As evidências de Deus (parte final)

A Bíblia é uma coleção de mitos que alimentam a crença em divindades diferentes: o Deus hebraico, o Deus cristão, Jesus Cristo, o Espírito Santo (?) e Alá. E isso sem contar a versão que cada corrente religiosa, no Ocidente, dá ao Deus bíblico hoje em dia. Na verdade, isso ocorre num nível quase que pessoal. Cada um cria para si o Deus mais conveniente, com as qualidades que julga necessárias, com o caráter bem semelhante ao seu próprio, e com as exigências que mais facilmente ele, crente, acha que poderá atender.

A evidência mais evidente da existência de Deus que poderia ser apresentada a um ateu é, justamente, aquela que prova que Deus é uma criação humana: a Bíblia. Todo crente que eu conheço e que você venha a conhecer também não acredita no Deus bíblico. Pelo menos não da forma como ele é descrito lá. Compreensivelmente, ninguém se atreveria a tentar estabelecer qualquer vínculo de afetividade ou respeito com o Deus odioso relatado no Antigo Testamento, com sua preferência por uma etnia específica, queda por maldições, tesão por sacrifícios, fascínio por execuções, e profundamente necessitado de uma assistência técnica do SEBRAE, para tocar sua “obra” adiante com um mínimo de eficiência.

Nenhum crente, não importa de que denominação religiosa, crê realmente na divindade que escolheu a Bíblia para se revelar a ele. Daí a necessidade de se criar um Deus à la carte. A falha desse estratagema é que não há como se justificar tal atitude senão dizendo que parte daquela revelação é fruto de intervenção humana, em meio à revelação propriamente dita. Isso porque não é possível explicar como o crente pode diferenciar qual é qual.

Tudo o que diz respeito a Deus no mundo real ou é uma fraude, ou uma ilusão. Todas as suas supostas manifestações são fruto da visão deturpada que o crente tem das coisas, quando não da sua própria ignorância. Uma e outra imprescindíveis para que ele continue convencido de que suas orações não estão sendo entregues apenas ao vento.

Anúncios

23 Respostas

  1. […] Parte 2  –  Parte 3  –  Parte 4  –  Parte 5 […]

  2. Barros, por que vc tem um blog? eu SOU ATEU, não tenho dúvidas quanto a isso e, portanto, não necessito de AFIRMAÇÃO.
    Desculpe a intrmissão, mas você não me parece tão certo assim de sua condição, face sua quase obsseção em atacar os crentes.
    Por que isso, ^por que tanta vontade de autoafirmar? um ATEU de VERDADE não precisa “marcar território”…

    Um abraço

  3. ERRATA: ObsseSSão, com SS.

  4. Já respondi essas perguntas aqui mesmo no blog. Digite na ferramenta de pesquisa “2 perguntas, 3 respostas”, “efeito borboleta”, e “De olhos bem fechados”. Divirta-se.

  5. Cabeção, digamos que você pertença a uma classe de trabalhadores com uma função bem definida na sociedade. Se o sindicato da sua categoria decidisse fazer uma greve, você iria pra rua fazer piquetes, participar das assembleias, das negociações, ou iria à praia e aproveitaria esse tempo de folga pra se divertir com a família? Afinal, o que a sua categoria conseguir com a greve você vai se beneficiar também, certo?

    Barros

  6. Aproveitaria com a família. Sinceramente, não sei se você está tão certo assim da sua condição de ateu.
    um abraço

  7. Aproveitaria com a família… Pois bem. É mais ou menos o mesmo caso aqui.

    Se nós fôssemos colegas de trabalho, a gente se encontraria na rua. Eu indo para mais uma assembleia de negociações com os nossos patrões, para ver se era possível conseguir algum benefício para a nossa categoria; e você indo para o litoral aproveitar esses dias de “folga” ao sol. Você, então, só voltaria quando já estivesse tudo resolvido, para usufruir das vantagens que eu e os outros grevistas conseguiríamos para o grupo.

    Eu estou convencido da minha condição, sim. Mas eu sou o cara da greve.

  8. Cabeção,

    ateu de verdade ? Eu queria muito saber o que faz ou deveria fazer um ateu de verdade. Adoraria que você citasse exemplos, só para esclarecer essa sua afirmação. Imaginando que você seja mesmo ateu ( de verdade,de mentira ou meio ateu ) queria saber se sua postura diante do questionamento sobre sua descrença se limita a dizer, com acanhamento e em voz baixa, que “não tem religião”. Não te censuro. Cada um tem seus motivos, seus medos, suas convicções. Sua missão…

    Me parece que você se sente incomodado; quase envergonhado por um ouvir um ‘confrade’ seu falar o que pensa e ter um blog onde impera a blasfêmia. Não sei se você se lembra ou se importa com isso mas em muitos lugares a mera e simples apostasia já é motivo de muita repressão, pra dizer o mínimo.

