As evidências de Deus (parte 2)

“Barbeiros não existem! Se existissem, não haveria tanta gente com cabelos grandes e barba por fazer”Provavelmente você já recebeu esse e-mail. O argumento pretendido é o de que não se pode inferir que Deus não existe por haver mal e sofrimento no mundo. Se há, é porque “as pessoas não procuram Deus, assim como há cabeludos e barbudos porque esses não vão ao barbeiro”.

Chega a ser revoltante perceber que ninguém se incomoda com a falácia por trás desse raciocínio, e como as pessoas se apressam em divulgá-lo, esperando que seus contatos de e-mail façam o mesmo. Essa comparação entre Deus e o “barbeiro” não é apenas tola e infundada, mas também nociva. É a forma como as pessoas religiosas espalham entre nós a sua visão deturpada da realidade, como se elas pudessem encontrar algum conforto em contaminar a todos com o mesmo tipo de doença que contraíram.

O barbeiro não tem nenhum plano para a vida dos cabeludos, nem rejeita cortar o cabelo de alguém em benefício desse plano. Se fosse para seguir o mesmo raciocínio do e-mail, você teria que esperar que aqueles que procuram por Deus estivessem vivendo uma vida tranquila, confortável, repleta de saúde, alegrias e realizações. Como não é o caso, é preciso admitir que Deus não atende a todos os seus “clientes”.

A comparação não serve. O crente só acha que serve porque ele foi treinado para admitir coisas inadmissíveis, e projetar no mundo exterior o que só existe dentro da sua cabeça. É por isso que ele vai com tanta frequência à sua boca de culto: lá ele pode usufruir e compartilhar de forma plena, sem interrupções, sem contestações e sem ressalvas, todos os prazerosos efeitos de sua alucinação.

 

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14 Respostas

  1. Prezado Barros, SAÚDE e PAZ na sua vida, sempre. Eu gosto do debate, mas em alto nível, e em bom português (você se enquadra em ambas qualificações). Por isso propus aquela provocação, sobre SABER e sobre ACREDITAR. Nunca me importei com opiniões diferentes das minhas – respeito todas.
    Infelizmente, no entanto, um certo Fernando se intrometeu e se arvorou a responder em seu nome. (sem, contudo, a mesma educação dos seus textos). E desandou a me ofender com palavras e expressões chulas, incompatíveis com a MINHA educação – a mesma, inclusive, que notei em você.
    Eu li, sim, suas respostas. Mas desejava mais objetividade (talvez eu não a tenha percebido). Porém, diante da insistência do Fernando em me ofender, faço desse meu último texto, agradecendo sua permissão para que pessoas como eu escrevam para um blog como o seu.
    Mais uma vez, todo meu respeito, meu desejo de SAÚDE e PAZ para você e todos que aqui frequentam (inclusive o Fernando). E desculpe se lhe causei algum transtorno.

    RLCosta

  2. Prezado RL Costa.

    Mesmo que você tenha ignorado meu pedido para que apontasse onde os meus argumentos são frágeis e toscos, como você os descreveu, eu disse que responderia ao seu questionamento em um post do blog. Não o escrevi, ainda, mas ele vai ser publicado tão logo o apronte.

    Gostaria de lhe informar que, desde que criei o Deusilusão, sempre adotei a política de não moderar comentários, muito menos de editá-los, e assim continuará enquanto esse blog existir.

    Eu já li muitos comentários que não apenas desmereciam meus textos, de forma infundada, assim como você mesmo fez, mas que tentavam ofender a minha pessoa. Mas, quando eu lia um comentário e me deparava com uma frase que começava com “vai tomar no”, eu já sabia o que vinha depois e não me dava o trabalho de ler o resto.

    Eu coleciono ofensas de crentes como quem coleciona troféus. Sempre que um crente me ofende, eu sorrio feliz da minha superioridade intelectual, visto que só sobrou palavrões para a outra pessoa… E palavrões eu já conheço todos e não perco meu tempo em lê-los de novo.

