Oração “em línguas estranhas” — A Fraude (parte 5)

Todos ficaram repletos do Espírito Santo, e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem. Acontece que em Jerusalém moravam judeus devotos de todas as nações do mundo. Quando ouviram o barulho, todos se reuniram e ficaram confusos, pois cada um ouvia os discípulos a falar na sua própria língua. Espantados e surpreendidos, diziam: Estes homens que estão a falar não são todos galileus? Como é que cada um de nós os ouve na nossa língua materna?”. (Atos 2; 4-8)

Na mitologia cristã, é essa a melhor descrição do ato de “orar em línguas”: uma dublagem perfeitamente traduzida e sincronizada, propiciada não pelos estúdios da Herbert Richers, mas pelo Espírito Santo; processada no cérebro de quem ouve, e não no de quem fala. 

Se o papa Bento XVI, por exemplo, tivesse esse dom (e é bem estranho perceber que ele não tem), poderia aparecer para os milhares de fiéis na Praça de São Pedro e falar o que quisesse, que todos o entenderiam perfeitamente bem, ouvindo a mensagem no seu próprio idioma: um americano ouviria em inglês; um chinês, em mandarim; um brasileiro, em português, e assim por diante.  (*)

Um milagre incontestável (além de utilíssimo), que, por razões óbvias, não pode ser executado no mundo real. Para contornar esse problema, a única solução encontrada pelos cristãos da era em que uma fala com tradução simultânea seria facilmente comprovada — ou tida como fraude — foi a de falar “a língua dos anjos”, que só os anjos entendem. Julgando, então, que os humanos precisavam ouvir mais da doutrina de Deus do que os anjos que a ele serviam diretamente, Paulo escreveu aos coríntios:

Suponhamos, irmãos, que eu fosse ter convosco falando em línguas. De que vos aproveitaria, se minha palavra não vos desse revelação, nem ciência, nem profecia, nem doutrina? (…) Assim também vós: se vossa língua só profere palavras ininteligíveis, como se compreenderá o que dizeis? Sereis como quem fala ao vento.” (I Cor 14; 6 e 9)

Uma observação bem sensata, é verdade, mas os religiosos só seguem da Bíblia o que lhes convém. Na falta do dom original de “falar em línguas”, de forma a serem entendidos por outros povos, eles passaram, então, a orar a Deus usando a língua dos seus anjos, o que, note-se, não seria em nada diferente de orar a Deus se valendo do seu próprio idioma.

A opção das congregações de manterem esse… milagre nas suas apresentações vem da consciência do risco de perder fiéis para as igrejas que não se abstivessem de ter esse número no seu show. Porque para quem paga pra ver o espetáculo, quanto mais, melhor.

<< Parte 1.

(*) ERRATA: 

A partir de uma observação do leitor que se autodenomina Deus e Ciência, em um dos seus comentários, eu resolvi descartar da minha argumentação a interpretação que dei ao versículo que abre esse texto, e passei a adotar a dele, uma vez que ela também é possível: admitir que os discípulos falavam, cada um, numa determinada língua apenas, o que invalida completamente o trecho tachado acima.

É, entretanto, inegável que o versículo bíblico é ambíguo nesse ponto, visto que o trecho “cada um ouvia os discípulos a falar na sua própria língua” não exclui, de forma alguma, a interpretação que dei. 

Mesmo assim, essa alteração não muda em absolutamente nada o raciocínio: o papa Bento XVI ainda teve, sim, que estudar e aprender todas as línguas que fala, sem nenhuma intervenção milagrosa do Espírito Santo.

.

Anúncios

27 Respostas

  1. BRILHANTE! Parabéns, Barros, pelo texto perfeito!

  2. Hill, muito obrigado. Eu gosto de usar os versículos bíblicos contra os próprios crentes, só pra ouvi-los dizer: “Esse não vale!”. rsrrsrrsrrssss

  3. Barros

    Hill, muito obrigado. Eu gosto de usar os versículos bíblicos contra os próprios crentes, só pra ouvi-los dizer: “Esse não vale!”. rsrrsrrsrrssss

    Xii Barros, está equivocado eim???? já está tirando palavas de minha boca??? Isso se chama desespero????

    Não se esqueça que até o prórpio Satanás utilizou a propria Biblia, de forma falaciosa contra Jesus.
    Então você… hehehehe……. vai ser fácil.

    Na mitologia cristã,

    Bom, para começo de conversa… você já se enganou ao falar “Mitologia” Cristâ.
    Mitologia, se você não sabe, ocorresse em tempos mitológicos, ou seja, “Em um tempo muito…muito distante….” por isso o nome: “mitologia”
    Agora o Cristianismo tem data, (Iniciando por volta de 70 d.C), ocorrendo em tempos históricos.
    Então Cristianismo não é mitologia e sim História.

