A honestidade do ateísmo – 1ª parte

Minha tradução do artigo THE HONESTY OF ATHEISM, de Dianna Narciso, que faz parte do livro “Everything You Know About God Is Wrong”.

Algum tempo atrás, depois que o presidente dos Ateus Americanos Ellen Johnson apareceu em rede nacional num telejornal, uma conhecida minha iniciou uma conversa dizendo: “Eu vi seu líder na televisão ontem”. Eu fiquei completamente confusa. Poucos ateus (se algum) veem qualquer pessoa em particular, ou organização, como representante de suas “crenças”.

Mas, então, ateus não são assim tão diferentes de qualquer outro grupo de pessoas. Enquanto eu tenho ouvido, e feito, tentativas de nos rotular como furiosamente independentes, na realidade nós somos iguaizinhos a todo mundo. Como na comunidade religiosa, existem ateus que congregam com outros que têm as mesmas ideias e aqueles que não sentem essa necessidade. Como os religiosos com seus rótulos, ateus discordam sobre o que significa exatamente ateísmo e sobre quem é e quem não é ateu.

Uma coisa que diferencia os ateus, eu suponho, é que enquanto religiosos podem alegar que uma outra pessoa de fé não está verdadeiramente fora do seu próprio rebanho, é frequente que os próprios ateus aleguem que não são ateus. Eu estou ainda por ouvir um cristão dizer que não é cristão. Por outro lado, muitos ateus fogem do seu rótulo como se fosse uma doença.

Um monte de ateus apenas não gosta da palavra “ateu”. Eles usam um monte de outros rótulos em vez disso: humanista, livre pensador, agnóstico, não religioso, secularista, materialista, e racionalista, para nomear alguns. Quando questionada, pouco tempo depois de ter me assumido como ateia, eu respondi a uma mulher: “Nós não somos pessoas de igreja” na tentativa educada de recusar um convite. Algumas vezes, educação é uma desculpa para covardia.

Frequentemente nós usamos um de nossos outros rótulos como uma forma educada de dizer que somos ateus. Por alguma razão, usar a palavra que melhor descreve nossa posição com relação à existência de deuses é considerado grosseiro. Alguns ateus usam esses outros termos porque eles não querem alarmar o público geral. Enquanto eu posso ser solidária, é óbvio que o público geral não ficaria tão alarmado com a palavra se nós a usássemos mais livremente.

Enquanto é frustrante ter o ateísmo mal compreendido e descaracterizado pelos religiosos, ouvi-lo sendo difamado por colegas ateus é desencorajador. Muitos dos problemas em que os ateus se metem podem cair aos seus próprios pés, pelo menos em princípio. Muitos insistem que o ateísmo requer uma absoluta certeza ou crença de que deuses não existem. Eles preferem a palavra agnóstico, equivocadamente pensando que isso descreve um cético, aquele que duvida, ou uma pessoa que apenas não sabe.

A realidade é que o ateísmo é a única posição intelectualmente honesta que uma pessoa pode tomar ― é a única instância lógica.

Ateísmo tem uma longa história como termo usado para qualquer um que se recuse a se alinhar e adorar qualquer deus que esteja em voga no momento. Os politeístas chamavam de “ateus monoteístas” aqueles que não adoravam deuses locais; esse comportamento era considerado, no mínimo, rude. Os romanos, por exemplo, chamavam os cristãos de ateus. Com o crescimento do monoteísmo, ateísmo e paganismo eram vistos como a mesma coisa e repudiados como o mal.

Historicamente, a palavra não pretendia descrever uma pessoa que “acredita que deuses não existem”. Não, a palavra ateu era geralmente usada para descrever uma pessoa que “não acredita” em um ou mais deuses. Ateus de hoje, devido ao fato de estarem vivendo num mundo em que os deuses, na sua grande maioria, não são mais tidos como reais, não acreditam em qualquer um deles. Existem apenas alguns que sobraram, enfim, para não se acreditar.

