“Minha deusILUSÃO”, by Larissa

Morei, desde pequena, apenas com minha mãe. Fui criada no meio de uma família espírita (kardecista). E, por família, quero dizer mãe, tios, tias, primos e minha vó. Os que não são espíritas na família, são católicos, mas todos muito religiosos. Sempre fui disciplinada, então, nunca tive coragem de fazer perguntas inconvenientes, e isto não mudou quando, a partir da segunda série do Ensino Fundamental, fui estudar num colégio de freiras. 

Tínhamos aulas de Ensino Religioso e, uma vez ao mês, íamos à capela. Não sendo católica, aquilo, na verdade, foi me ensinando sobre as diferenças entre as religiões. Apenas na oitava série, minha turma teve aulas com a freira mais nova de lá, e a que tinha a cabeça mais aberta (não era criacionista, nem radical, como as freiras velhas), e que nos ensinou de maneira não tão parcial sobre religiões politeístas atuais, como o hinduísmo, por exemplo. 

Mas só fui começar a me questionar quando reparei na hipocrisia do espiritismo, e relacionei com outras hipocrisias católicas análogas. Enfim, cheguei à conclusão de que o cristianismo em si era hipócrita. E quando saí da minha posição confortável foi que reparei numa coisa óbvia, que sempre esteve ali, mas eu nunca quis prestar atenção: a razão de a religião que eu seguia ser a certa, verdadeira, e não qualquer outra, como o catolicismo, ou o hinduísmo.  

Percebi que não existia nenhum motivo para isso, e resolvi me desligar de qualquer religião, mas a ideia de uma divindade ainda me assombrava como uma dúvida, e eu não conseguia chegar a um parecer razoável a respeito disto. Resolvi não me importar e tocar minha vida como se não houvesse nada. Não via motivos para ter que ter uma opinião a respeito disso tudo, para ser sincera. 

Eu pensava: “Se existe um deus bom e justo que nos julga, ele vai levar em conta minhas ações, não minhas crenças, então, estas não fazem diferença, e aquelas, bem, que sejam espontâneas, eu nunca fui ‘má’ mesmo…” Foi, então, que um amigo, meio sem querer, me mostrou o motivo de se ter um parecer a respeito de religiões: me passou, por acaso, vídeos da série The Root Of All Evil de Richard Dawkins. Aquilo me fez querer pensar de novo a respeito de tudo isso, mas com uma opção nova, afinal, com minha família e colégio religiosos, eu nunca havia, de fato, visto o ateísmo como uma opção acessível, sempre ficava com um pé atrás, resolvia “pensar melhor”, “deixar pra lá”, acho que inconscientemente eu já sabia qual seria a resposta e tinha receio de assumir… 

Nessa época, é claro, eu já recusava acordar nos domingos de manhã para ir ao centro espírita com minha mãe, o que resultava em mau humor pra ela e bronca e castigo pra mim. Minha memória não é muito confiável, mas eu devia ter por volta de uns 15 ou 16 anos, não faz muito tempo não… Nas primeiras vezes em que me recusei, ela achou que era por preguiça, depois, foi ficando mais frequente, e foi bem no auge da minha confusão que ela começou a me perguntar se o problema era a religião, se eu queria mudar de religião. Disse que não se importaria, se fosse isso mesmo que eu quisesse. Depois, quando resolvi que não queria religião alguma e percebi que, de fato, não cabia crença em divindade alguma em mim, assim que ela começou a perguntar, eu já tinha as respostas, me senti bem. 

Ela, pelo contrário, achou que era por rebeldia, que eu só queria fugir do padrão pra chamar atenção. (Sempre fui quietinha, por que eu ia começar com isso lá pelos 16 anos?) 

Enfim, ela chegou a me implorar, pedir como um favor pessoal, fazer chantagem emocional, só pra eu ter uma religião qualquer, não interessava qual, desde que eu tivesse uma crença. Eu, bobona que sou e sabendo que era chantagem emocional, ainda assim concordei em, pelo menos, ir fazer sessões de “tratamento” no centro espírita que ela frequenta, mas é claro que não deu em nada e, conforme o combinado, depois do “tratamento”, ela nunca mais pôde se intrometer nas minhas escolhas a respeito de religião. 

Mas claro que, ainda hoje, quando vim visitá-la no feriado, após um comentário meu a respeito do feriado santo só ser santo pra quem tem religião (óbvio), ela acabou soltando que tinha vergonha de ter uma filha que nem religião tinha. 

E é mais claro ainda que o resto da família, que mora em outro estado, e, por isso, só vejo nas férias, sequer imagina que eu não seja espírita. 

 

 

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15 Respostas

  1. Mais q merda de blogue é esse q todo mundo escreve texto. Ta pegando mesmo essa Larissa né BArros? E a Ana já sumiu? Deixa eu publicar um texto meu tb Barros? O q q eu tenho q fazer hein? huashuashuahshuash

  2. loll

  3. Hahaha vergonha, o Barros publicou mesmo XD

    Aliás, acho que a Fernanda está sentindo um déficit de atenção… publica um texto dela =)

  4. Larissa, achei muito legal o seu texto. Muito sincero e, de certo modo, comovente. E não ligue pra Fernanda: ela não comenta os textos; só vem aqui atirar pra todos os lados pra ver se alguém pega pilha, eu acho.

  5. Hahaha comovente? oO
    Ah, que bom que passei sinceridade, porque acho que não sei contar as coisas muito bem, mas tá valendo =P

  6. Belo texto! Muito sincero, esclarecedor! Sem dúvida vocÊ é de fibra e muita coragem. Passei por isto. Então fiz perguntas, e as respostas não eram satisfatórias, então sou feliz hoje, sem medo de ser ateu!
    abraço

  7. Fernanda! Sempre ela! Só posta baixaria! rsrsrs..mas alegra a gente ver que uma parte dos crentes são assim mesmo! E nos prometeu um strip evangélico, mas até hoje….cumpra. Fernanda!

  8. Putz só agora vi estes textos!!
    Larissa explica ai pra nós o qeu vc acha que é hipocrisia no espiritismo?1 (Não sou espirita )
    Fiquei curioso ja qeu é uma religião a qual eu não conheço muito bem.

  9. Um exemplo para você Adamantdog http://reevolucao.net/2009/12/11/allan-kardec-racista-e-mau-carater-falacias-do-espiritismo-i/ lá no Ateu e à Toa tem um discutindo comigo a semanas, que pessoas que nascem deficientes é porque foram ruins em outras vidas e isso seria um castigo.
    Agora falta de oxigênio no cérebro durante o parto, o que pode causar retardo mental ele ignora por exemplo, ou poluição ou mesmo carga genética.

  10. Valeu Léo pelo link

  11. […] e resolveu compartilhar sua “deusilusão”, como já fizeram alguns outros leitores: Larissa Mukkinha Ateuneu Beth […]

  12. […] Larissa Mukkinha Ateuneu Beth Silene […]

  13. […] Larissa Mukkinha Ateuneu Beth Amorim Silene Shirley S. Rodrigues […]

  14. […] Larissa Mukkinha Ateuneu Beth Amorim Silene Shirley S. Rodrigues Ana Júdice […]

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