O Diário de Anne Frank

Anne-Frank

Nunca me interessei em ler O DIÁRIO DE ANNE FRANK até semana passada, quando meu irmão me apareceu com um volume muito bem encadernado em que se lia na capa: edição definitiva. Meu irmão me explicou que aquela era a edição completa do diário, e que todas as outras em circulação tiveram vários trechos censurados pelo pai da menina, dono dos direitos autorais. Que trechos eram esses?, eu quis saber. Trechos que falavam de pessoas que, ainda vivas na época, não autorizaram que o livro as mencionasse; bem como os que traziam Anne relatando uma aventurazinha homossexual, a descrição detalhada de sua vulva e seus encontros eróticos com o rapazinho que também estava escondido no Anexo Secreto.

Peguei o livro emprestado do meu irmão e comecei a leitura imediatamente. Já nas primeiras páginas, entretanto… eu percebi que havia alguma coisa muito, mas muito errada ali. Se você já leu BLINK ou, como eu, passou toda a adolescência lendo e relendo as aventuras de Sherlock Holmes, saberá identificar a sensação de alerta que o seu cérebro lhe envia num piscar de olhos. E o meu cérebro, assim como os meus olhos, foram treinados à exaustão, anos a fio, por nada mais nada menos que Sir Athur Conan Doyle. Se isso não bastasse, eu também sou escritor, e um escritor enxerga os textos de forma um tanto diferente daquele que apenas os consome.

O diário de Anne Frank que todo o mundo conhece é uma fraude; não foi escrito por ela.

Eu, na minha petulância, achei que tinha feito uma descoberta e tanto, mas, durante os três minutos em que larguei o livro para fazer uma rápida pesquisa na internet, descobri que essa suspeita foi levantada tão logo O Diário foi publicado, e que o pai de Anne, Otto Frank, foi processado em Nova Iorque, no começo da década de 1960, pelo jornalista e escritor americano Meyer Levin, ao qual foi condenado a pagar cinquenta mil dólares pelo trabalho de ter escrito o diário de sua filha.

Mesmo assim, eu li todo o livro em dois dias, só mesmo por curiosidade. Mas fiquei o tempo todo pensando: se, na nossa época, alguém pode fraudar algo tão fácil de ser desmascarado (como eu desmascarei em poucos minutos) e mesmo assim a verdade continua inacessível à grande parte das pessoas, o que pensar, então, de uma estória da carochinha que se espalhou por todo o mundo sobre um judeu-mágico que viveu há dois mil anos?

Como as pessoas podem ser tão cegas? Isso eu não posso responder, mesmo que meus olhos tenham sido treinados por Conan Doyle na arte de desvendar fraudes. Mas eu sei como elas podem ser tão gananciosas, e sei como a ganância torna as pessoas petulantes, assim como eu. Em 1980, Otto Frank processou, na Alemanha, dois jornalistas que escreveram matérias denunciando o embuste que o estava tornando novamente rico. Após os tribunais alemães submeteram os quatro volumes originais do diário a peritos em grafologia, chegou-se à conclusão de que todo o diário havia sido realmente escrito por uma mesma pessoa, e foi dado ganho de causa aos jornalistas. Otto Frank perdeu de novo. E, de novo, a fraude foi revelada.

“Como?”, você pode estar se perguntando…

Elementar, meu caro Watson! Todo o suposto diário de Anne Frank havia sido escrito com caneta esferográfica, que não haviam sido inventadas até 1951.

Anne Frank morreu de tifo, num campo de concentração nazista, em 1944. 


A Divina Revelação do Inferno [Republicação]

Em março de 1976, enquanto eu orava em casa, recebi a visita do Senhor Jesus Cristo.”

Mary Baxter

 

Um livro que começasse assim, na minha modesta opinião, só poderia ser uma de duas coisas:

1. Um relato que iria abalar o mundo;

2. Uma obra de ficção como tantas outras.

Depois de tê-lo lido duas vezes e já que não vi nenhuma manchete sobre ele nos jornais, na CNN, na internet, e como a própria autora diz que o livro não é ficção, fui obrigado a expandir a minha classificação para criar uma nova categoria: a das obras literárias escritas por doentes mentais.

A autora americana Mary Kathryn Baxter o escreveu para o mundo como sendo o relato fiel do seu passeio de 30 noites pelo Inferno na companhia de, nada mais nada menos, Jesus Cristo. A senhora Baxter é uma cristã fervorosa e, segundo as próprias informações no fim do livro, a especialidade dela é “na área dos sonhos, visões e revelações”. Também nessa parte, fiquei sabendo que “Quando ainda era jovem, a sua mãe ensinou-lhe sobre Jesus Cristo e a Sua salvação”. Mais um cérebro permanentemente danificado.

O livro valerá cada centavo que você pagar por ele*. Eu me diverti muito. E se você pretende cursar psicologia ou filosofia vai poder usar esse material nas duas áreas, porque ele é uma prova incontestável de que não há limite para a imbecilidade humana. Não estou, necessariamente, referindo-me apenas à autora. Sem dúvida, das centenas de milhares de leitores que o tiveram nas mãos (a edição de 2001 que li estampa, na capa, “600 mil cópias vendidas”), umas tantas almas devem ter acreditado nela e são, por isso, muito mais imbecis, ou os únicos imbecis na história toda, uma vez que a senhora Mary Baxter deve estar colhendo os seus galardões em notas verdinhas já nessa vida.

A seguir, umas tantas amostras grátis. [Transcrição fiel do texto traduzido.]

“Vejo agora que o Senhor estava me preparando para escrever este livro, porque ainda criança, tive um sonho com Deus.” 11

” ‘Vede, Minha filha’, disse Jesus, ‘vou levá-la ao inferno pelo Meu Espírito, para que você possa registrar a realidade dele, para dizer a toda a terra que o inferno é real, e para tirar os perdidos da escuridão para a luz do evangelho de Jesus Cristo.’ ” 16

” ‘Vão!’, disse o demônio maior para os diabinhos e diabos. ‘Façam muita maldade. Destruam lares e famílias. Tentem os crentes fracos, dêem instruções equivocadas e desviem tantas pessoas quanto puderem. Vocês serão recompensados quando voltarem.

Lembrem-se que devem ter cuidado com aqueles que aceitaram realmente a Jesus como o seu Salvador. Eles têm o poder de expulsá-los.’ ” 35

” ‘Iremos para aquela casa hoje e atormentaremos todos os que estiverem ali. Receberemos mais poder do nosso senhor, se fizermos isto certinho. Ó, Sim, causaremos muita dor, doenças e sofrimento para todos eles.’ Aí eles começaram a dançar e a cantar músicas diabólicas em adoração a Satanás, glorificando o mal.

Um deles disse: ‘Temos que observar com muito cuidado aqueles que crêem em Jesus, porque eles podem nos expulsar.’

‘Sim’, disse um outro, ‘No nome de Jesus, nós temos que sair fora.’

Aí, um outro espírito maligno disse: ‘Mas nós não vamos para aqueles que conhecem a Jesus e o poder do Seu nome.’ ” 99-100

“Nessa hora, o homem que estava a esquerda de Satanás levantou o braço e uma luz brilhante apareceu no muro a direita. No muro havia uma tela de cinema, que passava cenas do cotidiano de vários lugares. (…)

Satanás disse: ‘Vá a esses lugares, vivam e ajam como pessoas normais. Engane a muitos, e desviem o maior número possível de pessoas de Deus. (…) Vocês enganarão e levarão muitos a se desviarem da verdade. Vocês irão a todas as partes da terra, farão minha obra e voltarão com relatórios. (…) A sua missão é capturar almas. Vocês podem atrai-las pela feitiçaria, com falsas religiões e seitas. Vocês podem levar os Cristãos mais fracos a cair no pecado da carne. Podem plantar sementes de dúvida sobre a verdade da Palavra de Deus. Podem levar homens e mulheres a se desviarem do Evangelho de Jesus Cristo, e se puderem, a destrui-los.’

Uma estante alta foi trazida para Satanás, que tinha muitos papéis. Ele pegou alguns e começou a ler muitas coisas para as mulheres. (…) ‘Peguem uma alma por semana,’ Satanás continuou: ‘Trabalhem com essa alma a semana toda. Vou lhes dar três semanas para corromper uma única alma, depois disso vocês me dão um relatório.’ ” 65-66

“Jesus falou: ‘Minha filha, algumas pessoas ao lerem o livro que você escreverá, o comparará a uma obra de ficção ou a um filme que viram. Eles dirão que isso não é verdade. Mas, Você sabe que estas coisas são verdadeiras. Você sabe que o inferno é real, porque Eu a trouxe aqui muitas vezes, pelo Meu Espírito. Eu lhe revelei a verdade para que você possa testemunhá-la.’

Perdidos, se vocês não se arrependerem e se batizarem, e crerem no Evangelho de Jesus Cristo, este será o seu fim com certeza.” 133

“Na parte superior da máquina estavam as palavras: ‘Este apagador de mentes pertence a besta, 666.’ ” 144

“A bandeira americana, rasgada e esfarrapada, abandonada no chão.” 142

 

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A DIVINA REVELAÇÃO DO INFERNO. Baxter, Mary K. Danprewan Editora: Rio de Janeiro, 2001. 6a. edição

* O leitor Carlos Mello fez o download do livro em:

http://www.livrodegraca.com/2009/03/divina-revelacao-do-inferno.html

Todo mundo é cético com relação à religião dos outros

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Abaixo, minha tradução do artigo EVERYONE’S A SKEPTIC – ABOUT OTHER RELIGIONS. James A. Haught. In: EVERYTHING YOU KNOW ABOUT GOD IS WRONG. Russ Kick (org.). Disinformation, New York : 2007. p. 16-18.

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Todo mundo é cético — quando se trata da religião dos outros

Religião é um assunto extremamente delicado. Membros de igrejas frequentemente ficam irritados se alguém questiona seus dogmas sobrenaturais. (Bertrand Russell dizia que isso é porque eles, de forma inconsciente, percebem que suas crenças são irracionais.) Assim, eu tento evitar confrontos que possam machucar sentimentos. Quase todo mundo quer ser cortês.

Mas algumas vezes disputas não podem ser evitadas. Se você acha que o reino espiritual é imaginário, e se a honestidade te faz dizer isso, você pode se descobrir sob ataque. Isso aconteceu a muitos descrentes. Thomas Jefferson foi chamado de “ateu uivante”. Leo Tolstoy foi rotulado de “ímpio infiel”.

Bem, se você acabar em um debate, meu conselho é: Tente ser educado. Não se exalte, se você puder. Apele para a inteligência do seu acusador.

Eu estive chocando algumas perguntas que você pode achar úteis. Elas foram elaboradas para mostrar que membros de igrejas, mesmo os mais ardentes devotos, são céticos também — porque eles duvidam de cada sistema mágico que não seja o deles próprios. Se um clérigo repreender você, talvez você possa responder assim:

Você é um descrente, assim como eu. Você duvida de muitos dogmas sagrados. Deixe-me mostrar a você:

Milhões de hindus rezam sobre o pênis da estátua de Shiva. Você acha que existe um Shiva invisível que quer que as pessoas rezem sobre o seu pênis, ou é cético?

Os mórmons dizem que Jesus veio para os Estados Unidos depois da sua ressurreição. Você concorda, ou duvida?

Praticantes do candomblé sacrificam cachorros, cabras, galinhas, etc., e jogam os corpos em rios. Você acredita que os deuses da macumba querem animais mortos, ou você é cético a respeito?

É dito aos homens-bomba muçulmanos que, ao se explodirem, eles se tornarão ‘mártires’, e serão instantaneamente enviados a um paraíso repleto de adoráveis ninfetas. Você acredita que os homens-bomba estão no paraíso com as ninfetas ou não?

Os membros da Igreja da Unificação acham que Jesus visitou o reverendo Sun Myung Moon e disse a ele para converter as pessoas em “Moonies”. Você acredita nesse dogma sagrado da Igreja da Unificação?

As Testemunhas de Jeová dizem que, a qualquer dia, exatamente 144.000 deles serão fisicamente arrebatados para o paraíso, onde eles reinarão com Jesus Cristo. Você acredita nesse ensinamento solene da igreja deles?

Os Astecas esfolavam virgens e arrancavam corações humanos para oferecê-los a uma divindade em forma de serpente emplumada. O que você acha de serpentes emplumadas invisíveis? A-há! Exatamente como eu suspeitava: você não acredita.

É ensinado aos católicos que a hóstia e o vinho da Comunhão magicamente se tornam o corpo e o sangue de Jesus, literalmente, durante os cânticos e toques de sinos. Você acredita ou é um descrente?

O curandeiro Ernest Angley diz que ele tem o poder, descrito na Bíblia, de distinguir espíritos, o que permite a ele ver demônios dentro de pessoas doentes e anjos flutuando nos seus cultos. Você acredita nessa afirmação?

A Bíblia diz que pessoas que trabalham no sábado devem ser mortas (Êxodo, 31:15). Devemos executar trabalhadores de fim de semana ou você duvida dessa escritura?

Num templo dourado da Virgínia do Oeste, adoradores em roupões alaranjados acham que se tornarão um só com Lord Krishna se cantarem ‘Hare Krishna’ muitas e muitas vezes. Você concorda, ou duvida?

Membros da comunidade Portão do Paraíso diziam que podiam se livrar de seus ‘contêineres’ (quer dizer, seus corpos) e serem transportados para um disco voador que viajava atrás do cometa Hale-Bopp. Você acredita que eles estão agora naquela nave espacial ou você é cético a respeito?

Durante a caça às bruxas, padres inquisidores torturaram milhares de mulheres para que confessassem que elas arruinavam as colheitas, faziam sexo com Satanás, etc., e, então, as executaram por isso. Você acha que a Igreja estava certa em fazer cumprir o que diz a Bíblia, “Não deixarás viver a feiticeira” (Êxodo, 22:18), ou você duvida dessa escritura?

Membros de igrejas Espíritas dizem que podem conversar com os mortos durante seus serviços de adoração. Você realmente acha que eles de fato se comunicam com espíritos de pessoas falecidas?

Milhões de pentecostais americanos falam ‘línguas desconhecidas’, um espontâneo jorrar de sons. Eles dizem que é o Espírito Santo, a terceira parte da Trindade, falando através deles. Você acredita nesse dogma, para muitos americanos sagrado?

Scientologistas dizem que cada ser humano tem algo semelhante a uma alma, que é  um ‘Thetan’ que vem de um outro planeta. Você acredita na doutrina deles ou duvida?

Os gregos antigos achavam que a grande variedade de deuses vivia no Monte Olympo, e alguns dos Novos Agers de hoje acham que Lemurians invisíveis vivem dentro do Monte Shasta. Qual sua posição quanto a deuses da montanha: crente ou descrente?

Nas montanhas da Virgínia do Oeste, algumas pessoas obedecem ao ensinamento de Cristo de que verdadeiros crentes podem lidar com serpentes (Marcos, 16:18). Eles seguram cascavéis nos cultos. Você acredita nessa escritura ou não?

Os Thugs indianos acreditavam que a multiarmada deusa Kali queria que eles estrangulassem pessoas em sacrifício. Você acha que há uma deusa invisível que deseja que pessoas sejam estranguladas, ou você é um descrente?

Os budistas do Tibete dizem que quando um velho Lama morre, seu espírito entra em um bebê que acaba de nascer em algum lugar. Então eles permanecem sem líder por uns doze anos ou mais, até que encontrem o garoto que deve ter conhecimento sobre a vida privada do antigo Lama, e eles o ungem como o novo Lama (na verdade o mesmo Lama só que em um novo corpo). Você acredita que Lamas à beira da morte voam para dentro de novos bebês ou não?

Na China dos meados de 1800, um cristão convertido disse que Deus apareceu a ele e lhe revelou que ele era o irmão mais novo de Jesus, e ordenou que ele destruísse demônios. Ele levantou um exército de crentes e travou a Rebelião Taiping que matou cerca de 20 milhões de pessoas. Você acredita que ele era o irmão de Jesus, ou não?”

Etc., etc., etc. Você  entendeu o que quero dizer…

Eu aposto que não há um membro de igreja, seja onde for, que não pense que todas essas crenças sobrenaturais são baboseiras — exceto a única na qual ele acredita.

Pois bem: através de um sem número de teologias, eu acho que você pode estabelecer que o cristão médio duvida de 99% dos dogmas sagrados do mundo. Mas o 1% em que ele acredita não é mesmo em nada diferente do resto. É um sistema de alegações miraculosas sem qualquer evidência confiável que as suporte.

Então, se nós podemos mostrar às pessoas que algumas “verdades” sagradas são malucas, talvez a lógica subconsciente se infiltre, e elas percebam que, se algumas crenças mágicas são irracionais, todas podem ser.

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Bibliografia ateísta

Stitched Panorama

1. “Deus, Um Delírio”, de Richard Dawkins.

2. “O Espírito do Ateísmo”, de André Comte-Sponville, Editora Martins Fontes.

3. “Ateísmo e Revolta”, de Paulo Jonas de Lima Piva, Alameda Editorial;

4. “Deus Não é Grande”, do jornalista Christopher Hitchens

5. “O Relojoeiro Cego”, de Richard Dawkins, Editora Companhia das Letras.

6. “Quebrando o Encanto – A Religião Como Fenômeno Natural”, de Daniel C. Dennett, Editora Globo;

7. “O gene egoísta”. Richard Dawkins

8. “O Capelão do Diabo: Ensaios Escolhidos”, de Richard Dawkins, Editora Companhia das Letras.

9. “Carta a uma nação cristã”. Sam Harris. Companhia das Letras.

10. “Tratado de Ateologia”, de Michel Onfray, Editora Martins Fontes.

11. “Ateu Graças A Deus”. Alfredo Bernacchi (download: http://www.4shared.com)

12. “A Bíblia do Ateu”. Alfredo Bernacchi  (download: http://www.4shared.com)

13. “Sinto Muito… Jesus Cristo Nunca Existiu”. Alfredo Bernacchi (download: http://www.4shared.com)

14. “E Deus perguntou ao ateu”. Alfredo Bernacchi

15. “O evangelho segundo Jesus Cristo”. Saramago.

16. “A Caverna” . José Saramago.

17. “In Nomine Dei”. José Saramago.

18. Cristo Morto. Jean Paul-Richter.

19. “Deus e o Estado”, de Mikhail Bakunin, Editora Imaginário.

20. “O Livro Negro do Cristianismo – Dois Mil Anos de Crimes em Nome de Deus”, de Jacopo Fo, Sergio Tomat e Laura Malucelli. Editora Ediouro.

21. “O Anticristo”, de Friedrich Nietzsche, Editora Martin Claret.

22. “Ecce Homo”, de Friedrich Nietzsche.

23. “O mundo assombrado pelos demônios”. Carl Sagan, Cia das Letras.

24. “Humano, Demasiado Humano”, de Friedrich Nietzsche.

25. “O que Jesus disse? O que Jesus não disse? – Quem mudou a Bíblia e por quê?” Barth D. Ehrman.

26. “O fim dos dias”. Gershom Gorenberg

27. “Por que não sou cristão” e outros ensaios sobre religião e assuntos correlatos. Bertrand Russel.

28. “A Essência do Cristianismo”, de Ludwig Feuerbach. Editora Vozes .

29. “Ateísmo e Liberdade”, de André Dispore Cancian. Editora Ateus.net (comprar em: http://www.ateus.net ).

30. “Confronto de Fundamentalismos: Cruzadas, Jihads e Modernidade”, de Tarik Ali, Editora Record.

31. “Atheism: the case against God” George H. Smith

32. “Sade: um Anjo Negro da Modernidade”, de Gabriel Giannattasio, Editora Imaginário.

33. “Diálogo Entre um Padre e um Moribundo”, do Marquês de Sade, Editora Iluminuras.

34. “Em que creem os que não creem”. Umberto Eco e Carlo Maria Martini.

35. “Ateu Virtuoso: Materialismo e Moral em Diderot”, de Paulo Jonas de Lima Piva, Discurso Editorial.