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12 Respostas

  1. Pois é, muito legal esse texto.
    Alguns ateus realmente preferem dizer que são agnósticos – e em qualquer fórum relacionado ao assunto sempre haverá um agnóstico tentando convencer os ateus de que assumiram um rótulo errado.O que eles não consideram é que “ateu” e “agnóstico” não são termos excludentes. Da mesma forma, pode haver um “agnóstico teísta” sem nenhum problema.
    Quanto a mim, confesso que às vezes não me agrada muito o rótulo de ateísta, não pelo significado, mas pelo fato de ser um rótulo. Nunca fui muito chegada nessas coisas, mas acredito que alguns rótulos são realmente necessários, que às vezes vale a pena fazer as pessoas te pré-julgarem por alguma coisa especificamente, e assim fazer com que elas pensem a respeito do significado daquilo.

  2. Larissa, rótulos podem ser mesmo desconfortáveis, mas são necessários; às vezes, imprescindíveis.

  3. Se somos descrentes num Deus, então somos ateus..e devemos nos orgulhar disto! não devemos temer o nome, rótulo…..apenas algo pra dizer que somos diferentes, não acreditamos em baboseiras..
    abraço

  4. Saracura,
    É que ateísmo não tem nenhuma ideologia incutida nem nada, talvez até por isso mesmo eu tenha me identificado mais com o rótulo, já que não é algo que dite um padrão de comportamento.
    O que não gosto de rótulos é o pré-julgamento que causam. Mas por uma boa causa acho que valem a pena os pré-julgamentos, pois haverão sempre aquelas pessoas que já me conheciam antes e poderão rever seus conceitos a respeito dos rótulos que assumi.

  5. Eu me classifico como ateu-agnóstico. Crença(ateu) Conhecimento(agnóstico). Acredito que deuses não existem. Mas não tenho provas definitivas de suas inexistências. Acho que o termo ateísta ou ateu ainda não é utilizado por essa confusão de conceitos entre os próprios ateus, agnósticos e etc. Além da falta de conhecimento das pessoas comuns sobre o tema. Então, o rótulo de ateu ser um mal caráter, o que é um absurdo, mas muito presente ainda no senso comum. Infelizmente. Acaba criando receio de ser usado como conceito simples do que é não acreditar na existência de deuses.

  6. Pois é bambinita; mas não é assim. Se tem um “presidente” de “ateus americanos” que ele fique por lá, e de quebra que fique com o den(fe)ne(s)t(trado) e o hit(ler)chens; fique com o hókins, com o biNg bang, com o vortáriu, com o aristótulu. Isso é a careta de coisas como puteiros em uma cidade; os putos pensam que “dando” a troco de grana vão ganhar dinheiro “mole”. Se ferram. Tem um “gigolô” no pedaço, uma “fancha” na área. E eles têm de pagar um troco bonitinho. Bem, se você quer um “chefe”, problema é seu. Pode até pintar ele. Dane-se. Agora, vem com essa “pregação”, pra cima dos sem-crenças? E mais, pra cima dos IMUNES-À-CRENÇAS é que não vai colar mesmo. Dá licença né filhotinha!
    Vem a calhar o comentário feito agora há pouquinho lá no DUA, citando a visita do FHC à Portugal.
    Tá aqui:
    “Haddammann • 41 minutes ago −
    Observem esta matéria do FHC em Portugal …
    http://exame.abril.com.br/econ
    Pois bem. Esse moço, ex-Presidente, viveu um momento bastante bom no Brasil, tinha um “inimigo” valoroso (o Leonel Brizola) e hoje fala abertamente em Portugal que “as dívidas eram dos bancos” e “passou para os governos”. ISSO É UM FATO. Esse tipo de postura sincera num discurso mostra que mesmo ele tendo dito ser “sem-crença” (e ter perdido muito apoio com isso) sua honestidade e laicidade são disparadas mais aproveitáveis do que toda a mentirada do nazi-teo-pulhismo que infestou o Brasil com uma lambança e roubalheira jamais vistas. E embora a desgraça venha sendo feia no Brasil desde 2002, os “fiéis-crentes” — enganados por pústulas-chefetas-parasitas (que comem até o osso das pessoas dentro das crenças) — são tão interesseiros e desvinculados de um mínimo brio civil que menosprezam os “próximos” que não compactuam com as religiões.
    O fato é que, embora me detestem pelo que declaro, o fato é que “igreja” não seria lugar para gente putrefacta da cabeça, e nem gente pútrida teria de estar infurnada dentro de “igrejas”; mas nunca vimos tanto disso nesses últimos doze anos, e também, principalmente, a mesma corja apodrecendo a política.
    Pergunto a cada um deles: Fiz alguma coisa de ruim, de apenas ter estado a instruir estudantes com os mais esmerados conceitos, que inclusive as escolas nem dispunham para dar? Por isso esmagaçaram-me? Coloquem as contas e vejam o que fizeram. Foram injustos, enriqueceram pulhas, e deram azo a que pessoas de fibra, corajosas, sonhadoras, determinadas, tarimbadas, fossem perseguidas em muitas e muitas atividades na Sociedade”.

