“To be, or not to be…” (page one)

    Tenho 18 anos era católico vivia na igreja, participava de tudo sabe… Daí eu fui pensando, refletindo, parei de ir a missas, coisa que eu nunca gostei mesmo. E a partir daí eu comecei a fazer varias perguntas em minha cabeça quem é Deus? Porque dizem pra horar se para o que eu horava nunca tinha resultado? E esqueci esse negocio de Deus, Jesus, pra mim isso agora é bobagem. Mais a minha família é religiosa e toda vez me cobra isso. Além disso, minhas amizades são todas dessa igreja, e eu me afastando tenho medo de pessoas que eu considero não gostarem, não me chamarem pra lugares! Me excluírem! E sempre tem alguém que pergunta por que tu não vais mais pra Igreja, volta Deus te deu um dom, estamos precisando de você. E eu fico assim, com vontade de falar que eu perdi a fé, que eu não acredito mais nisso. Mais por outro lado penso que as pessoas que realmente gostam de mim, vão entender meu lado e não vão se emportar com isso… Mais perder amigos, se distanciar das pessoas que eu gosto, seria uma coisa muito desagradável. Não quero ir a um lugar fingido! Ir pra igreja e ficar ali olhando aquelas pessoas, olhar aquelas imagens daquele homem pregado numa cruz e ouvir o padre sem me sentir a vontade! Ir para um lugar, apenas para que as pessoas não se distanciem e não me vejam com olhos diferentes.  E estou nessa! De ir ou não ir? Como falar isso para as pessoas, principalmente para meus pais. Digam-me algo, por favor. Essa situação tá me incomodando e eu quero viver minha vida sem me preocupar, com essas tolices. Por favor, ajudem, devo ou não “sair do armário”?

J.

 

Cristoólatra [Republicação]

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LRC é como um leitor do blog se identifica nos comentários. Eu temo pela alma dele, porque, se ele está com vergonha de escrever o próprio nome para defender o Jesus dele das ofensas perpetradas por esse ateu do demônio, ou muito me engano, ou o tal do Jesus também vai ter vergonha de pronunciar o nome dele diante do Pai.

O  leitor LRC escreveu sobre mim, nos comentários:

      Como pode um sujeito NÃO acreditar num cara e, no entanto, VIVE citando o nome dele?… afinal, se ele não existe, qual é a razão desse site? Simplesmente NÃO acredite e pronto.

Infelizmente para vocês, religiosos, ainda vivemos numa sociedade composta, em sua maior parte, por crentes de manada (os maria-vai-com-as-outras) e crentes de programa (os que vivem à custa de um Deus-cliente que lhes promete uma eternidade de delícias em troca de favores dos mais pervertidos). Esses dois tipos de crente são apenas usuários da droga Deus; eles não fazem parte do cartel que pega mesmo em armas para defender seu negócio. Se esses fossem a maioria, eu não teria coragem de manter esse blog. Como já disse várias vezes: eu sou um ateu muito covarde.

Uma das razões desse site é justamente para lembrar, a gente como você, que gente como eu ainda pode exercer o direito de discordar da maioria, sem correr o risco de ser morto, como é a vontade do Deus que você acredita ser a personificação do amor, da tolerância e de tudo mais que é bom.

Um crente dizer a um ateu “Não acredite e pronto” é, mais ou menos, o mesmo que um político corrupto dizer a um político honesto: “Não aceita propina? Problema seu! Mas Vossa Excelência não ouse criticar quem aceita!”. 

      Tenho uma amiga ateia, sabe o que ela faz? NADA, não faz blog nem “briga consigo mesma”, como fazem  vocês, frequentadores desse site. Têm MEDO do desconhecido, de si mesmos… e então, NEGAM o o óbvio, ATACANDO aquilo que lhes é claro, cristalino… Freud explica…

O que seria esse “óbvio” tão “claro e cristalino” que os ateus atacam? Seria Deus? O mesmo Deus que, de tão óbvio e cristalino, inspira a construção de uma nova igreja a cada mês, para se juntar às centenas e centenas que já existem, cada uma dizendo uma coisa diferente sobre o que ele é e sobre o que ele quer; sobre o que fez e o que ainda vai fazer?

       NÃO TENHAM medo, Deus não é nada disso que vocês pensam, e que algumas visões equivocadas de certas religiões implantaram durante anos. Deus NÃO TEM NADA A VER com religião

Visões equivocadas de “certas religiões”? A “sua” religião, por acaso, não está equivocada, eu suponho.

E Deus não tem nada a ver com religião? Jura? Façamos um teste.

Ingredientes:

- 300 crianças recém-nascidas, todas de pais católicos;

- três ilhas completamente desabitadas.

Modo de preparo:

- divida os 300 recém-nascidos em grupos de 100;

- deixe um grupo em uma das ilhas, completamente abandonado à própria sorte;

- deixe o segundo grupo na segunda ilha, mas providencie um exército de robôs japoneses altamente especializados em tarefas como trocar fraldas, dar sopinha, cuidar de doenças, etc.;

- coloque o terceiro grupo na última ilha, junto com um casal adulto de Hare Krishnas.

(Lembre-se de abastecer regularmente a segunda e a terceira ilhas com víveres suficientes.)

Espere duas décadas e veja o que você vai encontrar, quando voltar lá:

- na primeira ilha: 100 esqueletos de bebês;

- na segunda, uma civilização bem estranha de adoradores de um deus-robô-japonês invisível;

- na terceira, uma feliz comunidade de Hare Krishnas.

Deus tem tudo a ver com religião, porque é a religião que faz as pessoas “precisarem” acreditar num determinado deus, não necessariamente no “seu” Deus, com D.

Em outro comentário, LRC  escreveu:

      “O essencial é invisível aos olhos”. Você, certamente, não acredita nessa frase: não vê o ar, não é palpável. (…) Puxa vida, esqueci: você só acredita no que vê e apalpa…

Esse pensamento é bastante comum entre os religiosos e serve muito bem como exemplo da visão equivocada e distorcida que os crentes têm do mundo. É com esse tipo de raciocínio enviesado que eles sustentam a sua fé enviesada num Deus enviesado. Faz sentido.

Mas um ateu não “acredita” apenas naquilo que vê e apalpa. Nós não acreditamos no seu Deus, senhor LRC, pelo mesmo motivo que não acreditamos em sacis e em vampiros. Não só porque não podemos vê-los e apalpá-los, mas porque nos demos conta de que deuses, sacis e vampiros são apenas histórias que as pessoas inventaram para assustar as crianças. Eu sei que o senhor não concordará comigo, mas sei também por quê.

O crente, o religioso, é um drogado em permanente estado alucinatório. Como existe gente viciada em crack, em cigarro e em cachaça, existe gente viciada em Deus, em Krishna, em Alá… Mudam os nomes e os infernos, mas o “barato”, a “viagem”, a “lombra”, a “noia”, a embriaguez, o delírio, tudo é o mesmo.

Pra mim, foi muito fácil ficar “limpo”, foi muito fácil “me desintoxicar”, porque, na verdade, nunca fui um usuário “pesado”. Nunca dependi tanto assim de Deus.

Sua religião é um vício nocivo à sociedade e à humanidade como um todo, mesmo que, eventualmente, possa lhe trazer benefícios.

Deus é uma droga” é o nome de um texto de Richard Dawkins que eu traduzi, e que explica bem essa comparação. Você não poderá concordar com ele pelo mesmo motivo que um bebum não pode concordar que a bebida alcoólica lhe é danosa, enquanto estiver curtindo a felicidade artificial que o álcool produz no cérebro. A diferença entre um religioso e um pinguço é que o pinguço viveria bem menos se, como o crente, conseguisse ficar o tempo todo de porre.

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O problema do tempo

mastering-time

Um leitor argumentou nos comentários do meu texto “O universo veio do nada?” que só há duas possibilidades a se considerar: ou “o universo criou-se a si próprio”; ou “ele foi feito por ‘Alguém’ que existe além do universo”.

Esse tipo de afirmação precisaria começar com algo do tipo “Na minha opinião”, ou “Eu só consigo enxergar”, para que não parecesse arrogante, mas o meu leitor não se preocupou com isso. E, além do mais, nota-se que esse argumento é bastante fraco, visto que será invalidado se alguém conseguir imaginar só mais uma hipótese para a existência do universo, como, por exemplo, “O universo sempre existiu”. Já seriam três hipóteses, não apenas duas; e o argumento do meu leitor teria ido pro espaço.

Sim, você poderá achar muito inconveniente pensar que o universo sempre existiu, mas estamos falando de um monte de átomos que não pensam, não operam milagres, não atendem preces, nem têm superpoderes. Tem gente que acredita que coisa muito mais complexa do que um monte de matéria sempre existiu, então, não há por que não atribuir a mesma prerrogativa a algo infinitamente mais simples.

Mas aí nos deparamos com um probleminha quase que filosófico, acho eu. Se o universo sempre existiu, haveria uma quantidade de tempo infinita para trás, de forma que nunca haveria chegado o momento em que a vida surgiu. Veja: se você pudesse se deslocar no tempo, a partir de hoje, para o passado infinito, você jamais chegaria ao início dos tempos, porque sempre haveria para onde ir no passado, e isso ficaria cada vez mais distante do momento no tempo de “quando” você partiu. Ora, se você não consegue alcançar o início dos tempos, o inverso também seria verdadeiro: nunca o tempo alcançaria o hoje, justamente porque nunca teria havido um início. Logo, nós não teríamos tido um momento de nascimento da vida, porque seria um momento fixo no tempo infinito, com uma eternidade de tempo para trás.

O mesmo raciocínio se aplica a um suposto criador do universo que fosse eterno. Se ele criou o universo num determinado instante t, esse momento jamais teria chegado, pois haveria uma quantidade de tempo infinita antes de t, para qualquer que fosse o t escolhido.

A teoria do Big-Bang resolve isso de uma forma conceitual, admitindo-se que não havia tempo até aquele evento. Logo, não havia uma “eternidade para trás”, pois o tempo teria nascido junto com o universo.

Em todo caso, “na minha opinião”, “até onde eu consigo enxergar”, não há evidência alguma de que tenha havido um criador. O que o religioso considera como evidência de Deus, é tão somente fruto da sua fé. E fé é apenas a vontade de que as coisas sejam do jeito que se gostaria que elas fossem. As supostas evidências de que existe um Deus provam apenas que nós existimos, e que existe em nós a vontade de sermos mais do que realmente somos. 

E isso tudo me lembrou uma moça que quis me esclarecer que meu ateísmo era fruto da minha incapacidade de “prestar atenção aos sintomas”:

“Ora, sabemos que estamos gripados pelos sintomas, certo?”.

“Certo.”

“Se meu nariz não para de escorrer, e eu começo a tossir e espirrar o tempo todo; se estou com quase quarenta graus de febre e morrendo de dor de cabeça… O que isso significa?”

“Que você tem que ir com urgência pro hospital.”

“Não!! Significa que isso que estou vivenciando são sintomas de algo que existe! De verdade. Se eu estou experimentando naturalmente os sintomas de uma gripe é porque eu estou gripada. E se a gripe é real, se ela existe, é porque existe um vírus da gripe!”

“Parece bem lógico mesmo…”

“E é!! Com Deus é a mesma coisa. Eu ‘sinto’ os sintomas da existência de Deus o tempo todo na minha vida. E sabe o que isso significa?”

“Que Deus é uma doença contagiosa?”

 


Efeito borboleta

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Uma leitora escreveu no seu comentário a um dos meus primeiros posts, que “é cômico (sic) as consequências da minha produção”, sendo a minha “produção” os textos que escrevo para o blog. Acho que ela quis dizer que eu estava (e ainda estou) perdendo o meu tempo. 

Eu discordo, claro.

Apresentei os motivos iniciais que me levaram a criar um blog nesse texto: 2 perguntas, 3 respostas. Hoje, entretanto, percebo o quanto a internet pode maximizar as coisas.

Antes do blog, eu já escrevia sobre a minha visão ateísta do mundo em e-mails endereçados aos meus contatos: alguns poucos parentes e colegas de trabalho. Assim, os “meus leitores” se resumiam a umas 30 pessoas, se tanto. Minha família é toda composta de católicos e evangélicos, e quase todas as pessoas com quem trabalho são religiosas. Nunca recebi nenhuma resposta daqueles e-mails que escrevi, com uma exceção: um colega muito religioso e muito inteligente. Uma única pessoa.

Eu me sentia como aquela velhinha do Titanic contando que, dos 500 barcos salva-vidas que saíram do navio antes do naufrágio, só um havia voltado para procurar por sobreviventes… 

Só um voltou. De quinhentos.

Minhas opiniões tinham pernas curtas, vida curta, e curto alcance. Depois do DeusILUSÃO, eu posso contar outra história.

Minha página já foi visitada quase 650 mil vezes. (O que é muito pouco em termos de internet, mas é um número bastante expressivo quando eu humildemente considero o meu próprio umbigo.)

O site mantém uma média estável de 500 visitas por dia, mais 200 assinantes que recebem meus textos por e-mail.

Tenho um post sobre o Inferno com mais de 500 comentários; um outro sobre doutrinação infantil com quase 700; sendo que todos os meus textos juntos tiveram mais de 32 mil comentários.

Já recebi e-mail de leitores do outro lado do Atlântico, e um, em espanhol, de outro país da América do Sul, em que um leitor me parabenizava por algum texto que escrevi. Uma ferramenta de rastreamento de acesso me mostra que, com exceção da Antártida, o blog recebe visitas de internautas de todos os outros continentes.  

Já inspirei pessoas a criarem seus próprios blogs para expressarem suas opiniões sobre o mesmo tema.

Já vi meus textos, postados na íntegra ou cotados, em outros sites.

Dependendo do termo de busca, qualquer pessoa poderá ter uma sugestão do Google para ler um texto de minha autoria. Infelizmente (ou não; vai saber…), as estatísticas do site informam que são estes os termos de busca que mais trazem visitantes ao DeusILUSÃO: 1. “sexo”, 2. “os dez mandamentos da lei de deus”, e 3. “sexo anal”. Como diabos as pessoas encontraram meu blog pesquisando os Mandamentos eu não sei, mas se você digitar “sexo” ou “sexo anal”  no Google, e selecionar “Imagens”, verá uma foto da Myrian Rios que usei como propaganda do texto O Ânus de Deus. A Myrian Rios acredita que Deus existe, e não acredita que eu exista, portanto, até agora, não estou respondendo a nenhum processo na Justiça.

Recentemente, eu até encontrei um fórum sobre o meu texto Deus, Alice e a Matrix. Um debate nos moldes do Orkut, em 19 páginas, transcorrido durante todo um mês de 2009.

Alguns dos meus posts podem já ter sido impressos e xerocados, salvos em algum HD, postados em outras páginas da internet, repassados por e-mail, divulgados, guardados, distribuídos, ou simplesmente deixaram retida na mente de quem alguma vez os leu a ideia principal que eu quis transmitir. Enfim, existe uma chance de eles transcenderem o seu autor em tempo de existência.

Tudo isso sendo “consequência da minha produção”. Não acho que foi perda de tempo. O que eu faço hoje, talvez, um dia, em algum lugar, dê origem a algo muito mais forte, como na lenda do furacão que teve seu início no deslocamento de ar provocado pelo bater de asas de uma borboleta.

