Pensamentos reconfortantes sobre a morte que nada têm a ver com Deus (parte 1)

Minha tradução do artigo homônimo da autora Greta Christina, publicado no livro Everything You Know About God Is Wrong [Tudo o que você sabe sobre Deus está errado]. Como sempre faço nas traduções, preservei o estilo da autora e a estrutura do texto no que diz respeito à paragrafação. Segue a primeira das duas partes:


Então, aqui está o problema. Se você não acredita em Deus ou numa vida após a morte; ou se você acredita que a existência de Deus ou uma vida após a morte são questões fundamentalmente irrespondíveis; ou se você realmente crê em Deus e numa vida após a morte, mas você aceita que sua crença é apenas isso, uma crença, uma coisa na qual você acredita em vez de ser uma coisa que você sabe — se qualquer uma dessas proposições é verdadeira para você, então a morte deve ser uma coisa terrível para se pensar. Não apenas amedrontadora, não apenas dolorosa. Mas paralisante. O fato de que seu tempo de vida é um fragmento minimamente infinitesimal da vida do universo, e que há, no mínimo, uma grande possibilidade de que, quando você morrer, você desapareça completamente e para sempre, e que em 500 anos ninguém mais lembrará de você, e em cinco bilhões de anos a Terra será fervida dentro do Sol: isso pode ser uma profunda e descritiva verdade sobre a sua existência que você instintivamente repudia, da qual se esquiva e se recusa a aceitar ou mesmo pensar a respeito, consistentemente empurrando-a de volta para o fundo de sua mente a cada vez que ela tenta se esgueirar para a superfície, de medo que se ela vier a se fixar por um minuto que seja na sua cabeça possa engolir todo o resto. Isso pode fazer todos os seus atos, juntamente com os atos de todas as demais pessoas, perder totalmente o significado e se tornar trivial, beirando o absurdo. Isso pode fazer você se sentir apagado, pode acabar com a alegria, pode fazer com que sua vida pareça cinza em suas mãos. Aqueles de nós que são céticos muitas vezes desprezam pessoas que fervorosamente mantêm crenças das quais não têm nenhuma evidência simplesmente porque eles acham essas crenças reconfortantes — mas quando você está sob o domínio desse tipo de desespero existencial, pode ser duro pensar que você não tem nada além desse punhado de cinzas para oferecer a eles em troca.

Mas esse é o ponto. Eu acho possível ser um agnóstico, ou um ateu, ou ter crenças espirituais ou religiosas das quais você não está certo, e ainda se sentir bem com relação à morte. Eu penso que existem maneiras de ver a morte, maneiras de encarar a morte de outras pessoas e de contemplar a nossa própria morte que nos permitem sentir o valor da vida sem negar a finalidade da morte. Eu não posso me fazer crente em coisas que realmente não acredito — Paraíso, ou reencarnação, ou um plano divino para nossas vidas — simplesmente porque acreditar nessas coisas tornaria a morte mais fácil de ser aceita. E eu não acho que tenha que fazer isso, nem que ninguém tenha. Eu acho que existem formas de pensar sobre a morte que são reconfortantes, que dão paz e consolo, que permitem que nossas vidas tenham significado e que até nos desperte para eles — e que não tenha nada a ver com qualquer tipo de Deus, ou qualquer tipo de vida após a morte.

Aqui está a primeira coisa. A primeira coisa é o tempo, e o fato de que vivemos dentro dele. Nossa existência e experiência são dependentes da passagem do tempo, e das mudanças. Não, dependentes não — é uma palavra muito fraca. Tempo e mudança são parte integral de quem nós somos, a fundação da nossa consciência, sua trama e urdidura. Eu não tenho como imaginar o que significaria ser consciente sem passar através do tempo e estar ciente disso. Talvez haja uma forma de existência fora do tempo, algum plano do ser no qual as mudanças e a passagem do tempo sejam ilusão, mas, certamente, não é a nossa.

E inerente às mudanças é a perda. A passagem do tempo tem a perda e a morte entrançadas em si: cada novo momento mata o momento anterior, e sua própria morte está sugerida no momento que vem depois. Não há como existir no mundo de mudanças sem aceitar a perda, mesmo que seja apenas a perda de um momento no tempo: o jeito que o céu se apresenta exatamente agora, o movimento do ar, o número de pássaros na árvore do outro lado da sua janela, a temperatura, o jeito que está o seu corpo, a posição das pessoas na rua. É inerente à natureza de ter momentos: você jamais terá esse mesmo momento de novo.

