Orgulho, orgulho meu…

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De que você tem orgulho? Da sua inteligência? Da sua profissão? Do seu país? Da sua coleção de selos? Do seu time? 

Ter orgulho implica em atribuir valores às coisas. Você se orgulhar do seu time de futebol, por exemplo, quer dizer que você atribui valores a ele que considera dignos de exaltação, de louvor, por parte dos demais torcedores — de todos os clubes! Só que os valores que são motivos do “seu” orgulho é você quem escolhe. Seu time do coração pode ser um fiasco, perder uma partida após outra; mas você reconhece que é um grupo que, apesar das dificuldades, continua muito unido e se esforçando por melhores resultados. Os torcedores do time que está em primeiro lugar na tabela do campeonato estariam orgulhosos, também, só que por outros motivos.

Se eu passo em primeiro lugar num concurso público que vai me proporcionar um salário de vinte mil reais, eu teria motivos de sobra para me orgulhar. Mas o último colocado nesse mesmo concurso também teria motivos de orgulho, visto que ele vai ganhar o mesmo que eu, bem como conseguiu suplantar, da mesma forma, uma infinidade de outros concorrentes para ficar com a vaga. Não resta dúvida, entretanto, de que o meu orgulho seria ainda maior do que o dele, porque eu estou considerando uma variável que ele não está: o posicionamento dos classificados. Mas nos dois casos, nós estaríamos nos vangloriando pelos nossos próprios méritos ou condição. Isso é o que significa ter orgulho.

Eu sou ateu, mas não vejo motivos para ter orgulho disso. Orgulho não é a palavra que define a minha satisfação em ser como sou. Não vejo motivos para sentir orgulho por ser ateu, assim como não vejo motivos para sentir orgulho por ser adulto. Também não sentiria orgulho da minha vida confortável, se estivesse visitando uma horda de miseráveis; nem da minha parca intelectualidade, se cercado de analfabetos.

Por que eu deveria sentir orgulho de ser ateu? Se eu fosse gay, por que eu deveria sentir orgulho disso? Se eu fosse negro, por que deveria sentir orgulho de ser negro? Será que um negro deve sentir orgulho de sua raça? De ter, essa raça, sobrevivido a tantas injustiças, perseverado e conquistado, com tanto esforço e à custa de tantas vidas, o direito de não ser discriminado, de não ser visto como um ser humano diferente — e inferior — por conta da cor da sua pele? No momento em que um negro se sente orgulhoso de “sua raça”, ele mesmo está, inadvertidamente, fomentando a discriminação que o oprimiu por tantos séculos.   

Acredito que as pessoas se equivocam quando usam certos conceitos, tentando exprimir o que buscam em defesa de certas causas.

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Continua…

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O lado podre do orgulho

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Se você leu meu último texto vai saber que, na expressão “orgulho gay”, a palavra orgulho foi entendida como “dignidade pessoal”; e que, da definição de dignidade, eu pesquei isso: “o respeito que se tem pelos próprios valores”

Consideradas essas acepções apenas, nada impede que um pistoleiro, por exemplo, sinta orgulho do seu “trabalho”, afinal, seria o reconhecimento, respeito e satisfação que ele teria pelos seus próprios valores morais. Se esse pistoleiro se considera bom no que faz, se ganha muito dinheiro com seus crimes, e se sente prazer matando pessoas, não há por que alguém achar que ele não possa ter orgulho de ser pistoleiro. 

Foi isso o que eu quis dizer com “equívoco” quando se trata de “passeatas de orgulho”, como a do orgulho gay do exemplo. Orgulho por orgulho, qualquer um pode sentir, por qualquer coisa. Pode-se ter orgulho por ser gay, por ser ateu, por ser analfabeto, por ser um pistoleiro. 

Nas definições adotadas acima, não há valoração nenhuma; ninguém está comparando nada. É uma coisa “interna” do indivíduo para consigo mesmo. Nestes termos, passeatas de orgulho seriam completamente sem sentido.

Mudemos, então, os termos para ver se as coisas se encaixam. 

Se continuamos vinculando orgulho com “dignidade”, mas passamos a entender dignidade como “qualidade moral que infunde respeito”, nós criamos um sistema contraditório. Os gays fazem passeatas porque são discriminados pela sociedade, e são discriminados justamente porque a sociedade os vê como “imorais”. Sendo assim, essas definições também não servem.

O problema aqui é que estávamos raciocinando com a única definição “positiva”, por assim dizer, da palavra orgulho. As outras, as que intencionalmente havíamos desconsiderado no meu primeiro texto, implicam em valoração; ou seja, o seu orgulho é fruto da sua convicção de que os seus valores são superiores aos valores dos outros; ou que a sua condição é superior à condição dos outros; ou que você mesmo é superior aos outros.

É só nessa acepção “negativa” que o orgulho dos manifestantes de passeatas passa a fazer sentido.

 

Continua…

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Orgulho


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   Sentimento e prazer, de grande satisfação sobre algo que é visto como alto, honrável, creditável de valor e honra; dignidade pessoal, altivez.

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Essa é a primeira acepção do verbete orgulho do meu dicionário Houaiss (uáis), e eu me atrevo a dizer que, quando se pensou, pela primeira vez, em ‘orgulho’ gay, por exemplo, alguém pescou da palavra ‘orgulho’ o seu sentido de ‘dignidade pessoal’. Isso porque as demais acepções não serviriam ao marketing pretendido:

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   1.1 atitude moral ou psíquica que afasta o indivíduo de práticas desonestas ou desonrosas 2 sentimento egoísta, admiração pelo próprio mérito, excesso de amor-próprio; arrogância, soberba, imodéstia 2.1 atitude prepotente ou de desprezo com relação aos outros; vaidade, insolência.

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Então, fiquemos com “dignidade pessoal” como sinônimo aí para “orgulho”, e pesquemos, da definição de dignidade, a acepção de ‘respeito aos próprios sentimentos, valores; amor-próprio’.

Ótimo. Uma passeata pelo orgulho gay seria, assim, uma manifestação de homossexuais que pretendem dizer para a sociedade que os discrimina que eles têm amor-próprio; que eles, homossexuais, têm respeito aos seus próprios sentimentos e valores.

O que haveria de errado, então, se políticos de todo o país se reunissem numa caminhada pelo “Orgulho Corrupto”, ou criminosos desfilassem com cartazes divulgando um “Orgulho Assassino”? Será que alguém se sentiria incomodado com uma passeata de marmanjos pelo “Orgulho Pedófilo”? Eu sim. E muito. Mas eles estariam, também, como os gays (e agora, parece, os ateus), apenas querendo dizer para a sociedade que eles têm amor-próprio, que respeitam seus próprios sentimentos e valores.

Pretendo mostrar, com meus próximos textos, que “passeatas de orgulho” são um grande e temerário equívoco social.

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   Temerário: 1 que contém certo risco; arriscado, perigoso 2 cheio de audácia; arrojado; imprudente 4 sem fundamento

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Provando que Deus é uma ilusão

Em oração, feche os olhos. Deus é fruto da imaginação humana e eu escrevi um texto que mostra como chegar a essa conclusão. É só clicar na imagem abaixo:

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“Quem ama teme!”

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O Evangelho segundo o Criador

Clique!

Eis o mistério da Fé

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Estudo revela ingrediente secreto na religião que torna as pessoas mais felizes

Por Josh Rhoten

Link para o texto original

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Um artigo publicado no começo do mês, na American Sociological Review, confirma aquilo que muitos na comunidade religiosa já sabiam faz tempo: a participação em organizações religiosas pode levar a uma vida mais realizada.

Os cristãos ativos (aqueles que vão regularmente à igreja) reportam que estão mais satisfeitos com suas vidas do que aqueles que não vão à igreja com tanta frequência.

Este senso de satisfação vem mais das interações que os frequentadores de igreja compartilham, do que das atividades e discussões teológicas que ocorrem nas igrejas de fato, diz o estudo.

O artigo, intitulado Religião, Rede Social e Vida Realizada, usou dados de uma pesquisa com americanos adultos, feita em 2006 e 2007, como parte do Estudo ‘A Fé Conta’. Essa pesquisa traçou a relação entre religião e capital social nos Estados Unidos.

“Nosso estudo oferece evidências convincentes de que são os aspectos sociais da religião, em vez de teologia ou espiritualidade, que levam a uma vida realizada”, diz Chaeyoon Lim, que conduziu os estudos e é professor assistente de sociologia na Universidade de Wisconsin-Madison.

“Em particular, descobrimos que amizades feitas em congregações religiosas são o ingrediente secreto da religião que torna as pessoas mais felizes.”

De acordo com o estudo, 33% das pessoas que iam semanalmente à igreja, e que tinham de três a cinco amigos íntimos naquela congregação, reportaram que estavam “extremamente satisfeitos” com suas vidas.

Em comparação, somente 19% das pessoas que iam semanalmente à igreja, mas que não tinham amigos íntimos na congregação, disseram que estavam “extremamente satisfeitos”. Este número foi o mesmo para os que não frequentavam igrejas, com apenas 19% desse grupo dizendo que estavam “extremamente satisfeitos”.

Embora o estudo tenha focado na fé cristã, Lim também notou que havia um padrão semelhante entre outros grupos religiosos, apesar das amostras terem sido de tamanho bem mais reduzido.

“Eu diria que a maior razão das pessoas frequentarem igrejas não é por seu pastor, mas por causa das relações que elas têm lá”, disse o Reverendo Max Janzen, pastor sênior da Igreja Batista Lado Ensolarado, em Cheyenne. “Por causa disso, eu concordaria totalmente com esse estudo, baseado na experiência que tenho na minha igreja”.

Lim disse, “Para mim, a evidência fundamenta que não é mesmo o fato de ir a uma igreja e ouvir sermões, ou rezar, que torna as pessoas mais felizes, mas fazer amigos através da igreja, e construir lá uma rede social íntima”.

Lim observou que o estudo não está dizendo que as pessoas que não frequentam igrejas não podem levar uma vida satisfatória. Mas que os que frequentam igrejas e têm um mesmo sistema de crenças e conexões sociais podem ser mais felizes devido a essas conexões.

O pastor Billy Minder, da Igreja Batista Ribeirão do Prado, em Cheyenne, disse que os dados [do estudo] condizem com sua experiência em sua igreja:

“Eu encontrei alguma informação, um tempo atrás, quando uma socióloga falou sobre os três lugares em que as pessoas se conectam umas com as outras, e ganham um senso de identidade e realização. Os dois primeiros são o lar e o trabalho, e eu sempre pensei no terceiro como sendo a igreja, onde você pode se ligar a pessoas com a mente parecida com a sua, e ter uma sensação de pertencer àquele lugar.”

