Jesus, o Charlatão [2]

A descrição de Jesus do dia em que ele retornará para estabelecer seu reino místico é quase uma repetição, palavra por palavra, dessas passagens atribuídas ao profeta Zacarias: 

EIS que vem o dia do SENHOR, em que teus despojos se repartirão no meio de ti. Porque eu ajuntarei todas as nações para a peleja contra Jerusalém; e a cidade será tomada, e as casas serão saqueadas, e as mulheres forçadas; e metade da cidade sairá para o cativeiro, mas o restante do povo não será extirpado da cidade. E o SENHOR sairá, e pelejará contra estas nações, como pelejou, sim, no dia da batalha. […] E fugireis pelo vale dos meus montes, […] Então virá o SENHOR meu Deus, e todos os santos contigo. E acontecerá naquele dia, que não haverá preciosa luz, nem espessa escuridão. […] E o SENHOR será rei sobre toda a terra” (Zacarias 14). 

Joel também prevê o Dia do Senhor, quando os gentios serão dominados por Jeová: “O sol e a lua enegrecerão, e as estrelas retirarão o seu resplendor. E o SENHOR bramará de Sião, e de Jerusalém fará ouvir a sua voz; e os céus e a terra tremerão, mas o SENHOR será o refúgio do seu povo, e a fortaleza dos filhos de Israel. Mas Judá será habitada para sempre, e Jerusalém de geração em geração” (Joel 3:15, 16, 20). (Judá deixou de existir há 2.600 anos.) 

Quase todos os profetas preveem esse tal Dia do Senhor, quando surgirá o novo reino de Sião, cujos súditos incluirão todas as outras nações sob o Deus dos judeus. Familiarizado com essas expectativas da tradição, Jesus, com seu costumeiro respeito pelo Velho Testamento, acoplado à sua meta de enquadrar-se nas profecias, sentiu-se compelido a fazer a seguinte declaração: “Porque dias de vingança são estes, para que se cumpram todas as coisas que estão escritas” (Lucas 21:22). 

Ele está sempre vinculando a si mesmo ao estabelecimento de um reino, uma vez que um reino com um descendente de Davi como governante é o que todos os profetas prometeram e o que todos os judeus esperam que seja o supremo reduto de uma triunfante nação judaica (Sião). Jesus não poderia ter reclamado para si a condição de Messias sem se pintar como um candidato a rei, quando Israel fosse tomada da dominação dos conquistadores. Suas referências aos dias de vingança vêm diretamente dos profetas: “Porque o dia da vingança estava no meu coração; e o ano dos meus remidos é chegado” (Isaías 63:4). 

Declarações de Jesus sobre o que a Igreja chama de Dia do Julgamento faz a gente se perguntar se isso foi uma coisa totalmente planejada. Versículos contraditórios da Bíblia deixam sem respostas as questões sobre quando, onde, e por quem o julgamento será feito. Jesus diz em Lucas, 13:28: “Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, e Isaque, e Jacó, e todos os profetas no reino de Deus, e vós lançados fora”. Para os não salvos, aos quais ele estava se dirigindo, pareceria que os judeus mencionados já haviam sido julgados ou que eles haviam sido admitidos no Paraíso sem o benefício do julgamento. (Por falar nisso, os corpos espirituais, que Jesus diz que os eleitos terão, serão “reconhecíveis”, se conclusões adicionais puderem ser tiradas dessas palavras de Jesus, que Paulo ignorou depois, quando disse que ninguém que viveu antes de Cristo seria eleito para a vida eterna.) 

Referindo-se, de novo, a um patriarca judeu, Jesus diz que ele não acusaria as pessoas para o Pai, mas que Moisés o faria: “Não cuideis que eu vos hei de acusar para com o Pai. Há um que vos acusa, Moisés, em quem vós esperais” (João 5:45). No livro de Moisés, os judeus são entregues a um juiz, um assassino, um líder militar que ordenou a matança de inocentes e a tomada de terras de seus habitantes legais, e um homem não propriamente adequado para pisar na Terra Prometida. 