36. “A Arte de Ter Prazer: Por Um Materialismo Hedonista”, de Michel Onfray, Editora Martins Fontes.

37. “O Homem-Máquina”, de Julien Jean Offray de La Mettrie, Editorial Estampa (editora portuguesa).

38. “Doze provas da inexistência de Deus”. Sebastien Faure.

39. “O Fim da Fé: Religião, Terrorismo e o Futuro da Razão”, de Sam Harris. Editora Tinta da China (editora portuguesa).

40. “Ateísmo e Liberdade”, de André Dispore Cancian. Editora Ateus.net (comprar em: http://www.ateus.net ).

41. “O Ser e o Nada – Ensaio de Ontologia Fenomenológica”, Jean-Paul Sartre. Editora Vozes.

42. “Memória”, de Jean Meslier. Edito 24/07/08 Hanuman

43. “O Sonho de Einstein” – Barry Parker

44. “Ciências versus Pseudociências”, de Paulo Lee, Editora Expoente

45. “O umbigo de Adão” – Martin Gardner, Ediouro

46. “Pensamento crítico e argumentação sólida” – Sergio Navega, Publicações Intelliwise

47. “Servidão Humana” – William Somerset Maugham, Editora Globo

48. “Tratado de Teologia Profana”. Huascar Terra do Valle, editora Alfa Ômega

49. “Reflexões sobre a religião”. Mark Twain, Editora Imaginário

50. “Hipnose – Marketing das Religiões”. Fábio Puentes

51. “Infiel – A história da mulher que desafiou o islã” – Ayaan Hirsi Ali, Cia das Letras

52. “Razão X Religião”. Omar Ferri

53. trilogia “Fronteiras do Universo”, do escritor ateu Philip Pullman: A Faca Sutil e A Luneta Âmbar, ambos da Editora Objetiva. (His Dark Materials).

54. “A Bússola de Ouro”, Editora Objetiva. Livro este que está tendo uma adaptação nos cinemas dos EUA.

55. “Clube da luta”, de Chuck Palahniuk.

56. “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, do escritor Douglas Adams (Editora Objetiva).

57. “O Livro dos Insultos”, do jornalista H. L. Mencken, Editora Companhia das Letras

58. “A Criação”, de Peter William Atkins. Editorial Presença, Portugal.

59. “Nos Bastidores do Vaticano”, de Gordon Thomas e Max Morgan-Witts Editora Record

60. “A Inquisição”, de Baigent e Leight

61. “Não tenho mais fé”, Ruth Tucker

62. “O Futuro de uma Ilusão”, de Sigmund Freud, Editora Imago.

63. “Deus??? Jesus??? A maior MENTIRA!!!”, de Alfredo Bernacchi

64. “O Ímpio”, de Fábio Marton.

65. “Darwins’s dangerous idea”, Daniel C. Dennett.

66. “Big Bang”, Simon Singh.

67. “A Origem das Espécies”, Charles Darwin.

68. “Everything you know about God is wrong”, coletânea de Russ Kick.

69. “Desvendando o arco-íris”, Richard Dawkins.

70. “A mente seletiva”, Geoffrei F. Miller.

Você está aqui

palebluedot

 Isso é aqui. Isso é a nossa casa. Isso somos nós. Nesse pálido ponto azul, todos a quem você ama, todos que você conhece, todos de quem já ouviu falar, cada ser humano que já existiu viveu sua vida. A soma de nossas alegrias e sofrimentos; milhares de religiões, ideologias e doutrinas econômicas infalíveis; cada caçador e coletor, cada herói e covarde, cada criador e destruidor de civilizações, cada rei e plebeu, cada casal de jovens apaixonados, cada mãe e pai, cada criança sonhadora; cada inventor e explorador, cada professor de moral, cada político corrupto, cada superstar, cada “líder supremo”, cada santo e cada pecador da história da nossa espécie viveu ali — naquele grão de poeira suspenso num raio de sol.”

Se Deus tivesse um mínimo de inteligência, teria escolhido gente como Carl Sagan para escrever sua Bíblia. E ela nos teria sido infinitamente mais útil, mais clara e mais bela.

 

Você pode adquirir o livro de graça pelo 4Shared:

um pálido ponto azul

O Alquimista ~ 2 ~

o diário de um mago

Antes da publicação de O Diário de um Mago, que foi o que lhe tornou visível ao leitor brasileiro, Paulo Coelho já havia publicado três livros: O Teatro na Educação, Arquivos do Inferno e Manual Prático do Vampirismo. O primeiro relatava sua experiência ministrando cursos de teatro para estudantes e professores de umas poucas cidades do Centro-Oeste, período em que ele usou seus alunos como cobaias involuntárias para seus experimentos de magia negra, enquanto ainda estava ligado à Ordo Templis Orientis, “uma seita de cunho maçônico, místico e mágico”, segundo sua biografia. Arquivos do Inferno era apenas uma coletânea de textos sobre temas dos mais diversos (exceto o Inferno), incluindo um plágio completo que ele fez de um outro autor. Já o Manual Prático do Vampirismo foi escrito a quatro mãos, mas nenhuma delas era de Paulo Coelho, que pagou a um amigo chamado Toninho Buda, que depois viria a se tornar seu escravo, para escrever os cinquenta por cento que lhe cabia na obra.

Nenhum desses livros deu a menor pinta de que Paulo Coelho veria seu sonho de se tornar um escritor famoso algum dia realizado. Decepcionado consigo mesmo, ele resolveu tirar umas férias prolongadas pela Europa, e foi lá, durante visita a um campo de concentração nazista na Alemanha, que lhe apareceu pela primeira vez a misteriosa figura de seu mentor espiritual; aquele que o iniciaria na ordem religiosa secreta chamada RAM, e ao qual ele sempre se referiu apenas como o Mestre.

Foi seu mestre que lhe ditou uma série de tarefas a cumprir, as ordálias, após o que ele se consagraria mago. Dentre essas tarefas, estava aquela que iria mudar sua vida para sempre: ele teria que percorrer a pé o Caminho de Santiago de Compostela, que liga o sul da França ao noroeste da Espanha, tendo como missão encontrar uma espada que seria escondida em algum lugar dos setecentos quilômetros por onde é feita a peregrinação hoje mundialmente famosa.

Paulo Coelho percorreu o Caminho, embora não completamente, achou a espada e sagrou-se mago pela ordem RAM. Algum tempo depois, ele escreveria um livro contando essa aventura que seria intitulado O Diário de um Mago, que só então lhe concederia autorização para se apresentar como  escritor.

Entretanto, foi com o livro seguinte, O Alquimista, que ele finalmente teve atendidas suas orações que, ao longo de sua vida, dirigiu ora para Deus, ora para o Diabo.  

E como esse já vendeu mais de sessenta e cinco milhões de cópias em todo o mundo, acho que não vai fazer diferença se algumas centenas de exemplares não saírem das livrarias por causa desse meu resumo.

  Um pobre pastor de ovelhas passa a noite com seu rebanho numa igreja em ruínas numa cidadezinha da região de Andaluzia, sul da Espanha. Ele tem um sonho no qual lhe é revelada a presença de um grande tesouro enterrado junto às pirâmides do Egito. O pobre pastor decide, então, vender suas ovelhas, deixar tudo o que tem na vida para trás e ir em busca do seu sonho.

Durante sua jornada por terras estranhas, ele conhece vários personagens que lhe servem de inspiração, ou que o ajudam de alguma forma, ou que apenas lhe põem no caminho certo. Quando, enfim, ele chega ao seu destino e já está escavando a areia em busca do seu prêmio, é surpreendido por um homem que quer saber o que ele está fazendo ali, no meio do deserto, cavando um buraco.

Ao contrário do que qualquer um poderia esperar, ele conta a verdade: estava procurando por um tesouro que lhe foi revelado num sonho. O homem ri da sua tremenda estupidez, e até conta que ele mesmo havia sonhado com um tesouro enterrado numa igreja em ruínas na região da Andaluzia. Mas, claro, ele jamais teria sido tão idiota a ponto de largar tudo para ir ver se o sonho seria mesmo verdade. O pastor volta para sua terra natal, vai até a igreja do início do conto, e lá encontra o seu tesouro.

É isso. Uma fábula até bonitinha, eu achei. Se você quiser ver como ela fica horrível, é só ler o livro que transformou Paulo Coelho num dos escritores mais famosos e mais lido do mundo.

 

O Alquimista ~ 1 ~

o alquimista

“Você não é derrotado quando perde.

Você é derrotado quando desiste.”

(Paulo Coelho - Manuscrito encontrado em Accra)

Responda rápido: o que você sabe sobre alquimia? Eu acho bem provável que o primeiro pensamento que lhe ocorreu tinha a ver com a transformação de chumbo em ouro. Esse não era o único objetivo da alquimia, mas sem dúvida é o que está mais fortemente associado à palavra. E Paulo Coelho não poderia ter escolhido um título mais conveniente para o livro que iria transformar em realidade o sonho que o acompanhou durante toda sua vida: tornar-se um escritor mundialmente famoso.

Eu também sempre sonhei em ser escritor. Mas como eu nasci muito muito pobre, meu primeiro contato com a literatura foi por intermédio de uma amiga da minha mãe, que me emprestou o livro Recordações de um Agente Secreto, quando eu tinha uns doze, treze anos. Lembro que, tendo me apaixonado por uma das personagens, uma garota de catorze anos chamada Léa Nécil (ou coisa assim), e como praticamente não havia cenas românticas entre ela e o garoto que se achava agente secreto, resolvi eu mesmo reescrever todas as cenas em que os dois apareciam juntos.

Pouco tempo depois, um outro livro também faria eu me apaixonar por uma personagem: Helena, de Machado de Assis, que eu achei no lixo de um vizinho, sem capa e contracapa, sujo e desbeiçado. Diferentemente do outro, desse eu não me atrevi a reescrever nenhuma linha. E foi desde esse tempo que venho sonhando em escrever uma história como aquela: apaixonante, e sem precisar de retoques para ser considerada perfeita.

Quando li uma resenha sobre a biografia de Paulo Coelho, logo percebi que, se quisesse realizar o meu sonho um dia, teria que saber o que levou o autor de O Alquimista a conseguir realizar o dele. Li O Mago duas vezes. Seu autor, Fernando Morais (o mesmo de Olga), é um escritor de primeira grandeza, e a vida que levou o seu biografado lhe deu o material necessário para criar uma obra excepcional e também irretocável. Foi a leitura e releitura dessa biografia que me fez segurar um livro de Paulo Coelho pela primeira vez: O Alquimista, que li em dois dias.

Como admitido logo nas suas primeiras páginas pelo próprio autor, O Alquimista se baseia numa fábula persa (presente em As Mil e Uma Noites) sobre um homem rico que ficou pobre e, acreditando num sonho, conseguiu encontrar um tesouro e tornar-se rico de novo. Essa fábula é, como quase todos as fábulas, uma estória envolvente e bem curtinha, com um final surpreendente e inesquecível. O que Paulo Coelho fez foi esticá-la até que ela ficasse com quase duzentas páginas.

Quando ainda fazia parte de uma seita satânica, Paulo Coelho redigiu com uma caneta esferográfica vermelha um pacto com o Diabo, pelo qual ele entregava sua alma em troca de realizar seu sonho de ser um escritor famoso no mundo todo. Lido o contrato e assinado por uma das partes, Paulo Coelho saiu para dar um passeio, mas voltou rapidinho. Como o Diabo ainda não tinha assinado, ele desistiu de vender sua alma, escrevendo por cima do documento, em letras de forma: “PACTO CANCELADO”.

Não pretendo ler mais nenhum livro de Paulo Coelho, porque se todos os outros forem tão ruins quanto O Alquimista, eu seria obrigado a chegar à inevitável conclusão de que Satanás não aceitou o cancelamento daquele contrato.

18 

O Mundo de Sofia

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Vi essa série adorável por duas vezes em 2009, emprestada por um colega de trabalho. Dividida em quatro capítulos com cerca de uma hora de duração cada, é absolutamente cativante desde os primeiros minutos. Como meu irmão ficou interessado em assistir, ele baixou uma cópia da internet e vi novamente com ele no fim do ano passado. Na bienal do livro que se seguiu, não resisti a um lindo volume da Cia. das Letras (abaixo) que acabei comprando para ler a história original na qual a série se baseava.

O livro tem 560 páginas e a leitura precisa ser feita sem pressa de ser concluída. O começo é bem interessante, o meio é um tanto cansativo, e o fim é arrastado e sem graça, se comparado com sua versão cinematográfica. Mas vale a pena ser lido.

Do capítulo Dois Círculos Culturais, extraí umas informações bem interessantes:

Os antigos indianos adoravam o deus celestial Dyaus. Em grego este deus se chama Zeus; em latim, Júpiter (na verdade iov-pater, ou seja, “Pai Celestial”).(p.167)

Quando os reis [israelitas] eram investidos no poder eles eram ungidos pelo povo. Por isso recebiam o título de Messias, que significava “aquele que foi ungido”. No contexto religioso, os reis eram vistos como mediadores entre Deus e o povo. Por isso é que os reis podiam ser chamados de “filhos de Deus”, e o país que governavam, de “reino de Deus”.(p.173)

Resumindo: o povo de Israel vivia feliz sob o reinado de Davi. Quando a situação ficou difícil para os israelitas, alguns profetas começaram a anunciar a vinda de um profeta da casa de Davi. Este “Messias” ou “Filho de Deus” viria para “redimir” o povo, restituir a Israel sua grandeza e fundar um “Reino de Deus”.(p.174)

E então aparece Jesus. Ele não é o único que aparece como o Messias prometido; e, como muitos outros, também ele usa as expressões “Filho de Deus”, “Reino de Deus”, “Messias” e “Redenção”.(p.174)

Os primeiros cristãos começaram então a espalhar a “boa-nova” da redenção pela fé em Jesus Cristo. Através dessa redenção, o Reino de Deus estava próximo.(p.177)

Naquela época, eram as mulheres que mais frequentemente se convertiam ao cristianismo.(p.179)

Uma questão importante dos primeiros anos depois da morte de Jesus era saber se os que não eram judeus precisavam passar pela doutrina judaica antes de se tornarem cristãos. Um grego, por exemplo, teria de observar as leis de Moisés? Para Paulo, isto não era necessário. O cristianismo era mais do que uma seita judaica. Ele se voltava para toda a humanidade através de uma mensagem universal de redenção. A “antiga aliança” entre Deus e Israel fora substituída pela “nova aliança” que Jesus estabelecera entre Deus e todos os homens.(p.179)

Uma pena Jesus, que segundo a concepção dos cristãos desceu à Terra para trazer a mensagem de Deus para a humanidade, ter se esquecido de esclarecer isso...

Sem dúvida, Paulo foi o inventor do cristianismo. Vi um documentário da BBC chamado A história de todos nós que descrevia a “boa-nova” que Paulo levou aos gregos nos seguintes termos:

E aí? Você quer aceitar Jesus e salvar sua alma, ou prefere passar a eternidade no Inferno?

Parece uma abordagem bastante imbecil, mas, vendo a coisa toda dois mil anos depois, eu posso garantir que funcionou.

 

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Leia também o meu plágio: AS  SACOLAS  DE  SOFIA.

A Teoria do Barro (segunda parte)

<< 1ª Parte

Mutações genéticas não precisam estar obrigatoriamente vinculadas à extinção de uma espécie (ou parte dela), como descrevi no meu texto anterior. O que eu quis ressaltar foi o conceito de “seleção natural”. No meu exemplo extremo, os humanos que sobreviveram foram aqueles que tinham mais resistência aos efeitos danosos das radiações solares: uma parcela ínfima da população, composta pelos descendentes de uma tribo do Saara onde se espalhou uma mutação genética. Aqueles que não estavam perfeitamente adaptados às novas condições foram sendo gradativamente “exterminados”. Isso dá a ilusão de que o próprio meio ambiente está “selecionando” quem é melhor adaptado para viver nele. É esse processo que se denomina seleção natural.   

O exemplo que dei também serve para ilustrar o que se resolveu chamar de “sobrevivência do mais adaptado” (ou do “mais apto”). É, mais ou menos, como a “lei do mais forte”, em que o conceito de “força” deve ser substituído por “adaptação ao meio ambiente”. Na minha estória, os membros da tribo do Saara estavam mais adaptados ao meio do que o resto da humanidade, e por isso não foram extintos. Argumenta-se que essa ideia de “sobrevivência do mais adaptado” não esteja completamente correta, porque mutações genéticas podem trazer vantagens não relacionadas exclusivamente à sobrevivência, mas à reprodução.  

A ilustração clássica é a do pavão, que vi pela primeira vez no livro A Mente Seletiva. Acompanhe o raciocínio. Um pavão nas florestas asiáticas teria muito mais chances de ter uma vida longa se pudesse mais facilmente escapar do seu predador: o tigre. Quanto mais vivesse, mais tempo teria para acasalar e gerar descendentes. Uma cauda curta permitiria que o pavão fugisse do tigre mais eficientemente. Logo, os pavões mais adaptados ao meio deveriam ter caudas curtas. Se houve, no passado, pavões com caudas enormes, vistosas e pesadas, certamente tiveram menos condição de escapar dos tigres; viveram menos; geraram cada vez menos descendentes, e acabaram sendo extintos.

Mas a realidade é bem outra. Os pavões têm cauda longa, vistosa e pesada, que demanda uma quantidade enorme de energia para desenvolver e para manter, e que ainda é um estorvo durante uma fuga de um tigre faminto. E eles não foram extintos. Por quê? Porque embora possivelmente vivendo menos tempo do que pavões que tinham caudas curtas, os pavões com caudas grandes e bonitas conquistavam mais fêmeas, acasalavam com mais frequência, e geravam mais descendentes. Esses descendentes, por sua vez, herdavam dos pais a cauda longa, se machos; ou a preferência por acasalar com pavões de caudas longas, se fêmeas. Isso corresponde exatamente à mutação genética sendo passada adiante. Daí que os pavões de caudas mais curtas podiam até viver mais, só que, em compensação, tiveram menos parceiras sexuais ao longo da vida, deixaram cada vez menos descendentes e, com o passar do tempo, acabaram extintos. Esse é o princípio da “seleção sexual”, pelo qual vantagens reprodutivas são tão importantes para uma espécie quanto as vantagens adaptativas.

Agora que estamos por dentro dos conceitos básicos, já dá para entender o que se pode esperar de um livro cujo título é A Origem das Espécies — por meio da seleção natural, e por que os religiosos têm tanta birra dele.     

 

A Teoria do Barro (primeira parte)

Não aparece na capa, mas há um subtítulo para esse livro: “por meio da seleção natural”. Eu menciono isso para poder explicar, de uma forma bastante superficial, o que é mutação, o que é seleção natural, e o que quer dizer, de fato, o título da obra que foi o “Gênesis” de uma das mais brilhantes teorias científicas do nosso tempo: A Origem das Espécies, de Charles Darwin.

Chama-se de “mutação” a mudança nas características genéticas de um indivíduo que pode ser repassada aos seus descendentes. “Seleção natural” é o resultado da interação entre os indivíduos que sofreram aquela mudança e o meio ambiente ao qual pertencem.

Tome o seguinte exemplo, irresponsavelmente concebido por mim mesmo. Digamos que, há muito, muito tempo, um indivíduo de uma tribo do deserto do Saara tenha sofrido uma alteração genética que lhe tornou praticamente imune aos danos causados pelos raios do Sol. Esse indivíduo teve filhos, e eles herdaram aquela “mutação”, bem como os filhos dos seus filhos, e assim por diante, de forma que, com o passar do tempo, quase todos os membros da tribo tinham incorporado aquela mutação aos seus próprios genes.

Lado a lado comigo ou com você, qualquer pessoa daquela tribo em particular não teria, hoje, nada de diferente de nós, além das muitas características que distinguem, por exemplo, um japonês de um indiano, um esquimó de um pescador de lagostas no litoral do Nordeste, ou um carioca de outro carioca. A mutação genética sofrida, portanto, não teria feito nem bem nem mal.

