O Deus de Israel

E entraram na aliança para buscarem o Senhor Deus de seus pais, com todo o coração, e com toda a sua alma; E de que todo aquele que não buscasse ao Senhor Deus de Israel, morresse; assim o menor como o maior, tanto o homem como a mulher.

(2 Crônicas, 15:12-13)


O Deus Todo-Poderoso, criador do Céu e da Terra era o Deus de um povo só. O do povo escolhido: o povo de Israel. Eu, se fosse religioso, acharia isso muito, mas muito estranho mesmo. Como ateu, entretanto, percebo uma razão bem simples: o Deus da Bíblia, o Deus cristão, o Deus de Abraão e tal, foi inventado por aquele povo e eles sabiam que os outros povos já tinham seus próprios deuses, também inventados. Então, aquele seria só deles. Nada que impedisse, porém, que eles se apoderassem dos mitos já existentes nas outras religiões para criarem um “pano de fundo” para a sua divindade novinha em folha. A criação do mundo, o mito do dilúvio, o do envolvimento da divindade com uma mortal, donde nascia um “semideus”, as ideias de Paraíso e Inferno (ou Hades), tudo isso já era corrente na mitologia de outras religiões.

O que, acho eu, essa religião trouxe de novo foi “a palavra” escrita da sua divindade. Uma coletânea de textos escritos por seres humanos e atribuídos a ela. Isso parece ter dado tão certo que, tempos depois, os muçulmanos adotaram o mesmo expediente e, como fez o povo de Israel com relação a Deus, eles criaram uma “palavra” só deles, ditada pela divindade e redigida por um analfabeto. Mas para Deus, digo, para Alá nada é impossível, embora, ao que parece, ele queria por que queria transmitir sua palavra escrita em árabe e apenas em árabe. Quem quisesse ser salvo por Alá, teria que aprender esse idioma.

Além disso, esses novos crentes, os do Deus de Israel, conseguiram implementar uma estrutura de doutrinação da sua fé de um jeito totalmente novo. As crianças não teriam um contato gradual com essa nova divindade através do convívio social, da observação das tradições e através da cultura, como acontecia nos demais povos. Deus seria algo em que elas “aprenderiam” a acreditar muito antes de qualquer outra coisa. A expressão bonitinha “Papai do céu” não surgiu por acaso. É a primeira coisa que você, como eu, lembra da figura de Deus. Isso foi repetido para você à exaustão desde muito antes de você aprender a falar.

É um processo lento e trabalhoso, mas de comprovada eficácia. Uma vez que você tenha entrado nele na idade certa, não há como escapar. Fatalmente você vai acreditar em Deus, na Bíblia e em tudo o mais que lhe disserem. Nem todo mundo, entretanto, teve essa má sorte de nascer numa sociedade que se presta a aceitar, quando não incentivar, tal abuso infantil. Mas o “processo” também sabe como contornar tal problema. Apenas transmitir a crença não basta, é preciso que se prepare cada nova geração para “combater” os dissidentes.

Uma das maneiras é o que eu chamaria de “combate intelectual”. Combater argumentos em contrário com coisas do tipo:

Para quem não crê em Deus, nenhuma explicação é possível; para quem crê, nenhuma explicação é necessária!

Uma vez que as pessoas conseguem doutrinar as crianças para acreditarem que existe um Deus e que a Bíblia é a sua palavra, não vejo dificuldade em que elas consigam, também, colocar nas cabecinhas delas que isso aí é um “argumento”.

Uma outra maneira, mais prática, da qual tanto a Bíblia (como nos versos que abrem esse post) quanto o Corão trazem alguns bons exemplos em vários versículos e suras, é aquela que os muçulmanos também copiaram e da qual dão provas ao mundo de sua perícia: a imposição e divulgação da fé pela força bruta.

Ao que crê, chame de irmão; ao que não crê, chame de inimigo.

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4 Respostas

  1. ..

  2. Zé, a opção que lhe restava, que não ficar calado, era a de falar um monte de bobagem que só têm valor para os que desejam ardentemente que essas coisas que vocês usam para defender um Deus invisível e inútil não sejam o que realmente são: um punhado de asneiras.

  3. Kkkkk.

    Ô Zé, esse video tá mais pra propaganda ateísta! E veja só que legal, logo na primeira pergunta, aos 02:52, “Há evidências concretas da existência de Jesus ou não?”, o entrevistado responde com um longo discurso que, ao fim e ao cabo, quer dizer uma coisa só: Não. Mas ele, cristão que é, prefere reforçar a fé dos seus confrades e a sua própria, falando um monte de outras coisas de modo até ele mesmo se esquecer da negativa que precisaria ser dada ao que lhe foi perguntado.

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