A primeira Bíblia é de graça

Crianças adoram desenhos animados e todo mundo sabe disso.

Qual a maneira mais fácil de ter a atenção de garotinhos ateus e garotinhas ateias, de forma a poder ajudar seus pais a enfiar-lhes na cabeça uma crença estúpida, inútil e infundada? Faça um desenho animado bem fofinho e de boa qualidade contendo os principais tópicos que elas precisam internalizar, adicione uma ameaça de punição, e você estará no caminho certo.

O grande mérito desse vídeo abaixo é que ele consegue destacar de uma forma assombrosamente clara dois pontos  do cristianismo que, sempre que possível, são mais bem disfarçados:

1) ame a Deus durante a sua curta vida na Terra, ou ele vai foder você por toda a eternidade; e

2) compre aqui o que você precisa para aprender a puxar o saco dele.


Deus morto, deus posto [Republicação]

Só para lembrar ao papa Chico como o amor dos seus crentes de programa é fugaz…

Atualmente, quando um filho de Deus bate à minha porta, em pleno domingo de manhã, querendo “ler a palavra” pra mim, eu logo despacho o infeliz com uma declaração semelhante a essa:

Olha, eu acho esse livrinho aí uma coleção de fábulas. Algumas tolas, algumas ridículas, algumas  grotescas. Não quero que você leia pra mim, não.

Se isso não parece dar resultado, eu uso a minha frase bat-repelente:

Eu não acredito em Deus, não aceito Jesus como meu salvador, e renego o Espírito Santo. 

Aí eles vão embora. Já quando é uma filha de Deus… e quando é jeitosinha… eu tento exibir meus conhecimentos bíblicos, e geralmente começo assim:

Você já leu a Bíblia toda? 

Nunca conheci ninguém que tivesse lido a Bíblia do Gênesis ao Apocalipse. E acho muito difícil alguém querer me convencer de uma coisa se, ela mesma, não se mostra convencida:

Mas essa é boa! Quer dizer que Deus mandou escrever esse livro pra você, pra te ensinar a ser boa, a ter moral, a fazer o que é certo, além de, principalmente, mostrar como salvar sua alma do Inferno, e você não teve a curiosidade de ler tudo?

Não é estranho? Pois eu acho. Muito. E mais ainda o fato delas não se interessarem nem um pouco pelo Antigo Testamento, com exceção de um ou outro versículo escolhido a dedo do meio de inúmeros outros que precisam desculpar, justificar, reinterpretar das formas mais mirabolantes, para que esses versículos realmente não digam o que parecem que dizem.

Uma vez a garota arregalou os olhos quando eu disse que Deus havia mando matar um homem a pedrada só porque ele havia descumprido a lei do descanso sabático (Num 15:32). Ela buscou refúgio na companheira, esperando que a outra dissesse que eu estava delirando, mas só ouviu a amiga dizer que “A lei antiga não estava mais valendo. Agora vivemos sob a Graça”. E adivinha quem disse isso? Jesus? Não. Só pode ter sido Saulo de Tarso, vulgo São Paulo, o metido.

Que autoridade teria Paulo para contradizer o próprio Deus em forma humana? Jesus tem uma fala em Mateus em que diz que não veio revogar a Lei Mosaica (Mat, 5:17), ou seja, ele não pretendia mudar sequer um jota ou til daquilo que Deus já havia determinado. E isso é mais do que reforçado pela cena da tentativa de apedrejamento de Maria Madalena, em que Jesus deixa claro que não veria problema nenhum em que se apedrejasse a mulher (“Que atire a primeira pedra…”), desde que os algozes dela estivessem eles mesmos cumprindo toda a Lei (“…aquele que estiver sem pecados.”). Quem não cumpria a lei, pecava; e, se pecava, não deveria estar tão ansioso por punir outros pecadores.

No máximo, no máximo, Jesus condenou ali apenas a hipocrisia dos seus pares que adoravam cumprir as leis terríveis de Deus “nos outros”, enquanto eles mesmos as desobedeciam.

Se o próprio Deus, em forma humana, disse que suas leis deveriam permanecer como estavam mesmo que “céus e terras passem”, por que o crente resolveu dar ouvidos a um homem igual a ele que apareceu, tempos depois, dizendo que aquela lei havia sido substituída?

Resposta: porque os cristãos daquele primeiro século, os que escreveram a parte da Bíblia que os cristãos de hoje leem, eram muito mais evoluídos socialmente do que os que escreveram o Antigo Testamento, a outra parte que os cristãos não leem. E como foi preciso substituir o Deus judaico pelo deus cristão — Jesus Cristo — , nada mais previsível do que o novo deus ter regras novas para passar aos seus novos fiéis. Mas aí, como se esqueceram de pôr essas falas na boca de Jesus, precisaram colocá-las na de Paulo, pois não dava pra fazer uma segunda edição dos Evangelhos, revista e ampliada.

Os cristãos ficaram, assim, com um deus completamente novo, mais próximo deles e mais palatável, se comparado ao antigo Deus judaico. Os cristãos tinham umas novas regras ainda um tanto confusas, mas, pelo menos, não era preciso sair por aí apedrejando ninguém, segundo Paulo. Eles tinham um deus que agora se interessava não só em proteger e paparicar Israel, mas que era o deus de uma “Israel espiritual”, um clube aberto, portanto, que fez sucesso justamente por isso. Eles tinham algo com que os judeus jamais poderiam sonhar: a imagem de seu próprio deus para colar na traseira do carro. E eles tinham, por fim, um símbolo novo de adoração, a Cruz, que seria o símbolo da nova religião, e que viria a diferenciar os novos crentes no novo deus, dos velhos crentes no Deus judaico que os cristãos mataram, sepultaram, e esqueceram.

 

Deus morto, deus posto


Atualmente, quando um filho de Deus bate à minha porta, em pleno domingo de manhã, querendo “ler a palavra” pra mim, eu logo despacho o infeliz com uma declaração semelhante a essa:

Olha, eu acho esse livrinho aí uma coleção de fábulas. Algumas tolas, algumas ridículas, algumas  grotescas. Não quero que você leia pra mim, não.

Se isso não parece dar resultado, eu uso a minha frase bat-repelente:

Eu não acredito em Deus, não aceito Jesus como meu salvador, e renego o Espírito Santo. 

Aí eles vão embora. Já quando é uma filha de Deus… e quando é jeitosinha… eu tento exibir meus conhecimentos bíblicos, e geralmente começo assim:

Você já leu a Bíblia toda? 

Nunca conheci ninguém que tivesse lido a Bíblia do Gênesis ao Apocalipse. E acho muito difícil alguém querer me convencer de uma coisa se, ela mesma, não se mostra convencida:

Mas essa é boa! Quer dizer que Deus mandou escrever esse livro pra você, pra te ensinar a ser boa, a ter moral, a fazer o que é certo, além de, principalmente, mostrar como salvar sua alma do Inferno, e você não teve a curiosidade de ler tudo?

Não é estranho? Pois eu acho. Muito. E mais ainda o fato delas não se interessarem nem um pouco pelo Antigo Testamento, com exceção de um ou outro versículo escolhido a dedo do meio de inúmeros outros que precisam desculpar, justificar, reinterpretar das formas mais mirabolantes, para que esses versículos realmente não digam o que parecem que dizem.

Uma vez a garota arregalou os olhos quando eu disse que Deus havia mando matar um homem a pedrada só porque ele havia descumprido a lei do descanso sabático (Num 15:32). Ela buscou refúgio na companheira, esperando que a outra dissesse que eu estava delirando, mas só ouviu a amiga dizer que “A lei antiga não estava mais valendo. Agora vivemos sob a Graça”. E adivinha quem disse isso? Jesus? Não. Só pode ter sido Saulo de Tarso, vulgo São Paulo, o metido.

Que autoridade teria Paulo para contradizer o próprio Deus em forma humana? Jesus tem uma fala em Mateus em que diz que não veio revogar a Lei Mosaica (Mat, 5:17), ou seja, ele não pretendia mudar sequer um jota ou til daquilo que Deus já havia determinado. E isso é mais do que reforçado pela cena da tentativa de apedrejamento de Maria Madalena, em que Jesus deixa claro que não veria problema nenhum em que se apedrejasse a mulher (“Que atire a primeira pedra…”), desde que os algozes dela estivessem eles mesmos cumprindo toda a Lei (“…aquele que estiver sem pecados.”). Quem não cumpria a lei, pecava; e, se pecava, não deveria estar tão ansioso por punir outros pecadores.

No máximo, no máximo, Jesus condenou ali apenas a hipocrisia dos seus pares que adoravam cumprir as leis terríveis de Deus “nos outros”, enquanto eles mesmos as desobedeciam.

Se o próprio Deus, em forma humana, disse que suas leis deveriam permanecer como estavam mesmo que “céus e terras passem”, por que o crente resolveu dar ouvidos a um homem igual a ele que apareceu, tempos depois, dizendo que aquela lei havia sido substituída?

Resposta: porque os cristãos daquele primeiro século, os que escreveram a parte da Bíblia que os cristãos de hoje leem, eram muito mais evoluídos socialmente do que os que escreveram o Antigo Testamento, a outra parte que os cristãos não leem. E como foi preciso substituir o Deus judaico pelo deus cristão — Jesus Cristo — , nada mais previsível do que o novo deus ter regras novas para passar aos seus novos fiéis. Mas aí, como se esqueceram de pôr essas falas na boca de Jesus, precisaram colocá-las na de Paulo, pois não dava pra fazer uma segunda edição dos Evangelhos.