    O Barros não fala em seu nome, nem no meu. Nem dos ateus em geral. A opinião dele é própria . A eloquência e a leve acidez marcam sua maneira de se expressar livremente. Não tenho vergonha de dizer que sou fã dos textos dele ao mesmo tempo que não me orgulho de dizer que sou ateu, pois bem sabemos que isso não nos torna superiores. E não penso que o Barros seja pior por escrever bem.

    Além do mais ele já te respondeu. Mas imagino que você não se importanta tanto se eu contribuir mesmo que parece que estou puxando o saco dele.

  9. Se, após a morte, tudo acaba, e eu seri uma massa podre, faço a pergunta inversa: e ANTES do nascimento, no momento EXATO da concepção óvulo-sêmen, eu já era eu? e o Barros, já era o Barros?

    Não sei se você já escreveu sobre o tema, Barros, gostaria de ler algo seu sobre esse assunto: ANTES do nascimento, n´so já somos nós?

  10. Fernando, muito obrigado (pela parte que me toca… Rsrs). Você disse tudo: eu não estou aqui escrevendo em nome de ninguém. Escrevo minhas opiniões e elas são minhas. Faço isso porque quero e porque posso. Em certos lugares, justamente por conta da religião, isso não seria possível. E acho que a única vítima das minhas supostas ofensas é Deus. Se ele nunca se manifestou para expressar seu descontentamento, não admito que ninguém tome as dores por ele.

    Questionador, esse tópico que você abordou é digno de um filósofo. E mesmo eles divergiam sobre esse tema. Eu nunca filosofei nesse nível. Talvez algum dia me sinta seguro para escrever alguma coisa sobre.

    Abraço a todos!

  11. Barros,

    Por que minha pergunta é digna de filósofos? Ela, a pergunta, é bem clara, aborda a MATÉRIA – sêmen, óvulo, feto, criança, adulto, cadáver.

    Você, que baseia seus textos no MATERIALISMO, deveria estar PRONTO a respondê-la SEM transferi-la aos filósofos…

    Aliás, gostaria que o Fernando se manifsetasse também sobre minha pergunta. Ei-la:

    Se, após a morte, tudo acaba, e eu seri uma massa podre, faço a pergunta inversa: e ANTES do nascimento, no momento EXATO da concepção óvulo-sêmen, eu já era eu? e o Barros, já era o Barros?

  12. Então vamos lá. No momento exato da concepção, você, como todo mundo, era apenas uma célula resultado da fusão de duas outras células muito especiais chamadas gametas. Você não era um ser humano, muito menos você era você. A questão de exatamente quando aquela célula especial passa a ser um ser humano ainda está em aberto, mas o fato é que, no ato da fecundação, não é.

    Eu, hoje, não sou a mesma pessoa que eu fui há, digamos, vinte anos. Aquela pessoa de vinte anos, sob determinado ponto de vista, já não existe, pois eu assumi o seu lugar. Daqui a mais uns vinte anos eu também não vou mais existir como sou hoje, ou seja, a pessoa em que eu vou me transformar vai ter muito de mim, mas será tão diferente de mim como eu sou diferente da pessoa que fui há vinte anos.

    E quando eu morrer, eu vou ser cremado. Você vai ser apenas uma massa podre. Isso é fato. É por causa disso que pessoas querem acreditar que são mais do que apenas matéria. Mas sonho é sonho.

  13. Obrigado pela resposta. Você há de concordar que é, no mínimo, curioso, que, entre tantas transformações surja algo denominado VIDA, nas suas mais variadas formas…
    Será, mesmo, que creditar tal particularidade ao acaso é o caminho?

  14. Não. Na verdade, eu acho que o melhor caminho é imaginar que uma criatura incrivelmente poderosa resolveu fabricar um universo infinito com propósito de nos criar para que a gente pudesse participar de uma gincana em que o prêmio é passar toda a eternidade “adorando” ele, por ele ser assim tão fodão.

