui no blog, e estou cumprindo a promessa. E aqui vai a resposta: Não.

Eu não me ajoelharia. Eu não suplicaria. E não só porque isso seria ridículo; mas principalmente porque seria inútil. Não há nada parecido com uma fada-madrinha cósmica que esteja interessada em ouvir as nossas súplicas; muito menos atendê-las. O que há são pessoas que acham fascinante essa ideia de possuírem um gênio da lâmpada pessoal que não impõe limites ao número de desejos a pedir. Vale notar que, mesmo que essas pessoas não tenham os seus próprios desejos atendidos, elas se confortam no fato de que o tal do gênio atendeu o pedido de outros, talvez assim, quem sabe, achando um motivo para continuar esperando que um dia o pedido delas também seja atendido. Talvez exista uma fila, ou uma lista de espera. Vai saber…

O que me deixa irritado nas pessoas religiosas não é a sua fé. Você pode fazer uma oração pro vento do meu lado, se quiser, que não vai me incomodar. Mas não teste minha tolerância às suas hipocrisias. Quando alguém vem se gabar pra mim que é muito importante para a criatura que supostamente construiu o nosso universo, a ponto de ter sido curado por ela, eu faço questão de criar uma inimizade, lembrando que ele ou ela não recebeu uma intervenção divina, mas sim uma intervenção cirúrgica.

As pessoas me detestam porque eu não perco a chance de lembrar a elas que tudo seria exatamente como é, mesmo que ninguém acreditasse em nenhum deus. Às vezes morreria todo mundo num desastre de avião; às vezes alguém escaparia com vida. Às vezes você se curaria de uma doença; às vezes morreria por causa dela. Às vezes você conseguiria algo que queria muito; às vezes você iria ter que simplesmente se conformar por não poder ter tudo o que quer. O mundo em que vivemos, mesmo tanta gente acreditando em Deus, é completamente indistinto de um mundo em que ninguém acreditasse nele. 

Mas o que eu, particularmente, faria numa situação de grande dificuldade em que me visse sem saída e sem ajuda? Eu continuaria mantendo a esperança. De achar uma saída. De conseguir ajuda. De tudo acabar bem.

  

 

 

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