Os cristãos ficaram, assim, com um deus completamente novo, mais próximo deles e mais palatável, se comparado ao antigo Deus judaico. Os cristãos tinham umas novas regras ainda um tanto confusas, mas, pelo menos, não era preciso sair por aí apedrejando ninguém, segundo Paulo. Eles tinham um deus que agora se interessava não só em proteger e paparicar Israel, mas que era o deus de uma “Israel espiritual”, um clube aberto, portanto, que fez sucesso justamente por isso. Eles tinham algo com que os judeus jamais poderiam sonhar: a imagem de seu próprio deus para colar na traseira do carro. E eles tinham, por fim, um símbolo novo de adoração, a Cruz, que seria o símbolo da nova religião, e que viria a diferenciar os novos crentes no novo deus, dos velhos crentes no Deus judaico que os cristãos mataram, sepultaram, e esqueceram.

 

Ateus de Piracicaba

 

Há uma semana, um homem foi expulso da Câmara de Piracicaba por ter se recusado a ficar em pé durante a leitura de um trecho bíblico, com o que o regimento interno determina que se abra uma sessão plenária. Isso me inspirou a escrever uma “parte 2″ para o meu texto Deus, sua Bíblia ficou uma bosta!, que será publicada em breve, e que será enviada, por e-mail, ao presidente da Câmara daquela cidade. Com sorte, talvez ele leia meu texto no início de alguma sessão.

666

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Lúcifer era o mais belo dos anjos, o preferido de Deus. Ambicionando ser mais do que já era, ele revoltou-se contra o Criador e liderou uma terça parte dos anjos numa rebelião que acabou expulsando-os a todos dos céus.

Lúcifer, o Anjo Caído. Satanás. O Diabo.

Acredito que essa estória, que pretende dar conta do surgimento do arqui-inimigo do Todo-Poderoso (como diabos um ser todo-poderoso pode ter um arqui-inimigo?)… bom, acredito que a estória é do conhecimento de todo mundo. Eu só queria saber como os cristãos tomaram conhecimento dela, já que a mensagem de Deus para eles, a Bíblia, não fala nada a respeito da origem do ser que assumiu a administração do Inferno. 

Como minha conta do DeusILUSÃO, no Twitter, ia chegar ao tweet número 666, eu quis comemorar esse… “evento” com um texto sobre Satanás, a besta e seu número maldito.  Pedi, então, para os leitores do blog me informarem onde eu poderia encontrar, nos textos bíblicos, passagens relacionadas ao tema. 

Dos livros sugeridos, faço os comentários a seguir.

Jó 1:7 É apenas o relato da aposta que Deus fez com Satanás acerca da devoção de Jó. Os dois combinam que tipos de sofrimento devem ser impostos a Jó pra ver quanto ele aguenta sem praguejar contra o Senhor. Deus ganhou a aposta; Satanás não saiu perdendo nada; e Jó só se fodeu na estória.

1Pedro 5:8 Descreve tão somente uma advertência que Pedro faz aos cristãos sobre o Diabo estar sempre à espreita.

Ezequiel 28:12 a 19 Aparentemente, os cristãos leem aqui uma suposta “origem” de Satanás, sua revolta contra Deus e sua expulsão do Céu. Na verdade, o narrador está se referindo ao rei de Tiro, nessa passagem. Não tem nada a ver com o Diabo. 

Isaías 14 Começando-se o versículo 12 com “Como caíste do céu”, e terminando o 14 com “ao mais profundo abismo”, acredito que eles entendam como outra referência ao Anjo Caído, mas o texto começa falando dos “opressores de Israel” e não muda o foco em nenhum momento, sendo, portanto, a esses opressores a que se referem os versículos acima.

Até aqui, pelo menos, nada na Bíblia explicando o surgimento do Diabo que pudesse se comparar ao Episódio I, de Guerra nas Estrelas.

Apocalipse 12:4 Refere-se à terça parte das estrelas do céu que foram lançadas para a Terra pela cauda da besta. Provavelmente é daí que os cristãos tiraram aquela estória da rebelião de Lúcifer (nome que me disseram que não é mencionado na Bíblia em parte alguma). Mas no próprio livro de Apocalipse, no primeiro versículo do seu primeiro capítulo, João diz que o que ali está escrito é sobre as coisas que irão acontecer “brevemente”. É uma profecia, então; não é a narrativa sobre a origem de nada.

Apocalipse 13:18 Num texto absolutamente sem sentido, como deve-se esperar que sejam todas as descrições de sonhos, é onde se menciona o número de uma das bestas, porque, na verdade, há duas delas. E esse tal número vem, desde então, inundando o imaginário de gente que é fascinada por mistérios.

Isso me levou a concluir que tudo que eu sei e que você sabe sobre um Lúcifer que desafiou Deus e foi arremessado para a Terra com a terça parte dos anjos, foi só uma outra lenda inventada bem depois do Criador ter mando botar um ponto final na sua mensagem para seus macaquinhos de estimação. O que os cristãos fizeram foi juntar um monte de retalhos do seu livro sagrado, atribuindo a eles o sentido que bem queriam, e criar mais uma fábula para explicar a origem de um dos seus personagens mais centrais, mas que não pôde ser contemplada na fábula principal.

E o número 666 é só uma ilusão para distrair os bestas.


* VICARIUS FILII DEI, em latim, quer dizer “vigário filho de Deus”, e é  um dos títulos atribuído aos papas.

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O nascimento de Deus

Vídeo indicado por Gustavo Milaré, do blog Opiniões do Bandeirinha

O fruto

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Meu pai me deu a Bíblia dele de presente e ficou com a minha velha.

Interpretação de texto é uma habilidade impressionante, não é? Faz até a gente consertar frases mal redigidas… O que eu quis dizer é que eu tinha uma Bíblia surrada, de médio porte, com encadernação de luxo e páginas bem resistentes; enquanto que meu pai tinha uma Bíblia monstruosamente grande, de capa dura e folhas de papel jornal. Hoje meu pai resolveu pegar a minha pra ele, porque fica mais fácil de ler e de manusear, e me deu a dele em troca. Uma troca do tipo “Fica com essa aí e cala a boca, porque, se não fosse eu, você nem estaria aqui”.

Meu pai não tem no banco dinheiro suficiente nem pra despachar um cego; portanto, não é por interesse em uma possível herança que eu o obedeço, faço suas vontades e atendo seus pedidos. Também ele nunca me ameaçou com nenhum tipo de castigo ou tortura se eu não o amasse e, vê que coisa!, eu o amo assim mesmo. Vai entender… Um ser imperfeito e limitado, que não sabe fazer mágica nem com cartas de baralho, e tem um filho que o ama a ponto de não reclamar quando ele surrupia sua Bíblia bonitinha, e lhe dá em troca uma merda daquelas!

Aconteceu que, enquanto eu folheava meu novo mastodonte sagrado, acabei por acaso tropeçando nuns versículos que me chamaram a atenção para um tenebroso relato bíblico que ninguém talvez nunca tenha interpretado adequadamente. Interpretação de texto também é uma habilidade traiçoeira, você sabe. Depende das coisas que o seu cérebro já se acostumou a entender, a perceber, a aceitar, etc…  Não é uma ciência de foguetes, portanto. Daí que deve ter sido por isso mesmo que ninguém deu ao caso a evidência merecida. Até agora.

O tema é polêmico e aqui vai uma dica: foi o primeiro crime que Deus cometeu no Novo Testamento.

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Interpretareis conforme a vossa conveniência 2

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Eu tenho um sobrinho de dez anos que está quase concluindo o catecismo. Por pura curiosidade acerca dos seus conhecimentos eclesiásticos, eu perguntei a ele por que o dia sagrado dos católicos não é o sábado, como consta dos Mandamentos… Meu sobrinho me mostrou, então, seu livrinho do catecismo, onde vê-se que uma ordem expressa do criador do universo foi acintosamente adulterada: “Terás um dia, na semana, para descanso e recolhimento”. Assim? À la carte? É isso que dá esse negócio de estudar por apostilas. No meu tempo de catecismo, a gente lia a Bíblia mesmo, e lá tá dizendo outra coisa:

Seis dias se trabalhará, mas o sétimo dia será o sábado de descanso solene, santo ao Senhor; qualquer que no dia do sábado fizer algum trabalho, certamente será morto. Guardarão, pois, o sábado os filhos de Israel, celebrando-o nas suas gerações como pacto perpétuo.” (Êxodo, 31:15-16)

Para ilustrar como estava falando sério, Deus mandou seu autor-sagrado registrar o primeiro caso de desobediência a esse Mandamento, quando um desavisado foi pego catando lenha no dia de sábado:

Então disse o Senhor a Moisés: ‘Certamente será morto o homem; toda a congregação o apedrejará fora do arraial’. Levaram-no, pois, para fora do arraial, e o apedrejaram, de modo que ele morreu; como o Senhor ordenara a Moisés.” (Números, 15:35-36)

Agora fica evidente por que autores de “livrinhos de catecismo” resolveram, à revelia do Criador, fazer tamanha alteração no seu Quarto Mandamento. Ninguém se atreveria, nos dias de hoje, a instigar crianças a matar uma pessoa, mesmo que fosse para cumprir uma determinação de sua divindade. Também ninguém se atreveria, nos dias de hoje, a incutir nas crianças a ideia de que a mulher é uma coisa, um objeto que pertence ao homem, motivo pelo qual também precisaram editar o Décimo Mandamento:

Não cobiçarás a mulher do teu próximo; não desejarás a casa do teu próximo; nem o seu campo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo.” (Deuteronômio, 5:21) 

Certamente os cristãos católicos escarafuncharam a Bíblia para encontrar as desculpas que validassem o ajuste que fizeram, de forma que a moral de Deus se ajustasse à sua própria moral. Suspeito que, num universo em que Deus existisse mesmo, deveria se observar o contrário: a moral da criatura se adequando à moral de seu criador.