Agora imagine que, nos séculos por vir, além da diminuição da proteção atmosférica da Terra, o Sol passasse a disparar uma quantidade mais intensa de raios nocivos ao ser humano. O que poderia acontecer?

Ora, à medida que as gerações se sucedessem, mais e mais pessoas morreriam vítimas dos mais variados tipos de câncer; mais e mais pessoas teriam descendentes com mutações genéticas terríveis que lhes impossibilitariam a sobrevivência; e mais e mais pessoas morreriam cada vez mais cedo na vida, até mesmo antes de terem seus próprios filhos.

Em alguns milênios, se tanto, o nosso planeta não teria mais, em nenhum lugar, seres humanos iguais a mim e a você, com a nossa mesma “carga genética”. Por infelicidade, no caso, nossos corpos não poderiam contar com uma resistência extraordinária aos raios do Sol, exibida apenas por umas poucas centenas de indivíduos de uma certa tribo do Saara. Esses sortudos, mesmo sem precisar se dar conta disso, teriam sido favorecidos por uma mutação genética que, embora aleatória, possibilitou que eles adquirissem a condição necessária para sobreviver no ambiente em que se encontravam, e, mais importante ainda, passar essa característica para as gerações futuras.

Os que não tinham a mesma condição, como eu, você e os seus descendentes, teriam sido extintos.   

2ª Parte  -  3ª Parte  -  4ª Parte  -  5 ª Parte  -  Parte final

Por que coisas ruins acontecem se Deus é bom?

Não resisti, e deixo abaixo o link para você ler (de graça) um livro excepcional que responde à pergunta-título desse post. Entretanto, se você quiser notar, o título do livro não tem o ponto de interrogação. O autor não se questiona; ele explica!

Imperdível. É só clicar na imagem:


Cristianismo: a doença sexual de Paulo

Segue transcrição fiel (exceto alterações para a nova ortografia) de 6 páginas do livro Tratado de Ateologia, de Michel Onfray, sobre a “farpa na carne” de Paulo de Tarso: ou São Paulo era um brocha, ou um pervertido sexual enrustido.

1. Delírios de um histérico

Paulo apropria-se do personagem [Jesus] e o veste, fornece-lhe ideias. O Jesus primitivo não fala contra a vida. Duas frases (Mc VII, 15 e X, 7) mostram-no sem oposição ao casamento mas nem um pouco fascinado pelo ideal ascético. É inútil procurar suas prescrições rigorosas no terreno do corpo, da sexualidade, da sensualidade. Essa relativa benevolência com relação às coisas da vida é acompanhada de um elogio e de uma prática da doçura. Paulo de Tarso transforma o silêncio de Jesus sobre essas questões num tumulto ensurdecedor promulgando o ódio ao corpo, às mulheres e à vida. O radicalismo anti-hedonista do cristianismo procede de Paulo — não de Jesus, personagem conceitual silencioso a respeito dessas questões…

Originalmente esse judeu histérico e integrista gosta de perseguir cristãos e de assistir a seu espancamento. Quando fanáticos apedrejam Estêvão, ele os acompanha. E outros, ao que parece. A conversão a caminho de Damasco — em 34 — é fruto de pura patologia histérica: ele cai de sua altura (não de um cavalo, conforme mostram Caravaggio e a tradição pictórica…), é ofuscado por uma luz intensa, ouve a voz de Jesus, não enxerga durante três dias, não come nem bebe durante todo esse tempo. Recupera a visão depois da imposição das mãos de Ananias — cristão enviado por Deus como missi dominici… Então, coloca-se à mesa, restaura-se e sai pela estrada para anos de evangelização forçada em toda a bacia mediterrânea.

O diagnóstico médico parece fácil de fazer: a crise sobrevém sempre na presença de outras pessoas — é o caso… —, a queda, a cegueira dita histérica — ou amaurose transitória — portanto passageira, a suspensão sensorial — surdez, anosmia, agustia — durante três dias a tendência mitomaníaca — Jesus lhe fala pessoalmente… —, o histrionismo, ou exibicionismo moral — cerca de trinta anos de teatralização de um personagem imaginário, eleito por Deus, escolhido por ele para transformar o planeta —, toda essa crise é idêntica à ilustração de um manual de psiquiatria, capítulo das neuroses, seção das histerias… Eis uma verdadeira histeria… de conversão!


2. Neurotizar o mundo

Como viver com sua neurose? Fazendo dela o modelo do mundo, neurotizando o mundo… Paulo cria o mundo à sua imagem. E essa imagem é  deplorável: fanático, mudando de objeto — os cristãos, depois os pagãos, outro sinal de histeria… —, doente, misógino, masoquista… Como não ver em nosso mundo um reflexo desse retrato de um indivíduo dominado pela pulsão de morte? Pois o mundo cristão experimenta deleitado essas maneiras de ser e de fazer. A brutalidade ideológica, a intolerância intelectual, o culto da saúde ruim, o ódio ao corpo jubiloso, o desprezo às mulheres, o prazer na dor que se inflige a si mesmo, a desconsideração deste mundo por um além de pacotilha.

Baixo, magro, careca, barbudo, Paulo de Tarso não nos dá detalhes da doença de que fala metaforicamente: confia que Satã lhe infligiu uma farpa na carne — expressão dele retomada por Kierkegaard. Nenhum detalhe, a não ser uma vez considerações sobre o estado esfarrapado em que um dia ele aparece para seu público gálata — depois de um espancamento que deixou marcas… De modo que a crítica acumulou durante séculos as hipóteses sobre a natureza dessa farpa. Não se evita o inventário à Prévert: artrite, cólica renal, tendinite, (…, …, …), convulsões, epilepsia… As articulações, os tendões, os nervos, o coração a pele, o estômago, os intestinos, o ânus, as orelhas, os sínus, a bexiga, a cabeça, tudo ocorre…

Tudo menos o registro sexual… Ora, a etiologia da histeria supõe um potencial libidinal debilitado, até mesmo nulo. Distúrbios da sexualidade, uma tendência, por exemplo, a vê-la em tudo, a erotizar exageradamente. Como não pensar nisso quando se lê ad nauseam sob a pena de Paulo um ódio, um desprezo, uma prevenção permanente para com as coisas do corpo? Sua aversão à sexualidade, a celebração da castidade, a veneração da abstinência, o elogio da viuvez, a paixão pelo celibato, o convite a comportar-se como ele — claramente formulado em seus termos na epístola aos coríntios (VII, 8), a resignação a consentir no casamento, certamente, mas no pior dos casos, sendo o melhor a renúncia a toda carne — são sintomas dessa histeria cada vez mais nitidamente visível.

Essa hipótese tem o mérito de corroborar algumas certezas: nenhuma confissão de qualquer patologia que seja. Ora, podem-se confessar sem complexo dores estomacais, reumatismos articulares. As dermatoses invasivas se notam, os soluços repetidos também. É menos de confessar uma impotência sexual que se pode revelar muito parcialmente sob forma de metáfora — a farpa o faz. A impotência sexual ou toda fixação da libido em um objeto socialmente indefensável — uma mãe, um ser humano do mesmo sexo ou qualquer outra perversão no sentido freudiano do termo. Freud vê a origem da histeria na luta contra angústia de origem sexual recalcadas e sua realização parcial sob a forma de uma conversão — no sentido psicanalítico, mas o outro sentido também convém…

Uma espécie de lei parece triunfar eternamente sobre o planeta. Em homenagem ao grande La Foutaine, vamos chamá-la de “complexo da raposa e das uvas”: consiste em fazer de necessidade virtude para não ficar mal. Golpe do destino ou da necessidade, a vida inflige a Paulo de Tarso uma impotência sexual ou uma libido problemática: reação, ele se dá a ilusão de liberdade, autonomia e independência acreditando livrar-se do que o determina, depois afirma que aquilo que se impõe a ele é escolhido e decidido por ele com plena consciência. Incapaz de levar a bom termo uma vida sexual digna desse nome, Paulo decreta nula e insignificante qualquer forma de sexualidade para ele, certamente, mas também para o resto do mundo. Desejo de ser como todo o mundo exigindo do mundo que o imite, donde essa energia em querer dobrar a humanidade toda à regra de seus próprios determinismos…


3. A desforra de um aborto

Essa lógica aparece claramente numa proclamação da segunda epístola aos coríntios (XII, 2-10) na qual ele afirma: “Comprazo-me nas fraquezas, nos insultos, nas opressões, nas perseguições, nas angústias por Cristo! Pois, quando sou fraco, é então que sou forte”. Própria confissão da lógica de compensação em que se encontra o histérico abatido no caminho de Damasco. A partir de sua fisiologia degradada, Paulo milita por um mundo que se assemelha a ele.

Seu ódio a si mesmo transforma-se num vigoroso ódio ao mundo e ao que constitui seu interesse: a vida, o amor, o desejo, o prazer, as sensações, o corpo, a carne, o júbilo, a liberdade, a independência, a autonomia. O masoquismo de Paulo não é mistério nenhum. Ele coloca sua vida inteira sob o signo dos aborrecimentos, vai ao encontro das dificuldades, gosta dos problemas, alegra-se com eles, deseja-os, aspira a eles, cria-os. Na epístola em que confirma seu gosto pela humilhação, faz o balanço do que suportou e sofreu para evangelizar as multidões: cinco flagelações — trinta e nove chibatadas a cada vez… —, três espancamentos com varas, uma vez apedrejado em Listra na Anatólia — lá quase lhe tiram a pele, é largado no chão como morto… — três naufrágios — um dia e uma noite passados na água gelada —, sem falar nos riscos aferentes das viagens por estradas infestadas de banidos, na travessia perigosa dos rios, no cansaço das caminhadas sob o sol de chumbo, nas vigílias frequentes, nos jejuns forçados, na falta de água, no frio das noites anatolianas. Acrescentemos permanências na prisão, dois anos de fortaleza, o exílio… Para regalo do masoquista!

Às vezes ele se vê em situações humilhantes. Assim na ágora de Atenas onde tenta converter filósofos estoicos e epicuristas ao cristianismo falando-lhes da ressurreição da carne, uma inépcia para os helenos. Os discípulos de Zenão e de Epicuro riem-lhe na cara. Ele se submete às zombarias sem retrucar… Outra vez, para escapar à vindita popular e à fúria do etnarca de Damasco, ele se evade escondido numa cesta que é baixada pelas muralhas da cidade. Como o ridículo não mata, Paulo sobrevive…

Esse ódio a si mesmo Paulo transforma em ódio ao mundo — para viver com ele, desfazer-se um pouco dele, colocá-lo à distância. A inversão do que o atormenta passa então a assombrar o real. O desprezo do indivíduo Paulo por sua carne incapaz de estar à altura do que se pode esperar dele torna-se um descrédito geral de toda carne em geral, de todos os corpos e de todo o mundo. Aos coríntios ele confessa: “mortifico meu corpo e o arrasto em escravidão” (1 Cor IX, 27); à humanidade ele pede: mortifiquem seu corpo e arrastem-no em escravidão. Façam como eu…

Daí  um elogio do celibato, da castidade, da abstinência, sabe-se. Não se trata de Jesus, mas da desforra de um aborto — conforme ele denomina a si mesmo na primeira epístola aos coríntios (XV, 8). Incapaz de ter acesso às mulheres? Ele as detesta… Impotente? Ele as despreza. Excelente ocasião para reciclar a misoginia do monoteísmo judeu — herdada pelo cristianismo e pelo islã. Os primeiros versículos do primeiro livro da Bíblia dão o tom: o Gênese condena radicalmente e definitivamente a mulher, primeira pecadora, causa do mal no mundo. Paulo retoma por sua conta essa ideia nefasta, mil vezes nefasta.

Daí  as proibições de que são alvo em toda a literatura paulina, epístolas e atos; daí também os conselhos e opiniões dados pelo Tarsiota sobre a questão das mulheres: definitivamente fraco, o destino desse sexo é obedecer aos homens em silêncio e submissão. As descendentes de Eva devem temer seus esposos, não ensinar nem fazer a lei ao pretenso sexo forte. Tentadoras, sedutoras, elas podem esperar a salvação, certamente, mas apenas na maternidade, por ela e para ela. Dois milênios de punições infligidas às mulheres unicamente para expiar a neurose de um aborto!


4. Elogio da escravidão

Paulo o masoquista expõe as ideias com as quais o cristianismo um dia triunfa. Ou seja, o elogio da fruição em ser submisso, obediente, passivo, escravo dos poderosos sob o pretexto falacioso de que todo poder vem de Deus e de que toda situação social de pobre, de modesto e de humilde procede de um querer celeste e de uma decisão divina. Deus bom, misericordioso, etc., quer a doença dos doentes, a pobreza dos pobres, a tortura dos torturados, a submissão dos empregados. Aos romanos que ele louva ensina muito oportunamente no seio do Império a obediência aos magistrados, aos funcionários, ao imperador. Convida cada um a entregar o que é de seu dever: os impostos e as taxas aos recebedores, o temor ao exército, à polícia, aos dignitários, a honra aos senadores, aos ministros, ao príncipe…

Pois todo poder vem de Deus e procede dele. Desobedecer a um desses homens é rebelar-se contra Deus. Daí o elogio da submissão à ordem e à autoridade. Seduzir os poderosos, legitimar e justificar o despojamento dos miseráveis, louvar as pessoas que detêm o gládio, a Igreja instaura uma parceria com o Estado que lhe permitirá desde sua origem estar sempre do lado dos tiranos, dos ditadores e dos autocratas…

A impotência sexual transfigurada em potência sobre o mundo, a incapacidade de ter acesso às mulheres transformada em motor do ódio ao feminino, o desprezo de si mesmo transformado em amor a seus carrascos, a histeria sublimada em construção de uma neurose social, tudo isso é matéria para um magnífico retrato psiquiátrico! Jesus adquire consistência tornando-se refém de Paulo. Insosso, inexistente quanto às questões de sociedade, de sexualidade, de política, obviamente — um ectoplasma não se encarna em oito dias… —, o nativo de Nazaré se define. A construção do mito faz-se cada vez mais nitidamente.

Paulo quando vivo não leu nenhum evangelho. Ele próprio nunca conheceu Jesus. Marcos escreve o primeiro evangelho nos últimos anos da vida de Paulo ou depois de sua morte. Já na primeira metade do século I de nossa era, o Tarsiota propaga o mito, visita uma multidão de homens, conta essas fábulas a milhares de indivíduos, em dezenas de países: na Ásia Menor dos filósofos pré-socráticos, na Atenas de Platão e Epicuro, na Corinto de Diógenes, na Itália dos epicuristas de Campânia ou dos estoicos de Roma, na Sicília de Empédocles, visita Cirene, cidade em que o hedonismo surge com Aristipo, passa também por Alexandria, cidade de Fílon. Por toda parte ele contamina. Logo a doença de Paulo ganha o corpo inteiro do Império…



Livros de graça

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Esses são os livros de Alfredo Bernacchi com distribuição gratuita, agora enviados diretamente por e-mail*:

Ateu Graças a Deus – Religião e ateísmo. 317 pgs. – Biográfico, conta a história religiosa do autor e os motivos que o levaram a essa mudança de filosofia. Um livro que se identifica com o leitor.
Traduzido para o Sistema Braille (leitura para cegos) em Portugal.

O Divino Universo – 46 Pg. totalmente ilustrado com muitas fotos, explicações, dados, valores e história do Universo. Lindo livro para coleção.

Confissões on-line – Relacionamentos. 400 pgs.
Centenas de depoimentos sobre os problemas cotidianos do casal. Meus conselhos sem preconceitos e hipocrisia, buscando soluções.

Recuperando casamentos – Relacionamentos. 300 pgs.
Se você ainda não está comprometida(o) leia esse livro. Se ainda não separou, leia este livro. – Antes…

O mundo e o submundo do prazer – Sexo. 400 pgs. 80 fotos.
Jamais alguém pode imaginar o que contém este livro. Vale a felicidade! Vale uma vida! Vale um milhão de dólares. Não seja bobo de não ler. (não vai por e-mail por causa do peso)

Em se plantando tudo dá – Fruticultura. 250 pgs. 40 ilustrações.
Descomplicando, para só tirar prazer da fruticultura doméstica.

Sinto muito, mas Jesus Cristo não existiu – Religião – ateísmo. 300 pgs. Análise crítica sobre textos de religiosos e outros deixando muito claro que Jesus Cristo é apenas mais um mito.

A Bíblia do Ateu – Religião – ateísmo. 326 pgs. Esse livro, acima de tudo, é um encorajamento aos ateus para assumirem a sua posição filosófica no mundo. Dá dicas de debates, orienta os temas, mostra o pensamento religioso e muitas outras novidades sobre o assunto.

Deus perguntou ao Ateu – Baseado numa entrevista feita no Orkut. Perguntas matreiras, provocadoras e respostas inteligentes e perspicazes. 322 pgs.

Os melhores debates – Ateus X Religiosos – Retirado e selecionado de intensos debates ocorridos em fóruns da Internet. Para refletir e aprender. 309 pgs.

Para bom entendedor, meio Alcorão basta – Deixa claro o que é o islamismo, suas causas e efeitos indesejáveis como o terrorismo. 358 pgs.

Deus??? Jesus??? A maior MENTIRA!!! – Um livro para liquidar a questão, escrito de maneira aberta e sem sofismas. Mata a pau esses líderes de araque. 167 pgs.

Como eu vejo o Deus que você ama – (Uma obra impactante, dissecando a Bíblia em suas entranhas, mostrando a verdadeira palavra de Deus ou o verdadeiro Deus que nunca disse coisa nenhuma). 32 pgs (88 ilustrações)

A Verdadeita História de Jesus Cristo – Uma ratificação do anterior sobre Jesus, mostrando novos dados da existência de um Cristo mito sem corpo, que confundiu a história por séculos, pois era Cristo, mas não era Jesus Cristo morto na cruz. (60 Páginas apenas)

* alfredobernacchi2@gmail.com

O outro nome de Deus

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[INTRODUÇÃO]

     “No início era a simplicidade. (…) O universo é povoado por coisas estáveis. (…) No Sol, os átomos mais simples de todos, os átomos de hidrogênio, fundem-se para formar átomos de hélio porque, nas condições que ali predominam, a configuração do hélio é mais estável. (…) Algumas vezes, quando se encontram, os átomos se ligam uns aos outros por meio de reações químicas para formar as moléculas, que podem ser mais ou menos estáveis. (…)

  “Não sabemos que matérias-primas químicas eram abundantes na Terra antes do aparecimento da vida, contudo entre as mais plausíveis encontram-se a água, o dióxido de carbono, o metano e a amônia: todos compostos simples que, sabemos, estão presentes em pelo menos alguns dos outros planetas do nosso sistema solar. (…) Eles [os cientistas] colocam essas substâncias simples num frasco aplicando-lhes uma fonte de energia como a luz ultravioleta ou descargas elétricas — uma simulação artificial dos relâmpagos primordiais. Depois de algumas semanas fazendo isso, algo interessante é descoberto no interior do frasco: um caldo ralo amarronzado com um grande número de moléculas mais complexas do que as originalmente colocadas ali. Em particular, têm sido encontrados aminoácidos — os blocos de construção de que são feitas as proteínas, uma das duas grandes classes de moléculas biológicas.

      “(…) Processos análogos aos mencionados acima devem ter dado origem à ‘sopa primordial’ que biólogos e químicos acreditam ter constituído os mares de 3 a 4 bilhões de anos atrás. (…) Sob a influência posterior de energia, como a luz ultravioleta emanada pelo Sol, elas se combinavam em moléculas maiores. Hoje em dia, moléculas orgânicas grandes não durariam tempo suficiente para serem notadas: seriam rapidamente absorvidas e desintegradas pelas bactérias ou por outros seres vivos. Mas as bactérias e todos nós só aparecemos mais tarde, de tal maneira que, naqueles tempos, as grandes moléculas orgânicas podiam flutuar à deriva, sem serem molestadas, em meio ao caldo que se tornava cada vez mais denso.