Colabore com a LiHS

Clique na imagem abaixo para saber como ajudar no trabalho desenvolvido pela Liga Humanista e Secular do Brasil:

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Hospital é coisa de ateu

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Espero voltar a atualizar o site, normalmente, a partir da próxima semana. Estou me recuperando de uma enfermidade bem séria, e não há como se conseguir inspiração para escrever nada interessante consumindo medicação “tarja preta”.

Enquanto acompanhava o pingamento das últimas gotas do quarto frasco de soro que tomei esta manhã, na emergência de um hospital, pensei como seria mais cômodo para nós, ateus, se os religiosos confiassem mais nos seus próprios deuses e deixassem os hospitais apenas para gente como eu, que não tem proteção de nenhuma entidade superpoderosa criadora de universos. Isso teria impedido, por exemplo, que eu tivesse vomitado nos meus próprios pés, logo quando cheguei à emergência, ouvindo uma criança gritar de dor, chamando por um Deus que só existe num livro ridículo.

Minha mãe acredita em Deus, mas, como é “devota” de N. Sra. de Fátima, achou melhor se apegar com a santa, e prometeu comparecer a uma missa na “igreja dela”, da santa, caso eu me restabeleça logo.

Eu não quis assustar minha mãe com a informação de que duas das três criancinhas que ficaram famosas por terem recebido uma visita especial da mãe de Deus em Fátima, em 1917 — Jacinta e Francisco — , morreram de pneumonia poucos anos depois, sem que a santa tivesse se incomodado em lhes prestar qualquer socorro. E nem que se sabe o que aconteceu, de fato, com a terceira criança, “irmã Lúcia”, pois a que o Vaticano apresentou ao mundo, e que morreu em 2005, era só mais uma fraude.

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A História das Coisas

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Pra não dizer que não falei das flores

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O tema central do meu texto Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará era o de chamar a atenção para o fato de que é bem comum as pessoas defenderem ideologias que ignoram completamente. O argumento do post era esse: um jovem militante do PC do B pode, orgulhosamente, exibir a imagem do Che Guevara em sua camiseta, sem saber patavina sobre quem ele realmente foi, ou sobre o que ele realmente fez. Com base nisso, argumentei que os crentes de programa* fazem o mesmo com relação a Jesus Cristo: estampam em suas camisetas declarações de amor a um mito que sequer conhecem direito, e saem por aí, satisfeitíssimos com o orgulho que essa ignorância lhes proporciona.

*Eu os batizei de ‘crentes de programa’ porque eles caíram na vida fácil de trocar amor por presentinhos, favores e recompensas celestiais… 

Pois bem. Não me propus, com aquele texto, a tomar partido nem de direita, nem de esquerda, embora não precise fazer segredo de que jamais iria querer morar num país comunista. Pensamento este compartilhado por muitos comunistas que eu conheci.

Se alguém se sentiu ofendido com meu texto, eu gostaria de lembrar que nada lhe impede de expressar, aqui mesmo, esse seu descontentamento, nem de divulgar seus próprios contra-argumentos que deverão mostrar onde eu me equivoquei escrevendo o que escrevi. Felizmente, vivemos num Estado em que é possível esse tipo de discordância, e o debate só traz benefícios para os dois lados. Em “certos” lugares, você não poderia dizer abertamente que não concorda com “certas” coisas, se é que você me entende.  

Mas eu preciso dizer que não sou um anticomunista. Eu só acho que o comunismo “não funciona”.

Se o comunismo funcionasse, na prática, um homem não seria levado ao desespero de colocar toda a família num bote improvisado com câmaras de ar de pneus de caminhão, para se lançar num mar repleto de tubarões, na tentativa de aportar com vida no país símbolo do capitalismo. Se o comunismo fosse o que seus partidários acham que é, as pessoas não precisariam ser vigiadas dia e noite, como forma de o Regime garantir que não sofrerá um motim; não teriam restrições de acesso à internet, nem seriam privadas do direito de receber informação jornalística de outras fontes que não o próprio Estado. Se o comunismo fosse esse paraíso descrito nos panfletos de campanha, os cidadãos não precisariam ser tratados como crianças, com seus governantes desempenhando o papel de pais que atuam como um filtro poderoso e onipresente, pelo qual não passaria nada que o Estado julgasse inadequado aos seus filhos-cidadãos, ou apenas prejudicial a ele próprio. 

Acho que os camaradas têm uma vaga suspeita de que o comunismo, na prática, não bate com a teoria. Como ideologia, ele é até bem sedutor, mas ideologias costumam produzir mais mártires do que soluções.

John Lennon nos pediu para imaginarmos um mundo sem posses, um mundo compartilhado por todos. Mas ele era mesmo um sonhador! Nada nos impede de sonharmos nossos sonhos, mas seria bom estarmos imunes à tentação de acreditar que qualquer sonho é realizável. Muitos — na verdade, quase todos — não são. Precisamos aprender a identificar e descartar sonhos impossíveis, e fazer o melhor que pudermos com a realidade que nos cerca, que é tudo o que nos sobra, afinal, quando estamos acordados.

Talvez, em teoria, o comunismo fosse a ideologia política que, uma vez adotada pelo mundo todo, tornaria real o sonho da canção: não haveria posses; nada pelo que matar ou morrer; e o mundo seria um só. Talvez o comunismo fosse mesmo capaz de fazer todas as pessoas felizes, trabalhando pelo bem comum, cada uma satisfeita com sua condição, como os Betas, Gamas, Deltas e Ypsilones do Admirável Mundo Novo de Huxley. Quem sabe só um pouco menos felizes do que os Alfas, que estariam no controle de tudo.

Talvez, em teoria, o comunismo fizesse surgir uma sociedade mais justa, menos violenta e bem mais humana. Mas, em teoria, também dá pra você manter um elefante suspenso sobre um abismo, preso pelo rabo ao ramo de uma flor.

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Amai aos vossos inimigos

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Meu último texto, “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”, parece ter provocado a sensação de que me desviei da temática do blog, quando, aparentemente, teci alguns comentários contra o comunismo. Se quiserem ler o texto de novo, com mais um pouco de cuidado, talvez percebam o verdadeiro tópico abordado: o culto à ignorância, que é o combustível das religiões. Não estou dizendo que é preciso ser um idiota para ser religioso; estou dizendo que é preciso estar disposto a cultuar algo que você desconhece, para ter fé eu Deus.

E é este o mais terrível efeito da fé religiosa apontado por Dawkins: a religião nos ensina que é uma virtude ficar satisfeito em não entender.

Eu escrevi algo naquele texto sobre o comunismo que deve ter ofendido alguns leitores do DeusILUSÃO. A esses, eu faço o mesmo apelo de Dawkins: em vez de apenas se ofenderem e me virarem a cara; em vez de mudarem de calçada quando me encontrarem na rua, vocês deveriam estar aptos a dizer algo como “você está errado aqui, aqui, e aqui”. Aproveitem que vivemos num país em que esse tipo de discussão não leva mais ninguém para salas de tortura.

De qualquer forma, não deem muito crédito às minhas opiniões sobre nada. Porque eu sou um ignorante. Eu, geralmente, só me meto em encrenca quando acho que sei o que estou fazendo. Felizmente, a vida fez de mim alguém que não cultua a ignorância. E como preciso encerrar o assunto sobre esse suposto desvio temático do meu blog, que se propõe a mostrar como as pessoas se iludem achando que estão vendo o que não estão; acreditando que as coisas e as pessoas são como elas não são; e fingindo que a imagem que o mundo tem de nós mesmos é aquilo que nós realmente somos…

Bom… como preciso encerrar esse assunto, resolvi fazer três coisas: contar uma piada tola, que ilustra bem o que é uma “deusilusão”; fazer uma revelação chocante; e escrever um texto, quando eu me recuperar, fechando esse ciclo.

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Um comunista, visitando uma grande aldeia, pergunta ao cacique da tribo, também comunista:

—  Se você tivesse 2 milhões de reais, doaria 1 milhão para ajudar o partido?

— Sem dúvida — o cacique responde.

— E se você possuísse 2 mil cabeças de gado, doaria mil para o partido?

— Sem dúvida — o índio repete.

— E se você tivesse 2 redes, daria uma para o partido?

Silêncio…

— Por que a hesitação, cacique? — e o índio responde:

— E’ porque as redes eu tenho…

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Como eu prezo muito pela sinceridade, preciso dizer que estou escrevendo essas linhas “drogado”. Há dias que estou dormindo somente com ajuda de medicação pesada, porque fui injustamente acusado de ter cometido um crime hediondo. Meus acusadores — todos evangélicos e fiéis seguidores dos ensinamentos de Cristo — levaram apenas 6 horas para confabularem entre si e me declararem não “suspeito”, mas culpado do crime, com o que, felizmente, as autoridades policiais não concordaram, senão eu não estaria agora, aqui, online. Talvez nem estivesse mais vivo.

Finalmente, o texto ao qual me referi acima, que me proponho a escrever fechando esse ciclo, vai ser sobre o tema “comunismo” — agora, sim, acintosamente desviando-me da temática do blog.

Sobre o crime hediondo do qual as ovelhinhas de Jesus injustamente me acusaram, eu só poderia divulgar com o aval da minha linda psiquiatra, e do meu irmão policial, o herói que conseguiu me inocentar antes que eu fosse crucificado. Mas, certamente, daria uma boa história, do tipo que o cristão adora: cheia de fofocas, intrigas, traições e sangue inocente derramado por amor.

E eu poderia começar a contá-la plagiando o meu autor predileto:

Senhoras e senhores do júri: olhai este emaranhado de espinhos.”

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Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará

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Eu tinha uma professora de filosofia que sempre chegava uns 20, 25 minutos atrasada. Como as aulas dela eram sempre nos primeiros horários, os alunos iam chegando e se deixando ficar fora do prédio, onde havia um jardim, muita sombra de árvore e banquinhos de praça. A gente ficava ali, das 8 às 8:30 da manhã, rindo de um monte de besteira que a gente mesmo produzia, e sem sentir um pingo de sono. O sono só vinha quando a dita cuja finalmente chegava, e a gente emburacava na sala, atrás dela, com cara de vaca que chegou no lugar do abate. Aquela infeliz me fez odiar filosofia… Sorte que o curso não se propunha a formar filósofos, e sorte minha que, tempos depois, já tendo conhecido o País das Maravilhas de Alice, eu fui visitar O Mundo de Sofia. Mas, enfim… Ponto; parágrafo.

Foi numa dessas esperas de quase meia hora que um colega de classe, militante do PC do B, interrompeu a animada conversa do grupo com o famigerado grito de guerra de “O povo! Unido! Jamais será vencido!”, e começou a distribuir a propaganda política do partido dele. Eu me recusei a receber os panfletos, porque nunca soube de nenhum cidadão norte-americano que tivesse improvisado uma balsa e enfrentado um mar repleto de tubarões para ir tentar a vida em Cuba. E, por conta disso, ele me chamou de alienado. “Você é um alienado!”, ele disse. E eu fiz, então, a pergunta fatídica, aquela que assusta os despreparados e enfurece os imbecis (quando calha de ser um imbecil despreparado, aí você pode até colocar sua integridade física em risco): “Por quê?”. 