Mas o fato é que eles encontraram várias desculpas. Umas, completamente estrambólicas, como a do padre Queiroz, do blog Liturgia Diária Comentada:

“O homem deve obedecer à lei do sábado só e enquanto protege a vida humana”

que evidencia a desonestidade que se faz necessária para não enxergar Deus como um déspota cósmico, irascível e impiedoso. 

Além de desculpas ridículas como essa, existem aquelas que pertencem à categoria do “abre a boca e feche os olhos”:

Porque a lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.” (João, 1:17)

Esse versículo é a fonte da desculpa mais comum (e a mais esfarrapada) que se ouve, quando o assunto vem à baila: “Não vivemos mais sob a Lei, mas sob a Graça”. É nela em que se vale o cristão para interpretar as palavras do discípulo preferido de Jesus como sendo uma orientação de Deus para anular todas as leis do Antigo Testamento. Os Dez Mandamentos inclusos.

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> Interpretareis segundo a vossa conveniência 1

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Deus, sua Bíblia ficou uma bosta!

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Eu lembro que, na época de catecismo, tinha uma dúvida enorme sobre a minha então religião Católica Apostólica Romana. Assim: se só através de Cristo uma pessoa poderia ser salva, como ficava a situação daquelas que viveriam e morreriam sem tomar conhecimento dos evangelhos? Os índios da Amazônia, por exemplo, iriam todos para o Inferno? Mas que culpa eles tinham se o todo-poderoso Deus foi tão incompetente (ou tão burro) em bolar essa regra de salvação que exigia que eles tomassem conhecimento de uma “boa-nova”? E mais: ele não poderia ter dado essa notícia logo no Antigo Testamento mesmo? Por que diabos ele levou quase quatro mil anos para elaborar uma mensagem que nos salvaria da maldição eterna que ele mesmo arquitetou, se foi capaz de fazer todo o universo e tudo o que há nele em menos de uma semana? 

E o pior de tudo: a tal da “mensagem” ficou uma bosta! Cheia de contradições, de erros, de coisas sem sentido e desnecessárias. Se Deus fosse onisciente, teria previsto que a Bíblia, em vez de esclarecer as coisas, serviria mais como fonte de confusão. Estão aí os judeus, islâmicos, católicos, protestantes, evangélicos, mórmons e Testemunhas de Jeová que não me deixam mentir. 

Convenhamos, até eu conseguiria bolar um método mais eficaz para disponibilizar um upgrade nas minhas regras imutáveis. Eu teria projetado o ser humano para vir já com a minha “palavra” internalizada (hardwired — como se diz em informática). Aí sim: se o meliante não seguisse minhas instruções, não teria como alegar que não sabia como deveria ter se portado. 

Mas não. Deus quis que você conhecesse as novas regras dele trazidas à Terra por seu filho, Jesus Cristo. Aí o que é que ele fez? Fez Jesus nascer numa aldeia insignificante, como parte de uma nação subjugada, composta por um povo atrasado, malemolente e preconceituoso, fechado e isolado em sua tradição, no meio de um deserto do Oriente Médio. Supimpa! Dali a mais uns dois mil anos, a “mensagem” ainda estaria confusa; teria gerado guerras, mortes e sofrimento; teria dizimado nações e dividido os povos; e ainda seria preciso a intervenção de certos “iluminados” para tentar entender o que realmente Deus estava querendo dizer quando disse o que disse.

Qualquer ser humano que tivesse bolado um plano desses entraria para a História como o maior imbecil que já fêz cocô nesse planeta.

Mas, enfim. A minha professora de catecismo tentou tirar a minha dúvida, mas eu não entendi. Ela falou e falou, recitou vários versículos bíblicos, e concluiu que Jesus era o caminho, a verdade e a vida. Eu fiquei com vergonha de dizer “Irmã, mas… quanto à pergunta que eu fiz… a senhora não entrou no cerne da questão”. É claro que, à época, eu não fazia a menor ideia do que “cerne” queria dizer. Hoje eu sei, mas continuo sem saber se os índios da Amazônia vão ranger seus dentes no Inferno.

Então, esses dias, eu lembrei de repetir a pergunta para o YouTube, e encontrei esse vídeo abaixo. Acredito que algum cristão que vá ler esse texto não se negaria a me explicar essa explicação sobre a explicação que Deus deixou acerca da salvação de quem nunca ouviu falar de Jesus Cristo.

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“Na Mira da Verdade”

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O vídeo acima traz a resposta do pastor Leandro Quadros a essa pergunta ridícula feita por um devoto, telespectador, cliente, sei lá como chamar esse povo…: “Cristão pode ir ao cinema?”. Se você tiver coragem para ver o vídeo, vai ficar sabendo que, segundo a Bíblia, não, o cristão não deveria ir ao cinema. Adicionalmente, vai descobrir, também, que o embasamento bíblico usado pelo pastor para dar a resposta conseguiu ser ainda mais ridículo do que a pergunta em si.

Esse programa da TV Novo Tempo, Na Mira da Verdade, serve para isso mesmo: responder perguntas dos… fiéis? Pois é: dos fiéis. Quer saber se é pecado beber café, comer carne de porco? Tem curiosidade em saber por que Deus criou Lúcifer, já sabendo que ele se transformaria em Satanás? E José? Pegou ou não pegou a Maria? Mande um e-mail, um SMS ou mesmo um tweet para o “Na Mira da Verdade” que o pastor vai te responder. Se vai ser a resposta verdadeira… aí vai depender de você.

Sempre citando versículos bíblicos, o pastor Leandro Quadros tira de letra qualquer dúvida. Não dá para deixar de perceber, no entanto, que o método que ele usa para responder as perguntas é o de escolher uns poucos versículos isolados, uma coisa que é completamente vetada ao ateu fazer, visto que os crentes sempre vão dizer que não se pode fazer uso de um versículo sem se analisar o contexto.  

Alguém quis saber, por exemplo, como Deus iria julgar os doentes mentais, que, obviamente, não têm a menor ideia do que está acontecendo, nem podem ser responsabilizados pelos seus atos. Pois o pastor leu esse único versículo do livro de Isaías, que diz que “O louco não errará o caminho”, e concluiu que os doentes mentais serão salvos.

Outra coisa que ele faz com frequência é resgatar o sentido “original” que uma palavra tinha no texto em hebraico, como no caso em que explicou que o “vinho” que Jesus bebeu era só “suco de uva”, não a bebida alcoólica; e que o “arrependimento” que Deus sentiu por ter criado a humanidade era apenas um “pesar”, pois Deus estava “chateado” em ter que afogar todo mundo. Eu acho que Deus não havia atentado para o fato de que sua palavra iria ser traduzida para vários idiomas… 

Se você tiver tempo, ou curiosidade, ou se quiser dar umas boas risadas, ou ficar constrangido, ou sentir “vergonha alheia”, veja também a resposta que ele deu a uma pergunta até bem inteligente: “Com quem Caim se casou (=transou) se Adão e Eva foram os primeiros habitantes da Terra?”.

A resposta do pastor é mais ou menos essa: os filhos de Adão e Eva transaram entre si, e não era incesto, não, porque o incesto só aparece na Bíblia em Levítico…

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Interpretareis conforme a vossa conveniência (parte 2)

<< Parte 1.

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Quando eu citei aqueles versículos bíblicos que deveriam fazer qualquer mulher decente se sentir humilhada pelo seu próprio Deus, a desculpa que aquelas mulheres que passaram na minha porta domingo me deram foi: “Ah!, mas isso é o Antigo Testamento”.

Isso significa exatamente o quê? Significa que Deus era mesmo esse canalha machista e preconceituoso, mas, depois de ter sido pai, no Novo Testamento, mudou completamente o seu modo de ser e tornou-se um amor de pessoa, digo, um amor de Deus?

É isso mesmo.

Essa desculpa-padrão de “Ah!, mas isso é o Antigo Testamento” é a mais idiota em que alguém poderia pensar, e é por isso que faz tanto sucesso entre essas pessoas que não se incomodam em acreditar que uma cobra e uma jumenta falaram com um ser humano, mostrando-se, nos dois casos, serem até mais inteligentes do que o seu interlocutor.

Em todo caso, essa é a mesma justificativa que os cristãos usam para não saírem por aí apedrejando os outros a torto e a direito: Jesus Cristo aboliu toda a antiga lei Mosaica. Isso graças a uma interpretação bem longa feita em cima de um versículo bem curtinho.

