Zilda Arns – Uma outra opinião


Autor: Janer Cristaldo

A “pérola das Antilhas” – isto é, o Haiti – gaba-se de ter sido o primeiro país latino-americano a declarar-se independente. Unidos sob a liderança de Toussaint L’Ouverture e, mais tarde, do ex-escravo Jean-Jacques Dessalines, negros e mulatos combateram as tropas francesas até a proclamação da independência em 1804. Independência para quê? Hoje, o Haiti é o país mais pobre do continente. Em um ranking de 180 países, seu PIB per capita ocupa o 130º lugar.

A Libéria – isto é, a Terra Livre – foi fundada no século XIX por escravos libertos dos Estados Unidos, não tendo conhecido o domínio colonial. O país foi criado pela American Colonization Society, organização criada em 1816 por Robert Finley, cujo objetivo era levar para a África negros livres ou negros que tinham sido libertos da escravidão. Segundo Finley e outros líderes americanos, os negros jamais seriam capazes de se integrar na sociedade do país. A única solução seria reenviá-los para a África, para evitar tanto a criminalidade como o casamento interracial.

Em 1821, a American Colonization Society adquiriu uma parcela de terra na África, onde se fixariam os primeiros colonos negros oriundos dos Estados Unidos. Em 1847, a Libéria declarou a sua independência, tornando-se o primeiro país africano a tornar-se independente. Independência para quê? Hoje, a Libéria é ainda mais pobre que o Haiti. No mesmo ranking de 180 países, seu PIB per capita ocupa o 159º lugar.

Conclusão? Antes que me chamem de racista, apelo ao testemunho de George Samuel Antoine, cônsul do Haiti no Brasil. Sem saber que estava sendo gravado pela reportagem do SBT Brasil, Samuel Antoine disse: “O africano em si tem maldição. Todo lugar que tem africano lá tá fodido”. Verdade que logo depois se apressou em dizer que foi mal interpretado. Mas não vejo muito como interpretar mal sua afirmação. Disse, está dito. Como cônsul, deve conhecer bem o país que representa.

Em 1957, o médico François Duvalier, mais conhecido como Papa Doc, foi eleito presidente do Haiti, onde instaurou um governo baseado no terror promovido pelos tontons macoutes, membros de sua guarda pessoal. Em 1964, no melhor estilo de Fidel Castro ou Hugo Chávez, decretou sua presidência vitalícia. Deu ordens para a produção de panfletos, onde, entre outras informações, designava-se deus. Foi quando o Haiti tornou-se a nação mais pobre do continente. Ao morrer, em 1971, foi substituído por seu filho, Jean-Claude Duvalier, o Baby Doc, que hoje come o amargo caviar do exílio em Paris.

Escrevi ontem sobre Zilda Arns, a Teresa de Calcutá tupiniquim, morta no terremoto, e afirmei: “quem conhece o que penso de Agnes Gonxha Bojaxhiu, a santarrona albanesa, sabe que nisto não vai nenhum elogio”. Não faltou leitor que me interpelasse. Que tens contra a madre Teresa? É leitor que não me acompanha. Entre outras proezas, madre Teresa recebeu das mãos de Baby Doc a “Légion d’honneur” haitiana. Isso sem falar nas flores que levava à tumba de um dos mais sanguinários ditadores dos Balcãs, Enver Hoxha, seu conterrâneo. Mas falava da Arns, a novel santa brasileira.

Escreveu um de meus interlocutores: “Janer, tua biografia poderia passar sem essa crônica. Misturas alhos com bugalhos e de leva ofendes a Zilda Arns.. Essa mulher conseguiu criar, no Brasil, um serviço que reúne 250 mil voluntários e atende dois milhões de pessoas. O fato de ser religiosa apenas mostra a base para seus ideais. Independentemente da tua fobia por papas, bispos ou cardeais, poderias ter passado sem realizar essa agressão gratuita para uma pessoa cujo único crime foi a bondade”.

Bondade? Em termos. Por trás da bondade, muitas vezes se esconde a perversidade. Para atender dois milhões de miseráveis é preciso que existam dois milhões de miseráveis. O número deles seria menor se houvesse uma política de redução da natalidade. Isto, como boa católica, Zilda Arns não admitia. Condenava anticoncepcionais e preservativos. The sperm is sacred, como diziam os Monty Python. Esta atitude criminosa da Igreja romana, que só aumenta a miséria no mundo, está dizimando africanos aos magotes, pela AIDS, nos países de predominância católica. A Teresa de Calcutá tupiniquim foi cúmplice desta política assassina. Com sua atitude hipócrita, Zilda Arns criava os miseráveis para depois atendê-los. A Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana é uma caftina de miseráveis. Não por acaso, só se expande em países pobres. Sem miséria, não é fácil ser santo. Falta clientela.