Ele me respondeu, já alteando a voz e iniciando um arremedo de discurso, que eu era alienado por não querer “me envolver com política, não querer conhecer as propostas, nem conhecer os ideais do comunismo”. E aí você já percebe como é poderoso o dom da retórica e da eloquência, pois mesmo um completo imbecil, pois mesmo um padre molestador de criancinhas ainda pode enganar a muitos e se passar por “entendido” ou por “santo”, conforme o caso. Basta saber falar bem e com uma fluência que disfarce a sua total falta de conteúdo, de moral, e de argumentos.

Quando ele, enfim, terminou o discurso-miolo-de-pote que tinha improvisado para uma dúzia de universitários alienados — eu incluso —, resolvi perguntar se ele sabia alguma coisa sobre o homem cuja imagem estampava sua camiseta vermelha. 

— É Che Guevara, porra! 

Aí  eu perguntei se ele sabia alguma coisa além do nome do cabeludo de boina que ele trazia no peito. Sim, ele sabia: “Che Guevara foi um herói da revolução cubana; foi um guerrilheiro que liderou a rebelião que libertou Cuba de um ditador filho da puta!”

Não só pelo fato da professora de filosofia já ter chegado, mas, também, porque o cara tinha mais de duas vezes o meu tamanho, eu resolvi encerrar a conversa por ali mesmo, e não quis saber qual era a definição de “liberdade” que ele tinha lido no dicionário.

Mas você veja como a cabeça dos jovens são sugestionáveis, e como os mitos se aproveitam disso para se eternizarem. Um universitário de classe média, em pleno gozo de suas faculdades mentais, abraça uma causa já falida no mundo todo e se veste propagandeando numa camiseta um mito que ele desconhece completamente. 

Che Guevara não foi um herói: foi um guerrilheiro desmiolado, um assassino covarde, um líder militar desastrado e incompetente, que se não fosse a admiração indevida que despertou em Fidel Castro, teria sido executado antes mesmo do fim da revolução, que se propunha a depor um ditador e instalar uma democracia, mas, como mostrou a História, havia um golpe dentro do golpe. Quando os líderes da revolução que depôs o ditador cubano Fulgêncio Batista, em 1959, souberam que haviam lutado não para livrar Cuba de um ditador, mas apenas para substituí-lo por outro, foram presos ou exterminados, por heróis como Che Guevara.

Ernesto Rafael Guevara de la Serna era filho da alta burguesia argentina, e, por algum motivo, tomou como hobby sair por aí se envolvendo em guerrilhas, com carta branca para matar quem não estivesse de acordo com sua visão de mundo. No caso dele, a visão política. Estivesse lutando por ideais religiosos, certamente teria aplaudido de pé os mártires que pilotaram os aviões até às torres gêmeas de Nova Iorque. Porque só há uma coisa que os fanáticos veneram mais do que morrer por um ideal: é matar por ele. 

A imagem de Che Guevara é um ícone. Mas pergunte a um jovem que a esteja exibindo na camiseta, ou num pôster colado na porta do quarto, ou numa tatuagem no peito: um ícone “de quê?”. E as chances são de que você tenha comprovada a teoria de quão imbecilizantes podem ser os cultos cegos a pessoas que, por força de marketing, ganharam fama mundial, sem que ninguém se desse ao trabalho de conhecer quase nada além dos seus nomes e do que “os outros” disseram que essas pessoas foram, ou fizeram. E, às vezes, sem que tenham sequer existido.

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TRATADO DAS ILUSÕES

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Introdução

Depois que eu morrer, espero que meu corpo seja cremado. Digo “espero” porque meus familiares mais próximos já foram comunicados a respeito, mas, embora haja uma grande probabilidade de eles seguirem essa funérea instrução, eu, obviamente, não poderei fazer nada se decidirem me enterrar, ou coisa pior, como me empalhar.

Mas, se eu não fosse ser cremado, que epitáfio iria querer que as pessoas lessem na minha lápide?

“Enfim, eu estava mesmo certo” ?

Ou…

“Nenhum Inferno, nenhuma virgem… Aliás… não tem nada aqui!” ? 

Foi, então, que eu me dei conta de duas coisas. A primeira. De quão imbecil é a pessoa que perde tempo de vida tentando bolar uma inscrição para ser posta sobre o seu próprio túmulo. A segunda. Que aquela era a pergunta errada a ser feita.

E é a resposta à pergunta certa que vai dar origem a esse TRATADO DAS ILUSÕES:

Para que serve um epitáfio?

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CONTINUAÇÃO:

- Epitáfios

- Os mortos apodrecem

- O Deus impossível

- A perspectiva do engano

- A fé vista de cima

- Como não enxergar o óbvio

- O compromisso de acreditar

- O Fim

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Parabéns!

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Hoje o DeusILUSÃO completa 3 anos de existência.

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Se você quiser saber por que eu comecei esse blog, basta ler meu texto 2 perguntas, 3 respostas e a apresentação que faço de mim mesmo na aba o Criador.

Se quiser saber por que diabos eu ainda continuo escrevendo, então leia a explicação que dei em Efeito borboleta.

Você pode também querer dar uma olhada na coletânea dos melhores textos que eu já produzi nesses três anos; estão aqui, na aba Melhores Textos. Se Deus quiser, volto a atualizar o site logo depois do Ano Novo.

Uma ex-namorada, católica, quando soube que eu tinha acabado de montar esse blog, sentenciou que eu não teria nem competência, nem paciência, nem força de vontade suficientes para mantê-lo por mais de dois meses. Depois de três anos, eu posso dizer que ela estava tremendamente errada.

Um colega de trabalho, pela mesma época, sentenciou que o blog jamais seria capaz de crescer — interneticamente falando — , e estaria condenado a ser, enquanto durasse, um blog de poucos leitores. Esse estava tremendamente certo.

Mas eu vejo isso pelo lado bom: eu bem que poderia não ter leitor nenhum!

Portanto, o meu muito obrigado a quem, no meio de trilhões de outras, resolveu visitar essa página, ler os meus textos, e até, às vezes, deixar um comentário.

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A imbecilidade é invisível aos olhos

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Na véspera de Natal, uma prima me mandou uma apresentação em PowerPoint intitulada Isso é que é amor!. Eu abri, li, balancei a cabeça em desaprovação, e escrevi uma resposta bem educada para ela, no mesmo dia. Pois bem… Ela esperou o Espírito do Natal dobrar a esquina, em direção ao Polo Norte, e ontem me mandou um e-mail nada educado, sugerindo que eu enfiasse a minha opinião de ateu nos lugares dos mais impróprios… Eu não respondi, revidando, primeiro porque eu sou um gentleman, a fina flor do abacateiro; segundo porque ela sempre foi mesmo muito desbocada, desde criança…

A apresentação em slides começava assim:

     Um dia, Jesus e o Diabo estavam conversando, e Jesus perguntou ao Diabo o que ele estava fazendo com as pessoas aqui na Terra.

O Diabo respondeu que estava se divertindo muito ensinando as pessoas a fazer bombas, a se divorciar, a estuprar criancinhas, o diabo a quatro!

Jesus perguntou: ‘E depois? O que vai fazer com elas?’.

E o Diabo: ‘Vou matá-las’.

Jesus: ‘Quanto você quer por elas?’.

Diabo: ‘Ah, Jesus… Você não vai querer esse povo! São pessoas traiçoeiras, mentirosas e falsas. Elas vão cuspir em você, vão te bater e não vão levar em conta nada do que você fizer por elas!’.

Jesus, então, insistiu: ‘Quanto você quer por elas, Diabo?’.

E o Diabo: ‘Eu quero toda a tua lágrima e todo o teu sangue’.

E Jesus: ‘Trato feito!’.

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O slide seguinte trazia a imagem de Jesus crucificado…

Isso é que é amor???

Por que Jesus, um Deus de amor, justo e bom, precisaria “fazer um trato” com um ser que era a personificação do mal? Por que Jesus, a terceira pessoa da Trindade que projetou, construiu e que governa todo o universo, teria que ceder às vontades e caprichos de uma entidade altamente prejudicial à sua Criação? Por que Jesus, que é a forma humana de um Deus onipotente, precisaria negociar o bem-estar, a felicidade, a vida terrena e a alma imortal dos filhos que tanto ama, com um Diabo infinitamente menos poderoso do que ele?

Se Jesus fosse o que os cristãos acham que é, ele deveria estar apto a dizer ao Diabo algo como:

“Olha, isso que você está fazendo com os seres humanos é inadmissível! Eu amo meus filhos e eles não estão à venda, nem foram concebidos para servir de brinquedo para você! Aliás, já estou cansado de você por aqui atrapalhando a vida deles. Eu te dou 3 bilionésimos de segundo pra você picar sua mula do meu universo, ou eu mesmo me encarrego de chutar sua bunda malévola para fora dele”.

Simples assim. Mas os cristãos não conseguem ver a imbecilidade que está incrustada no seu próprio mito sagrado: um Deus que pode tudo, não pode se livrar, ou conter, ou neutralizar as ações de um Diabo que, aparentemente, só existe para desafiá-lo.

Minha prima parece endossar esse raciocínio cristão tacanho, pelo qual Deus, o bom e todo-poderoso Criador, não faz nada contra o Diabo porque não é muito adepto de interferir nas ações dos seres que habitam o seu universo. Mas eu tenho toda uma Bíblia de razões para suspeitar que esse pensamento é tão imbecil quanto aquele que motivou alguém a dar um título de Isso é que é amor! a uma história tão ridícula como essa.

Não, prima, o sacrifício de Cristo na cruz, feito para pagar esse suposto acordo com o Diabo, não é nem de longe uma demonstração de amor. É apenas uma evidência de que vocês, cristãos, não enxergam a imbecilidade por trás de cada raciocínio sem sentido, necessário para sustentar a sua fé em algo que não faz parte da realidade.

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Jesus: o Deus que saiu pela culatra

As religiões cristãs simplesmente substituíram o Deus do Antigo Testamento, que era uma divindade monstruosamente intragável, por Jesus Cristo. Se você seleciona algumas passagens bíblicas que mostram claramente que o Deus-Pai tinha sérios problemas mentais, o cristão invariavelmente responde: “Mas isso é do Antigo Testamento”, o que, para mim, é como se ele quisesse dizer: “Esse Deus aí já morreu”.

Claro que nem todos os fiéis da Bíblia concordarão com ele: os judeus e muçulmanos desprezam os Evangelhos e Jesus Cristo, e seguem lá, com suas guerras e com seus inimigos, apoiados apenas pelo Deus monstruoso que os cristãos relegaram à história de sua própria religião. E como tem louco pra tudo, os mórmons, por exemplo, resolveram inovar e, além de desprezar o Deus do Antigo Testamento, como todo bom cristão, passaram também a desprezar toda a Bíblia convencional, já que o Criador se ocupou em mandar fazer uma só pra eles…

Mas essa coisa de substituir deuses não deu lá muito certo: o cristão trocou um Deus doente mental superpoderoso por um Jesus chantagista de moral duvidosa, que fascinou os tolos criadores de cabras do Oriente Médio com algumas mágicas de circo.