Eu não vou ter filhos. Mas já plantei algumas árvores que serão, junto com os meus textos e as minhas ideias, a única herança que vou deixar para o mundo, depois que todos os átomos que se juntaram para me compor tiverem retornado à terra de onde saíram. O testemunho que, no futuro, esses textos, essas árvores e essas ideias darão da minha passagem sobre a Terra será a única fração da eternidade a que eu terei direito; e o mais perto do céu que eu vou poder chegar.

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Texto originalmente publicado em 2010.

Quando faltarem argumentos, use sua mágica

A leitora RITA escreveu em seu comentário:

Tenho a impressão de que vc foi criado num ambiente religioso mt rígido e é uma pessoa revoltada com isso.

Pois você se enganou. Meu pai é “simpatizante” da doutrina espírita e minha mãe é “católica não praticante” e nenhum deles jamais me impôs nada referente à religião A ou B, ou mesmo relacionado à religiosidade em si. Fui criado num ambiente que está no extremo oposto ao que você chamou de “ambiente religioso muito rígido”. 

De minha parte nada contra se vc é ateu… Mts são e nem por isso são do mal/ mau.

Pois eu conheço inúmeros cristãos que são do mal…

So não vejo sentido em ficar querendo provar a inexistencia de Deus e/ou ridicularizar Jesus e/ou a fé das pessoas.

Eu também não vejo sentido em provar a inexistência de algo que não existe. Esse não é o tema do blog. E eu não ridicularizo Jesus e a fé das pessoas. Eu apenas mostro como seu Deus é ridículo, e como a fé que as pessoas dizem ter nele também é.

As pessoas não tem culpa se a liderança das religioes equivocaram e distorceram ensinamentos simples e libertarios com a finalidade de fazê-los de otários.

As pessoas “distorceram” os ensinamentos do seu Deus porque, caso contrário, ainda estariam matando gente à pedrada até hoje. Elas tiveram mesmo que distorcer, remendar, e até chegaram ao ponto de criar um outro Deus menos filho da puta — a saber: Jesus Cristo —, pois o Deus bíblico é intragável.

Vc fica querendo provar que os ensinamentos religiosos são inúteis.

Não preciso provar isso. Os ensinamentos religiosos são inúteis. Tente rezar ao seu Deus para esse blog sair do ar, e você vai entender o que eu estou dizendo. 

Os ensinamentos aproveitáveis que as religiões pregam não têm uma origem essencialmente religiosa. São coisas práticas que as sociedades aprenderam e cultivaram por milênios antes das fábulas bíblicas serem escritas. Não por acaso os padres católicos, nos sermões das missas que eu frequentava quando menino, passavam a maior parte do tempo falando de coisas e dando conselhos que não estavam na Bíblia.

Sim, podem ser inúteis para uma pequena parcela das pessoas, mas para muitas eles são úteis e até necessários.

Concordo. Tem muita gente que tem necessidade de fumar crack.

Eu acho que vc deveria abrir mais que os olhos… Tente perceber o mundo com tds os seus sentidos, inclusive o sexto. Talvez praticar Ioga lhe fizesse bem. Use o seu terceiro olho. Deixe que a sua pineal funcione.

Estou certo de que você deve estar muito satisfeita com o seu “sexto sentido”, muito embora ele só faça sentido pra você, mesmo quando não funciona (e não estou querendo dizer que “funcione”). Assim como você, eu não tenho um terceiro olho. Se você acha que tem e isso lhe faz sentir especial, ótimo pra você. Mas — felizmente ou infelizmente — você não vai poder me convencer de que eu estou errado e você, certa. E advinha por quê?

Não, não é porque eu sou um cabeça-dura. É só porque ninguém, exceto o Homem-Aranha, tem esse superpoder.

E a minha glândula pineal funciona perfeitamente bem. Lamento pela sua ter vindo com defeito e te faça ver coisas que não estão mesmo lá.

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Cristoólatra

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LRC é como um leitor do blog se identifica nos comentários. Eu temo pela alma dele, porque, se ele está com vergonha de escrever o próprio nome para defender o Jesus dele das ofensas perpetradas por esse ateu do demônio, ou muito me engano, ou o tal do Jesus também vai ter vergonha de pronunciar o nome dele diante do Pai.

O  leitor LRC escreveu sobre mim, nos comentários:

      Como pode um sujeito NÃO acreditar num cara e, no entanto, VIVE citando o nome dele?… afinal, se ele não existe, qual é a razão desse site? Simplesmente NÃO acredite e pronto.

Infelizmente para vocês, religiosos, ainda vivemos numa sociedade composta, em sua maior parte, por crentes de manada (os maria-vai-com-as-outras) e crentes de programa (os que vivem à custa de um Deus-cliente que lhes promete uma eternidade de delícias em troca de favores dos mais pervertidos). Esses dois tipos de crente são apenas usuários da droga Deus; eles não fazem parte do cartel que pega mesmo em armas para defender seu negócio. Se esses fossem a maioria, eu não teria coragem de manter esse blog. Como já disse várias vezes: eu sou um ateu muito covarde.

Uma das razões desse site é justamente para lembrar, a gente como você, que gente como eu ainda pode exercer o direito de discordar da maioria, sem correr o risco de ser morto, como é a vontade do Deus que você acredita ser a personificação do amor, da tolerância e de tudo mais que é bom.

Um crente dizer a um ateu “Não acredite e pronto” é, mais ou menos, o mesmo que um político corrupto dizer a um político honesto: “Não aceita propina? Problema seu! Mas Vossa Excelência não ouse criticar quem aceita!”. 

      Tenho uma amiga ateia, sabe o que ela faz? NADA, não faz blog nem “briga consigo mesma”, como fazem  vocês, frequentadores desse site. Têm MEDO do desconhecido, de si mesmos… e então, NEGAM o o óbvio, ATACANDO aquilo que lhes é claro, cristalino… Freud explica…

O que seria esse “óbvio” tão “claro e cristalino” que os ateus atacam? Seria Deus? O mesmo Deus que, de tão óbvio e cristalino, inspira a construção de uma nova igreja a cada mês, para se juntar às centenas e centenas que já existem, cada uma dizendo uma coisa diferente sobre o que ele é e sobre o que ele quer; sobre o que fez e o que ainda vai fazer?

       NÃO TENHAM medo, Deus não é nada disso que vocês pensam, e que algumas visões equivocadas de certas religiões implantaram durante anos. Deus NÃO TEM NADA A VER com religião

Visões equivocadas de “certas religiões”? A “sua” religião, por acaso, não está equivocada, eu suponho.

E Deus não tem nada a ver com religião? Jura? Façamos um teste.

Ingredientes:

- 300 crianças recém-nascidas, todas de pais católicos;

- três ilhas completamente desabitadas.

Modo de preparo:

- divida os 300 recém-nascidos em grupos de 100;

- deixe um grupo em uma das ilhas, completamente abandonado à própria sorte;

- deixe o segundo grupo na segunda ilha, mas providencie um exército de robôs japoneses altamente especializados em tarefas como trocar fraldas, dar sopinha, cuidar de doenças, etc.;

- coloque o terceiro grupo na última ilha, junto com um casal adulto de Hare Krishnas.

(Lembre-se de abastecer regularmente a segunda e a terceira ilhas com víveres suficientes.)

Espere duas décadas e veja o que você vai encontrar, quando voltar lá:

- na primeira ilha: 100 esqueletos de bebês;

- na segunda, uma civilização bem estranha de adoradores de um deus-robô-japonês invisível;

- na terceira, uma feliz comunidade de Hare Krishnas.

Deus tem tudo a ver com religião, porque é a religião que faz as pessoas “precisarem” acreditar num determinado deus, não necessariamente no “seu” Deus, com D.

Em outro comentário, LRC  escreveu:

      “O essencial é invisível aos olhos”. Você, certamente, não acredita nessa frase: não vê o ar, não é palpável. (…) Puxa vida, esqueci: você só acredita no que vê e apalpa…

Esse pensamento é bastante comum entre os religiosos e serve muito bem como exemplo da visão equivocada e distorcida que os crentes têm do mundo. É com esse tipo de raciocínio enviesado que eles sustentam a sua fé enviesada num Deus enviesado. Faz sentido.

Mas um ateu não “acredita” apenas naquilo que vê e apalpa. Nós não acreditamos no seu Deus, senhor LRC, pelo mesmo motivo que não acreditamos em sacis e em vampiros. Não só porque não podemos vê-los e apalpá-los, mas porque nos demos conta de que deuses, sacis e vampiros são apenas histórias que as pessoas inventaram para assustar as crianças. Eu sei que o senhor não concordará comigo, mas sei também por quê.

O crente, o religioso, é um drogado em permanente estado alucinatório. Como existe gente viciada em crack, em cigarro e em cachaça, existe gente viciada em Deus, em Krishna, em Alá… Mudam os nomes e os infernos, mas o “barato”, a “viagem”, a “lombra”, a “noia”, a embriaguez, o delírio, tudo é o mesmo.

Pra mim, foi muito fácil ficar “limpo”, foi muito fácil “me desintoxicar”, porque, na verdade, nunca fui um usuário “pesado”. Nunca dependi tanto assim de Deus.

Sua religião é um vício nocivo à sociedade e à humanidade como um todo, mesmo que, eventualmente, possa lhe trazer benefícios.

Deus é uma droga” é o nome de um texto de Richard Dawkins que eu traduzi, e que explica bem essa comparação. Você não poderá concordar com ele pelo mesmo motivo que um bebum não pode concordar que a bebida alcoólica lhe é danosa, enquanto estiver curtindo a felicidade artificial que o álcool produz no cérebro. A diferença entre um religioso e um pinguço é que o pinguço viveria bem menos se, como o crente, conseguisse ficar o tempo todo de porre.

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Obrigado, Luciana.

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Escrevo para o DeusIlusão há praticamente três anos. Sinto grande prazer em “postar” um texto meu na internet, “para o mundo ver”. O prazer não diminui em nada, mesmo sabendo que o mundo não tá nem aí pra mim. Nunca vou ser um Paulo Coelho das letras. Talvez nunca consiga ser nem mesmo uma Bruna Surfistinha.

Não importa. Eu tenho meu blog.

Aqui eu publico meus textos, e qualquer um pode escrever o que quiser nos comentários. Sem censura, sem restrições, sem moderação. Não é de se admirar, portanto, que eu tenha sido mandado ir a lugares onde o carteiro não passa; que tenham sugerido que a minha mãe ganha a vida de uma forma bem degradante; e até que já tenha sido orientado a fazer coisas altamente prejudiciais à minha masculinidade. Longe de me enfurecer, isso me lisonjeia, porque é a prova que os religiosos me dão de que não podem com os meus argumentos.

Por isso eu adoro ser xingado por um crente. Eu quase digo “Obrigado” em resposta.  

Via de regra, não perco meu tempo com esse tipo de gente. Mas li um comentário, esses dias, que me deixou muito satisfeito, porque resume bem o raciocínio equivocado da mente religiosa que se vê obrigada a me amaldiçoar com o Inferno, quando se percebe inútil para me desmoralizar. Responder a essa pessoa é como responder a todas as outras que inutilmente tentaram me ofender.

Quando eu NÃO creio em algo, eu NÃO saio por aí tentando PROVAR minha descrença não…

Então somos dois. Meus textos não se destinam a provar que Deus não existe. Eles se destinam a provar que a crença em Deus é ridícula, ou, no mínimo, uma ilusão. 

Por que um ateu dedica boa parte do preciso tempo para esculhambar o objeto da descrença dele?

O Deus cristão já é esculhambado por si. Eu só mostro os livros, capítulos e versículos que confirmam isso.

vai procurar o que fazer, vai… na verdade você ACREDITA sim em Deus, mas NEGA e vai NEGAR smepre, SEM CONSEGUIR tirar o que NASCEU com vc…

Deus nasceu comigo? E se eu tivesse nascido na Índia?

ESQUEÇA as religiões… essas são TENTATIVAS humanas de explicar a divindade…

Errado. Religiões são tentativas humanas (muito bem-sucedidas) de se aproveitar da fé que as pessoas têm na divindade.

Deus é mUITO mais do que certas interpretações acerca dele…

Errado. Deus é apenas e tão somente as interpretações que se fazem dele.

Descubra qual é o seu medo: da morte? ela nada mais mais é que mudança de estado… 

Sério? Será que alguém poderia me explicar como se chega a essa conclusão sem recorrer à fé? Isso porque fé não é nada além da vontade de que as coisas sejam e/ou aconteçam do jeito que a gente gostaria.

Você é extremamente contraditório e incoerente, senão vejamos: Deus, para você, é ilusão, logo, não existe. No entanto, ele NÃO sai do seu pensamento.

Errado de novo. Não é Deus que não sai do meu pensamento. São as crianças indefesas que são mentalmente estupradas pelos seus pais, pela sua família e pela sua sociedade, obrigadas que são a acreditar numa ilusão idiota só porque todas aquelas pessoas em volta das quais nasceram já acreditavam. Se Deus existe, se é todo-poderoso, se é o que você acha que é, deixe que ele mesmo se revele a cada um, sem ajuda externa.

Pense bem, meu amigo: seu problema requer uma boa psicanálise… 

Tá. Você acredita em homens feitos de barro e mulheres feitas de costelas; em frutas mágicas; em cobras e burras falantes; em centenas de milhares de espécies de animais convivendo pacificamente dentro de uma arca durante quase meio ano; você acredita em qualquer coisa que foi escrita, há milênios, por um bando de ignorantes supersticiosos do deserto que limpavam a bunda com areia e que nunca deram outra contribuição à humanidade que não seus mitos sanguinários…

E eu é que preciso de um psicanalista?

Obrigado, Luciana. Muito obrigado.

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Passe amanhã

 

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Por favor, Leitor, Leitora, não perca seu tempo lendo o post de hoje, que é apenas uma resposta prometida a um garotinho que — desobedecendo à própria mãe (que é o que os garotinhos costumam sempre fazer) — frequenta esse blog já há algum tempo.

 

Vanderlei, meu querido, promessa é dívida. Aproveitando que todo mundo tá mesmo é pulando Carnaval e ninguém vai vir aqui, eis o post. Claro que não respondi a cada frase do seu texto, porque isso tomaria muito tempo e eu preciso cuidar das empresas da minha família.


havia falhado porque as pessoas começaram a morrer, imagino eu que de tédio por ociosidade, falta de dificuldades e preocupações, pois o ser humano é motivado por desafios e não por facilidades.

 

Olha, o filme Matrix é só um filme. Duvido muito que as pessoas se matassem por estar vivendo num mundo perfeito, só desfrutando as suas delícias e prazeres, como numas férias eternas… Elas poderiam ter, ainda assim, diversos desafios, como tentar escrever um livro interessante, fazer um filme inesquecível, ser a pessoa que mais tem seguidores no Twitter… Não acho que ninguém morreria de depressão por sentir falta de um mundo onde poderia estar desesperado pela falta de dinheiro para alimentar os filhos.


decidiu que Deus não existia por achar contraditória os ensinamentos religiosos

“Isto não existe” , assim fácil-fácil , sem religiões, sem explicações alheias contradizendo a sua razão já tão determinada pelo seu orgulho.

