Por que não acreditar – 1ª parte (de 3)

Preciso contar uma coisa: eu tenho US$ 980.620,00 guardados dentro de uma mala azul embaixo da minha cama. Sim, você leu direito: quase um milhão de dólares americanos. Em notas usadas de 50 e de 20.

Você pode não acreditar em mim, mas isso poderia ser facilmente resolvido se eu levasse você até a minha casa para que você mesmo contasse o dinheiro. Mas mesmo que eu não faça isso, você não poderá simplesmente concluir que essa mala azul não existe. O fato de eu, especificamente ― claro, se fosse o Sílvio Santos que alegasse tal coisa, você não teria por que duvidar ―, ter esse dinheiro todo no meu quarto não pode ser visto como “impossível”, afinal, eu poderia tê-lo obtido de um jeito ou de outro. Mas como isso não vai alterar absolutamente em nada o curso da sua vida, acreditar, ou não, na minha pequena fortuna torna-se totalmente inútil para você, e o seu cérebro simplesmente deixa de pensar no assunto. A “Mala Azul”, exista ou não, não lhe interessa.

Imagine agora que eu, que há quase 20 anos moro longe da minha família e, muito raramente, meus parentes menos próximos têm qualquer notícia a meu respeito, mandasse uma carta para alguns deles começando exatamente como acima e, adicionalmente, divulgasse a informação de que eu havia me convertido ao budismo e, antes de me mandar, definitivamente, para o Tibet, no final de 2009, iria querer fazer uma doação de todos os meus bens, distribuindo-os entre os parentes menos afortunados. A grana da Mala Azul inclusa.

A história agora é bem outra. A existência da minha Mala Azul pode, sim, interferir na vida de alguém. Numa situação dessas, não é difícil de se imaginar que alguns dos meus parentes iriam considerar bastante o caso, ponderar as possibilidades e, após algumas conversas em família, reflexões, e duas ou três noites de insônia, iriam acabar admitindo um certo nível de “crença” na Mala Azul. Claro, sempre haveria aqueles que iriam duvidar que eu possuísse esse quase milhão de dólares, mas mesmo estes “descrentes”, estariam sempre reavaliando as possibilidades para manter ou reforçar a sua própria descrença. Só que eles, do mesmo modo que os meus “crentes”, não teriam como saber se a Mala Azul realmente existe ou não, o que faz dessa descrença ― acreditar que ela “não existe” ― também uma forma de fé, idêntica à dos crédulos, só que com o sinal invertido.

Parte 2Parte final


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14 Respostas

  1. Já estou utilizando a nova ortografia do português. Se alguém encontrar alguma incorreção, por favor, avise-me.

  2. tow curiosa pra ver os próximos capítulos.. (rs) naum precisa se preocupar com a nova ortografia por enqto. vai demorar muuuuuuito ainda

  3. Laíza (ou Laiza), vou publicar uma parte por dia. Quanto às novas regras de ortografia, eu penso o seguinte: um dia vou ter que começar a usar mesmo. Então que seja hoje! Obrigado pelo comentário.

  4. Muito simpático o comentário da LAIZA.parece ser boa pessoa….receptiva, simpatica…então sobre não acreditar…não consigo ser desonesto….não tenho fé….e não razões pra existir um Deus…e que ele nos fez à sua imagem e semelhança…..e não liga pra ninguém?
    afinal tudo só vai acontecer quando morrermos?
    porque não toma atitude e faz uma mágica pra defender os palestinos dos “judeus” assassinos?
    será que ela não tem pena? rsrs
    e as desgraças? naturais….e as provocadas por seus filhos? crentes ou não?
    é muito confortante dizer que só o verei quando morrer…..ou então vou pro inferno….
    o inferno é aqui……e todos morreremos, ateus ou não
    então porque dá guarida a estes reacionários crentes?
    prefiro ser livre…não ter Deus..e fazer minha caridade,porque sei que alguns nasceram em condições adversas piores…sempre seráassim
    se nós nada fizermos não vai cair do céu…ou será que Deus existe? e vai fazer? claro que não
    abraço