Jesus Cristo acabou sendo, a longo prazo, muito mais prejudicial para a humanidade do que o Deus de um povo só, o fazedor de guerras e motivador de chacinas do Antigo Testamento.

Nos vídeos abaixo, sugeridos pelo leitor Eddie, você vai entender por quê.

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DEUS – Manual do Usuário

Introdução

Parabéns!

Você acaba de estar adquirindo um produto de altíssima qualidade e de eficácia comprovada por um incalculável número de pessoas, das mais diversas culturas, ao longo de milhares de anos! Um produto quase tão onipresente no mundo quanto a Coca-Cola! Quase tão eficiente e perfeito quanto o Windows 7!

Entretanto nós fortemente recomendamos que você leia antes todas as instruções contidas neste manual! Somente a leitura cuidadosa deste guia vai estar assegurando a você um correto uso de Deus, evitando assim possíveis transtornos causados pelo seu manuseio inadequado, bem como a subutilização de suas funções. 

O completo conhecimento dos assuntos tratados aqui servirá para prevenir que você possa estar colocando Deus em contato com coisas altamente danosas ao equipamento, como raciocínio e bom-senso, que fatalmente poderão estar afetando o seu desempenho.

(Dê atenção especial ao Cap. 1 – Recomendações de Segurança.)

Lembramos que, se você nasceu num país de tradição cristã (ou, pelo menos, nasceu numa família cristã), Deus foi instalado no seu cérebro automaticamente e já se encontra pronto para uso, mas é necessário ler, o quanto antes, o Cap. 4 – Manutenção da Carga da Beteria, ou você poderá estar correndo o risco de se tornar um ateu e, assim, poderá estar dando um tremendo desgosto aos seus pais e aos seus entes mais queridos!

IMPORTANTE!

Caso você tenha nascido num país que instalou indevidamente o deus errado no seu cérebro, você pode estar consultando imediatamente o Cap. 2 – Instalação Manual, antes de estar prosseguindo com a leitura.  

Uma vez instalado com sucesso, o produto tem garantia vitalícia contra defeitos de fabricação, sendo que todo e qualquer problema que ele possa estar apresentando atribuído à operação incorreta por parte do usuário. Ainda assim, você pode estar se dirigindo a uma de nossas inúmeras Assistências Técnicas Autorizadas perto da sua casa. Com um pouco de sorte, talvez haja uma bem aí na esquina da sua rua!

Lembramos, finalmente, que cada Assistência Técnica tem sua própria versão de Deus, bem como total autonomia para estar cobrando o valor ideal nas taxas de instalação, reinstalação, atualização e reparos que julgar necessários ao produto, variando desde um pagamento simbólico e/ou opcional, até quantias absurdas que levam muitos incautos à falência e até à penúria. Entretanto, para efeito legal, informamos que o valor máximo cobrado não pode estar excedendo a 10% dos seus ganhos mensais.

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Cap. 1 – Recomendações de Segurança

Cap. 2 – Instalação Manual

Cap. 3 – Conhecendo o Produto

Cap. 4 – Manutenção da Carga da Bateria

Cap. 5 – Recarga Autônoma da Bateria: Fé

Cap. 6 – Funções – Parte I

Cap. 7 – Funções – Parte II

Cap. 8 – Funções – Parte III

Cap. 9 – Solução de Problemas

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Deus: manual do usuário

dê um clique!

Deus, Jesus, Satanás e o Papai Noel

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Um ateu é como se fosse um ex-detento: um cara que conhece o presídio por dentro e por fora, mas que — por motivos óbvios — acha o lado de fora muito mais interessante.

Hoje eu sou ateu, mas já fui católico “não praticante”, embora a coisa mais difícil do mundo seja você encontrar um católico praticante. Nenhum católico pratica os ensinamentos de Cristo, a começar pelo papa. Talvez isso se deva ao fato do filho de Deus não ter deixado instruções muito claras, ora falando como se fosse o Mestre dos Magos, ora ensinando coisas absurdamente contraditórias, como amar ao próximo e seguir as leis de Deus, que mandava você matar a pedradas quem não acreditasse nele, no Deus único.

Um católico não praticante é aquela pessoa que foi visitar um parente preso e resolveu ficar morando no presídio, porque toda a sua família, todos os seus amigos e todo mundo que ela conhecia já estavam lá dentro.

Sendo ateu e ex-católico, eu posso lhe assegurar que sei praticamente tudo o que se precisa saber sobre Deus e sobre Jesus Cristo. Sério. E, hoje em dia, graças à internet, mesmo que você não esteja seguro de alguma coisa sobre Deus e Jesus, basta dar umas três ou quatro dedadas no seu tablet, que a informação que você precisa lhe chega às mãos, em qualquer lugar e a qualquer momento. Informação de onde? Da Bíblia. Procure em qualquer outra fonte que você estará cometendo um pecado digital. O assunto é Deus? O assunto é Jesus? Então morreu Maria Preá: é só ler na Bíblia.

Agora, se você estiver procurando informações sobre Satanás ou sobre o Papai Noel… Aí é bom consultar em outro lugar. O livro sagrado do cristianismo não trata desses assuntos. E deveria! Não com relação ao Papai Noel, mas a Satanás.

Jesus-Maria-José!! Se não fosse por Satanás a gente tava numa boa! Não teria havido nenhum despejo do Paraíso, nenhum dilúvio, nem fuga do Egito, nem caça às bruxas, nem Inquisição, nem Cruzadas, nem 11 de setembro… Nem as Testemunhas de Jeová viriam me encher o saco todo domingo de manhã… É: sem Satanás, a gente já estaria no Paraíso.

A questão é que a Bíblia não fala nada de aproveitável sobre o arqui-inimigo do Criador. E não quero nem entrar agora no mérito de um ser todo-poderoso ter um arqui-inimigo a lhe atrapalhar os planos, ou a lhe estragar a Criação o tempo todo… Mas enfim… Tá querendo saber alguma coisa sobre Satanás? Vai lá na Wikipédia.

Se você é cristão, já deve estar fazendo força para lembrar do livro, capítulo e versículo da Bíblia em que leu sobre aquela revolta das criaturas celestiais comandadas por Lúcifer, que culminou na expulsão de um terço dos anjos do Paraíso… Será que você leu algo parecido em Apocalipse? Talvez, mas esse livro supostamente trata do fim das coisas e não do seu início. O Anjo Caído é uma fábula hebraica que fazia parte de uma coleção de estórias contidas num livro reconhecidamente literário — leia-se: não divino — chamado Livro de Enoch.

Satanás não era o “Diabo” até Jesus Cristo ter vindo fofocar dele aqui na Terra. Antes de ter sido difamado pelo Filho do Homem, o Coisa Ruim era descrito na Bíblia como sendo um dos anjos que frequentavam o gabinete divino; quase um assessor, como bem demonstra o livro de Jó.

Nossa, mas por que Jesus teria feito isso?, você pergunta. E eu respondo. Quem escreveu as falas de Jesus Cristo, estava, na verdade, corrigindo um problema — um bug — que fatalmente não passaria desapercebido pelas gerações futuras: o Deus do Antigo Testamento, sendo único, fazia tudo sozinho: coisas boas e coisas más… Foi Deus quem “tentou” Davi e Samuel, e foi Deus quem disse:

    Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas coisas.

Deus… Que feio!!

Por isso que tiveram que inventar um… um… um o que, meu Deus?… Um negativo, um opositor, um rival, um desafiante, um oponente, um adversário, um bandido, um vilão. E, então, pegaram emprestado esse Satanás das fábulas que os hebreus já conheciam.

Nós, ateus, entendemos que Jesus Cristo é um personagem fictício. Você, cristão, entende que Jesus foi realmente quem a Bíblia diz que ele foi. Só que, agora, já que a Bíblia não diz que o Diabo é o que você achava que era, você vai precisar encarar o fato de que ele, Jesus, talvez tenha sido enviado aqui para Terra, pelo Criador do universo, para nos salvar de um ser tão mitológico quanto o Papai Noel.

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Pequeno ensaio sobre o Vazio


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—  Tome mais um pouco de chá —  disse a Lebre Maluca a Alice, muito seriamente.

—  Ainda não tomei nada —  Alice respondeu num tom ofendido: — então, não posso tomar mais.

—  Você quer dizer que não pode tomar menos —  disse o Chapeleiro: —  é muito fácil tomar mais do que nada.

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“Nada” é algo absurdamente impensável. É sempre mais fácil haver alguma coisa no lugar. Qualquer coisa. Por mais infinitesimal que seja. Do que apenas nada.

Não podemos conceber o nada absoluto, talvez pelo simples motivo do nada absoluto ser inconcebível. Até o vácuo entre os planetas e entre as galáxias é atravessado constantemente por uma quantidade significativa de coisas. Um fóton, ou a mais elementar das partículas subatômicas que seja, já é alguma coisa. E onde há alguma coisa, por definição, não pode haver “nada”. O “nada” deixa de existir sempre que há alguma coisa nele.

Nossos cérebros não são capazes de lidar com o nada absoluto, daí usarmos de forma equivocada essa noção internalizada. Por exemplo: se você “esvazia” uma caixa de sapatos e alguém, depois, pergunta o que tem na caixa, você tenderá a responder: “nada”. A caixa está vazia? Sim, mas vazia de sapatos, ou de fotografias, ou de cartas de amor. Vazia de coisas que poderiam estar dentro dela e não estão. Essa é a definição de “nada” a que recorremos para vivermos nossas vidas.

Os primeiros árabes que aprenderam a somar, ficaram terrivelmente incomodados com o vazio gerado nas colunas das suas contas quando os resultados mostravam dezenas, ou centenas, ou milhares de grupos de dez completos e, então, criaram o zero: 60, 200, 5000.

Os primeiros de nós que tiveram a sorte de terem saciado suas necessidades mais básicas — estando de barriga cheia, abrigados das intempéries, tendo uma fêmea ao lado, etc. — e começaram a pensar no que estava acontecendo afinal, sentiram-se terrivelmente incomodados em não terem respostas e imaginaram o primeiro deus.

É muito fácil criar uma divindade que responda àquilo para o que você não tem resposta; e que explique o que você não entende. Ou isso, ou o vazio de não saber e de não se ter uma explicação. E é sempre muito mais fácil se ter alguma coisa em vez de não ter nada.

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Sacrilégio Celestial

Um texto do blog do colega Doug fala sobre a “perfeição” de Deus. Clique na imagem para ler:

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Por que vocês olham para o céu?