 

Em primeiro lugar, eu não “acho” os ensinamentos religiosos contraditórios. Eles são contraditórios. O seu Deus-tripolar, por exemplo, manda amar o próximo como a si mesmo, mas manda matar o próximo a pedradas, caso ele cometa o crime absurdo de fazer outra coisa no dia de sábado que não seja descansar. Segundo, a minha razão não é determinada pelo meu orgulho. Não é o meu orgulho que diz, por exemplo, que as suas orações repletas de pedidos de favores a um suposto “Pai-Celeste” são completamente inúteis.

 

mas você passa uma boa parte da sua vida tentando fazer isso. Querendo ridicularizar e desvirtuar Deus

 

Deus é “ridicularizável”. Um ser onipotente e onisciente que se presta a fazer o que o seu livro sagrado diz que ele fez é tão somente ridículo. E eu nunca desvirtuo nada sobre ele. Eu apenas leio o que está escrito na Bíblia. Se lá está escrito que Deus deixou Satanás impor todo aquele sofrimento a Jó só por causa de uma aposta, então não sou eu quem está desvirtuando ao dizer “Nããããããão!!… Peraí!! Você tem que interpretar essa parte…”.


eu diria que apenas ainda não encontrou uma a razão principal para  sua vida, chamada por nós de Deus.

 

Se a razão principal da sua vida é um personagem de um livro de mitologia, eu sinto muito. Sinto muito mesmo!

 

Claro amamos a vida e o que seria a nossa vida sem uma continuação ? Da morte eterna sou um ateu convicto pois ao contraio de vocês não vejo sentido nenhum nisto.


“O que seria a nossa vida sem uma continuação?” Seria uma única vida, né? Óbvio!! E o fato de você e os outros do seu clube “não verem sentido nenhum nisto” não faz a menor diferença, e a coisa vai ficar sem sentido mesmo. Eu, por exemplo, embora tenha todos os meus dentes, também não vejo sentido nenhum não nascer um dente novo para repor um outro perdido, como acontece com os tubarões. Se essa reposição é possível ‘uma’ vez, como no nosso caso, por que diabos não acontece sempre que se precisa? E por que eu posso parar de ver quando quero, mas não posso parar de ouvir quando quero, ou parar de pensar em alguém quando quero? Isso também não faz sentido. E, por mim, o céu não seria azul, seria laranja, que era a cor preferida de Jéssica.


que num futuro próximo, todo nosso ser será adicionado ao grande nada então qual é  a razão do que somos hoje se amanhã não seremos mais nada?

 

A razão é que hoje estamos vivos e deveríamos aproveitar isso para vivermos muito e intensamente, bem e em paz com todo mundo; sem precisar fazer guerras por causa de personagens mitológicos diferentes; sem renegarmos um dos sexos da nossa espécie à condição de “dominado”, “coadjuvante”, “subalterno”, etc.; sem abusarmos sexualmente de nossas crianças porque um fantasma que habita numa dimensão mágica não nos deixa fazer sexo com uma mulher adulta; sem nos importarmos com o que as outras pessoas estão fazendo, na inviolabilidade do seu lar, com os seus próprios orifícios anais… Eu acho que isso já seria um bom começo.

 

Não esqueça de ler Chico Xavier pelo espírito de André Luiz

 

Deus me livre! Pode dar a minha falta!!! Eu já vi o filme Nosso lar, que é baseado nos livros dele, e aquilo já me bastou. A propósito, quase morri de rir quando vi aquela lan house no céu… Ave-Maria! É muita falta de senso de ridículo!!!

Senhor, Senhor… eles têm olhos, mas não veem; têm cérebros, mas não usam…


 

Irritando FERNANDA RAMOS


Primeiramente, quero dizer que CRENTE, vc tbm é! Afinal, vc crê que Deus não existe, sendo assim, vc tbm é crente, (…) Ao invés de ficar lendo a bíblia, pra zombar da palavra de Deus, procure usar tbm o dicionário,

Ih, começou mal. Tá errada. Muito. Eu não “creio” que Deus não existe. Deus “não existir” é a condição normal, o padrão, ninguém precisa crer nisso. Você, assim como eu e como todo mundo, nasceu sem “crer em Deus”. Daí fomos “ensinados” a crer em Deus, porque nascemos onde nascemos, o que quer dizer que, por pura sorte, por um acidente geográfico e temporal, você, em vez de crer em Deus, não está crendo em Lord Brähma ou Osíris, por exemplo. Assim sendo, existem os “crentes” e “as pessoas normais”, os que não “creem” em Deus ou deuses.

Não vou ficar aqui debatendo esse assunto* que vc colocou em questão, pq cada um pensa do jeito que quiser.

* [Teste seus amigos crentes 3]

Parabéns! É isso mesmo o que você tem que fazer pra não despertar do seu sonho de Deus. Se, por acaso, você não fugisse assim, se não evitasse racionalizar, como está fazendo, iria precisar encarar os fatos: ou a Bíblia é um monte de contos grotescos, tolos e inúteis, ou é mesmo a palavra de Deus e esse Deus é um tremendo de um filho da puta. Não sabendo o que seria pior, você evita pensar a respeito e menospreza a proposta do teste com um ar injustificado de superioridade, como se só a sua recusa em “debater esse assunto” já te desse como vitoriosa no debate. Não, não dá. Só revela o comportamento padrão do crente em fugir quando é obrigado a usar o raciocínio no lugar da fé.

Eu acredito, e sei do que o Deus que eu sigo é capaz!

Você  acha que ele seria capaz de deixar o Diabo fazer gato e sapato de um filho amado dele só pra ver se esse filho o ama de verdade? Ah, é!! Você não quer debater esse assunto. E eu fico me perguntando: “Por que será, hein?”.

Sei tbm que ele voltará, e levará contigo os seus servos fiéis.

Não, você não sabe; você crê. Saber e acreditar são coisas bem diferentes. Procure um dicionário também. E uma gramática. 

Quando isso acontecer, vc se lamentará por esse blog, pelo seu preconceito contra os cristãos, e pela sua descrença em Deus.
Mas… Será  tarde demais!
Sei que vc esta rindo nesse momento…

Eu ri mesmo. E será que você não se lamentará por não ter lido a palavra do seu Deus? Por não ter cumprido as ordens dele? Por nunca ter apedrejado um filho desobediente, ou um adúltero? Por trabalhar no sábado? Por não ter vivido submissamente ao homem como uma mulher deve viver? Por não ter abandonado sua casa e sua família, doado todas as suas posses aos pobres e ter saído pelo mundo pregando o Evangelho?

Já  vi tantos milagres acontecerem, que nada q seja humano, consegue explicar!

Eu vejo milagres todo dia no canal da Igreja Mundial do Poder de Deus. O último foi de um velhinho que passou 12 dias na UTI de um grande hospital, depois de um infarto. Ele e a esposa foram à igreja agradecer a Deus pelo milagre de não ter morrido. Bom, a velhinha não explicou por que achou melhor levar o marido para o hospital, em vez de trazê-lo à igreja… Talvez, mais perto de Deus — e longe da UTI — ele tivesse se recuperado antes de 12 dias, não acha? Eu tenho certeza de que, se seu pai infartasse em casa, você ligaria para o seu pastor e não para o SAMU.

Se Deus não existe, me explique como um homem que levou um tiro na cabeça, a ponto de ter seu cérebro estourado, e outros tiros pelo corpo, fazendo seus orgãos internos sairem pra fora, e ser dado como morto no IML, voltou a vida, e hj tem tudo perfeito no lugar?

Onde você ouviu essa história? Foi o seu pastor quem te contou isso? Não? Tem algum link para a reportagem que cobriu esse caso excepcional e inexplicável? Sim, porque é difícil de imaginar que a imprensa não tenha se interessado por uma coisa dessas…

Já  vi um garoto que tinha os olhos brancos, totalmente cego, voltar a enxergar dentro de uma igreja. EU VI OS OLHOS DELE FICANDO CASTANHOS, E ELE CHORANDO POR ESTAR ENXERGANDO!
 Me explique isso tbm se for capaz!

Mas se eu nem sei explicar como o David Copperfield serra uma mulher no meio, ele fazendo isso na minha frente, que dirá uma mágica reportada por uma terceira pessoa!! Mas você chegou a reparar — eu reparei — que, ao final de um culto cheio de milagres, saem cegos da igreja, que entraram cegos, e saem paralíticos, que entraram paralíticos? Mas aí a culpa é deles por não terem fé suficiente, não é? Porque há casos que não tem cachê ou mágica que resolva…

Te convido a ir na igreja, pra vc ver com seus próprios olhos, se Deus existe ou não! (…) Mas caso aceite, tem meu e-mail aí! É só me procurar!

Tá, mas… tipo… a gente pode pegar um cineminha antes?… ou tomar um sorvete… É que ir assim pá-pum! é meio complicado pra mim, sabe? Vai ser a minha primeira vez…


Respondendo um comentário de um leitor…

Respondendo um comentário de um leitor, no meu texto O Livre-arbítrio:

Só uma coisa que não entendi. Independente de ser ou não uma ilusão tudo o que você “prega” piamente que seja, qual a razão da tua própria existência? Digo… qual a razão que você mesmo dá a tua existência?

Olha, a razão da minha existência não é singular, é plural. São razões. E muitas! Por isso, já que você quer entender, vou facilitar as coisas e dizer o que Não é a razão da minha existência: me preocupar em agradar um ser mitológico grotesco, ridículo e mesquinho, criado por um bando de ignorantes supersticiosos há milhares de anos. É isso. Não dou a mínima pra esse personagem bíblico, que você chama de Deus, com D, assim como não dou a mínima para o Robinson Crusoé.

Se você criou este blog porque as partículas subâtomicas que coordenam a existência dos teus neurônios te levaram a fazer isto, no fundo então você não tem responsabilidade nenhuma sobre isso, certo??

Errado. Atribuir a confecção desse blog às partículas subatômicas que formam os átomos que formam o meu cérebro não é nada inteligente. Seria o mesmo que dizer que moléculas de água são as responsáveis pelas cachoeiras no curso de um rio. O buraco é bem mais embaixo e você errou feio aqui.

Mas digo mais… Se é assim mesmo que você pensa, então a sua “crença” exposta aqui neste POST, na verdade não é nada mais e nada a menos do que a coordenação intrínseca às leis quânticas que levaram todos os seus neurônios a, de alguma forma, concluírem tais preposições.

Você gosta de parecer sofisticado, com esse linguajar científico, né? Você  é um pastor evangélico? Pois eu já conheço essa técnica de “sedução”: construir um aura de superioridade, aparentar um conhecimento sofisticado que, de repente, até não se tem, para empurrar um suposto conhecimento que simplesmente não existe, sobre mundos encantados em outras dimensões por exemplo…

Mas então me responda: o que te leva a “acreditar”, ou a ter qualquer tipo de poder de julgamento que diga que os movimentos subâtomicos dos teus neurônios foram de alguma forma mais lógicos que os meus, que sou uma pessoa que acredito em coisas completamente diferentes das tuas???????? De alguma forma, que eu não consigo realmente entender como, você “DECIDIU” que está mais certo do que quem acredita em livre-arbítrio??

Ué! Mas eu não disse que “não creio em livre-arbítrio”. Eu só escrevi que, se Deus existisse e fosse exatamente como os cristãos dizem que ele é, não haveria espaço para livre-arbítrio, pois toda a humanidade estaria sendo coagida a amar esse Deus mesquinho e carente, repleto de defeitos humanos…

Então na verdade estamos aqui simplesmente discutindo quais movimentos subâtomicos estão mais corretos, seguindo a sua brilhante lógica??? Porque no fundo, a conclusão  óbvia que eu chego é essa… no fundo, se você realmente não acredita em livre-arbítrio,

É, você realmente não é lá muito bom em interpretação de texto. Então, vou repetir: o tão festejado “livre-arbítrio” que os cristãos se vangloriam de possuir não existiria, se Deus existisse. Leia o meu texto com mais calma. Você tem potencial; acho que vai conseguir entender.

e acredita na nossa grande ciência de apenas 400 e poucos anos, então tudo o que você  fala aqui pra mim não passa de baboseira, coisa que nem você  mesmo conseguiria sustentar se utilizasse uma lógica correta.

Eu não preciso acreditar na ciência, que é algo que faz parte do mundo real. Já você precisa acreditar em Deus, justamente porque ele não existe. Você precisa acreditar que a sua mãe existe? Não, né? E por quê? Porque ela existe.

Mas enfim… tanto faz eu escrever isto pra você, não é mesmo? Pois na verdade não sou “eu” que estou escrevendo, são os movimentos aleatórios das partículas quânticas que formam meu cérebro…

Errou feio de novo. Repetir uma bobagem várias e várias vezes pode torná-la um chavão, mas não a torna menos bobagem. Você crê num personagem mitológico e quer muito que ele seja de verdade — embora esse desejo mudasse radicalmente se você de fato o tivesse conhecido através das atrocidades perpetradas por ele, cujos relatos se encontram no seu livro sagrado que você não leu. Entretanto, esse desejo não tem a menor capacidade de tornar esse ser mitológico real, porque, muito diferentemente do que sugere a Bíblia, com pessoas acalmando tempestades, andando sobre as ondas do mar, multiplicando pães e peixes, transformando água em vinho… esse universo não permite esse tipo de mágica.

Por isso quando as pessoas querem mágica, precisam pagar por ela comprando ingressos para um circo, ou repassando 10% de seus rendimentos a uma quadrilha especializada, dentro de um clubinho fechado, com um nomezinho ridículo na entrada.

 

vende-se mágica

A quem possa interessar

Se você é leitor diário do blog e gosta de ler os textos relacionados ao ateísmo e à religião, por favor volte amanhã… rsrs O texto de hoje é destinado a uma “meia dúzia de seis” pessoas, que não conheço, mas que considero o suficiente para lhes dar satisfações. Mesmo que não tenham pedido.

Mas se você gosta de “barraco”, pode ficar. Porque foi um “barraco” o que eu vi esses dias. E tudo por conta de dois comentários que fiz em meu próprio blog. Um, devolvendo de uma só vez uma série de “patadas e coices” que vinha recebendo de uma certa pessoa. O outro, fiz anonimamente para um dos textos dela, mais como chacota mesmo, mas sem ofensas e sem prejuízo pra ninguém, apenas concordando com um leitor, o famoso Leonardo, que, felizmente, deu as caras de novo, mesmo depois de ter sido — também — xingado pela dita cuja. Pois é. A mulher quer posar de lady, mas, vez em quando, baixa o espírito da Taty Quebra Barraco nela, que é uma coisa!!!

No primeiro comentário, realmente eu me excedi, fui grosso, descortês. Mas quem “nesse mundo de meu Deus” escolhe as palavras quando está devidamente enfurecido com alguma coisa? Então você colide violentamente seu dedo mindinho do pé contra a quina da estante e para pra pensar uns dois segundos no que vai dizer? Ahh… pra cima de “muá”?…

Mas o legal foram as consequências disso. E um grande filósofo disse uma vez que “as consequências vêm depois”. Pois a mulher me manda um e-mail desaforado (até aí, novidade zero) me chama de “donzelo”, de mau-caráter, de isso e aquilo…

O segundo comentário, que eu fiz anonimamente, foi logo após a observação do Leonardo aí, dizendo que ela havia plagiado sei lá quem. O espírito da Taty Quebra Barraco baixou “de cum força” e a mulher disse o que quis com o pobre do leitor do texto dela. Eu, já mais calmo, já tendo devolvido, de uma vez só, os coices que já me haviam sido destinados, só fiz deletar o comentário agressivo dela. Ponto.