 

[O GÊNESIS SEM A “MÁGICA” DIVINA]

      “Em algum momento formou-se, por acidente, uma molécula particularmente notável. Vamos chamá-la de o Replicador. (…) …ela tinha uma propriedade extraordinária: a capacidade de criar cópias de si mesma.

      “Este pode parecer um tipo de acidente cuja ocorrência é muito pouco provável. E foi, de fato. Foi uma ocorrência extremamente improvável. Durante a vida de um homem, acontecimentos assim tão improváveis podem ser considerados, em termos práticos, impossíveis. É por isso que nunca ganharemos o primeiro prêmio na loteria. Entretanto, nas nossas estimativas humanas sobre o que é ou não provável, não estamos habituados a lidar com centenas de milhões de anos. Se apostássemos na loteria todas as semanas durante 100 milhões de anos, é muito provável que ganhássemos o primeiro prêmio em diversas ocasiões.

      “Pense no Replicador como uma matriz ou um modelo padrão. Imagine-o como uma molécula grande, constituída por uma cadeia complexa de vários tipos de blocos moleculares. Esses pequenos blocos de construção encontravam-se abundantemente disponíveis no caldo em que flutuava o Replicador. Agora suponha que cada bloco apresenta afinidade com outros blocos do mesmo tipo. Então, sempre que um bloco, vindo do caldo, se encontrar com uma parte do Replicador com a qual tenha afinidade, tenderá a aderir-se a ele. Os blocos que se ligam desse modo se arranjarão, automaticamente, numa sequência idêntica à do próprio Replicador. (…) Esse processo poderia prosseguir como um empilhamento progressivo, camada sobre camada. É assim que se formam os cristais. Por outro lado, as duas cadeias poderiam se separar e, nesse caso, passaríamos a ter dois Replicadores, e cada um deles continuaria a produzir outras cópias de si mesmo. (…)

        “Ao que parece, chegamos assim a uma numerosa população de réplicas idênticas. Agora, porém, temos de mencionar uma propriedade importante de qualquer processo de replicação: ele não é perfeito. Ocorrem erros nesse processo. Espero que não haja erros de impressão neste livro, mas, se fizermos um exame cuidadoso, é bem possível que encontremos um ou dois. É provável que eles não distorçam seriamente o sentido das frases, porque serão erros de ‘primeira geração’. Mas, imagine os tempos anteriores à imprensa, quando livros como os Evangelhos eram copiados à mão. Todos os escribas, por mais cuidadosos que fossem, cometiam um erro ou outro, e alguns não conseguiam resistir à tentação de fazer pequenas ‘melhorias’ no texto. Se todos produzissem suas cópias a partir de uma única matriz original, não haveria deturpações significativas de sentido. No entanto, se as cópias fossem feitas a partir de outras cópias, que, por sua vez, tivessem sido feitas a partir de cópias também, os erros começariam a se acumular e se tornariam mais sérios. Tendemos a considerar ruins as cópias imprecisas e, no caso dos documentos humanos, é difícil pensar em exemplos nos quais os erros possam ser vistos como benefícios. Quanto aos eruditos da Septuaginta, o mínimo que se pode dizer é que eles deram início a algo de profunda importância quando traduziram, incorretamente, a expressão ‘jovem mulher’, em hebraico, pela palavra ‘virgem’ em grego, originando a profecia ‘Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho…’ De todo modo, como veremos, a produção de uma cópia imprecisa do Replicador biológico pode, num sentido real, originar um melhoramento, e foi essencial para a evolução progressiva da vida que alguns erros tivessem ocorrido.

      “(…) Seus [dos Replicadores] descendentes modernos, as moléculas de DNA, são extraordinariamente fiéis, se comparados com alguns processos de cópia humana do mais alto grau de fidelidade, mas, mesmo eles, de quando em quando, cometem erros, e são esses enganos, em última análise, que tornam possível a evolução. (…) …o que importa é que podemos ter certeza de que os erros ocorriam e eram cumulativos.

      “À medida que se formavam e se propagavam cópias imperfeitas, a sopa primordial foi se enchendo, não de uma população de réplicas idênticas, e sim de diversas variedades de moléculas replicadoras, todas elas ‘descendentes’ do mesmo ancestral.

 

[A ORIGEM DA EVOLUÇÃO SELETIVA]

      “(…) Algumas variedades [de moléculas] seriam inerentemente mais estáveis do que outras. Certas moléculas, depois de formadas, teriam menos tendência do que outras a se decompor mais uma vez. Tais tipos se tornavam relativamente mais numerosos na sopa, não somente como consequência lógica e direta da sua ‘longevidade’, mas também porque teriam muito tempo disponível para produzir cópias de si mesmas.

      “(…) Provavelmente, porém, os demais fatores não se mantiveram constantes. Assim, outra propriedade inerente a uma variedade de Replicadores que deve ter assumido uma importância ainda maior na sua disseminação pela população foi a velocidade de replicação ou ‘fecundidade’. Se as moléculas replicadoras do tipo A fazem cópias de si mesmas, em média, uma vez por semana, ao passo que as moléculas do tipo B fazem cópias de si mesmas a cada hora, não é difícil prever que, em pouco tempo, as moléculas do tipo A serão superadas em número, ainda que ‘vivam’ durante muito mais tempo do que as do tipo B.

      “(…) Voltando ao caldo primordial, ele deve, portanto, ter sido povoado por algumas variedades de moléculas estáveis; estáveis no sentido de as moléculas individuais durarem muito tempo, ou se replicarem a uma grande velocidade, ou ainda se replicarem com alto grau de precisão.

      “(…) Quer chamemos aos primeiros Replicadores de ‘vivos’ ou não, eles foram os ancestrais da vida.

      “(…) O próximo elo importante na nossa argumentação, (…) é a competição. A sopa primordial não tinha capacidade de prover o sustento de um número infinito de moléculas replicadoras. Primeiro porque as dimensões da Terra são finitas (…). …quando os Replicadores se tornaram numerosos, os blocos de construção devem ter sido utilizados numa velocidade tão grande que acabaram por se tornar um recurso escasso e precioso. Diferentes variedades ou linhagens de Replicadores devem ter competido por eles. (…) Podemos agora concluir que as variedades menos favorecidas teriam com efeito se tornado menos numerosas por causa da competição, e que, finalmente, muitas delas devem ter se extinguido. As variedades de replicadores travaram uma luta pela existência. Elas não sabiam que estavam lutando, e nem se preocupavam com isso. (…) Entretanto, se tratava de uma luta, no sentido de que qualquer cópia imprecisa que resultasse num nível mais alto de estabilidade, ou numa nova forma de reduzir a estabilidade das suas rivais, era automaticamente preservada e multiplicada. O processo de melhoramento era cumulativo. As formas de aumentar a própria estabilidade e de diminuir a estabilidade das rivais tornaram-se mais elaboradas e mais eficientes. Alguns Replicadores podem até mesmo ter ‘descoberto’ como decompor quimicamente as moléculas das variedades rivais, usando os blocos construtores assim liberados para produzir as próprias cópias. Dessa maneira, esses ‘protocarnívoros’ ao mesmo tempo obtinham alimento e removiam os rivais competidores. Outros Replicadores talvez tenham descoberto jeitos de se proteger, quer quimicamente, quer erguendo uma barreira física de proteína à sua volta. Talvez as primeiras células vivas tenham surgido assim. Os Replicadores começaram não apenas a existir, mas também a construir invólucros para si mesmo, veículos capazes de preservar sua existência. Os Replicadores que sobreviveram foram aqueles que construíram máquinas de sobrevivência no interior das quais pudessem viver. De início, é provável que tais máquinas não passassem de um revestimento de proteção. No entanto, ganhar a vida ficou gradativamente mais difícil à medida que surgiam novos rivais com máquinas de sobrevivência melhores e mais eficientes. Essas máquinas se tornaram maiores e mais elaboradas, num processo cumulativo e progressivo.

 

 

[O OUTRO NOME DE DEUS]

  “Haveria um ponto final para o aperfeiçoamento gradual das técnicas e dos artifícios usados pelos Replicadores para assegurarem sua própria continuação no mundo? Eles contavam com muito, muito tempo para esses aperfeiçoamentos. Que estranhas máquinas de autopreservação trariam consigo os milênios seguintes? Qual seria o destino dos primeiros Replicadores 4 bilhões de anos depois? Eles não se extinguiram, pois são mestres antigos na arte de sobreviver. Mas não espere encontrá-los no mar, flutuando à deriva; há muito que desistiram dessa liberdade altiva. Hoje em dia, eles se agrupam em colônias imensas, seguros no interior de gigantescos e desajeitados robôs, guardados do mundo exterior, e com ele se comunicam por caminhos indiretos e tortuosos, manipulando-o por controle remoto. Eles estão dentro do leitor e de mim. Eles nos criaram, o nosso corpo e a nossa mente, e a preservação deles é a razão última da nossa existência. Percorreram um longo caminho, esses Replicadores. Agora, respondem pelo nome de genes, e nós somos suas máquinas de sobrevivência.”


Fora dos colchetes, esse texto foi extraído do livro “O Gene Egoísta”, de Richard Dawkins, capítulo 2: Os Replicadores, páginas 54-66.

Christopher Hitchens

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Clique na imagem para ser direcionado para um post do DeusILUSÃO, publicado em 09/01/2009, em que selecionei algumas ótimas passagens do livro “Deus não é grande”.

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A Maçã

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Li a biografia de Steve Jobs em menos tempo do que Deus levou para criar o universo. Um livro desconcertante, se você é fã da Apple, como eu, e tinha seu fundador e presidente como um tipo de “herói”: Steve Jobs, na verdade, reunia mais as qualidades de um vilão. Mas, sem ele… Quem consegue imaginar o mundo sem os PCs, os computadores pessoais? Pois bem: sem ele o mundo seria bem diferente.

O livro, eu acho, não vai ser tão deslumbrante para quem nunca usou um produto da maior empresa de tecnologia do mundo, nem fazia ideia de quem era Steve Jobs até que o mundo todo lamentasse a sua morte. Eu, por exemplo, tanto no primeiro carro que comprei, como no que tenho agora, a primeira coisa que fiz foi colar, no vidro traseiro, o adesivo branco da maçã mordida. Nunca vi ninguém com o logo da IBM ou Dell colado no carro. Por que os “MacUsers” fazem isso, essa propaganda gratuita e voluntária? Não é por causa de Steve Jobs, mas por causa da “filosofia” que ele conseguiu impregnar na Apple e que acabou se tornando sua marca registrada: a melhor tecnologia integrada ao melhor produto, da forma mais simples e mais bela possível.

Um colega de trabalho certa vez me lembrou que a atitude dos fãs da Apple de fazer propaganda da empresa “era, mais ou menos, pelo mesmo motivo que levava alguém a colar adesivos com frases bíblicas no vidro do carro”. Eu, claro, não pude concordar. A comparação só se aplicaria se a Apple fabricasse uísque, ou cocaína.

Leia também:

O Triunfo dos Nerds & Steve Jobs, o melhor pedaço da maçã

Três rapidinhas


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A primeira.

Eu só vou poder escrever o texto final da série “Teste seus amigos crentes 4” amanhã, e, talvez, só publique no sábado.

A segunda.

Alguém já reparou que os cristãos, vira e mexe, estão falando de “vitória”, “derrota”, “inimigo”, “batalha”, “poder”, “força”, “glória”? Eles parecem que estão em constante guerra contra inimigos imaginários, como se fossem D. Quixotes lutando contra diabos em forma de moinhos de vento.

A terceira.

Volta e meia me aparece alguém me alfinetando que eu falo mal dos genocídios cometidos em nome de Deus (e pelo próprio, inclusive) e que “esqueço” do que já se fez “em nome de uma política ateísta”. Aí, claro, eles citam os milhões de mortos na Alemanha nazista do Hitler-ateu-malvado e na China comunista-sem-Deus.

A China é o país que mais executa gente no mundo. Eles executam criminosos, corruptos e opositores do regime, por exemplo. E como lá tem gente saindo pelo ladrão, o número de criminosos, corruptos e dissidentes também é grande. Mas até onde eu sei, eles não executam pessoas porque elas são religiosas. Eles não acendem fogueiras e queimam cristãos vivos aos gritos de “Morram, cristãos desgraçados!!!”, como se fazia na Inquisição aos gritos de “Morra, bruxa!!!”, ou “Morra, herege!!!”, claramente indicando um motivo religioso.

E, a propósito, Hitler era católico. Católico praticante. E mesmo que ele fosse um ateu, não teria feito o que fez sem o auxílio de seus inúmeros oficiais católicos; sem a obediência de um exército católico; sem o apoio de um povo católico; e sem a omissão, e até conivência, de um papa que eu acho que também era católico.

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36 argumentos para a existência de Deus

A revista Veja dessa semana traz uma entrevista com a autora desse livro: uma ateia muito inteligente que não achou justo só os pastores evangélicos ganharem grana à custa de Deus… 

http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/36-argumentos-para-a-existencia-de-deus-ou-contra 

Já vou comprar o meu.

Querido Diário, agora ela me deve um beijo:


Solidão é uma ilha com saudade de barco.

Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue.

Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo.

Autorização é quando a coisa é tão importante que só dizer “eu deixo” é pouco.

Pouco é menos da metade.

Muito é quando os dedos da mão já não são suficientes.

Desespero são dez milhões de fogareiros acesos dentro de sua cabeça.

Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego.

Agonia é quando o maestro de você se perde completamente.

Preocupação é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu sair do seu pensamento.

Indecisão é quando você  sabe muito bem o que quer, mas acha que seria melhor querer outra coisa.

Certeza é quando a ideia cansa de procurar e para.

Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.

Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista.

Renúncia é um não que não queria ser ele.

Sucesso é quando você faz o que sempre fez, só que todo mundo percebe.

Vaidade é um espelho onisciente, onipotente e onipresente.

Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.

Orgulho é uma guarita entre você e o da frente.

Ansiedade é quando sempre só faltam 5 minutos para o que quer que seja.

Indiferença é quando os minutos não se interessam por nada especialmente.

Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.

Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.

Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.

Tristeza é essa mão gigante que aperta seu coração. 

Alegria é um bloco de Carnaval que não liga se não é Fevereiro.

Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma.

Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.

Decepção é quando você risca em algo, ou em alguém, um xis preto ou vermelho.

Desilusão é quando anoitece em você contra a vontade do dia.

DeusILUSÃO é quando você acorda de um sonho idiota e descobre que ainda dá tempo de aproveitar a vida.

Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia.

Perdão é quando o Natal acontece em maio, por exemplo.

Desculpa é uma frase que pretende ser um beijo.

Excitação é quando os beijos estão desatinados pra sair depressa da sua boca.

Desatino é um desataque de prudência.

Prudência é um buraco de fechadura na porta do tempo.

Lucidez é um acesso de loucura ao contrário.

Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.

Emoção é um tango que ainda não foi feito.

Ainda é quando a vontade está no meio do caminho.

Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.

Desejo é uma boca com sede.

Paixão é quando, apesar da palavra “perigo”, o desejo vai e entra.

Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado.

 

Mania de explicação, de Adriana Falcão

“As posições sexuais”, de Edir Macedo


Do livro Castigo Divino*, da Igreja Universal do Reino de Deus. Autor: Bispo Edir Macedo.

Vejam os comentários sobre o pecado das seguintes posições sexuais:

Posição de quatro: É uma das posições mais humilhantes para a mulher, pois ela fica prostrada como um animal, enquanto seu parceiro, ajoelhado, a penetra. Animais são seres que não possuem espírito, então o homem que faz “o cachorrinho” com sua parceira fica com sua alma amaldiçoada e fétida.

Sexo Oral: O prazer de levar um órgão sexual à boca é condenado pelas leis divinas. A boca foi feita para falar e ingerir alimentos, e a língua, para apreciar os sabores. A mulher, engolindo o sêmen, não vai ter filhos. E o homem somente sentirá dores musculares na língua ao sugar a vagina de sua parceira.

Sexo Anal: O ânus é sujo, fétido e possui em suas paredes milhões de bactérias. É o esgoto propriamente dito. No esgoto só existem ratos, baratas e mendigos. A pessoa que sodomia ou é sodomizada se iguala a um rato pestilento. Seu espírito permanece imundo e amaldiçoado. Mas o pior é quando o ato é homossexual, pois o passaporte dessa infeliz criatura já está carimbado para os confins do Inferno.

Veja a maneira certa de se relacionar sexualmente, segundo a cartilha:

Posição Recomendada: O homem e a mulher devem lavar suas partes com 1 litro de água corrente, misturado com uma colher de vinagre e outra de sal grosso. Após isso, a mulher deve abrir as pernas e esperar o membro enrijecido do seu parceiro, para iniciar a penetração. O homem, após penetrar a mulher, não deve encostar seu peito nos seios dela, pois a fêmea deve estar orando ao Senhor para que seu óvulo esteja sadio ao encontrar o espermatozoide. Depois do ato sexual, os dois devem orar, pedindo perdão pelo prazer proibido do orgasmo. Como penitência, o açoite com vara de bambu é aceito como forma de purificação.


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* Recebi por e-mail, não chequei a fonte, nem verifiquei a autenticidade da informação; logo, pode ser uma composição fraudulenta com o intuito de denegrir a imagem do Excelentíssimo Senhor Edir Macedo, que pode, eventualmente, processar esse blog por calúnia e difamação. Mas, como diria o papa Bento XVI: foda-se! 

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O sexo de Deus (parte 1)

Dos milhões de espécies de animais conhecidos, a vasta maioria reproduz-se sexualmente, incluindo a maioria dos insetos. Quase todos os animais maiores que alguns milímetros são reprodutores sexuais capazes de escolha sexual: todos os mamíferos, todos os pássaros e todos os répteis. A situação é similar com as plantas. Das cerca de 300 mil espécies de plantas conhecidas, mais ou menos 250 mil reproduzem-se pelas flores que atraem polinizadores.” *


Você sabe por que você faz sexo [em termos biológicos]? Se respondeu que é para preservar a espécie pela geração de novos indivíduos… bem… digamos que você tirou um 7. O que pouca gente sabe é que o sexo também protege a espécie do aniquilamento provocado pelo acúmulo de mutações ao longo do tempo. E, se foi Deus quem criou esse negócio, estamos, então, à mercê de um Deus pra lá de macabro, nada onipotente, nada inteligente e muito menos perfeito, porque, se Deus fosse essa Coca-Cola toda, teria criado tudo perfeito desde o começo, tendo feito da Evolução uma coisa absolutamente desnecessária.

Bom… o seguinte é esse.

Os primeiros organismos que surgiram na Terra, muito, muito antes de Adão ter comido a Eva, se reproduziam fazendo cópias de si mesmos. Parecia ser a coisa mais simples e mais eficiente do mundo. Só que, apesar de extremamente precisas, essas cópias não eram 100% perfeitas, de forma que, de vez em quando, surgia um erro em algum ponto da cadeia genética das cópias-filhas. De uma geração para outra, esses erros eram desprezíveis e não causavam danos. Mas como o processo envolvia a cópia da cópia da cópia da cópia… indefinidamente, os erros se acumulavam de uma forma perigosíssima para a sobrevivência daqueles organismos. Isso, após inúmeras gerações, acabava levando a espécie à extinção.

Para criaturas como as bactérias, a reprodução sem sexo ainda está na moda, mas para seres absurdamente complexos como nós humanos esse tipo de coisa não teria dado certo. Ao longo de milhões de anos, com erros e mais erros se acumulando nas gerações-filhas, nossa espécie teria sido extinta. Em outras palavras, não teríamos chegado até aqui, mas nem fodendo! Ups! Essa expressão chula, além de desnecessária num blog tão família quanto o meu, é também incoerente: foi justamente o sexo que nos fez o que somos, e que nos permitiu chegar até esse nível de desenvolvimento físico e intelectual a que chegamos.

Caso você venha de uma família cristã e acredite em Deus, é bem provável que acredite ainda naquela história de cegonha, porque quem acredita em Deus é capaz de acreditar em qualquer outra idiotice. A verdade, entretanto, é bem outra.