    Já começou bem em Barros….. kkkkkkkk

    é essa a melhor descrição do ato de “orar em línguas”: uma dublagem perfeitamente traduzida e sincronizada, propiciada não pelos estúdios da Herbert Richers, mas pelo Espírito Santo; processada no cérebro de quem ouve, e não no de quem fala. Se o papa Bento XVI, por exemplo, tivesse esse dom (e é bem estranho perceber que ele não tem), poderia aparecer para os milhares de fiéis na Praça de São Pedro e falar o que quisesse, que todos o entenderiam perfeitamente bem, ouvindo a mensagem no seu próprio idioma: um americano ouviria em inglês; um chinês, em mandarim; um brasileiro, em português, e assim por diante.

    Puxa você me impressiona cada vez mais pela sua cegueira……
    Não consegue ler o que está na frente do seu nariz?
    Vou repetir detalhadamente suas próprias palavras:

    “Estes homens que estão a falar não são todos galileus? Como é que cada um de nós os ouve na nossa LINGUA MATERNA? ’”. ”

    Pois é Barros…… Dons de linguas não é somente falar em linguas estranhas, até mesmo porque senão ninguêm entenderia nada:

    1Cor: 14- “2. Quem fala em línguas estranhas fala a Deus e não às pessoas, pois ninguém o entende. Pelo poder do Espírito Santo ele diz verdades secretas.”

    Vamos lá… vou explicar para você, igual quando se explica a uma criânça.
    Meu filhinho, os dons de linguas se baseiam em:

    1° Linguas Estranhas – Ninguem entende nada (a não ser que tenha os dons de interpretar)
    2° Linguas estrangeiras – Onde é falado no idioma diferente do idioma qe a pessoa fala.

    Por exemplo…. imagine um Vietinamita.
    Ele começa a orar, e derrepente falar no idioma português.
    Imagine que estou no mesmo ambiênte que ele..
    Então quando ele orar em português, certamente entenderei.
    Mas porque eu entenderei???? Simplês, porque meu idioma é em português, oras bolas. kkkkkkkk

    Agora se ele orar em linguas estranhas, nem eu nem ele entenderemos. (a não se que alguêm tenha o don de interpretar)

    Entendeu agora Barros….. (acho que não. kkkk)

    Porém no seu caso Barros… fica complicado pois não entende nem em linguas estranhas, e nem na propria lingua, confundir o sentido LINGUA MATERNA , com linguas estranhas. Está complicado eim.
    HAHAHAHAHA

    Tem mais FALÁCIAS aí…..
    Estou me divertindo.

    HAHAHAHAHAHAHA

  4. D&C, parece que você não se prende muito a detalhes, mas olha aí, no título do post, um (parte 5). Ainda não acabei, não. Quanto a isso:

    Mitologia, se você não sabe, ocorresse em tempos mitológicos, ou seja, “Em um tempo muito…muito distante….” por isso o nome: “mitologia”

    Bom… quanto a isso, não há o que fazer. Mas é triste ver que uma pessoa poderia não fazer papel de bobo pela simples consulta a um verbete de dicionário.

  5. Barros
    parece que você não se prende muito a detalhes, mas olha aí, no título do post, um (parte 5). Ainda não acabei, não.

    Eu sei que não acabou…. assim como também não acabei…
    Acontece que se for refutar todos os posts de uma só vez, ficaria muito extenso.
    Então… a medida que vai escrevendo, vou expondo minhas idéias.

    Mas é triste ver que uma pessoa poderia não fazer papel de bobo pela simples consulta a um verbete de dicionário.

    Barros…. Mito é em tempos mitológicos. Se você falasse do gênesis, eu concordo, pois não tem data, assim como Big Bang, que também não tem data (precisa é claro).

    Então Big Bang e Gênesis são mitológicos
    Um é mitologia biblica e outro ciêntífica.
    O que não significa que é mentira.

    Porém o Cristianismo tem data precisa de sua origem, tornando-o história e não mitológica.

    Esta é a diferênça.

    Se você colocasse as palavras de forma correta em seus posts, não haveria meus comentários.

    Posso te dar uma dica… para ficar bonito, já que você não acredita em Cristo, ao invés de colocar Mito Cristão, você pode colocar Estória Cristâ.

