A Cobiçada Vagina de Nossa Senhora (parte 2)

Eis como nasceu Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava desposada com José. Antes de coabitarem, aconteceu que ela concebeu por virtude do Espírito Santo.”   (Mt 1:18)

Despertando [do sonho em que é informado dos desígnios de Deus sobre a gravidez de Maria], José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado e recebeu em sua casa sua esposa.”   (Mt 1:24)

 

De acordo com esses versículos, Maria ainda não morava com José — não “coabitavam” — , mas já estava “desposada”, ou seja, já estava tudo certo para que se casassem, pela época em que o anjo veio anunciar a Imaculada Conceição.

Segundo o dogma católico, Maria era virgem antes do parto, manteve a virgindade durante o parto, e continuou virgem pelo resto de sua vida terrena, ao final da qual, ela teve seu corpo arrebatado para o Céu. Eles não entram muito em detalhes a respeito (o que é até uma coisa bem compreensível…), mas querem que as pessoas acreditem que ela desapareceu do meio de nós, sugada para uma outra dimensão, ou, pior, que decolou igual ao Super-Homem e, deixando o Sistema Solar e a Via Láctea para trás, tomou a proa do Paraíso.

Isso tudo porque Maria nunca teve a vagina penetrada por um membro masculino. Na verdade, como o dogma reza que ela nunca pecou de jeito nenhum, é preciso admitir que nunca teve a vagina penetrada por coisa nenhuma.

Eu até entendo Deus por ter cobiçado a vagina virgem da Maria pré-adolescente. Mas o que eu não entendo é por que todos os marmanjos da Igreja Católica, ao longo dos séculos, tenham também cobiçado tanto aquela vagina a ponto de não querer imaginar que nada mais entrou por ali, depois que Jesus saiu. E onde fica José nessa história? Ele também queria uma virgem. Na época dele, aliás, todo mundo queria, tanto que as solteiras não virgens eram mortas a pedrada.

Tudo bem que, confiando no sonho em que um anjo lhe explica a gravidez imaculada, ele tenha concordado em criar o filho de Deus, em vez de denunciá-la ao povo, o que significaria a morte para ela. Entretanto, o anjo não mencionou que Maria não poderia ser uma esposa normal depois. Talvez José tenha concordado em participar daquela novela toda, já pensando que podia ser um mau negócio ir contra a vontade daquele Deus vingativo e que, após a gravidez e o parto, ele teria novamente sua virgem só para si.

Além de não deixar explícito que Maria permaneceu “imaculada” após o nascimento de Jesus, a própria Bíblia não parece se preocupar em, sequer, deixar isso subentendido. Muito ao contrário, há passagens em que são mencionados irmãos e irmãs de Cristo.

Mas esse não é o único porém nessa história. Para manter o dogma católico de pé, você precisaria admitir, também, que Maria nunca mais sentiu vontade de transar na vida, nunca mais teve pensamentos lúbricos, nem sonhos eróticos, nem ficava excitada… Para manter o dogma, você precisaria admitir que José, um homem normal e comum (tanto que morreu e foi enterrado; nada de voos de Super-Homem pra ele…), nunca tendo “conhecido” mulher fora do casamento, como mandava a lei de Deus, também não pôde “conhecer” sua própria esposa, mantendo-se virgem por toda a vida, o que nos leva a acreditar que não satisfazia seus desejos de homem com nenhuma prostituta, e nem sozinho, pois também seria pecado.

Já me responderam, no meu texto “Jesus Cristo se masturbava?”, que não, Jesus não se masturbava, nem tinha necessidade de sexo. Até aí, tudo bem, porque Jesus era mesmo Deus: imune ao pecado, a pensamentos lúbricos, a sonhos eróticos… enfim, ele era divino, não era um ser humano normal.

Mas seus pais eram.

Daí que, em vez de aceitar esse dogma sem questionamentos (que é o que um dogma, por definição, exige que se faça); em vez de aceitar que dois seres humanos normais se casaram, mas que não precisavam de sexo, nem tinham tesão um pelo outro, e que se mantiveram assim “puros” por toda a vida… em vez disso, eu não consigo deixar de perceber o óbvio: que essa história está muito, mas muito mal contada.