O versículo é esse, mencionado na “parte 1“:

Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido

E a interpretação é a que segue.

Uma lei pode ser estipulada em termos do que é proibido ou do que é exigido. Quem faz o que não é para se fazer, segundo a lei, assim como quem não faz o que a lei manda fazer, é, por definição, um transgressor dessa lei. Tratando-se das leis de Deus, um pecador, para usarmos a terminologia condizente.

Uma lei implica, também, numa sanção, numa pena, que se imputa a quem a transgride. Em terminologia bíblica, quem peca deve ser punido.

As punições na lei Mosaica eram, geralmente, capitais: morte por apedrejamento, decaptação, enforcamento ou fogueira, dependendo do crime. O Deus do Antigo Testamento era bem pragmático. Com ele era preto no branco: “Você foi acusada de bruxaria, ou se casou e seu marido percebeu que o membro dele te penetrou sem que você gritasse de dor? Péssima notícia: você está condenada a morrer por apedrejamento.”

Então, o processo todo envolvia lei + sanção + pecador + punição.

Aí o cristão, interpretando aquele “sem que tudo seja cumprido” do versículo mais acima, acha que Deus, que foi quem inspirou Moisés a escrever leis com aquelas punições terríveis, teve a brilhante ideia de vir ele mesmo receber a punição por toda a humanidade de uma vez só. Logo, uma vez que Jesus Cristo pagou o pato por todo mundo, recebendo toda a punição que a lei determinava ser imputada aos pecadores — individualmente — , a pena prevista na lei não poderia ser aplicada em mais ninguém, uma vez que já havia sido “cumprida” numa única pessoa: Jesus.

Simples, né?

Ou isso, ou ninguém iria acreditar que o Jesus, do Novo Testamento, e o Deus do Velho eram um só, porque, quando se trata de legislação, esses dois não se entendem:

Disse, pois, o SENHOR [Deus] a Moisés: Certamente morrerá aquele homem [pego catando lenha no dia de sábado]; toda a congregação o apedrejará fora do arraial. (Números 15:35)

E disse-lhes [Jesus]: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado. (Marcos 2:27)

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<< Parte 1

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Interpretareis conforme a vossa conveniência (parte 1)


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Certa vez recebi um e-mail com uma imagem anexada em que um rapaz negro exibia uma enorme suástica tatuada no peito. Não dá para afirmar com segurança, mas é muito provável que esse indivíduo não tivesse, à época em que se tatuou, a menor noção do que foi o Nazismo.

O mesmo tipo de estranheza — de sensação de coisas que não combinam — me causa a devoção de uma mulher pelo Deus bíblico. Eu me pergunto: será que ela, alguma vez, já se inteirou do que esse Deus pensa dela? A experiência me diz que não. Como o rapaz da suástica em relação ao Nazismo, elas também não fazem ideia de quem seja Deus.

O Deus da Bíblia, coincidentemente, tem a mesma visão da mulher que tinham os homens que escreveram suas falas, alguns milênios atrás, num lugar onde nascer com uma vagina era a segunda pior coisa que poderia ocorrer a um ser humano. A primeira era não oficializar, no devido tempo, que essa vagina era propriedade de um determinado homem; e só dele. Isso porque a pena para uma portadora de vagina sem dono era a morte por apedrejamento.

Como bem observou Richard Dawkins, a mulher só tem valor na Bíblia se for esposa ou mãe. Uma solteirona, naqueles tempos, poderia ser facilmente denunciada como bruxa, ou adúltera, e morta por apedrejamento, sem necessidade de provas ou julgamento. Um boato era o suficiente.

Quando umas senhoras vieram à minha porta, esse domingo passado, vender seu Jesus Cristo pra mim, eu fiz as minhas duas perguntas-padrão:

— Vocês já leram toda a Bíblia?

— Nós lemos todo dia.

— Não foi isso que eu perguntei. Vocês já leram sua Bíblia do começo ao fim?

Não: nenhuma delas tinha lido. Na verdade, nunca ninguém a quem já fiz essa pergunta respondeu com um sim.

Na minha segunda pergunta-padrão, eu sempre menciono algum trecho em que Deus demonstra seu desprezo pelas mulheres:

— Vocês sabiam que é por causa de vocês, mulheres, que existe a morte? [Eclesiástico 25:33]

— Vocês sabiam que Deus acha correto matar mulheres que se casam não sendo mais virgens? [Deuteronômio 22:20]

— O que vocês acham da ordem de Deus para que a mulher se sujeite e seja dominada pelo marido? [Gênesis 3:16, Pedro 3:1]

A essas minhas perguntas, invariavelmente, a resposta também é padrão:

— Ah!, mas isso tudo está no Antigo Testamento!

Aparentemente, Deus poderia ter economizado um monte de pergaminho — e vidas humanas — mandando escrever apenas o Novo Testamento, já que o Antigo não serve pra nada. Ou, como aquelas senhoras disseram: “Tudo isso foi abolido com o sacrifício de Jesus…”

Interessante notar que Jesus mesmo nunca mencionou nada a respeito. Ao contrário:

“Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido”

[Bíblia Online, Mateus 5:17-18].

Aquelas senhoras, então, tentaram me mostrar como a Bíblia “explica” que Jesus aboliu as leis terríveis do Antigo Testamento, e como entendem que Deus não tem mais aquele desprezo por elas.

É justamente aí onde se percebe o malabarismo mental que essas pessoas precisam fazer, devidamente conduzidas por seus “pastores”, de forma que suas crenças não sejam abaladas pela simples constatação de que os textos bíblicos não vieram de Deus, mas dos “homens” que o inventaram.

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CONTINUAÇÃO:  

Parte 2  : um Deus perfeito e imutável que tem leis eternas que são refeitas…

- Parte  3  : Jesus Cristo, o Mestre dos Magos

Parte final : se Deus não presta, crie um deus novo e diga que é o mesmo deus velho

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“Acredite Se Quiser” ou “Ria Se For Capaz”

Vi no Bule Voador

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#2 Você acredita que Deus é bom?

As quatro coisas mais mal distribuídas do mundo são, pela ordem, poder, dinheiro, beleza e bom-senso. Eu, graças a Deus, ainda consegui pegar o bom-senso.

Entretanto, ninguém pode aplicar o bom-senso que tenha em cima de um assunto que desconhece completamente, ou sobre o qual não queira verter um mínimo de raciocínio. Em virtude disso, mesmo que uma pessoa religiosa também tenha sido contemplada com bom-senso, ela não se atreve a raciocinar sobre o pouco que conhece da sua própria religião. Eis o mistério da fé revelado: as coisas mais absurdas são empurradas goela abaixo do cristão porque o filtro do bom-senso que as rejeitaria nunca está em uso.

O experimento que eu desenvolvi é capaz de pôr o bom-senso do religioso para funcionar. No tranco, se preciso, ou algo como o Modo de Segurança do Windows. Por isso, ele irá fugir desse tipo de conversa como o Diabo da cruz. Ele perceberá que um interlocutor obstinadamente treinado para manter um determinado foco não irá deixá-lo seguir adiante no seu blá blá blá sem fim, que é de onde a fé tira o seu sustento. Vendo-se obrigado a, também, manter o foco, a fé que tem vai esmorecer, e, em esmorecendo, um mundo sem Deus se apresentará em toda a sua crueza diante dos olhos arregalados do crente, mimado desde o berço por um amigo imaginário que, de repente, não está mais lá.

Duvida? É só pôr em prática, você mesmo, o experimento que descrevi até aqui com alguma pessoa religiosa que você conheça. Pergunte a ela: “Você acredita que Deus é bom?”.

Claro que a pessoa vai dizer que sim. Deus é bom. Então, tente fazer com que ela justifique isso, usando a única coisa que sabe sobre Deus: a Bíblia. Como pode ser bom um ser todo-poderoso, todo-isso, todo-aquilo como é descrito no livro cristão, fazer o que Deus fez, permitir o que permitiu, cometer as atrocidades que cometeu.

Pergunte à pessoa religiosa como pode ser bom um Deus que ameaça com um castigo tão horrendo como o Inferno aqueles que não simpatizarem com ele; que incita à violência, que mata e que manda matar; que pune todos pelo suposto erro de dois; que comete genocídios; que amaldiçoa os filhos pelo crime dos pais; que é entusiasta da escravidão e da pena de morte; que pede sacrifícios humanos, e por aí vai…

Esteja só atento para não se deixar enrolar pelos “subterfúgios-padrão”  do crente. Por exemplo, quando você falar que Deus é a favor da escravidão e do apedrejamento, ele dirá algo como “Ah, mas isso é o Antigo Testamento”, ou “Ah, mas era a lei da época”, ou “Ah, mas o povo tinha o coração duro”, etc., e vai querer fazer você aceitar isso como uma justificativa, como se, por fazer parte do Antigo Testamento, não fosse o mesmo Deus; como se, por ser a lei da época, não houvesse sido instituída por ele, ou com sua conivência; como se fosse possível dizer que uma pessoa que manda matar a pedrada continua sendo boa, só porque os que vão ser apedrejados não são.