Pra quê!!!? O mundo quase acaba! A mulher identificou meu IP no comentário anônimo, esqueceu totalmente o Leonardo, que foi quem a acusou de plágio, e concentrou suas forças em mim. Como se não bastasse, arrumou umas amigas que me xingaram à vontade — sem sequer saberem da missa um terço — e que passaram a disparar comentários no blog, onde “crápula” e “mau-caráter” foram os adjetivos mais leves que eu recebi.

Daí que ela resolveu difundir um e-mail para essa meia dúzia de pessoas contando como eu era canalha por ter “implantado” comentários no blog para caluniá-la [Eita pau! Mas o comentário que eu "implantei" como anônimo só concordava com o Leonardo, que foi quem disse que ela tava plagiando um outro autor... Daí que ela tá forçando a barra pra tornar o barraco mais... encorpado.], como eu era grosso por tê-la xingado daquele jeito [logo ela que não tem esse hábito...], e se sentindo muito vítima de toda situação… tadinha!… motivo pelo qual mandava, assim, o e-mail a todos eles… cheio de meias verdades, é claro!, mas necessário para mostrar como eu era uma pessoa “perversiva”.

Não é preciso dizer que, a cada vez que tocava no meu nome, ela soltava um “mau-caráter”, “donzelo” e coisas do gênero, algo que deve ter soado um alarme nas mentes mais atentas. Só que, acho eu, algumas mulheres ainda estão vivendo no século passado e andam por aí com a bandeira do Feminismo enrolada e pronta pra tremular de novo. Feminismo no século 21 é algo tão anacrônico e que pode provocar tanta ânsia de vômito quanto sorvete no café da manhã. Mas foi o que eu achei. Ora, eu posso ser aporrinhado, xingado, posso levar “patada” a torto e a direito, mas não podia nunca revidar, num momento “todo meu” de saco cheio, dizendo que uma “mulher” estava se comportando comouma velha birrenta, infeliz e mal amada. Eis o meu crime; o comentário maldito que fiz. Uma vez tendo dito isso, nenhuma fêmea vai querer saber os motivos de tal grosseria, e vai apoiar incondicionalmente qualquer coisa bem pior que a mente versada em xingamentos que a vítima possui possa encontrar para dizer sobre mim; afinal, eu disse o que disse…

…Contra uma mulher!

Fim do barraco.

Um argumento recorrente

Eu recebo, com bastante frequência, e-mails de leitores me parabenizando pela minha “crença” em Deus. Isso mesmo. Para eles, eu sou um crente enrustido. Afinal, por que, então, eu iria gastar tanto tempo, energia e criatividade mantendo um site que fala “Dele”?

Esse tipo de raciocínio é bem condizente com a visão deturpada que o religioso tem do mundo, afinal, ele “crê” em certas coisas e precisa mesmo, desesperadamente eu diria, que todos os outros creiam também, já que, de outro modo, ele vai ser frequentemente lembrado de que está vivendo um sonho impossível.

Esse tipo de argumento, o de dizer que eu creio em Deus, é bem recorrente e já me vi diante dele vezes sem conta, ao lado de outros ainda mais estúpidos ou, pior, que demonstram apenas o quanto uma pessoa pode ser tapada.

Elas dizem coisas como “Você iria perder seu tempo escrevendo que não acredita em duendes, por exemplo? Não, né?”, “O ateu não tem razão de existir. Ele vive pra quê?”

Ora, vive-se para muitas coisas, por muitas razões, para muitos fins e de muitos meios. Se você me diz que eu, sendo ateu, não tenho razão para viver, estará apenas sinalizando para mim que você é uma pessoa com a qual não vale a pena discutir, por já ter apresentado o seu diploma de imbecil.

Eu não me incomodaria se milhões e milhões de pessoas resolvessem inventar, como inventaram, Deus e deuses, e esfolassem seus joelhos e desperdiçassem suas vidas para adorá-los. Isso seria problema delas. Mas não se pode ficar de mãos abanando quando um grupo crescente de indivíduos com uma determinada crença está tão seguro de que o conjunto de idiotices em que acredita é a Verdade, com V, única e absoluta, a ponto de divulgar que quer passá-la a todo o resto da humanidade, à força, se preciso.

Eu sou contra, sim, o processo imbecilizante por que passa, obrigatoriamente, cada nova geração de seres humanos. Sou contra, sim, a atitude de pais que literalmente obrigam seus filhos a acreditarem num sem-número de sandices só porque eles próprios, também tendo sido obrigados a isso, acham que estão fazendo a coisa certa.

E não pretendo desperdiçar meu tempo e energia contra duendes pelo simples fato de não me sentir ameaçado pelos seus adoradores, pois eles, pelo menos até hoje, não queimaram vivo ninguém que não acreditasse em duendes, não fizeram guerras em nome deles, não forçam cada nova geração a acreditar neles, não querem que todo ser humano acredite em duendes, não extorquem dinheiro de pobres para a sua rede de propaganda para os duendes, não ameaçam, não coagem, não caçoam os que não acreditam, nem pedem para que ninguém acredite. Eles não querem evangelizar o mundo para que a crença nos duendes seja global.

Eu não tenho nada contra Deus e podem me internar num hospício no dia em que disser que tenho. No meu mundo não há espaço para seres imaginários.


{ o 8° pecado capital }

Aqui, comentando o post Deus: aprecie com moderação (parte 3), o leitor Hagnus postou o vídeo abaixo, do YouTube, o que me fez interromper a série de textos que venho publicando para tecer um breve comentário a respeito.

O  vídeo em questão foi claramente editado, e quem o editou foi desonesto porque, com isso, suprimiu um trecho que poderia ter estragado sua intenção de ridicularizar o renomado cientista.

Note que, aos 28 segundos, Dawkins diz:

“Can you just stop? Ah… I think/corte/” (“Você pode parar? Ah… eu acho/corte/ “).

O que ele disse, mui provavelmente não serviria ao propósito desonesto do crente que, então, editou essa parte. Dawkins poderia ter dito: “Você pode parar? Ah… eu acho que posso elaborar uma boa analogia para você entender…”, ou qualquer outra coisa, mas foi tirada do filme.

Como se isso já não bastasse, o autor do vídeo, sem ter apresentado nenhuma credencial que nos fizesse supor que ele sabia algo sobre biologia, antropologia, zoologia, ou qualquer área correlata com o assunto tratado, tenta ridicularizar a resposta que um cientista deu à pergunta feita.

E baseado em quê? Na sua crença. Baseado na sua vontade de possuir um parentesco com um ser um trilhão de vezes mais poderoso que o Super-Homem, ele faz umas gracinhas sobre a resposta do zoólogo, professor, pesquisador, escritor, palestrante ateu, Richard Dawkins:

“Viu só gente? Somos animais! rsrs”

Ele não quer ser um animal. E aí sonha que não é e ri de quem não sonha junto com ele.

E, por último, tendo Richard Dawkins apresentado uma resposta coerente com a pergunta feita, nada garantiria o tom de chacota do vídeo se não fosse a expressão pensativa que o entrevistado fez antes de responder à repórter.

Como o ateu Richard Dawkins não poderia recorrer a um livro sagrado milenar que contivesse todas as respostas de que precisaria durante sua vida; como ele não sabia de cor uns tantos versículos desse livro que pudessem responder a essa e a uma infinidade de outras perguntas, ele precisou fazer algo que é visto pelo crente como digno de umas boas risadas:

Usar o cérebro para raciocinar.

.


Análise de Texto (fim)

“Implico” com o evolucionismo (…) pela mesma razão que implico com a astrologia ou com o islã.

O Mats tem um mesmo motivo para “implicar” com uma teoria científica, com uma superstição milenar e com uma outra religião. Isso já seria suficiente para entender todos os outros comentários dele, baseados na lógica do “Eu estou certo e quem não pensar como eu está errado”.

É a lógica cristã compartilhada pelas principais religiões do mundo. A lógica sem lógica que envolve mundos encantados, mitos copiados, cobras falantes, versículos de um livro sagrado tomados ao pé da letra, reinterpretados ou simplesmente ignorados conforme a conveniência. A lógica que diz que Deus é o padrão absoluto de moral que permite ao cristão, e somente a ele, ter valores morais diferenciados; a lógica que diz que, sem o deus cristão, ninguém poderia dizer o que seria melhor: roubar ou fazer caridade.

Mats me fez acreditar que, se não acreditasse em Deus, ele, Mats, sairia por aí matando, roubando e estuprando crianças.

O Mats nunca me disse qual é a moral de Deus. Desisti de esperar, porque descobri que o Mats não sabe. Ou, talvez, apenas não queira pensar sobre isso, porque teme ser apresentado a um Deus com um senso moral bem inferior ao dele próprio.

O que seria uma autêntica DeusILUSÃO.


E  no  Dia  do  Juízo  Final…


Deus: Atenção, todo mundo! Calma! Acalmem-se!… Aê!! Façam silêncio! Atenção que eu quero… SILÊNCIO, PORRA!!!!!

Grilo:  crrri, crrrri, crrri, crrrri…

Deus: Seguinte: eu vou mandar todos os crentes baba-ovo pro Inferno e vou passar a eternidade discutindo filosofia e jogando banco imobiliário com os ateus. Acho que vai ser mais divertido.

Mats: Mas, Senhor Deus, Senhor dos Exércitos, Rei dos Reis, Criador de todas as co…

Deus: Fala logo, caralho!!!!!!

Mats: Mas é que… bem… eu… eu não entendo, Senhor… Como que o Senhor vai condenar os crentes e salvar os ateus, que o renegaram por toda a vida?

Deus: E quem te disse que eu te devo satisfação?

Mats: Mas, Senhor… na Bíblia está escrito que…

Deus: Mats, esqueça a Bíblia: eu mudei de ideia. Não foi você mesmo que disse que não via problema nisso?


Análise de Texto (parte 3)

“Dentro do ateísmo, todos os comportamentos morais têm o mesmo valor. Se Deus não existe, não há Ponto de Referência Absoluto para a moral. Todos os comportamentos morais são igualmente válidos.”

Ora, se Deus é o ponto de referência absoluto para a moral, como quer o Mats, Deus seria o “padrão” de moral da humanidade. Quando se diz que alguma coisa serve como padrão, significa que usamos esse padrão para fazermos comparações e para facilitar o nosso entendimento do mundo e a comunicação entre nós mesmos.

Se eu digo que a distância entre a minha casa e a padaria é de apenas 60 metros, você só tem ideia da distância porque sabe quanto mede 1 metro. Se um E.T. ligasse para o seu celular e dissesse que a distância entre a casa dele e a padaria do bairro dele é de 15 gurlonks, isso seria o mesmo que não dizer nada, pois ninguém na Terra  saberia a distância que corresponde a 1 gurlonk. Assim, o padrão “metro” nos é útil, enquanto o padrão “gurlonk” não é.

Se as garotas brasileiras considerassem, por exemplo, o ator Rodrigo Santoro como a perfeição da beleza masculina, elas poderiam eleger, dentre dez rapazes, qual deles seria o mais bonito: o que estivesse mais “próximo” da beleza padrão do ator. A gradação no quesito “beleza” é feita pela comparação com o padrão, atribuindo-se valores aos elementos analisados.

Se padrões são usados para fazer comparações, como comparar nossa moral com a moral de Deus? Qual diabos seria, afinal, a moral dele?

Usando o seu padrão de moral cristão, como você poderia afirmar, por exemplo, que eu sou menos justo que Deus?

Isso admitindo-se que Deus acha “justo” sacrificar uma pessoa para eximir outras tantas de uma suposta culpa; que Deus acha justo que alguém queime a própria filha como um gesto de agradecimento por ter vencido uma guerra; que Deus acha justo punir várias gerações de pessoas por conta de algum “pecado” dos seus antepassados; que Deus acha justo que alguém passe toda uma vida cometendo crimes e atrocidades e ainda assim vá para o Céu, desde que se arrependa dos seus atos…

Felizmente para todos nós, uma parte muito grande dos que se dizem cristãos não tem Deus como padrão de moral. Até porque nem mesmo sabem qual a moral de sua divindade.

Análise de Texto (parte 2)

“Então como é que sabemos quem está certo e quem está errado, em termos morais?

Por exemplo: há pessoas que gostam de abusar de crianças e outras que não gostam.

O abusador vai certamente dizer que ele pode fazer o que ele bem entende porque Deus não existe. Como é que o farias mudar de opinião?

Tendo isso em conta, eu pergunto: se o abusador de crianças disser que abusar crianças está de acordo com “as suas experiências de vida”, quem sou eu ou tu para o demover disso?

O crente ateu pode achar muitas coisas desonestas, mas a sua opinião é tão válida como a opinião daqueles que pensam exactamente o contrário. Por quê? Porque no ateísmo não há Ponto de Referência Absoluto para a moralidade.”

No mundo em que o Mats vive, todas as sociedades que não adoram o deus cristão, todas as nações que não têm Deus como seu padrão de moral absoluto, estão se consumindo no fogo da desordem social, por conta da sua falta de referência moral, pois não sabem diferenciar um vício de uma virtude, uma coisa certa de uma errada, um homem bom de um ruim. Nas sociedades ao redor do mundo que não cultuam Deus, as pessoas abusam de crianças, matam-se a torto e a direito, e estão se aniquilando, pois não têm condição, sem o Deus do Mats, de terem uma referência moral para ser seguida.

E “o abusador vai certamente dizer que ele pode fazer o que ele bem entende porque Deus não existe“??? Azar o dele, porque ninguém vai levar isso em conta e ele vai ser preso do mesmo jeito. E, pode apostar a sua alma, ninguém vai querer fazer o abusador de crianças “mudar de opinião”. A opinião dele não interessa nesse caso. Ele cometeu um ato reprovável (não pelo Barros, mas pela sociedade da qual o Barros faz parte) e vai pagar por isso.

No mundo em que eu vivo, Mats, os seus heróis, Abraão, Jefté, teriam sido presos por cometerem crimes contra outro ser humano, mesmo que, para o seu Deus, eles tenham feito algo completamente “normal” ou “esperado”.

No mundo em que eu vivo, não temos o seu Deus como padrão absoluto de moral. Nem sequer como “padrão de moral”. Até mesmo os crentes rejeitam certos aspectos da moral divina, porque, inconscientemente, percebem o quanto ela está distante da deles próprios.


Análise de Texto (parte 1)

Mats é o autor do blog português Darwinismo e fez uns comentários (em azul, abaixo) interessantes no meu post O Sacrifício.

“Qual é o problema em ser-se desonesto dentro da religião ateísta? De acordo com o ateísmo, quem é que decide o que é ser-se honesto e o que não é? Não é o indivíduo? Então, mesmo que o cristão esteja a ser aquilo que tu arbitrariamente qualificas de “falta de honestidade”, o seu comportamento é tão válido como o que tu chamas de “honesto”. E por que, perguntas tu? Porque dentro da religião ateísta não há Ponto de Referência Absoluto para a moralidade. Todos os comportamentos morais têm o mesmo valor, se o ateísmo está certo. Dito isto, não entendo o porquê de te insurgires contra os comportamentos alheios se os mesmos são tão válidos como os teus.”

