De olhos bem fechados (20ª parte)

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O maior de todos o medos – parte 2

Freud achava que o sexo era o centro da vida psicológica do ser humano. Mas é possível que, entre uma baforada e outra, algo lhe tenha escapado. Algo bem importante: com o badalar inexorável dos anos, logo o sexo deixa de ser prioridade, necessidade e realidade, nessa ordem. E ainda assim, a vida segue. E também não nos importamos com ele até pouco antes da puberdade. Lacunas… Espaços em branco que, aparentemente, deixariam a nossa vida psicológica sem um centro.

Há algo, entretanto, que nos acompanha muito mais de perto e por todos os anos de nossas vidas, até o nosso último instante. Algo que acho que mereceria ser considerado, sim, como o centro da nossa vida psicológica.

O medo.

Você pode abdicar de fazer sexo, mas não pode abdicar de sentir medo. Você pode aprender a conviver com ele, pode superá-lo, vencê-lo, mas não pode eliminá-lo. Ele vai estar sempre lá, e nunca vai deixar você  se esquecer disso.

O medo é uma das mais perfeitas das ferramentas evolutivas, pois, graças a ele, enfrentamos as mais diversas situações ao longo da vida sem que seja preciso recorrer sempre ao sistema límbico, com as suas ordens extremas para lutar ou fugir, o que nem sempre significaria que conseguiríamos escapar numa fuga, ou que sairíamos vitoriosos numa luta. Se tivemos ancestrais que não temiam incêndios, que não temiam feras, caminhos estreitos e íngremes ladeados por precipícios… bom… não fica difícil imaginar  por que eles foram extintos. Sorte a nossa, pois com eles também se foram os genes que nos brindariam com essa característica suicida.

Mas o medo tem certas nuanças. Há uma diferença abissal entre ter medo de praticar bungee jumping e ter medo de entrar numa jaula com um leão faminto dentro; entre ter medo de perder o emprego, e de perder um braço.

E ficamos assim: o medo bem que poderia ser o nosso centro psicológico, é inerente ao ser humano, presente em todas as fases da sua vida, e tem gradações. Temos vários tipos de medo e, para cada medo, há várias intensidades. Temos medo de feras, de esportes arriscados, de fantasmas, de ficarmos com as contas no vermelho; temos medo de sermos rejeitados, medo da solidão, do escuro, de multidão; medo de altura, medo de dirigir, de falar em público, de lugares apertados; temos medo de um monte de coisas.

Mas, assim posto, qual seria, então, o maior de todos os medos?

 

 

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16 Respostas

  1. Para grande parte das pessoas (e aí inclusos sobretudo os crentes), o maior medo é o medo da morte. Natural. Os crentes, através de seus devaneios a respeito da vida eterna, torturam-se imaginando coisas como “Mas será mesmo que irei para o paraíso?”; “Como será de fato o inferno?”; “Mereço ser salvo?”… Pura bobagem. Preocupações sobre algo sem evidência alguma.

  2. naturalmente nós sentimos prazer em vivermos , reconhecemos o autor das nossas vidas e somos gratos por isso, assim realmente desejamos de alguma forma continuar a viver , pedimos por isso e esperamos por isso.
    Mas se voce ja esta conformado com o final eterno da sua existencia, então seja feito conforme a sua vontade já que se fez um sabio.

  3. Vanderlei me diga um crente que provou que existe vida após a morte ?

  4. e porque deveria ?
    Voce acha que se todos fossem crentes o mundo estaria melhor ?
    cada um tem o que merece, quem planta disilusão e pessimismo não pode colher fé e otimismo.

  5. Hahaha você que diz que só cristãos são bons e morais agora diz que nem todos precisam ser crentes ?

  6. Acho que o pior de todos os medos é o da morte. O fim inevitável. A sensação de não-existir nos enche de pavor, com certeza.

  7. leo
    eu nunca disse isso eu digo o seguinte: Qualquer um independente de crenças que pratique os ensinamentos cristãos estão caminhando para perfeição.
    no entanto existem os que se dizem cristãos e são os piores tipo de ateu o “hipócrita”
    existem tambem os aque se dizem ateus e praticam os ensinamentos cristãos nas suas vidas, mas isso ja virou fhas-back sua memória ta falhando heim ?

  8. felipe
    o medo e o misterio da morte não é por acaso e sim um uma providencia divina colocada na suas criaturas ate os irracionais a temem e a evitam.
    Isto foi feita para preservala e evitar desistencias precoces pelos que julgam-se incapacitados para se habilatarem as suas vidas.
    Eu possuo esse medo, não por temer uma inexistencia e sim por amar minha vida e achar que sempre existira um tempo para se viver mais, trabalhar e aprender.
    Mas a renovação faz parte da lei divina e isto o homem não pode alterar sem pagar um preço muito alto onde o custo beneficio não compensara sua falta de fé na vida eterna.
    sds

  9. Leo, discordo. O “medo” da morte é explicado perfeitamente bem pela seleção natural. Já o medo da morte em humanos também pode, mas merece um parêntese. Os humanos são animias simbólicos e que tem consciência; isso faz com que tenhamos a ciência de que um dia vamos deixar de existir. Tal medo, até onde se sabe, consciente não existe em outras espécies; pelo menos não no mesmo grau que em nós.

  10. se a seleção natural é a razão de tudo então para voces ateus ela é uma deusa em que voces acreditam.

  11. Não, seleção natural não depende de crença, depende de evidência. primeira coisa que não tem a ver com deuses.

    Agora…depende de sua definição de deus ou deuses…já existe uma pronta, a qual não podemos encontrar semelhança com nada na seleção natural. Mas sei lá…vai que vc tem uma definição toda subjetiva.

  12. Vanderlei a Seleção Natural é como a Gravidade em um exemplo bem simples, é como “endeusar” a Matemática.
    Mas um cristão Vanderlei é alguém que acredita em Jesus como sendo Jeová na Terra e no dogma de uma única vida por exemplo cristão você não é.

  13. Só quem pratica ensinamentos cristãos é que podem-se presentiar com um titulo tão nobre, o que existe na pratica são esses tipos:
    “horam me com seus labios mas os seus corações estão muito longe dos meus ensinamentos.”
    Eu não me considero um cristão mas com fé eu chego lá.

  14. Não Vanderlei o cristianismo tem dogmas contrários ao que você prega, se for assim um Mórmon é cristão.

  15. os que eu estudava junto eram cristão sim .

  16. O Cristianismo Vanderlei tem os seus dogmas assim como o que você prega e eles são opostos, e os Mórmons por exemplo acreditam no julgamento das almas dos impuros no Dia do Juízo Final.

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