Aborto: a batalha entre fé, moral e razão (parte 1)

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Não, senhora! A decisão de dar prosseguimento ou de interromper uma gravidez não deve ser única e incondicionalmente  sua, só porque você é mulher.

Essa posição radical é apenas o resultado de uma campanha intransigente, feita por militantes birrentas de um feminismo anacrônico, que, acho eu, não tendo mais como entrar em evidência queimando sutiãs em praça pública, procuram outras formas de mostrar que ainda estão “na ativa” — e, aparentemente, sem nenhuma outra ocupação útil, sem mais nada para fazer além de tentar nos convencer de que as mulheres ainda precisam dessa militância na mídia, para conseguir-lhes alguma coisa.

Precisam não. Uma vez que a nossa sociedade cristã adquiriu a maturidade necessária para renegar a política fundamentalmente sexista e ostensivamente machista do seu próprio Deus, a mulher perdeu o estigma que o Criador havia lhe imposto de “ser inferior”, concebido apenas para o conforto e usufruto do homem, fazendo com que o feminismo perdesse sua razão de ser. E questões como discrepâncias de salário e assédio sexual, por exemplo, podem muito bem ser resolvidas, hoje, sem a necessidade de passeatas.

 

Mas, para efeito de raciocínio, considere-se a adesão plena àquela causa: a decisão sobre o que fazer com a vida que carrega dentro de si caberia, exclusiva e incondicionalmente, à gestante; à mulher; à fêmea da nossa espécie. Isso recorrendo-se, talvez, ao argumento feminista de que, afinal, “o corpo é dela”.

Nós temos um princípio moral pelo que se entende que ninguém tem o direito de fazer o que bem quiser com o próprio corpo. Ninguém tem, por exemplo, o direito de tirar a própria vida; bem como até incorre em crime aquele que auxilie uma pessoa a se matar. Sendo assim, não é porque tem uma vida em formação dentro do seu corpo que uma mulher possa requerer o direito de decidir sobre o que fazer com ela. Ceder a esse apelo insensato seria considerar moralmente aceitável uma gestante interromper a gravidez, aos sete, oito meses, só porque descobriu que estava sendo traída pelo pai da criança, com o qual não teria mais intenção de constituir família; ou fazer o aborto na terceira, quarta semana, porque apareceu uma viagem imprevista e a barriga seria uma bagagem que ela não iria querer levar.

Também não seria aceitável, por exemplo e em contrapartida, permitir que uma mulher teimasse em levar a cabo uma gravidez que a conduziria à morte, contrapondo à argumentação clínica, embasada em séculos de conhecimento acumulado, sua esperança folclórica na intervenção sobrenatural de um ente superpoderoso habitante de uma dimensão mágica que, tendo recebido telepaticamente suas preces, salvaria ela e a criança.

Ninguém em sã consciência se posicionaria a favor de tais atitudes, logo, o argumento feminista não se sustenta. A polêmica sobre o aborto — quando é ou não aceitável, quando pode ou não pode, quando deve ou não uma gravidez ser interrompida — não deve ser avaliada, muito menos decidida, como se fosse uma questão sexista — ela é uma questão moral. E a nossa moral nos sugere que todo ser humano tem o direito à vida.

Uma vez entendida essa parte, resta apenas recorrer à razão para entender, também, quando a fusão de um espermatozoide com um óvulo deixa de ser um aglomerado de células, como as que são descartadas sem culpa ao se cortar o cabelo ou fazer as unhas, e se transforma num “ser humano”.

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 ———————————    CONTINUAÇÃO —————————-

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5

Parte 6

Parte final

VÍDEO 1

VÍDEO 2

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22 Respostas

  1. [...] Aborto: a batalha en… on Aborto: a batalha entre fé, mo…Cristiano on #4 Deus é todo-poderoso?Agnvs on [...]