Ateísmo não é uma religião, é a condição de quem é ateu, que é aquele que não crê em deuses. Segundo Dawkins, os religiosos insistem desesperadamente em entender o ateísmo como uma religião porque, assim, as coisas ficam mais fáceis, pois estariam apenas atacando “outra” religião. Mas nós, ateus, não doutrinamos nossas crianças, durante toda sua infância, para que não acreditem em deuses; nós não temos um livro sagrado de onde tiramos todos os “ensinamentos” para nossa conduta; não temos um líder, nem hierarquia; não temos rituais, nem liturgias; não saímos por aí, aos domingos, tentando converter as pessoas para o ateísmo; não ameaçamos ninguém que acredita naquilo que não acreditamos.

Para o Mats, eu, sendo ateu, fui arbitrário ao chamar de desonesto o argumento do vídeo “O Sacrifício”. Ora, se eu não dou a mínima para o Deus dele, se não tenho o Deus dele para guiar minha moral, como posso classificar algo como desonesto? Todos os comportamentos morais, para o ateu, teriam que ter, obrigatoriamente, o mesmo peso e valor “se o ateísmo está certo”, como se o ateísmo fosse uma doutrina a ser seguida.

Sem Deus no coração, o ateu não pode acusar ninguém de desonestidade:

– Que droga, aquele cara me vendeu um DVD como se fosse original, pelo qual paguei o preço de um DVD original, e, no entanto, era uma cópia pirata. Mas, como eu sou ateu, eu não posso dizer que o cara foi desonesto.

Segundo o Mats, eu, sendo ateu, não poderia me “insurgir” contra esse comportamento, ou seja, teria que aceitá-lo como válido, como honesto também. Por quê? Pelo simples motivo de não ser cristão. Não porque seja ateu, mas porque não creio em Deus. Se eu fosse um adorador de Krishna, o que não permitiria que eu fosse chamado de ateu, ainda assim não poderia reclamar do comportamento do vendedor de DVD, porque Krishna não é o “padrão absoluto de moral” que permite às pessoas se indignarem ante certos comportamentos. Krishna não é Deus.

Mas esse trecho do comentário do Mats não me cheirou tanto a desonestidade intelectual quanto esse pequeno período:

“Mas em NENHUMA parte do filme se diz que o mesmo é idêntico ao que Deus fez, portanto tudo o que disseste é o resultado de uma má conclusão da tua parte.”

Eu havia argumentado que o idealizador do filme fora desonesto, pois queria pôr o operador da ponte do trem na mesma condição do deus cristão. Mats não enxergou essa intenção “em NENHUMA parte”. Nem na parte final que encerra com essa citação bíblica:

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (João 3:16)”.


O Inferno de Denise

Comentário da leitora Denise (em azul) no post A Divina Revelação do Inferno:

Se vcs lessem a Biblia vcs saberiam como é o inferno. e concerteza o céu tambem.

A minha Bíblia deve ser bem diferente da sua, Denise, pois só diz coisas bem, bem vagas sobre o Céu e o Inferno. E ‘um lugar onde haverá pranto e ranger de dentes’, bem como, ‘um paraíso’, não deveriam dar a ninguém (ninguém honestamente interessado em saber) essa certeza que você alega ter.

Louvo a Deus pelo meu pastor que me ensinou a verdade e abriu meus olhos para a realidade, nao baseado em coisas de sua propria cabeça, mais na palavra de Deus.

Eu, sinceramente, ainda prefiro entender o mundo e enxergar essa realidade ‘baseado em coisas’ da minha própria cabeça, como o meu raciocínio e discernimento, a fazer isso baseado em ‘coisas’ das cabeças de uns tantos escritores supersticiosos e ignorantes de dois mil anos atrás.

nao experimentei o inferno e jamais vou pra la, porq sirvo um Deus vivo e verdadeiro, e é ele que me garante q vou passar a eternidade no Céu.

Quando você escreve ‘sirvo um Deus vivo e verdadeiro’ eu me pergunto, aqui sozinho:

1) será que ela percebe que a noção de ‘vivo’ é muito objetiva, que a noção de ‘verdadeiro’ é muito subjetiva, e que o Deus cristão não preenche adequadamente nenhuma delas isoladamente, muito menos de forma combinada? A aceitar sua noção de ‘vivo’ e de ‘verdadeiro’, eu poderia dizer que o vento está ‘vivo’ e que o Pinóquio é ‘verdadeiro’.

2) será que ela percebe que em ‘sirvo um Deus’, esse ‘um’ nos dá a ideia de que ela, inconscientemente, admite a possibilidade de ‘outros’ deuses?

3) será que ela leu minha série intitulada Racionalizando a Eternidade? Porque eu teria interesse em perguntar pra ela o que nenhum crente me respondeu até hoje: vais passar a eternidade no Céu fazendo o quê?

Vcs falam isso mais dentro de vc tem um vazio na qual so Jesus Cristo,pode preencher, ele sim liberta de todo julgo, todo pecado e te toda incredulidade.

Frases, frases, frases… Depois que a gente aprende a falar, a gente fala; depois que aprende a escrever, a gente escreve. É isso…

saiba que Deus te escolheu desde o ventre de sua mae, outra pessoa poderia ter nascido em seu lugar mais ele quis vc, reconheça isso, ainda a chance de vc reconhecer que ele é o unico Deus, e saber q ele nao é uma mera fantasia e nem MULA…. e sim o Deus q criou vc.

Se Deus quisesse que nascesse uma determinada pessoa e não outra pessoa, acho que ele, sabido como ele só, deveria ter projetado o homem para ejacular um espermatozoide por vez, né não?

ele sim écapaz de mudar sua historia, e sua maneira de pensar…

Eu aposto como ele não pode. Fala pra ele.

procure uma igreja evangelica mais proxima de sua casa, nao deixe que sua ignorancia atrapalhar vc ter uma vida diferente.

Nossa, mas minha vida tá tão boa! Mas se eu mudar de ideia, poderia ser uma igreja de Mórmons, ou eles estão adorando o deus errado?

EM BREVE TEREI UMA BOA NOTICIA DE QUE VC SE CONVERTEU AO DEUS VERDADEIRO E VC VAI JUNTO COMIGO VAI SER TESTEMUNHA DO AMOR DELE. DEIXE O ORGULHO DE LADO…

ABRAÇO PARA TODOS,

QUE JESUS TE ABENÇOE E FAÇA DE VC UM MAIS QUE VENCEDOR EM CRISTO.

COLOQUE CRISTO NA SUA CABEÇA E CORAÇÃO, E TERAS A CERTEZA DA SUA SALVAÇÃO.

VCS SÃO MUITO ESPECIAIS PRA JESUS.

TCHAU!!!! benção do Senhor Jesus Cristo!! (e nao do adversario)

bjusssssssssssssssss

fiquem com Deus!

Não. Acho melhor levar Deus com você. Pra mim, ele é completamente desnecessário.


Barros, a mulher e o jumento

A Bíblia é um Self-service foi um dos primeiros textos que escrevi, e cada vez que um cristão me aparece tentando expor seus “argumentos”, eu sempre me convenço, mais ainda, de que é preciso muita cegueira intelectual para não perceber a desonestidade que é necessária para sustentar a fé em Deus.

Eu já publiquei a definição de Inferno tal como é entendida pelos seguidores da Igreja da Vida Cristã. Segundo essa igreja, o Diabo não existe mais. Como que eles sabem disso? Simples: está na Bíblia. Bem aqui:

Hebreus 2:13 “Portanto, visto como os filhos são participantes comuns de carne e sangue, também Ele semelhantemente participou das mesmas coisas, para que pela morte derrotasse aquele que tinha o poder da morte, isto é, o Diabo”.

É isso. O Diabo e o Inferno são invencionices para assustar os seguidores de outras igrejas que não a Igreja da Vida Cristã. Eles, bem como a leitora que me enviou a definição, não temem inferno algum: já estão salvos. Como que eles sabem que estão salvos? Simples (sempre é): está na Bíblia. Bem aqui:

Efésios 2:8 “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus”.

E, assim, os cristãos prosseguem fundamentando o universo de acordo com umas tantas frases soltas pinçadas do seu livro sagrado. Entretanto, quando um ateu faz uma pergunta um tanto quanto inconveniente sobre algo também escrito lá, e que eles mesmos não conseguem engolir por ser amargo demais, aí o versículo assim sozinho, assim isolado, já não vale:

“É usar um texto fora de contexto como pretexto.”

Uma frase feita que uns religiosos sempre têm no bolso, como um Ás na manga, para se saírem de situações embaraçosas.

Como no caso recorrente do mandamento que diz: “Não cobiçarás a mulher do teu próximo”, que era como se lia na minha época de catecismo. (Ao que parece, esse mandamento deve ter sofrido um tipo de reedição, pois não está mais assim, nesses termos, nas versões online que eu consultei da Bíblia.) Eu já fui expulso de uma comunidade religiosa no Orkut por conta desse mandamento (link para o texto) e, há pouco, um leitor do blog me veio com outra controvérsia (ou a mesma!) sobre o tema:

Ele escreveu “DESCIMO MANDAMENTO::::::: Vr. 17 – Não cobiçaras a casa do teu próximo ( amor ao próximo)” querendo argumentar que todas as leis de Deus se resumem a duas: amar a Deus e amar ao próximo. Entretanto, o texto que eu copiei da Bíblia Online é mais “extenso”:

Êxodo 20:17 “Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo”.

Aliás, foi esse jumento aí do texto que me valeu a expulsão, citada acima, da comunidade “Eu amo e acredito em Deus” (eu também mencionei o erro de português no nome da comunidade… não foi à toa que a mulher lá me expulsou).

O leitor que escreveu sobre o décimo mandamento me respondeu que a palavra “servo” não significava “escravo”, e que a mulher era mesmo submissa por conta do pecado do qual Cristo nos livrou. “Nos”? Pode dar minha falta!

No mundo em que esse meu leitor vive, uma determinada divindade trata de assuntos que envolvem salvação ou danação eternas exclusivamente com o macho da espécie, porque a fêmea cometeu o despautério (!) de dar ouvidos a uma cobra falante e comeu uma fruta mágica.

Quanto ao verbo “cobiçar”, acho que alguém poderia concordar comigo quando eu digo que ele está semanticamente sobrecarregado: quando você cobiça o boi ou o jumento do seu vizinho, é porque você os quer para si, quer comprá-los, quer que eles sejam sua propriedade; já quando cobiça o servo, quer que ele largue o emprego na casa do seu vizinho e venha trabalhar na sua, ganhando até um salário melhor; e quando cobiça a mulher, está apenas tendo pensamentos impuros com relação a ela… o que não significa que está querendo comprá-la.

Ou isso ou Deus está listando as “coisas” que um homem possui e que não devem ser invejadas por outro homem: a casa, o escravo, o gado, o jumento e a mulher.



“Eu acho que eu vi um gatinho…”

Uma leitora do blog me mandou um e-mail sugerindo a correção da seguinte frase do post “HAGNUS Dei”:

Grande parte dos nossos problemas são criados por nós mesmos.

Segundo ela, a sentença deveria ficar assim:

Grande parte dos nossos problemas é criada por nós mesmos.

Eu agradeço demais a participação da minha linda leitora (que prefere se manter anônima), pois me inspirou a criar a aleta Comunicar erros, acima, ao lado de Melhores Textos, onde encorajamos os leitores do DeusILUSÃO a fazerem o mesmo: apontar erros e sugerir correções, de forma que possamos deixar nossos textos cada vez mais precisos e agradáveis. Em uma palavra: de fácil leitura! [“Eu acho que eu vi um gatinho...”]

Isso é extremamente útil, porque quando você lê seu próprio texto, não percebe algumas “gafes gráficas” (como palavras que não soam bem juntas, como essas — parece que você tá falando russo), incoerências, dedografias e palavras que foram abduzidas. Sem contar, claro, os benditos erros de ortografia*.

Para todos os outros não há desculpa, mas para as dedografias que escapam de três, quatro revisões, há explicação científica.

Você não lê todo um texto palavra por palavra, bem como não lê todas as palavras letra por letra. Na maior parte do tempo, você lê palavras inteiras e blocos de palavras inteiros de uma vez. Quanto mais fácil for um texto, maior será a tendência de você adivinhar as palavras e os blocos, de forma a tornar a leitura mais rápida e eficiente.

Num texto sobre “limpeza”, por exemplo, você simplesmente “adivinha” grupos de palavras como “sabão em pó”, “água sanitária”, “pano de chão”, sem precisar tê-los lido de fato, pois, pelo contexto, eles são esperados e você os reconhece apenas pelo seu início ou pelos blocos que formam. Quando o cérebro adivinha essas palavras esperadas, ele não as lê, justamente para acelerar o processo de leitura. Se houver um erro de dedografia em um desses blocos adivinhados, não vai ser possível percebê-lo numa leitura corrente normal.

Recentemente, a leitora NáJung me alertou sobre uma frase em que eu escrevi a palavra “texto” como “texo”. Ela copiou e colou a frase no comentário, alertando para que eu corrigisse a palavra escrita erradamente. Mesmo tendo sido alertado de que havia um erro de ortografia na frase transcrita, eu não consegui identificá-lo de imediato, pois estava “lendo” a palavra “texo” como “texto” normalmente.

Daí a utilidade de ter seus textos corrigdios por outra pessoa: foi o seu cérebor que escreveu o texto, portatno ele sabe o que está lá. Não vai “ler” quase nada.

Percebeu todos os três erros ortográficos do parágarfo acima? Se sim, foi porque você já estava alertado, inconscientemente, para o tema.

E percebeu o erro na palavra parágrafo acima?

Bom, mas tendo mencionado a criação da aleta Comunicar erros, tendo justificado sua importância e agradecido à leitora anônima, resta dizer que, na frase que foi motivo do comentário dela, ocorre o que se chama de Silepse de número: em vez de concordar com o núcleo do sujeito (parte), que está no singular, todo o predicado vai para o plural por força semântica do complemento do núcleo (dos nossos problemas), uma vez que é “problemas” [e aqui vai uma Zeugma, de brinde — ou é uma Elipse? (misericórdia!!!)], enfim, é a palavra “problemas” que exerce uma posição mais forte de núcleo do sujeito, mesmo sendo só complemento.



* Eu, particularmente, já estou escrevendo dentro das novas regras ortográficas, pelas quais se escrevem para-raios, frequente, antirreligioso, autoajuda, creem, etc. Portanto, quando analisando meus erros,  queiram se ater à nova ortografia do português.

“HAGNUS” Dei

Desonestidade.  Não fosse ela, não haveria nenhum Deus no Céu.

O leitor HAGNUS fez, recentemente, um comentário que demonstra exatamente isso: como a desonestidade é indispensável para ser crente em um deus:

“Algo que percebi é que eles [os ateus] podem não crer, mas têm sede da verdade, e se têm sede da verdade… TÊM SEDE DE DEUS!”

O crente no deus judaico-cristão tem internalizado um axioma, um postulado pelo qual Deus é A Verdade. Mas qual verdade? Que argumentos poderiam sustentar essa afirmação? Um Deus cuja moral nem mesmo se assemelha à nossa; um Deus mesquinho e sádico; um Deus que tem dúvida, que se arrepende, que é perfeito e não faz nada que preste, segundo sua própria opinião; um Deus assim é sinônimo de verdade por quê?

