Jesus, o Charlatão [16]

HÁ UMA RELAÇÃO intrínseca entre Jesus como Salvador e a tradição do judaísmo e a lei mosaica pela qual os pecados do povo israelita eram expiados pela transferência deles para um animal, que era, então, sacrificado num altar (Levíticus 4:13-21). 

Jesus também pode ser visto como personificação da prática primitiva de transferir os pecados de um grupo para um animal ou para um bode expiatório humano, que seria banido ou mesmo sacrificado como meio de expurgar os mal-feitos cometidos pelos membros da sociedade, um costume que sempre se repetia uma vez ao ano no começo ou no fim de uma estação. Esse animal, ou ser humano, era algumas vezes revestido de divindade, e, assim, um homem-deus podia morrer como um bode expiatório e transformar-se num “redentor”. O Dia Judeu da Purificação (Yom Kippur), no décimo dia do sétimo mês de cada ano, foi ordenado por Deus para ser reservado para uma cerimônia em que um sacerdote (originalmente Araão) deveria pôr ambas as mãos sobre a cabeça do bode vivo, e sobre ele confessará todas as iniquidades dos filhos de Israel, e todas as suas transgressões, e todos os seus pecados; e os porá sobre a cabeça do bode, e enviá-lo-á ao deserto, pela mão de um homem designado para isso” (Levíticos 16:21). 

A mitologia documenta muitos costumes pagãos envolvendo o assassinato e a “ressurreição” de deuses encarnados para outros propósitos que não expiatórios, e a sacramental deglutição do corpo de Cristo nos ritos da Comunhão e Eucaristia é reminiscente da tradição pagã de jantar sobre a efígie de um deus e tornar-se parcialmente divino. Do mesmo modo que os cristãos, hoje, tanto figurativamente como de fato, acreditam que entram em uma união mística com o corpo de Cristo ao comer sua carne e beber o seu sangue (como foi instruído pelo próprio Jesus) (Lucas 22:19-20). 

Religiões pagãs em diferentes partes do mundo aceitaram muitos salvadores sofredores e muitas mães virgens. E a “morte” e “ressurreição” da vegetação [no outono e primavera, respectivamente] eram simbolizadas em práticas que encontram correspondência nas lendas cristãs. A natureza, o céu, as águas, a terra, e as estações controladas pelo sol se combinaram nas mentes de selvagens supersticiosos e mesmo nos rituais de culturas avançadas para nutrir crenças em mágica e em religiões caracterizadas pelo misticismo. 

Mesmo um exame superficial da mitologia ao redor do mundo irá revelar uma assombrosa semelhança entre as tradições e dogmas sobre Cristo e a Igreja e antigas superstições do paganismo. As pessoas, ao longo das eras, dotaram de espírito os elementos e praticamente quase todas as plantas e animais comuns, que, gradualmente, tomavam cada vez mais características humanas e, algumas vezes, se tornavam em seres humanos reais e, frequentemente, transformavam-se em deuses e deusas. O búfalo, o carneiro, o bezerro e a ovelha foram divindades em algum momento. É dessa forma que Jesus é visto como o cordeiro de Deus. 

As velhas canções que falam em “ser lavado no sangue do cordeiro” são possíveis plágios dessas cerimônias pagãs que endeusavam animais e usavam seu sangue para purificar pessoas, prédios e altares. Os judeus do Velho Testamento aspergiam o sangue de animais sacrificados sobre o altar e o véu do tabernáculo na crença de que isso iria limpá-los e santificá-los. 

Jesus era pintado nas primeiras artes cristãs como um peixe, e a cristandade ainda usa o peixe com esse simbolismo, aparentemente ignorando a origem pagã dessa representação. A adoração da natureza, comum às culturas pagãs, de alguma forma comunicava poder divino à água, por ser necessária à vida. Era natural transferir esse poder para as criaturas associadas a rios, lagos e mares, e o peixe tornou-se sagrado. Muito do Novo Testamento se refere à água, peixe, pescadores, barcos e tempestades no mar. Jesus descreve a si mesmo como Água Viva e promete transformar os discípulos em “pescadores de homens”.  