    Eita…. estou agindo como advogado do diabo agora :-S kkkkkkkkk

  6. […] versículo citado no post anterior (Atos 2; 4-8) é só mais uma das inúmeras contradições encontradas nos textos […]

  7. Queria que o Deus e Ciência lesse essa definição de mitologia do wikipédia e fizesse um comentário, já que o autor faz uma referência sobre a ligação de mito e cristianismo

  8. Vendo esses comentários e lembrando do que eu já vivi, só me ocorre uma coisa: como eu já fui bobo por crer em coisas sem ter base pra me apoiar. Como é bom e saudável basear minhas idéias em coisas que tem algum embasamento. quanto tempo perdi com crenças, mas ainda assim não condeno quem as tem, pois todos temos o direito de sermos bobos. Como é prazeroso ser livre. Pensar por si só, serm amarras. Porque é tão difícil questionar as crenças, se questionar é algo tão saudável? talvez porque o câncer da crença não admite questionamento? se for, que câncer! deve ser extirpado. viva o pensamento livre, sem amarras. Viva a liberdade, que só vem fora dos sistemas de crenças. Viva a liberdade de pensamento!

  9. Na verdade ninguém até agora tirou o direito de alguém acreditar em uma Religião

    A pessoa comenta se quiser, a pessoa entra nesse blog se realmente quiser, a pessoa refuta os argumentos desse blog se quiser tb.

    Então se comentou ou refutou os argumentos tem que assumir a responsabilidade de ter comentado e não ficar nessa de: “ah me ofendeu”, “vcs tem que respeitar a minha religião”, “o que vcs fazem é errado ”

    O que fazemos nesse blog é exercer o direito de liberdade de expressão e de não acreditar em nenhuma divindade e comentar sobre isso, assim como outros Blogs Religiosos tb tem esse direito e ninguém reclama.

  10. […] estra…Rafael Fernandes on Oração “em línguas estra…Rafael Fernandes on Oração “em línguas estra…Rafael Fernandes on Uma fraude com legendaRafael Fernandes on Uma fraude com legendaRafael […]

  11. ramtha
    Como é prazeroso ser livre
    depois os iludidos somos nós , os crentes..he..he.he.
    Apartir de aGORA , faça apenas o que voce deseja, assim logo perceberá “o quanto pode ser livre”

  12. Barros

    “cada um ouvia os discípulos a falar na sua própria língua”

    HAHAHAHAHA Barros… só você mesmo hehehehe

    Que raios de Errata foi essa?????

    É claro que cada um ouvia em sua lingua….. Nas orações Deus dava um tipo de lingua para cada um. Então é óbvio que cada pessoa ouvia em sua lingua. Isso acontacia porque DE FATO, a pronúncia era na lingua deles.

    Que explicação foi essa????? Onde está a contradição que eu não vi???? descreva aí.

    Eu eim??? O cara quer discutir Bíblia comigo meu!

    Não faça isso não… ou melhor… faça sim,
    manda mais “supostas” contradições aí. hehehehe

  13. […] dá para o fenômeno da “oração em línguas” exatamente a mesma interpretação que dei na Parte 5, e que foi contestada por um leitor religioso do blog: o dom de se falar usando o próprio idioma e […]

  14. […] de DeusCriaturo on Oração “em línguas estra…Oração “em lín… on Oração “em línguas estra…Oração “em lín… on Oração “em línguas estra…ADAMANTDOG on Oração […]

  15. […] 3. O dom de falar e ser entendido por outros povos (Atos, 2; 4-8). […]

  16. Resposta em 2020 seremos 50% da população por isso o descaso, Não se pode brincar com as coisa de Deus sem que se tenha resposta! Só Deus é o Senhor!!

  17. Buááá… eles tão brincando com meu Deus! Buááá!!!

    http://www.umsabadoqualquer.com/650-em-homenagem-a-alguns-fanaticos-que-sempre-me-dizem-por-e-mail-que/

    Engraçado que há uma variedade enorme de seitas evangélicas, umas criacionistas, outras que aceitam o fato da evolução e a cosmologia, umas respeitam LGBTT, outras querem ter o direito de agredir impunemente, umas priorizam os Evangelhos (oh, é mesmo?), e outras preferem o manual de maus costumes do resto da GiBíblia, umas adotaram práticas do candomblé (feitiços, despachos, incorporação de demônios), outras valorizam a cultura e a educação… e alguns ainda acham que “serão 50% em 2020”, como se fossem um grupo com idéias comuns.

    O que mais tem por aí é evangélico não-praticante, além dos tradicionais católicos não-praticantes (os únicos religiosos que prestam são os não-praticantes, afinal). Tem também muito católico-cardecista-evangélico-candomblista-neogótico-flamenguista…

  18. não sou eu que vou ti fazer entender! espere a resposta de Deus, ela vira no tempo certo, e na medida certa. Deus o abençoe; meu irmão.

