Voo e Queda (Episódio 1, parte 3)

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No dia 21 de novembro de 2008, o deputado Dudu da Fonte, presidente do Partido Progressista em Pernambuco, pousou em Teresina num Boeing 737-800 da Gol, vindo de Brasília. Ele estava ali para as comemorações de aniversário de 40 anos de um colega de partido, e para ver o show da banda Calypso, no dia seguinte, que iria dividir o palco com o cantor Daniel e a dupla Zezé di Camargo & Luciano. 

Durante o show, no sábado à noite, Dudu da Fonte foi convidado por um amigo, um dos empresários da banda Calypso, a voar de carona para Recife no recém-adquirido avião do músico Chimbinha, guitarrista, compositor e empresário da banda. O deputado aceitou no ato. Ele havia feito uma reserva num voo da TAM que sairia de Teresina na manhã seguinte, às onze e trinta, com pouso previsto no seu “domicílio eleitoral” apenas para as quatro da tarde do domingo, devido a uma escala em Fortaleza. Com a carona, poderia embarcar às 9 horas e, num voo direto, chegar à capital pernambucana antes da hora do almoço. 

Na manhã de domingo, na hora marcada, Dudu da Fonte compareceu para pegar sua carona. A aeronave era um King Air (rei dos ares), modelo Beech 200, e ele foi o último dos 8 passageiros a embarcar, ficando, assim, com o último assento disponível: uma cadeira individual, bem atrás do copiloto. A viagem transcorreu tranquila até que, mais de duas horas depois da partida, quando o piloto já havia abaixado o trem de pouso e recebido autorização da torre de controle para pousar, ele ouviu vários alarmes tocarem ao mesmo tempo na cabine bem ao seu lado. Olhou curioso por cima dos ombros dos pilotos e viu a pista de pouso do aeroporto de Recife à sua frente.

— O que houve? — ele perguntou.

— Bote o cinto e abaixe a cabeça que a gente vai fazer um pouso de emergência — o copiloto respondeu.

Ele obedeceu em parte: botou o cinto. Pouco tempo depois dos alarmes terem começado a disparar, ele viu a pista de pouso se deslocar para a direita e para cima, emoldurada que estava pelo para-brisa, enquanto a aeronave inclinava-se para a esquerda e apontava o nariz para baixo, perdendo altura rapidamente. Ouviu ainda o comandante pedir para que lhe prendessem aos cintos de segurança, que haviam passado toda a viagem soltos por trás da sua poltrona, mas o copiloto não teve tempo de atendê-lo. 

Em poucos segundos, deu-se a colisão contra o solo, numa área urbana a quatro quilômetros da cabeceira da pista de pouso. A aeronave teve as asas arrancadas com o impacto e dividiu-se em três partes. Mas não explodiu: os tanques de combustível estavam completamente vazios.

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2 Respostas

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  2. […] 1:    Parte 2  –  Parte 3  –  Parte 4  –  Parte […]

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