 

<< Parte 1


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9 Respostas

  1. *…mal negócio… corrigido:

    mau negócio…

  2. Barros, você vai abordar a questão da polêmica tradução de almah que coloca abaixo toda a pretensão de messianismo judaico de cristo?

  3. Essa estória é a versão judaica da lenda do boto:

    http://www.suapesquisa.com/folclorebrasileiro/lenda_boto.htm

  4. Judaica, não, cristã…

  5. […] Parte 2 –  Parte 3 –  Parte final […]

  6. Olá, sou católico e senti falta logo que entrei no formspring de um católico responde: Podemos ver o Cristão responde(que é Evangélico) e o AteuResponde(que fechou, mas apareceu o OutroAteuResp).

    Pensando nisso, criei o catolicoresp, para responder às dúvidas acerca do catolicismo, religião, ciência, etc. [sim, podem perguntar qualquer coisa por lá, como: “Poque ser católico?” “Porque acreditar em Deus?” ou perguntas mais complexas para refutar argumentos, etc.]

    O link está aqui:
    http://formspring.me/catolicoresp

    Espero perguntas, e sou grato pela atenção de vocês.

    Sobre o post, tenho alguns comentários a fazer, dados os trechos:

    1. “Entretanto, o anjo não mencionou que Maria não poderia ser uma esposa normal depois.”

    O Anjo não ter mencionado isso não significa que ela tenha se tornado por Ordem Divina, e sim por opção.

    2. “Para manter o dogma católico de pé, você precisaria admitir, também, que Maria nunca mais sentiu vontade de transar na vida, nunca mais teve pensamentos lúbricos, nem sonhos eróticos, nem ficava excitada… Para manter o dogma, você precisaria admitir que José, um homem normal e comum (tanto que morreu e foi enterrado; nada de voos de Super-Homem pra ele…), nunca tendo “conhecido” mulher fora do casamento, como mandava a lei de Deus, também não pôde “conhecer” sua própria esposa, mantendo-se virgem por toda a vida, o que nos leva a acreditar que não satisfazia seus desejos de homem com nenhuma prostituta, e nem sozinho, pois também seria pecado.”

    Interessante, mas errôneo. Ter vontade e se sentir excitado(a) é normal. Na verdade, lembro-me de uma palestra em que me disseram que se isso não ocorresse seria, na verdade, algo muito estranho.

    A diferença se faz não na vontade, mas na atitude tomada perante a vontade. José e Maria com certeza sentiam a atração sexual um pelo outro e sentiam, naturalmente, vontade de se relacionar sexualmente. Mas isso não significa que eles fizeram isso.

    O grande “que” do cristianismo é esse. Você sente vontade de cometer pecados, tanto que o próprio Jesus Cristo foi tentado nos 40 dias que passou no Deserto. A grande diferença é deixar-se levar ou não por essas tentações.

    Ou seja, seu argumento não é realmente algo relevante, já que constata coisas que todo ser humano sente.

    3. “Muito ao contrário, há passagens em que são mencionados irmãos e irmãs de Cristo.”

    Na Parte 3 dessa sua linha de argumentação você fala de erros possíveis na tradução e percebe-se claramente a sua seleção no momento de vê-los.

    Aqueles tratados como “irmãos” na tradução Bíblica possuem tal denominação por ser uma das traduções possíveis, já que a palavra designada para “irmão” e “irmã” é a mesma que para “primo” e “prima”, ou seja, a palavra utilizada é, na verdade, uma mera denominação para indicar parentesco.

    4. “em vez de aceitar que dois seres humanos normais se casaram, mas que não precisavam de sexo, nem tinham tesão um pelo outro, e que se mantiveram assim “puros” por toda a vida…”

    Essa história de “não precisaram de sexo” é estranha, porque não sei de onde as pessoas hoje retiram a idéia de que se você não fizer sexo você morre. Eles tinham ‘tesão’ um pelo outro, como eu já disse. A diferença dava-se na opção feita por eles, tal qual dois namorados que vivam um namoro cristão chegam ao casamento virgens.

