O crente de programa

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O religioso cristão se comporta como uma prostituta em relação à sua divindade. Aparentemente, Deus precisa muito de amor e de atenção, e dizem que ele costuma encher de mimos seus crentes de programa, em troca desses favores. Em virtude disso, o devoto reserva algumas horas da sua semana para seu encontro amoroso com Deus. No resto do tempo, ele procura apregoar aos quatro ventos a natureza desse vínculo, e, de quebra, ainda dá-se ao desplante de atribuir ao seu cliente qualidades que ele não tem. É um tal de “Deus é amor”, “Deus é maravilhoso”, “Deus é bom”, que dá até pra desconfiar.

De fato, é tudo da boca pra fora. Se o cristão se desse ao trabalho de analisar o que diz, e confrontar com as atitudes do ser para o qual ele supostamente se dirige, ou se tornaria um descrente, como eu, ou se enojaria dessa sua condição de prostituto, vendendo seu amor para um ser tão desprezível.

O que eu tenho notado, nesses meus doze anos de ateísmo, é que qualquer cristão se revolta quando é forçado a encarar as detestáveis qualidades que tem a sua divindade. E não é de admirar. Uma prostituta também deveria se sentir enojada com o seu ofício, se tivesse que fazer sexo com um homem horrível, rude e fedorento. A experiência que adquiri ao longo desse tempo tem me ensinado a lidar com os religiosos — quando o assunto é a religião deles — como se eles tivessem uma capacidade intelectual bem limitada. Quando se trata de religiões não cristãs, a inteligência de católicos, evangélicos, protestantes e a minha são unânimes em classificar as crendices alheias como tolices.

Considerando que o cristão está quase cego pela sua própria fé injustificada e ilusória, eu os forço a enxergar os defeitos ridiculamente humanos do Deus que eles juram que amam acima de tudo e qualquer coisa — Ã-hã —, e com o qual querem viver pela eternidade adentro. Funciona assim: eu apresento uma história hipotética e faço de conta que preciso de uma avaliação deles sobre o personagem principal. E faço de tudo para que não percebam, logo de início, que eles estão diante das “péssimas” qualidades do Deus bíblico.

Segue uma amostra dessa abordagem.

Um homem convive com pessoas bem humildes que moram de graça nas suas terras. São várias famílias que dependem dele pra tudo: só comem, usam e têm o que ele lhes dá para comer, usar e ter. Eles nunca saem da fazenda, mas pode-se dizer que são até bem felizes com a vida que levam lá. O homem não lhes deixa faltar nada. Vestuário, medicamentos, alimentação, entretenimento, instrução; eles têm tudo a seu tempo e em quantidade adequada. 

Aparentemente, trata-se de um cara bem legal e altruísta, mas, por causa dessa situação, o homem se considera “dono” de seus agregados. E tem um comportamento bem estranho para validar essa posse. Ele exige, por exemplo, que eles digam que o adoram, que ele é maravilhoso, que o amam, etc., várias vezes ao dia, mesmo quando ele não está por perto. De vez em quando, também, só para testar se eles são mesmo dignos de viverem sob os seus cuidados, o homem faz um tipo de teste: ele manda um pai espancar seu filho até quase matá-lo, ou ordena que três ou quatro homens se reúnam e torturem um outro, escolhido aleatoriamente. Eles sempre cumprem esse tipo de ordem, tamanha é a vontade de continuar vivendo nas terras do seu Senhor, beneficiando-se da sua caridade e dos seus cuidados. A subserviência dos agregados é tanta que o homem já se acostumou a desvirginar as filhas deles das formas mais humilhantes, sem que se lhe diga uma sílaba sequer em forma de protesto.

Aí eu pergunto: esse homem é digno de louvor ou repúdio?

A resposta que obtenho é, invariavelmente, repúdio. Parece que esse tipo de comportamento criminoso só fica bem mesmo em Deus.

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3 Respostas

  1. Fé = covardia, estupidez, e preguiça.
    igreja = mentira, fofoca, esnobismo ridículo, falsidade disfarçada de ‘humildade’, torpeza..
    crença = presunção, auto-comiseração, canalhice, trairagem, subserviência, sordidez.
    divindade = parasitismo, insanidade, embuste.
    “espiriitualidade” = invencionice de fantasmagoria para imposição de medo fútil e escravizador.
    doutrinas/dogmas = ditames de degeneração física e psicológica..
    fé + igreja + crença + divindade + “espiritualidade” + doutrinas = DESGRAÇA (pessoal e civil).

  2. Ao fazer uma analogia do caso com a fábula do deus cristão, o crente vai inventar um monte de asneira, negando as atitudes desse deus como sendo tortura. Esse torturador será sempre deus de “amor”, “justiça”, “bondade”. Só não vislumbramos bondade, maldade, tudo é aleatório, acaso e imprevisão.

    Os crentes não percebem que privilégios do “amor perfeito” e “graças eternas”, “glória”, “vida eterna” são ilusões; eles são homens comuns que têm as mesmas doenças, dissabores, dores dificuldades que os demais mortais. Por quê continuar a seguir rituais, doar tempo, dinheiro, ter a mente e corpo dominados pelos dogmas imbecis, patrocinados a um deus impotente?

    Temos a ilusão, geneticamente definida, de criar super-heróis e seres sobrenaturais que nos protegem. Algo não resolvido na infância que se perpetua nos mais fracos: pelo psicólogo Bruce Hood, na Veja desta semana:

    “O pensamento sobrenatural do adulto é o resíduo dos erros conceituais da infância que não foram devidamente eliminados”

  3. Esses “erros” são mêdos impostos massivamente por isso aqui:
    http://api.ning.com/files/ewz-VgA5qtOZAHsTBVlv4ngG10Lsr1buQVHfBuzZWwhCetYFrGhy7sUPyLdOmuEYChhogmeU6Eml94BnEpVU7fy6T5b0YW12/Aincrvelparenteladosaparecidosanata13osintermediriosdosparasitasdivinos51.JPG

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