Ser bom, sem religião. Parte 4

Escrito em 1999, por Wellington L Moura

O mito de Cristo

Homens livres e cultos seguem religiões criadas por escravos analfabetos, como aliás é o caso do cristianismo. Inicialmente era uma seita criada pelos judeus dispersos pelo império romano, desanimados com o judaísmo porque o Messias libertador não chegava nunca. Uma seita que fracassou entre os judeus, mas fez sucesso entre os escravos do império na região da Ásia Menor. O primeiro livro do evangelho cristão, o Apocalipse, dirige-se às sete igrejas da Ásia, e, estranhamente, não faz referência a Jesus. Também não fazem tal referência os historiadores da época tanto os judeus, quanto os romanos. Tudo indica que o mito de Cristo disseminou-se entre os escravos depois da fracassada guerra dos judeus contra os romanos, onde muitos místicos se declararam Messias. O mito propagou-se por tradição oral, pois os escravos eram analfabetos, durante cento e cinqüenta anos. Imagine a deturpação de uma história contada dessa maneira durante tanto tempo. Quando a Igreja chegou ao poder dominou a educação e a cultura, queimou os textos dos filósofos e fechou suas escolas, mandou escrever seus próprios textos muitos deles copiando parcialmente as idéias dos filósofos gregos que condenou. Mesmo assim não chegou a um acordo sobre Jesus é tanto que existem quatro evangelhos em vez de um. Todos eles começam com a palavra segundo, ou seja, “foi fulano que disse – não me comprometa!”. Uma das dissidências dos cristãos dizia que Jesus era um espírito, outra que foi um homem, finalmente foi adotada a posição de que ele era as duas coisas deus e homem ao mesmo tempo. E essa mesma confusão existe em todas as religiões e em todos os misticismos porque são frutos do irracional. As conclusões sobre o mito de Cristo não são obra de ateus, mas de teólogos. Teólogos bem intencionados que, para defender a Igreja, resolveram investigar suas origens e surpreendentemente nada encontraram. O próprio Papa, finalmente, admitiu que era impossível traçar uma biografia histórica de Jesus. Afinal se existiu ou não tornou-se uma questão secundária. Talvez tenham existido não um, mas vários pregadores que se fundiram num só na imaginação popular. Um poderoso homem-deus cavalgando uma nuvem viria libertar os escravos indefesos dos seus opressores. Há outras culturas com mitos semelhantes. A história das religiões nos ajuda a entender esses fatos sociais.

Compreender para se feliz

Um grande filósofo e economista num debate com um grande amigo declarou que de nada adiantava polemizar com religiosos. Dizia Marx que e a religião era fruto da opressão a que o homem estava submetido pela organização da sociedade. A ausência de saída para essa opressão leva o homem a alienar-se e imaginar aquilo que não consegue obter: a justiça, o prêmio para os bons e castigo para os maus, a distribuição eqüânime dos bens materiais e espirituais, em suma, o céu. Aliena-se o homem da realidade porque pensa que é incapaz de mudá-la. Vive então uma vida dupla. A infelicidade no dia de hoje junto com a esperança de felicidade no futuro, depois da morte. Compara Marx tal alienação àquela que acomete os viciados em ópio, que embotam seus sentidos para fugir da dura realidade. Disse então ele: “a religião é o ópio do povo”. Ela o ajuda a suportar a dura realidade. Para superá-la não adianta debater, é preciso superar a nossa atrasada realidade social. Marx, com observações como essas, muito contribuiu para a compreensão da realidade social, econômica e política. Entender ajuda a não se alienar. Entender é um caminho para ser feliz. A inteligência também é denominada entendimento. São Francisco, um grande homem, pede na sua oração: “que eu procure mais compreender do que ser compreendido”. É um pedido sábio. É o contrário da alienação. Os loucos são ditos alienados. Perderam inteiramente o contato com a realidade. Desistiram de entender. A consciência nos provoca dor, mas faz parte da condição humana. Escapamos da dor aprofundando e não negando a nossa consciência do mundo. Consciência do momento que vivemos. Superamos a dor vivendo o dia de hoje, sem temer o futuro, nem lamentar o passado. “Carpe diem” – diziam os romanos. Aproveite o dia.

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13 Respostas

  1. O fato de as pessoas não atinarem que os seus “deuses” são criações para se sentirem protegidos diante da morte, da impotência humana,é porque a “alienação” fica incrustrada na mente desde a infância. E quando sabemos que os dogmas são apenas invencionices, “achismos” de um povo atrasado e ignorante, então nos inflige um pesar pelo equívoco “inebriante” da crença!

