O que precisa ser dito sobre deuses (parte 5 de 5)

<<Parte 1

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Autor: Caio L. Aidar — paulistano, 24 anos, e desde os 17 se interessa por Ciências e Filosofia.

Analisados os três principais argumentos dos teístas, e demonstrado que estes argumentos são facilmente refutáveis, concluo esse ensaio com duas reflexões.

A primeira é a de que quanto mais específica for a ideia de um deus, mais fácil será refutá-la. O Deus cristão, por exemplo, é bem específico. De acordo com a Bíblia, ele é onipotente, onisciente, onipresente, criou tudo o que existe no Universo, e concedeu ao ser humano o livre-arbítrio. Ora, a onipotência, do ponto de vista lógico, é um atributo inválido. A onipotência, ainda seguindo a análise lógica, também é incompatível com a onisciência. E a própria onisciência é incompatível com o suposto livre-arbítrio que nos foi concedido. Diante disso, é bem fácil concluir que o Deus cristão não existe.

Algumas pessoas, contudo, alegam crer em deus, mas não num deus pessoal, e sim em uma espécie de “energia inteligente”, responsável por ser a origem de todas as coisas. Este conceito de deus é bem vago, abstrato, e, justamente por isso, difícil de falsear. Mas por ser difícil de falsear é correto concluir que seja verdadeiro? Óbvio que não. Existem diversas ideias que não podemos falsear, mas que nem por isso são levadas a sério. A hipótese de que estamos vivendo dentro da Matrix é uma delas.

Dito isto, gostaria de introduzir a segunda reflexão: quão improvável são os deuses, sejam eles pessoais ou sejam simples “energias”? A resposta, a meu ver, é bem simples: deuses constituem a hipótese mais improvável que podemos imaginar. Divindades são extremamente improváveis devido à sua alta complexidade. Se nós, humanos, com toda nossa banalidade e fragilidade, com toda nossa ignorância que às vezes nos impede de construir de modo correto um simples edifício, somos criaturas improváveis, imaginemos, então, o quão improvável é a existência de um ser capaz de criar um Universo.

Não estamos falando sobre filosofia, lógica ou ciência. Estamos falando, simplesmente, sobre bom-senso. Um exemplo bem simples ilustrará melhor a questão: é impossível encontrar pela rua um caminhão cheio de dinheiro, estacionado ao lado de uma placa com o seu nome, onde se lê “Essa grana é pra você”? Não, impossível não é. Mas, fazendo uso da razão, é sensato crer que algum dia receberemos tal presente? Óbvio que não. Quem pensar diferente, pode parar de trabalhar e começar a gastar os milhões que o esperam no futuro.

Mentes, provavelmente, são novas no Universo. Até hoje, a única mente que conhecemos capaz de pensar de modo complexo é a própria mente humana. Ainda não localizamos outra. Teístas querem nos fazer crer que, antes de qualquer coisa, já existia uma supermente, mas não justificam de modo racional o porquê dessa crença. A ausência de evidências e a extrema improbabilidade de um criador sugerem fortemente que foi o homem quem inventou deus, e não deus quem inventou o homem. Basta estar disposto a aceitar essa realidade, que pode parecer desoladora a princípio, mas que no fim se revela libertadora.

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7 Respostas

  1. Se existisse um deus ele nunca deveria ter feito um pássaro é muita humilhação para nos bipedes.

  2. Muito bom texto! Parabéns pela simplicidade e clareza!

  3. […] saracura2 em O que precisa ser dito sobre d…Detonador em O que precisa ser dito sobre d…Antonio Ferreira Ros… em O que precisa ser […]

  4. Boa noite galera! Gostaria se possível adiciona-los em meu Facebook…. Faz um bom tempo que nao volto mais naquela cidade ORKUT.
    O desemprego de conteudos inteligentes estão fazendo com que os conterrâneos de lá venha para a capital Facebook e o Twitter que fica bem na região metropolitana….

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  6. Gostei do ensaio, rapaz. Parabéns. Ficou muito bom, mesmo. E a ideia que você teve de expor e refutar os três principais argumentos teístas foi bem interessante. Inclusive há pontos de refutação que eu ainda não havia observado.

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