Projeto Discriminação – 2ª Entrevista

O Dr. Telmo Kiguel é o Coordenador do Departamento de Psicoterapia e do “Projeto Discriminação – ABP Comunidade” da Associação Brasileira de Psiquiatria e nos concede hoje sua segunda entrevista.

DeusILUSÃO – A sua primeira entrevista provocou manifestações dos nossos leitores que, ainda, não apareceram sob forma de perguntas. Portanto, desta vez, o conteúdo é o dos debates e as perguntas ainda são minhas. Na área médica, o que se sabe a respeito da diferença de evolução das doenças entre os que têm crença religiosa e os que não têm?

PD – A evolução das doenças depende de vários fatores. Em primeiro lugar uma boa relação médico-paciente que determine a aceitação das recomendações terapêuticas. Em segundo lugar podemos considerar a capacidade de relações (pessoais) afetivas, amorosas dos pacientes. Isso se traduz, na prática, pela sua rede de apoio social: cônjuges, companheiros, namorados, pais, irmãos, filhos e demais familiares. Todos os tipos de amigos: mais próximos, do trabalho, do clube, vizinhos, etc. Outras relações de afeto (agora não pessoais) mas que também podem influenciar, como a capacidade de obter prazer, satisfação alegria da cultura que o cerca. P.ex.: leituras, filmes e as artes em geral.

Imaginemos agora uma pesquisa com dois grupos de pessoas com todos os itens anteriores iguais e com uma diferença.

Grupo 1: com crença religiosa e sua relação afetiva, amorosa com toda cultura (pessoal e não pessoal) que o cerca.

Grupo 2: sem crença religiosa e sua relação afetiva com toda cultura (pessoal e não pessoal) que o cerca.

Conclusão: como essa pesquisa, assim completa, não foi realizada, qualquer afirmativa em relação à questão não tem valor científico.

Neste link, podemos encontrar uma pesquisa interessante para quem se interessa por esse tema e com resultados bem definidos.

DeusILUSÃO – E a questão tão debatida: quem discrimina: o religioso ou o ateu?

PD – A questão pode ser vista por dois enfoques: o pessoal ou individual, ou particular, e o estatístico.

O processo discriminatório está presente em todos os grupos: homens e mulheres, brancos e negros, heterossexuais e homossexuais, religiosos e ateus, etc. A quantidade de pessoas discriminadas é muito grande exatamente por isso. Inclusive porque pessoas que pertencem a grupos discriminados podem ser também discriminadoras. Portanto numa situação particular, alguém de um grupo discriminado pode agir de forma discriminatória contra qualquer outra pessoa de qualquer grupo.

A diferença fica mais clara em função de pesquisas que abrangem  grandes populações e que permitem definir quais são os grupos discriminados e quais são os discriminadores.

Na questão do relacionamento entre as religiões há também muitas referências à discriminação interreligiosa.

Especificamente na comparação entre religiosos e ateus, vejamos uma pesquisa realizada com mais de 20.000 pessoas e duas das muitas conclusões: “membros de congregações religiosas tendem a criar preconceitos em relação a outros grupos e raças” e “significativamente menos racismo em pessoas sem crenças religiosas fortes”.

Acesso à pesquisa: http://www.portalateu.com/2010/03/04/religiosidade-e-racismo/

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