A adoração de árvores também evoluiu do paganismo, e deuses eram vislumbrados como sendo as próprias árvores mesmo, ou como sendo estreitamente ligados a elas, pois se acreditava que espíritos podiam habitar outros objetos naturais. A ideia de um deus pendurado numa árvore foi a inevitável herança de gerações supersticiosas descendentes que se viram na obrigação de incluírem isso no seu próprio sistema de adoração. Jesus usou a analogia da árvore (videira) para descrever a si mesmo e falou de crentes e descrentes como ramos crescendo em diferentes condições: “quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto” (João 15:5-8). Essa analogia também foi usada por Paulo: “Porque, se tu foste cortado do natural zambujeiro e, contra a natureza, enxertado na boa oliveira, quanto mais esses, que são naturais, serão enxertados na sua própria oliveira!” (Romanos 11:24) Há numerosas referências a essa coisa de “pendurado numa árvore” no Velho e no Novo Testamentos, e mesmo a crucificação é referida como Jesus estando “pendurado numa árvore” (Atos 5:30, Atos 10:39). A cruz do cristianismo, em todo caso, é um símbolo pagão bastante comum, que existiu de alguma forma em quase todas as sociedades, mesmo nas mais primitivas. 

Foi debatida uma teoria de que Cristo foi fabricado como sendo um deus-sol, uma teoria que tem uma ligação direta com o sistema de adoração do paganismo, construído em torno dos ciclos das estações do ano. E a ressurreição de Cristo é ligada à estação do renascimento. Relacionando essa possibilidade com o Zodíaco e seus doze signos, bem familiares aos “sábios” da Babilônia, Egito e Assíria, foi largamente alegado que é aí que reside as fundações para ainda outra explicação de Jesus sendo simbolizado como a Luz do Mundo, com seus doze discípulos satélites, e para outras facetas do judaísmo e do cristianismo. 

É óbvio, pelo exame da mitologia e do paganismo, que Jesus pode ter sido um mito, ou que ele foi tão paramentado com as vestimentas da mágica e da fábula que sua semelhança com o mito dos salvadores e dos deuses encarnados pagãos não pode ser ignorada. Certamente as teorias acima não provam que Jesus realmente não tenha vivido na Terra Santa dois mil anos atrás, mas é impossível não ser influenciado pela escassez e fragilidade de evidências de que Jesus tenha existido como um hebreu palestino. 

Dados históricos sobre Jesus são admitidamente parcos e abertos a contestação, a menos que se aceite os contraditórios e não documentados Evangelhos como prova. Praticamente nenhuma linha sobre a aparência de Jesus ou sobre o seu dia a dia, além de incidentes que se relacionam especificamente com seu ministério ou papel como Salvador, pode ser encontrada em qualquer parte do Novo Testamento, muito menos nos Evangelhos. Não há nenhum relato “caseiro” sobre ele enquanto uma criança em crescimento ou um adulto maduro e praticamente nada sobre sua família e sua vida familiar, fazendo o leitor se perguntar — Jesus foi uma pessoa mesmo? Ou apenas existiu um culto ao Cristo, que foi construído num tempo quando o cultismo e misticismo estavam florescendo no Oriente Médio? 

O papel da mitologia na teologia cristã e a prova não substancial de que Jesus teve uma estada na Terra deve ser, a longo prazo, avaliada pelas partes interessadas de acordo com sua satisfação pessoal. 

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13 Respostas

  1. Eu repito a todos: Eu creio que Barros é o novo redentor…todos estão pecando! o verdadeiro deus é o Barros…..vamos criar nosso modelo de sacrifício…..de reza….”pai Barros que estás na torre…” rsrs

    Vamos colocar um pardal para expiar nossos pecados……e soltá-los na cidade….pronto…

    Todas as formalidades e rituais da igreja parecem brincadeira…..comer “hóstia” e dizer que é deus!!!!

    repetir umas frases e dizer que é “reza” poderosa!!!

    batizar em nome de um desconhecido!

    o pior: fazer contar confissões, segredos a estranhos, sob a expectativa de ser ouvido por deus…

    Até quando estas esquisitices serão levadas a sério?

    quando nos libertamos dessas coisas, aquirimos liberdade sem medo de pensar, criar, viver, respeitar, ajudar ver no nosso ser humano, nós mesmos……é isso que devemos fazer

  2. SARACURA, COMO BOM DISCURSANTE VOCE SERVE MUITO MAIS… GOSTEI DE NOVO.

    VEJA,ASSISTA SE PUDER:

    http://www.cpflcultura.com.br/posts/videos

  3. Pai Barros que estais na Torre foi muito boa, Saracura! Ainda bem que as pessoas não têm como saber o que essa frase realmente significa (rsrsrs). Já pensou: Eu seria o primeiro Deus sem-teto da história. Misericórdia!!! KKKKKkkk

  4. Sra. Nadia por incrivel qeu pareça concordo com a Sra. mesmo sendo eu um cristão convicto.
    Seria tão bom se cristãos super estudados super cultos entrassem aqui neste site lessem todos os Post do Sr. Barros e depois respondessem com sabedoria.
    Sem essa de ficar mandando os ateus pro inferno que ja me cansou tb.
    Seria tão bom eu ia poder dizer como esta escrito em Jó

    Achamos a sabedoria o Senhor o derrubou

  5. Minha cara Nadia quero discorrer apenas dentro da primeira metade do seu comentário.

    Temos que discutir sim e temos qeu aparecer sim. porque se não a ignorancia vai continuar crescendo.
    Vc ja se perguntou o porquê ? de uma religião tão radical como a islamica ser a que mais cresce no mundo?
    (Será que não seria : Porque não discutimos? discutindo-se abre-se os olhos a muitos.)