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Bíblia: literatura de sovaco

Editora especializada em Bíblias tem até uma para surfistas

Funcionários trabalhando na produção de livros religiosos na gráfica da Sociedade Bíblica do Brasil, em Barueri

Na tarde da última quinta-feira, reverendos e funcionários de uma gráfica em Barueri se reuniram para um evento sacroempresarial: a encadernação da Bíblia de número 100 milhões da Sociedade Bíblica do Brasil.

Para o presidente da organização filantrópica, o reverendo Adail Sandoval, a marca teve gosto de superavit.

Sucursal brasileira da United Bible Societes [sociedades bíblicas unidas], a Sociedade Bíblica do Brasil imprime de 30 mil a 40 mil livros sagrados por dia –ou uma Bíblia a cada três segundos.

Além da Indonésia, é aúnica das 147 sociedades internacionais com gráfica própria, em Barueri, município da Grande São Paulo. Abastece mais de cem países com salmos em português, inglês, espanhol, árabe, hebraico, latim e outras línguas.

O sucesso se deve, em parte, ao trabalho do pastor presbiteriano Rudi Zimmer, 63, teólogo com MBA em administração de empresas e, desde 2005, diretor executivo da entidade.

Funcionário de carreira, com 20 anos de casa, Zimmer situa na década de 1990 o boom do mercado editorial sacro. “A segmentação aconteceu em todas as áreas, chegando à igreja. Até lá, se fazia bíblia de qualquer cor, desde que fosse preta”, brinca.

Hoje, a Sociedade Bíblica lança 40 títulos inéditos por ano, como a “Bíblia da Família”, a “Bíblia da Mulher” e a “Bíblia do Surfista”, cuja página de abertura explica: “É para você que deseja experimentar a pura vida na presença de Deus. Boas ondas!”.

Alguns títulos são criados pela equipe do gerenteeditorial Dennis Timm, 40. Outros, comprados na International Christian Retail Show [mostra internacional do varejo cristão], feira religiosa que ocorre uma vez ao ano, nos Estados Unidos.

No site da Sociedade Bíblica, são vendidos por valores que vão de R$ 2 (“Bíblia Sagrada”) a R$ 133,90 (“Bíblia Shedd”, com capa de couro, mapas e 10 mil notas de rodapé). Em 2010, coube à “Bíblia de Estudo Despertar” (R$ 44,90) liderar o comércio, com ensinamentos baseados na terapia de 12 passos dos Alcoólicos Anônimos.

Zimmer explica que o texto sacro jamais é modificado: “A Bíblia é a mesma para qualquer público. A apresentação gráfica e os comentários é que diferem”. Edições recentes obedecem às regras do novo acordo ortográfico. Variam na tradução, que pode seguir quatro padrões.

Ainda que tenha a Igreja Católica como principal cliente, a Sociedade Bíblica não discrimina. Por ser uma organização de cunho ecumênico, produz sob encomenda para as evangélicas Renascer, Universal e Assembleia de Deus.

DIREITO AUTORAL

“Nunca entramos em política eclesiástica. Queremos apenas que o povo receba a Bíblia”, diz Zimmer.

A concorrência –que inclui as editoras Vozes, Ave Maria, Vida, Esperança e GeoGráfica, entre outras– é farta, posto que Deus não cobra direito autoral. Ainda assim, nenhum rival atingiu a marca dos 100 milhões de livros produzidos.

Fundada em 1948, a Sociedade Bíblica do Brasil se fez ampliar com farto apoio eclesiástico, sob o argumento de tornar a palavra de Deus acessível. “Pedimos empréstimos e doações às igrejas”, diz Zimmer.

Das editoras nacionais, é a única que participa da Assembleia Geral da United Bible Societies.

A última reunião ocorreu em setembro de 2010, data em que padres e pastores debateram a posição da Bíblia na era digital.

O assunto, em princípio espinhento, foi recebido com tranquilidade pelos diretores da Sociedade Bíblica do Brasil. Desde meados daquele ano, eles já vendiam a “Bíblia Digital Glow”, em três DVDs.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/921815-editora-especializada-em-biblias-tem-ate-uma-para-surfistas.shtml

O sexo de Deus (parte final)

Se Adão e Eva comeram do fruto proibido eu não sei, mas, para eu estar aqui escrevendo essas heresias, Adão deve ter, obrigatoriamente, comido a Eva. Deles nasceram Caim e Abel, e depois que Abel foi comer capim pela raiz…


— Irmã… A senhora disse que, quando a gente morre, vai viver no Paraíso. Abel já vivia no Paraíso; então, depois que foi morto, ele ressuscitou?

— Vai ali pro canto, vai… Dessa vez são vinte Pai-Nossos e vinte Ave-Marias.

Depois que Abel foi assassinado, ficamos com uma proporção (em números absolutos também) de dois homens para cada mulher, o que desvalorizou muito o Paraíso em suas qualidades paradisíacas… Como Eva era a única mulher do universo, podemos dizer seguramente que o incesto rolou solto por aquela época, e que Deus não tava muito preocupado com isso, não. Contanto que ninguém mexesse no pomar dele, filho transar com a própria mãe, irmão transar com irmã, pai transar com filha, nada disso parecia ser um problema.

Um conhecido meu já quis me explicar que Deus havia criado toda a humanidade de uma só vez, e que Adão e Eva eram apenas os representantes ou personagens principais daquela mensagem divina…


É preciso inspiração do Espírito Santo para compreender plenamente o verdadeiro significado dos textos sagrados…

Sério? O Espírito Santo inspira alguém para escrever suas mensagens e, depois, precisa fornecer mais inspiração para que elas sejam entendidas? E você tá me dizendo que foi esse mesmo um aí que construiu o universo? Mas ele parece não ter competência sequer para  passar numa prova de redação!…

Mas, enfim, uma vez que tudo foi devidamente esclarecido, e admitiu-se que o Gênesis apenas “relata de uma forma simbólica” a criação do universo e do ser humano (leia-se: é um mito, uma fábula, como a da Chapeuzinho Vermelho), Richard Dawkins chamou a atenção do mundo religioso para outro detalhe: por que Deus teria tido o trabalho de assumir a forma humana e de se oferecer em sacrifício para livrar a humanidade da maldição lançada por ele mesmo, por conta daquele pecado terrível cometido por aquelas duas pessoas que nunca existiram?

Sendo o Gênesis “simbólico”, a missão suicida do filho de Deus para salvar o mundo também deveria ser, o que, se bem entendido, quer dizer que tudo nos Evangelhos não passa de mitologia tosca e asquerosamente intragável, que sequer se presta para enfeitar nossas estantes com personagens fantásticos de histórias sublimes, como os da mitologia grega.

Um Deus bruto, turrão, violento, exibido, birrento; um Deus que não faz nada direito, que não se preocupa com detalhes… um Deus machista que engravidou uma mulher praticamente à força; um Deus ao qual nos referimos sempre por pronomes masculinos… só pode ser um Deus-macho.

Um Deus-fêmea, um Deus-mulher, uma Deusa-mãe teria, indiscutivelmente, criado um mundo muito, muito melhor.

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<< Parte 1

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O sexo de Deus (parte 2)

Um detalhe que me intrigava, ainda na época em que a minha cabecinha infantil estava sendo semanalmente estuprada pela minha professora de catecismo, era o fato dos “livros sagrados” não dizerem, de forma direta, que aquilo que se estava a ler era uma mensagem de Deus para a humanidade. O livro de Gênesis, por exemplo, traz uma narrativa que conta como se deu a “criação” de todo o universo, nos mesmos moldes em que Conan Doyle conta, em Um estudo em vermelho, como o Dr. Watson conheceu o Sherlock Holmes.

— Mas, irmã… que custo era a pessoa que escreveu o Gênesis ter mencionado que estava escrevendo o que Deus lhe ditava, como uma mensagem para nós?

— Chega! Já lhe disse que não precisava! Que garoto irritante!! Vai ali pro canto e me reze cinco Pai-Nossos e cinco Ave-Marias!

Em algum momento da nossa História, porém, muita gente passou a considerar esse texto da criação do mundo como um tipo de carta psicografada, em que o espírito-autor era justamente o Espírito Santo. Assim, por vários motivos — sendo um deles a total falta de conhecimento sobre praticamente tudo — , o que aquele texto continha adquiriu ares de registro literal do que havia se passado durante os primeiros instantes de existência do universo, e ninguém achou muito conveniente discordar dele, porque (isso até uns duzentos anos atrás) não fazia muito bem para a saúde.

Por conta disso, tinha-se como verdade absoluta que um ente supremo, em tudo o que há para ser supremo (detalhe: ele teria que ser supremo, também, em coisas como maldade, ira, inveja, etc.), havia criado o ser humano numa tacada só, logo após a criação do universo, que demorou um pouco mais: seis dias.

Mas ora… Alguns milhares de anos depois daquela primeira carta psicografada, eis que dois iluminados descobriram, simultaneamente, que o ser humano não foi “criado” numa tacada só: ele evoluiu, como tudo o mais que há na Terra e a que se possa chamar de ser vivo, ao longo de milhões e milhões de anos (aquela parte dos “seis dias” acabou por ser considerada um tempo simbólico também).

E como acabou sendo algo completamente impossível negar os fatos — e, pior, como passou a ser completamente impossível se negar o acesso a eles — as pessoas pararam de ser queimadas vivas por discordar daquele tipo de literatura, e o povo que acendia as fogueiras passou a admitir que aquele relato da criação do mundo era, no fim das contas e apesar de tudo, apenas simbólico mesmo. Justamente como passou a ser considerado simbólico tudo o que não faz o menor sentido que está entre aquele livro de Gênesis e o do Apocalipse, o que (só outro detalhe) não é pouca coisa, não!

