Cara ou Coroa?

 


Você não tem poderes mágicos e, caso diga que tem, estará depondo seriamente contra sua sanidade mental. Uma pessoa que alegue ter poderes mágicos é, num certo nível, doida.

E se você quisesse me provar que tem seus poderes, eu poderia propor o seguinte teste para te desmascarar: jogaria uma moeda para cima e pediria para você fazer dar cara ou coroa, de acordo com a minha vontade. Oito vezes. Se os resultados fossem os que eu houvesse previamente determinado antes de cada jogada, eu acreditaria em seus poderes mágicos, porque para isso acontecer ao acaso precisaria de muita, muita sorte.

Mas Richard Dawkins fez um experimento interessante com um grupo de alunos, em uma de suas “palestras de Natal” na Inglaterra, no início dos anos 90, em que conseguiu identificar, dentre eles, um que tinha poderes mágicos, justamente usando esse expediente de determinar o resultado de um cara e coroa.

Primeiro ele dividiu o auditório em duas metades, pediu para que todos ficassem de pé  e disse:

—  Aqueles que estão à direita do corredor central irão mentalizar fortemente para que o resultado seja “cara”, e os do lado esquerdo, “coroa”. Quando eu jogar a moeda, vocês, do lado direito, devem acompanhá-la com o olhar pensando algo como “Eu quero que dê ‘cara’”, e vocês do lado esquerdo fazem o mesmo só que para que dê ‘coroa’.

Com essa instrução, ele jogou a moeda e anunciou o resultado: coroa.

—  Muito bem. Todo o lado direito, por favor, sentem-se, pois, obviamente, o paranormal encontra-se no outro grupo. Agora, vocês aqui do meu lado esquerdo: quem estiver até a oitava fila, vai mentalizar para que dê “cara”; da nona fila para trás, “coroa”.

E lançou novamente a moeda e anunciou o resultado, pedindo ao grupo da nona fila até o fim do auditório para sentar, pois o novo resultado era “cara”. E assim foi, de divisão em divisão, até que sobraram apenas três garotos, lado a lado, na primeira fila.

Ele, então, orientou dois dos garotos a mentalizarem para que, no próximo lançamento da moeda, saísse “coroa”, e ao outro garoto para que mentalizasse para dar “cara”. Esse último perdeu e foi pedido que se sentasse, restando em pé, de toda a audiência e após 7 lançamentos de moeda, apenas dois garotos. Um deles, até ali, tinha feito valer a sua vontade, apenas com a força do seu pensamento, determinado o resultado do jogo, e seu poder sobrenatural estava para ser posto à prova mais uma vez.

Os dois garotos tiraram um “cara e coroa” simples entre si, e um deles foi, então, convidado a sentar-se, ficando de pé o paranormal, o que tinha poderes mágicos, a capacidade invejável de alterar o futuro, de interferir no movimento de objetos, ou seja lá o que fosse, mas o fato foi que ele conseguiu que a moeda caísse justamente do lado que havia determinado que ela caísse. Por oito vezes seguidas! Incrível!

É essa a conclusão a que chega a mente religiosa. É esse o seu raciocínio enviesado que sustenta a sua fé. É isso o que mantém Deus ainda vivo.

Achar que é mágica o resultado de um processo.

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5 Respostas

  1. texto muito bom!
    e o novo sistema de comentários tb.

  2. GENIAL!

  3. Legal esta história. Havia visto e achei interessante!
    ABraço Barros!

  4. Alguém tem base em dados ou pesquisas, que indiquem o aumento ou diminuição do número de religiosos, o aumento de certa religião em detrimento de outra ,ou possível aumento de ateus; gostaria para ter como base , e “vislumbrar como será o futuro”.

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