    Eu passo adiante, ignoro, e sigo altivo, com meus argumentos incólumes e resplandecentes. Por isso que, quando eu ofendo um crente, eu peço desculpas, como peço a qualquer um a quem eu venha a ofender. Mas quando um crente me ofende, eu geralmente agradeço.

    Mas é claro que não espero que você faça a mesma coisa. Pessoas agem de forma diferente diante de situações semelhantes. Mas espero que você, um dia, aprenda a diferença entre ser ofendido e se sentir ofendido. Qualquer um pode me fazer uma ofensa, mas raras são as pessoas que podem realmente me ofender.

    Um abraço

  3. Barros, você não entendeu meu último texto: foi um ELOGIO à sua postura e uma CRÍTICA a um tal de Fernando. Esse cara, não sei a razão, pois eu nem sei quem ele é, desandou a responder a algo DIRECIONADO a VOCÊ, Barros. E ainda o fez me mandando tomar no c… entre outras bobagens.

    De qualquer forma, reitero minha postura SEMPRE respeitosa com VOCÊ, NUNCA foi diferente.

    Um abraço, SAÚDE e PAZ, inclusive para esse tal de Fernando.

  4. Simplesmente adoro essa expressão “boca de culto”. É uma comparação leal ao universo da marginalidade principalmente porque você tanto associa a fé religiosa a um vício de comportamento… Muitos crentes podem não gostar do paralelo mas nem por isso deixam de vir aqui se nutrir de desgosto das mais infames blasfêmias que um cara inteligente pode profanar. Embora até então firmes na fé, eles podem querer experimentar, mas sem admitir, um pouco do mal que a tal liberdade [de pensamento] dá.

    Você fala mal de Deus, Jesus, Bíblia. Insulta a fé e os próprios crentes e o pessoal ainda vem dar um espiada…

    Enfim, parabéns pelas ágeis e ácidas palavras. Deixe as palhaçadas para os pombos.

  5. Deus é bom mas a bondade dele tem limites e quando ele achar que vocês já se excederam demais com relação as coisas que vocês vivem escrevendo aqui a respeito dele eu não quero estar na pele de vocês … De Deus não se zomba …

  6. Filho de Deus ,

    Eu discordo de vc em alguma coisa ,

    Deus deu essa liberdade aos seres humanos até de zombar dele .

    Muitos o fazem pq não o conhece de verdade , vc não zomba de uma pessoa que vc conhece e ama e sabe que esse alguem tbm te ama , existe uma relação de respeito.

    Eu tenho certeza que todos destes blog…os ateus, tem alguem que eles respeitam muito, e eles mantem essa relação de respeito pq possuem motivos racionais para isso.

    Por isso que a maior cobrança será maior e pior para aqueles que são “religiosos”.

    Os ateus de verdade, aqueles que jamais experimentaram da boa dádiva não entendem nada dos assuntos celestiais, possuem uma vizão limitadissima acerca das coisas espirituais por isso suas retóricas “teológicas” não são levadas a séria pelos cristãos, é o mesmo que ser um professor emérito de matemática e ter que ouvir bobeiras de uma criança de 7 anos sobre matemática.

    Vê:Eu não duvido da capacidade racional dos ateus, em muitos assuntos tem muitos como qqr ser humano muita sabedoria.

    Por exemplo eu discordo de alguns argumentos ateistas do Dr. Drauzio Varela … porem eu acho ele um excelente profissional e o acho muito inteligente e concordo com ele quando ele diz que muitos religiosos querem impor sua fé aos que não tem essa mesma fé , e eu concordo que isso é um erro ,é ferir o direito do próximo de escolher acreditar naquilo que ele entende como razoável.

  7. “Deus existe sim e fodeu … Não quer acreditar o problema é seu … “

  8. por isso suas retóricas “teológicas” não são levadas a séria pelos cristãos, é o mesmo que ser um professor emérito de matemática e ter que ouvir bobeiras de uma criança de 7 anos sobre matemática.

    Na verdade, é o contrário. Vocês que “entendem de assuntos celestiais” é que são as crianças falando merda pro professor de matemática…

    Mas é claro que eu entendo por que você tem que inverter as coisas…

    E eu adoraria ter um exemplo da “boa dádiva” de Deus que você experimentou e que lhe salvou dessa vizão limitada que os ateus têm.