E isso é uma coisa boa também. Porque todas as coisas que dão à vida alegria e significado — música, conversas, banquetes, danças, leituras, brincar com as crianças, pensar, fazer amor — são baseadas no passar do tempo, e nas mudanças, e na perda de uma infinidade de momentos que passam e que ficam para trás. Sem perda e morte, não teríamos chegado a existir. Não teríamos chegado a ter Shakespeare, ou sexo, ou qualquer outra coisa, sem permitir que tais coisas existissem e a nossa própria experiência delas existisse e, então, passasse. Não teríamos chegado a ouvir Louis Armstrong sem deixar que o Mi bemol desaparecesse e se tornasse um Sol. Não teríamos chegado a assistir Feitiço do Tempo sem deixar que cada quadro passasse diante dos nossos olhos por uma fração de segundo e, então, prosseguisse. Não teríamos como passear numa floresta sem passar por cada árvore e deixado que ficassem para trás; não teríamos sequer como ficar parados nessa floresta e contemplado uma mesma árvore por horas sem ver o vento fustigar as folhas, um pássaro quebrar gravetos para o seu ninho, as nuvens correndo acima da copa, cada manifestação da árvore morrendo e uma nova tomando o seu lugar.

E nós não teríamos que querer que as coisas não fossem assim, mesmo se pudéssemos. A alternativa seria um tempo congelado, um único quadro do filme, a vigésima quarta parte do segundo congelada, sem nada a precedê-la, nem nada que viesse depois. Não acho que qualquer um de nós quisesse isso. E se não queremos, se ao invés disso queremos o mundo das mudanças, o mundo da música, do sexo, das conversas e tudo o mais, então vale a pena aceitar, e mesmo amar, a perda e a morte que tornam isso possível.


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9 Respostas

  1. Gostei, quero ver o restante…
    Muito bom, mesmo…

  2. Doença hereditária e Maldição hereditária!

    O pai de Marcelinho morreu de Câncer, a irmã do Marcelinho estar de Câncer!

    Explicação da ciência:
    Doença hereditária que passa de pai para filho, isto é a genética.
    __________________

    Mas pêra ai! =-(

    O Finado Ricardo foi apenas irmão adotivo do Marcelinho e morreu de Câncer!

    O Mauricio é apenas cunhado do Marcelinho, Ele não possui o mesmo sangue da família do Marcelinho e também estar de câncer!

    Como a Ciência explica isso????
    Como a Bíblia explica isso ????

    2 Reis 5:27
    Portanto a lepra de Naamã se pegará a ti e à tua descendência para sempre. Então saiu de diante dele leproso, branco como a neve.

    __________________________________

    * DAVÍ PECOU, MAS COMO CONSEQUÊNCIA TEVE 3 DE SEUS FILHOS MORTOS.

    Samuel 12:10
    Agora, pois, não se apartará a espada jamais da tua casa, porquanto me desprezaste, e tomaste a mulher de Urias, o heteu, para ser tua mulher.

    ____________________________________
    * QUEM PLANTA COLHE
    Provérbios 17:13
    Quanto àquele que paga o bem com o mal, não se apartará o mal da sua casa.
    __________________________________

    * SABE POR QUE HITLER AMAVA MAIS OS JUDEUS DO QUE AS OUTRAS CLASSES???

    Mateus 27:25
    E, respondendo todo o povo, disse: O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos.
    26 Então soltou-lhes Barrabás, e, tendo mandado açoitar a Jesus, entregou-o para ser crucificado.

    BREVE NOVA MONTAGEM.

  3. HITLER quase dizimou a nação de Judeus.

    Eu já ví bichos entrar em extinção! Mas uma nação inteira entrar em extinção é OSSO.

  4. Hagnus você conhece fumante passivo ? hahaha

  5. Ele existe quando convive com o fumante impassivo.

    hahaha

  6. http://www.jornaldacidade.net/2008/noticia.php?id=23065 sobre câncer agora me dizer que toda doença vem de Deus , livra a cara do Diabo hahaha.

  7. Muito bom este texto mesmo ; nos leva a querermos viver melhor nossas vidas.

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