O que precisa ser dito sobre deuses (parte 3 de 5)

<<PARTE 1

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Autor: Caio L. Aidar — paulistano, 24 anos, e desde os 17 se interessa por Ciências e Filosofia.

O Argumento Ontológico

Eu tenho a ideia de um ser, de um ente perfeito. Ora, como há necessariamente mais razão na causa do que no efeito, a ideia da perfeição não pode proceder senão da própria perfeição. Esse ente perfeito tem que existir porque, se não existisse, faltar-lhe-ia a perfeição da existência, e desse modo não seria perfeito.

Claramente percebemos que “existência”, para o idealizador do argumento, deve ser tratada como uma “qualidade”, o que, evidentemente, é um erro. O argumento nos diz que um ser totalmente perfeito deve ter, no seu extenso rol de qualidades, a qualidade da própria existência. O argumento afirma que entre uma perfeição real e uma perfeição imaginária há uma diferença qualitativa: perfeito mesmo seria apenas aquilo que é real. Em absoluto, não há qualquer diferença qualitativa entre a perfeição real e a imaginária, simplesmente porque existir não é uma qualidade.

Imaginemos um engenheiro que mentalmente projetou uma máquina perfeita, que não desperdiça insumo algum, e tem um rendimento insuperável. Qual a diferença entre o projeto dessa máquina e a máquina real, quando for construída? Resposta: não há diferença. “Não existir” não é um defeito, assim como “existir” não é uma qualidade.

Existindo ou não, o teor de uma ideia e suas respectivas qualidades permanecerão as mesmas. O ponto principal do argumento é facilmente refutável. Mas, por um instante, vamos imaginar que não conseguimos encontrar o erro aí escondido, e que ainda pensamos que existir é uma qualidade. Mesmo assim nada estaria provado, por um simples motivo: nossa mente é capaz de imaginar coisas que não possuem paralelo algum com a realidade ou, para ser mais claro, que não existem. Posso imaginar centauros, constituídos de uma substância invisível, que habitam bosques no interior da minha cidade. Borboletas, do tamanho de dragões, que viajam pelo tempo, ou qualquer outra bizarrice. O fato de eu imaginar alguma coisa, perfeita ou não, não quer dizer que essa coisa exista.

No fim das contas, assim como acontece com o Argumento Cosmológico, mesmo que o raciocínio fosse impecável do ponto de vista lógico (o que está longe de ser verdade), acabaria sendo incapaz de provar qualquer coisa, porque também poderíamos imaginar deuses perfeitos rivais, cuja existência mútua não é possível; vários deuses, caso optássemos por adotar o politeísmo, etc.

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12 Respostas

  1. Barros, sua descrença se baseia em versões distorcidas daquilo que é tão óbvio, que chega a causar desconfiança.

    Pare com esa auto-tortura a que você se submete devido às suas angústias internas: o mundo NÃO PRECISA de provas, nem de respostas.

    Um abraço.

    O CÉTICO E O LÚCIDO …

    ” No ventre de uma mulher grávida estavam dois bebês. O primeiro pergunta ao outro:
    – Você acredita na vida após o nascimento?
    – Certamente. Algo tem de haver após o nascimento. Talvez estejamos aqui principalmente porque nós precisamos nos preparar para o que seremos mais tarde.
    – Bobagem, não há vida após o nascimento. Como verdadeiramente seria essa vida?
    – Eu não sei exatamente, mas certamente haverá mais luz do que aqui. Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comeremos com a boca.
    – Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? É totalmente ridículo! O cordão umbilical nos alimenta. Eu digo somente uma coisa: A vida após o nascimento está excluída – o cordão umbilical é muito curto.
    – Na verdade, certamente há algo. Talvez seja apenas um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui.
    – Mas ninguém nunca voltou de lá, depois do nascimento. O parto apenas encerra a vida. E afinal de contas, a vida é nada mais do que a angústia prolongada na escuridão.
    – Bem, eu não sei exatamente como será depois do nascimento, mas com certeza veremos a mamãe e ela cuidará de nós.
    – Mamãe? Você acredita na mamãe? E onde ela supostamente está?
    – Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela nós vivemos. Sem ela tudo isso não existiria.
    – Eu não acredito! Eu nunca vi nenhuma mamãe, por isso é claro que não existe nenhuma.
    – Bem, mas às vezes quando estamos em silêncio, você pode ouvi-la cantando, ou sente, como ela afaga nosso mundo. Saiba, eu penso que só então a vida real nos espera e agora apenas estamos nos preparando para ela…
    PENSE NISSO…
    A pessoa que escreveu este texto foi muito iluminada pelo nosso CRIADOR. Eu nunca havia pensado dessa maneira. Adorei a forma utilizada para esclarecer uma dúvida que atormenta a maioria da humanidade.
    Como achar que não exista vida após o nascimento??? Esta questão é a mesma de não acreditar em vida após a morte!”