Cada ser vivo tem, em cada célula, o seu próprio DNA, que é um projeto para criar um novo corpo. Só que, para criar uma nova vida, de acordo com esse método revolucionário, seria necessário um parceiro da mesma espécie, mas do sexo oposto.


No caso dos seres humanos, o DNA é composto por 46 cromossomos, que são sequências de genes. Para fazer um filhinho, porém, cada humano entra somente com metade desses cromossomos, ou seja, com apenas um filamento do seu DNA. Dentro de cada célula do seu corpo existe uma cópia de metade dos genes do seu pai e outra de metade dos genes da sua mãe. Cada espermatozoide e cada óvulo é fabricado, aleatoriamente, com um ou outro dos filamentos disponíveis do DNA original dos pais.

Se você considerar a figura abaixo, onde cada uma dessas filas de bolinhas representa exatamente o mesmo trecho do cromossomo responsável, digamos, pelo perfeito desenvolvimento das válvulas do coração, com cada pai produzindo dois tipos diferentes de células reprodutoras — “H” e “h”, para o homem; e “M” e “m” para a mulher — , vai chegar à conclusão de que um casal poderia gerar até 4 filhos com características genéticas diferenciadas, dependendo de qual filamento do pai (H ou h) “casou” com qual filamento da mãe (M ou m).


As combinações são essas: HM, Hm, hM e hm. No desenho, as bolinhas pretas representam genes com defeito: aqueles erros de cópia que se acumulavam de geração para geração nas reproduções sem sexo. Perceba que num dos filamentos do DNA original, tanto do pai (H) quanto da mãe (M), esse trecho do cromossomo não apresenta genes defeituosos. Isto é, um tipo de espermatozoide (dentre 2 possíveis) e um tipo de óvulo (dentre 2 possíveis) têm esse trecho crucial da sua cadeia genética perfeito.

Agora veja o que acontece quando um espermatozoide de cada tipo fecunda um óvulo de cada tipo. “H” fecundando “M” é a perfeição total:



“H” fecundando “m”. Alguns genes de “m”, figura abaixo, estão defeituosos nesse trecho, mas não tem problema: o projeto da nova vida segue normalmente usando-se a cópia do gene correspondente de “H”, que está perfeita.


Esse é o “pulo do gato”: os genes vêm em pares. Se um está com defeito, usa-se a cópia reserva. Mas isso é só metade do segredo.

Continuando, quando temos “h” fecundando “M”, dá-se o mesmo caso acima, só que é “h” que apresenta alguns genes com defeito:



Por último, “h” fecundando “m”:


Percebeu o problema? Nesse caso, o trecho apresenta dois genes de “m” com defeito, mas com a cópia dos correspondentes em “h” perfeita. Até aí, tudo bem. Só que mais outros dois genes desse filamento de DNA da mãe também são defeituosos e, dessa vez, não há cópia em “h”, pois os mesmos genes são defeituosos no trecho herdado do pai.

Como os casos intermediários “Hm” e “hM” só nos levaram ao ponto de partida, ou seja, à mesma “condição genética” dos pais, examinemos os casos extremos. Digamos que esses pais gerem dois filhos: um foi produto de “HM” e o outro de “hm”.


O filho gerado por “HM”, figura acima, terá genes perfeitamente “limpos” nesse trecho do cromossomo. Ele está totalmente livre dos defeitos que seus pais tinham e que foram acumulados ao longo das gerações anteriores, podendo passar seus genes perfeitos para as gerações seguintes.


Já o filho que foi fecundado por “hm”, acima, pelo exemplo dado, não vai ter as válvulas cardíacas formadas e não vai sobreviver. Mas ele não é importante. Para a Natureza, ele é apenas “lixo genético” sendo jogado fora. Na verdade, é extremamente necessário que ele morra, para não passar à frente seus genes defeituosos.

Macabro, não?

Graças à reprodução envolvendo dois indivíduos, pode-se descartar, junto com um só “produto”, os genes defeituosos que vinham se acumulando ao longo das gerações. Esse artifício engenhoso garante a sobrevivência da espécie como um todo, mantendo seu código genético praticamente inalterado.


Parte 2 >>

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* A Mente Seletiva: como a escolha sexual influenciou a evolução da natureza humana. MILLER, Geoffrey F. Editora Campus. 2000. pág. 194.

A Divina Revelação do Inferno

Em março de 1976, enquanto eu orava em casa, recebi a visita do Senhor Jesus Cristo.”

 

Mary Baxter


Um livro que começasse assim, na minha modesta opinião, só poderia ser uma de duas coisas:

1. Um relato que iria abalar o mundo;

2. Uma obra de ficção como tantas outras.

Depois de tê-lo lido duas vezes e já que não vi nenhuma manchete sobre ele nos jornais, na CNN, na internet, e como a própria autora diz que o livro não é ficção, fui obrigado a expandir a minha classificação para criar uma nova categoria: a das obras literárias escritas por doentes mentais.

A autora americana Mary Kathryn Baxter o escreveu para o mundo como sendo o relato fiel do seu passeio de 30 noites pelo Inferno na companhia de, nada mais nada menos, Jesus Cristo. A senhora Baxter é uma cristã fervorosa e, segundo as próprias informações no fim do livro, a especialidade dela é “na área dos sonhos, visões e revelações”. Também nessa parte, fiquei sabendo que “Quando ainda era jovem, a sua mãe ensinou-lhe sobre Jesus Cristo e a Sua salvação”. Mais um cérebro permanentemente danificado.

O livro valerá cada centavo que você pagar por ele*. Eu me diverti muito. E se você pretende cursar psicologia ou filosofia vai poder usar esse material nas duas áreas, porque ele é uma prova incontestável de que não há limite para a imbecilidade humana. Não estou, necessariamente, referindo-me apenas à autora. Sem dúvida, das centenas de milhares de leitores que o tiveram nas mãos (a edição de 2001 que li estampa, na capa, “600 mil cópias vendidas”), umas tantas almas devem ter acreditado nela e são, por isso, muito mais imbecis, ou os únicos imbecis na história toda, uma vez que a senhora Mary Baxter deve estar colhendo os seus galardões em notas verdinhas já nessa vida.

A seguir, umas tantas amostras grátis. [Transcrição fiel do texto traduzido.]

“Vejo agora que o Senhor estava me preparando para escrever este livro, porque ainda criança, tive um sonho com Deus.” 11

” ‘Vede, Minha filha’, disse Jesus, ‘vou levá-la ao inferno pelo Meu Espírito, para que você possa registrar a realidade dele, para dizer a toda a terra que o inferno é real, e para tirar os perdidos da escuridão para a luz do evangelho de Jesus Cristo.’ ” 16

” ‘Vão!’, disse o demônio maior para os diabinhos e diabos. ‘Façam muita maldade. Destruam lares e famílias. Tentem os crentes fracos, dêem instruções equivocadas e desviem tantas pessoas quanto puderem. Vocês serão recompensados quando voltarem.

Lembrem-se que devem ter cuidado com aqueles que aceitaram realmente a Jesus como o seu Salvador. Eles têm o poder de expulsá-los.’ ” 35

” ‘Iremos para aquela casa hoje e atormentaremos todos os que estiverem ali. Receberemos mais poder do nosso senhor, se fizermos isto certinho. Ó, Sim, causaremos muita dor, doenças e sofrimento para todos eles.’ Aí eles começaram a dançar e a cantar músicas diabólicas em adoração a Satanás, glorificando o mal.

Um deles disse: ‘Temos que observar com muito cuidado aqueles que crêem em Jesus, porque eles podem nos expulsar.’

‘Sim’, disse um outro, ‘No nome de Jesus, nós temos que sair fora.’

Aí, um outro espírito maligno disse: ‘Mas nós não vamos para aqueles que conhecem a Jesus e o poder do Seu nome.’ ” 99-100

“Nessa hora, o homem que estava a esquerda de Satanás levantou o braço e uma luz brilhante apareceu no muro a direita. No muro havia uma tela de cinema, que passava cenas do cotidiano de vários lugares. (…)

Satanás disse: ‘Vá a esses lugares, vivam e ajam como pessoas normais. Engane a muitos, e desviem o maior número possível de pessoas de Deus. (…) Vocês enganarão e levarão muitos a se desviarem da verdade. Vocês irão a todas as partes da terra, farão minha obra e voltarão com relatórios. (…) A sua missão é capturar almas. Vocês podem atrai-las pela feitiçaria, com falsas religiões e seitas. Vocês podem levar os Cristãos mais fracos a cair no pecado da carne. Podem plantar sementes de dúvida sobre a verdade da Palavra de Deus. Podem levar homens e mulheres a se desviarem do Evangelho de Jesus Cristo, e se puderem, a destrui-los.’

Uma estante alta foi trazida para Satanás, que tinha muitos papéis. Ele pegou alguns e começou a ler muitas coisas para as mulheres. (…) ‘Peguem uma alma por semana,’ Satanás continuou: ‘Trabalhem com essa alma a semana toda. Vou lhes dar três semanas para corromper uma única alma, depois disso vocês me dão um relatório.’ ” 65-66

“Jesus falou: ‘Minha filha, algumas pessoas ao lerem o livro que você escreverá, o comparará a uma obra de ficção ou a um filme que viram. Eles dirão que isso não é verdade. Mas, Você sabe que estas coisas são verdadeiras. Você sabe que o inferno é real, porque Eu a trouxe aqui muitas vezes, pelo Meu Espírito. Eu lhe revelei a verdade para que você possa testemunhá-la.’

Perdidos, se vocês não se arrependerem e se batizarem, e crerem no Evangelho de Jesus Cristo, este será o seu fim com certeza.” 133

“Na parte superior da máquina estavam as palavras: ‘Este apagador de mentes pertence a besta, 666.’ ” 144

“A bandeira americana, rasgada e esfarrapada, abandonada no chão.” 142


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A DIVINA REVELAÇÃO DO INFERNO. Baxter, Mary K. Danprewan Editora: Rio de Janeiro, 2001. 6a. edição

 

 

* O leitor Carlos Mello fez o download do livro em:  

http://www.livrodegraca.com/2009/03/divina-revelacao-do-inferno.html

 

 

Uma viagem até as estrelas

Minha tradução do tópico “Humanity in Space” (pág. 157), Cap. 5: O Universo Incompatível, do livro God: The Failed Hypothesis:


Muito já foi dito sobre as viagens espaciais. É propaganda enganosa como a busca por novos mundos é comparada às explorações europeias nas Grandes Navegações. Filmes como Jornada nas Estrelas e Guerra nas Estrelas levam as pessoas a pensar que, algum dia, tudo o que teremos que fazer é entrar numa espaçonave e cruzar a galáxia numa velocidade colossal. Cada planeta em que pousarmos é imaginado como tendo uma atmosfera e outras condições suficientemente parecidas com as da Terra que permitirão que andemos a vontade sem trajes espaciais. Dessa forma, e isso é tido como provável por muitos, a humanidade irá, gradualmente, povoar o universo.

Só que isso não é tão fácil quanto dizer: “Assuma o comando, Sr. Spock.” Vamos considerar alguns números. Uma espaçonave a 11,1 km/s, que é a velocidade de escape da força gravitacional da Terra, levaria 14.000 anos para chegar a Alfa Centauro, o mais próximo sistema estelar. Essa mesma espaçonave levaria 3 bilhões de anos para cruzar a galáxia. A mais otimista estimativa é de que planetas assemelhados à Terra estejam separados, em média, por 500 anos-luz, dependendo de como você defina “assemelhado”. Isso seria o equivalente a uma jornada em que os tripulantes passariam por 16 gerações, e isso viajando-se a uma velocidade próxima à da luz. Aqui, vale a pena ressaltar, para encontrar um planeta apenas sendo considerado assemelhado à Terra, o que não significa que seria um em que os humanos poderiam viver sem qualquer auxílio à vida. Na verdade, não é provável que estejamos aptos a viver na grande maioria desses planetas desde que não é provável que eles sejam exatamente como a Terra em cada detalhe necessário para a sobrevivência humana.

A Teoria Especial da Relatividade de Einstein torna, em princípio, possível atingir qualquer lugar no universo no tempo de vida de um astronauta a bordo de uma espaçonave. A nave só teria que viajar rápido o bastante em relação à Terra. De acordo com o que é chamado de “dilatação do tempo”, o tempo num relógio em movimento passa mais devagar do que num outro em repouso. Em um efeito relacionado chamado “contração Fitzgerald-Lorentz”, o comprimento de um objeto se contrai na direção do seu movimento. Esse fenômeno que desafia nossa senso comum de espaço e tempo tem sido amplamente confirmado em experiências e outras observações.

O jeito que isso se aplicaria para a nossa espaçonave seria o seguinte. Dentro dela, nossos astronautas não experimentariam qualquer diminuição de ritmo dos seus relógios biológicos, que estariam de acordo com todos os outros relógios a bordo da aeronave. Só que a distância da Terra até o seu destino iria se contrair, enquanto medida a partir do seu próprio ponto de vista. Uma pessoa na Terra mediria a distância usual entre os objetos astronômicos, mas notaria que os relógios da espaçonave marcariam o tempo mais vagarosamente e os astronautas envelheceriam mais lentamente.

Digamos que fôssemos capazes de construir uma espaçonave que pudesse manter uma aceleração constante g, isto é, a aceleração da gravidade na Terra, que iria também proporcionar o conforto de uma gravidade artificial para os nossos astronautas. Essa nave chegaria em Alfa Centauro em 5 anos após o seu lançamento na contagem dos que ficaram, mas os astronautas teriam registrado uma viagem de pouco mais de 2 anos. Em 11 anos, no tempo marcado na nave, eles atingiriam o centro da nossa galáxia. Mas nesse mesmo período, quase 27.000 anos teriam se passado na Terra. Depois de 15 anos contados pelos astronautas, de acordo com os relógios a bordo, eles teriam chegado a Andrômeda, a 2,4 milhões de anos-luz de distância. Mas, então, uma vez que toda a viagem foi feita próximo da velocidade da luz, os mesmos 2,4 milhões de anos também teriam se passado na Terra. E após 23 anos de viagem os astronautas teriam cruzado as fronteiras do universo hoje conhecido, mas 13,7 bilhões de anos teriam se passado numa, já há muito extinta, Terra.

Caso os astronautas optassem por parar em qualquer um desses pontos na sua viagem para explorar planetas assemelhados à Terra, então esses tempos teriam que ser duplicados, uma vez que eles só poderiam acelerar durante metade da viagem, sendo toda a outra metade empregada na desaceleração até parar no planeta escolhido.

O fato inevitável parece ser que as pessoas que se dispusessem a explorar o universo iriam, efetivamente, se “apartar” da Terra. Mesmo que eles fossem apenas até o centro da Via Láctea e voltassem 40 anos mais velhos, eles regressariam para uma Terra no futuro, 104.000 anos após a data do lançamento. Basicamente, qualquer humano que fizesse uma “jornada nas estrelas” deixaria para sempre a sua família, a sua sociedade, e mesmo a sua espécie.

Note que eu não declarei qualquer limitação técnica para argumentar que voos espaciais para as estrelas e galáxias são impossíveis. Apesar de que um método para acelerar uma espaçonave para bem próximo da velocidade da luz esteja além de qualquer tecnologia atualmente conhecida ou imaginada, nós não podemos descartar isso das futuras gerações.

Mas suponha que tais explorações, algum dia, realmente aconteçam. Quão parecido com a Terra um planeta tem que ser para que nós possamos viver lá? A vida na Terra evoluiu sob esse bem especial conjunto de condições que existe aqui. Nós estamos adaptados para viver na Terra e não em qualquer lugar no espaço. Nós não seríamos em nada pessimistas em imaginar que viajantes do espaço teriam que enfrentar uma jornada de dezenas de milhares de anos-luz, no mínimo, antes de encontrar um planeta em que pudessem desembarcar e morar sem que fosse preciso usar uma enorme parafernália de suporte à vida.

A ideia que frequentemente se tem é que a humanidade pode, algum dia, viver no espaço exterior, dentro de estações espaciais orbitando a Terra e outros planetas. Entretanto, mesmo se essas estações reproduzirem todas as condições da Terra, elas não poderão lidar com os raios cósmicos dos quais nós, na Terra, estamos protegidos pela atmosfera. Essa mesma ameaça proíbe viagens muito longas no espaço do tipo descrito acima. Mesmo as tão sonhadas missões a Marte exporia os astronautas a doses de radiação que encurtaria o tempo de vida deles. Viagens para fora do sistema solar iriam matá-los.

Talvez uma tecnologia futura resolva também esse problema. Talvez a engenharia genética fabrique novos tipos de seres humanos, realmente espécies novas, adequadas para viagens no espaço. E, claro, sempre poderemos mandar robôs.

Quaisquer que sejam as possibilidades imaginadas, a conclusão mais forte é que humanos não foram construídos para viver em qualquer lugar que não seja essa ínfima partícula azul no vasto universo. Talvez outras partículas semelhantes existam pelo universo afora, mas é improvável que o Homo Sapiens consiga encontrá-las. Nossa espécie está abandonada no cosmos, na espaçonave Terra, e estará extinta muito antes do Sol queimar seu último átomo de Hidrogênio.

 


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Fé & Autoengano (parte 3)

 

No primeiro capítulo de Autoengano*, “1. A Natureza e o valor do autoengano”, Eduardo Giannetti classifica os tipos de engano usados no mundo natural em “engano por ocultamento” e “engano por desinformação ativa”.

No primeiro caso, o engano resulta de uma ilusão negativa, onde um animal induz outro a “não perceber” algo que lá está, sendo a camuflagem, usada tanto por predadores quanto por animais que são essencialmente presas, o seu melhor exemplo.

No segundo, a ilusão é positiva, ou seja, o animal-vítima do engano, seja presa ou predador, é levado a “perceber” algo que não está lá, resultado obtido, por exemplo, pelos discos iridescentes nas asas de uma borboleta, que induz um possível predador a achar que está vendo os olhos de um animal muito maior e, assim, ir procurar o almoço noutro lugar.

A conclusão que se tira é a de que, se o engano está presente e se é útil até entre seres irracionais, deve fazer parte, também, do dia a dia dos animais que dominam o planeta. E faz. Não só como uma simples mentira contada para a namorada, mas como uma mentira contada para nós mesmos: o autoengano.

A mentira todo mundo sabe como funciona. E o autoengano? Para ficar num exemplo só, citado no livro, imagine que você é uma pessoa muito relaxada quando se trata de cumprir horários, e isso vem lhe prejudicando ao longo do tempo, seja na sua vida amorosa, social ou profissional. Por mais que você se esforce, você sempre está, em média, meia hora atrasado pra tudo. Você, então, adianta todos os relógios que consulta durante o dia: o da parede, o do pulso, o do computador, o do celular. Num primeiro momento, você “saberá” que, quando consultar o relógio e verificar que são 14:30, na verdade, a hora certa será 14:00. Mas, com o hábito, você vai acabar esquecendo que está consultando relógios que estão 30 minutos adiantados e, mesmo não precisando mudar sua personalidade relapsa, você pode começar a se tornar mais pontual nos seus compromissos.

Um exemplo bem prosaico, é verdade, mas um excelente treino para exercitar o hábito do autoengano, que pode atuar em situações menos prosaicas do que essa, como a de salvar a sua vida.

“o dom de mentir com sucesso para si mesmo pode ajudar a manter a chama da vida acesa nos momentos em que a sobrevivência está por um fio”. (p. 60)

E se você, por acaso, acha que uma vida só é muito pouco, talvez porque você  se considera especial demais, importante demais, perfeito demais; talvez porque você não veja nenhuma semelhança entre você e os outros animais, afinal, eles são desprovidos de um livro sagrado que lhes revele a “verdade” e o propósito da sua existência; enfim, se você não se conforma com a morte, não seria de se espantar que o seu cérebro criasse, sem você perceber, uma ilusão semelhante à dos relógios adiantados, em que as coisas falsamente se ajustam numa mentira onipresente, para que você mesmo não precise se ajustar a uma realidade que não lhe agrada, que não lhe convém, ou, simplesmente, que você acha que não merece.


