As ovelhas (parte 2)

 

Nasci e fui criado no seio de uma enorme família católica. Embora aqui e ali alguém enveredasse pelos caminhos assombrados do espiritismo, ou acabasse perdendo a alma em algum terreiro de macumba, ou dez por cento da renda para o Deus pidão dos evangélicos, éramos uma família essencialmente católica. “Não praticantes”, é verdade, mas isso era o de menos. Felizmente, para mim, estavam todos eles tão ocupados em ganhar seu sustento e pagar suas contas sem qualquer ajuda divina, que mal tiveram tempo de estuprar minha frágil mente infantil (como orienta a sagrada cartilha), motivo pelo qual eu acabei desenvolvendo um cérebro perfeitamente sadio, livre das neuroses, culpas, medos e toda sorte de lixo intelectual com o qual pais católicos têm entupido as cabeças de cada nova geração, pelos últimos dois mil anos.

Serei eternamente grato à minha endividada família por essa chance de ter me tornado uma pessoa normal. “Eternamente grato” é força de expressão, claro, pois a eternidade é apenas mais um sonho ridículo inventado para ser a recompensa oferecida por um Deus ridículo, no caso de seguirmos suas vontades ridículas.

Uma coisa que sempre me chamou a atenção, desde que me entendo por gente, era como meus parentes podiam ser completamente tapados acerca da própria religião à qual diziam pertencer, e sobre o próprio Deus que diziam venerar. Quando entrei para o catecismo, achei que a irmã que dava as aulas teria as respostas para todas aquelas perguntas que meus pais, tias e avós não sabiam responder. Mas estava errado. Já muito tempo depois, eu mesmo consegui me explicar essa ignorância toda através da definição que cunhei para designar esse tipo de pessoa: crente de manada. Diferentemente do Crente de Programa (outra expressão cunhada por mim, segundo o Google), o crente de manada não se vende, não troca amor e bajulação por presentinhos e favores celestes, nem se interessa muito em se aprofundar na doutrina que supostamente rege sua vida terrena, de acordo com a qual receberá sua recompensa ou punição numa vida além-túmulo. O crente de manada é apenas um maria-vai-com-as-outras que se junta ao rebanho por conveniência, e segue o fluxo por puro comodismo. Como já escrevi aqui,

“eles vão à missa, fazem suas orações, entram na fila da hóstia, batizam seus filhos, compram suas bíblias… mas não creem…”.   

Pois foi graças ao fato de ter sido criado no meio desses crentes de manada que, quando chegou a hora, eu pude contar a boa-nova do meu ateísmo para toda minha família, sem que ninguém se desfizesse em lágrimas, nem ameaçasse me deserdar, nem me condenasse ao fogo do Inferno. Eu fiquei orgulhoso dessa atitude deles, pois é da minha família o único amor do qual eu realmente dependo para ser feliz. Deus pode enfiar o amor que sente por mim bem lá onde você tá pensando.

O meu problema — especificamente envolvendo meu ateísmo, minha família e as pessoas que me cercam — é que eu não deixo ninguém desfiar suas crenças religiosas perto de mim sem ouvir a minha opinião a respeito. E eu não sou exatamente o que você poderia chamar de “uma pessoa fina”. Não só a desonestidade intelectual dos crentes me irrita, mas também, e principalmente, sua teimosia, que eles rebatizaram com o nome de fé. Quando ficam sem saída num debate acalorado, eles só precisam bater o pé e dizer: “Eu tenho fé, e isso me basta”. E como, geralmente, a discussão finda aí, eles acabam com a certeza de que a fé é tudo de que precisam para calar a boca de um ateu.

E é mesmo: não vale a pena continuar uma discussão com uma pessoa que só lê versículos bíblicos sem se incomodar em perceber quão absurdos, ridículos, sem sentido e perniciosos eles podem ser.

Outro dia, um leitor do blog postou nos comentários uma frase encontrada num campo de concentração: “Se existe um Deus, ele terá que implorar pelo meu perdão”. Toquei no assunto do genocídio do povo escolhido com um vizinho que é um crente empreendedor: está dando duro para abrir sua própria boca de culto e ganhar uma grana fácil salvando as almas de uns tantos pobres-diabos, assalariados e analfabetos, que querem entender o que Deus mandou escrever pra eles. O futuro pastor, altamente versado na Palavra, folheou rapidamente sua Bíblia ensebada e recendendo a catinga de sovaco, e me veio com essa:

    E odiados de todos sereis por causa do Meu nome; mas aquele que perseverar até o fim será salvo.

