Análise de Texto (parte 1)

Mats é o autor do blog português Darwinismo e fez uns comentários (em azul, abaixo) interessantes no meu post O Sacrifício.

“Qual é o problema em ser-se desonesto dentro da religião ateísta? De acordo com o ateísmo, quem é que decide o que é ser-se honesto e o que não é? Não é o indivíduo? Então, mesmo que o cristão esteja a ser aquilo que tu arbitrariamente qualificas de “falta de honestidade”, o seu comportamento é tão válido como o que tu chamas de “honesto”. E por que, perguntas tu? Porque dentro da religião ateísta não há Ponto de Referência Absoluto para a moralidade. Todos os comportamentos morais têm o mesmo valor, se o ateísmo está certo. Dito isto, não entendo o porquê de te insurgires contra os comportamentos alheios se os mesmos são tão válidos como os teus.”

Ateísmo não é uma religião, é a condição de quem é ateu, que é aquele que não crê em deuses. Segundo Dawkins, os religiosos insistem desesperadamente em entender o ateísmo como uma religião porque, assim, as coisas ficam mais fáceis, pois estariam apenas atacando “outra” religião. Mas nós, ateus, não doutrinamos nossas crianças, durante toda sua infância, para que não acreditem em deuses; nós não temos um livro sagrado de onde tiramos todos os “ensinamentos” para nossa conduta; não temos um líder, nem hierarquia; não temos rituais, nem liturgias; não saímos por aí, aos domingos, tentando converter as pessoas para o ateísmo; não ameaçamos ninguém que acredita naquilo que não acreditamos.

Para o Mats, eu, sendo ateu, fui arbitrário ao chamar de desonesto o argumento do vídeo “O Sacrifício”. Ora, se eu não dou a mínima para o Deus dele, se não tenho o Deus dele para guiar minha moral, como posso classificar algo como desonesto? Todos os comportamentos morais, para o ateu, teriam que ter, obrigatoriamente, o mesmo peso e valor “se o ateísmo está certo”, como se o ateísmo fosse uma doutrina a ser seguida.

Sem Deus no coração, o ateu não pode acusar ninguém de desonestidade:

— Que droga, aquele cara me vendeu um DVD como se fosse original, pelo qual paguei o preço de um DVD original, e, no entanto, era uma cópia pirata. Mas, como eu sou ateu, eu não posso dizer que o cara foi desonesto.

Segundo o Mats, eu, sendo ateu, não poderia me “insurgir” contra esse comportamento, ou seja, teria que aceitá-lo como válido, como honesto também. Por quê? Pelo simples motivo de não ser cristão. Não porque seja ateu, mas porque não creio em Deus. Se eu fosse um adorador de Krishna, o que não permitiria que eu fosse chamado de ateu, ainda assim não poderia reclamar do comportamento do vendedor de DVD, porque Krishna não é o “padrão absoluto de moral” que permite às pessoas se indignarem ante certos comportamentos. Krishna não é Deus.

Mas esse trecho do comentário do Mats não me cheirou tanto a desonestidade intelectual quanto esse pequeno período:

“Mas em NENHUMA parte do filme se diz que o mesmo é idêntico ao que Deus fez, portanto tudo o que disseste é o resultado de uma má conclusão da tua parte.”

Eu havia argumentado que o idealizador do filme fora desonesto, pois queria pôr o operador da ponte do trem na mesma condição do deus cristão. Mats não enxergou essa intenção “em NENHUMA parte”. Nem na parte final que encerra com essa citação bíblica:

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (João 3:16)”.


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20 Respostas

  1. Pode ser também que o Mats tenha percebido a intenção do vídeo, mas tenha dito que não percebeu, simplesmente para poder desqualificar o seu comentário. Sendo ele então, também, desonesto. rs

    Deixo minhas opiniões a respeito:
    http://despindomitos.blogspot.com/2009/12/religiao-ateu-acho-que-nao.html
    http://despindomitos.blogspot.com/2009/12/o-desenvolvimento-moral-segundo-piaget.html

    Mas acho que o Mats já entendeu. Nossa última conversa sobre moral foi bem produtiva.

