Jesus, o Charlatão [parte final]

JESUS, COMO SACRIFÍCIO humano ofertado por seu pai, foi a repetição da antiga prática pagã de oferecer o primogênito para ser sacrificado como ato de adoração e apaziguamento de deuses tribais. Essa tradição e costume teriam sido o alvo da ira do Senhor no Velho Testamento direcionada para os adoradores de Baal e Moloch. A eliminação desses altares onde crianças eram passadas no fogo e a erradicação desses ritos abomináveis, juntamente com os deuses que os exigiam, foram as justificativas dadas e os propósitos apresentados para a conquista da Palestina. A adoração do Senhor bonzinho dos hebreus deveria ser colocada no lugar dos antigos ritos pagãos.  

Contudo, as Escrituras dizem que os hebreus antigos recorriam a esse tipo medonho de adoração, e que mesmo o Deus do Velho Testamento a havia requerido em determinadas ocasiões, como, por exemplo, quando Abraão foi solicitado a sacrificar seu filho, e a aceitado em outras, como quando Jefté pôs sua filha única na fogueira (Juízes 11:30-39). 

Apesar do comprometimento de se dar o primogênito em sacrifício ao Senhor, para a remissão dos pecados, ter sido gradualmente substituído pelo costume de se atribuir ao primeiro filho a responsabilidade de executar trabalhos no templo ou outras atividades relacionadas à religião, a ideia de realmente sacrificá-lo sobreviveu até sua conclusão final: o Filho oferecido pelo Pai em sacrifício como ato de remissão dos pecados. Daí, o Deus da Bíblia, que é pintado no Antigo Testamento como o incansável inimigo de sacrifícios humanos entre os pagãos, torna-se, ele próprio, o seu próprio filho e o sacrifica no Novo Testamento. 

Um comportamento que é abominável e repreensível numa determinada parte da Bíblia se transforma, numa outra parte, num ato de amor e beleza divinos. Mas o Redentor dos cristãos é o mesmo sacrifício humano daqueles pagãos que praticavam infanticídio como parte necessária de sua religião, e não há escapatória desse fato. A derivação da doutrina cristã a partir do paganismo é óbvia demais para ser contestada. O sacrifício de Jesus é apenas uma prova disso. 

JESUS É TOMADO por sua benignidade e doçura gentil numa sociedade que procura a coesão perdida de outros tempos. Ele é o companheiro cheio de compaixão que semeia o amor e exorta o que podia ser extraído antigamente pelo sentimento mútuo de empatia numa era mais pessoal e menos violenta. Mas como o próprio Jesus queria ser visualizado? Aqui, suas dicas: “Mas eu vos mostrarei a quem deveis temer; temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno; sim, vos digo, a esse temei” (Lucas 12:5). 

Jesus, inevitavelmente, aparece nas Escrituras como o profeta rejeitado do Juízo Final, que não vê a hora de ter sua vingança. Que ele tinha esse lado abrasivo em sua personalidade é óbvio não apenas pelo fato de não se dar bem com seus familiares e estar sempre às turras com seus discípulos, mas também pelas evidências de que ele não era nem mesmo querido ou respeitado pelos seus patrícios Nazarenos. Alguém poderia ter imaginado que tão maravilhosa criança, que nasceu ao som de trombetas angelicais, que teria sido anunciada como o Salvador de todo o mundo e cujo destino teria sido previsto por antigos sacerdotes do Zoroastrismo, deveria ter sido cuidadosamente acompanhada na sua infância e juventude com deslumbramento, mas, da sua própria família e povo, ele não teve nenhuma deferência. A atitude dos seus patrícios foi tão humilhante para ele que não lhe permitiu fazer milagres entre eles. Ele explicou que um profeta não é honrado em sua própria cidade (Mateus 13:54-58). 