  9. SABER

    n verbo
    transitivo direto, transitivo indireto e intransitivo
    1 conhecer, ser ou estar informado
    Exs.: s. o horário do voo
    sei que a alegria fugiu desta casa
    não soube do divórcio
    era traído e pensava que ninguém sabia
    transitivo direto
    2 ter conhecimentos específicos
    Exs.: s. inglês
    s. nadar
    transitivo direto
    3 estar convencido de; pressentir
    Ex.: sabia que venceria
    transitivo direto
    4 ter força, meio, capacidade, possibilidade de, ou habilidade para; conseguir
    Exs.: soube cumprir a missão
    s. organizar festas
    sabe ser educado
    transitivo direto predicativo
    5 considerar, ter como
    Ex.: não o sabia desonesto
    transitivo direto
    6 envidar esforços para conseguir (algo); fazer por
    Ex.: soube merecer a aclamação
    transitivo indireto e intransitivo
    7 ter gosto de; ter sabor
    Exs.: as moquecas capixabas não sabem a coco
    soube muito bem aquele pavê

    n substantivo masculino
    8soma de conhecimentos adquiridos; sabedoria, cultura, erudição

  10. ACREDITAR

    n verbo
    transitivo direto, transitivo indireto e intransitivo
    1 aceitar, estar ou ficar convencido da veracidade, existência ou ocorrência de (afirmação, fato etc.); crer
    Exs.: é difícil a. (n)a justiça
    jurou, mas não acreditamos
    transitivo indireto
    2 supor ou intuir boas intenções, finalidades; confiar
    Ex.: acredite nele e empreste o dinheiro
    transitivo indireto
    2.1 julgar ou pensar possível ou provável a realização de (possibilidade ou probabilidade)
    Ex.: a. na vitória
    transitivo direto e pronominal
    3 tornar(-se) digno de estima e confiança
    Exs.: o gesto nobre acreditou-a
    acreditou-se definitivamente perante os colegas
    transitivo direto e transitivo direto predicativo
    4 Derivação: por extensão de sentido.
    dar ou emprestar a (alguém) autoridade para agir em seu nome
    Ex.: acreditou-a (como procuradora) para a compra do imóvel
    transitivo direto e bitransitivo
    4.1 conferir poder ou autoridade a (alguém) para representar país ou instituição perante (país estrangeiro ou outra instituição); credenciar
    transitivo direto
    5 dar fundamentação, confiança a; abonar
    Ex.: sua experiência acredita nossas afirmações
    transitivo direto e transitivo direto predicativo
    6 pensar, sem convicção ou certeza; achar, supor
    Exs.: acredita que não voltará a vê-los
    acreditam relevante a tua contribuição
    transitivo direto, bitransitivo e pronominal
    7 Rubrica: comércio, contabilidade.
    m.q. creditar (‘constituir como credor’, ‘pôr quantia à disposição’)

  11. Saber ou acreditar (ou ambos): eis a questão.

  12. SOFISMA

    n substantivo masculino
    1 Rubrica: lógica.
    argumento ou raciocínio concebido com o objetivo de produzir a ilusão da verdade, que, embora simule um acordo com as regras da lógica, apresenta, na realidade, uma estrutura interna inconsistente, incorreta e deliberadamente enganosa
    2 Rubrica: lógica.
    argumentação que aparenta verossimilhança ou veridicidade, mas que comete involuntariamente incorreções lógicas; paralogismo
    3 Derivação: por extensão de sentido (da acp. 1).
    qualquer argumentação capciosa, concebida com a intenção de induzir em erro, o que supõe má-fé por parte daquele que a apresenta; cavilação
    4 Derivação: por extensão de sentido. Uso: informal.
    mentira ou ato praticado de má-fé para enganar (outrem); enganação, logro, embuste

  13. vizão -> Crente orthography has been detected!

    Dá para saber facilmente nos comentários do jephsimple quais parte ele colou de site crente e quais ele mesmo escreveu

    :-)

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