“Percebi também que em meus 16 anos de fé passei por muitas aflições! Em muitas delas cheguei até estar por um fio! Imagine aquela situação onde o cristão diz:

- E agora, Senhor? Será que pela primeira vez vou fracassar?

E o ateu diz:

- E agora, minha capacidade de superação? E agora, meu salário, meus amigos? Será que mais uma vez vou fracassar?”

O HAGNUS vive num mundo onde o crente, por causa do seu Deus, nunca fracassa (“Será que pela primeira vez…”) e o ateu, que só conta com sua capacidade de superação, seu salário e seus amigos, não faz outra coisa além disso (“Será que mais uma vez…”). Esse é o mundo em que o crente vive: um mundo onde a desonestidade é uma doença contagiosa; um mundo em que o que se escreve para exaltar Deus, ou para justificá-lo, passa a ser visto como verdade absoluta, sem que ninguém se lembre de pedir dados que fundamentem o que foi dito.

“E aí Deus entra em cena e diz para o cristão: ‘Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça’. (Isaías 41:10)”

A desonestidade em catar na Bíblia os versículos certos para sustentar a vantagem da fé, e fechar os olhos a todos os outros que depõem contra ela.

“‘28 Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. 29 Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas. 30 Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve’. (Mateus 11)”

A desonestidade autoimposta e replicada, pela qual o universo é regido por palavras escritas num papel antigo; a desonestidade de pensar que fé é crer naquilo que é, quando é apenas crer naquilo que se quer que seja.

“E  quando a capacidade própria do Ateu, o salário do Ateu, os amigos e todos os recurso humanos que ele possui acabam se esgotando, deixando ele desiludido e desamparado, a única coisa que pode dizer é apenas o tal de: Fudeu!”

Mesmo não estando sob a proteção de um Deus Todo-Poderoso, eu nunca estive “por um fio” como o Sr. HAGNUS, mas já me senti desiludido e desamparado. Como todo mundo se sente às vezes. Pelo menos, cada vez que disse “Fudeu” valeu como lição e eu aprendi algumas coisas:

1) Enxergar nos problemas a dimensão que eles realmente têm.

2) Todo problema tem uma solução. Quando se está diante de algo que não tem uma solução, a gente deve lembrar de não perder tempo procurando uma, e tratar de se conformar do melhor jeito que encontrar.

3) Muitas vezes, quando não conseguimos resolver um problema, o tempo se encarrega de resolvê-lo por nós.

4) Grande parte dos nossos problemas são criados por nós mesmos.

5) Muitas das nossas frustrações advêm do fato de não nos aceitarmos como somos e querermos fazer com que os outros nos aceitem e nos vejam como não somos.

A honestidade é uma virtude; ser desonesto consigo mesmo é uma fonte inesgotável de sofrimento.

Eu sou ateu; vivo num universo que não foi desenhado para mim, mas com a enorme vantagem de ser um universo em que eu assumo meus próprios erros. E pago por eles.

Eu não aceito (nem jamais aceitaria) que o sangue de ninguém seja derramado por nada que eu tenha feito. Muito menos por algo que eu NÃO tenha feito.

O cristão vê isso como uma das mais belas referências à sua fé. Eu só consigo enxergar uma prova irrefutável de extrema desonestidade.


o cordeiro de Deus

As pérolas, os porcos, e a 5ª edição do Universo.

O Sabino é português, autor do blog A Lógica do Sabino. Um conterrâneo dele, o Mats, autor do blog Darwinismo, discutindo comigo sobre moral, argumentou certa vez que, se não fosse pelo Deus cristão, os seres humanos poderiam até torturar bebês, que ninguém veria problema algum, pois não haveria um padrão absoluto de moral que nos dissesse que torturar bebês seria certo ou errado. Aproveitei o tema e escrevi alguns textos sobre o assunto: A Moral de Deus?, A Moral Flutuante de Deus, e A Sociedade Torturadora de Bebês.

Pedi ao Sabino para me explicar o que ele chama de moral absoluta de Deus, mas ele achou melhor tecer comentários sobre a minha pouca inteligência, e lançar o argumento duvidoso de que o Velho Testamento talvez não seja tão sagrado assim, visto que o cristão baseia sua vida pela Nova Aliança com Jesus Cristo. Duvido que esse argumento “pegue”, pois os crentes, via de regra, consideram toda a Bíblia como sendo a palavra viva do seu Deus. Não bastasse isso, eles são rebanhos conduzidos por pastores que precisam de muito dinheiro para guiá-los até o Céu, e o versículo que fala sobre o dízimo está no livro de Malaquias, o último do Velho Testamento.

O Mats é um crente que quer explicar ao mundo o absurdo que é a teoria de Darwin sobre a evolução das espécies. O blog do Mats, Darwinismo, preocupa-se quase que exclusivamente em lançar dúvida sobre a veracidade do Evolucionismo. Talvez ele tenha achado mais fácil fazer isso do que encontrar coisas que provem a veracidade do Criacionismo.

Sendo um assunto recorrente, o Sabino me lançou de novo a questão da moral há poucos dias, reafirmando que a moral humana vem de Deus. Ateus seriam, então, seres humanos desprovidos de moral e, segundo o Mats, poderiam até torturar bebês.

Diante disso, pedi ao Sabino para me explicar a moral de um Deus que, num momento, tem uma determinada atitude e, uns mil anos depois, muda de ideia e até se contradiz. Se a moral humana muda e ela vem de Deus, então a moral de Deus muda? Se, hoje, somos contra a escravatura e já fomos a favor é porque, antes, Deus era a favor e, agora, é contra? Se determinados povos cristãos são contra a pena de morte e outros são a favor, é porque Deus está indeciso? Se seguimos um padrão absoluto de moral, e esse padrão vem de Deus, que padrão é esse? Qual a moral de Deus?

Ninguém apareceu com a resposta e, confesso, eu iria passar algumas noites sem dormir se tivesse aparecido. Não porque eu tenha feito perguntas inteligentíssimas, difíceis de serem respondidas, mas porque são perguntas primárias, às quais se poderia responder com dois ou três períodos compostos por coordenação, se houvesse resposta. Se. Mas não há.

Qual é a moral de Deus, que serve de padrão absoluto de moral para toda a humanidade? O Sabino, um crente inteligentíssimo, versado nos livros santos, não me respondeu. E quando um crente não dá uma resposta, geralmente, é porque ele considera que quem pergunta é insignificante demais para merecer uma, ou porque é intelectualmente incapaz de compreendê-la. É a velha desculpa das pérolas jogadas aos porcos.

Para continuarem a enxergar Deus num universo onde não há deus algum, depois da fé, é justamente a isso que eles mais recorrem para continuarem sonhando: desculpas.



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A seguir, respostas minhas a comentários dos leitores (em azul):

“Ateus como ele e como o Barros nem sequer conhecem aquilo que atacam. Eles usam aquilo que o Judaísmo crê para refutar o Cristianismo.”

Será que alguém se importaria em me explicar por que os Judeus não torturam seus bebês?

“Só  o Barros e companhia é que ainda não perceberam que os seus argumentos-palha não afectam o Cristianismo em nada.”

Eu jamais pensaria algo tão tolo. Eu pretendo afetar apenas as pessoas ao meu alcance na esperança de que pelo menos uma delas, que também concorde comigo, afete alguém ao seu alcance e assim, um dia, as pessoas nasçam num mundo onde a religião vai ser apenas mais um clube social, não um passaporte para uma vida numa outra dimensão.

“Ateus pensantes por aqui é raro.”

Mas uma pessoa ateia se tornou ateia porque, em algum momento da sua vida, rompeu com o sistema infundado de crenças no qual foi criada, e isso só aconteceu porque ela se dispôs a fazer o que os dogmas religiosos, por definição, não permitem que o crente faça: pensar. “Ateu pensante” não é raridade, é pleonasmo.

“No “principio” Deus criou todas as coisas e deu directrizes ao homem para viver de uma forma espectacular,”

A Lei Mosaica dava diretrizes ao homem para viver de uma forma espetacular?!!! Matando a pedradas quem descumprisse um sem-número de ordens imbecis como ficar imóvel num dia da semana?

“A Lei Deus deu-a a Moisés para conduzir o povo numa conduta correcta que permitisse a sobrevivência do povo (tanto entre si como entre outros povos),”

Vê que exemplo irretocável de conduta correta e de diplomacia:

“Olha, quem trair o marido, quem for desobediente aos pais, quem não guardar o sábado, quem não me amar mais do que tudo, quem amar alguém do mesmo sexo… que seja apedrejado até à morte!!! E onde houver uma nação da qual eu não seja o Deus único, pode entrar lá e matar todo mundo. Menos as virgens…”

“Ora se a altura certa era só no ano 0, diga-se assim, até lá  Deus preparou um povo para receber o salvador, o povo de Israel,”

Deus criou o Céu e 33,33% dos anjos se rebelaram; criou o Éden e aí já foram 100% os dissidentes; criou a Terra e teve que inundar tudo, recomeçando quase do zero; não deu certo, de novo, e ele desceu aqui para ver se conseguia arrumar as coisas pessoalmente, apresentando-se como o Salvador para o seu povo escolhido. O povo escolhido, entretanto, não comprou a ideia e, aparentemente, esculhambou um trabalho que levou milênios…

Deus, o Todo-Poderoso, Eterno e Perfeito, parece que precisa de uma consultoria do SEBRAE, porque, como Criador e Administrador Supremo do Universo, ele não acerta uma!

“Podemos resumir toda a história do universo em 4 palavras: Criação, Queda, Redenção e Restauração. Algures entre a queda e a redenção teve de aparecer a lei, mas o objectivo não era a lei, era a redenção e futuramente a restauração. Espero ter sido claro…”

Sim, você foi claro, meu amigo:

Deus vai tentar de novo!


A moral flutuante de Deus

Mulher iraniana sendo preparada para o apedrejamento pelo terrível crime de trair o marido. Se você é religioso(a) e acha isso um absurdo, você acaba de discordar de Deus.

“Disse, pois, o Senhor a Moisés: ‘Certamente morrerá aquele homem; toda a congregação o apedrejará fora do arraial.’ Então toda a congregação o tirou para fora do arraial, e o apedrejaram, e morreu, como o Senhor ordenara a Moisés.” (Números 15:32-36)

E o catador de lenha que, talvez, estava apenas querendo fazer o almoço da família não voltou para casa, porque foi executado por não cumprir a lei de Deus: “guardar” o sábado para o descanso. Deus, segundo sua moral, determinou que o homem fosse apedrejado, assim como também mandava apedrejar as adúlteras.

O Sabino, autor do blog português A Lógica do Sabino, argumentou que a moral humana vem de Deus. Eu me comprometi a ceder um espaço aqui no DeusILUSÃO para que ele me explicasse o motivo da moral dele, Sabino, que se recusaria a apedrejar quem quer que fosse, ser diferente da moral do Todo-Poderoso.

Como bom religioso que é, ele quis desconversar alegando que não vive mais sob a Lei Mosaica, mas sim sob a Graça de Jesus Cristo, que, para quem não lembra, é o mesmo que mandou apedrejar o meliante que estava juntando lenha para fazer o almoço.

Sabino, meu nobre, eu não sou uma pessoa religiosa: ninguém me escreveu um livro que contém tudo o que eu preciso saber para essa vida e para uma próxima. Por isso eu preciso de respostas bem mais elaboradas… e a sua não explicou nada. Se você vive sob a Graça de Jesus Cristo (?) ou sob a Lei Mosaica (!!!) é o que menos importa. Eu queria saber por que você não mataria a pedradas a moça do caixa do McDonald’s que estivesse trabalhando numa tarde de sábado, ou uma mulher que tivesse traído seu digníssimo esposo.

Se a sua moral vem de Deus e é essa a moral dele, o que te leva a pensar que você entrará no Paraíso mesmo discordando do cara que dita as regras? Ou por que você acha que a moral de um ser eterno e perfeito mudou em apenas alguns milênios?

Estou, temporariamente, afastado do meu dicionário Houaiss. Por isso peguei a definição de “moral” de dicionários online:


Michaellis

1 Relativo à moralidade, aos bons costumes. 2 Que procede conforme à honestidade e à justiça, que tem bons costumes.

iDicionário Aulete

1 Conjunto de regras de conduta, inerente ao espírito humano, aplicáveis de modo absoluto para qualquer tempo ou lugar, ou a grupo ou pessoa determinada, proveniente dos estudos filosóficos sobre a moral. 2 Conjunto de regras e princípios de decência que orientam a conduta dos indivíduos de um grupo social ou sociedade.


E, aproveitando que o Sabino vai explicar essa questão, eu pediria para que ele enfeitasse ainda mais o seu texto apresentando o seu argumento para justificar o episódio bíblico em que Jesus salva Maria Madalena da execução imposta pela Lei Mosaica. Eu, particularmente, acho estranho o fato dele não ter feito a mesma coisa com o pobre do catador de lenha: “Que atire a primeira pedra aquele que estiver sem pecados”. E o cara teria voltado para casa.

O trecho abaixo foi extraído do post Jesus, o Charlatão.

“A ATITUDE DE Jesus para com as mulheres é, no geral, ambígua ao extremo. Às vezes ele as trata sob o rigor da lei mosaica. Noutras, está do lado delas. Sexismo da sua parte não pode ser aceitável, uma vez que ele, supostamente, veio à Terra como exemplo de moral para todo o tempo ainda por vir, e o preconceito que era comum no tratamento com as mulheres durante a época em que ele viveu como ser humano não deveria tê-lo influenciado a ponto de fazê-lo conivente com ele. Embora tal tratamento pudesse ter sido o costume daquela época, o modelo de comportamento de Jesus deveria, seguramente, ter sido atemporal.”

Um Deus cuja moral sustenta leis que mandam apedrejar uma mulher até à morte por ter sido pega fazendo sexo com outro que não o marido, ou por ter sido pega fazendo sexo com outro sem ser casada, e, depois de alguns milênios, isenta uma determinada mulher de sofrer a punição que ele mesmo impôs e chancelou, não pode ser um Deus confiável.

Inda mais quando se suspeita que o que são para nós mil anos, para ele passa num piscar de olhos.


A sociedade torturadora de bebês (fim)

“Profecia sabínica: O ateu Barros vai, mais uma vez, mostrar a incoerência com a sua cosmovisão do mundo, ao afirmar que a moral é construída pela sociedade.”

O Sabino acha que a moral humana vem de Deus. As coisas nos parecem certas ou erradas porque Deus nos inspira a vê-las como ele as vê. O problema, parece, é que Deus é um tanto quanto… digamos… volúvel.

Houve um tempo em que o trabalho no sábado era punido com a morte, com a conivência divina. Depois, o Deus-Filho (já reparou que o Deus-Espírito-Santo é o mais moita da Trindade?) vem com essa: “O sábado foi feito para o homem, não o homem para o sábado”, e ninguém mais precisa ser apedrejado.

Deus também era escravocrata, visto que o seu povo escolhido via a escravatura como uma coisa aceitável e necessária: os escravos dos judeus trabalhavam no sábado, fazendo o serviço que os judeus não podiam fazer por causa da Lei Mosaica [Ninguém pensava em apedrejar os escravos? (Pra mim, doido só é doido se rasgar dinheiro...)]. Deus deve ter mudado de opinião de novo, porque ninguém mais no mundo civilizado considera a escravidão algo moralmente aceito. Deus ordenava, também, a morte dos não crentes, ou dos que tentassem desviar um crente do caminho da fé, para adorar outro deus. Hoje ele é mais tolerante. E por aí vai…

E aí aparece o Mats e me diz que, se não fosse Deus estar servindo para nós como um padrão de moral a ser seguido, nós seríamos capazes até de torturar bebês.