(Mateus; 10:22)

  — Puta que pariu! — eu exclamei. — Quer dizer que o caralho da nossa vida não passa da porra de uma gincana de merda concebida por um Deus filho da puta?!!

Eu avisei que não sou uma pessoa fina…


Enquanto você não vem…

As ovelhas (parte 1)

“Se existe um Deus, ele terá que implorar pelo meu perdão.”

Frase encontrada na parede da cela de um prisioneiro judeu num campo de concentração.

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A frase foi postada nos comentários pelo leitor FERNANDO, e me inspirou a escrever sobre o tema. 

 

Diga-me como você agrada Deus…

…e eu lhe direi o tipo de idiota que você é !

RITUAL RELIGIOSO XIITA

ATENÇÃO: CONTEÚDO EXTREMAMENTE CHOCANTE

CLIQUE NA IMAGEM E VOCÊ SERÁ DIRECIONADO PARA A PÁGINA ONDE O VÍDEO ESTÁ HOSPEDADO. LÁ, VAI RECEBER UM NOVO AVISO DE CONTEÚDO IMPRÓPRIO, EM INGLÊS, E A OPÇÃO DE “CONTINUAR”.

NÃO RECOMENDADO PARA TODAS AS IDADES. 

idiota

Ateu busca a fé

 

Mais uma excelente indicação do Leitor Cristiano.

O Bom Pastor

o bom pastor

Dentre seus muitos nomes, Jesus Cristo é também conhecido como “O Bom Pastor”. Os antigos tinham essa mania de atribuir inúmeros epítetos — que são esses apelidos através dos quais alguém passa a ser conhecido — a certas pessoas excepcionais, governantes ou divindades. Basta consultar o dicionário e procurar pela definição de “Diabo”, que você vai entender direitinho. Mas, enfim, ser chamado por muitos nomes não era um privilégio do deus cristão.

O que me veio à mente, agora há pouco (daí eu estar escrevendo esse texto meio que de improviso), foi que poucas pessoas talvez já tenham parado para considerar o real significado dessa expressão “bom pastor”, o que só confirma que o religioso está sempre mais preocupado em continuar com o seu sonho tolo, do que em de fato tentar entendê-lo.

Um bom pastor é o pastor que cuida bem de suas ovelhas? Certamente.

Um bom pastor é aquele que se preocupa em não perder suas ovelhas para o lobo? Sem dúvida.

Um bom pastor protege seu rebanho? Mas claro que sim!

Você já entendeu…

Agora… Usando a mesma analogia pela qual Jesus é o pastor e nós as suas ovelhas, tente se responder a essa pergunta simplória:

Por que um pastor cria ovelhas?


Por que Deus é uma ilusão?

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Por que o Deus cristão é impossível

Autor: Chad Docterman

Tradução: André Díspore Cancian

[Ortografia original. Fonte: ateus.net]

Introdução

Os cristãos consideram que a existência de seu Deus é uma verdade óbvia. Esta assunção é falsa, não apenas porque falta qualquer evidência para a existência deste Deus – que, apesar de onipresente, é invisível –, mas porque a própria natureza que os cristãos atribuem a este Deus é autocontraditória.

Provando uma negativa universal

Muitos cristãos, assim como muitos ateus, alegam que é impossível provar uma negativa universal. Por exemplo, apesar de não haver evidências de que unicórnios ou dragões existem, não podemos provar sua inexistência. A não ser que tenhamos um conhecimento completo do Universo, precisamos a admitir a possibilidade de que, em algum lugar do Universo, talvez existam tais seres.

Mas a alegação de que a onisciência é necessária para provar uma negativa universal presume que o conceito que estamos discutindo é logicamente coerente. Se os atributos que conferimos a um objeto ou ser hipotéticos são autocontraditórios, então podemos concluir que este não pode existir e, portanto, não existe.

Não é necessário todo o conhecimento do universo para provar que esferas cúbicas não existem. Tais objetos têm atributos mutuamente exclusivos que tornam sua existência impossível. Um cubo, por definição, tem oito vértices, enquanto a esfera não tem nenhum. Tais propriedades são completamente incompatíveis – não podem estar contidas simultaneamente no mesmo objeto.  Pretendo demonstrar que as supostas propriedades do Deus cristão Iavé, assim como as de uma esfera cúbica, são incompatíveis, e, ao fazê-lo, demonstrar que a existência de Iavé é impossível.