Apesar de Jesus ter dito que ele mesmo não acusaria ninguém, depois ele diz: “Mas qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei também diante de meu Pai, que está nos céus” (Mateus 10:33). Jesus repete a afirmação de que ele fará, sim, o julgamento: “E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; E todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas” (Mateus 25:31-32). De novo: “Porque o Filho do homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras” (Mateus, 16:27). E ainda: “E deu-lhe o poder de exercer o juízo, porque é o Filho do homem”(João 5:27). 

Fugindo do seu papel de juiz, Jesus, em outra ocasião, delega aos anjos essa tarefa: “Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniquidade. E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes” (Mateus 13:41-42). 

Finalmente, para aumentar ainda mais a confusão, Jesus delega a mesma coisa aos discípulos: “E Jesus disse-lhes: Em verdade vos digo que vós, que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel” (Mateus 19:28). Aparentemente, o julgamento dos gentios é de pouca preocupação, e isso irá espremer um calendário já lotado (a população desse mundo já é superior a 6,5 bilhões). 

Jesus tem muito o que dizer sobre julgamento e punição eterna para estabelecer o medo como uma motivação para a crença no seu papel como salvador de uma humanidade cheia de pecados, daí vincular o medo de punição física a um sentimento de culpa, duas forças bem persuasivas em qualquer causa. É de alguma forma contraditório acreditar que o julgamento do comportamento humano seja mesmo necessário, uma vez que uma das mensagens dos Evangelhos é a de que aceitar Jesus como “Redentor” é tudo o que é preciso para se ganhar a salvação: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). O julgamento, como descrito no Novo Testamento, é imediato após o seu início, sem avaliações ou considerações de fatores contribuintes, um sistema sem nenhuma lista de direitos, nem graus de culpa ou punição, embora pareça haver gradação na recompensa. Aqui na Terra, juízes frequentemente acham difícil dar uma sentença justa, e julgamentos demorados são necessários para determinar culpa, mas o julgamento divino é feito conforme o que foi planejado, e o acusado ante o trono da graça não deve esperar nenhuma misericórdia ou pena do seu pai celestial, nenhuma consideração sobre hereditariedade ou influência do ambiente. 

11 Respostas

  1. É impressionante. Diante de tais absurdos, como podemos acreditar neste deus? Como posso aceitar seu julgamento? Eu nada fiz e não interagi com este “ser”!!!!

    Então, sei que o seu julgamento de nada vale a não ser uma chantagem, tentando atingir os incautos aterrorizando-os…….

    Bestas, fogo, armagedon, juízo final……nossa! quanta iniqüidade e nem por isso tememos..

  2. A questão toda, Saracura, meu velho (e um dos argumentos principais da autora), é que, se você considerar a Bíblia como um todo, ou o Novo Testamento em particular, como sendo uma fonte de informações que irá lhe assegurar um lugar no Paraíso, vai acabar descobrindo que tudo é uma grande bagunça. Aqui diz uma coisa e ali outra.

    Nem Jesus definiu quem iria julgar quem no dia do Juízo. Uma hora é ele, noutra Moisés, noutra os anjos, noutra os apóstolos. Daí não dá para deixar de ver nisso tudo uma grande e mal feita invenção humana. Ou isso, ou Deus tá de sacanagem!

  3. em breve toda a terra contemplaram a volta de Jesus Cristo, e toda a língua confessará,”inclusive a sua” que Jesus Cristo é o Senhor, todo o joelho “o seu também, e de todos os demônios”se dobraram, Pois Jesus cristo é o senhor…
    Se arrependam e aceite a Jesus antes que seja tarde para todos vocês…
    Abraço e até o dia da verdade.

