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Ninguém deveria se posicionar contra ou a favor do aborto sem antes se submeter a um pequeno teste que eu vou reproduzir aqui, comigo mesmo no papel de “rei Salomão”. Funciona assim: a cada situação hipotética, envolvendo uma solicitação para que um aborto seja realizado, eu terei que decidir o que fazer e justificar a decisão tomada.
Situação 1
Uma grávida de quase 8 meses me faz o pedido para abortar a criança, porque descobriu que o pai do bebê estava de caso com outra mulher, e ela não quer mais ter um filho com ele.
Decisão: INDEFERIDO.
Interromper a gravidez nesse estágio seria assassinato: uma barriga de 8 meses já envolve um ser humano.
Situação 2
Uma mulher me faz o pedido de autorização para tomar “a pílula do dia seguinte”, pois transou com o namorado sem preservativo, mesmo estando no período fértil.
Decisão: DEFERIDO.
Esse tipo de anticoncepcional atua impedindo que ocorra a fecundação e descamando a parede interna do útero, para que um óvulo fecundado não se fixe nele, e seja eliminado naturalmente. É o que ocorre a cerca de 50% de todos os óvulos fecundados, mesmo quando as mamães querem muito engravidar, e ninguém acha que “vidas” foram perdidas nesses casos, nem faz passeatas nem velórios por causa delas.
Situação 3
Uma grávida de 6 meses pede para proceder o aborto, uma vez que vários exames, feitos e repetidos nos últimos 30 dias, diagnosticaram que o feto não tem cérebro.
Decisão: DEFERIDO.
Em 98% dos casos de anencefalia, os bebês morrem na primeira semana após o nascimento; os outros 2% não resistem a mais do que uns poucos meses. Não há por que exigir que uma mulher leve a cabo uma gravidez que só serviria para debilitá-la, física e psicologicamente, sem que o feto tivesse nenhum benefício.
Situação 4
Uma mulher fez o teste de gravidez um mês após ter sido vítima de estupro e, descobrindo-se grávida, quer fazer o aborto.
Decisão: DEFERIDO.
Mesmo tendo cometido a imprudência de esperar pelo atraso da menstruação para, só então, fazer o teste de gravidez, ainda estamos falando de um amontoado de células que, embora já apresente uma estrutura primordial que dará origem a um coração, só vai começar a esboçar um sistema nervoso dali a mais 30 dias. A opção da mulher em não querer ser mãe de uma criança gerada nessas condições infames é simplesmente indiscutível.
Situação 5
Uma mulher solicita autorização para interromper a gravidez de 3 meses, porque se verificou que o feto estava muito mal formado, sem os membros superiores e inferiores, e ela não quer ser a responsável por gerar um ser humano com tamanho grau de deformidade, que passará toda a vida dependendo dos outros para tudo e qualquer coisa, além de alegar que passaria o resto de sua própria vida sofrendo em ver um filho em tais condições.
Decisão: Ups!
Situação 6
Uma mulher pede para interromper a gravidez de menos de um mês, depois de ter engravidado acidentalmente. Ela e o marido decidiram que aquele não seria o melhor momento para o casal ter um filho.
Decisão: Ups!
Meu julgamento foi baseado na minha moral, no meu entendimento do que seja “certo” e “errado”, no meu conhecimento de mundo. É algo muito parecido com um cálculo matemático que, através de uma fórmula insondável — que pesa os prós e os contras, que compara as consequências, que pondera os motivos, que avalia os prejuízos, os riscos e os benefícios, além de umas outras tantas variáveis — , fornece um resultado límpido, um “x” austero e decidido, que me diz o que fazer em cada caso.
Nas quatro primeiras situações, essa fórmula me bastou para me convencer de qual decisão tomar. Mas por que ela não me valeu nas duas últimas hipóteses? Resposta: porque eu percebi que não tinha o discernimento necessário para “julgar” esses casos; como se faltassem dados a serem computados. Nessas situações, e por isso mesmo, experimenta-se a extrema necessidade de buscar o apoio moral dos demais:
O que as outras pessoas fariam? O que elas pensam a respeito?
As respostas a essas perguntas, entretanto, precisam ser racionais. O consenso que irá se originar delas será um somatório de todos aqueles “x”, depois de inseridos os dados que ficaram faltando. A nossa moral deve ser guiada pela nossa razão, pelo senso comum do que seja “certo” e “errado”, “aceitável” e “inaceitável”, “humano” e “desumano”. A nossa moral é a justificativa para os nossos atos baseada na nossa humanidade.
No próximo texto, eu vou mostrar por que, no debate que envolve questões de vida e morte, como a eutanásia, a pena de morte e o aborto, a fé religiosa precisa ficar — obrigatoriamente — fora daquela equação.
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Deus dá o frio comforme o cobertor!