  2. Sinceramente esses argumentos dele não mereciam nem a postagem especialmente para responder essa besteira que ele insiste em afirmar feito um papagaio.
    Citei anteriormente que existem consequencias reais no comportamente da pessoa em todos os níveis.
    Ele afirma que só o mundo de faz de conta dele faz sentido e tem ordem. E ainda por cima citou sobre molestar crianças. Seria tão válido para nós quanto não fazê-lo. E o real onde fica? E teria mais milhares de argumentos para derrubar esse comentário muito infeliz da parte dele, tão desonesto quanto o exemplo do DVD acima na postagem do Barros.

    Complementando:
    Ronaldo!

  3. Barros,
    Às vezes fica cansativo eu ter que explicar a mesma coisa vez após vez, mas vou continuar a fazer porque estao em jogo almas preciosas.

    Dentro em breve, espero fazer um post-resposta a este teu post.

    Eu depois digo alguma coisa.

  4. Barros,
    Só mais uma coisa: o video mostra uma situaçao analoga a de Deus mas nao é identica a de Deus. Nem poderia ser.

    Eu acho que se entende bem a distinçao entre identico e análogo, certo?

  5. Mats,

    Este vídeo quer mostrar um paralelo com o pensamento divino. Evidentemente que não pode se igual a deus.

    Deus, que eu saiba, não pode estar sujeito a questionamento, segundo os teístas. Eles dizem que deus faz assim mesmo e pronto! Tá feito! ATé mesmo inventar que matou o filho pelo perdão de criaturas, que nem sabiam da existÊncia dele.

    Seria um desrespeito comparar som os deuses. Pela fé deuses não podem ser questionados, nem na sua loucura errante!

    Já citei antes, deus cria a confusão e ele mesmo a combate com mais desgraça. exemplo de criar humanidade, que sabia que seria assim e depois matar o filho, que constataria não ia adiantar, e depois prometer que não vai fazer mais isso, que era perda de tempo!!! Entenderam?

    A desgraça da “alienação” incrustrada na mente desde a infÂncia é que faz vocÊ, Mats chamar o disparate divino de MORAL..

  6. Saracura,

    Este vídeo quer mostrar um paralelo com o pensamento divino. Evidentemente que não pode se igual a deus.

    Entao quando o Barros usa a palavra “identico”, ele está errado, certo?

    Ou será que “identico” nao significa “identico”?

  7. Podem ver o amigo Barros a usar a palavra “identico” aqui neste comentário.

    Agora expliquem-me se a palavra identico tem o mesmo significado de análogo?

    O Barros errou ao usar a palavra identico, e nao há mal nisso. Todos nós fazemos erros.
    O que está errado é ele usar o seu erro como plataforma para atacar os cristaos.

    E pior, é que ele continua a defender o erro (pelos vistos com a juda dos ateus residentes).

    Repito, nao há problemas em fazer erros. Todos nós fazemos erros. O que está errado no Barros e em todos os ateus que o defendem,. e continuar a defender o erro, mesmo depois de se ter sido mostrado o mesmo.

    “Identico” e “análogo” sao coisas distintas. O video é uma analogia, mas nao é identico.

    Espero que este assunto fique claro.

  8. Deus sacrificou Jesus pela vida dos homens; o operador da ponte sacrificou seu filho pela vida dos passageiros.

    O que eu disse foi que o vídeo não serve como analogia, porque o operador da ponte não está na mesma condição de Deus. A desonestidade está em se querer ver as duas situações como idênticas, que é o propósito do filme.

    Se não fosse esse o propósito do filme, não haveria lógica em terminá-lo com aquele versículo. Se não fosse esse o propósito, o vídeo seria apenas um filme sobre um pai que tem nas mãos um dilema terrível; nada a ver com a Bíblía, pois Deus não estava num dilema terrível.

    Eu recebi esse vídeo da minha irmã por e-mail. Nele vinha a mensagem original de quem o enviou pela primeira vez: “Veja como Deus te ama”.

    Engraçado que ninguém apagou essa frase antes de retransmitir o e-mail.

  9. E por falar em semântica, eu lembrei dessa minha discussão com o Mats sobre os significados das palavras “suspender” e “superar” aqui nesse post:

    http://darwinismo.wordpress.com/2009/04/19/milagres-nao-violam-leis-da-ciencia/

    Não, meu caro, você disse isso aqui:

    “O problema claro está é que o milagre não é uma “violação das leis da natureza“, mas sim a “suspensão dos efeitos de uma ou mais leis da natureza.”

    E, a partir daí, quis trabalhar seu argumento dizendo que o efeito da lei da gravidade sobre o avião, que voa, é suspenso, quando, na verdade, não é.