Tal tratamento pode ter contribuído para a sua amargura e rudeza com relação aos seus detratores, amaldiçoados com o eterno tormento do Inferno. É irônico que esse autoproclamado Messias dos judeus ainda hoje seja rejeitado por seu próprio povo, e que seja proprietário de um Céu onde poucos dos seus conterrâneos irão passar a eternidade com ele. Jesus está na obrigação de lançá-los todos nas chamas, enquanto recebe no seu reino e dá as boas-vindas aos gentios, que receberam tão pouco da sua atenção enquanto esteve na Terra. 

Mas, certamente, o Deus onisciente dos judeus do Velho Testamento (o povo escolhido) pôde antever no que daria o resultado da sua nova promessa! 

 

14 Respostas

  1. Segunda-feira inicia-se uma nova série com a tradução que fiz de um artigo que argumenta que os Evangelhos não foram escritos por Mateus, Marcos, Lucas e João.

    Chupa essa manga!

  2. Legal BArros! na expectativa!

  3. SR. BARROS

    A verdade é que (pelo menos no meu ponto de vista) esta Sra. é tendenciosa e parcial ao seus interesses.

    Eu prefiro 1000 vezes mais teus post do que ter que ler outra coisa desta Sra.

    Por ex.: O Deus que não estava la.

    É muito bom porque vc coloca todos pontos de vista da até a impressão qeu antes vc pensa o que nós cristão vamos dizer.
    Ali quase vc da um xeque-mate.fica dificil contra-argumentar.

    Vc age igualzinho o Dawkins ai sim não adianta atacar por atacar e ainda distorcere colocar só um interpretação como ela faz.

  4. O texto é ridículo. Assim como todos os que não crer em Deus são ridículos merecedores do inferno. Jesus é Deus e Deus é Deus. Gostem ou não, a lógica é essa. Tá escrito. Não há o quem contestar. E se vois quereis contestar, o Inferno será tua recompensa. Eu não vejo dificuldade em entender isso.

  5. Sr. L. C. por favor leia todos os post colocados aqui bem como os comentários deles.
    La em cima a esquerda neste site vc escolhe o mês.
    Em alguns dos meus comentários eu explico algo sobre o inferno.
    Sou teísta convicto mas tb ja to de saco cheio desta coisa de só saber mandar os outros pro inferno e não ter argumentos palpaveis pra colocar aqui.

  6. L.C.,

    Realmente você está perdendo tempo! já temos o inferno garantido! não tememos deuses, nem inferno, nem mula-sem-cabeça, tudo a mesma coisa: alucinações, invencionices humanas….

    estou contando, já repeti isso milhares de vezes só aqui……

    Viva o inferno! nossa recompensa. pronto..satisfeito?

    Mas entenda que nada mudou nas nossas atitudes e compreensão do mundo, da vida…….vocÊ é apenas mais um “crente”, mandando, de novo, assim como os outros pro inferno……mas já aceitamos…..conte outra.. o inferno serve pra você, não pra nós….você é que tem que temer…..nós ateus não tememos estas coisas……nossa! de novo repetindo isso…

  7. eu ia esquecendo….o que está valendo aqui não é a passagem pro inferno, e sim discussões acerca das inúmeras contradições e a inexistÊncia de quaisquer deuses……

  8. Muito bom,concordo em gênero número e grau.

  9. popoinet,

    Obrigado pela força! A sinceridade é característica intrínseca do ateu………quero juntar a isso uma vontade de ajudar o ser humano…neste ponto entendo que mesmo não acreditando em deus, podemos fazer nossa parte em ajudar , ser ativista do humanismo….

    valeu

  10. Também achei o texto dessa autora tendencioso, mas até aí, quem não puxa sardinha pro seu lado?! Gpsto mais do estilo “Barros” de escrever!

  11. Também achei o texto dessa autora tendencioso, mas até aí, quem não puxa sardinha pro seu lado?! Gosto mais do estilo “Barros” de escrever!

  12. Desculpem a repetição acima! 🙂

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  14. A autora sobre o tema “Jesus o charlatão” desconhece que quem matou Jesus foi o Diabo (o Deus conhecido dos Judeus). Como falar de alguém, se até passou batida na leitura dos evangelhos (que na verdade é só 1 evangelho)?

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