  19. Isso é o melhor que você sabe fazer? Ameaçar um adulto com uma suposta represália de uma criatura mágica? Talvez você tenha sido ameaçado assim por seus pais, e talvez tenha ameaçado seus próprios filhos, mas comigo esse tipo de coisa não faz efeito. Tenho tanto medo das ameaças do seu Deus quanto tenho de vampiros.

  20. Sou cristão, mas com tudo, respeito a descrença dos ateus. O que eu não consigo entender por que atancam tanto a Deus, para que essa necessidade? se ele é um ser inexistente na crença de vocês, já que acreditam só na sabedoria humana então vocês deveriam ser auto-suficientes e não necessitarem pregar contra a existência de Deus, em fim, todos vocês estão falando mais de Deus do que os próprios cristãos. Isso prova que no fundo, como diz na psicologia, que o ser humano já nasce com crise existencial, acreditando em Deus ou não.

  21. Sr. Daniel o problema é que : Ninguem esta tentando enfiar goela abaixo das pessoas os contos de fadas por ex !!!
    Mas a mitologia judaico – cristã sim

    ENTENDEU?

  22. Daniel,

    como você bem sabe o simples fato de sermos ateus deveria nos “limitar” somente a não crer em deuses. Ponto. Ao aclamar isso todos tem razão. Mas a questão é que se todos, supostamente, temos o direito de louvar e adorar a quem quisermos, no bom uso da liberdades de crença e expressão isso se aplica aos alguns ateus que cultuam a razão.

    Vou fazer uma comparação bem simplista : os cristãos acreditam, gostam, veneram, curtem Deus/Jesus. Assim, usam os rituais, religiões, cultos, Bíblia e tudo mais relacionado com o intuito de promover e manter a própria crença. Acontece que nisso aí está embutido toda uma política que abrange as mais diversas esferas do convívio humano. Por exemplo, regras de comportamento baseadas em sociedades de mais de 2 mil anos. Mesmo que se tenha evoluido em algumas questões e que hoje não se apedreje mais os pecadores.
    Sem falar nas condenações ao inferno e as acusações de culpa até pra recém nascidos… Enfim, acreditar em Deus acaba por ser muito mais complexo e amplo do que somente crer.

    Ao passo que na descrença, embora não seja o padrão, é muito comum o discurso que pretende ser o contra-ponto a tudo que oprima a liberdade humana. Você já deve ter ouvido falar de humanista secular, livre pensador, materialista. Não digo que são sinônimos de ateu mas compartilham a idéia de que é razoável trilharmos caminhos mais objetivos e sólidos do que os da fé. Claro que se percebe uma boa rebeldia contra o famigerado poder vigente ( divino ? ) mas a contestação e a busca por liberdade também estão no cerne do ser humano bem como o que você chama de crise existencial.

    Como resultado de tanta opressão temos hoje os ateus modinha, ateuzinhos de merda, neo-ateus, porque a base do pensamento cristão estão dogmas que exigem respeito e não admitem críticas. Impossível. Como é que se pode respeitar e ficar calado diante de tanta barbaridade e bizarrice que os cristão propagam ?

    A fé religiosa se mostra frágil e insiste em provar justamente o contrário. Num mundo “contaminado” pela informação trazida pela internet, e mesmo antes, era de se esperar que que alguém percebesse essa mentira. Não demorou muito para começarem as piadas, os deboches e zombarias. Assim são tratados “teorias” fracas; Ninguém duvida da gravidade e portanto ninguem é idiota para “pagar pau” pra ela. Ou seja o que é natural tem uma aceitação óbvia e inquestionável mas o que é sobrenatural, embora seja motivo de adoração e respeito por muitos, é discutível sim.