  4. oh Adir, você já postou isso noutro tópico…ou comente com propriedade, ou nada escreva! queremos respostas para cada post, não repetições enfadonhas……..de algum pastor maluco
    abraço

  5. VAMOS LÁ COMENTANDO ESTA SEGUNDA PARTE:

    1° Confusão ai só existe mesmo pra quem não conhece a biblia como vcs.
    2° Não haverá julgamento para quem esta em cristo Jesus mas eles ja passaram da morte para vida.
    (Nenhuma condenação há para os que estam em cristo Jesus)
    Quem esta em cristo ja foi sepultado para o mundo e o mundo para ele.
    3° Com relação a estes tipos de julgamento que uma assim diz vcs: Não seii se vai ser feito por anjos ;Jesus; apóstolos etc.
    Sendo vcs pessoas tão inteligentes apelo a vosso bom senso para que vejam que a parte que cabe ao homen é falha mas isto não implica necessariamente que a mensagem seja falsa!
    por exemplo: Na tentação de Jesus os apóstolo invertem a oredem cronológica dos fatos mas isto não significa que não tenha ocorrido.
    Lucas mesmo é um dos tais que ele começa o evangelho dizendo que foi buscar informações porque ele próprio não presenciou tudo.
    Mas o fato é que haverá si um juizo e que o Sr.Jesus vai enviar seus anjos para ajuntar os povos e depois os próprios sob a ordem do mesmo vão executar a sentença.
    (Não são anojs qeu vão julgar serão apenas executores de um plano maior)

  6. Poxa, ainda bem que você sabe o que vai acontecer, porque Jesus mesmo não tinha a menor ideia. Ora falava uma coisa, ora outra. Tava perdidinho o coitado. Mas, felizmente, você sabe. Acho que você deveria publicar um livro sobre isso. Talvez o papa ache conveniente (ou necessário) anexá-lo à Bíblia.

    Leia a parte [18] sobre isso.

  7. […] CONTINUAÇÃO: parte 2 – parte 3 – parte 4 – parte 5 – parte 6 – parte 7 – parte 8 – parte 9 – parte 10 – parte 11 – parte 12 – parte 13 – parte 14 – parte 15 – parte 16 – parte 17 – parte 18 – parte final   Clique para ler amostra no site da Amazon Divulgue:EmailTwitterFacebookOrkutPrintLike this:LikeBe the first to like this post. […]

  8. Meu amado, primeiramente lhe digo q msm assim jesus lhe ama… é desses q ele gosta, dos q não acreditam….eu era a um mês atras como vc não gostava desse assunto, mas eu tive uma prova tremenda de q deus e jesus existem sim, ele me tirou do vicio do alcool, do crack… fez um milagre, me tirou da penitenciaria em cinco dias depois q entrei, por trafico…eu era realmente como vc, gosto muito de rock, quero me livrar e escutar de agora em diante só musicas q louvem meu deus, eu hoje o amo muito mais q qualquer coisa…
    enquanto a biblia, vc não entende e nunca vai entender a biblia, por que não se trata só de “ler” pois é um livro espiritual, e só entende e interpreta quem é espiritual…. bjsssss, saiba q eu lhe amo msm assim e deus tbm… profetizo q o espirito santo vai tocar em seu coração…
    eu tinha um blog q falava das mesmas coisas…. apaguei todos as postagens….

  9. Discutir com um homem que renunciou à sua razão, ou seja, um crente, é como medicar um cadáver.

  10. A pertinácia com que o religioso se agarra a opiniões cegas absorvidas em sua infância, que se entrelaçam com sua existência, o preconceito consequente que deforma sua mente, que impede sua expansão, que o torna escravo da ficção, parece condená-lo ao erro contínuo de querer acreditar naquilo que seu bom senso rejeita.

  11. Quando uma pessoa sofre de um delírio, isso se chama insanidade. Quando muitas pessoas sofrem de um delírio, isso se chama religião.
    — Robert M. Pirsig

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