Se o animal humano expulso do paraíso foi punido com a consciência da morte e a vergonha de ser quem é, ele recebeu também da natureza o dom de uma esperança selvagem e inexplicável: a cegueira salvadora e iluminada que nos protege de pensar e de viver plenamente o peso absurdo dos nossos erros e a certeza do nosso fim. (p. 61)

 

 

*Auto-engano. GIANNETTI Eduardo. Companhia de Bolso: São Paulo. 2005. 1ª reimpressão. 256 pág.

Fé & Autoengano (parte 2)

 

1 no catolicismo, a primeira das três virtudes teologais 2 confiança absoluta 5 FILOSOFIA na escolástica, crença religiosa sem fundamento em argumentos racionais, embora eventualmente alcançando verdades compatíveis com aquelas obtidas por meio da razão.

As primeiras definições de “fé” do meu dicionário Houaiss (uáis).

Claro que não é função de um dicionário ser enciclopédico, mas eu fico imaginando que exemplo de “verdade” a fé religiosa teria alcançado que pudesse ter sido usado pelo autor dessa definição para, digamos… ilustrar o verbete. Se fosse numa enciclopédia, acho bem provável que o autor tivesse ficado só com “crença religiosa sem fundamento em argumentos racionais” na sua definição, pois a outra parte, sobre “verdades eventualmente alcançadas”, iria exigir um mísero exemplo, que ele não iria ter para dar.

Então fé é a virtude de crer em algo, sem que haja nenhum fundamento racional que sustente, valide, ou mesmo que motive essa crença. É o que mantém todo o mundo religioso inabalavelmente de pé: o acreditar por acreditar, e ainda se convencer de que isso é uma coisa muito boa.

Entendido o que é a fé, pode-se entender, também, como é completamente sem sentido um dos principais, senão o mais recorrente, “argumento” teísta contra a visão ateísta do mundo: o de dizer que o ateu também tem fé, — parafraseando Richard Dawkins — como se tudo o que diz respeito ao teísmo esteja também no ateísmo, com o sinal invertido.

Assim, o teísmo é bom, o ateísmo é mau; o teísmo é condizente com a moral, o ateísmo é imoral; o primeiro é louvável, o segundo, reprovável; um é sinônimo de retidão, bem-aventurança e paz de espírito, o outro significa inquietude, fracasso e vilania; etc. Mas quem põe as coisas nesses termos? Os próprios teístas. Só que, tal qual a sua fé, eles fazem isso sem nenhum argumento racional que embase tais declarações e, infelizmente, também tal qual a sua fé, eles aceitam essas proposições sem nenhuma avaliação crítica.

Mas sendo a fé inútil nesse mundo formado de átomos; como não dá para simplesmente usar o tal do acreditar por acreditar para, digamos, considerar um parente seu como uma pessoa má, imoral e vil só porque ele é ateu, o cérebro do crente se vale de um artifício engenhoso: o autoengano.

Mas… comecemos pelo começo…

Eu moro sozinho num planeta, igual ao Pequeno Príncipe. E nunca me preocupei com a existência de deuses. Não mesmo! As coisas no meu planeta são tudo preto no branco. Eu me preocupo com a gravidade, com vulcões, com rosas e com baobás… Nenhum deus nunca interferiu em nenhuma dessas coisas e, portanto, eu nunca me interessei por eles. Muito menos pelo seu Deus em particular.

Aí, um dia, você desce lá nesse meu planeta com a sua Bíblia debaixo do sovaco, e em vez de perguntar qual o meu nome, ou se eu coleciono borboletas, você quer saber isso:

Você acredita em Deus, Nosso Senhor e Salvador?

Ao que eu, naturalmente, respondo:

Hein?

A partir desse diálogo esclarecedor, você passa a me relatar tudo o que há na sua Bíblia, no seu livro sagrado, que é a origem do seu “conhecimento” sobre esse Deus específico. Ao final desse curso intensivo, onde eu fui informado, através de você, que, por sua vez, foi informado disso através da sua Bíblia, que foi escrita por pessoas que, segundo outras pessoas, foram informadas daquilo tudo porque foram inspiradas pelo ser supremo sobre o qual o livro supostamente fala — [respire] —, bom, eu fui informado, então, sobre os seis dias da Criação, sobre as “vontades” de Deus, sobre suas regras para me livrar do Inferno… Fui informado, também, de que algumas coisas que estão nesse livro sagrado não devem ser levadas ao pé da letra, outras sim; fui informado de que algumas coisas não se aplicam mais nos nossos dias, mas outras ainda sim; e de que algumas coisas soam erradas, são contraditórias, estúpidas, ridículas, cruéis, perniciosas, degradantes, etc., mas só porque, especificamente nesses trechos, os homens que escreveram esses tais livros sagrados não estavam 100% conectados a Deus e, tendo perdido a conexão, escreveram o que lhes vinha à cabeça, o que não nos podia fazer esperar que fosse algo que prestasse!

Enfim, depois disso, e mesmo sem ter me explicado como ou de onde tirou esse discernimento aí sobre que trechos descartar, você me repete a pergunta:

— Você acredita agora em Deus, Nosso Senhor e Salvador?

Ao que eu respondo calmamente, depois de ter avaliado como as coisas sempre estiveram funcionando perfeitamente bem sem nada daquilo: “— Eu não!”.

E, aí, você se estressa, como se estressam todos os crentes ante uma atitude assim, em que a fé simplesmente não aparece para “iluminar” tudo, como faz o sol saindo por detrás de uma nuvem densa…

Você, então, torna-se mais alterado e começa a esbravejar e a falar alto, citando inúmeros versículos bíblicos dessa mesma Bíblia que você acabou de me confessar não ser lá muito confiável. Você se estressa, se revolta e se enfurece porque eu, de repente, virei um tipo de adversário a quem derrotar, pois me recuso a não querer abandonar essa minha “condição de ateu” que — note-se — desembarcou junto com você no meu planeta.

E como parece que não há nada que me faça ceder e aceitar o que você aceita, você se vê obrigado a inverter a lógica das coisas e a querer passar para mim toda a responsabilidade de mostrar a você que o seu Deus não existe. E quando eu lhe informo que não vou me dar ao trabalho, porque não há como provar que “uma coisa que não existe” não existe, e mesmo que houvesse eu não me importaria em fazer isso — e por que me importaria se, até ontem, eu sequer tinha conhecimento da sua crença? — , enfim, quando eu lhe informo que não compartilho da sua fé e que o seu Deus não me interessa, você descarta seu trunfo:

— Você então acredita que Deus não existe, o que o torna, também, um crente, porque também tem fé.

O “argumento” mais recorrente. A UTI que mantém Deus vivo num mundo feito de átomos. O subterfúgio engenhosíssimo do autoengano.


Fé & Autoengano (parte 1)


Você conhece alguém que realmente acredite em astrologia? Eu acho provável que sim, que você conheça. Um amigo, uma amiga que lhe diga “Ah, acredito demais! Totalmente! Vejo meu horóscopo todo dia!”.

Tá. Mas, de fato, esse amigo, essa amiga não acreditam, não. Pelo menos não nessa “pretensa ciência de predizer o futuro pela influência dos astros”, como está na definição do Michaelis Online. E há uma diferença bem grande entre “acreditar ‘totalmente’” e “ler o horóscopo todo dia”. Eles não percebem isso justamente porque “não perceber” faz parte do jogo.

Eles acreditam, sim, numa “astrologia pessoal”. Numa astrologia em que Júpiter vai entrar na “casa” de Marte e, combinado-se com a posição de Vênus, vai lhe dar uma “previsão” bastante útil: “proteja seu relacionamento cultivando o diálogo; evite discussões por motivos fúteis”. Se o seu amigo, a sua amiga “concordam” com essa “previsão astrológica”, se isso “se encaixa” para eles, se faz sentido… Noooossa!! que bom que existe a astrologia, né? Porque eles estavam brigando por bobagem com seus parceiros…

De onde mais alguém poderia inferir que discussões constantes por motivos fúteis podem acabar fazendo um casal se separar?? Só os astros mesmo para nos dizer tal coisa!! Melhor: para prever que um relacionamento pode se desfazer por conta de brigas frequentes, motivadas por bobagem.

E quando o horóscopo diz algo como “Hoje, você vai ter uma surpresa inesperada”? Os astros, claro, não precisam saber nada de pleonasmos. Mas, enfim… A questão aqui é que alguém pode concordar comigo quando digo que, da hora em que você levanta da cama até a hora em que volta pra ela, você vai estar sujeito a uma quantidade enorme de “surpresas inesperadas”, o que torna essa previsão astrológica um troço completamente inútil. E, se por acaso, você faz uma aposta com sua amiga de Gêmeos, dizendo que ela pode provar para si mesma que astrologia é uma furada relendo o horóscopo ao fim do dia, ela vai ter um monte de motivos para ganhar a aposta, uma vez que poderá, em retrospecto, dizer qual foi a tal da surpresa, dentre as inúmeras que ela provavelmente teve ao longo do dia. Ou seja, um motivo a mais para lhe mostrar como você, ateu da astrologia, está errado.

O crente em Deus age da mesma forma, e a religião funciona mais ou menos do mesmo jeito: por “autoengano” [agora sem hífen].

O cristão acredita “totalmente” na Bíblia como sendo a palavra de Deus, mas não se dá ao trabalho de ler qual é essa mensagem. E os poucos que leem toda ela, escolhem que parte deve ser seguida e que parte não deve, mais ou menos como alguém que lê uma “previsão” não confirmada ao fim do dia diz pra si mesmo que “essa não foi pra mim”, como se os planetas se posicionassem no espaço para fazerem previsões diárias, individualmente, para cada habitante da Terra.

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CONTINUAÇÃO:

 Parte 2  -

 Parte 3 -

 Parte 4 -

 Parte final

Sugestão de textos complementares.

Sobre autoengano: “Deus, aprecie com moderação (parte 4)”

Sobre astrologia: “Três deuses, um funeral (parte 8)”

Idiotas são os outros

 

 

 

 

As forças da natureza parecem muitas vezes gigantescas, malévolas e alheias às preocupações humanas. Dispersos pelo planeta, os vulcões exibem todo o poder da natureza em seu aspecto mais assustador. Na Big Island, a maior das ilhas do arquipélago do Havaí, os vulcões cuspiram, ao longo de centenas de milhares de anos, sua lava escaldante por toda a paisagem e o oceano ao redor. O Kilauea, nas encostas sudeste do vulcão Mauna Loa, é uma das maiores e mais ativas crateras do mundo.

De acordo com as crenças dos ilhéus, é lá que vive Pele, uma deusa violenta e punitiva. Irmã de uma deusa do mar e de um deus-tubarão, Pele foi obrigada pelo pai, que não suportava sua cólera, a abandonar a terra natal, o Taiti. Ela atravessou o Pacífico numa canoa, perseguida pela irmã vingativa, Namaki.

As lutas infindáveis entre as duas formaram as ilhas havaianas, segundo essa tradição. Pele mergulhava um pedaço de pau no mar, libertava a lava e fazia um buraco escaldante para nele viver. A invejosa Namaki criava ondas gigantescas, apagava o fogo e transformava a lava em rocha. Pele andou de lugar em lugar, acabando por fixar residência na Big Island. Sua enorme montanha, Mauna Loa, era tão alta que ela podia viver sem ser incomodada pelas ondas de Namaki. Dentro do Kilauea Pele continua uma deusa desconfiada, sempre pronta a ter explosões de cólera. Ela circula entre os habitantes da ilha, dançando e paquerando os humanos, muitas vezes acompanhada por seu cão branco, e fica furiosa quando um amante a repele. Briga principalmente com Poliahu, deusa da neve, que habita os picos de Mauna Kea e Mauna Loa, com quase 4.270 metros de altitude. Pele acabou por personificar a consciência social da cultura humana da ilha. Assim, suas explosões seriam uma reação à crueldade dos homens, sua ganância e seu orgulho, e sobretudo à ideia errada de que os seres humanos podem igualar ou superar os deuses em entendimento ou poder. A tal arrogância, dizem os mitos da ilha, ela responde com uma erupção de lava ardente, fumaça densa e cinzas fumegantes. Os havaianos colocam colares de flores tropicais (conhecidos como leis) nas proximidades das cortinas de fumaça para expressar seu humilde respeito pela deusa e esperar que Pele tenha compaixão e os poupe.

Essa mesma ligação entre o mundo natural, a ordem moral e o poder divino está expressa na história de Tor, o deus do trovão das sagas da Escandinávia e da Islândia. O ribombar dos trovões indicava que ele estava no céu, brandindo seu martelo. Lançado a grande distância para abater um inimigo, o martelo mágico fazia um círculo e regressava à mão de seu proprietário — que também o usava para santificar coisas e pessoas com seu toque.

Tor luta incessantemente com Jörmungand, a serpente cósmica que rodeia o mundo e simboliza o mal. As sagas vaticinam que ambos se matarão no Ragnarök, termo nórdico primitivo que significa o Destino dos Deuses, um tempo futuro de trevas, inverno e caos, em que o Sol perderá o brilho, as estrelas desaparecerão e a terra se afundará em chamas no mar.

Só os justos sobreviverão, num grande salão de ouro. Por enquanto, porém, o Universo caracteriza-se pela luta constante entre Tor e o mal. E o trovão provocado pelo martelo de Tor continua a ecoar pelos céus.

 

(Do livro História das Religiões)


Eu transcrevi o resumo desses mitos acima porque sei que você não acredita em nenhum deles, seja ateu ou cristão. Entretanto, seres humanos iguais a você já consideraram, sim, essas histórias como sendo parte da realidade do mundo em que eles viviam, assim como, ainda hoje, pessoas acreditam nas coisas mais idiotas possíveis — do nosso ponto de vista, claro, porque, do deles próprios, nós é que somos os idiotas da história, por não conseguirmos enxergar a verdade.

A verdade sendo o que nos chega por herança.

A verdade sendo repleta de mágica.

Enquanto caminhava por uma floresta, a esposa grávida de um rei viu surgir por entre as nuvens duas figuras celestiais que derramaram água e flores de lótus sobre sua cabeça. Foi então que ela começou a sentir as dores do parto e encostou-se a uma figueira. Do lado do seu corpo brotou uma criança resplandecente, que já sabia andar e falar: “Este é meu último nascimento”, disse o recém-nascido que, mais tarde, seria chamado o Buda.

Todos esses mitos bobinhos acima em nada são diferentes daquele que conta que um ser todo-poderoso criou tudo o que existe para um certo macaquinho de estimação, feito à sua imagem e semelhança, que, depois, irritou seu criador e foi expulso de um jardim encantado por causa da macaquinha que foi feita de uma de suas costelas ter sido ludibriada por uma cobra falante e tê-lo convencido a comer uma fruta mágica.

Mas, se você é cristão, não vai achar esse mito idiota; muito provavelmente nem mesmo ache que isso é um mito.

Idiotas são os outros.


Deus… esse sujeito!

Houaiss (uáis)

Definir palavras com palavras é sempre uma coisa difícil. Quase sempre você sabe o que uma palavra significa, mas não consegue explicá-la de uma forma clara e precisa para uma outra pessoa. Para isso existem os dicionários.

Você pode saber, por exemplo, o que quer dizer “cidadania”, mas, provavelmente, encontre dificuldade para expressar em palavras esse significado internalizado de modo que outra pessoa possa chegar à mesma compreensão que você tem.

Com duas consultas ao Houaiss, pode-se apreender a essência desse termo:

Cidadania s.f. 1. qualidade ou condição de cidadão.

Cidadão s.m. 1. habitante da cidade 2. indivíduo que, como membro de um Estado, usufrui de direitos civis e políticos garantidos pelo mesmo Estado e desempenha os deveres que, nesta condição, lhe são atribuídos.

Entretanto, nesse caso específico, seria preciso usar de um raciocínio para ligar os conceitos: cidadania é, então, o atributo vinculado àquela pessoa que, vivendo em sociedade, tem direitos e deveres inerentes a essa mesma condição, como pagar taxas e impostos; ter direito à liberdade, à privacidade, à propriedade; ter direito à segurança, saneamento, educação, saúde; ter obrigação de respeitar o direito dos outros membros, etc. Cidadania é, enfim, tudo o que advém da condição de se viver bem em sociedade, e tudo o que se faz, individual e coletivamente, para que essa condição se mantenha da forma mais harmoniosa possível.

A partir dos termos dados, é preciso, sim, fazer toda essa inferência para que se possa chegar, enfim, ao significado de “cidadania”. Entretanto, toda língua tem no seu léxico conjuntos fixos de palavras cujo significado não pode ser apreendido pela definição de cada palavra isoladamente.

Para ficar num exemplo só: um rapazinho chega em casa, voltando do seu primeiro ENEM; a mãe lhe pergunta: “Como se saiu na prova?”, e ele responde: “Show de bola”. Se a mãe não conhece essa gíria (que é, também, uma expressão idiomática), não conseguirá entender o que o filho quis dizer procurando no dicionário os significados isolados de “show” e “bola”. “Show de bola”, como todas as outras expressões prontas, conta como apenas uma unidade lexical, assim como os verbetes bola e show.

O falante da língua apreende o significado dessas expressões fixas através da associação que faz, ao longo do tempo, entre elas e o seu uso pelos outros falantes, observando aí o modo, momento ou circunstância em que elas são empregadas. O interessante é que, muitas vezes, a expressão em si não faz o menor sentido, ou sequer tem ligação com o seu significado. Quando dizemos “Puta que pariu!”, por exemplo, não conseguimos vincular nenhuma alusão ao fato de uma prostituta ter tido um filho com o que realmente nos motivou a dizer esse “palavrão” (viu? a coisa toda é percebida como uma única “palavra”, uma só unidade do léxico).

No mesmo nível de “Puta que pariu!, estão outras tantas expressões cristãs, como “Deus te abençoe”, “Deus me livre!”, “Valha-me, Deus!”, “Deus tá vendo”, “Deus é pai”, “Deus escreve certo por linhas tortas”, etc.; algumas (como as três primeiras) já tão incorporadas ao vocabulário que são usadas mesmo por ateus como eu. O problema é o crente querer nos convencer da existência de um Deus real por trás dessas falas, justamente por não perceber que a divindade cristã equipara-se à Puta da outra expressão: está ali porque a oração precisa de um sujeito; não porque o universo precise de um Deus.



Teste seus amigos crentes 2


Eu já fiz isso antes: Teste seus amigos crentes. E não deu em nada. O cristão parece achar que todo mundo é tapado e não consegue perceber quando ele desconversa e sai de fininho. Quando não é isso, ele se vale de outro artifício: a verborragia. Ele fala e fala e fala, cita dezenas de versículos bíblicos, ameaça você com o Inferno uma dúzia de vezes, até achar que você já se esqueceu do foco principal, do assunto do qual ele está fugindo, ou da pergunta que lhe havia feito.

Quando isso também não funciona, ele parte para o tudo ou nada e faz papel de idiota mesmo, talvez na esperança de que seu interlocutor desista e vá embora, deixando os da sua laia saudarem a vitória no “confronto”, aos gritos de Glória! e Aleluia! para o vazio acima de suas cabeças.

No primeiro teste, eu havia perguntado se eles concordariam em sacrificar em holocausto uma filha ou um filho para Deus, que era bem chegado a esse tipo de coisa. Se não concordassem, que explicassem por quê.

Mencionei no texto a história de Abraão, cujo Deus bonzinho exigiu que assasse o próprio filho para testar sua fé [É isso mesmo que você tá pensando: parece que o Deus onisciente não sabia se podia ou não confiar no patriarca. Vai entender...] As respostas mais frequentes eram sempre variações da mesma desculpa, pois ninguém nunca me respondeu diretamente se era contra ou a favor de fazer churrasco do próprio filho (certamente seriam contra, e deve ser uma coisa bem esquisita você ter que discordar do seu próprio Deus): “Não, Barros”, eles começavam, “Deus não permitiu que o sacrifício fosse concluído”, “Era só um teste, e Deus sabia que a criança não seria sacrificada”, “Era só uma profecia do sacrifício vindouro que Deus faria na pessoa do seu filho Jesus Cristo, e o garotinho se recuperou bem rápido do trauma que teve”… Nesse nível.