 

clique para ler a resposta

Ridículo, com 4 letras

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Eu sou um empresário. Tenho uma loja de departamentos que ocupa um quarteirão inteiro do meu bairro. De tão grande, a loja parece um labirinto, com suas linhas intermináveis de prateleiras, gôndolas e eletrodomésticos enfileirados, formando corredores longos e perpendiculares entre si.

Eu mandei instalar um sistema de câmeras que cobre toda a área dessa minha loja, e que pode ser acessado pela internet. São 26 câmeras ao todo, mais uma de lente panorâmica que me permite ver toda a área como se fosse num mapa. Quando quero tirar um dia de folga, eu posso monitorar tudo de casa mesmo. Se percebo alguma coisa errada, como um cliente sendo deixado sem atendimento, eu ligo para o chefe dos gerentes de departamentos e mando dar uma dura nos vendedores da seção. E, se for preciso, de casa mesmo eu posso acessar o sistema de comunicação e falar o que quiser, que todos lá poderão me ouvir pelos autofalantes. Nunca precisei usar esse recurso. Até ontem.

Veja você: minha filhinha de 7 anos ficou trancada nessa loja imensa, sozinha, e justamente quando começou um grande incêndio lá dentro.

Por sorte, eu estava monitorando as câmeras e vi tudo. Com os recursos disponíveis, inclusive o de abrir e fechar as portas de acesso à rua remotamente pela internet, eu mantive a calma e percebi que poderia guiar minha filha até a saída mais próxima, evitando aquele fogo infernal.

O que eu omiti, até aqui, foi que minha filha é paraplégica, e que a cadeira de rodas que ela estava usando tinha um sistema de motores que poderiam ser acionados remotamente por mim, também via internet, enquanto ela estivesse na loja. Foi um sistema que eu inventei, e que fazia a cadeira de rodas dela virar um brinquedo nas minhas mãos. Sim, eu sou muito inteligente e adoro criar coisas!

Eu poderia, de fato, ter assumido o controle da cadeira de rodas da minha filha em perigo, e tê-la feito deslizar rápida e seguramente para a saída. De onde ela estava, só precisaria seguir em frente, até o fim do corredor, onde havia um extintor de incêndio, dobrar à esquerda e seguir uns dez metros mais, que lá haveria um outro corredor que a levaria a uma porta dando para a rua.

Eu visualizei tão facilmente essa rota porque eu tinha a onisciência e a clarividência bancadas pelas minhas câmeras de vigilância, porque eu sou um adulto inteligente e porque não estava em pânico dentro de uma loja pegando fogo.

O que eu omiti, até aqui, foi que eu comecei a sentir uma enorme curiosidade em ver como a minha filhinha de 7 anos se safaria de uma situação daquelas, sem a ajuda direta de seu papai todo-poderoso. Foi quando me veio essa ideia… Em vez de assumir o comando da cadeira de rodas, eu decidi acionar os autofalantes para transmitir instruções à minha amada filhinha, de modo que ela chegasse até a saída daquela loja em chamas por seu próprio esforço.

O que eu omiti, também, até aqui, foi que eu, do nada, bolei um tipo de jogo de vida ou morte pra ela. Eu disse:

“Minha amada filha. Papai está aqui, e tudo vê e tudo sabe. Vou te guiar até a salvação. O que você precisa fazer é ouvir minhas instruções e segui-las à risca. Desvie-se delas e você estará condenada. Mas, se você tiver fé em mim e trilhar o caminho que lhe ditarei, você será salva. E aqui vai a primeira orientação. De onde você está, você vai ter que se deslocar até um determinado ponto. Um lugar especial, marcado por um objeto de muito fácil identificação que tem um uso bem peculiar. Mas eu não vou dar tudo de mão beijada pra você, né, fofa? Vamos combinar uma coisa: eu lanço uma charada e a resposta indica a direção na qual você deve seguir para escapar do fogo. Amém? Então, vamos lá. A primeira dica é: equipamento de proteção coletiva: 8 letras!

Pois foi. Ela conseguiu acertar essa e as outras respostas até chegar à saída. Não se queimou nem um tiquinho, embora tenha inalado muita fumaça. Eu me senti muito orgulhoso da minha filhota.

Espero que você não faça mau juízo de mim, só porque eu não tomei a atitude mais sensata e eficiente, que seria guiar eu mesmo a cadeira de rodas. Acho que isso meio que interferiria no livre-arbítrio da criança, entende? Espero mesmo que você não me considere um canalha por não ter dado à minha filha as instruções de fuga de uma forma mais direta, sem esse joguinho de adivinhação. E espero, também, que você não me deteste por isso que eu fiz, porque eu não suporto rejeição. Na verdade, eu quero que você se convença e convença a todos a quem contar essa história de que eu sou um pai maravilhoso e bom.

Ah! E o mais importante que eu omiti, até aqui, foi que eu mesmo tranquei a minha filha lá dentro da loja. E fui eu que provoquei o incêndio… Estranho isso, né? Eu sei… É que eu tava meio sem ter o que fazer, sabe?… Então isso me veio à cabeça. Esse jogo mortal, essa gincana macabra. Mas acredite em mim quando digo que amo minha filha. Muito. Morreria por ela, se fosse preciso. 

Crucificado, de preferência. 

  

“A Verdade sobre a Carne”

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O mundo precisa de religião porque as pessoas não seriam capazes de engolir certas verdades cruas.

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Christopher Hitchens

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Clique na imagem para ser direcionado para um post do DeusILUSÃO, publicado em 09/01/2009, em que selecionei algumas ótimas passagens do livro “Deus não é grande”.

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Cristoólatra

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LRC é como um leitor do blog se identifica nos comentários. Eu temo pela alma dele, porque, se ele está com vergonha de escrever o próprio nome para defender o Jesus dele das ofensas perpetradas por esse ateu do demônio, ou muito me engano, ou o tal do Jesus também vai ter vergonha de pronunciar o nome dele diante do Pai.

O  leitor LRC escreveu sobre mim, nos comentários:

      Como pode um sujeito NÃO acreditar num cara e, no entanto, VIVE citando o nome dele?… afinal, se ele não existe, qual é a razão desse site? Simplesmente NÃO acredite e pronto.

Infelizmente para vocês, religiosos, ainda vivemos numa sociedade composta, em sua maior parte, por crentes de manada (os maria-vai-com-as-outras) e crentes de programa (os que vivem à custa de um Deus-cliente que lhes promete uma eternidade de delícias em troca de favores dos mais pervertidos). Esses dois tipos de crente são apenas usuários da droga Deus; eles não fazem parte do cartel que pega mesmo em armas para defender seu negócio. Se esses fossem a maioria, eu não teria coragem de manter esse blog. Como já disse várias vezes: eu sou um ateu muito covarde.

Uma das razões desse site é justamente para lembrar, a gente como você, que gente como eu ainda pode exercer o direito de discordar da maioria, sem correr o risco de ser morto, como é a vontade do Deus que você acredita ser a personificação do amor, da tolerância e de tudo mais que é bom.

Um crente dizer a um ateu “Não acredite e pronto” é, mais ou menos, o mesmo que um político corrupto dizer a um político honesto: “Não aceita propina? Problema seu! Mas Vossa Excelência não ouse criticar quem aceita!”. 

      Tenho uma amiga ateia, sabe o que ela faz? NADA, não faz blog nem “briga consigo mesma”, como fazem  vocês, frequentadores desse site. Têm MEDO do desconhecido, de si mesmos… e então, NEGAM o o óbvio, ATACANDO aquilo que lhes é claro, cristalino… Freud explica…

O que seria esse “óbvio” tão “claro e cristalino” que os ateus atacam? Seria Deus? O mesmo Deus que, de tão óbvio e cristalino, inspira a construção de uma nova igreja a cada mês, para se juntar às centenas e centenas que já existem, cada uma dizendo uma coisa diferente sobre o que ele é e sobre o que ele quer; sobre o que fez e o que ainda vai fazer?

       NÃO TENHAM medo, Deus não é nada disso que vocês pensam, e que algumas visões equivocadas de certas religiões implantaram durante anos. Deus NÃO TEM NADA A VER com religião

Visões equivocadas de “certas religiões”? A “sua” religião, por acaso, não está equivocada, eu suponho.

E Deus não tem nada a ver com religião? Jura? Façamos um teste.

Ingredientes:

- 300 crianças recém-nascidas, todas de pais católicos;

- três ilhas completamente desabitadas.

Modo de preparo:

- divida os 300 recém-nascidos em grupos de 100;

- deixe um grupo em uma das ilhas, completamente abandonado à própria sorte;

- deixe o segundo grupo na segunda ilha, mas providencie um exército de robôs japoneses altamente especializados em tarefas como trocar fraldas, dar sopinha, cuidar de doenças, etc.;

- coloque o terceiro grupo na última ilha, junto com um casal adulto de Hare Krishnas.

(Lembre-se de abastecer regularmente a segunda e a terceira ilhas com víveres suficientes.)

Espere duas décadas e veja o que você vai encontrar, quando voltar lá:

- na primeira ilha: 100 esqueletos de bebês;

- na segunda, uma civilização bem estranha de adoradores de um deus-robô-japonês invisível;

- na terceira, uma feliz comunidade de Hare Krishnas.

Deus tem tudo a ver com religião, porque é a religião que faz as pessoas “precisarem” acreditar num determinado deus, não necessariamente no “seu” Deus, com D.

Em outro comentário, LRC  escreveu:

      “O essencial é invisível aos olhos”. Você, certamente, não acredita nessa frase: não vê o ar, não é palpável. (…) Puxa vida, esqueci: você só acredita no que vê e apalpa…

Esse pensamento é bastante comum entre os religiosos e serve muito bem como exemplo da visão equivocada e distorcida que os crentes têm do mundo. É com esse tipo de raciocínio enviesado que eles sustentam a sua fé enviesada num Deus enviesado. Faz sentido.

Mas um ateu não “acredita” apenas naquilo que vê e apalpa. Nós não acreditamos no seu Deus, senhor LRC, pelo mesmo motivo que não acreditamos em sacis e em vampiros. Não só porque não podemos vê-los e apalpá-los, mas porque nos demos conta de que deuses, sacis e vampiros são apenas histórias que as pessoas inventaram para assustar as crianças. Eu sei que o senhor não concordará comigo, mas sei também por quê.

O crente, o religioso, é um drogado em permanente estado alucinatório. Como existe gente viciada em crack, em cigarro e em cachaça, existe gente viciada em Deus, em Krishna, em Alá… Mudam os nomes e os infernos, mas o “barato”, a “viagem”, a “lombra”, a “noia”, a embriaguez, o delírio, tudo é o mesmo.

Pra mim, foi muito fácil ficar “limpo”, foi muito fácil “me desintoxicar”, porque, na verdade, nunca fui um usuário “pesado”. Nunca dependi tanto assim de Deus.

Sua religião é um vício nocivo à sociedade e à humanidade como um todo, mesmo que, eventualmente, possa lhe trazer benefícios.