    Esses namorados não sentem atração um pelo outro? Sim, eles sentem. Mas, devido a uma opção, eles resistem a isso para viver na castidade.

    Eu já senti vontade de socar um cara, mas não o fiz. Ou seja, ter a tentação é normal. O que faz a diferença aqui não é a tentação: São os atos.

    Finalizando: Sobre a ascenção de Maria aos céus.
    No caso da Virgem Maria, primeiramente, você que redigiu o texto precisa estudar. Maria não subiu como o Super-Homem para o céu, nenhum humano pode fazê-lo por mérito próprio, mas somente por misericórdia de Deus.

    Maria foi levada por anjos do Senhor, e não, ela não foi aos céus levada pelos anjos simplesmente por ser virgem, mas devido a sua vida.

    Inclusive, há outro erro. Maria cometeu, sim, pecados. Ela nasceu Imaculada(ou seja, sem mancha, sem o Pecado Original com o qual todos nascemos), mas ela cometeu pecados. O único Homem(no sentido de Ser-humano) que viveu sem pecado algum foI Jesus Cristo.

    Obrigado pela atenção, passem no meu formspring e mandem perguntas ;D:
    http://www.formspring.me/catolicoresp

  7. O Anjo não ter mencionado isso não significa que ela tenha se tornado por Ordem Divina, e sim por opção.

    E onde na bíblia está escrito que Maria fez essa opção?

    A diferença se faz não na vontade, mas na atitude tomada perante a vontade. José e Maria com certeza sentiam a atração sexual um pelo outro e sentiam, naturalmente, vontade de se relacionar sexualmente. Mas isso não significa que eles fizeram isso.

    Neste caso, estariam indo contra as ordens de deus, que disse “crescei-vos e multiplicai-vos”

    O grande “que” do cristianismo é esse. Você sente vontade de cometer pecados, tanto que o próprio Jesus Cristo foi tentado nos 40 dias que passou no Deserto. A grande diferença é deixar-se levar ou não por essas tentações.

    Só que José e Maria eram judeus, não cristãos, bem porque não havia cristianismo naquela época. E os judeus tinham ordens diretas de deus para, sendo casados, “crescer e multiplicar”.

    Aqueles tratados como “irmãos” na tradução Bíblica possuem tal denominação por ser uma das traduções possíveis, já que a palavra designada para “irmão” e “irmã” é a mesma que para “primo” e “prima”, ou seja, a palavra utilizada é, na verdade, uma mera denominação para indicar parentesco.

    Todo católico adora repetir isso, sem sequer se perguntar em que idioma “irmão” e “primo” usam a mesma palavra. Considerando que os evangelhos tenham sido escritos em grego e hebraico, isso é mentira, como qualquer um usando o Google Translate pode conferir (como eu adoro a internet!)

    Essa história de “não precisaram de sexo” é estranha, porque não sei de onde as pessoas hoje retiram a idéia de que se você não fizer sexo você morre. Eles tinham ‘tesão’ um pelo outro, como eu já disse. A diferença dava-se na opção feita por eles, tal qual dois namorados que vivam um namoro cristão chegam ao casamento virgens.
    Esses namorados não sentem atração um pelo outro? Sim, eles sentem. Mas, devido a uma opção, eles resistem a isso para viver na castidade.

    E, como eu já disse, eles não tinham motivos nenhum para fazer isso, e em nenhum lugar da bíblia isso é especificado.

  8. Dãããããããããããã

    Algum teista já viu um parto normal ? Algum teista sabe o tamanho da cabeça e ombros de um recem-nascido ?

    Faz um estrago e tanto na saida…. e, como maria continuou virgem depois do, suposto, nascimento de jesus ?

    Aja fé…….

  9. A coisa funcionou meio que assim: “Comi, agora toma aí!” … e pior: fez a “lei divina” pros outros, fud*dos, à mercê das gracinhas dele. e o próprio fudendão podreroso arrebentou a lei e a guria, de quebra. Criador FDP. Estorinha estragada essa, hein?!

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