Deus continuava o Deus de amor de sempre.

É… — eu respondia — seria mais ou menos como se eu entrasse encapuzado na sua casa, segurando uma pistola, e berrasse para que você me trouxesse suas irmãs/filhas mais novas à sala para que eu as estuprasse ali mesmo na sua frente, com a ameaça de matar a toda sua família caso não fosse obedecido. Você, confuso, nervoso e temendo ver realizada a minha ameaça, traria para mim suas irmãs/filhas adolescentes, que estariam chorando e se esperneando ante o ato anunciado. Então eu me revelaria, diria que tudo era apenas uma pegadinha e iria embora. No outro dia, lá estaria você me defendendo, numa conversa com um amigo indignado ao qual houvesse contado a história: “Não, não concordo com você… O Barros é um cara muito legal. Vê só: ele não estuprou ninguém!

Em poucas palavras, é nisso em que a fé se sustenta: má interpretação dos fatos…

Agora o teste 2*

Veja a foto abaixo e se imagine exatamente no lugar do fotógrafo, de onde nenhum movimento no playground à frente lhe escaparia. Você é o/a responsável por esse parquinho e lá dentro estão sua filha de sete anos, sob os cuidados diretos da babá, outras crianças com os pais, e mais alguns homens desacompanhados. Você dispõe de um celular e pode se comunicar com a babá ou mesmo com sua filha, que tem seu próprio telefone; está de posse de um megafone através do qual poderá berrar o que quiser para as pessoas lá embaixo; tem ainda um rádio transceptor sintonizado na frequência da polícia e sabe que há uma viatura fazendo ronda nas imediações; você tem plenas condições de descer de onde está e de chegar a qualquer ponto dessa área de lazer em questão de segundos; você tem, também, um rifle de alta precisão com mira telescópica, e você atira extremamente bem.

O que eu quero que você me responda é o seguinte: nessa situação, o que você faria se avistasse um homem conduzindo sua filhinha para fora do playground, tendo você uma certeza inexplicável (quase uma “onisciência”) de que o tal cara vai estuprar sua amada criança tão logo fique sozinho com ela?

Ah, quase que esqueci de te dar mais essas duas opções de resposta (talvez porque elas sejam mesmo ridiculamente impensáveis, uma vez que você ama sua filha): abdicando de todos os recursos disponíveis mencionados acima, você pode apenas esperar que mais alguém perceba o crime em andamento e salve a menina, resolvendo-se o caso sem a menor interferência de sua parte; ou, se isso não acontecer, você poderá observar, impassivelmente, o homem estuprar sua filhinha de sete anos debaixo daquelas árvores, certo de que chegará o dia em que o cara vai ser preso e punido severamente por esse crime horrendo.



 

 

 

* Eu me inspirei no livro abaixo para propor esse novo teste. Só quem já leu entende o significado do título:

 


Nada a ver com Deus (parte 2)

A Mente Seletiva — como a seleção sexual moldou a evolução da natureza humana

O último relacionamento amoroso decente que eu tive já tem mais de uma década; e quase durou isso também: seis anos.

Acho que deve estar escrito em algum lugar que, depois que o namorado dá dois presentes de Natal consecutivos à namorada, é preciso marcar a data do noivado. Mas com Tatiana foi diferente. Quando começamos a namorar, ela havia acabado de completar 17 anos; quando terminamos, ela já ia pros 23. Mas ela nunca — nunca — tocou no assunto “casamento”, nem mesmo depois que, aos 19, resolveu fazer um test-drive comigo e moramos juntos por todo um mês. Deu tudo certo, mas Tatiana deve ter percebido que eu jamais iria querer passar disso: um namorado de mostruário, do tipo que funciona bem, que já foi testado inúmeras vezes, mas que você não vai levar pra casa.

“Eu não presto pra marido”. Foi essa a conclusão a que eu cheguei, depois que Tatiana saiu da minha vida, e depois que eu passei dez anos sem conseguir mais entrar na vida de ninguém. Alguma coisa estava errada comigo e eu não fazia a menor ideia do que era.

A única coisa que eu já sabia era que jamais iria prometer amar alguém até que a morte nos separe”. Essa promessa imbecil que duas pessoas se fazem na frente de um monte de parentes e amigos é a coisa mais hipócrita e mais ridícula que um ser humano pode dizer a outro. A menos que um dos dois já esteja pensando em cometer assassinato.

Eu tomei conhecimento da existência desse livro em julho de 2007, numa coluna da revista Veja. Apenas lendo uma resenha, eu intuitivamente percebi que essa tese de Geoffrey Miller iria me dar a resposta para a pergunta que os olhos de Taty me fizeram na última vez em que nos vimos: Por que não?.

Como não achei o livro em lugar nenhum na minha cidade, comprei um exemplar em inglês na internet. Quando terminei de ler as quase quinhentas páginas desse livro sagrado, eu não era mais eu. Pessoas religiosas costumam dizer que “nasceram de novo em Cristo”. Pois eu, extasiado, boquiaberto e estupefato, havia nascido de novo em mim e para mim mesmo: eu era, simplesmente, um Buda. Eu estava desperto.

Sim. Agora. Eu sabia.

Sabia quem eu era, como eu era e por que eu era. Não só sabia as respostas; sabia as perguntas. Não só sabia as regras; sabia que era um jogo. Não só sabia o que fazia um homem e uma mulher decidirem passar o resto de suas vidas juntos, como sabia por que essa decisão estava fadada ao fracasso.

O amor que um macho sente por uma fêmea, assim como Deus, também não passa de uma ilusão.

<< Parte 1

Silas Malafaia: “Temor a Deus” (fim)

O maior sintoma do cristianismo (e, aqui, só deixo de fora as outras doutrinas apenas porque não me sinto confortável em falar do que ignoro completamente) é que a pessoa afetada, além de não conseguir enxergar a realidade nua e crua que a cerca, passa a ver coisas, principalmente no seu livro sagrado, que simplesmente não estão lá. 

Uma é que o Deus criado pelos hebreus é o deus particular de um povo. Isso está na Bíblia em vários daqueles versículos que os chamados crentes leem, franzem a testa e pensam: “Não… eu devo ter entendido mal…”. Um brasileiro que diz amar e seguir o Deus hebraico está fazendo papel de idiota, antes de tudo e qualquer coisa, porque os hebreus já dizimaram vários outros povos, inspirados, incitados e protegidos pelo seu Deus, o que não deixa dúvidas quanto a isso: Deus é um deus privado de um povo específico: o ”povo escolhido”.   

Outra: o Deus esquizofrênico, volúvel, genocida e torturador de bebês não desce goela abaixo do crente. Daí o esforço desesperado que ele faz para não pensar nisso, ou para se livrar do assunto, quando trazido à tona:

“Não! Essas leis já não valem mais pra nós!”

“Não! Deus era duro assim, porque o povo da época tinha um coração duro!”

“Não! Deus não… bem, eu não sei, mas sei que NÃO!”

Os Dez Mandamentos tão bonitinhos dos quais os cristãos tanto se orgulham e se apressam em dizer que são a “base” das nossas leis (OK, você pode torturar, estuprar, escravizar, chantagear, etc., pois não estará violando nenhum dos 10 Mandamentos.) são apenas algumas poucas das inúmeras “diretrizes” divinas que, como seu legislador, são eternas e imutáveis. Só que o cristão atual não se agradou delas, talvez porque sejam mesmo tão absurdas quanto parecem ser, e vêm sempre com a desculpa de que não vivem mais “sob a Lei” e sim “sob a Graça”, representada na Nova Aliança a partir da Cruz. Isso mesmo o cara que morreu nela tendo dito que a Terra e o Céu haveriam de passar, antes que um j ou um til fossem tirados da Lei, e que ele não tinha vindo para suspender nada. Traduzindo: a estúpida Lei Mosaica que os cristãos aboliram por conta própria ainda está em vigor.

“Se você teme a Deus, é porque o ama. Se o amar, vai obedecer-lhe. Se obedecer a Deus, vai praticar Sua Palavra. Se amá-lo, obedecer-lhe e praticar Sua Palavra, você desenvolverá em seu caráter as características do caráter do Senhor. Você será piedoso, misericordioso, justo e liberal, (…)”

(p. 41)

Piedoso, misericordioso, justo e liberal (!). Isso se referindo ao Deus cristão descrito na Bíblia, que dizimava nações com sua misericórdia; que torturou e matou uma criança para punir seus pais; que aplicou toda sorte de sofrimento a um de seus adoradores só para testar sua fé; que acha que a mulher deve ser submissa ao seu marido, apenas pelo fato de ser mulher.

Eu me arrependi amargamente de ter iniciado essa série e aqui a finalizo, de uma forma um tanto abrupta, reconheço, mas é porque é intelectualmente exasperante observar de tão perto as idiotices em que pessoas até mais inteligentes do que eu acreditam (e têm que acreditar) para poder manter viva uma tradição estúpida, pela qual se pretende sustentar o sonho estúpido de que um Deus estúpido existe.    

<< Parte 1

Silas Malafaia: “Temor a Deus” (parte 4)

Eu li o livro de 62 páginas do senhor Silas, mas não vejo necessidade de comentá-lo todo aqui, mesmo porque a amostra que dei de como ele começa já é suficiente para se ter uma ideia de como é escrito: com a desonestidade intelectual indispensável aos que afirmam que é real algo que eles querem que seja.

O livro é (nem poderia deixar de ser) uma obra destinada aos drogados, aos viciados no alucinógeno Deus. Uma pessoa como eu tem apenas ânsia de vômito ao ler toda aquela sebosidade literária.

A mensagem do livro, resumidamente, é a de que o crente precisa temer seu Deus e babar seu ovo sagrado até o dia da sua morte, caso não queira ir para o Inferno que ele projetou para quem não se dispusesse a fazer isso. O troço é até bem simples de entender.

O que não é fácil de entender é como os cristãos conseguem ter a cara de pau de não admitirem o óbvio, mesmo quando ele aparece com um crachá em que se lê “O Óbvio”.

Por isso, eu gostaria de fazer apenas dois últimos comentários. O primeiro agora; o último, na parte final.

OBEDECENDO AO CRIADOR

A Palavra do Senhor nos ensina que temer a Deus e submeter-se à Sua vontade é melhor do que lhe oferecer sacrifícios tolos ou desprezíveis. É isto que está escrito em 1 Samuel 15.22, 23a:

“…Tem, porventura, o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios como em que se obedeça à palavra do SENHOR? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; (…)”

(p. 12)

Primeiro que quem determinou que se fizessem os sacrifícios tolos e desprezíveis não foi Deus? E não era ele que os aceitava e exigia?

Segundo que, pelo próprio texto sagrado acima, o “Senhor” tem sim prazer em holocaustos, só que menos do que quando lhe obedecem.

E mencionando o ritual bíblico, pelo qual não se poderia ir a uma batalha sem que um profeta oferecesse um sacrifício a Deus, o autor esclarece que Saul havia desobedecido a essa regra, e completa:

A esta desobediência, seguiram-se outras. Saul ignorou várias ordens do Senhor —  como no caso da destruição de Agague, rei dos amalequitas, de todo este povo e de seu rebanho — , sendo rejeitado por Deus como rei sobre Israel (ver 1 Samuel 15.1-28).

(p. 13)

Saul desobedeceu a ordem de Deus para dizimar toda uma nação e seu rei. Uma carnificina. Um genocídio. Um extermínio. Ordenado pelo Deus bonzinho que, um dia, escreveu numa pedra: “Não matarás”.

<< Parte 1

Silas Malafaia: “Temor a Deus” (parte 3)

Atentemos para o que é dito no Salmo 112:

Louvai ao Senhor! Bem-aventurado o homem que teme ao Senhor, que em seus mandamentos tem grande prazer. (…) [segue o salmo]

O QUE É TEMER A DEUS?

(p. 8)

Pronto. Agora o homem vai explicar o título do livro. Algo importantíssimo, porque, de acordo com o subtítulo, isso é a “base de uma vida vitoriosa”.

A maioria das pessoas pensa que temer a Deus é ter medo dEle. Entretanto, neste texto, temor não é sinônimo de medo. (…)

(p. 9)

Neste texto, temor não é sinônimo de medo”. Engraçado que o salmista não se preocupa em esclarecer isso; e deveria, ainda mais quando se sabe que “a maioria das pessoas” (eu diria “qualquer um”) pensa que temer é ter medo.

Eis o raciocínio do pastor: a frase “que em seus mandamentos tem grande prazer”, imediatamente após “Bem-aventurado o homem que teme ao Senhor”, impede que se atribua o significado de “ter medo de” a esse verbo “temer”:

pois o medo não traz prazer, alegria, felicidade;

(p. 9)

Alguns aventureiros de esportes radicais, ou até mesmo só quem adora montanha-russa ou filmes de terror, vão discordar dele. Mas não há porque invocá-los, uma vez que o autor do livro se enrola sozinho no seu próprio argumento, quando conclui:

Logo, temer a Deus não é ter medo de Deus, como se Ele fosse um Ser iracundo, perverso, que está sempre pronto a exercer o juízo, e nunca a misericórdia; um Ser implacável que, ao primeiro erro, lança o homem no inferno. Esse não é o Deus justo, amoroso, bondoso e misericordioso revelado na Bíblia. (…)

(p. 9)

O Novo Testamento é sobre Jesus Cristo. A Bíblia de Deus é a do Antigo Testamento, e nela, por mais que se esforce, você não vai encontrar nenhum Deus justo, amoroso, bonzinho, ou misericordioso. Pelo menos não pelos padrões terrenos. Talvez lá na galáxia M87 as pessoas considerem um exemplo louvável de justiça condenar todos pelo erro de apenas dois, ou punir apenas um para absolver todos. Aqui no meu bairro isso é um exemplo de imbecilidade.

E, então, o homem dá o golpe final. Já tendo dito que o verbo “temer” não significa “ter medo”, ele agora esclarece o seu significado divino:

Temer ao Senhor é reconhecer que existe um Deus único, verdadeiro, Criador e Senhor absoluto sobre todo o universo.

(p. 9)

Temer é… então… “reconhecer”! Se você “reconhece” uma coisa na sua essência e plenitude, você pode dizer que “teme” essa coisa. Um exemplo claro e em cores berrantes da “desonestidade intelectual” que é preciso para manter toda essa farsa de pé. E se ainda restasse alguma dúvida de que é essa desonestidade em 3D que permite às pessoas de fé continuarem com sua brincadeirinha ridícula, o pastor Silas Malafaia tratou de eliminá-la quando completou sua desastrosa explicação:

Temer ao Senhor é ter consciência de que a nossa vida e tudo quanto existe dependem daquele que vive e reina para sempre, que tem o controle de tudo e de todos.

(p. 9, 10)

Deus, então, está no controle de tudo e de todos? Sério?

Se você é uma pessoa religiosa, e se tivesse a coragem de ponderar durante uns 5 minutos as implicações que essa afirmação traz a reboque, você iria sentir o seu mundo espiritual começar a feder. A menos que (o que não é nada improvável) você seja um exímio fabricador de desculpas.

Só os que perdem a capacidade de fingir para si mesmos estão aptos a perceber a ilusão tola que chamam de religião, e todo o processo estúpido que, ao longo dos séculos, tem servido para sustentar a sua fé em uma fantasia mais estúpida ainda.


<<Parte 1

Silas Malafaia: “Temor a Deus” (parte 2)

Como está a sua vida? Cheia de problemas, angústias, dúvidas, adversidades? Neste livro, trago uma boa notícia para você: o Senhor deseja mudar a sua história, transformar maldições em bênçãos. Mas primeiro é preciso voltar-se para Deus. É necessário que você o tema. Para isso, é fundamental amá-lo.

(p. 5)

Estas são as primeiras sete linhas do livro do pastor Silas Malafaia — “Temor a Deus: a base de uma vida vitoriosa” — e não vejo como ele poderia ter começado de uma maneira mais desastrosa do que essa.

Já na apresentação do seu livro, o pastor Silas não conseguiu esconder o vício do altar, o mau hábito inconfundível que os “guias religiosos” têm de desfiar, diante de sua igreja, todas as mazelas possíveis e imagináveis, antes de desembrulharem o produto que estão vendendo: Deus.

E eu poderia chamar apenas de “cegueira intelectual” —  um eufemismo para burrice —  o fato de que ele considera maldição ter problemas, angústias, adversidades e dúvidas. Entretanto, esse homem acumulou fortuna (na Terra, no Céu eu não sei) com esse tipo de discurso, e se há um rótulo que não vai colar nele é o de burro.

Mas aí, vem a pérola:

É necessário que você o tema. Para isso, é fundamental amá-lo.

(p. 5)

Mas de que inferno esse homem tirou essa lógica? O crente precisa primeiro amar sua divindade para poder temê-la? E só pelo temor a essa divindade é que ele poderá receber alguns bônus nesse joguinho cósmico? É assim que funciona esse universo onde Deus resolveu brincar de casinha com a humanidade? Há algo de muito errado aí… E qualquer um que deixe seu cérebro funcionar como deve conseguirá perceber isso. Muitos só não vão querer admitir.

Essas primeiras sete linhas já me acenam com a forte possibilidade de que eu não tenha mesmo nada de arrogante, como costumo ouvir dos religiosos que me cercam. Mas arrogante por quê? Porque faço perguntas inconvenientes? Porque me atrevo a raciocinar e a divulgar esse raciocínio que lhes desperta regiões dormentes do cérebro que deveriam permanecer dormindo? Porque, quando eu lhes devolvo suas pregações sem a desonestidade intelectual com que foram ridiculamente enfeitadas, elas se mostram insuportavelmente estúpidas? Sem dúvida que é por isso.

Mas, meus irmãos e irmãs em Cristo, acreditem: eu não sou arrogante. Embora eu não possa dizer o mesmo da vossa fé, os motivos que vocês têm para defendê-la e sustentá-la são por demais friáveis, a ponto de não resistirem ao vento fraco do mais despretensioso raciocínio; a ponto de não resistirem sequer à mais fraca luz da observação.

<< Parte 1



Silas Malafaia: “Temor a Deus” (parte 1)


Esse livro tem um título que sugere um contrassenso inescapável: por que um ser que é todo bondade, todo misericórdia, todo perdão; que é a essência do amor, que é a personificação de todas as boas qualidades humanas elevadas sempre à enésima potência; por que diabos uma criatura assim deveria ser temida? Por que Deus deveria inspirar medo?

Eu li e fiz alguns comentários nos textos listados abaixo:

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CONTINUAÇÃO:

PARTE 2

PARTE 3

PARTE 4

PARTE FINAL

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História das Religiões

Eu assinei a revista National Geographic e ganhei esse livro de brinde.

É incrível como as pessoas são ignorantes sobre a sua própria religião, e é incrível como um pouco de conhecimento e de questionamento honesto sobre a “fé” seria suficiente para matar qualquer um dos deuses remanescentes nas atuais religiões do mundo. O que sustenta Deus e deuses é justamente a capacidade que esses exércitos de sonâmbulos têm de se absterem de fazer esses questionamentos, ou mesmo de achar que isso seja necessário. E é aí que entra o tema com o qual vou concluir a série “Três deuses, um funeral”: a hipocrisia.

Neutralize a hipocrisia que está vinculada ao raciocínio do religioso, quando analisando suas próprias convicções, e nenhum deus sobreviverá.

Coração Satânico

Capa do DVD

Capa do DVD

ERRATA:

Aí no capítulo [19] da série De olhos bem fechados, eu misturei lembranças de dois livros perturbadores, que, fugindo do padrão, resultaram em filmes tão bons quanto os textos que os inspiraram: O Exorcista e Coração Satânico, cujo título original é Angel Heart (o nome do protagonista).

Na verdade, as assinaturas dos demônios (imagem abaixo) estão no livro Coração Satânico.

Quem notou o erro foi meu irmão, Kleiton Barros, que foi quem me mostrou o fascínio por trás das figuras demoníacas, e quem me fez perceber que os anjos são apenas uns almofadinhas baba-ovo sem a menor graça.