  5. Meus caros, vocês estão fazendo o que muitos na gênese da sociedade grega dita “evoluída”, e até hoje referência acadêmica, já praticavam; aprimorando o poder de persuadir o outro a partir de seus ideais. O mais importante ainda é a questão do discenso, pois é a partir dele que nossa espécie evolui, domina e transforma a natureza e em alguns momentos, paradoxalmente, até involui. Destarte, meus caros amigos, tiremos como exemplo os grandes doutores da retórica que discursavam pelo simples prazer do bem dizer e falar. Respeitando um ao outro apesar de não concordar com a argumentação alheia: “posso até não concordar com o que vc diz, mas defenderei com toda minha vontade o seu direito de dizê-lo” (autor desconhecido) . Por que não absovemos o que cada filosofia tem de bom, ainda que o bom , seja relativo, tanto ao tempo, ao espaço e à circunstância? Por que não usamos o “equilíbrio” pregado pelos orientais, ou o amor ao próximo como prega a fé cristã? Por que não observamos de forma cética, assim como o ateu o faz, aqueles dogmas que retardam a evolução de nossas ciências humanas e naturais? Talvez a resposta um tanto que imediatista não preencha nossos anseios toda plenitude, pois somos seres de emoções, sensações e reflexões racionais, claro que às vezes um predomina mais que outro, mas os somos. E a para explicar tanta riqueza seria necessário mergulharmos na filosofia, na psicologia, na antropologia, na neurociência , na sociologia , na arqueologia, na teologia e outras ciências mais. Ainda assim, não teríamos a verdade absoluta, pois como escrevi no início, o que importa aqui é o discenso.
    Então meus caros, vivamos em harmonia, amando o outro, buscando o equilíbrio, a racionalização das idéias, a fé no imaginário.

    PS: Não distorçamos o que se está sendo escrito aqui para que de forma tendenciosa seja usada como objeto de controle. Refiro-me ao texto do nobre Barros, que foi interpretado erroneamente pelo nobre colega Mats quando usou a técnica socrática de questionamentos, quando na verdade estava afirmando suas proposições. Acredito que todos tenham entendido a analogia, um tanto que chocante, diga-se de passagem, usada pelo nobre Barros.

    Viva ao DISCENSO.

  6. ERRATA: absorvemos

  7. Rui: obrigado pela participação e seja muito bem-vindo. Espero que sempre dê uma contribuição. Olha, acredito que a frase “Posso não concordar com o que você diz…” é atribuída a Voltaire. Grande abraço.

  8. Rui,

    Muito bom o comentário! Esclarecedor, inteligente, habilidoso direto…..legal, gostei..abraço

  9. Jedson, procure ler este BLOG!

  10. Jedson,

    Eu li um monte de baboseiras retóricas, sem dizer absolutamente nada….enrolação….

    o que se propõe a deus, pode-se propor a “fada sininho”, por exemplo..

    SEgundo escreve, deus existe por causa da fé…e por que o Sr Tomaz de Aquino afirma que existe….

    Faltou dizer como se manisfesta esse deus. Se Alá é mais baixo que ele.. Se alguém nascer na África precisa crer em qual deus…e assim vai.

    O site fica enrolando, como se fosse enganar um bobão…inventando dogmas dentro de dogmas…e só

    É bom ler algo daqui mesmo

  11. Sr. Jedson

    Primeiramente me apresento ao Sr. dizendo o seguinte:

    Sou teísta tb e fui la vi os videos que o Sr. pediu para ver e tb li alguma coisa la.

    Sinceridade?! fiquei decepcionado ; só vi um Sr.falando que o vaticano disse isto o vaticano disse aquilo etc.
    Até formula matématica pra não dizer nada.
    Sr. JEDSON pra ser sincero faço minha as palavras do Sr. Saracura ai em cima.

    Que tal o Sr. convidar um destes teus amigos ai pra comentar algo aqui pra galera ou o Sr. mesmo.
    Ou será que tem medo de debater aqui saudavelmente?!

    É triste mas é a mais pura verdade os ateus dão de 10 a 0 em nós em se tratando de debates.

    O Sr. Saracura foi brilhante no seu pequeno comentário.

  12. Ah sim Sr. Jedson ja ia me esquecendo; agora o Sr. seja humilde e leia algo daqui tb e ajude a nós teístas responderem os nossos amigos ateus aqui.

    Comece com o Deus que não estava lá

    vai na busca ali em cima que o Sr, acha ele lá

  13. ADAMANTDOG,

    Obrigado, sempre pela educação e discernimento…

    o site em questão fica tergiversando, enrolando sobre dogmas e só….mas não acrescenta nada.. é aquela história, crio um monstro fictício e passo a explorá-lo, criando detalhes absurdos….

    valeu

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