Racionalizando a Eternidade – parte VI

 

interrogacao1Na Eternidade, as pessoas lembrarão da sua vida passada? Lembrarão quem foram? Lembrarão da Terra?

Eu digo a você, com toda a sinceridade, que se eu fosse salvo, por melhor que se me apresentasse o Paraíso e por pior que a vida neste planeta, às vezes, pareça ser, eu levaria boas lembranças daqui. Muitas coisas eu faria questão de lembrar, e teria saudade de outras tantas. E acho que o mesmo se aplicaria a você.

Mas será que isso seria assim? Será que seria “permitido”? Será que as pessoas no Paraíso teriam, pelo menos, a memória da vida terrena preservada? Será que poderiam ter saudade de certas coisas, de lembranças boas, de amores adolescentes, de aventuras, de lugares?

Eu também não sei responder essa; nem você sabe, nem o papa, nem ninguém.

Mas ora!, até aqui, nós só podemos dizer que esse processo de racionalização só nos deixou com mais dúvidas — em número e qualidade — do que as que tínhamos inicialmente sem fazer nenhuma pergunta. Só dá para concluirmos que sabemos agora muito menos do que antes, o que não ajuda em nada nem nos leva a lugar algum, certo?

Errado.

Houve um tempo em as pessoas acreditavam que a Terra era plana — porque parece ser plana — e que era o centro do universo com o Sol e a Lua girando ao redor e as estrelas coladas num teto celestial — porque é assim que parece. Quando o ser humano, por seu próprio esforço e competência, vislumbrou o que estava além das aparências, deparou-se com uma infinidade de outras perguntas. Uma Terra redonda, infinitesimal, vagando num espaço repleto de outros mundos, outras luas, outros sóis, com uma infinidade de galáxias, acenava com a desconcertante conclusão de que a fração microscópica de conhecimento que ele havia tão trabalhosamente adquirido só serviu para aumentar, na razão inversa, a sua própria noção de quanto era ignorante.

Mas todas essas novas dúvidas trouxeram de bônus uma assombrosa certeza que nenhum cientista, nenhum sábio, nenhum filósofo, nem eu, nem você, nem ninguém jamais deveria pensar em recusar:

“Eu sou ignorante acerca de um Universo muito, mas muito maior do que eu imaginava!”

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4 Respostas

  1. Achei muito legal essa conclusão acerca das dúvidas, nunca tinha olhado a questão por esse ângulo, gostei bastante.
    Se pararmos pra pensar, acho que é preferível o “benefício da dúvida” do que uma certeza incerta (paradoxal assim, porque é infundada)

  2. Lari: já li outros escritores com esse mesmo pensamento; mas o fato de eu pensar como eles não torna a minha conclusão um plágio. Acho que li algo sobre isso no livro de Chritopher Hitchens; só que, como o deixei na casa dos meus pais em outra cidade, não posso confirmar.

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