Tudo bem. Imagine uma sociedade que, por não “receber a moral” do Deus do Sabino e do Mats, passasse a torturar os seus bebês. Por diversão, ou em algum ritual maluco. Imaginou? Que aparência teriam os membros dessa sociedade? Eu gostaria muito de saber, pois não seriam humanos.

Nós somos o que somos e chegamos aonde chegamos justamente por mantermos certas atitudes ao longo de incontáveis gerações. Proteger, alimentar e amar nossos bebês é apenas uma delas. Se existiu um grupo de hominídeos que não prestava esse tipo de atenção e cuidado às suas crias, ou que as torturava, certamente teve uma taxa de mortalidade infantil que levou essa sociedade à extinção, porque não existe tal coisa entre nós.

Do mesmo modo, uma sociedade que não visse nada de errado em um membro matar outro teria sido extinta. Não é uma imbecilidade pensar que, só depois que Moisés desceu do Monte Sinai com os Dez Mandamentos, as pessoas passaram a considerar o assassinato um ato condenável?


– Caraca!! Lê isso aqui: “Não matarás”…

– Nossa! Que onda, maluco! Não devemos matar…

– Então!!! Miniiiiiiiiiiiiiiiiiiiiino, nem te conto! Tu escapou fedendo, porque eu ia te arregaçar hoje… Tu ia pra vala!

– Sério?! Ha-ha-ha… E eu que tava pensando em matar minha mãe! Sei lá, tipo, hoje é terça-feira… eu tava sem muita coisa pra fazer… Mas não! Seria pecado. Não vamos desagradar a Deus…


A moral é ditada pelas sociedades sim. É o conjunto de pessoas que vivem em sociedade que determina o que é certo e o que é errado; quem tem razão e quem não tem. E isso é lapidado ao longo do tempo e varia de uma sociedade para outra, de forma que a escravatura, por exemplo, é vista, hoje, como imoral (=contrária à moral), mas já foi moralmente aceita, bem como era aceito (e até bem aceito) o relacionamento homossexual na Grécia antiga, que não era sequer tolerado no nosso país e hoje já passou a ser.

Os chineses adoram carne de cachorro e de gato, e os criam para o abate assim como nós criamos galinhas. Matar um cachorrinho para comê-lo é tão bizarro para nós como deve ser bizarro, para os indianos, o que fazemos com as nossas vacas.

Se eu fizer sexo com uma moça de 14 anos, mesmo com o consentimento dela, estarei cometendo estupro, segundo a lei do meu país. E as leis de um povo são feitas por legisladores que refletem a moral da sociedade como um todo. Já em certas tribos, indiazinhas de 8 anos podem fazer sexo naturalmente com os membros mais velhos da aldeia; em outras, os filhos são iniciados na vida sexual pelos próprios pais; no mundo islâmico, uma menina pode ser dada em casamento a partir dos 9 anos, idade que tinha uma das esposas de Maomé… Quem vai dizer o que está certo e o que está errado nisso tudo? Deus? Não. É a sociedade de cada um.

Deus, mesmo se existisse, não poderia ser considerado um padrão confiável, pois não mantém seu ponto de vista. Cria a humanidade e se arrepende de tê-la criado (Gênesis, 6:6). Decide exterminar todo mundo e se arrepende de ter tomado essa decisão (Gênesis, 8:21). Cria leis que ele mesmo diz que não se deve seguir (o descanso sabático: Deus manda matar a pedradas quem trabalha no sábado e, depois, como Jesus, diz que as coisas não são bem assim…). Se os crentes chamam isso de padrão, eu queria saber o que eles considerariam “falta de padrão”.

Cada sociedade é que determina o que é moral e o que é imoral. Mas existe uma “moral comum”, a que nos impediu de nos autoaniquilarmos como espécie. A moral intrínseca à humanidade, como respeitar a vida, a família e a propriedade do outro. Se alguma vez existiu uma sociedade que considerava moralmente aceito matar outro indivíduo, ou torturar bebês, foi extinta, levando consigo seu senso de moral inviável. Tão inviável que não restou nenhum deles para contar a história.

Essa moral comum que conhecemos hoje como humanidade é a que “deu certo”, a que permitiu que continuássemos existindo.

Deus, como sempre, só apareceu bem depois.



A sociedade torturadora de bebês

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Sabino (autor do blog A Lógica do Sabino) é a prova viva de que inteligência e religiosidade não são, necessariamente, atributos incompatíveis. Suponho eu que seja ele, também, uma pessoa muito decente e boa. Tão decente e tão boa a ponto de nunca pensar em cumprir todas as ordens do Deus esquizofrênico que ele diz seguir. Quero crer que Sabino nunca reuniria uma turba de cristãos para apedrejar até à morte um homem que estivesse trabalhando no dia de sábado, por exemplo. E quero crer, também, que ele deve ter uma boa desculpa para não fazer isso, visto que foi o próprio Deus que deu tal orientação [Números 15:32-36].

Um bom motivo para o Sabino não seguir essa ordem maluca do Deus cristão é o fato de que, se o fizesse, ele seria preso por formação de quadrilha e homicídio triplamente qualificado. Isso me parece um bom motivo, mas, recentemente, ouvi outro de um teólogo:

“Os autores dos livros sagrados não psicografaram a Bíblia. Foram inspirados por Deus a escrever os textos, daí terem colocado neles suas limitações intelectuais, seus costumes e sua moral.”

Como já escrevi em outros posts, o crente segue certos versículos bíblicos à risca, como se fossem uma verdade incontestável e imutável, a letra fria da lei, a palavra viva do seu Deus; já outros versículos (quando não livros inteiros, como o de Jó) são considerados alegóricos ou poéticos; e outros tantos eles dizem ser relacionados apenas à época em que foram escritos, sem efeito nos dias de hoje. E acho que muitos dão graças a Deus por isso, porque aquele papo de Jesus Cristo de ter que se desfazer de tudo e sair por aí pregando o Evangelho para ser salvo seria algo que eles não iriam dar muito crédito mesmo.

— A cobra falante?

— É uma alegoria, Barros… Afffff…

— É pra apedrejar a mulher que trai o marido?

— Não, Barros, isso era o costume da época.

— O dízimo…

— Tem que dar o dízimo sim. É sagrado. Está na Bíblia. E a Bíblia é a palavra de Deus.

Não sei como nunca sugeriram ao Vaticano reimprimir o livro sagrado católico com o texto indicando, em itálico, o que é alegoria, em vermelho, o que não deve mais ser aplicado atualmente, e, em negrito, a palavra imutável de Deus… Acho que ficaria mais fácil assim.

No meu texto A moral de Deus?, Sabino fez um comentário na mesma linha do jogo de palavras de Tomás de Aquino, segundo o qual só se pode atribuir uma gradação a uma qualidade se você fizer referência a um máximo dessa qualidade, que seria, no caso, Deus. Dizemos que alguém é bom, ou muito bom, porque comparamos com a bondade suprema de Deus. (?)

Sabino me questiona sobre o critério que usei para dizer que machismo, sexismo e racismo são atributos deploráveis. Isso me lembra um outro comentário de um conterrâneo do Sabino, o Mats. Ele me disse, certa vez, que, se não fosse Deus, poderíamos fazer qualquer coisa, até torturar bebês, pois não haveria um padrão pelo qual se pudesse dizer que torturar bebês fosse uma coisa errada.

Eu gosto de conversar com crentes. Só me enche de orgulho e alívio por ser ateu. Parece que os religiosos acham que seríamos monstros sobre a Terra se não fosse o Deus deles. Seríamos canibais, estupraríamos as nossas mães, torturaríamos bebês…

Vou me esforçar ao máximo para deixar o meu orgulho ateu de lado e explicar, da forma mais direta possível, por que não precisamos de nenhum deus para sermos bons, por que não é Deus que nos impede de torturar bebês.


[Clique aqui para a continuação ]

“Eu” queria ter dito isso!

Dos comentários da seleção dos meus melhores textos sobre o Inferno, que você pode ler Aqui, eu copiei e colei o texto abaixo, de autoria do leitor Matheus Sisdeli, em resposta aos comentários lá postados. É o tipo de resposta bem dada que eu mesmo gostaria de ter dado, mas… a César o que é de César:

 

“Leonardo, eu também não peço ajuda a nenhum entidade sobrenatural, na verdade faço o mesmo que você, vou a uma entidade natural: o médico, o farmacêutico ou minha mulher.

Aproveitando eu queria propor um teste de fé seu: nunca mais recorra a remédios para solucionar seus problemas, recorra apenas a deus ou aos santos. Você confia realmente em deus? Topa?

Nós, com ou sem deuses continuamos sendo nada além de hominídeos criativos, alguns tanto que pensam ser o motivo principal da existência de todo o cosmos. Quanta arrogância hein?

Billy, antes de te responder preciso esclarecer as premissas:
1º Você pode me provar a existência da alma?

Se você conseguir isso já será um feito extraordinário, muito além da teoria da relatividade. Mas ainda faltaria a outra:

2º Após provar existência da alma, você precisará provar que ela é transcendente à morte do corpo, ou seja, provar que a alma não morre com a “carcaça”.

Te adianto que já faz alguns bons séculos que tentam isso e ainda não conseguiram. Mas, pelo visto você tem fé, manda bala ;)

Mas se você quer saber o que temos de fatos comprovados a cerca disso, a biologia e a química podem te ajudar. A sua vida acaba com a morte, após seu organismo entrar em colapso e parar de funcionar, sua vida termina. Isso eu posso te provar. O resto meu caro é pura especulação.”

O problema do tempo

Um leitor argumentou nos comentários do meu texto “O universo veio do nada?” que só há estas duas hipóteses: ou “o universo criou-se a si próprio”, ou “foi feito por Alguém que existe além do universo”. 

Uma afirmação dessas precisaria começar com algo do tipo “Na minha opinião”, ou “Eu só consigo enxergar”, para que não parecesse arrogante, mas o meu leitor não se preocupou com isso. E, além do mais, nota-se que esse argumento é bastante fraco, visto que será invalidado se alguém conseguir imaginar só mais uma hipótese para a existência do universo, como, por exemplo, “O universo sempre existiu”. Já seriam três hipóteses, não apenas duas; e o argumento do meu leitor teria ido pro espaço. 

Sim, você poderá achar muito inconveniente pensar que o universo sempre existiu, mas estamos falando de um monte de átomos que não pensam, não operam milagres, não atendem preces, nem têm superpoderes. Tem gente que acredita que coisa muito mais complexa do que um monte de matéria sempre existiu, então, não há por que não atribuir a mesma prerrogativa a algo infinitamente mais simples. 

Só que, aqui, nos deparamos com um probleminha quase que filosófico, acho eu. Se o universo sempre existiu, haveria uma quantidade de tempo infinita para “trás”, de forma que nunca haveria chegado o momento em que a vida surgiu. Veja: se você pudesse se deslocar no tempo, a partir de hoje, para o passado infinito, você jamais chegaria ao início dos tempos, justamente porque sempre haveria para onde ir no passado, e isso ficaria cada vez mais distante do momento no tempo de onde você partiu. Ora, se você não consegue alcançar o início dos tempos, o inverso também seria verdadeiro: nunca o “tempo” alcançaria o “hoje”. Logo, nós não teríamos tido um momento de nascimento da vida, porque seria um momento fixo no tempo infinito, com uma eternidade de tempo para trás.  

Para entender isso, é necessário estar com a mente descansada e pensar pouco a respeito de cada vez; do contrário, corre-se o risco de aparecer na sua cabeça aquela mensagem inconveniente do Windows: “Este cérebro executou uma operação ilegal e será fechado”. 

O mesmo raciocínio se aplica a um suposto criador do universo, que fosse eterno. Se ele criou o universo num determinado instante “t”, esse momento jamais teria chegado, pois haveria uma quantidade de tempo infinita antes de “t”, para qualquer que fosse o “t” escolhido. 

A teoria do Big-Bang resolve isso admitindo-se que não havia “tempo” até aquele evento. Logo, não havia “eternidade” para trás. O tempo originou-se com o universo. 

Obviamente, eu não sei como o universo foi criado, nem se foi criado. O que eu sei é que não há evidência alguma de um Criador. Isso é o pensamento de um ateu. O agnóstico — como o leitor que fez o comentário em pauta disse que é a condição para a qual eu oscilo quando pressionado  é aquele que se abstém de discutir o assunto, e mesmo de pensar nele, por não haver nenhuma evidência nem de que há, nem de que não há Deus algum.

Claro que o religioso não pensa assim, mas o grande problema da fé em Deus é que todas as evidências que, supostamente, apontam para a sua existência são fruto da vontade de “ver” uma evidência, e não da evidência em si.


O universo veio do nada?

Nos comentários do meu último texto, um leitor perguntou: “Não te incomoda nem um pouco acreditar que o universo todo veio do nada?” 

Não, meu leitor, isso não me incomoda nem um pouco, justamente porque não “acredito” que o universo veio do nada. Eu não sei como o universo surgiu, nem “acredito” que tenha surgido do nada, pois acreditar é crer sem provas; acreditar é ter fé. Também não acredito que o universo foi criado por mágica, o que me parece algo tão absurdo quanto ter surgido do nada. Mas mesmo sem “crer” que o universo tenha surgido do nada, não dou o direito aos religiosos de caçoarem dessa hipótese, pois eles, aparentemente, querem dar a entender que a mágica divina é uma explicação mais palatável, quando não é. Não é mesmo! E, afinal de contas, no mito da Criação, diz-se que Deus criou o universo onde nada havia exceto o próprio Deus. Logo, se você admite a existência de Deus, terá que admitir, também, que ele criou o universo “do nada”. 

O religioso tem a tendência recorrente de atribuir ao ateísmo uma condição idêntica ao teísmo, só que com o sinal invertido. Eles fazem isso para tornar mais fácil a tarefa de combater as ideias ateístas, uma vez que pode-se argumentar que ateus também creem em algo, só que esse algo não é o Criador. Um líder religioso pode, então, pregar o sermão do “crença por crença, fiquemos com Deus”, e seu rebanho não se importará em manter a fé que tem. 

Então, ficamos assim: os cientistas têm suas hipóteses, os religiosos têm a fé, e eu não tenho nada. Entretanto, ninguém tem a resposta. Todos podem alegar ter respostas, mas é só uma alegação: não é a verdade. Não sabemos como tudo se deu. Mesmo se cientistas acompanhassem, hoje, o surgimento de um novo universo, não poderíamos concluir, com certeza plena (vale o pleonasmo), que o nosso teria surgido do mesmo modo.  

O que diferencia drasticamente a ciência da fé, a meu ver, é a preguiça. Os cientistas sempre trabalharam duro para tentar encontrar “a” resposta. Ela nunca veio e, talvez, nunca venha, mas eles trabalham. O religioso não quis saber disso: inventou a dele.  