  2. Como eu já disse espero que todos leiam esse texto.
    Mais que isso espero que saibam ler e entender.

  3. Mais um pra panfletar e distribuir nas bocas de culto aos domingos!!!!

  4. “Equânime” é o justo termo, porque esse negócio de ‘igualdade'”para todos é balela. Prestígio, talento, mérito, competência, propriedade, e vai por aí, tudo isso é que dá uma liberdade com dignidade. Esse negócio de pobre,rico, preto, branco, só serve pra manipulação política. Nós seres humanos gostamos de nós mesmos; mas as crenças destroem as pessoas sãs e valorizam estúpidos, usurpadores, traíras, e todo o rol que faz a verdadeira praga ruim: a dos covardes parasitas não-produtores.
    Olhei outro dia um “curso de vestibular” na Internet a ensinar que um número-primo é divisível por um número negativo, isso mesmo, enquanto isso a raridade de uma sequência-prima descoberta é divulgada com imensa dificuldade, e ao invés de crédito ganha desdém, e até sarcasmo em blogs que deviam agradecer a dica de cultura genuína; e durante a Copa a pulhice aproveita e mete de novo os crucifixos dentro das escolas (quando deviam estar nas barras dos tribunais para serem sentenciados pelos gritos dos infantes que desgraçaram – ao invés disso, vemos os canalhas voejando em aviões que nós com nosso suor e esforço de produtores construímos) . Se hoje, em pleno Século XXI, ainda os pulhas impõem pancadas nas costas de quem produz avanço para a Sociedade (são fatos, professores amargurados por terem de ver suas teses roubadas em centros de estudos infestados por canalhas coniventes com crenças), e cargos que exigem competência cada vez mais vão sendo postos na mão de escroques fajutos, que se refestelam sem terem direito legítimo para conseguirem a tarimba de dispor a troca sadia dos méritos que exemplificariam um Capitalismo Meritocrático à altura de cidadãos entrosados com Ciência, porte civil altaneiro, consciência e sentimento, então que desenvolvimento é esse que nos vendem? Pois não sabem o que faz o fenômeno reverso eco-bio-psicológico que leva uma Civilização ao declínio.
    A propósito, o livro em que consta uma sequência-prima inédita, e mais, instrui estudantes a construí-las (favorecendo que ganhem prestígio fornecendo resultados que possam ser usados em proteção de arquivos de segurança) está divulgado no blog Athan Gene com o título: Número-Primo – Arte & Natureza.

  5. E que ópio dificil de largar !! só quem ja usou ou usa é quem sabe disto.

  6. Léo eu tava pensando uma coisa !! o Hagnus correu da nossa questão sobre a América.

    Depos que Jesus morreu ja estava valendo a nova aliança e Deus deixou a América quase 2000 sem o evangelho!! não flutuou ninguem pra cá.

  7. Hahaha acontece.

  8. Barro se for panfletar isto ai ; é capaz que a pessoa leve um cacete dos irmãos.
    Até imagino : É o capeta irmãos vamos tirar ele no cacete. rrss

  9. Sr. Haddammann muito bom o seu comentário mas a pergunta é será que o problema não seria institucionalizar a crença e não a crença em si?

  10. Saracura é dificil largar o Leprechaum vc deve ter visto este video no blog do Maleus.
    Voce ja deu uma lida num tema do blog do bom Herege qeu diz : Espiritualidade é falta de identidade própria?
    Talvez nós teístas tenhamos problemas no cérebro como ele diz la kkkkkkkkk

  11. Fé é tal qual uma inferência, a diferença é que a inferência colocada com algumas informações leva a uma premissa, e premissas precisam de condições e causas para darem consistência a uma favorabilidade, e daí considerações dispõem, levam a, uma proposição. Proposições concorrem para uma possibilidade. Uma possibilidade é um confronto de princípios e conceitos sequenciando causas e efeitos. Condições,causas e efeitos expressam um fenômeno, um fato. Um conjunto de fenômenos e fatos implicam em diretrizes e provocam argumentos de uma hipótese. Hipóteses testadas fazem uma tese. Teses podem formular e elaborar leis, e enfim constituírem um postulado.
    A fé é uma indução que só precisa de mais um ouvinte concordante, e ela tá feita em crença. Não precisa de vínculo, nem compromisso com absolutamente nada. A fé é como um amuleto, ou um acordo sem respaldo de realidade.
    Se você disser pra um qualquer: “Essa bola aqui é quadrada”; e o receptor assentir que é, tá feita a crença. Se for imposta vira religião. Se instituída vira crime civil contra a mentalidade da espécie humana.
    Haddammann, em 05 de julho de 2010.

  12. acredito que muitos homens cometeram e cometem grandes erros em nome de DEUS mas, creio que ser bom com ou sem religão é uma obrigação. respeitar, crenças e opiniões tambem. Caso não saiba respeitar é aceitar que pessoas pessam diferentes,uma das outras é um preconceito. como existem pessoas boas em todos os lugares,existem pessoas más em todos os lugares tambem. por isso a crentes bons e crentes preconceituosos em todos os lugares.depois de ler estes comentarios,onde não ouve respeito pelo trabalho do proximo,tenho total certeza disto,exite os que são respeitosos e os não respeitosos.

  13. É isso aê “jane” ser religioso não torna uma pessoa melhor, o problema é que a crença diz o contrário.

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