O aborto na situação 6 deveria ser legalizado, porque muitos abortos ilegais são feitos nesta situação e até o primeiro mês de vida, o feto não tem consciência e nem é capaz de sentir dor. Aliás, acredito que ao menos no primeiro mês de gestação o aborto deveria ser legalizado sem restrições. É bem menos prejudicial para a sociedade deixar as mães abortarem do que obrigarem elas a levarem adiante a gravidez.
É claro que é milhões de vezes melhor distribuir camisinhas, pílulas anticoncepcionais e do dia seguinte para minimizar a quantidade de cirurgias, mas controlar a sociedade a ponto das pessoas sempre se prevenirem é uma tarefa muito complicada (até porque envolve questões religiosas, e mudar a cabeça das pessoas quanto a isso…) Então seria necessária a permissão do aborto no primeiro mês de vida ao menos como uma solução temporária.
O aborto na situação 5 claramente é bem ruim. O melhor seria que o Estado fornecesse apoio para a mãe neste caso (com acesso a psicólogos e fisioterapeutas) e o Estado permitir o aborto nestes casos soa muito mais como uma fuga da responsabilidade do que uma decisão pensada.
Na minha opinião, não deveriam ser legalizados abortos com gestação de três meses ou mais justamente porque muitas pessoas vão justificar o aborto de forma vergonhosa e irresponsável. Mas a punição com prisão é muito severa, até os seis meses deveria ser paga uma multa ou realizado trabalho comunitário em vez disso, não tem por que querer levar tanto ao extremo como se fosse uma coisa extremamente diabólica, é só pra prevenir abusos mesmo.
Quanto às outras situações, concordo plenamente com o autor, nada a declarar :)
Ali, no caso em que a Natureza já desconfigurou a gestação para se ter um ser humano para estar bem em condições com a vida, então,se temos condições de evitar um prejuízo incontornável e insuportável para até o próprio ser que se formaria; a resposta é DEFERIDO. No mais, está sucinto e esclarecido.
Cabe a gente fazer ainda uma consideração sobre nós mesmos, porque estão nos abortando no meio de nosso viver … estou me referindo à esse fenômeno artificial alarmente que é o Chemistrails.
Se puder deixar o link aqui …https://sites.google.com/site/clubenaturezagleam/importante-repudio-chemistrails—-o-veneno-ultimo-dos-feitores-das-crencas
Por quê a maioria dos comentários (é o que me parece) não estão direcionados às questões práticas, como a situação que o autor aborda? Por quê tanta gente se detém tecendo comwntários sobre a existência ou a inexistência de um deus (fictício) se há questões mais prementes que exigem nossa atenção? Mais humano é tentar resolver problemas que nos afetam diretamente do que divagar numa filosofia (ou teologia) que não nos levará à nada. Quanto à existência de deuses, a palavra já foi dada há muito tempo: são construções nossas. Não temos que pautar nossas vidas baseados numa esperança de salvação (até por que o motivo dessa salvação, ou seja, o nosso pecado, é uma estória de carochinhas, não nascemos culpados de nada, apenas recebemos uma culpa compulsória dos que acham que temos que render graças a um deus idiota). Salvarmos-nos de quê? Deverísmoas nos salvar da mentralidade religiosa perniciosa e retrógrada que só serve para atrasar a humanidade. Crenças? são pessoais, e não devem nortear os governantes que decidem o destino de uma nação tão plural quanto a nossa. Somos plurais, redspeitemos a nossa pluralidade, e não deixemos que uns poucos idiotas cegos sejuam nossos guias. Viva a liberdade de idéias e pensamento. E viva também a liberdade de crenças, pois é direito assegurado.
Ass: um ateu.
Este barros é muito bundão sera que ele não tem um painel, só basta ele moderar e cortar as asinhas da crentaiada que fica papagaiando aqui.
Rambo,
Deixa a crentaiada papagaiar. Não é pra isso que serve o blog? ;)
Além do mais, acho muita falta de respeito os vídeos do Youtube que não deixam a gente comentar, eu fico irado com esse tipo de coisa. Não façamos isso também nos blogs ateus, deixe as atitudes radicais para os religiosos.
Gustavo Milaré, concordo plenamente. Já tive muita raiva assistindo vídeos ridículos que apresentavam um Deus bonzinho e amoroso, que não está em lugar nenhum do universo, e nem mesmo na Bíblia, sem poder deixar nenhum comentário para a pessoa que postou. É uma forma deles se evitarem ser chamados de hipócritas. Já sabendo mesmo que são hipócritas, eles desabilitam os comentários.
Shannon Ballanne, vou ver o link assim que puder. Obrigado.
Anônimo, tem um texto meu com 581 comentários, até agora, mas os crentes estão usando como argumento a velha maldição de Adão e Eva, como se frutas mágicas e cobras falantes fizessem parte do mundo real.
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