Definindo Iavé

Os cristãos dotaram seu Deus de todos os seguintes atributos: ele é eterno, todo-poderoso e criou todas as coisas; criou todas as leis da natureza e pode mudar qualquer coisa por meio de um ato de sua vontade; é todo-bondade, todo-amor e perfeitamente justo; é um Deus pessoal que experimenta todas as emoções de um ser humano; é todo-sabedoria; vê todo o passado e todo o futuro.

A criação de Deus era originalmente perfeita, mas, os humanos, ao desobedecê-lo, trouxeram a imperfeição ao mundo. Humanos são maus e pecadores, e precisam sofrer neste mundo devido à sua pecaminosidade. Deus dá aos humanos a oportunidade de aceitar o perdão de seu pecado, e todos que o fizerem serão recompensados com a bem-aventurança no céu, mas, enquanto estiverem na Terra, devem sofrer por sua causa. Todos os humanos que decidirem não aceitar este perdão serão enviados ao inferno para sofrer o tormento eterno.

Tais atributos de Deus são relatados pela Bíblia, que os cristãos acreditam ser a palavra perfeita e verdadeira de Deus. Um verso que muitos cristãos gostam de citar diz que ateus são tolos (Cf. Salmos 14:1). Pretendo demonstrar que os conceitos divinos mencionados acima são completamente incompatíveis, e revelar a impossibilidade de todos eles co-existirem simultaneamente no mesmo ser. Não há qualquer tolice em negar o impossível; tolice é adorar um Deus impossível.

A perfeição busca ainda mais perfeição

O que Deus fez durante aquela eternidade anterior à criação de todas as coisas? Se Deus era tudo que existia naquele tempo, o que perturbou o equilíbrio eterno e o induziu à criação? Estava entediado? Etava solitário? Deus supostamente é perfeito. Se algo é perfeito, este algo é completo – não precisa de qualquer outra coisa. Nós, humanos, nos engajamos em atividades porque estamos buscando uma perfeição elusiva, pois há um desequilíbrio causado pela diferença entre o que somos e o que queremos ser. Se Deus é perfeito, então não pode haver desequilíbrio. Não há qualquer coisa de que ele necessite, qualquer coisa que deseje ou qualquer coisa que deva ou irá fazer. Um Deus que é perfeito não faz qualquer coisa senão existir. Um criador perfeito é impossível.

A perfeição gera imperfeição

Entretanto, por mero exercício intelectual, continuemos. Suponhamos que este Deus perfeito tenha realmente criado o Universo. Os humanos foram a coroa de sua criação, visto que foram criados à sua imagem e têm a habilidade da tomar decisões. Entretanto, esses humanos destruíram a perfeição original escolhendo desobedecer a Deus.  Como!? Se algo é perfeito, nada imperfeito pode vir dele. Uma vez alguém disse que um mau fruto não pode vir de uma boa árvore; entretanto, este Deus “perfeito” criou um Universo “perfeito” que foi tornado imperfeito pelos humanos “perfeitos”.  A fonte última da imperfeição é Deus. O que é perfeito não pode fazer-se imperfeito, assim, os humanos devem ter sido criados imperfeitos. Tudo que é perfeito não pode criar coisas imperfeitas, então Deus deve ser imperfeito para ter criado seres humanos imperfeitos. Um Deus perfeito que cria seres humanos imperfeitos é impossível.

O argumento do livre-arbítrio

A objeção dos cristãos a este argumento envolve o livre-arbítrio. Eles dizem que um ser precisa possuir livre-arbítrio para ser feliz. O Deus todo-bondade não queria criar robôs, então deu aos humanos o livre-arbítrio para possibilitar a eles experimentar o amor e a felicidade. Mas os humanos usaram este livre-arbítrio para escolher o mal, e introduziram a imperfeição ao Universo originalmente perfeito de Deus. Deus não tinha controle sobre esta decisão, assim a culpa por nosso Universo imperfeito é dos humanos, não de Deus.

Há vários motivos pelos quais este argumento é fraco. Em primeiro lugar, se Deus é onipotente, então a assunção de que o livre-arbítrio é necessário para a felicidade é falsa. Se Deus pôde fazer a regra de que apenas seres com livre-arbítrio poderiam experimentar a felicidade, então poderia, tão facilmente quanto, ter feito a regra de que apenas robôs poderiam experimentar a felicidade. A última opção é claramente superior, visto que robôs perfeitos nunca poderiam tomar decisões que tornassem eles ou seu criador infelizes, enquanto seres com livre-arbítrio poderiam. Um Deus perfeito e onipotente que cria seres capazes de arruinar sua própria felicidade é impossível.