  23. Sempre que vejo os tipos de argumentos como os elencados pelo Daniel fico me perguntando se se trata de uma má vontade proposital ou limitação de raciocínio imposta pelo universo necessariamente estreito do crente. Não parece ser a primeira hipótese, no caso do Daniel, resta então a segunda.
    A primeira coisa importante a destacar é a confusão feita sobre o objeto do assim denominado ‘ataque’, que não é Deus. A contestação é feita não ao objeto de culto, mas àquele que cultua.
    Sendo Deus o objeto e considerando que os ateus sustentam que tal ser não existe, deveria ser cristalina a conclusão.
    Duas questões devem ser destacadas nessa linha de raciocínio.
    A primeira diz respeito ao desconforto do crente perante a afirmação de que aquilo em que ele, crente, baseia sua noção de mundo na verdade não existe. E como é limitado por essa noção
    de mundo, a qual afirma que tudo que existe teve um criador, tende a ser incapaz de aceitar que para outros as coisas não se dão assim.
    O problema do crente reside no fato de que a argumentação ateia faz sentido e tem bases muito mais sólidas que a mitologia de um ser criador onipotente, onipresente e onisciente, que além disso personifica a justiça, o amor, a perfeição.
    É problema porque a realidade dá razão aos ateus e em algum nível obriga o crente a confrontar sua noção com essa realidade que é totalmente incompatível com sua fé em Deus, na existência desse Deus. Ocorre que o crente é incapaz de lidar com a realidade e tanto maior será a demonstração efetiva dessa incapacidade quanto mais se aferrar à sua crença.
    Diante disso, o que faz o crente? Age de forma intelectualmente desonesta, já que é o único recurso que resta a quem não quer lidar com os fatos.
    Daí por exemplo, a afirmação de Daniel, de que ateus só acreditam na sabedoria humana e que falam, os ateus, muito mais do objeto de culto dos crentes que os próprios e essa é a segunda questão proposta.
    Deus, como tema de questionamento para os ateus, está muito mais para objeto decorrente que principal.
    A questão é o crente e todos os absurdos deletérios que ele, como indivíduo e como coletividade comete, se escudando na ideia de que tudo que fazem é em nome desse Deus.
    Recentemente, num blog que pretende-se científico-cristão (se isso não for a própria contradição, nada mais o será) publicou-se um artigo traduzido do inglês, em que o autor propõe que, de acordo com o ideário ateu, não há problema algum em se munir de uma arma e sair por aí atirando em crianças.
    Essa miséria intelectual afirma que uma vez que os ateus não aceitam a “centelha divina”, a auto consciência, o bem absoluto e o mal absoluto, se somos apenas poeira estelar, nenhum mal há em dizimar ou reorganizar essa poeira, na forma do massacre de crianças; isso não fará diferença nenhuma para o Universo.
    Há nesse texto coisas realmente chocantes, como a afirmação de que pessoas ateias, ao demonstrar consternação e sofrimento pela tragédia ocorrida na escola de Sandy Hook, em Connecticut estariam fingindo para esconder “sua desumana amoralidade” ou sendo intelectualmente incoerentes. Além claro do oportunismo canalha e essa sim uma demonstração de amoralidade, ao usar tal tragédia pra fazer proselitismo da coisa prostituída que denominam como ciência a serviço da bíblia.
    Ainda não satisfeita, a pessoa que republica esse lixo afirma várias vezes a tese doentia do autor. A relevância desse tipo de comportamento está em que ateus são vistos como desumanos, imorais, amorais, e quanto mais se queira adjetivar na desqualificação do ateu na condição humana.
    E porque deveríamos nós, ateus, ficarmos calados e mansos, ‘dando a outra face’?
    Se os seres humanos já nascem em crise existencial, não seria exagero dizer que os crentes, por medo ou comodismo, optam por acirrar essa crise e ainda tentam cooptar o máximo de pessoas possível para o ajudar a carregar o fardo de acreditar em algo que seus sentidos demonstram não existir; além de que, não suportam que outros possam viver livres desse fardo.
    Ateus não pregam contra a existência de qualquer deus; aliás, ateus não fazem pregação, ou de alguma forma não serão ateus.
    Se posicionam sobre a crença e suas consequências, é simples de entender.

  24. Cara Shirley,

    Sei de que artigo você está falando e sei também que o blog em que ele foi publicado possui muitas outras pérolas,inclusive homofóbicas,anti-islâmicas e até misóginas.Infelizmente, são destes argumentos que se valem os tais “cientistas” cristãos.

  25. E ae Daniel ?!

    Tem réplica ?

  26. Pois é Washington, enquanto meu estômago aguentou, olhei algumas coisas por lá; fiquei pensando que esse tipo de gente não deve nunca ter algum poder de decisão sobre a vida dos outros. Embora seja tudo que eles mais queiram e Deus e religião são apenas pretextos para justificá-los.

  27. Se soubesse que haveriam tantos críticos, jamais teria perdido meu tempo lendo tudo isso. Como disseram: Cada um escolhe aquilo que quer sair do seu coração. Realmente, somos livres. Mas devemos, de fato aceitar ou respeitar tudo o que outras pessoas disserem. Seja julgamento ou elogio.
    Não posso dizer que perdi tempo aqui, porque aprendi muitas coisas. Espero que muitos, assim como eu, também tirem proveito de alguma coisa.

Deixe um comentário:

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: