NEUROSE CRISTÃ INDUZIDA:Parte final

Há numerosas percepções teológicas que resultam em cristãos fiéis e sinceros se acharem presos num relacionamento “duplo-vínculo” com Deus. Muitos destes paradoxos consistem no paradoxo “seja espontâneo” já mencionado. Os cristãos que acreditam que “devem ser felizes”, “nunca devem se zangar”, “nunca devem se sentir deprimidos”, “devem amar (num nível de sentimento) Deus e o próximo”, “devem gostar de orar, de estudar a Bíblia, do culto, etc”, e “devem desejar não pecar” (e a lista continua) estão todos encurralados por paradoxos, muito sutis, do tipo “seja espontâneo”. São forçados a produzir sentimentos de natureza inerentemente espontânea. O problema é que as pessoas que procuram sentir-se melhor geralmente ficam mais deprimidas. Quanto mais se esforçam para produzir sentimentos opostos, mais frustradas e deprimidas se tornam. Quando são aconselhados a “procure se alegrar ou se sentir melhor” o paradoxo pragmático é reforçado e elas não apenas sentirão deprimidas, mais ainda, provavelmente se sentirão culpadas por não serem capazes de produzir sentimentos diferentes.

Cristãos que se obrigam a orar quando não o desejam ou que laboriosamente lêem um certo número de páginas da Bíblia ou tentam gostar de um culto que não é agradável podem entender a frustração que o paradoxo “seja espontâneo” causa. Quanto mais se tenta, mais difícil se torna sentir o que não se sente. O dilema é que muitos crentes simplesmente tentam com maior afinco, por que parte da situação “duplo-vínculo” a ameaça de “perdição” para os que abandonam a tentativa.

Muitos crentes conseguem chegar a um sistema teológico prático de pensamento e comportamento que os faz viver bem, mesmo dentro da tensão de ordens aparentemente paradoxais. Muito da teologia cristã é claramente exposto como paradoxal e todos os fieis devem lutar com os mistérios e contradições aparentes de sua fé. Os cristãos aprendem que Deus é completamente soberano e ainda assim a humanidade exerce livre-arbítrio e é um agente de responsabilidade moral. São doutrinados que a salvação é pela graça de Deus apenas, e ainda que a graça é apropriada pela fé e pelas obras (comportamento moral e religioso). O crente deve “morrer para viver”, “ser o último para ser o primeiro”. “levar uma vida sem pecado enquanto revestidos da imperfeição da humanidade” e seguir a Cristo que era “completamente Deus e completamente homem”. Todos os que professam a fé cristã devem conviver com estes e outros tópicos semelhantes e chegar a um sistema de pensamento e comportamento que lhes permita operar dentro destas tensões teológicas. O problema é que qualquer dilema, contradição ou paradoxo teológicos, seja real ou pressentido, tem potencial para se tornar um paradoxo pragmático sério, que poderá contribuir para uma situação “duplo-vínculo” muito problemática. Enquanto muitos cristãos evitam isto por força de sua perspectiva teológica, a habilidade de viver dentro da tensão dos paradoxos, o desejo de questionar o significado e o desígnio dos imperativos teológicos ou a liderança de outros, muitos cristãos ficam enredados numa situação “duplo-vínculo” e podem se encontrar irremediavelmente encurralados. Eles exibirão prolongados períodos de uma neurose cristã induzida. Os sintomas manifestados podem variar desde depressão, ansiedade, senso de culpa excessivo, estresse relacionados com problemas somáticos (extrema tensão muscular, dores de cabeça constante, pressão sangüínea elevada, etc.), até desorientações mais sérias e reações psicóticas. Estes sintomas podem ser o resultado direto do crente estar imobilizado pela posição indefensável da situação “duplo-vínculo”. Aqui, o importante é que os sintomas são produzidos pela situação e não são característica inerente ou falha de caráter do crente. Certos indivíduos podem ter uma predisposição a padrões de sintomas específicos e cada indivíduo terá tolerância diferente para a quantidade de estresse necessária para os tornar sintomáticos, mas a própria condição neurótica é induzida pela situação “duplo-vínculo“.

Desde que o conceito de neurose cristã induzida não foi ainda formalizado aé a publicação deste artigo, nenhum estudo pode ser citado a respeito da prevalência dessa síndrome. Até agora, apenas se pode apelar para a armação teórica compilada, combinada com os dados observados por uma variedade de ministros e conselheiros cristãos. É crença do autor que a incidência das situações teológicas e da neurose cristã induzida é muito alta, mas que os sintomas neuróticos são atribuídos a outras causas (geralmente à personalidade neurótica do crente) e por isso nunca são interpretadas como resultado direto do contexto teológico.

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5 Respostas

  1. Bom dia! Voltando então…

    “O problema é que as pessoas que procuram sentir-se melhor geralmente ficam mais deprimidas”

    Subjetivo.

    O que é orar para ti? É rezar?
    Orar é conversar com Deus (para ti é conversar sozinho, não é? rsss).
    O Cristão que escolhe se quer ou não. Novamente, cada um assume as conseqüências de seus atos. Segundo a Bíblia, se tu quer crescer e melhor, orar e vigiar é indispensável.

    Ler a Bíblia não é algo mágico, não se preocupe. Tu lê para conhecer, e a Bíblia, assim como um livro de física, deve ser estudada.
    Ler apenas por ler não adianta de nada.

    Dilema? Muitos crentes?
    Texto altamente subjetivo.

    Tu chama de paradoxo e usa argumentos subjetivos. Sim, tu realmente não entende uma vida cristã.

    Contradições aparentes? Não vivo contradições aparentes, quando me vejo em uma contradição vou em busca de respostas e esclarecimentos. Afinal de contas, temos tantos recursos, diversas teologias, vários livros e sites. Hoje em dia quem tem acesso a internet, a bibliotecas e recursos para livros e outros materiais de estudos, não tem desculpa para ficar em dúvida.

    Erreis por não conhecer…

    Deus é soberano. Ele escolheu nos dar o livre arbítrio. Não há contradição.

    “apropriada pela fé e pelas obras (comportamento moral e religioso)”

    Báh! Mentira!

    A salvação vem pela fé, a fé pelo ouvir (ou ler) a Palavra de Deus. Obras não nos salvam, somos salvos para boas obras (amar a Deus e ao próximo, tentar ser uma pessoa honesta, de paz, sábia entre outras virtudes)
    Contudo, uma fé sem obras, é uma fé morta. Se não faz boas obras, não teve fé.

    E boas obras não é liturgia! Jesus pregou o oposto do que disse: não sejam religiosos, legalistas, hipócritas!

    ” tensões teológicas”

    Pelo contrário, isso nos alivia! A humildade liberta o homem de muuuuitas coisas. O orgulho o torna escravo de si mesmo. E isso é algo que muitos ateus (e inclusive ateus psicólogos tb declaram).

    “tornar um paradoxo ‘pragmático’ sério

    Assim como tu no teu texto, chamamos isso de fanatismo. E acho que o termo pragmático nessa frase não foi muito bem empregado. Contudo, acredito que entendi o que tu quis dizer.

    “Eles exibirão prolongados períodos de uma neurose cristã induzida. Os sintomas manifestados podem variar desde depressão, ansiedade, senso de culpa excessivo, estresse relacionados com problemas somáticos (extrema tensão muscular, dores de cabeça constante, pressão sangüínea elevada, etc.), até desorientações mais sérias e reações psicóticas. Estes sintomas podem ser o resultado direto do crente estar imobilizado pela posição indefensável da situação “duplo-vínculo”.”

    AI! Altamente científico, neh?! Estranho que tudo isso que tu diz não acontece! E muito pelo contrário: muitas pessoas se libertam disso tudo quando viram crente. Eu mesmo, com apenas um ano de convertido já testemunhei de perto (com alguém de convívio íntimo) uma libertação de problemas psicológicos. Fora outros tantos testemunhos.

    “É crença do autor” Muito bom!

    Texto altamente falacioso.

    Se tu acha que isso pode vir a tornar-se uma pesquisa científica, envia isso para psicólogos, pedagogos, psiquiatras e sociológos, em universidades e centros de pesquisas.
    Sendo ateus ou não, certamente terá respostas beeem interessantes sobre essa tua larga teoria.

    Já pesquisou no Web Of Science? Ou em algum banco de artigos científicos? Já catou no google algum artigo ou publicação sobre?

    Recomendo. Dará um pouco de credibilidade a tua crítica.

  2. Engraçado Israel o que eu tenho visto é o contrário ! ja te contei da minha vizinha ?! vc deve lembrar !! e centenas de outros qeu eu presenciei que estavam na mesma situação.
    Deixando claro que o texto esta coberto de razão ; agora devo concordar que ja vi muitos criminosos deixarem o mundo do crime qdo se converteram.
    Mas isto não os livrou d situação duplo vinculo ; eu vi um destes na TV que eles fundaram um programa de rádio tipo do pânico na jovem pan ;
    Ele dizia o seguinte : Eu ficava que nem louco com biblia na mão gritando nas ruas…
    Ai eu fiquei pensando foi até bom ele ter conhecido a religião qeu o fez largar do crime e agora largou da religião e se libertou da situação de duplo vinculo.

    “ESTA UMA PESSOA NORMAL”

  3. Esta é uma pessoa NORMAL!rsrs…
    Israel é gaúcho, Catarinense ou Paranaense?

  4. Gaúcho.

    Ada,

    Moramos em cidades diferentes, mas suspeito que os crentes não devem ser muito diferentes.

    Claro que tem algumas igrejas doidas mesmo! Infelizmente tem e só queimam o nosso filme.

    Mas como já te disse, tem os de verdade e tem os de mentira. Que nem médico fazendo atrocidades, policiais corruptos etc.

  5. É como sempre digo, FANATISMO É PERIGOSO.

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