  2. Teístas preferem salvar vidas(pequenos aglomerados de células sem consciencia), trocando as por vidas(mulheres desesperadas que chegam a enfiar agulhas de croche no útero e morrem de hemorragia, mulheres que morrem ou sofrem pro infecções ao fazer um aborto do lado de ratos e/ou com mal preparo clínico, mulheres que cresceram vendo um fruto de aborto), para isso acham correto proibirem isso e outras coisas, sendo controlados como robos, não somente por sua religião mas tambem seu governo. Lógica maravilhosa.

    Deuses fudendo a mente, corpo, instintos, liberdade e o sexo e ensinando a lógica a mais de 10 mil anos. Glória a deus, amém.
    Fiquem com a sua maravilhosa paz HUSAHUSAUHUHSAUHSA

  3. Acho que é a primeira vez que eu vejo um texto sobre o aborto que realmente faz sentido.

  4. Sei não viu.
    Não dá pra se definir exatamente a partir de quando um punhado de células humanas passa ao status de ser humano.
    Mas me chocou mais que qualquer coisa nesse mundo a imagem de fetos formados destroçados depois de abortos realizados (procure no youtube).
    É estranho que o estado não considere isso um crime grave de assassinato, (o que a legislação diz?)afinal é nessa fase que o ser humano é mais dependente de proteção e absolutamente incapaz de se defender, mas parece que dentro do ventre ele sequer é considerado um cidadão.
    Quero dizer que em casos pertinentes, como risco grave à vida da mãe ou malformações severas eu aceito que se deva interromper a gestação, em casos de estrupo não sei bem o que seria aceitável. Mas, interromper a gestação de um ser já formado apenas por comodidade, porque não se quer assumir uma responsabilidade das consequências de um ato feito de livre vontade, é de uma crueldade inominável.
    Muitos dizem que os motivos para se legalizar essa crueldade seria para salvar as moçoilas irresponsáveis das mãos de ”açougueiros”, ótimo, ninguém pensa no direito à vida do feto. No caso de se levar a termo a gravidez, a maior pena pra mãe seria tudo aquilo que implica no decorrer de 9 meses da gestação. No caso de se abortar a pena maior é para o feto que será destroçado aos poucos por um aparelho qualquer. Nem condenados à morte legalmente em certos países sofrem assim.
    Realmente é muito justo, justíssimo.
    Grandes prazeres podem exigir grandes responsabilidades depois, se não se tomarem medidas contraceptivas.

    Sou ”careta”?

  5. Resumindo: “todos somos iguais; ainda bem que sou homem, branco e heterossexual”

    Parei de ler o texto na parte sobre sua posição referente ao feminismo, digno de alguém que não entende do que se trata o movimento. Realmente uma pena ser este o último texto que leio em seu blog. Uma pena!

    Com toda certeza você tem a mesma posição em relação a outros movimentos pró-minorias – engraçado, você faz parte de uma – rejeitando suas lutas e objetivos, desprezando-os por um mero capricho machista.

    Espero que este blog não manche o belo projeto do Bulé. Lastimável!

  6. Parei de ler o texto na parte sobre sua posição referente ao feminismo, digno de alguém que não entende do que se trata o movimento.

    Lucas, meu nobre, eu acho que você teria dado um primoroso inquisidor: “Parei de ler a sua defesa na parte em que você diz que a Bíblia é uma coleção de mitos… Já pra fogueira!” rsrs

    E quanto a isso:

    Com toda certeza você tem a mesma posição em relação a outros movimentos pró-minorias

    Eu fico sem saber que MINORIA o feminismo representa… porque as mulheres, obviamente, não são.

    Se você tivesse lido o texto (que representa, claro, a minha opinião e não a verdade sagrada) viria a saber que eu apenas não considero mais o feminismo necessário. E se alguém ainda considera, talvez seja quem ainda ache que a mulher é um ser inferior ao homem, que precisaria ter seus direitos defendidos por um movimento organizado à parte, em vez de, por exemplo, a justiça comum.

    Mas é isso. Eu já estou bem acostumado com certos tipos de intolerância, embora, normalmente, da parte dos crentes.

    Grande abraço.

