Sagrado é igual a inventado

santacecilia2Muito provavelmente, a cidade onde você mora tem uma santa padroeira. Ou santo. Muito provavelmente mesmo. Embora um mesmo santo possa ser o padroeiro de várias cidades ao mesmo tempo, o Brasil poderia se dar ao luxo de ter um santo ou santa diferente para cada um dos seus 5.566 municípios. Mas aí, acho que iria faltar santo para apadrinhar outras coisas. Por exemplo, a Santa Cecília aí da imagem é a padroeira dos músicos.

E como uma santa se torna padroeira de uma cidade? Eu não sei. Mas isso não é novidade: eu sou muito ignorante. Mas eu gostaria muito de saber. Só que duvido que seja algo diferente disso: alguém, aqui na Terra, um ser humano igual a mim, baseado na simpatia de um determinado grupo social por uma determinada santa, oficializa a preferência: tal santa é a padroeira de tal cidade. Ponto. Se houver um documento para assinar, ele lasca uma assinatura. A partir daí, o povo ganha mais um feriado e a santa, mais uma obrigação. Ninguém vai se lembrar, depois, que foram eles próprios que fizeram a coisa toda. E o feriado passa a ser sagrado. Simples assim.

Às vezes, só precisa mesmo de uma pessoa investida de autoridade suficiente para declarar algo como sagrado. O resto é propaganda.

O mecanismo funciona mais ou menos do mesmo jeito para todas as coisas que são consideradas sagradas. A assunção de Maria aos céus; o Santo Graal; a Terra Santa; o Santo Sudário; a Transubstanciação; a cruz; a Bíblia. As pessoas consideram tais coisas sagradas, porque, em algum momento, um homem ou uma comunidade resolveu pensar que assim era. Uma santa ser padroeira de uma cidade é pura convenção; a assunção de Maira é um dogma; o pão que se torna carne e o vinho que se torna sangue, idem; o Santo Sudário é uma fraude; o Santo Graal era só um  verso num poema; a Terra Santa é apenas uma cidade histórica; a cruz era um instrumento de tortura; a Bíblia é um punhado de livros escritos por um punhado de gente. Essas coisas só se tornaram sagradas porque o ser humano as relacionou a sua divindade. Assim, tipo, quase por decreto.

Deus mesmo não moveu uma palha.

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12 Respostas

  1. Hahaha nunca tinha parado pra pensar nisso também!

    Faz sentido, de fato… aliás, não apenas por ser ateísta, discordo totalmente desse negócio de ter uma santo padroeiro pra alguma cidade. E de feriados religiosos.

  2. Barros,

    Eu até acho legal que você exponha o que você pensa, mas não acho que é justo você falar isso ou aquilo sobre a bíblia sem que tenha feito um estudo sério a respeito, sem ter a mínima idéia do seu conteúdo além do que você leu a respeito. Assim como não seria justo que eu falasse sobre a sua pessoa através do que eu leio no scrap, o depoimento de amigos seus, suas fotos…mas que eu tenha tido contato direto com a sua pessoa e que você, da sua própria boca, me revelasse o que está no seu íntimo.

    A bíblia, pra quem conhece através da opinião de outras pessoas, ou pelo comportamento de outros que dizem viver sob seus preceitos não é o suficiente.

    Eu gostaria muuuito mesmo de discutir assuntos relacionados a bíblia com você, mas é praticamente impossível que troquemos idéias sem que os dois tenhamos conhecimento (mesmo em níveis diferentes) do assunto tratado e que sejamos humildes pra aceitar a verdade, mesmo que ela seja diferente do que você acredita na sua mente.

    Você tem acesso ao meu email?

  3. Encontrei um estudo online que é muito bem feito. Aconselho dar uma olhada

    http://www.geocities.com/athens/olympus/4272/inicioportmain.htm

  4. Larissa: o Estado não é laico? Por que diabos feriados religiosos? Por quê? Lobby!!

    Believer escreveu:

    …e que sejamos humildes pra aceitar a verdade,”

    O que você chama de Verdade é apenas Fé. Você tem Fé que seja Verdade porque está num livro que você considera sagrado e tem Fé que ele seja o que se pensa que ele é. Mas é preciso de humildade para aceitar isso…

  5. “O que você chama de Verdade é apenas Fé. Você tem Fé que seja Verdade porque está num livro que você considera sagrado e tem Fé que ele seja o que se pensa que ele é. Mas é preciso de humildade para aceitar isso…” kkkkkkkkkkk Está é praticamennnnte a melhor resposta que você poderia dar kkkkkkkkkkk
    É bruto, porém sutil. kkkkkkkkkkk

  6. Bruto, porém sutil, Zé?!
    Você merece a praaaaaaaaga do diiia!
    “Que suas tripa se transforme em cobra e te devore tudo por dentro!” Se você continuar com esses posts!

  7. KKKKKK é que eu gostei praticamennnte tanto do texto quanto da resposta do Barros praticamennnte. Foi como dar um tapa usando luva de pelica praticamennne. E a sua praga foi boa, praticamennnnnte.

  8. “Deus mesmo não moveu uma palha.”

