As Fadas de Barro [3]

 


A distância que nos separa dos tempos bíblicos não é apenas temporal. Nós vivemos em outro mundo, hoje, infinitamente diferente em tudo o que se possa imaginar daquele outro. Ou quase tudo. Muitos de nós ainda são fascinados por mitos. Não o fascínio do pesquisador, ou do amante de estórias míticas, mas o fascínio doentio do religioso, que assume ser o mito verdade, e que tal verdade deveria ser aceita por todo o mundo. Mesmo por outros que, tendo os seus próprios mitos como verdadeiros, estariam, por acaso, com o mito errado.

Hoje, em apenas um dia na internet, pode-se adquirir mais conhecimento e ter acesso a mais informação do que teria qualquer indivíduo de três milênios atrás durante toda a sua curta expectativa de vida de três décadas. E nada impede que ocorra o mesmo com a humanidade que vai habitar este planeta daqui a 3 mil anos, em relação a nós. Mas será que eles iriam acreditar em fadas?

 

 

Existirão, também, por essa época, livros antigos sobre elas.

No futuro, eles terão acesso a fotos de fadas e saberão de muitas polêmicas do nosso tempo envolvendo tais seres.

Eles encontrarão, nos arquivos digitalizados da nossa era, filmes sobre fadas.

Tomarão conhecimento dos sites que eram mantidos em nome delas.

Serão apresentados a provas da sua existência.

Mas “provas” podem provar o que bem se quiser que elas provem, dependendo dos interesses envolvidos.

E interesses podem sempre mudar o foco de tudo e qualquer coisa.

Nada está imune a uma boa (ou má) mudança de intenção. Nada. Nem a minha amada Alice.

Mas essa civilização de daqui a três milênios não vai endeusar as fadas.  Não vai acreditar nelas como muitos creem, hoje, nos mitos de civilizações passadas. E por quê? Porque o mito religioso só sobreviveu ao tempo e só tem esse status por causa do terrorismo psicológico covarde e contínuo imposto a cada geração que chega, justamente quando ela está mais física e intelectualmente vulnerável e dependente: na infância. É quando sofrem um abuso impiedoso de seus próprios pais e de sua própria sociedade, e é assim que as crianças são forçadas a acreditar, e ensinadas a propagar essa doença chamada Deus. Forçadas pelo medo e pela coação; pela chantagem e pela ameaça; pela necessidade de serem aceitas por um grupo, e pelo desejo de agradarem aqueles a quem mais amam.

As estórias de fadas não se prestam para isso. Elas foram concebidas para encantar as crianças. Não para escravizá-las.

 

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Nota: as fotos eróticas da fada Sininho e da Alice fazem parte de um calendário. Detalhes no blog da Lia.

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5 Respostas

  1. Perfeito. Bonito final, pois mostra a imensa diferenca entre mitos religiosos e contos de fadas,um encanta o outro escraviza.

  2. Barros,

    série sensacional!

  3. Obrigado, Will Maraoni, Carlos Mello. Publico a última parte ainda hoje. Espero que gostem. Abraço.

  4. […] [edição …Vanderlei on O livre-arbítrio [edição …Valmidênio Barros on As Fadas de Barro [3]Valmidênio Barros on Comunicar errosVanderlei on O livre-arbítrio [edição …Will […]

  5. nunca vi um site mais besta!!

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