  7. Pelo contrário Márcio, o que eu quis dizer não é liberar o aborto só por causa dos açougueiros. Mas mesmo sendo proibido e com reclusão a quem faz aborto ou quem opera o aborto, as pessoas realizam.
    Um exemplo é: hoje marginalizam e prendem usuários de crack (mesmo que indiretamente ao roubar para sustentar o vício), o governo para tentar freiar essa tática, prende esses individuos e usuários, e os cidadãos acham isso certo porque os tiram das ruas. É o certo? sim, mas em vez de gastar 1000 reais por mes por cada presiadário, poderiam usar pelo menos uma parcela desse dinheiro em prevenção e conscientização para as pessoas não usarem a droga, pois todo mundo sabe que plaquinas de “drogas não, sou careta” não resolvem nada e não fazem os jovens(aqueles que mas tem curiosidade em usá-lo pela 1ª vez) pensarem sobre as consequencias.
    Proibir é tomado como solução pra tudo nesse país, mas isso se prova ineficaz a cada dia, devemos tentar outros métodos.
    Como maiores campanhas para o controle de natalidade, melhor apoio as mães, mais facil acesso a camisinhas a adolescentes alem de conscientização de seu uso, e muitos outros métodos, pois o aborto ja É uma realidade hoje. E o número de pessoas que praticariam o aborto não iria aumentar incrivelmente como as pessoas pensam. Exemplo: Quando a Holanda liberou o uso da maconha, seguido de certas leis e restrições, o número de usuários diminuiu. Não posso dizer que seria o mesmo com o aborto no Brasil, mas é melhor dar apoio, do que proibir e prender.

  8. Wellinton, e tem mais, o governo americano fica querendo “botar moral” nos países de terceiro mundo, dizendo para eles combaterem mais fortemente a produção de cocaína, maconha, ópio, etc., mas, aqui pra nós, se os americanos parassem de COMPRAR essas drogas, os produtores não iriam ter para quem vender. Então é o ditado do macaco que não olha pro próprio rabo.

  9. barros
    O problema não é nem esse… é que as drogas são marginalizadas, por exemplo, muitas drogas fazem mal sim. Mas as pessoas tem mente tão fechada que não param pra pensar nem por um instante.
    A maconha pode ajudar pessoas com cancer e aids, por ser um remédio natural que abre o apetite e não vai piorar a saúde deles se for ingerida, ou até mesmo processada e criado um remédio fitoterápico a partir dela. Se estudos em cima dela fossem feitos muitos remédios poderiam ser feitos, mas as pessoas só se baseiam na parte ruim.
    A coca é usada como remédio, tempero, energético, para processos artesanais e muito mais no Peru, mas se encontram essa planta em outro lugar do mundo é crime, pois logo é ligada a criação de cocaína.
    A ecstasy é usado por médicos para que suas mãos não tremam, apesar de ser um técnica proibida e poder perder a licença, isso eu concordo.Mas se estudos fossem feitos, pode ser possivel encontrar uma solução para o tremor, sem os efeitos colaterais e a perda de consciencia.
    Por causa de preconceito, padrões morais antigos, e política velha, perdemos muitos avanços

  10. Márcio,

    As fotos de bebês destroçados que você vê pela Internet, em geral, não são de abortos por estupro ou por decisão da mãe por não poder cuidar do filho. E não são fetos. Aquelas fotos são de casos de gravidez que não iam dar certo, como aqueles em que falta o cérebro.

    Fora casos de risco de saúde à mãe ou de impossibilidade do feto viver fora do útero, os abortos (nos países em que são legalizados da forma correta) só são permitidos nos primeiros 2 ou 3 meses de vida, que é antes daquele “agrupamento de células” ter consciência. Esse é um modo científico de dizer que ainda não é um ser humano, é um feto. Nestes casos não há fotos horrendas de bebês destroçados.