Este política pode ser vista em São Paulo. Quando alguma autoridade inventa de retirar os mendigos da rua, lá vêm as igrejeiras: “quem tirou daqui nossos mendigos? Queremos nossos mendigos de volta”. Não estou usando de retórica. Esta frase eu a li no Ceciliano, boletim da paróquia de Santa Cecília, aqui ao lado de onde moro. Quando foram retirados os mendigos do largo que entorna a Igreja, os padres chiaram: queremos nossos mendigos de volta.

Miséria, bem explorada, dá lucro. Com milhares de mendigos na rua, estão garantidos os milhões de dólares que a Miseoror, a Cáritas e outras entidades européias enviam para a Igreja brasileira. Com estes milhões, Arns fornecia aos miseráveis uma sopa feita de arroz, milho, sementes de abóbora e cascas de ovo. Ontem ainda, esta gororoba foi saudada pelo senador Flávio Arns, seu sobrinho, como o grande “legado” deixado pela titia na luta contra a mortalidade infantil. Lula já pede um prêmio Nobel póstumo para a santarrona de Forquilhinha.

Last but not least, não tenho fobia nenhuma por papas, bispos ou cardeais. Tenho asco. É diferente.


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10 Respostas

  1. “Sem miséria, não é fácil ser santo. Falta clientela.”
    Grande verdade.

  2. Já pensou o pastor Valdemiro, ou o Silas, ou o R.R. Soares, lá na Noruega:

    Você aí, meu amigo, minha amiga, que está passando fome, que está dormindo nas ruas, que sofre nas filas de hospitais e postos de saúde; você que não tem uma moradia digna, você que não arruma emprego, que sofre com as injustiças sociais…

    KKKKKKKK… Será que os noruegueses iriam se emocionar com esse discurso e iriam comprar o remédio Deus que eles iriam querer vender depois????

  3. Caramba !! excelente texto ; mas quero dizer uma coisa !
    Para os negros aqui no Brasil falta mais é pé no chão mesmo ; eu nunca vi um negro que fez curso técnico desempregado.

    Area de telecomunicação média de salario = 3000,00 (falta mão de obra técnica ; vão pegar gente de fora ; 30.000 vagas)

    Vale do rio doce ; precisa de 50.000 empregados (Eu vi o presidente da vale falando qeu vai ter que pegar gente de fora)

    Petrobrás ; se não me engano irão ser 30.000 vagas tb espero qeu não tenham qeu pegar gente de fora tb.

  4. Barros, raciocine meu fí!

    A Noruega é um dos paises mais cristão do mundo, talvez em porcentagem seja o numero 1°

    Então pra que o Silas na Noruega? Prá que o RR Soares na Noruega?

    Estamos enviando missiona´rios para Regiões carentes do evangelho como:

    AFRICA- ASIA- RUSSIA-INDIA e ETC..

  5. Preguiça de fazer uso do cerebro pode acaber enferrujando!

  6. Wikipedia

    Milhões de europeus não professam nenhuma religião ou são ateus, agnósticos ou humanistas. As maiores populações não confessionais (em percentagem) são encontradas na República Checa, Dinamarca, França, Alemanha, Holanda, Noruega, Suécia e nas antigas repúblicas soviéticas como Bielorrússia, Estónia, Rússia e Ucrânia, embora a maioria dos antigos países comunistas tenham populações significativamente não confessionais.

    Se os pastores evangélicos brasileiros fossem pra Noruega fazer lá o que eles fazem aqui, vender Deus aos pobres, miseráveis e gente de pouca instrução, iriam abrir falência rapidinho, por causa da escassez de pobres, miseráveis e gente de pouca instrução… Ah… acho que eles iriam querer voltar para o Brasil… por isso que eles não vão pra lá.

  7. Penso que A Dra. Hilda,não tinha consciência do erro que cometia em alardear o “não uso da camisinha”, talvez pela formação católica, que coloca o sexo como “sujo”, como algo perverso, quando na verdade é um dos presentes da vida!

    a mesma formação católica que não deixa os padres se casarem, por medo do sexo ou por medo de divisão dos bens da igreja..

  8. […] mesmo autor,Janer Cristaldo, leia o que ele acha de nossa Madre Tereza, Zilda Arns: https://deusilusao.wordpress.com/2010/04/22/zilda-arns-uma-outra-opiniao/ […]

  9. […] mesmo autor,Janer Cristaldo, leia o que ele acha de nossa Madre Tereza, Zilda Arns: https://deusilusao.wordpress.com/2010/04/22/zilda-arns-uma-outra-opiniao/ […]

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