Daí que os livros psicografados que Deus mandou escrever e que, segundo os que nele acreditam, servem de guia no jogo cósmico da Salvação estão repletos de simbolismos que precisam ser identificados, interpretados e decodificados. Por algum motivo, Deus, na sua infinita sabedoria, não achou conveniente mandar que tudo fosse escrito de uma forma bem objetiva, preto no branco, e, para evitar confusão, por uma única pessoa, como fez aqueloutro Criador do universo: Alá. (Detalhe: várias coisas bem objetivas, como uma ordem direta dada pelo próprio Deus para que se matasse por apedrejamento todo aquele que descumprisse suas leis, não são consideradas nem como sua palavra nua e crua, nem como algum tipo de simbologia: são simplesmente ignoradas. E eu sei por quê.)

Quem crê em Deus precisa crer, antes e obrigatoriamente, na Bíblia, que é a fonte primordial de tudo o que se sabe a respeito dele. Só que, embora essa coleção de livros não pareça outra coisa que não um monte de histórias inventadas — como as fabulosas aventuras de Sherlock Holmes — , ela precisa ser entendida como a palavra escrita de um Deus onipotente, onipresente, onisciente, todo bondade, todo misericórdia, etc. Como isso não seria uma tarefa das mais fáceis, visto que a semelhança com outras histórias de outras culturas, tidas apenas como mitologias, é muito grande; e como a crítica a esses livros já não faz tanto mal para a saúde, resolveu-se adotar a medida extrema de considerar certos textos e trechos como apenas “simbólicos”.

Depois das descobertas de Charles Darwin e Alfred Russel Wallce, e da irrefutabilidade do processo de evolução das espécies, algum papa da nossa História Contemporânea deve ter precisado reunir sua alta cúpula para decretar algo como:


Quei figli di puttana hanno trovato Creazione dell’uomo secondo la Bibbia è impossibile. Dite a tutti che la Genesi è un libro simbolico.

Antes era verdade, porque está escrito na Bíblia e a Bíblia é a palavra de Deus. Depois que se descobriu que não era — melhor dizendo: depois que se tornou impossível esconder que não era — , a “verdade” virou apenas um “simbolismo”. Mas o real problema nisso tudo é que uma parcela enorme da população mundial precisa que um papa lhes diga que absurdo na Bíblia não é mais para ser entendido como verdade absoluta e, sim, como algo “simbólico”. Os demais absurdos, por inferência, continuam valendo.

Parte final>>


Zaqueu também ia querer comer a Madona

“E tendo Jesus entrado em Jericó ia passando. E eis que havia ali um varão chamado Zaqueu; e este era um dos principais publicanos e era rico. E procurava ver quem era Jesus e não podia, por causa da multidão, porque era de pequena estatura. E, correndo adiante da turba subiu num sicômoro para o ver; porque havia de passar por ali. E, quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, viu-o e disse-lhe: Zaqueu desce depressa, porque hoje me convém pousar em tua casa.”

 

 

Faz um milagre em mim

(Regis Danese)


Como Zaqueu

Eu quero subir

O mais alto que eu puder

Só  pra te ver

Olhar para Ti

E chamar sua atenção para mim.

[As pessoas fazem isso desde sempre, pelo visto. Basta aparecer alguém famoso por perto, rodeado de seguranças e seguidores. Zaqueu teria feito a mesma coisa pela Madona. A diferença é que, como já é bilionária e continua ganhando fortunas com seu trabalho, ela certamente não iria abusar de um fã bem de vida para conseguir comer e se hospedar de graça na casa dele -- ela e sua comitiva -- , como fez Jesus, cujo trabalho de vender lotes de terra num mundo encantado estava indo de mal a pior.]

Eu preciso de Ti, Senhor

Eu preciso de Ti, Oh! Pai

[Claro que precisa. De outro jeito, quem vai comprar esse CD com essa música enjoativamente melosa e choraminguenta?]

Sou pequeno demais

Me dá a Tua Paz

[Duas coisas. 1. Vê só a inversão de valores: o infeliz se acha pequeno (fazendo uma referência à baixa estatura do personagem bíblico), quando se compara a uma criatura mitológica, e deixa de lado o fato de que o ser humano é a mais fabulosa espécie de que esse planeta já tomou conhecimento. 2. Essa sensação de pequenez parece incomodá-lo tanto que ele anda agitado e pede paz ao ser mitológico que foi quem originou a sensação de desconforto.]

Largo tudo pra te seguir.

[KKKKKKkkkkkkk..... Tá bom... você larga tudo sim... (rsrsrsrsrs, eu me acabo de rir!) Eu vejo isso todo dia: os cristãos deixando o conforto do seu lar, suas posses e sua família, abdicando de sua única vida para seguir a ordem do seu Jesus e sair pelo mundo pregando o Evangelho a toda criatura. Lembra disso?: "ide e espalhai o Evangelho", "acumulai tesouros no Céu", "não vos preocupeis com o dia de amanhã", "desprezai esse mundo"... Mas se nem o cristão acredita nas dicas do seu Deus, nem cumpre suas ordens, onde eu entro nessa? Ah, que piada!]

Entra na minha casa

Entra na minha vida

Mexe com minha estrutura

Sara todas as feridas

Me ensina a ter Santidade

[Ok. Alguém devia avisar pra esse cara que um dos pré-requisitos da santidade é justamente se resignar com o próprio sofrimento. Ele parece que não entendeu bem o espírito da coisa: quer primeiro ser curado das feridas para, depois, aprender como ser santo! O bom e velho mundo cristão: sempre inundado de contradições, de imbecilidades e de coisas que quase matam a gente de rir.]

Quero amar somente a Ti, [Ã-hã]

Porque o Senhor é o meu bem maior, [Ã-hã]

Faz um Milagre em mim. [Tipo: ganhar outro cérebro que funcione direito?]

 

Midinho aliciando as crianças

Lili, acorda! Você é de Jesus e a Bíblia diz que nenhum mal lhe sucederá e praga nenhuma chegará na sua tenda!

Tudo bem que o religioso queira entender o fato (ridiculamente improvável) de uma burra falar como sendo um “milagre”, mas quanto a essa afirmação acima, tirada da Bíblia, que se mostra totalmente falha quando a gente observa o mundo ao nosso redor? É: não “bate”.

O crente aceita como verdadeiras coisas absurdas que estão no seu livro sagrado, acontecimentos supostamente ocorridos há milênios, impossíveis de serem checados. Tudo bem. Fazer o quê?

Mas e quanto às coisas que também estão naqueles versículos e que “podem” ser checadas?

Nenhum mal sucederá a alguém que “seja de Jesus”… Ã-hã…

Como escreveu Archer L. Gleason:

Se os registros bíblicos podem se mostrar falhos nas áreas em que são passíveis de uma verificação, então torna-se muito difícil pensar que eles sejam confiáveis em áreas onde essa verificação é impossível.”

E pensar que essa corja ainda detém, em pleno século 21, a prerrogativa de continuar aliciando cada nova geração, sob os olhos complacentes das sociedades ao redor do mundo, com os seus palhacinhos, com suas Bíblias da Criança, com suas musiquinhas, com seus catecismos e, agora, com desenhos animados com historinhas bíblicas, digamos, adaptadas para crianças…

Assim, sendo a história sagrada imprópria, ou não tão bonitinha quanto se deveria esperar de um Deus todo amor e bondade, basta mentir deslavadamente. É só inventar algo para que as crianças não tenham pesadelos com o Deus de amor dos cristãos.

No vídeo abaixo, sobre a história de Jefté sacrificando a própria filha para cumprir seu “acordo” com Deus, que lhe permitiu dizimar o exército inimigo (que, no filminho, apenas some feito fumaça durante a batalha…), o Midinho assegura que a menina NÃO foi sacrificada, apesar dos versículos:

Aquilo que, saindo da porta de minha casa, me sair ao encontro, voltando eu dos filhos de Amom em paz, isso será do SENHOR, e o oferecerei em holocausto. (Juízes, 11:31)

E sucedeu que, ao fim de dois meses, tornou ela para seu pai, o qual cumpriu nela o seu voto que tinha feito; e ela não conheceu homem; (Juízes, 11:39)

Ora, ela não conheceu homem algum porque foi morta virgem, em holocausto, mas o Midinho tem uma versão bem fofinha que desculpa de uma forma bem cretininha o Deusinho mau-caráter dele:

“E disse Deus à mulher: ‘Consumado o sexo oral: engula!’”


Eu mereço!

Inspirado pela ginecofobia divina mencionada no texto do Saracura, queimei alguns milhares de neurônios e consumi 2 folhas do meu caderno de anotações tentando encontrar uma abordagem interessante sobre o sexo na Bíblia que fosse chocante sem ser vulgar. Mas, depois do que encontrei hoje, desisti. Já está tudo pronto, num blog de um… crente.

O autor do blog explica tudo, da masturbação ao sexo anal, com as devidas referências aos livros, capítulos e versículos da Bíblia.

Lembra daquela máxima “O crente nunca lê na Bíblia o que ela diz; ele lê o que ele quer que ela diga“?