  7. “presidente” dos ateus americanos foi o ó do có. Leia-se “de o (blog, site, associação, cacete que tal”. Se vimos aqui comentar, por acaso o Barros é o “presidente” dos visitantes? Se a gente entra num blog ou site ou rede para postar, se ali tem um “escrevinhado” qualquer entre os que fizeram o tal sítio, quer dizer que o “cancã” da parada vai ser o “cacique” da gente? Péra lá! Agora, né sacanagem não, p*rra, vocês não podem ver mulher, vão logo enfiando a cabeça embaixo da saia da beltrana; nada a ver essa parada aí; e essa de “orgulho”; aí Saraca! Na boa! Aí se neguin qué mostrá pra todo mundo que “guenta” uma “PEIA” igualzinho a coragem que uma mulher aguenta; isso é problema desses aí; que “orgulho” é esse? Isso aí, né sacanage não! Lá em Copacabana, os cara, uns negão, uns brancão, se engolindo à vera na cara de todo mundo, que que isso tem a ver? Acho isso esquisito pra car*alho! Merma coisa desses montão de crentes alucinados tudo de preto com bibra na mão cantando no meio do pessoal que tá praia querendo um relax. Qué se aparecê, vai fazê uma coisa que presta. Se arrombá todo é mole, ficar berrando na cabeça dos outros é mole. Isso é “orgulho”? Fala sério, isso é “pulhítica” pra FARRA DE OTÁRIOS.

  8. Essa é para o meu querido amigo Diogo…

    http://bobagento.com/ta-ai-uma-coisa-que-nao-da-pra-entender/

    Abraço
    Cristiano

  9. Por não saber em como provar a existência ou inexistência de Deus ou Deuses, sou AGNÓSTICO.

    AGNÓSTICO, para mim, é ter humildade em saber que este conhecimento está fora de nosso alcance, não chegamos a afirmar com absoluta certeza que não existem. Apenas não sabemos disto, até porque não nos interessa esse conhecimento.

    Já o ATEU afirma que Deus não existe e ponto final. Mais uma vez a questão que nos faz duvidar de Teístas, vem a tona. PROVE?

    Para mim, é melhor não provar quaisquer dúvidas que em nada levam, pois Deus ou Deuses não fazem a menor diferença em minha vida.

  10. Eu afirmo SEGURAMENTE que o Deus Judaico-Cristão é uma piada. Qto a isso não há dúvida alguma, estude história e política e compreenda porque esses sistemas religiosos de massa existem, foram criados com propósitos bastante delimitados. Portanto, se existe alguma coisa que podemos chamar de deus, é necessário que antes se defina do que exatamente estamos falando. Mas como podemos defini-lo se a suposta natureza deste deus e seus propósitos não podem ser verificados ou compreendidos.

  11. Esse texto parece com aquela intenção traíra que fez com que os ateus sóbrios (não embabacados por retóricas sofistas) fizessem o DUA, Diário de uns Ateus. E um séquito ficou no outro sítio atrás de um cara que cismou de criar uma “formato” de crença e botar os ateus tudo num só saco.
    Mas, um andamento mais estúpido é o de que o luladrão (o chefeta do Mensalão) nem sequer quer mais ser apenas só “jéórsuis”; o manguaça-ladrão-vagabundo cismou agora que seus ‘súditos’ do nazi-teo-pulhismo façam-lhe ‘saudação’ de “DEUS”.
    E a marta suplício; a mesma do “rerláxa i górza” tá fazendo côro com a dançarina do “carpêta”, aquela escrota que sacudiu as banhas podres lá na câmara.

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