    Seu argumento só funciona se tal efeito for “suspenso” e eu te mostrei que o efeito da lei da gravidade, em nenhum momento, é suspenso, para permitir o voo de um avião.

  10. Barros,

    O que o Mats diz ratifica a intenção macabra do filme.
    Ao tentar uma analogia, deseja mostrar a identificação com deus para justificar o ato absurdo do homem.

    A impressão que fica é que não devemos ter escrúpulo, limites, senso, quando se trata da suposta revelação divina, ou seja, temos o direito de transgredir, assassinar em nome de deus, pelos erros criados por ele mesmo.

    Tudo pode em nome de deus, até estupro divino, sacrifício humano, assalto para jesus, roubo e morte para regozijo celeste….

    É a quintessência da Imoralidade e perversão da mente humana!

  11. Deus sacrificou Jesus pela vida dos homens; o operador da ponte sacrificou seu filho pela vida dos passageiros.

    O que eu disse foi que o vídeo não serve como analogia, porque o operador da ponte não está na mesma condição de Deus.

    Não. Tu disseste que nós dizemos que as situações são identicas. Mostra-me uma parte do filme que diga que as situações identicas.
    Não vais encontrar porque o filme nunca disse isso.

    Foste tu que erraste em imputar aos cristãos algo que nós nunca fizemos.

    Mas pelos vistos continuas a defender o teu erro.

    (Não pude deixar de notar que já não estas a usar a palavra “identico”? Porque será?)

  12. Amigo Barros, volto a frisar, não é vergonha nenhuma errar.

    TOdos nós erramos. Eu já errei (e vou errar) muitas vezes no meu blog, e alguns ateus corrigiram os meus erros.

    O que está errado é tu agarraste ao teu erro, e imputares motivações malignas em nós cristãos.

    Não te fica bem.

  13. Mats,

    Malignas mesmas só as loucuras divinas, e se os cristãos se basearem nela estarão agindo perversamente!

    A pessoa que mandou o vídeo tentou algo com a moral da história, mas não colou por sua analogia desoneta, certo? Temos este veredicto?

  14. Saracura,

    A pessoa que mandou o vídeo tentou algo com a moral da história, mas não colou por sua analogia desoneta, certo?

    Então é uma analogia, como eu sempre disse, e não algo IDENTICO ao que Deus fez, como defende o Barros?

    Estás-me a dar razão, então?

  15. Mats,

    Se é apenas uma questão semântica ou de colocação de um vocábulo, sim você está certo!

    Porém, isso não invalida a comparação com Jesus e a inteção desonesta do autor do vídeo. Esta era a verdadeira intenção, até com o fechamento: “Veja como deus te ama!”

  16. O crente quer ver o operador de ponte sim como estando numa situação idêntica a de Deus: salvar “um” pela vida de “muitos”.

  17. Barros,
    Pelos vistos continuas a tentar defender o indefensável.

    O “crente” não quer ver o operador como estando numa situação idêntica a de Deus. Nem poderia ser idêntica, uma vez que o Senhor Jesus deu a Sua Voluntariamente mas a criança não.

    Mais uma vez digo, estás a defender o que não tem defesa legítima.

  18. Mats, me parece que você está questionando apenas que o Barros usou o termo “idêntica” ao invés do termo “análoga”.

    Isso é irrelevante. Ambos os casos são desonestos. A situação não é nem idêntica e nem análoga.

  19. Despindo,
    A situação é análoga no sentido do pai sacrificar a vida do filho para o bem de outras pessoas, mas não é identica, como afirmou o Barros.
    Mas tudo bem, não há stress.

    Só é pena que o Barros use a sua má classificação como forma de catalogar os cristãos de “desonestos”, especialmente quando se sabe que dentro do ateísmo, todos os comportamentos morais são igualmente válidos.

  20. Você tá parecendo uma maritaca repetindo isso Mats. Já tá bom. Já conhecemos bem a sua opinião a respeito rs.

    Respondendo, não concordo que seja análoga. Justamente pelos argumentos que o Barros apresentou.

    E acrescento um que deixei em comentário, que é o fato de o sacrifício ter sido falso, já que o sacrificado ressussita depois.

    Foi como um truque de mágica para enganar a platéia.

    E em todo caso, pra mim, essa questão semântica é irrelevante.

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