    PENSE NISSO…

    A pessoa que escreveu este texto foi muito iluminada pelo nosso CRIADOR. Eu nunca havia pensado dessa maneira. Adorei a forma utilizada para esclarecer uma dúvida que atormenta a maioria da humanidade.
    Como achar que não exista vida após o nascimento??? Esta questão é a mesma de não acreditar em vida após a morte!
    Tudo depende de um ponto de referência. Usar o óbvio para explicar o duvidoso.
    Aliás… “O que é vida e o que é morte?”

    “E… se você não existisse? Que falta você faria?

  2. O CÉTICO E O LÚCIDO …

    No ventre de uma mulher grávida estavam dois bebês. O primeiro pergunta ao outro:
    – Você acredita na vida após o nascimento?
    – Certamente. Algo tem de haver após o nascimento. Talvez estejamos aqui principalmente porque nós precisamos nos preparar para o que seremos mais tarde.
    – Bobagem, não há vida após o nascimento. Como verdadeiramente seria essa vida?
    – Eu não sei exatamente, mas certamente haverá mais luz do que aqui. Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comeremos com a boca.
    – Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? É totalmente ridículo! O cordão umbilical nos alimenta. Eu digo somente uma coisa: A vida após o nascimento está excluída – o cordão umbilical é muito curto.
    – Na verdade, certamente há algo. Talvez seja apenas um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui.
    – Mas ninguém nunca voltou de lá, depois do nascimento. O parto apenas encerra a vida. E afinal de contas, a vida é nada mais do que a angústia prolongada na escuridão.
    – Bem, eu não sei exatamente como será depois do nascimento, mas com certeza veremos a mamãe e ela cuidará de nós.
    – Mamãe? Você acredita na mamãe? E onde ela supostamente está?
    – Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela nós vivemos. Sem ela tudo isso não existiria.
    – Eu não acredito! Eu nunca vi nenhuma mamãe, por isso é claro que não existe nenhuma.
    – Bem, mas às vezes quando estamos em silêncio, você pode ouvi-la cantando, ou sente, como ela afaga nosso mundo. Saiba, eu penso que só então a vida real nos espera e agora apenas estamos nos preparando para ela…

    PENSE NISSO…

    A pessoa que escreveu este texto foi muito iluminada pelo nosso CRIADOR. Eu nunca havia pensado dessa maneira. Adorei a forma utilizada para esclarecer uma dúvida que atormenta a maioria da humanidade.
    Como achar que não exista vida após o nascimento??? Esta questão é a mesma de não acreditar em vida após a morte!
    Tudo depende de um ponto de referência. Usar o óbvio para explicar o duvidoso.
    Aliás… “O que é vida e o que é morte?”

    “E se você não existisse? Que falta você faria?

  3. Ateu de Barro

    Você está equivocado, você trata os fetos como seres pensantes… com um nível de entendimento igual ao nosso… ai fica fácil fazer esse tipo de comparação, que a primeira vista parece bem bacana

    O fato é que esse é o modus operanti dos religiosos e daqueles que não tem a coragem necessária para encarar a verdade… que a vida é um processo como qualquer outro, com início, meio e fim… Eles modificam a realidade de uma maneira sutil, nesse caso o de que fetos pensam e questionam como seres adultos… assim seu exemplo ganha sentido… mas é como toda história religosa, precisa de uma pitada de ficção para funcionar… e ambos sabemos que ficção não tem vez no mundo real…

    Abraço
    Cristiano

  4. KKKKKKkkkkk

    Achei muuuuito legal esse texto!!! Muito mesmo! Já tinha ouvido uma estória parecida, mas do tipo: “nossa vida aqui nesse mundo é como uma gravidez, em que estamos sendo preparados para a nossa ‘vida real’“.

    Vou publicar a minha “refutação” a esse argumento num texto após essa série do Caio.

    Um abraço a todo mundo!