As primeiras palavras da Bíblia tratam, justamente, da criação de tudo o que existe. Alguém, em algum momento, resolveu deixar escrito um dos vários e vários mitos que diversas culturas produziram ao longo dos séculos, antes da invenção da palavra escrita, e que continuaram a produzir depois dela. O que fez esse relato se juntar a outros tantos relatos e transformarem-se num único livro, que tornou-se o mais famoso do mundo, não tem o poder de fazer o mito inicial deixar de ser mito. Não importa quanto tempo passe, nem quantas pessoas acreditem nele.

 


A flecha e o alvo

Ora, ora, ora, pois que me peguei lendo vários comentários dos leitores dos meus textos e minhas respostas a eles e me descobri fazendo algo que havia me prometido não fazer… A promessa está aqui no meu post Aleluia, Sócrates!!!

Éééé… “promessas são como vasos de barro: fáceis de fazer, fáceis de quebrar”. 

Mas, enfim… Ponto, parágrafo.

Lendo esses comentários, percebi que uma leitora minha, outro dia, ameaçou-me com o Inferno. Mais recentemente, suspeitou que eu estivesse doente, ou coisa pior, já sendo vítima da “justiça divina”. 

Isso me fez pensar que ter fé é algo muito bom, pois nunca deixa você errar. Nunca. Veja só:

1. Se eu ganhasse, amanhã, um prêmio milionário numa loteria qualquer e vivesse os próximos oitenta anos numa vida repleta de conforto, saúde, alegrias, realizações, etc., mas não mudasse absolutamente as convicções que fizeram essa leitora ter pensamentos tão mesquinhos com relação ao meu bem-estar, acho que poderia arriscar dizer que ela se convenceria de que eu iria para o Inferno, pois, segundo augurou o próprio Jesus Cristo, eu já teria tido minha recompensa nessa vida. A outra seria toda no chicote!

2. Se, entretanto, em vez de ganhar um prêmio na loteria, eu ganhasse uma queda de escada que me deixasse tetraplégico, essa mesma leitora diria que isso teria sido “a justiça de Deus agindo”.

Percebeu? De um jeito ou de outro, Deus vai me punir. De um jeito ou de outro, a fé, ou melhor, o desejo que ela tem que eu sofra bastante — nessa vida ou em outra — irá se realizar… Não é de admirar que os religiosos venerem tanto o seu Deus na mesma proporção que o temem. Ele não é como o Barros. Deus realmente cumpre suas promessas.

Mas isso me faz lembrar de outra frase para pôr entre aspas:

“O crente dispara um flecha e pinta um alvo em volta do ponto onde ela foi se fincar. Depois ele olha para você e diz:

‘Viu só? Bem na mosca!’

1ª SEMANA DO LEITOR

Gostaria de receber textos dos leitores, para publicação aqui no blog, durante essa semana, sobre o seguinte tema: “Minha Deusilusão“.

Nele, o leitor vai fazer um relato sobre como foi que se deu o seu “despertar”, como que se descobriu um ateu. Eu dei o meu “testemunho” na segunda parte do DEUS, ALICE E A MATRIX.

Você pode ler esse texto para entender o que estou pedindo.

Talvez (muito provável) eu não possa publicar todos os textos que receber, mas selecionarei, pelo menos, 7. Acho que já será uma boa amostra e darei aos meus leitores um pouco de descanso da rotina dos meus próprios textos… Além do que poderemos comentar as experiências uns dos outros.

Os textos serão publicados na íntegra e terão, obviamente, a identificação do autor. Só peço que não sejam muito grandes. Usem os meus próprios como referência de tamanho.

Não envie o texto como anexo. Cole-o no corpo do email e mande para deusilusao@email.com

Já estou aguardando o seu…

Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?rl=mp&uid=11565538667166540601

Inferno – Dia 6

Transcrevo fielmente abaixo a definição de Inferno que uma leitora me enviou por email:

 

“Afinal, o que é inferno, qual o seu real Sentido? A palavra inferno significa: sepultura, túmulo, catacumba, cova etc. Inferno era um lugar que ficava mais precisamente no Vale de Hinom, um vale ao Sul de Jerusalém, divisa entre Judá e Benjamim. O Vale de Hinom era o local onde o povo de Israel oferecia sacrifícios humanos, de criancinhas, ao “deus” Moleque, então Deus determinou que aquele vale seria chamado de “vale da matança” Veja algumas referências onde se pode confirmar estas informações: (Jeremias 7:31-32, 19:6, 32:35; II Crônicas 33:6).

“Mais tarde este vale passou a ser chamado de inferno usado para queimar o lixo da cidade de Jerusalém e também eram lançados cadáveres dos malfeitores condenados à morte, assim como carcaças de animais. Lá tudo era comido pelos vermes ou destruído pelo fogo, lá se borrifava tudo com enxofre e se botava fogo por este motivo o fogo e a fumaça existiam ali constantemente.

“O inferno era também um lugar onde se queimava os corpos dos transgressores da lei de Moisés, portanto, dependendo da transgressão, o infrator era julgado pelo Sinédrio judaico e condenado à morte, seja por apedrejamento ou crucificação e, após este ato, incinerado fora da cidade. Sabe-se que um cadáver em decomposição produz micróbios e estes atuam no processo de degeneração da carne. E por isso que Jesus ensinava aos judeus que se eles não seguissem os ensinamentos de Moisés seriam lançados no inferno. Veja algumas referências onde se pode confirmar estas informações: (Mateus. 5:22; 5:29-30; 18:9; 23:33). Mateus 18:9Se um dos teus olhos te faz tropeçar, arranca-o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida com um só dos teus olhos do que, tendo dois, seres lançado no inferno de fogo. Em outras palavras, Jesus dizia que é melhor viver em paz, do que ser cremado por transgredir a lei de Moisés.

Nota: Inferno esta sempre vinculado à carne. Esta idéia de que o espírito pode queimar no fogo do inferno, é de certa forma pueril, ou seja, uma infantilidade. Como pode algo imaterial ser queimado? Toda religião que ameaça, aos filhos de Deus que são salvo para sempre (Efésios 2:8) ao invés de consolar, está no caminho errado. Um lugar chamado igreja deve servir como base de paz para o consolo dos seres humanos, nos momentos de angústia, nos momentos de dor e sofrimento. Jamais ser usado para ameaçar.

“Como cristão da graça de Deus não tenha medo de questionar. Não aceite as coisas pacificamente só porque foram impostas como um dogma religioso. Busque a verdade, sempre, e a verdade te libertará. Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo. Receba na sua vida abençoado de Deus essa palavra Filipenses 3:20.”

O Deus da Bíblia

Um leitor meu, muito inteligente e devoto, ficou divinamente enfurecido quando eu afirmei, em resposta a um comentário dele, que “tudo o que ele sabia sobre Deus vinha da Bíblia”. Ele, a princípio, suspeitou que eu me achava detentor de poderes sobrenaturais (Ha-ha-ha!), pois como eu poderia alegar saber tal coisa?

Pedi, então, que ele me dissesse uma única coisa que soubesse sobre Deus nas seguintes condições:

1. que não viesse da Bíblia;

2. que não viesse de sua doutrinação religiosa, imposta por pessoas já doutrinadas, que acreditavam na Bíblia;

3. que não viesse de qualquer outra fonte que se enquadrasse nas condições acima.

Meu leitor se saiu com esta:

“Diz-me alguma coisa sobre o passado dos teus pais que:

1. não te tenha sido dito por alguém;

2. ou que tu tenhas lido em algum lugar.

Respondendo à tua pergunta: a esmagadora maioria das coisas que eu sei de Deus enquadra-se nas opções que puseste em cima. Será que isso as torna falsas?”

Eu acho que o trecho “a esmagadora maioria” poderia muito bem ter sido substituído por “tudo”, afinal, eu pedi só uma coisa. Logo, ele poderia ter escolhido uma que estivesse fora da “esmagadora maioria”. Mas não procedeu assim, nem admitiu que eu estava certo, porque religiosos não aceitam perder um debate. Nem uma guerra. De que serviria ter um Deus que não lhes dá vitórias?

“Será que isso as torna falsas?” Não; não obrigatoriamente. Mas não era esse o ponto. A questão era que eu disse algo que havia sido refutado e que, depois, foi confirmado. Pela mesma pessoa! Será que eu tenho mesmo poderes sobrenaturais? Ha-ha-ha de novo!

“A esmagadora maioria das coisas” que eu sei sobre o passado dos meus pais eu soube por eles próprios. Que se conheceram durante um velório, por exemplo. Não vejo razão nenhuma para duvidar de que isso seja verdade, mas, se alguém me dissesse que eles haviam se conhecido numa “quermesse”, eu poderia querer saber como esse alguém sabia disso, que provas tinha e tal. Se fosse apenas palavra por palavra, eu ficaria com a versão dos meus pais. Eu teria Fé no depoimento deles. Acreditaria que a versão do velório seria a verdadeira.

Entretanto, eu não precisaria viver toda a minha vida em função disso, porque, em termos práticos, que diferença faz? Graças ao defunto, ou ao padre que organizou a quermesse, as coisas aconteceram e eu nasci.

O que se poderia contra-argumentar é que “existe” uma versão verdadeira. A Verdade não me interessaria? Nesse caso, especificamente, não, mas, de novo, não é esse o ponto. A questão é que, sobre o Deus que está dentro da Bíblia, as pessoas que acreditam nessa versão querem porque querem que todos acreditem nela também. A versão deles é, presumidamente — embora sem nenhum fundamento — , “A” verdadeira.

Há pessoas que têm outra versão e há quem não precise de versão nenhuma. Mas, curiosamente, esses nunca queimaram ninguém vivo, nunca fizeram Inquisições, nunca ameaçaram criancinhas com torturas eternas, nunca fizeram guerras não santas, nunca fizeram Cruzadas, nunca explodiram carros-bomba, nunca exterminaram ninguém.

Você só deve esperar esse tipo de coisa dos que creem em Deus. Porque ele, assim como o Alá do Corão, manda que os incrédulos sejam eliminados. E os que creem acham isso por demais conveniente, afinal, seria uma maneira de não precisar confrontar essas opiniões incômodas de que tudo aquilo em que eles acreditam é pura invenção. 

Como diz Alá: quando a “Palavra” não surtir efeito, use a espada!


Deus é negro, cego e toca piano

Algumas pessoas religiosas escreveram coisas muito interessantes nos comentários dos meus textos.

Uma moça, ou senhora, argumentou que eu não deveria ser tão intolerante. Espero que ela procure no dicionário o significado da palavra “intolerante” e leia meus textos de novo. Aceitarei suas desculpas. Só que duvido muito que ela peça desculpa por isso: “eu sinseramente fico fezliz com a inteligência de DEUS que vai permitir que vç apodreça no INFERNO“. Respondi a ela, também nos comentários, que talvez “o seu Deus Todo-Bondade tenha construído o Inferno na intenção de que eu fosse torturado lá durante toda a eternidade; portanto, não deverá permitir meu ‘apodrecimento’ como você tão alegremente sugeriu“.

Mas, parece, eu estava errado: “E vç vai apodrecer sim no INFERNO, mas vai continuar vivo não vai morrer lá. Essa é apunição que o Senhor meu DEUS vai dar a vç“. Acho muito interessante como uma “reles mortal” pode estar tão certa acerca das ações futuras de um ser tão poderoso e tão… ausente, digamos assim.

Outro leitor contestou minhas ideias de “dogma”: “O que você chama de dogmas religiosos, na verdade, são verdades que estão *acima*, isto mesmo, *acima* da ciência. Por exemplo: a ciência não conseguiu descobrir como, durante uma missa celebrada na cidade italiana de Lanciano, um pedaço de pão se tornou carne. Mas foi constatado pela NASA, a pedido da Igreja, que aquele pedaço de pão havia, de fato, se convertido em carne humana.”

Bom, eu acredito — sim, ateus também têm fé — eu acredito que ele tenha lido isso na Internet; talvez no mesmo site que apresenta as “provas” de que o homem não pisou na Lua. Em todo caso, é muito triste imaginar a sorte desperdiçada pela Igreja de ter um físico da NASA, ou um engenheiro encarregado de projetar os sistemas de propulsão dos foguetes, assistindo à missa no dia desse milagre, que pudesse tê-lo comprovado dizendo: ”– É, realmente, essa hóstia se transformou em carne. Um pouquinho sem tempero, é verdade, mas é carne, sim“, e não ter aproveitado a oportunidade e, já que estavam fazendo uma experiência tão importante dessas para a fé cristã, que tão certamente calaria a boca de ateus com eu, ninguém ter lembrado de, aproveitando-se a heresia do teste já começado nesse ritual canibalístico, fazer também um exame de DNA. Já pensou? Deixar a ciência anunciar que “aquele pedaço de carne humana” tinha uma dupla-hélice composta apenas pelos genes de uma mulher?! Que revolução!!! Como que os padres esqueceram de pedir à NASA para fazer isso também???!!! E, aproveitando, não se deveria supor que “toda” hóstia consagrada se transformasse no corpo de Cristo e não só, especificamente, aquela uma da cidade italiana de Lanciano?

Meu leitor continuou: “Normalmente eles [os ateus] pensam que a Igreja vive lançando dogmas na mesma velocidade que Paulo Coelho publicaria suas historietas. [Não é verdade, não pensamos isso. Paulo Coelho escreve infinitamente mais rápido] Não é verdade. Também não é verdade que os dogmas são “empurrados goela a baixo” no povo. [É verdade sim: eu fiz catecismo também] Muito pelo contrário: o dogma, muitas vezes, é tão somente o reconhecimento eclesiástico de crenças fundamentadas que já fazem parte da tradição popular religiosa (por exemplo: o dogma da Maternidade Divina de Nossa Senhora, reconhecido em 430 d.C.)”

“Crenças fundamentadas”? Em quê? Hoje em dia, se meu pai quisesse ter a certeza de que eu sou, realmente, filho dele, poderia encomendar um teste de DNA. Agora: como é que 1.600 anos atrás, as pessoas fundamentaram o que quer que seja para dizer que um judeu, que viveu 4 séculos antes deles próprios, era filho de uma determinada mulher? E mais: que era filho “apenas” dela?

Meu leitor apelou para a “lógica”:

O dogma da Maternidade Divina procede de uma afirmação lógica:

Premissa 1 -Maria é mãe de Jesus.
Premissa 2 – Jesus é Deus.
Conclusão – Maria é mãe de Deus.

Você, ao que me parece tão amante da ciência e da lógica, não deve ter dificuldade em entender o que expus acima“.

Realmente: não tive dificuldade nenhuma. Isso se chama Sofisma: “Argumento ou raciocínio concebido com o objetivo de produzir a ilusão da verdade, que, embora simule um acordo com as regras da lógica, apresenta, na realidade, uma estrutura interna inconsistente, incorreta e deliberadamente enganosa”. Isso segundo o dicionário Houaiss.

Isso é Lógica:

1. O ser humano é mortal.

2. Eu sou um ser humano.

3. Logo, eu sou mortal.

Agora compare:

1. Maria é mãe de Jesus. [Suposição]

2. Jesus é Deus. [Suposição]

3. Maria é mãe de Deus. [A conclusão está correta, mas se baseia em premissas infundadas, não demonstráveis, ou, no mínimo, duvidosas.]

A valer a sua lógica cristã, você teria que aceitar essa:

1. Deus é amor.

2. O amor é cego.

3. Stevie Wonder é cego.

4. Logo, Stevie Wonder é Deus.

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