    Sinto-lhe informar, mas essa afirmação é óbvia. Algo invisível, inaudível, inodoro e incorpóreo – logo, inexistente – obviamente é incapaz de conjugar qualquer verbo da língua portuguesa (a não ser o verbo “inexistir” e afins) em uma sentença verdadeira.

  9. Gabriel…legal a resposta.

    O que os crentes chamam de humildade é aceitar os ensinamentos confusos, e a existência discutível de um deus?

    O ônus da prova cabe a quem acusa e não o contrário!!
    Não é necessário estudo profundo da bíblia para perceber que não passa de um amontado e asneiras ditas como sagradas….só..

  10. […] Sagrado é igual a inventado […]

  11. […] Sagrado é igual a inventado […]

  12. IEMANJÁ e Nossa Senhora dos Navegantes
    Hoje comemoram uma Ilusão!

    Cada dia 2 de Fevereiro (feriado em minha cidade Porto Alegre) milhares de pessoas no Haiti, Brasil, Uruguai e Cuba se reúnem para render culto a deusa Iemanjá e Nossa Senhora.

    Esta divindade chegou à América pelas mãos dos escravos africanos que lhe rendiam culto nas selvas e a associavam aos rios e cascatas. Em muitas costas do Uruguai e do Brasil os devotos levavam oferendas de flores e frutas e os depositavam no mar, e ainda hoje em pleno século XXI.
    No Brasil, a orixá goza de grande popularidade entre os seguidores de religiões afro-brasileiras, e até por membros de religiões distintas.
    Em Salvador, ocorre anualmente, a maior festa do país em homenagem à “Rainha do Mar”. A celebração envolve milhares de pessoas que, trajadas de branco, saem em procissão até ao templo-mor, localizado próximo à foz do rio Vermelho, onde depositam variedades de oferendas, tais como espelhos, bijuterias, comidas, perfumes e toda sorte de agrados.
    Outra festa importante dedicada a Iemanjá ocorre durante a passagem de ano. Milhares de pessoas comparecem e depositam no mar oferendas para a divindade. A celebração também inclui o tradicional “banho de pipoca” e as “sete ondas”que os fiéis, ou até mesmo seguidores de outras religiões, pulam como forma de pedir sorte à Orixá.
    Na Umbanda, é considerada a divindade do mar, além de ser a deusa padroeira dos náufragos, mãe de todas as cabeças humanas

    Existe um sincretismo entre a santa católica Nossa Senhora dos Navegantes e a orixá da Mitologia Africana Iemanjá. Em alguns momentos, inclusive festas em homenagem as duas se fundem. No Brasil, tanto Nossa Senhora dos Navegantes como Iemanjá tem sua data festiva no dia 2 de fevereiro. Costuma-se festejar o dia que lhe é dedicado, com uma grande procissão fluvial.
    Esta deusa é considerada como real por seus seguidores, da mesma maneira que os cristãos acreditam que Jesus existe e é Deus. Porém, o que há de real nisso? Não tem nenhuma prova. Nem Jesus nem Iemanjá apareceram para dar um conferência de imprensa, eliminando todas as dúvidas que tem os ateus sobre a existência desse par de seres.

    Jesus, Iemanjá, Nossa Senhora, são crenças como deuses e essas mentiras tem seguidores. Se são falhos, se acabam, são personagens de mitologias. Algumas vezes Horus e Quetzalcoatl, receberam devoção e oferendas com a mesma devoção e fé, como se faz hoje a Jesus e Iemanjá. O que prova que a fé não é evidência de nada, e que só serve para justificar o injustificável.

    Com certeza os seguidores Quetzalcoatl acreditavam que ele existia, que escutava seus pedidos e que intervia no mundo. Qualquer seguidor de Quetzalcoatl havia recebido como resposta que a fé era essencial para entendê-lo. Tão parecido no fundo são as religiões com suas crenças.

    Muitos cristãos nos podem dizer que Iemanjá e os deuses dos antigos egípcios e gregos são somente mitos, e que Jesus sim é realmente Deus verdadeiro. Recordo então que Joseph Campbell, um antropólogo americano, quando disse: “Mitologia, é o que chamamos as religiões de outras pessoas”

    Nas palavras de Joseph Campbell: (…) Metade da população mundial acha que as metáforas das suas tradições religiosas são fatos. A outra metade afirma que não são fatos de forma alguma.
    Campbell visita tambem o budismo e analisa o relato segundo o qual a princesa Mara foi fecundada por um elefante que introduziu a tromba em sua axila e lhe tocou o coração.O resultado é que temos indivíduos que se consideram fiéis porque aceitam as metáforas como fatos, e outros que se julgam ateus porque acham que as metáforas e mitologias religiosas são mentiras.
    O que unia celtas, egípcios, gregos, indianos, todos nós, enfim, é que os deuses mitológicos só podem existir por uma boa razão: uma vez, em algum lugar, um homem os imaginou.

    Não podia de deixar nossos leitores sem essa informação. Ou tantos outros que estão ansiosos por se libertar inteiramente dos limites da igreja, do sobrenatural e da religião, devorando as informações que dei como se isso fosse uma licença para desacreditar, já que o seu pastor nunca lhe falou sobre isso.

    Leia mais e aprofunde conhecimentos sobre Mitologias, em:
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Mito

    Oiced Mocam

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