Pois é. Com um laptop na mão e uma ideia fixa na cabeça, dá para justificar qualquer coisa usando a palavra escrita de Deus:

“Contudo, podemos dizer com base no que foi mostrado que a Bíblia encoraja tais relações e no caso do fellatio especificamente recomenda que a parceira engula o fruto da ejaculação.”

Clique na imagem do post, acima, e divirta-se.



Sagrado é igual a inventado

santacecilia2Muito provavelmente, a cidade onde você mora tem uma santa padroeira. Ou santo. Muito provavelmente mesmo. Embora um mesmo santo possa ser o padroeiro de várias cidades ao mesmo tempo, o Brasil poderia se dar ao luxo de ter um santo ou santa diferente para cada um dos seus 5.566 municípios. Mas aí, acho que iria faltar santo para apadrinhar outras coisas. Por exemplo, a Santa Cecília aí da imagem é a padroeira dos músicos.

E como uma santa se torna padroeira de uma cidade? Eu não sei. Mas isso não é novidade: eu sou muito ignorante. Mas eu gostaria muito de saber. Só que duvido que seja algo diferente disso: alguém, aqui na Terra, um ser humano igual a mim, baseado na simpatia de um determinado grupo social por uma determinada santa, oficializa a preferência: tal santa é a padroeira de tal cidade. Ponto. Se houver um documento para assinar, ele lasca uma assinatura. A partir daí, o povo ganha mais um feriado e a santa, mais uma obrigação. Ninguém vai se lembrar, depois, que foram eles próprios que fizeram a coisa toda. E o feriado passa a ser sagrado. Simples assim.

Às vezes, só precisa mesmo de uma pessoa investida de autoridade suficiente para declarar algo como sagrado. O resto é propaganda.

O mecanismo funciona mais ou menos do mesmo jeito para todas as coisas que são consideradas sagradas. A assunção de Maria aos céus; o Santo Graal; a Terra Santa; o Santo Sudário; a Transubstanciação; a cruz; a Bíblia. As pessoas consideram tais coisas sagradas, porque, em algum momento, um homem ou uma comunidade resolveu pensar que assim era. Uma santa ser padroeira de uma cidade é pura convenção; a assunção de Maira é um dogma; o pão que se torna carne e o vinho que se torna sangue, idem; o Santo Sudário é uma fraude; o Santo Graal era só um  verso num poema; a Terra Santa é apenas uma cidade histórica; a cruz era um instrumento de tortura; a Bíblia é um punhado de livros escritos por um punhado de gente. Essas coisas só se tornaram sagradas porque o ser humano as relacionou a sua divindade. Assim, tipo, quase por decreto.

Deus mesmo não moveu uma palha.

O Deus de Israel

“E entraram na aliança para buscarem o Senhor Deus de seus pais, com todo o coração, e com toda a sua alma; E de que todo aquele que não buscasse ao Senhor Deus de Israel, morresse; assim o menor como o maior, tanto o homem como a mulher.” (2 Crônicas, 15:12-13)

O Deus Todo-Poderoso, criador do Céu e da Terra era o Deus de um povo só. O do povo escolhido: o povo de Israel. Eu, se fosse religioso, acharia isso muito, mas muito estranho mesmo. Como ateu, entretanto, percebo uma razão bem simples: o Deus da Bíblia, o Deus cristão, o Deus de Abraão e tal, foi inventado por aquele povo e eles sabiam que os outros povos já tinham seus próprios deuses, também inventados. Então, aquele seria só deles. Nada que impedisse, porém, que eles se apoderassem dos mitos já existentes nas outras religiões para criarem um “pano de fundo” para a sua divindade novinha em folha. A criação do mundo, o mito do dilúvio, o do envolvimento da divindade com uma mortal, donde nascia um “semideus”, as ideias de Paraíso e Inferno (ou Hades), tudo isso já era corrente na mitologia de outras religiões.

O que, acho eu, essa religião trouxe de novo foi “a palavra” escrita da sua divindade. Uma coletânea de textos escritos por seres humanos e atribuídos a ela. Isso parece ter dado tão certo que, tempos depois, os muçulmanos adotaram o mesmo expediente e, como fez o povo de Israel com relação a Deus, eles criaram uma “palavra” só deles, ditada pela divindade e redigida por um analfabeto. Mas para Deus, digo, para Alá nada é impossível, embora, ao que parece, ele queria por que queria transmitir sua palavra escrita em árabe e apenas em árabe. Quem quisesse ser salvo por Alá, teria que aprender esse idioma.

Além disso, esses novos crentes, os do Deus de Israel, conseguiram implementar uma estrutura de doutrinação da sua fé de um jeito totalmente novo. As crianças não teriam um contato gradual com essa nova divindade através do convívio social, da observação das tradições e através da cultura, como acontecia nos demais povos. Deus seria algo em que elas “aprenderiam” a acreditar muito antes de qualquer outra coisa. A expressão bonitinha “Papai do céu” não surgiu por acaso. É a primeira coisa que você, como eu, lembra da figura de Deus. Isso foi repetido para você à exaustão desde muito antes de você aprender a falar.

É um processo lento e trabalhoso, mas de comprovada eficácia. Uma vez que você tenha entrado nele na idade certa, não há como escapar. Fatalmente você vai acreditar em Deus, na Bíblia e em tudo o mais que lhe disserem. Mas nem todo mundo teve essa má sorte de nascer numa sociedade que se presta a aceitar, quando não incentivar, tal abuso infantil. Mas o “processo” também sabe como contornar tal problema. Apenas transmitir a crença não basta, é preciso que se prepare cada nova geração para “combater” os dissidentes.

Uma das maneiras é o que eu chamaria de “combate intelectual”. Combater argumentos em contrário com coisas do tipo: 

“Para quem não crê em Deus, nenhuma explicação é possível. Para quem crê, nenhuma explicação é necessária!”

Uma vez que as pessoas conseguem doutrinar as crianças para acreditarem que existe um Deus e que a Bíblia é a sua palavra, não vejo dificuldade em que elas consigam, também, colocar nas cabecinhas delas que isso aí é um “argumento”.

Uma outra maneira, mais prática, da qual tanto a Bíblia (como nos versos que abrem esse post) quanto o Corão trazem alguns bons exemplos em vários versículos e suras, é aquela que os muçulmanos também copiaram e da qual dão provas ao mundo de sua perícia: a imposição e divulgação da fé pela força bruta.

Ao que crê, chame de irmão. Ao que não crê, chame de inimigo. 


“A palavra”

Os crentes leem “a palavra”. Pregam “a palavra”. Consideram “a palavra” sagrada porque é “a palavra” de Deus. E “a palavra” é a Bíblia.

Mas para agirem assim, eles entendem a Bíblia — ‘os livros’, em latim — como um todo: o livro. Portanto “a palavra” de Deus é “o livro”. Uma coisa macro. Não vai adiantar nada apontar detalhes.

Deus só está nos detalhes quando convém. Ou nos detalhes que convêm.

Se você quiser saber se eles realmente estão querendo dizer que acreditam que uma cobra convenceu uma mulher a cometer um pecado; ou quando você mostra tal e tal contradição, tal e tal erro histórico, ou tal e tal absurdo, que seria absurdo em qualquer época ou em qualquer mundo, o crente vai sempre alegar que esse detalhe é uma alegoria, ou apenas um erro dos seres humanos falhos que Deus usou para escrever sua “palavra”. E esta, como um todo, permanece válida, perfeita e imutável.

Uma vez tive a coragem de perguntar a um amigo religioso como ele diferenciava o que era alegoria do que não era. Ele disse que o Espírito Santo iluminava a pessoa que lia a Bíblia com a intenção de entender “a palavra” para que ela própria fizesse essa diferenciação. Eu perguntei: O mesmo Espírito Santo que “iluminou” os que escreveram os textos? Se ele não conseguiu fazer com que os autores dos livros sagrados evitassem misturar sua natureza humana falha na hora de escrever, o que garante que não vai ocorrer o mesmo com os que vão lê-los? Meu amigo não me respondeu porque ficou muito aborrecido com a minha ignorância acerca dos desígnios divinos que, pelo que entendi, ele conhecia bem.

Eu, no lugar de Deus, se tivesse criado uns tantos bichinhos de estimação que já estariam, desde o nascimento, condenados ao Inferno que eu construí para os que não seguissem as minhas regras, acharia bem mais justo que eles soubessem que regras seriam essas através de um livro sagrado onde elas ficariam bem claras: “Quero isso assim, não assado.” E qualquer trecho que os meus robozinhos azarados lessem da minha Bíblia não iria mostrar nada dizendo o contrário. Chamo de “robozinhos” porque eles teriam que seguir à risca as minhas regras; senão, eu os lançaria no Inferno onde haveria pranto e ranger de dentes. E “azarados” porque essa seria a única opção.

