Oração “em línguas estranhas” — A Fraude (parte 8)

No vídeo mostrado no texto anterior, o padre Fábio de Melo compara o dom da oração em línguas estranhas com a poesia…

Se você pega algumas frases dentro dos poemas, elas parecem que não têm muito sentido, mas são bonitas; ali, o mais importante não é tanto o sentido da frasemas é a beleza da frase, porque a frase quando digo, ou quando leio ou quando escuto, ela me causa um impacto, porque ela me provoca, ela me leva para um outro lugar que não é o comum. Uma palavra que parece que tá cheia de sabedoria, mesmo que, num primeiro momento, a gente não consiga explicar.

As línguas estranhas “parecem” não fazer sentido? Não, amigo: elas “não” fazem sentido mesmo.

“O mais importante não é tanto o sentido da frase (…)” Pergunta-se: que sentido? O negócio não faz sentido nenhum, porque não é uma língua.

(…) mas a beleza da frase.” “Halabam babababá” é uma frase sem sentido, mas, pelo menos, é bonita? Bom, aí é questão de gosto e há gosto pra tudo.

“A frase (…) ela me causa impacto, (…) ela me leva para um outro lugar que não é o comum.” Talvez seja, mais ou menos, o que o drogado experimenta após uma picada, ou um bêbado no auge da embriaguez…

“Uma palavra que parece que tá cheia de sabedoria (…)”. Onde mais alguém que não consegue perceber o sentido de um discurso vai achar que esse discurso “parece estar cheio de sabedoria”? Tente visualizar a cena de um eloquente político tentando seduzir (por votos) uma plateia de humildes moradores da periferia da sua cidade, e você terá uma ideia do que o padre estava falando: a ilusão e o fascínio do ignorante.  

“(…) mesmo que, num primeiro momento, a gente não consiga explicar.” 

E eis que é chegado o “segundo momento”, quando essa fraude é explicada.


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2 Respostas

  1. Isso me faz lembrar meus tempos de crente. Após a pregação o culto atingia seu clímax: era hora do show de horrores, quer dizer, da falação em “línguas”. O pregador, como numa masturbação mental, começava a falar “aleluias” lentamente, outras vezes mais rapidamente…

    o tecladista tocava um hino solene, com tons graves. a igreja, dependendo do dia, acompanhava o pregador, em ondas de silêncio e aleluias.

    até que alguém começava a verborragia (ou seria, descarga mental?). notadamente, eram sempre as mesmas, e com os mesmos vocabulários. “siricanta. olacanta. eishubricantalas…”. após alguns segundos, um outro iniciava a “interpretação”.

    anjos voando, azeite sendo derramado… uma mulher que entrou com dificuldades no lar… um homem com problemas financeiros… um jovem com dificuldades na escola… “sim, meu servo, é com você que eu falo”… choradeira, gritos, e o orgasmo. de uma hora para outro acabava. a entidade metafísica mandara sua mensagem genérica e inútil. coisas como: acabem com o preconceito, com a ganância, não poluam o meio ambiente, a cura da aids? nada disso. os deuses acharam melhor curar aquela enxaqueca daquela senhora que passa o dia vendo televisão, ou arrumar um marido para aquela virgem de 60 anos. o mundo que se foda.

    e tantas perguntas sem resposta… tanta gente com problemas… mas os deuses não querem.

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