Deus é uma droga” é o nome de um texto de Richard Dawkins que eu traduzi, e que explica bem essa comparação. Você não poderá concordar com ele pelo mesmo motivo que um bebum não pode concordar que a bebida alcoólica lhe é danosa, enquanto estiver curtindo a felicidade artificial que o álcool produz no cérebro. A diferença entre um religioso e um pinguço é que o pinguço viveria bem menos se, como o crente, conseguisse ficar o tempo todo de porre.

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Rocky Balboa – versão séc. 21

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Você não vai precisar entender o que significam as siglas UFC nem MMA para gostar desse filme. Não é uma história sobre vale-tudo. É uma história sobre os caminhos que a vida põe diante de nós, das escolhas que fazemos diante deles, e das consequências que teremos que levar para o resto de nossas vidas.

Esse não é um filme sobre um campeonato de artes marciais, nem de violência gratuita. Esse é um filme sobre algo que nenhum ser humano jamais poderia dispensar a deus algum, por maiores que fossem suas ameaças e chantagens; por piores que fossem os seus infernos.

Esse é um filme sobre amor, com um final imprevisivelmente emocionante.

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Blasfêmia

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Voo e Queda (fim)

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Mais de 40% das pessoas que viajam regularmente de avião declaram que têm medo de voar. Em prol do bom entendimento, o que elas temem, na verdade, não é o voo, mas a queda. Consciente ou inconscientemente, essas pessoas são atormentadas pelo pensamento onipresente de que, para chegarem vivas ao seu destino, muita coisa precisa funcionar direito. E esse “muita coisa” quer dizer muita coisa mesmo! Os inúmeros sistemas da aeronave — hidráulicos, elétricos, mecânicos, eletromecânicos, eletrônicos e aerodinâmicos — que garantem o voo em si; as dezenas de equipamentos eletroeletrônicos dispostos no solo, nos aeroportos e ao longo da rota, que dão suporte à navegação e às comunicações com o controle de voo; as condições climáticas, e por aí vai… 

Alguém que morre de medo de voar terá seu comportamento justificado se descobrir que um avião caiu porque o piloto quis economizar no combustível. E mais justificado ainda esse medo se tornaria se ele viesse a saber que, tecnicamente falando, todo avião que pousa é um avião que cai.

A diferença entre um acidente aéreo e um pouso bem-sucedido é que um pouso é uma queda muito bem planejada. Quando a aeronave, a baixa altura e numa velocidade crítica, perde completa e definitivamente sua sustentação no ar, a pista de pouso já está bem ali embaixo: reta, plana e asfaltada, pronta para ser percorrida pelos pneus do trem de aterrissagem. Tem gente grande que até bate palmas, logo após o reverso dos motores frear a aeronave, sem se dar conta de que o avião em que viajava acabou de cair.

A crença em Deus pode ser comparada a um voo numa aeronave que não recebeu combustível suficiente para chegar ao destino. Desconhecendo essa realidade, o crente pode conservar a calma impassível dos ignorantes, até o instante em que os alarmes começarem a soar na cabine de comando, para despertá-lo do seu sonho de Ícaro. 

Fé pode ser muito útil em alguns poucos casos, e tremendamente danosa em todos os outros. A utilidade dela se percebe, por exemplo, na tranquilidade demonstrada por aqueles 60% que declararam que não têm medo de voar. Eles acreditam que tudo vai dar certo, que a aeronave foi abastecida como deveria, e que ela “nunca” vai cair. É essa crença que os deixa livres e despreocupados, na sala de embarque, para fazer compras de última hora, ler um livro ou mandar alguns e-mails. É um conforto individual. Quando se trata de coletividade, entretanto, a fé religiosa sempre trouxe muito mais malefícios do que benefícios. Como quando alguém quer economizar 40% na despesa com o combustível, e faz um voo suicida contando apenas com a proteção de um personagem de um livro de fábulas.

O ateísmo é  um pouso, mas não no sentido de ser uma queda planejada, porque não é possível alguém planejar se tornar ateu. Mas é um pouso no sentido de ser uma volta consciente à terra, depois que se percebeu o risco que é contar com um combustível que simplesmente não foi colocado nos tanques. 

O ateu é um Ícaro que não renegou a sua origem mortal compartilhada com cada ser vivo deste planeta; que não foi prepotente a ponto de ignorar a voz da razão; que não se embriagou no orgulho de se achar especial demais; que não se extasiou no sonho encantado de ser o que não é.

O ateu é um Ícaro que não deixou que o sol derretesse sua cera, nem que o mar molhasse suas penas, voando alto o suficiente apenas para elevar-se acima dos muros de um labirinto feito de mentiras e de ilusões, para pousar logo depois em terra firme e em liberdade.

O labirinto do qual ele escapou foi construído há muitos milênios, para aprisionar as mentes daqueles que se acham e se comportam como se fossem a coisa mais importante do universo. Lá dentro, eles todos consomem suas vidas numa prisão gigantesca, e morrem, um a um, na queda inevitável após o voo suicida em direção a um céu que jamais poderão alcançar.

Antes do Fim

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Hoje eu li uma frase no vidro traseiro de um Fiat Uno estalando de novo: “Obrigado, Deus”. Se eu não estivesse atolado até o pescoço de trabalho, iria mandar fazer um adesivo daqueles pra colocar no meu carro: “Obrigado, Deus, mas eu tinha pedido um Toyota Hilux”.

É por isso que Papai Noel faz mais sucesso do que Deus com as crianças: dos dois velhinhos de barba branca, o do gorro vermelho é o único que entrega os presentes direito.

O texto final da série Voo e Queda só vai ser publicado nesse fim de semana. E a razão disso é porque ainda não o escrevi.

Agora, responda rápido: Um Deus imaterial é feito de quê?

Isso mesmo: de Nada!

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Voo e Queda (o verdadeiro problema de Ícaro)

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Se uma história se parece com uma fábula, é porque ela é uma fábula… Quando você considera o mundo honestamente, a coisa é assim mesmo tão simples quanto parece. Não tem “mas”, nem meio “mas”. Fábula é fábula; realidade é realidade; e dá pra saber qual é qual sem muito esforço.

Uma coisa é um príncipe escolher uma plebeia para ser sua esposa; outra é um príncipe ser transformado num sapo por uma bruxa malvada, e ter o encanto quebrado por uma plebeia que, por algum motivo, resolveu beijar um sapo na boca… Pode acreditar em mim quando eu digo que dá para identificar uma fábula quando se lê uma. Nelas, acontecem coisas que não poderiam ocorrer no mundo real. Não importa quantas pessoas acreditem que bruxas existem (e que podem transformar qualquer um, seja príncipe ou não, em sapo), bruxas não existem, e pessoas não podem ser transformadas em sapos… 

Intuitivamente falando, eu “sei” que a história de Ícaro é uma fábula. Mas o que me permite concluir que é assim, racionalmente? Seria preciosismo meu apontar o evidente equívoco do seu autor no desfecho da história: a temperatura não aumenta à medida que alguém voa para cima, em direção ao sol. Na verdade, ela diminui. Na próxima vez em que viajar de avião, lembre-se de ouvir as informações que o piloto geralmente fornece quando a aeronave atinge o nível de cruzeiro. A temperatura do ar externo estará várias dezenas de graus abaixo de zero. 

Ícaro não correria o risco de ter a cera de suas asas derretidas só por voar mais alto. O verdadeiro problema de Ícaro é que ele jamais levantaria voo com um par de asas feitas de penas de pássaro e coladas com cera.

É isso que “entrega” o mito.

Como eu disse: é fácil identificar uma fábula, quando você considera as coisas honestamente. Basta sentar numa poltrona confortável, pensar sobre o assunto por um ou dois minutos, para concluir que tal e tal coisa seria impossível de ocorrer no mundo real. A opção seria você dizer para si mesmo e para quem mais quisesse ouvir: “Não, não é impossível. Aconteceu mesmo. Eu acredito.”

Isso é o que se chama . E fé é algo de muita serventia para o crente, quando tudo o mais funciona bem. Porque, quando não é o caso, o que sobra ao temente a Deus é aquilo com o que qualquer outro “não temente” poderia contar também: a sorte.

E o que se pode entender por “sorte”? Uma situação de risco — como estar voando a baixa altura num avião sem combustível — da qual você saiu ileso, quando o esperado era que se machucasse muito; da qual saiu com lucro, quando a probabilidade era a de que amargasse um enorme prejuízo; ou da qual você saiu vivo, quando havia grande chance de ter morrido.

Fé só é útil em retrospecto, quando se está num leito de hospital, dando entrevista sobre o acidente aéreo do qual você foi um dos sobreviventes. É quando se costuma esquecer que os que morreram também tinham fé em escapar. 

O que eles não tiveram foi sorte.

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Voo e Queda (a pane)

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Escrevi o episódio 1 baseado em duas fontes: o relatório final de investigação do acidente com o PT-OSR, disponibilizado na internet pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos; e em uma entrevista concedida pelo copiloto da aeronave ao site da revista Isto É. O episódio 2 também é de minha autoria, elaborado após a leitura de alguns textos obtidos na internet com a pesquisa “Ícaro + mitologia grega” no Google.

Dito isso, que os textos são inéditos e que eu sou o autor, acho que posso listar mais ainda algumas semelhanças entre eles: foram escritos em língua portuguesa; são uma narrativa em terceira pessoa; relatam as mortes de seres humanos que estavam se deslocando através do ar; fazem referência a pessoas e a lugares; e, por fim, são textos que talvez sirvam para nos trazer um bom ensinamento, a chamada moral da história — devemos seguir os conselhos e orientações daqueles que certamente tenham a devida competência para dar esses conselhos e orientações. No caso do piloto da aeronave sem combustível, a legislação aeronáutica; no caso de Ícaro, a instrução dada pelo próprio pai.

E que tipo de diferenças eu poderia listar?

A extensão: o episódio 1 é umas cinco vezes maior que o 2.

A fama do tema: é muito mais provável que qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo, seja criança, adulto ou idoso, saiba alguma coisa sobre a história de Ícaro do que sobre o acidente sofrido pelo avião da banda Calypso.

O distanciamento geográfico-temporal: em relação a nós que vivemos no Brasil, no século 21, estamos mais próximos, no tempo e no espaço, dos acontecimentos narrados no episódio 1.

O estilo: o relato do acidente aeronáutico ocorrido em Recife é essencialmente jornalístico, enquanto o outro foi escrito no estilo literário. 

E, por último, o texto sobre a queda do PT-OSR descreve um fato verídico, enquanto que a narrativa de um filho que desobedeceu o pai e teve suas asas desfeitas pelo calor do sol é fictícia, ou seja, foi inventada, não aconteceu.

Acredito que alguém possa ainda encontrar mais um ou dois itens a inserir em uma ou outra lista. Acho também que ninguém irá discordar das que foram apresentadas acima, com as diferenças e semelhanças que eu mesmo encontrei entre esses dois textos que produzi.

Agora, mesmo que você não creia em deuses, dispense uns cinco ou dez minutos do seu tempo em intensa reflexão filosófica, antes de responder a essa minha pergunta:

O que é que te permite classificar o episódio 2 como sendo um mito, um relato de algo que nunca aconteceu de verdade?

Se você é um religioso cristão, entretanto, sugiro que se dê mais do que cinco ou dez minutos. Isso porque eu acho que você não vai querer usar argumentos que eu poderia, eventualmente, aproveitar para classificar, também como sendo um mito, uma história de um certo meliante que foi torturado até à morte, passou menos de quarenta e oito horas sepultado, voltou dos mortos e saiu voando, sem asas e sem combustível, para o mais alto dos céus.

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Voo e Queda (Episódio 2)

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Minos, um dos muitos filhos de Zeus, fez um pacto com o deus Poseidon para tornar-se rei. Quando foi coroado soberano da ilha de Creta, o deus dos mares exigiu que Minos cumprisse sua parte do acordo e lhe sacrificasse um touro branco em sua homenagem. O rei Minos, entretanto, encantou-se de tal forma com a beleza do animal que Poseidon forneceu para o sacrifício que tentou enganar o deus matando outro touro no lugar. Enfurecido com tamanho insulto, Poseidon fez com que a esposa de Minos se apaixonasse pelo touro branco, vindo a engravidar dele.

Quando nasceu o que se esperava ser o primeiro filho do rei, todos em Creta souberam que seu monarca havia sido amaldiçoado pelos deuses, pois sua esposa dera à luz uma criatura metade homem, metade touro, que o povo passou a chamar de Minotauro: o touro de Minos. 

Resignado com o castigo, Minos continuou com sua infiel esposa Pasífae — de cuja união nasceriam ainda Ariadne e Androgeu —, mas precisava descobrir o que fazer do monstro que achavam ser seu filho. Recorreu, então, aos serviços de Dédalo, o maior artífice de Atenas, e ordenou-lhe a construção de um labirinto gigantesco para aprisionar o Minotauro.

Muitos anos depois, Minos viu Androgeu ser morto pelos atenienses durante uma batalha. Como vingança pela morte do filho, depois de conquistar Atenas, ele ordenou que 7 moças e 7 rapazes da cidade fossem escolhidos, todo ano, para serem lançados no labirinto, como oferenda ao Minotauro, que os devorava.

Não podendo aceitar que tamanha maldade perdurasse indefinidamente, um herói ateniense, chamado Teseu, decidiu matar o Minotauro dentro de seu labirinto. Tão logo aportou na ilha de Creta para consumar seu intento, Teseu conheceu Ariadne, filha de Minos, e os dois se apaixonaram. Uma vez informada do plano, Ariadne decidiu ajudá-lo, e lhe ofereceu um enorme novelo de lã, com o que o herói iria se guiar no caminho a percorrer de volta, para fora do labirinto, depois de exterminado o perigoso monstro.

O plano funcionou como esperado e os dois amantes fugiram juntos da ilha de Creta, deixando o rei Minos desconfiado de que Dédalo havia ajudado o casal, pois era impossível achar a saída do labirinto depois que se entrava nele. Como punição, Minos ordenou que Dédalo e seu filho, Ícaro, fossem mantidos presos para sempre dentro da obra que havia construído.

No labirinto imenso, o engenhoso Dédalo juntou penas de pássaros e coletou cera de colmeias para construir dois pares de asas, que amarrou em Ícaro e em si mesmo. Antes da fuga, Dédalo instruiu seu filho para que não voasse nem muito baixo, de modo que as ondas do mar molhassem suas penas; nem muito alto, para que o sol não derretesse a cera que as mantinha unidas. 

Eles já estavam a salvo da sua prisão, para muito além dos últimos muros do labirinto, quando Ícaro esqueceu-se do conselho que recebera e voou em direção ao sol. Fascinado com a sensação de liberdade e poder que experimentava, sentindo-se mais como um deus do que como um mortal, ele voou tão alto que os gritos de seu pai não mais se podiam ouvir. 

Como Dédalo havia previsto, toda a cera das asas derreteu com o calor. E enquanto o sol indiferente fazia resplandecer contra um céu azul milhares de penas soltas, Ícaro precipitava-se em queda vertiginosa, afogando-se, junto com sua ilusão de grandeza, nas frias águas do mar Egeu.

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Voo e Queda (Episódio 1, parte final)

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Sim, o deputado Dudu da Fonte sobreviveu à queda do avião em que viajava de carona de Teresina para Recife. E eis o que disse à imprensa sobre o ocorrido:

O piloto mostrou sangue-frio. Na hora do impacto, colocou o lado dele para que batesse primeiro no chão. Foi um herói. Acredito muito em Deus e sei que “Ele” operou um milagre na minha vida.

Não, o piloto não “colocou o lado dele para que batesse primeiro no chão” na intenção de salvar a vida do nobre deputado. O aparelho bateu com o lado esquerdo porque foi o motor desse lado que falhou primeiro. E, se estivesse mais a par dos acontecimentos, Dudu da Fonte não teria chamado de herói a pessoa que foi responsável por aquele desastre. 

Quanto a ter sido um milagre de Deus ele ter sobrevivido… Bom… Isso só mostra que o crente é um arquiteto que, invertendo a ordem das coisas, trabalha no projeto de um prédio que já foi construído, obrigando-se a ajustar o desenho na prancheta ao que está diante dos seus olhos, materializado em concreto, vidro e aço.

Dudu da Fonte precisou entender o que tinha acontecido de forma que os eventos se ajustassem ao seu prédio já pronto: sua crença religiosa. Assim ele concluiu que foi salvo por uma intervenção do ser mágico em que acredita e que, em troca, oferece proteção.

Das dez pessoas a bordo daquele voo, apenas duas morreram: um passageiro e o piloto. O suficiente para que esses engenheiros de obras prontas vissem aí a mão do seu Deus. Mas onde eles veem um milagre eu vejo apenas uma probabilidade: existe, sim, chance de haver sobreviventes num pouso forçado de uma aeronave de médio porte, após uma pane seca a baixa altura.

O que eu consideraria, então, um milagre? Alguém escapar da queda de um avião que ficou sem combustível a 10 quilômetros de altitude. Ou se o King Air em que viajava o deputado Dudu da Fonte tivesse conseguido voar mais 5 minutos, até a pista de pouso, sem uma gota de querosene nos tanques.

Mas isso jamais aconteceria. O que aconteceu foi o que pode, eventualmente, acontecer após um desastre aéreo desse tipo: haver sobreviventes. Nesse, oito pessoas conseguiram escapar, o que incentiva o religioso a enxergar um milagre. Claro que, se não tivesse morrido ninguém, teria sido um milagre ainda maior, mas qualquer vida poupada já evidencia a existência de um Deus misericordioso e bom.

Mas quando ninguém é tirado vivo dos destroços de uma aeronave, curiosamente as pessoas religiosas deixam de falar em milagres. E fala-se apenas em tragédia.

Deus é só um carimbo que as pessoas põem nas coisas boas quando — e se — elas acontecem.


Voo e Queda (Episódio 1, parte 4)

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O avião de prefixo PT-OSR decolou de Recife para Teresina com os tanques cheios: 1.461 litros de querosene de aviação. No trecho de ida, Recife-Teresina, a aeronave consumiu 676 litros daquele total, sobrando nos tanques 785 litros, o que, em tese, seria suficiente para voar de volta a Recife, com “folga” de 109 litros:

785 (nos tanques) – 676 (consumo de Recife para Teresina) = 109

Ou seja, tudo dando certo, o piloto pousaria em Recife com 109 litros de querosene de sobra, quantidade suficiente para 21 minutos de voo em nível de cruzeiro, quando a aeronave está nivelada em alta altitude. 

Pela legislação aeronáutica internacional, entretanto, aquele avião teria que ter deixado Teresina com, pelo menos, 1.026,7 litros de combustível. Com essa quantidade, a aeronave poderia ter voado até o destino, Recife, e, se necessário, teria conseguido prosseguir para o aeroporto de alternativa, tendo, ainda, combustível extra para voar mais 45 minutos, como margem de segurança.

Mas o piloto não parecia estar preocupado com a segurança, e não abasteceu o avião em Teresina, onde o preço do combustível era 40% maior do que em Recife. Por isso, no ato do preenchimento do seu plano de voo, ele foi obrigado a mentir e informar que a aeronave tinha autonomia para voar durante 4 horas, quando, matematicamente falando, ela poderia se manter no ar por apenas 2 horas e 31 minutos.

Só que essa matemática foi feita admitindo-se o voo nivelado em altas altitudes, onde o ar é rarefeito. Durante as decolagens e pousos, em que o aparelho executa várias manobras abaixo das nuvens, o ar mais compacto exige um consumo bem maior de combustível. Comparativamente, é a mesma razão pela qual seu carro consome mais no tráfego da cidade, onde se usa muito as primeiras marchas para vencer a inércia, do que quando se mantém a uma velocidade constante em quinta marcha numa BR. 

Não se sabe se por ter desconsiderado isso, ou se por puro esquecimento da situação crítica do combustível, o piloto não declarou emergência quando, a 10 minutos do pouso, o controlador de voo o instruiu a fazer um desvio de 3 minutos, afastando-se do aeroporto, por causa de um Boeing de uma empresa comercial que iria pousar à sua frente. 

Ora. Então, você  está pilotando um avião abastecido para voar 2 horas e 31 minutos (matematicamente falando). Como você sabe que já voou por 2 horas e 10 minutos, dá para calcular de cabeça que lhe restam apenas 21 minutos de voo. Mas você sabe, também, que está voando abaixo das nuvens, onde o ar mais denso exige um maior consumo de combustível do que nas altas altitudes, que foi o que se considerou naqueles cálculos. Logo, você conclui que não tem 21 minutos de voo. Talvez tenha só uns 10. Talvez menos.

Aí o que acontece? O controlador te manda voar 3 minutos se afastando do aeroporto, para dar passagem a outra aeronave. Contando com os 3 minutos que você vai ter que voar de volta, lá se vão 6 preciosos minutos dos 10 que você “acha” que tem. 

Numa situação dessas, bastaria que o piloto tivesse transmitido na frequência de rádio da torre de controle algo como:

— MAYDAY! MAYDAY! MAYDAY! Estamos quase sem combustível aqui!

O controlador de voo, também levando em conta a legislação aeronáutica internacional, teria dado prioridade ao pouso do King Air em emergência, tirando da frente qualquer voo que fosse lhe atrasar o pouso. 

Mas o piloto não fez isso. E seu copiloto — que não era habilitado naquele tipo de aeronave, e estava voando ali a convite do piloto, seu amigo, apenas para um treinamento informal — bem… o copiloto não sabia nada a respeito do pouco combustível que restava nos tanques.

Durante as investigações, ele disse que, depois que os alarmes começaram a soar ao mesmo tempo na cabine, ele só veio a conhecer o problema quando o motor esquerdo do King Air parou de funcionar, fazendo a aeronave se inclinar perigosamente para a esquerda, enquanto o piloto gritava em desespero ao seu lado:

— O combustível! O combustível!!!

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Voo e Queda (Episódio 1, parte 3)

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No dia 21 de novembro de 2008, o deputado Dudu da Fonte, presidente do Partido Progressista em Pernambuco, pousou em Teresina num Boeing 737-800 da Gol, vindo de Brasília. Ele estava ali para as comemorações de aniversário de 40 anos de um colega de partido, e para ver o show da banda Calypso, no dia seguinte, que iria dividir o palco com o cantor Daniel e a dupla Zezé di Camargo & Luciano. 

Durante o show, no sábado à noite, Dudu da Fonte foi convidado por um amigo, um dos empresários da banda Calypso, a voar de carona para Recife no recém-adquirido avião do músico Chimbinha, guitarrista, compositor e empresário da banda. O deputado aceitou no ato. Ele havia feito uma reserva num voo da TAM que sairia de Teresina na manhã seguinte, às onze e trinta, com pouso previsto no seu “domicílio eleitoral” apenas para as quatro da tarde do domingo, devido a uma escala em Fortaleza. Com a carona, poderia embarcar às 9 horas e, num voo direto, chegar à capital pernambucana antes da hora do almoço. 

Na manhã de domingo, na hora marcada, Dudu da Fonte compareceu para pegar sua carona. A aeronave era um King Air (rei dos ares), modelo Beech 200, e ele foi o último dos 8 passageiros a embarcar, ficando, assim, com o último assento disponível: uma cadeira individual, bem atrás do copiloto. A viagem transcorreu tranquila até que, mais de duas horas depois da partida, quando o piloto já havia abaixado o trem de pouso e recebido autorização da torre de controle para pousar, ele ouviu vários alarmes tocarem ao mesmo tempo na cabine bem ao seu lado. Olhou curioso por cima dos ombros dos pilotos e viu a pista de pouso do aeroporto de Recife à sua frente.

— O que houve? — ele perguntou.

— Bote o cinto e abaixe a cabeça que a gente vai fazer um pouso de emergência — o copiloto respondeu.

Ele obedeceu em parte: botou o cinto. Pouco tempo depois dos alarmes terem começado a disparar, ele viu a pista de pouso se deslocar para a direita e para cima, emoldurada que estava pelo para-brisa, enquanto a aeronave inclinava-se para a esquerda e apontava o nariz para baixo, perdendo altura rapidamente. Ouviu ainda o comandante pedir para que lhe prendessem aos cintos de segurança, que haviam passado toda a viagem soltos por trás da sua poltrona, mas o copiloto não teve tempo de atendê-lo. 

Em poucos segundos, deu-se a colisão contra o solo, numa área urbana a quatro quilômetros da cabeceira da pista de pouso. A aeronave teve as asas arrancadas com o impacto e dividiu-se em três partes. Mas não explodiu: os tanques de combustível estavam completamente vazios.

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Voo e Quada (Episódio 1, parte 2)

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Só há um meio de transporte mais seguro do que o avião: é o elevador. Mas, já que você não pode ir à Disneylândia dentro de um, melhor pegar um voo comercial. Empresas de grande porte dos Estados Unidos, por exemplo, só perdem uma aeronave devido a acidente aéreo a cada 4 milhões de decolagens. Você tem quatro vezes mais chances de morrer atingido por um raio do que por viajar num voo da United Airlines.

Para que ocorra um desastre aéreo é preciso que uma série de pequenas falhas se somem, não sejam percebidas ou corrigidas a tempo, e que tais falhas se combinem, numa ordem macabra, com determinados eventos. Se uma falha fosse corrigida ou não tivesse existido; ou se a ordem dos eventos fosse alterada em algum ponto, geralmente, o acidente não teria acontecido.

Independentemente das preocupações que passem pela sua cabeça enquanto afivela o cinto dentro de um avião, eu quero crer que você nunca iria incomodar uma comissária de bordo (elas detestam ser chamadas de aeromoça) nesses moldes:

— Por favor, pergunte ao piloto se ele lembrou de encher o tanque. 

Quando se entra num avião, eu acho que a última coisa que a gente iria temer seria que o combustível acabe antes do voo chagar ao aeroporto de destino. Mas quando você está a bordo de uma aeronave que não é da United Airlines, e sim de uma pequena companhia aérea iniciante no ramo; quando você não está num país como os Estados Unidos, mas no Brasil, onde as autoridades não são famosas por exercerem sua função como deveriam; quando seu voo está indo para um lugar onde o combustível é 40% mais caro do que o que é vendido no aeroporto de onde você vai decolar, e para onde a aeronave vai retornar logo em seguida… Bem… Já nesses casos… Você teria mesmo motivos para se preocupar!

Isso porque o piloto em comando poderia ficar tentado a fazer o percurso de A para B e, depois, de B para A, enchendo o tanque apenas uma vez, em A, onde o combustível é 40% mais barato do que em B. No trecho de volta, de B para A, o combustível estaria “contado”: apenas o suficiente para cumprir o trajeto. Sem margem para erros nem imprevistos. Só com a ajuda de Deus um voo assim poderia terminar bem.

Mas o grande problema com Deus é que ele só se dispõe a ajudar as pessoas quando elas tomam todas as precauções que tomariam se ele não existisse. 

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Voo e Queda (Episódio 1, parte 1)

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Quando preenche seu plano de voo para ir de uma localidade A para uma localidade B, o piloto é obrigado a informar, também, pelo menos uma localidade C para onde o voo seguirá, no caso de não ser possível completar o pouso na localidade B pretendida, por conta de mau tempo, ou mesmo indisponibilidade temporária da pista. A localidade A é chamada de “origem” do voo; B, de “destino”; e C, de “alternativa”. Por conta disso, regras internacionais prescrevem que a aeronave seja abastecida o suficiente para, a partir de A, chegar até a alternativa C, passando pelo destino B, mais ainda uma quantidade x de combustível que lhe permita voar por mais 45 minutos além de C, como margem de segurança. 

Dependendo da época do ano, por exemplo, devido ao clima, ao engarrafamento aéreo, ou a uma combinação disso, uma aeronave precisará manter-se em espera por quase uma hora, sobrevoando algum ponto já nas imediações do seu destino, antes de ser autorizada a pousar em certos aeroportos dos Estados Unidos.

Atrasos e esperas precisam ser levados em conta na hora do abastecimento, o que não permite que ninguém pense em fazer economias nas despesas com o combustível. Isso além de outros muitos fatores, como se o voo será realizado com vento a favor ou contra, ao longo da rota; peso da aeronave, de todos os passageiros e bagagens somados; altitude em que o voo irá se realizar; temperatura do ar e demais condições climáticas nas localidades envolvidas. E o que pouca gente pensaria em pôr no cômputo: o peso do próprio combustível.

O querosene que uma aeronave carrega nos tanques também pesa, e uma boa parte dele terá a única função de transportar-se a si mesmo. Mas aqui há um detalhe: o combustível vai se consumindo ao longo do voo, à medida que o tempo passa. A quantidade de querosene que chega ao destino é bem menor do que aquela que decolou com a aeronave, e isso também precisa ser calculado. Portanto, para que um piloto responsável possa determinar com quantas libras de combustível irá abastecer sua aeronave, ele precisará se preocupar com variáveis tão diversas como as distâncias entre A e B, e B e C; altitude do voo, vento contrário, temperatura, e condições climáticas nessa altitude; atrasos previstos para a rota; número de passageiros que irá transportar e o peso de suas bagagens; peso inicial do combustível com que irá decolar, e quanto desse peso será diminuído ao longo da viagem, nos trechos A-B e B-C. 

É um procedimento muito, muito complexo, e muito, muito sério, o de calcular a quantidade certa para abastecer uma máquina de várias toneladas que vai se elevar a quilômetros do solo transportando pessoas. Não há espaço para erros. E também não há espaço para fé. 

Nesse episódio, vou contar a história de um voo em que se resolveu incluir uma variável não prevista no cálculo do combustível: Deus.

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CONTINUAÇÃO:

EPISÓDIO 1    Parte 2  –  Parte 3  –  Parte 4  –  Parte final  

EPISÓDIO 2   Parte única

A PANE

O VERDADEIRO PROBLEMA DE ÍCARO

ÚLTIMA PARTE

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Espiritismo: sua alma é reciclável (fim)

<< Parte 1

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Não vos voltareis para os que consultam os mortos.”

(Levítico 19:31)

Ora, mas se nem Saul, que viveu numa época em que Deus falava diretamente com os homens, deu ouvidos às ordens do seu Senhor e consultou uma necromante (1 Samuel, 28:7), imagine os que nasceram num tempo em que Deus não dá mais sinal de vida há dois mil anos!

Eu não sei como os espíritas conseguem conciliar sua seita/religião/doutrina com a Bíblia sagrada dos cristãos, uma vez que o Deus bíblico era claramente contra essa prática. Também não sei como reagiram à reportagem de Hamilton Ribeiro (atualmente na rede Globo), publicada em 1971 pela revista Realidade, em que, dentre muitas outras coisas interessantes, a matéria revela a transcrição de uma frase psicografada por um falso espírito. Isso mesmo: Chico Xavier psicografou uma mensagem de um espírito inventado pelo repórter. Era um teste jornalístico, e o ícone do Espiritismo no Brasil não passou.

Não sei um sem-número de coisas sobre o Espiritismo. Mas você não precisa beber um caldeirão de sopa inteiro pra saber se ela está salgada ou insossa: basta provar com a ponta de uma colher.

Dito isso, fico à disposição de qualquer um para possíveis “correções” dessa minha visão limitada do assunto. Se for o caso, posso publicar textos de leitores espíritas que estejam interessados em prestar os devidos esclarecimentos para os pontos que abordei. Claro que o texto assim publicado virá junto com os meus comentários, e eu nunca vou ficar mundialmente famoso pela minha sutileza em criticar a fé alheia.

Mas como disse uma vez Richard Dawkins, era de se esperar que alguém que teve sua fé criticada, ou diminuída, ou achincalhada — embora não tenha sido exatamente essa a intenção dos meus textos — , pois bem, era de se esperar que as pessoas rebatessem esse tipo de abordagem nos termos de “Você está errado aqui, aqui, e aqui”.

O que as pessoas religiosas costumam fazer, em vez disso? Ah!, elas costumam incorrer no pecado da ira, costumam ameaçar o dissidente com torturas indizíveis no Inferno, costumam reclamar aos berros para que o mundo tome conhecimento de que estão sendo ofendidas na sua fé.

Fé: a vontade que a gente tem de que as coisas sejam como a gente gostaria que fossem.

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