  11. Márcio,

    Tem mais uma coisa: você está colocando todos os abortos numa panela só. Nem todos os casos de gravidez cuja mãe pretende interromper foi por “prazer sem responsabilidade”. Às vezes é por falta de informação e de cultura, às vezes é por abuso, às vezes o rapaz força ela ou engana ela de alguma forma, às vezes a camisinha arrebenta ou até mesmo o rapaz faz furos para que ela arrebente, enfim, há casos e casos, não dá para julgar todos desta forma categórica.

    E sinceramente não entendo como você pode achar que aborto por estupro não é justificado. Você provavelmente não imagina como uma mulher estuprada se sente depois de um estupro. Em geral, ela nem sequer consegue conversar com homens sem sentir medo durante os primeiros dias após o abuso, a vida nunca mais se torna a mesma. Imagine ela olhando a barriga crescendo e lembrando o motivo pelo qual a barriga está grande. Uma coisa é você chegar com calma e tentar conversar com a vítima, perguntar se ela tem certeza que não consegue levar a gravidez adiante, oferecer ajuda, enfim, mas você tem que entender que a vítima de estupro está muito fragilizada, não dá pra exigir que ela leve a gravidez adiante.

  12. Deus condena ao inferno quem comete aborto? o que será q ele vai fazer com os padres pedófilos?????????? #curiosidade

  13. Amiga Nathalia não vai acontecer nada eles são carne e unha com o homen vc ja viu esperma santo?! se não viu clique ali a direita no post : O compromisso de acreditar e desça nos comentários logo no começo tem um video veja la por favor.

  14. Caros Gustavo e Wellinton.

    Meu posicionamento sobre aborto é o seguinte:
    Considero plenamente aceitável em casos onde ha malformação grave do feto ou quando a mãe corre risco sério de morte.
    Em casos de estupro penso que se deveria recorrer imediatamente à assistência médica para se evitar uma possível gravidez usando algo como a pílula do dia seguinte, bem como prevenir doenças venéreas e promover auxilio psicológico. Nesse caso o atendimento deve ser o mais rápido possível a fim de se evitar procedimentos mais traumáticos.
    Em casos onde o feto oriundo de estupro ja está muito desenvolvido, eu fico dividido entre como resolver o trauma da mãe e o direito à vida do feto, que afinal é inocente no caso.
    Casos de provável gravidez “acidental”, seja la por que motivo, considero aceitável se recorrer aos métodos imediatos pra se evitar a continuidade do desenvolvimento embrionário usando também a tal pílula do dia seguinte ou medicamento semelhante.
    Agora, para fetos completamente formados e sadios, não acho justo que sejam abortados, a gravidez deveria ser levada a termo e após o nascimento a mãe poderia ter a opção de entregar para adoção.
    A minha preocupação é que o aborto liberal demais poderia se tornar apenas mais um método de se evitar filhos indesejados, fazendo com que a preocupação da prevenção clássica com métodos anticoncepcionais seja mais ainda relaxada do que já é hoje em dia.
    Quero dizer que hoje em dia há meios seguros eficientes para se evitar proles indesejadas, sem ter que se recorrer posteriormente a um aborto de feto formado e sadio, violando o direito à vida dele.
    É isso.

    Abraços!

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  21. Nem vou ler o resto. Acho que isso é assunto da mulher. Nem o homem, o pai, tem o direito de se contrapor à sua decisão. O texto está vulgarizando a mulher, como e se a gravidez dela fosse algo descartável por um simples capricho. Mulheres raciocinam e tem sentimentos até mais apurados do que os homens, principalmente naquilo que diz respeito a ela. Se ela decidir por um aborto, sabe muito bem o que está fazendo. Ela é sábia e conhece a sua vida como ninguém. Na certa já colocou na balança os prós e os contras e quando ela chega a rejeitar o próprio filho que iria nascer, é porque já concluiu o que é melhor, pra ela e para ele (principalmente). Temos apenas que respeitar. Irresponsável e digna de punição moral é a mulher que coloca um filho no mundo sem condições de criá-lo, seja por qual for a razão, até mesmo a psicológica, e pior ainda é aquele que pretende obrigá-la a isso.

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