Em segundo lugar, mesmo se admitirmos a necessidade do livre-arbítrio para a felicidade, Deus poderia ter criado humanos com livre-arbítrio que não tivessem a habilidade de escolher o mal, mas apenas entre várias opções boas.

Em terceiro lugar, Deus supostamente possui livre-arbítrio, e mesmo assim ele não toma decisões imperfeitas. Se humanos são imagens miniaturizadas de Deus, nossas decisões deveriam ser similarmente perfeitas. Ademais, os ocupantes do céu, que presumivelmente precisam possuir livre-arbítrio para serem felizes, nunca usarão este livre-arbítrio para tomar decisões imperfeitas. Por que os humanos originalmente perfeitos fariam diferente?

O problema continua: a presença de imperfeição no Universo refuta a suposta perfeição de seu criador.

O Deus todo-bondade cria sofrimento futuro premeditado

Deus é onisciente. Quando criou o Universo, viu os sofrimentos que humanos suportariam como resultado do pecado daqueles humanos originais. Ele ouviu os gritos dos condenados. Certamente ele sabia que seria melhor para esses seres humanos que nunca tivessem nascido – e a Bíblia, de fato, diz exatamente isso –, e certamente esta divindade toda-compaixão teria antevisto a criação de um Universo destinado à perfeição no qual muitos dos humanos estavam condenados ao sofrimento eterno. Um Deus perfeitamente compassivo que deliberadamente cria seres condenados ao sofrimento é impossível.

Punição infinita por pecados finitos

Deus é perfeitamente justo, e ainda assim sentencia os imperfeitos humanos que criou ao sofrimento infinito no inferno por pecados finitos. Claramente, uma ofensa limitada não justifica uma punição ilimitada. A sentenciação divina dos seres humanos imperfeitos a uma eternidade no inferno por um pecado com a duração de uma mera vida mortal é infinitamente injusta. O caráter absurdo desta punição infinita mostra-se ainda maior quando consideramos que a fonte última da imperfeição humana é o Deus que os criou. Um Deus perfeitamente justo que sentencia sua criação imperfeita à punição infinita por pecados finitos é impossível.

Crença mais importante que ação

Consideremos todas as pessoas que vivem em regiões remotas do mundo e que jamais ouviram o “evangelho” de Jesus Cristo. Consideremos as pessoas que aderiram naturalmente à religião de seus pais e nação – como foram ensinados a fazer desde seu nascimento. Se acreditarmos no que os cristãos dizem, todas essas pessoas irão perecer no fogo eterno por não acreditarem em Jesus. Não importa quão justos, bondosos e generosos eles foram com seus semelhantes durante sua vida: se não aceitarem o evangelho de Jesus, estão condenados. Nenhum Deus justo jamais julgaria um homem por suas crenças em vez de suas ações.

Revelação imperfeita da perfeição

A Bíblia supostamente é a palavra perfeita de Deus. Ela contém instruções para que a humanidade evite as eternas chamas do inferno. Quão maravilhoso e bondoso da parte deste Deus é proporcionar a nós meios de superar os problemas pelos quais ele, em última instância, é responsável! O Deus todo-poderoso poderia, por um simples ato de sua vontade, eliminar todos os problemas que nós, humanos, precisamos enfrentar; mas, em vez disso, com sua sabedoria infinita, ele optou por oferecer este indecifrável amálgama de livros denominado Bíblia como meio para evitaremos o inferno que ele preparou para nós. O Deus perfeito decidiu revelar sua vontade através desta obra imperfeita, escrita na linguagem imperfeita dos humanos imperfeitos, traduzida, copiada, interpretada e narrada por homens imperfeitos. Dois homens nunca irão concordar sobre o que a palavra de Deus realmente significa, visto que grande parte dela é autocontraditória ou obscurecida por enigmas. E ainda assim o Deus perfeito espera que nós, imperfeitos humanos, entendamos este enigma paradoxal utilizando as mentes imperfeitas com as quais ele nos equipou. Certamente o Deus todo-sabedoria e todo-poderoso sabia que teria sido melhor revelar sua vontade perfeita diretamente a cada um de nós em vez de permitir ela fosse distorcida e pervertida pela imperfeita linguagem e pelas ruinosas interpretações do homem.