  5. Barros, suponho que você fará a refutação a esse argumento corretamente. Mas, por enquanto, basta dizer que a analogia é inválida por um simples motivo: se os fetos, que são seres reais e nós sabemos disso, duvidarem ou não da existência da mãe, que também é um ser real conhecido por nós, pouco importa, porque, após o nascimento, eles poderão constatar o que efetivamente acontece. Eles continuarão vivos – se o parto correr bem – e poderão conferir com muita facilidade que, de fato, a mãe existe. São seres reais, tangíveis, duvidando de outro ser real, também tangível. Com relação à hipótese da existência de deuses, é impossível afirmar com 100% de certeza o que acontece depois da morte, se alguma parte da consciência sobrevive e se encontra com um “Criador”, ou qualquer bizarrice parecida, simplesmente porque estamos falando de um seres reais (humanos) questionando a existência de um ser aparentemente irreal (deus), cuja origem é desconhecida, ou talvez sempre tenha existido, não é constituído de matéria, etc. Nós, ateus, depois de pesar na balança os argumentos teístas versus os argumentos ateístas, concluímos que deuses não existem, com 99,99999…% de certeza. Mas não podemos bater o martelo, com 100% de certeza, justamente por estarmos investigando uma entidade que não se pode falsear. Deuses e mães são bem diferentes. Ainda bem.

  6. Alguns deuses, como o Deus Cristão, até pode ser falseado, por se tratar de um deus com algumas peculiaridades: Ele é Onisciente, Onipresente, concedeu o direito de escolha aos homens, etc. Podemos, através da análise lógica, demonstrar que um deus com estes atributos não pode exsitir. Mas alguns deuses acabam sendo impossíveis de se falsear, mas nem por isso seria razoável pensar que eles existam. Falarei disso no último texto.

  7. Este texto que o ateu de barro colou aqui é para uma pessoa delirante com distúrbios mentais só pode ser . Que M.E.R.D.A

  8. Caio, vê o email que te mandei sobre a parte 4. Tô esperando vc responder, pra poder publicar. Abraço.

  9. A mesma certeza, 100%, o Cristiano, e NENHUM ateu tem, de que tudo acaba…
    Tanto NÃO TÊM, os ateus, tal certeza, que ficam, como nós, tentando, cada um a seu jeito, argumentar…

  10. Ateu de Barro, ambos “queremos” a vida eterna, ambos queremos o “sentido para a vida”… a diferença entre nós e que não acredito em tudo que me falam… nem deixo esses desejos interferirem na minha lógica…

    Abraço
    Cristiano

  11. […] sobre d…O que precisa ser di… em O que precisa ser dito sobre d…Cristiano em O que precisa ser dito sobre d…Ateu de Barro em O que precisa ser dito sobre d…simonviegas em O que precisa ser dito sobre […]

  12. 1. FELICIANO: Segue textos extraidos da “BÍBLIA “EDIÇÕES PAULINAS” DA IGREJA CATÓLICA, contendo casos de REENCANAÇÃO.
    Ainda em Jó, na versão da Igreja grega, afirma: “Quando o homem está morto, vive sempre; acabando os dias da minha existência terrestre, esperarei, porquanto a ela voltarei de novo”; 8 – no Livro de Sabedoria, aceito pelos católicos, o autor diz que “ Sendo bom, entrou num corpo sem mancha” (8:20); etc, Concluimos que neste caso está muito claro outro caso de reencarnação) Observação “corpo sem mancha um novo ser, um novo nascimento”
    Ainda em Jó, na versão da Igreja grega, afirma: “Quando o homem está morto, vive sempre; acabando os dias da minha existência terrestre, esperarei, porquanto a ela voltarei de novo” CORINTIOS 15:
    SÔBRE A RESSURREIÇÃO: 15:18 – Se é só para esta vida que temos colocado nossa esperança em Cristo, somos de todos os homens, os mais dignos de lástima.
    SABEDORIA: 8:19 – Eu era um menino vigoroso, 20 – ou antes, como era bom, eu vim a um corpo intacto. Obs. Intacto “um novo ser, sem pecado” (Mais um caso de reencarnação).esperarei, porquanto a ela voltarei de novo”; 8 – no Livro de Sabedoria, aceito pelos católicos, o autor diz que “ Sendo bom, entrou num corpo sem mancha” (8:20); etc, Concluimos que neste caso está muito claro outro caso de reencarnação) Observação “corpo sem mancha, sem pecado um novo ser, um novo nascimento”

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