    Esta preparada para perder tua liberdade tão duramente conquista por mulherers que literalmente foram sacrificadas para consegui-la?
    (Porque se o radicalismo continuar crescendo pode-se dizer bye bye pras conquistas femininas até aqui)

    Até o Dawkins se admirou com isto ai no filme postado pelo Sr. Barros ; dizendo o seguinte eu achava qeu no século 21 estariamos vivendo a era da razão mas o radicalismo segue em marcha mas forte do qeu nunca.

    E terminando pra que blog ou sites de ateus se não se permitirem discutir

    Mas discutir como pessoas civilizadas com argumentos e não apelação.

    Obs. A segunda metade do seu comentário estou de pleno acordo.

  6. Sra. Nadia a Sra. no fim me pergunta e dai? como a disser qual o problema?
    Eu te explico eu li em algum lugar agora não me lembro que a religião islamica por ser uma religião muito jovem comparada com as outras e ainda muito arrogante etc.

    Eu sei que a Sra. vai querer argumentar varias coisas contra o cristianismo e todas outras religiões tb.

    Mas eu vou ser sincero pra Sra.:
    Eu não me incomodo com o budismo ; com o espiritismo; etc

    Mas qdo eu olha pra esta religião islamica como sendo a que mais cresce no mundo; eu me lembro do um certo homen disse na segunda guerra:

    Primeiro foram os judeus!! mas como eu não era judeu não me importei !! depois os ciganos mas como eu não era cigano tb não me importei e assim vai até qeu no fim os alemães vem buscar ele.
    Ai ele diz: Mas agora ja é tarde como eu não me importei com ninguem não há mais qeum se importe comigo.

    Lembre-se Sra. Nadia o cristianismo e outras religiões podem ter passado por fases bem mais intolerantes mas ja evoluimos bem.

    Agora se vc realmente não se importar e ninguem se importar!! bye bye o mal jás a porta.

    Até sites tão bom como estes vão ser proibidos pois atacam o conceito de Deus.

  7. Diser e não disser(Errei me desculpe qdo contiver erros grotescos nos meus comentarios é que nem sempre eu reviso)

  8. De todo modo, a história da ciência e do pensamento ocidental descreve um progressivo afastamento do fundamento divino, um “desencantamento do mundo” compensado pela capacidade de autodeterminação do homem.Escreveu um filosófo chamado Luis Felipe Pondé.

    ANTES E O AGORA!
    Antes/ A IGREJA forá criada primeiro que a politica,portanto quando passou existir a POLITICA, a Igreja ERA A POLITICA.
    *Tempos passados …” os assassinatos, a exurpaçao de bens, a desgraça dos miseráveis”, consequencia do abuso de poderil político dessa igreja,vieramoutros acontecimentos,pelomundo, europa ocidental,oriental…cada ‘plano geografico’ vivendo seu transformismo,de acordo com sua cultura.
    Em termos de Brasil. Culturalmente falando? Acho que a probabilidade dessa (im) ‘possivel desgraça’ que ”tu” descreves e se preocupas tanto (a toa), dentro do andamento do HISTÓRICO já descrito,acho que é iludico pensar … a nao ser que voce ache meeeeesmo que “efeito contagioso” se dê devastador com causa de uma futura ”insuficienci ateológica”

  9. “A geometria não pode definir os objetos, nem provar os princípios”, escreve Pascal.

    Ou seja, a racionalidade local de um fenômeno religioso … (islamico?) não pode ser exportada para o conjunto do mundo, configurando TRAÇOS DE CULTURA….
    Acho improvável..

  10. PASCAL….

    Por que nos preocuparmos com a obra teológica desse autor que sofre crises místicas e se torna um polemista?

  11. “O extraordinário em Pascal”, escreve Comte-Sponville,
    “é que ele não crê em nada: nem na justiça, nem nas leis, nem na tradição, nem no progresso. A fé o protegia de nossas superstições: ele só acreditava em Deus”.
    ***Mesmo para quem não crê em Deus, Pascal ensina a descrer das ilusões profanas.
    Por hoje CHEGA!!

  12. Com relação ao seu primeiro comentário espero que assim seja.
    Agora com relação a Pascal eu não sabia disto e pra ser sincero ainda não o li.
    Mas obrigado por me apresentar a ele acho qeu vou me identificar com ele.

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