Bom, pelo menos eu seria um deus bem mais honesto do que o Deus cristão: o que estivesse escrito no meu livro sagrado seria o que eu queria dizer. Nada de alegorias; nada de pegadinhas; nada de contradições. Se eu dissesse que quem trabalhasse no sábado deveria ser morto a pedradas, era assim que teria que ser. Sempre. Ninguém diria nada em contrário, nem eu mesmo se me transformasse no meu próprio filho. E se ele, por acaso, tivesse falado demais e prometido que voltaria da morte trazendo todo o seu reino ainda no tempo de vida daqueles que o ouviam, eu, como Pai, teria mantido a promessa. Teria antecipado o Juízo Final em 2 mil anos e resolvido tudo de uma vez. Não teria, de forma alguma, corrido o risco de ninguém ter percebido o óbvio: que se não aconteceu como o filho de Deus anunciara, só poderia ter sido porque deveria haver, dentre eles, um imortal. 

Mas mesmo a Bíblia estando cheia dessas contradições, desses erros e desses absurdos, esse tipo de coisa não abala o crente, não perfura a blindagem da sua fé. Porque são apenas detalhes. E tão pequenos e sem importância que nenhum padre ou pastor dá atenção a eles. E “a palavra” permanece divina, sagrada, absoluta e perfeita. Mesmo que, nos detalhes, ela seja apenas ridícula.

Contradições bíblicas – drops 2

Judas morreu enforcado?

SIM: “E ele, atirando para o templo as moedas de prata, retirou-se e se foi enforcar.” (Mateus, 2:5-6)

NÃO: “Ora, este [Judas] adquiriu um campo com o galardão da iniquidade; e, precipitando-se, rebentou pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram.” (Atos, 1:18)

 

Quando viveram os Nefelins?

Em Gênesis 6:4 se lê que os nefelins viveram na terra antes da inundação.

Em Gênesis 7:23 está escrito que só Noé, sua família e os animais na arca sobreviveram ao dilúvio.

Em Números 13:33 está escrito que bem depois da inundação, os nefelins ainda viviam.

 

Quantos animais subiram à arca?

Segundo Gênesis 6:19-20: dois de cada espécie, incluindo pássaros, animais e seres rastejantes.

E segundo Gênesis 7:2-3: sete de cada animal e pássaro limpos e dois de cada um dos demais animais.

 

Deus causa sofrimento voluntariamente?

SIM: em Êxodo 4:11 Deus admite ser a causa de cegueira, surdez e idiotia.

NÃO: em Lamentações 3:33 Deus não causa voluntariamente dor ou aflição.

 

Os filhos devem pagar pelos pecados dos pais?

SIM: em Êxodo 20:5 Deus culpa as crianças pelas iniquidades dos pais por até quatro gerações.

NÃO: em Deuteronômio 24:16 o filho não deve ser punido pelos pecados do pai. 

NÃO: em Ezequiel 18:19-20 cada um é responsável por suas próprias ações; um filho não tem culpa pelos pecados de seus pais.

 

Deus disse ou não disse?

SIM: em Levítico 1:7 Deus entrou em cada pequeno detalhe sobre oferendas e sacrifícios.

NÃO: em Jeremias 7:22 Deus nega ter dito qualquer coisa sobre oferendas e sacrifícios.

 

Deus é bondoso, piedoso, etc?

NÃO: em Números 25:4 Deus ordena a Moisés enforcar os líderes ao sol para acalmar sua fúria.

NÃO: em Deuteronômios 4:24 Deus é um fogo que consome, e ciumento.

NÃO: em I Samuel 6:19 Deus mata 50.070 por um pecado sem compaixão.

NÃO: em I Samuel 15:2,3 Deus ordena destruição total de uma nação inteira por causa dos pecados de um homem.

NÃO: em II Samuel 21:1 Deus causa fome de três anos por causa dos atos na casa de um homem.

SIM: em I Crônicas 16:34 Deus é bom e piedoso.

SIM: em Salmos 25:8 Deus é bom e certo.

SIM: em Salmos 145:8-9 Deus é graça, compaixão, pouco dado à fúria, piedoso e bom com todos.

NÃO: em Jeremias 13:14 Deus não terá pena, não poupará, não terá compaixão, e os destruirá.

NÃO: em Jeremias 17:4 Deus ficará irado com Judah para sempre.

SIM: em Ezequiel 18:32 Deus não vê prazer na morte.

SIM: em 1 João 4:16 Deus é amor

 

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Embora tenha conferido todos esses versículos para confirmar a contradição que eles revelam, não fui eu quem os percebeu. Recebi esse texto por email, em que se alegava que essas contradições foram coletadas de algum site na Internet.

Contradições bíblicas – drops 1

Deus se arrepende?

SIM: “Então arrependeu-se o SENHOR de haver feito o homem sobre a terra e pesou-lhe em seu coração”. (Gênesis 6:6)

 NÃO: “Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa; porventura diria ele, e não o faria? Ou falaria, e não o confirmaria?” (Números 23:19)

SIM: “Arrependo-me de haver posto a Saul como rei; porquanto deixou de me seguir, e não cumpriu as minhas palavras. Então Samuel se contristou, e clamou ao Senhor a noite toda”. (I Samuel 15:11)

SIM: “Ora, Samuel nunca mais viu a Saul até o dia da sua morte, mas Samuel teve dó de Saul. E o Senhor se arrependeu de haver posto a Saul rei sobre Israel.”. (I Samuel 15:35)

 

Deus pode ser “visto”?

SIM: em Gênesis 18:1 Deus apareceu a Abraão. 

SIM: em Gênesis 32:24-30 Jacó (Israel) viu e lutou com Deus.

SIM: em Êxodo 24:9-11 Moisés e 73 anciãos viram Deus.

SIM: em Êxodo 33:11 Deus falou com Moisés cara a cara.

SIM: em Êxodo 33:22-23 Deus permitiu que Moisés visse suas “partes de trás”.

SIM: em Deuteronômio 34:10 Deus falou com Moisés cara a cara.

SIM: em Isaías 6:1-13 Isaías postou-se diante de Deus e o viu.

SIM: em Ezequiel 1:27-28 Ezequiel descreve Deus em detalhes.

SIM: em Amós 7:7 Amós viu Deus.

NÃO: “Deus nunca foi visto por alguém.” (João 1:18)

NÃO: “Aquele que tem, ele só, a imortalidade, e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver, ao qual seja honra e poder sempiterno. Amém.” (1 Timóteo 6:16)

 

Ele é um Deus de paz?

 NÃO: “O SENHOR é homem de guerra; o SENHOR é o seu nome.” (Êxodo 15:3)

SIM: “Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos.” (1º Coríntios 14:33) 

 

Ele é um Deus de palavra?

SIM: em Números 23:19 Deus não muda, cumpre suas promessas.

NÃO: em I Samuel 2:30-31 Deus admite não cumprir sua promessa.

NÃO: em II Reis 20:1-6 Deus diz uma coisa, depois muda de idéia e diz outra.

NÃO: “E Deus viu as obras deles, como se converteram do seu mau caminho; e Deus se arrependeu do mal que tinha anunciado lhes faria, e não o fez.” (Jonas 3:10)

 

Devemos temer a Deus?

SIM: em Deuteronômio 6:13 devemos temer a Deus. 

SIM: em I Pedro 2:17 devemos temer a Deus.

NÃO: em I João 4:18 amor perfeito não se mistura com medo.

 

Deus é a favor de imagens?

NÃO: em Êxodo 20:4 fazer imagens é proibido.

SIM: em Êxodo 25:18 Deus ordena que se façam dois querubins de ouro.

 

Só Jesus subiu aos céus?

NÃO: em Gênesis 5:24 Enoch foi levado corporalmente aos céus.

NÃO: em II Reis 2:11 Elijah ascendeu ao céu num redemoinho.

SIM: em João 3:13 Jesus diz que nenhum homem além dele jamais subiu aos céus.

Bíblia: “a palavra” de um Deus confuso

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Até o século IV, a Igreja Católica usou a versão da Bíblia conhecida como Septuaginta (palavra latina que significa 70) ou “Versão dos Setenta”, pois tal tradução, para o grego, foi feita por 72 rabinos, diretamente dos textos em hebraico (no caso do Antigo Testamento, já que o Novo foi escrito originalmente em grego mesmo).

No século IV, o papa Dâmaso I incumbiu São Jerônimo (que na época ainda não era santo, obviamente) de fazer a tradução do Antigo Testamento do hebraico para o latim, e de selecionar e revisar os livros do Novo Testamento da Vetus Latina (= latim antigo), que era a versão corrente, em latim, traduzida do grego. São Jerônimo recebeu ordens para traduzir os livros de uma forma mais exata e de mais fácil compreensão do que as da Septuaginta e a da Vetus Latina, e para usar, na tradução, o latim do cotidiano, vulgar, em oposição ao latim clássico presente nas outras, donde essa versão da Bíblia passou a ser conhecida como Vulgata, originada da frase “versio vulgata” (=versão vulgar, ou comum).

Ou seria “a versão do povo”? Cogita-se que o papa talvez estivesse pensando já em tornar a Bíblia mais acessível para os que não pertenciam ao Clero como forma de “popularizar” o cristianismo que se expandia. A Vulgata serviu de base para praticamente todas as traduções da Bíblia desde então.

A Igreja Católica parece ter dado tanta importância às traduções e à difusão do seu livro sagrado que acabou por esquecer de suprimir as inúmeras aberrações históricas, contradições grotescas e relatos conflitantes com que ele é recheado.

Ou isso, ou apenas perceberam que, se adotassem tal procedimento, Deus ficaria sem ter muito o que dizer.

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A partir de amanhã: Contradições Bíblicas.

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