E eu havia escrito TV Evangélica, mas o programa dos palhacinhos estupradores de mentes é do Canal da Esperança.


assinaturas demoníacas

Para copiar, ler e guardar – texto 3

[ O outro nome de Deus ]

 

[INTRODUÇÃO] 

     “No início era a simplicidade. (…) O universo é povoado por coisas estáveis. (…) No Sol, os átomos mais simples de todos, os átomos de hidrogênio, fundem-se para formar átomos de hélio porque, nas condições que ali predominam, a configuração do hélio é mais estável. (…) Algumas vezes, quando se encontram, os átomos se ligam uns aos outros por meio de reações químicas para formar as moléculas, que podem ser mais ou menos estáveis. (…)

 “Não sabemos que matérias-primas químicas eram abundantes na Terra antes do aparecimento da vida, contudo entre as mais plausíveis encontram-se a água, o dióxido de carbono, o metano e a amônia: todos compostos simples que, sabemos, estão presentes em pelo menos alguns dos outros planetas do nosso sistema solar. (…) Eles [os químicos] colocam essas substâncias simples num frasco aplicando-lhes uma fonte de energia como a luz ultravioleta ou descargas elétricas – uma simulação artificial dos relâmpagos primordiais. Depois de algumas semanas fazendo isso, algo interessante é descoberto no interior do frasco: um caldo ralo amarronzado com um grande número de moléculas mais complexas do que as originalmente colocadas ali. Em particular, têm sido encontrados aminoácidos – os blocos de construção de que são feitas as proteínas, uma das duas grandes classes de moléculas biológicas.

      “(…) Processos análogos aos mencionados acima devem ter dado origem à ‘sopa primordial’ que biólogos e químicos acreditam ter constituído os mares de 3 a 4 bilhões de anos atrás. (…) Sob a influência posterior de energia, como a luz ultravioleta emanada pelo sol, elas se combinavam em moléculas maiores. Hoje em dia, moléculas orgânicas grandes não durariam tempo suficiente para serem notadas: seriam rapidamente absorvidas e desintegradas pelas bactérias ou por outros seres vivos. Mas as bactérias e todos nós só aparecemos mais tarde, de tal maneira que, naqueles tempos, as grandes moléculas orgânicas podiam flutuar à deriva, sem serem molestadas, em meio ao caldo que se tornava cada vez mais denso. 
 

[O GÊNESIS SEM A “MÁGICA” DIVINA] 

      “Em algum momento formou-se, por acidente, uma molécula particularmente notável. Vamos chamá-la de o Replicador. (…) …ela tinha uma propriedade extraordinária: a capacidade de criar cópias de si mesma.

      “Este pode parecer um tipo de acidente cuja ocorrência é muito pouco provável. E foi, de fato. Foi uma ocorrência extremamente improvável. Durante a vida de um homem, acontecimentos assim tão improváveis podem ser considerados, em termos práticos, impossíveis. É por isso que nunca ganharemos o primeiro prêmio na loteria. Entretanto, nas nossas estimativas humanas sobre o que é ou não provável, não estamos habituados a lidar com centenas de milhões de anos. Se apostássemos na loteria todas as semanas durante 100 milhões de anos, é muito provável que ganhássemos o primeiro prêmio em diversas ocasiões.

      “Pense no Replicador como uma matriz ou um modelo padrão. Imagine-o como uma molécula grande, constituída por uma cadeia complexa de vários tipos de blocos moleculares. Esses pequenos blocos de construção encontravam-se abundantemente disponíveis no caldo em que flutuava o Replicador. Agora suponha que cada bloco apresenta afinidade com outros blocos do mesmo tipo. Então, sempre que um bloco, vindo do caldo, se encontrar com uma parte do Replicador com a qual tenha afinidade, tenderá a aderir-se a ele. Os blocos que se ligam desse modo se arranjarão, automaticamente, numa seqüência idêntica à do próprio Replicador. (…) Esse processo poderia prosseguir como um empilhamento progressivo, camada sobre camada. É assim que se formam os cristais. Por outro lado, as duas cadeias poderiam se separar e, nesse caso, passaríamos a ter dois Replicadores, e cada um deles continuaria a produzir outras cópias de si mesmo. (…)

        “Ao que parece, chegamos assim a uma numerosa população de réplicas idênticas. Agora, porém, temos de mencionar uma propriedade importante de qualquer processo de replicação: ele não é perfeito. Ocorrem erros nesse processo. Espero que não haja erros de impressão neste livro, mas, se fizermos um exame cuidadoso, é bem possível que encontremos um ou dois. É provável que eles não distorçam seriamente o sentido das frases, porque serão erros de ‘primeira geração’. Mas, imagine os tempos anteriores à imprensa, quando livros como os Evangelhos eram copiados à mão. Todos os escribas, por mais cuidadosos que fossem, cometiam um erro ou outro, e alguns não conseguiam resistir à tentação de fazer pequenas ‘melhorias’ no texto. Se todos produzissem suas cópias a partir de uma única matriz original, não haveria deturpações significativas de sentido. No entanto, se as cópias fossem feitas a partir de outras cópias, que, por sua vez, tivessem sido feitas a partir de cópias também, os erros começariam a se acumular e se tornariam mais sérios. Tendemos a considerar ruins as cópias imprecisas e, no caso dos documentos humanos, é difícil pensar em exemplos nos quais os erros possam ser vistos como benefícios. Quanto aos eruditos da Septuaginta o mínimo que se pode dizer é que eles deram início a algo de profunda importância quando traduziram, incorretamente, a expressão ‘jovem mulher’, em hebraico, pela palavra ‘virgem’ em grego, originando a profecia ‘Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho…’ De todo modo, como veremos, a produção de uma cópia imprecisa doReplicador biológico pode, num sentido real, originar um melhoramento, e foi essencial para a evolução progressiva da vida que alguns erros tivessem ocorrido.

      “(…) Seus [dos Replicadores] descendentes modernos, as moléculas de DNA, são extraordinariamente fiéis, se comparados com alguns processos de cópia humana do mais alto grau de fidelidade, mas, mesmo eles, de quando em quando, cometem erros, e são esses enganos, em última análise, que tornam possível a evolução. (…) …o que importa é que podemos ter certeza de que os erros ocorriam e eram cumulativos.

      “À medida que se formavam e se propagavam cópias imperfeitas, a sopa primordial foi se enchendo, não de uma população de réplicas idênticas, e sim de diversas variedades de moléculas replicadoras, todas elas ‘descendentes’ do mesmo ancestral.  
 

[A ORIGEM DA EVOLUÇÃO SELETIVA] 

      “(…) Algumas variedades [de moléculas] seriam inerentemente mais estáveis do que outras. Certas moléculas, depois de formadas, teriam menos tendência do que outras a se decompor mais uma vez. Tais tipos se tornavam relativamente mais numerosos na sopa, não somente como conseqüência lógica e direta da sua ‘longevidade’, mas também porque teriam muito tempo disponível para produzir cópias de si mesmas.

      “(…) Provavelmente, porém, os demais fatores não se mantiveram constantes. Assim, outra propriedade inerente a uma variedade de Replicadores que deve ter assumido uma importância ainda maior na sua disseminação pela população foi a velocidade de replicação ou ‘fecundidade’. Se as moléculas replicadoras do tipo A fazem cópias de si mesmas, em média, uma vez por semana, ao passo que as moléculas do tipo B fazem cópias de si mesmas a cada hora, não é difícil prever que, em pouco tempo, as moléculas do tipo A serão superadas em número, ainda que ‘vivam’ durante muito mais tempo do que as do tipo B.

      “(…) Voltando ao caldo primordial, ele deve, portanto, ter sido povoado por algumas variedades de moléculas estáveis; estáveis no sentido de as moléculas individuais durarem muito tempo, ou se replicarem a uma grande velocidade, ou ainda se replicarem com alto grau de precisão.

      “(…) Quer chamemos aos primeiros Replicadores de ‘vivos’ ou não, eles foram os ancestrais da vida.

      “(…) O próximo elo importante na nossa argumentação, (…) é a competição. A sopa primordial não tinha capacidade de prover o sustento de um número infinito de moléculas replicadoras. Primeiro porque as dimensões da Terra são finitas (…). …quando os Replicadores se tornaram numerosos, os blocos de construção devem ter sido utilizados numa velocidade tão grande que acabaram por se tornar um recurso escasso e precioso. Diferentes variedades ou linhagens de Replicadores devem ter competido por eles. (…) Podemos agora concluir que as variedades menos favorecidas teriam com efeito se tornado menos numerosas por causa da competição, e que, finalmente, muitas delas devem ter se extinguido. As variedades de replicadores travaram uma luta pela existência. Elas não sabiam que estavam lutando, e nem se preocupavam com isso. (…) Entretanto, se tratava de uma luta, no sentido de que qualquer cópia imprecisa que resultasse num nível mais alto de estabilidade, ou numa nova forma de reduzir a estabilidade das suas rivais, era automaticamente preservada e multiplicada. O processo de melhoramento era cumulativo. As formas de aumentar a própria estabilidade e de diminuir a estabilidade das rivais tornaram-se mais elaboradas e mais eficientes. Alguns Replicadores podem até mesmo ter ‘descoberto’ como decompor quimicamente as moléculas das variedades rivais, usando os blocos construtores assim liberados para produzir as próprias cópias. Dessa maneira, esses ‘protocarnívoros’ ao mesmo tempo obtinham alimento e removiam os rivais competidores. Outros Replicadores talvez tenham descoberto jeitos de se proteger, quer quimicamente, quer erguendo uma barreira física de proteína à sua volta. Talvez as primeiras células vivas tenham surgido assim. Os Replicadores começaram não apenas a existir, mas também a construir invólucros para si mesmo, veículos capazes de preservar sua existência. Os Replicadores que sobreviveram foram aqueles que construíram máquinas de sobrevivência no interior das quais pudessem viver. De início, é provável que tais máquinas não passassem de um revestimento de proteção. No entanto, ganhar a vida ficou gradativamente mais difícil à medida que surgiam novos rivais com máquinas de sobrevivência melhores e mais eficientes. Essas máquinas se tornaram maiores e mais elaboradas, num processo cumulativo e progressivo. 
 
 

[O OUTRO NOME DE DEUS] 

 “Haveria um ponto final para o aperfeiçoamento gradual das técnicas e dos artifícios usados pelos Replicadores para assegurarem sua própria continuação no mundo? Eles contavam com muito, muito tempo para esses aperfeiçoamentos. Que estranhas máquinas de autopreservação trariam consigo os milênios seguintes? Qual seria o destino dos primeiros Replicadores 4 bilhões de anos depois? Eles não se extinguiram, pois são mestres antigos na arte de sobreviver. Mas não espere encontrá-los no mar, flutuando à deriva; há muito que desistiram dessa liberdade altiva. Hoje em dia, eles se agrupam em colônias imensas, seguros no interior de gigantescos e desajeitados robôs, guardados do mundo exterior, e com ele se comunicam por caminhos indiretos e tortuosos, manipulando-o por controle remoto. Eles estão dentro do leitor e de mim. Eles nos criaram, o nosso corpo e a nossa mente, e a preservação deles á a razão última da nossa existência. Percorreram um longo caminho, esses Replicadores. Agora, respondem pelo nome de genes, e nós somos suas máquinas de sobrevivência.” 
 

———————-

FORA DOS COLCHETES, ESSE TEXTO FOI EXTRAÍDO DO LIVRO ‘O GENE EGOISTA’ DE RICHARD DAWKINS, CAPÍTULO 2, OS REPLICADORES, PÁGINAS 54-66.

A Divina Revelação do Inferno (depoimentos)

O meu próprio está no fim do post.

“Este livro é o aviso de Deus para esta geração — se você já esteve em dúvida sobre a existência do inferno — NÃO TENHA MAIS!” (Marilyn Hickey, Denver, Colorado)

“Eu li este livro, tremendo no meu coração. Eu realmente creio que Rev. Baxter teve um verdadeiro encontro com a realidade do inferno na sua experiência da revelação de Jesus Cristo nosso Senhor.” (David Yonggy Cho, Seul, Coréia)

“Eu recomendo este livro de todo o meu coração, não somente para os pecadores, mas para toda a igreja.” (Jim Whitefield, Pastor, Raleigh, North Carolina)

“Mary Baxter tem realmente um incrível testemunho que precisa ser compartilhado com todos. Deus certamente está usando-a como uma ganhadora de almas para Jesus Cristo.” (Eldred Thomas, Presidente, KLTJ-TV, Houston, Texas)

“Este é um dos testemunhos mais poderosos que eu já li! Sua descrição do inferno é tão real que os leitores vão sentir como se estivessem lá com ela enquanto Jesus está mostrando os horrores do abismo. Eu desejo que este livro esteja disponível para todos — para os cristãos como um aviso para continuarem a andar com Jesus e para os não cristãos para mostrá-los o que está esperando por eles se eles não comprometerem suas vidas a Jesus Cristo.” (R. Russel Bixler, Chairman/CEO, Cornestone TV, Wall Pennsylvania)

“Eu não poderia dar a este testemunho um apoio maior. Este calafrio transformará absolutamente a sua vida.” (T. L. Lowery, Pastor, National Church of God, Washington, DC)

Se você é religioso, acho bem provável que discorde dessas pessoas, pois, mesmo pela pequena amostra que eu dei, você já deve ter percebido que esse livro foi escrito por uma oportunista. Ou por uma fanática. Ou por uma oportunista fanática. Mas há algo aqui que eu não posso deixar passar em brancas nuvens. 

Esse livro ridículo foi publicado às centenas de milhares, talvez traduzido para várias línguas, divulgado e endossado por pessoas de certo poder e influência em suas sociedades, como mostram os trechos que transcrevi fielmente acima, impressos na contracapa da edição que eu li. Tivesse ele sido escrito em pergaminhos há dois mil anos, muitas pessoas influentes daquela época também teriam feito o mesmo: o endossariam como revelação divina. E, assim, talvez, esse texto tivesse chegado aos nossos dias dividido em capítulos e versículos como parte de um livro ainda maior…

E — surpresa das surpresas! — esses mesmos religiosos que concordam comigo quando digo que essa Mary Baxter é uma demente que escreveu um livro ridículo estariam, hoje, citando os versículos dele para mim, na tentativa de livrar minha alma do Inferno tão bem descrito por essa autora, então, sagrada.

A Divina Revelação do Inferno

“Em março de 1976, enquanto eu orava em casa, recebi a visita do Senhor Jesus Cristo.”

Um livro que começasse assim, na minha modesta opinião, só poderia ser duas coisas:

Mary K. Baxter

Mary K. Baxter

1. Um relato que iria abalar o mundo;

2. Uma obra de ficção como tantas outras.

Depois de tê-lo lido duas vezes e já que não vi nenhuma manchete sobre ele nos jornais, na CNN, na Internet, e como a própria autora diz que o livro não é ficção, fui obrigado a expandir a minha classificação para criar uma nova categoria: a das obras literárias escritas por doentes mentais.

A autora americana Mary Kathryn Baxter o escreveu para o mundo como sendo o relato fiel do seu passeio de 30 noites pelo Inferno na companhia de, nada mais nada menos, Jesus Cristo. A senhora Baxter é uma cristã fervorosa e, segundo as próprias informações no fim do livro, a especialidade dela é “na área dos sonhos, visões e revelações”. Também nessa parte, fiquei sabendo que “Quando ainda era jovem, a sua mãe ensinou-lhe sobre Jesus Cristo e a Sua salvação”. Mais um cérebro permanentemente danificado.

O livro valerá cada centavo que você pagar por ele. Eu me diverti muito. E se você pretende cursar psicologia ou filosofia vai poder usar esse material nas duas áreas, porque ele é uma prova incontestável de que não há limite para a imbecilidade humana. Não estou, necessariamente, referindo-me apenas à autora. Sem dúvida, das centenas de milhares de leitores que o tiveram nas mãos (a edição de 2001 que li estampa, na capa, “600 mil cópias vendidas”), umas tantas almas devem ter acreditado nela e são, por isso, muito mais imbecis, ou os únicos imbecis na história toda, uma vez que a senhora Mary Baxter deve estar colhendo os seus galardões em notas verdinhas já nessa vida.

A seguir, umas tantas amostras grátis. [Transcrição fiel do texto traduzido.]

“Vejo agora que o Senhor estava me preparando para escrever este livro, porque ainda criança, tive um sonho com Deus.” 11

” ‘Vede, Minha filha’, disse Jesus, ‘vou levá-la ao inferno pelo Meu Espírito, para que você possa registrar a realidade dele, para dizer a toda a terra que o inferno é real, e para tirar os perdidos da escuridão para a luz do evangelho de Jesus Cristo.’ ” 16

” ‘Vão!’, disse o demônio maior para os diabinhos e diabos. ‘Façam muita maldade. Destruam lares e famílias. Tentem os crentes fracos, dêem instruções equivocadas e desviem tantas pessoas quanto puderem. Vocês serão recompensados quando voltarem. 

Lembrem-se que devem ter cuidado com aqueles que aceitaram realmente a Jesus como o seu Salvador. Eles têm o poder de expulsá-los.’ ” 35

” ‘Iremos para aquela casa hoje e atormentaremos todos os que estiverem ali. Receberemos mais poder do nosso senhor, se fizermos isto certinho. Ó, Sim, causaremos muita dor, doenças e sofrimento para todos eles.’ Aí eles começaram a dançar e a cantar músicas diabólicas em adoração a Satanás, glorificando o mal.

Um deles disse: ‘Temos que observar com muito cuidado aqueles que crêem em Jesus, porque eles podem nos expulsar.’ 

‘Sim’, disse um outro, ‘No nome de Jesus, nós temos que sair fora.’ 

Aí, um outro espírito maligno disse: ‘Mas nós não vamos para aqueles que conhecem a Jesus e o poder do Seu nome.’ ” 99-100

“Nessa hora, o homem que estava a esquerda de Satanás levantou o braço e uma luz brilhante apareceu no muro a direita. No muro havia uma tela de cinema, que passava cenas do cotidiano de vários lugares. (…)

Satanás disse: ‘Vá a esses lugares, vivam e ajam como pessoas normais. Engane a muitos, e desviem o maior número possível de pessoas de Deus. (…) Vocês enganarão e levarão muitos a se desviarem da verdade. Vocês irão a todas as partes da terra, farão minha obra e voltarão com relatórios. (…) A sua missão é capturar almas. Vocês podem atrai-las pela feitiçaria, com falsas religiões e seitas. Vocês podem levar os Cristãos mais fracos a cair no pecado da carne. Podem plantar sementes de dúvida sobre a verdade da Palavra de Deus. Podem levar homens e mulheres a se desviarem do Evangelho de Jesus Cristo, e se puderem, a destrui-los.’ 

Uma estante alta foi trazida para Satanás, que tinha muitos papéis. Ele pegou alguns e começou a ler muitas coisas para as mulheres. (…) ‘Peguem uma alma por semana,’ Satanás continuou: ‘Trabalhem com essa alma a semana toda. Vou lhes dar três semanas para corromper uma única alma, depois disso vocês me dão um relatório.’ ” 65-66

“Jesus falou: ‘Minha filha, algumas pessoas ao lerem o livro que você escreverá, o comparará a uma obra de ficção ou a um filme que viram. Eles dirão que isso não é verdade. Mas, Você sabe que estas coisas são verdadeiras. Você sabe que o inferno é real, porque Eu a trouxe aqui muitas vezes, pelo Meu Espírito. Eu lhe revelei a verdade para que você possa testemunhá-la.’

Perdidos, se vocês não se arrependerem e se batizarem, e crerem no Evangelho de Jesus Cristo, este será o seu fim com certeza.” 133

“Na parte superior da máquina estavam as palavras: ‘Este apagador de mentes pertence a besta, 666.’ ” 144

“A bandeira americana, rasgada e esfarrapada, abandonada no chão.” 142

 

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A DIVINA REVELAÇÃO DO INFERNO. Baxter, Mary K. Danprewan Editora: Rio de Janeiro, 2001. 6ª edição. 

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