Justiça contraditória

Não se precisa olhar em qualquer lugar senão própria na Bíblia para descobrir suas imperfeições, pois ela se contradiz, e assim expõe sua própria imperfeição. Ela se contradiz em questões de justiça, pois o mesmo Deus que assegura seu povo de que os filhos não serão punidos pelos pecados de seus pais acaba por destruir uma família inteira pelo pecado de um homem (ele havia roubado um pouco do saqueio de guerra de Iavé). Foi o mesmo Iavé que afligiu milhares de inocentes com praga e morte para punir o maldoso rei Davi por tomar um censo. Foi o mesmo Iavé que permitiu que humanos matassem seu filho porque o perfeito Iavé tinha fracassado em sua própria criação. Consideremos quantos foram apedrejados, queimados, assassinados, estuprados e escravizados devido ao distorcido senso de justiça de Iavé. O sangue de bebês inocentes está nas mãos perfeitas, justas e compassivas de Iavé.

História contraditória

A Bíblia contradiz-se em questões históricas. Uma pessoa que lê e compara os conteúdos da Bíblia ficará confuso sobre quem eram exatamente as esposas de Esaú, se Timná era uma concubina ou um filho e se a linhagem terrena de Jesus vem de Salomão ou de seu irmão Natã. Há centenas de contradições históricas documentadas. Se a Bíblia não pode confirmar a si própria em questões mundanas, como poderemos confiá-la em questões morais e espirituais?

Profecias falhadas

A Bíblia interpreta mal suas próprias profecias. Compare-se Isaías 7 com Mateus 1 para se encontrar apenas uma das muitas profecias mal interpretadas das quais os cristãos são passivamente ou deliberadamente ignorantes. O sinal dado por Isaías ao rei Ahaz visava assegurá-lo de que seus inimigos, Rei Rezim e Rei Remalia, seriam derrotados. Essa profecia foi cumprida exatamente no capítulo seguinte. Ainda assim, Mateus 1 não apenas interpreta erradamente a palavra “donzela” como “virgem”, mas também alega que esta profecia já cumprida na realidade cumpriu-se com o nascimento virginal de Jesus!

O cumprimento de profecias na Bíblia é citado como prova de sua inspiração divina, entretanto, aqui está um bom exemplo de uma profecia cujo significado original foi e continua sendo distorcido para sustentar doutrinas absurdas e falsas. Não há limites para o que um indivíduo crédulo fará para sustentar suas crenças febris quando confrontado com evidências contundentes.

A Bíblia é imperfeita. Apenas uma imperfeição é necessária para destruir a suposta perfeição da palavra de Deus. Muitas foram encontradas. Um Deus perfeito que revela sua vontade perfeita através de um livro imperfeito é impossível.

O onisciente altera o futuro

Um Deus que conhece o futuro é impotente para mudá-lo. Um Deus onisciente que é todo-poderoso e dotado de livre-arbítrio é impossível.

O onisciente é surpreendido

Um Deus que sabe tudo não pode ter emoções. A Bíblia diz que Deus experimenta todas as emoções humanas, incluindo ódio, tristeza e felicidade. Nós, humanos, experimentamos emoções como resultado de um novo conhecimento. Um homem que desconhece a infidelidade de sua esposa irá experimentar as emoções de ódio e tristeza apenas após descobrir o que anteriormente, para ele, estava oculto. Em contraste, o Deus onisciente não é ignorante em relação a qualquer coisa. Nada é oculto para ele, nada novo pode lhe ser revelado – assim não há como adquirir um conhecimento ao qual possa reagir emocionalmente.

Nós, humanos, experimentamos ódio e frustração quando algo está errado e somos impotentes para consertá-lo. O Deus perfeito e onipotente pode, entretanto, consertar qualquer coisa. Humanos sentem desejo daquilo que lhes falta. Para o Deus perfeito nada falta. Um Deus onisciente, onipotente e perfeito que experimenta emoções é impossível.

Conclusão

Ofereci argumentos para a impossibilidade – e, portanto, para a inexistência – do Deus cristão Iavé. Nenhum indivíduo racional e livre-pensador pode aceitar a existência de um ser cuja natureza é tão contraditória quanto a de Iavé, o “perfeito” criador de nosso imperfeito Universo. A existência de Iavé é tão impossível quanto a existência de esferas cúbicas ou unicórnios róseos invisíveis. Apesar de que crentes podem encontrar conforto em serem fiéis a impossibilidades, não há maior satisfação que a de possuir uma mente lúcida. Eles podem escolher servir um Deus impossível. Eu escolho a realidade.

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