  15. Questionador,

    não vou responder a pergunta propriamente dita mas vou me manisfestar acerca de sua proposição de que o “acaso” não é o caminho…

    Bem, aparentemente você quer mesmo partir para a eterna questão sobre a origem de universo e da vida. Vou assumir que você esteja aqui para defender a princípio filosoficamente a tese da necessidade de intervenção e consequente criação divina como bem narra o Gênesis na Bíblia. Ao meu ver as falhas nas explicações sobrenaturais, inclusive sobre a origem de tudo são tamanhas e tão diversas que o apelo à Filosofia é imprescindível. É bem comum o emprego indecoroso de afirmações científicas para desesperadamente tentar atribuir valores ao discurso dogmático. Ainda hoje o uso de argumentos falaciosos chega a ser vergonhoso e persiste em existir pois o jogo de palavras nos ouvidos (e mentes) menos treinados e críticos pode soar muito bem e acabar por coincidir com necessidades reais. Essas questões são muito amplas e podemos trilhar pelos mais diversos caminhos e eu( e tantos outros) vou invariavelmente tentar desqualificar todas as interpretações teítas para as coisas. O atual momento histórico de conhecimento e tecnologia que vivemos nos mostra que o enredo nas justificativas divinas não muda muito e padece muito de objetividade. Embora eu reconheça que a esperança, travestida de fé (não necessariamente religiosa) seja algo intríseco do ser humano, vejo também que o crédito que as pessoas ainda dão às alegações não naturais tem uma tendência a falência a longo prazo. Não uma prova disso mas um indício dessa inclinação em direção a secularização é a aversão que se tem hoje em dia pelo mundo afora das interpretações fundamentalistas dos livros sagrados. A ciência e o progresso podem não garantir a felicidade plena mas fazem sua parte.

    Eu, do alto de minha descrença posso muito bem blasfemar que Deus não morreu mas está cada vez mais frágil. Esses tempos modernos de acesso a tanta informação ‘conflitante’ me mostram que mesmo com o medo do desconhecido as respostas mais razoáveis tendem a ser as mais racionais de modo que as prometidas recompensas para os crentes não me convencem e a idéia de pecado me remete a refletir como Deus é fragilmente humano.

    Não precisei muito da Filosofia para conceber minha descrença. Essas “coisas” acontecem naturalmente e se quiser desdenhar do criador do universo posso muito bem atribuir a ele tudo que eu bem quiser. Os cristãos por sua vez, adoram ver falsas simetrias onde não existem preto nem branco, mas só cinza. No mundo imaginado por muitos, o bem e o mal carregam o obscurantismo moral que tem previsão de acabar junto com o temido juízo final. E de acordo com a lenda, eu posso escolher de que lado quero ficar… No conceito puramente humano que nos foi permitido alcançar esses julgamentos sumários nos faz entender que a luz do entendimento deve se pautar na razão e não na ilusão. Por conta das supostas inspirações divinas se comete injustiças irreparáveis e a desculpa de que Deus escreve certo por linhas tortas não convence todas as vítimas.

    Mas eis que as religiões e os auto proclamados profetas ainda controlam massas e subjugam multidões pois no atacado as mentes se sentem mais protegidas. Todos se dizem livres, mas desejam ser ‘libertos’ e perdoados. Ao cultuarem a culpa pagam o preço injusto da escravidão . Quem sou eu para duvidar de que são felizes…

    Bem sei que abordagens vagas como essas podem soar como tão subjetivas como as questões que me proponho a atacar mas fui propositalmente disperso e desordenado. Do contrário o insulto iria correr solto pois o que não faltam são coisas más para associar ao tal de Javé, seus fiéis e suas idéias…

  16. Será que, no seu íntimo, naqueles momentos de VOCÊ com VOCÊ mesmo (todops temos tais momentos), JAMAIS houve o MÍNIMO questionamento acerca da matrialidade da vida?

  17. Questionador,

    por ter sido criado num ambiente católico, e exclusivamente por causa disso, meu modo de pensar sobre algumas coisas sim, foi se moldando em função da influência dessa doutrina…

    Mas aí que reside a fragilidade da fé (nas coisas). Bem como os pensamentos, desejos e tantas outras formas de emoção, a crença ou o crédito que damos às informações que nos são passadas são eventualmente substituídas por outras ou simplesmente deixam de existir. Nessa dinâmica sem fim certas reflexões se refinam bem mais do que outras. Por exemplo, na minha opinião, no campo das idéias sobre o transcendente tudo que podemos concluir é que tais “coisas” são inalcansáveis por maior que sejam os nossos esforços. Para piorar, a própria fé religiosa tem o agravante dos dogmas que mostra a necessidade da imposicão dos conceitos.

    Nesse meio tido como espiritual temos muitas explicações, divergentes por sinal, mas todas implicam em decisões de que vamos aceitá-las ou não, por motivação emocional. Ou seja, somos emocionalmente suceptíveis a subjetividades que não deveriam deveriam nos nortear tanto. Muitos acabam acreditando em supostas verdades por que elas são muitíssimo convenientes embora não haja explicação razoáveis para tal.

    Mas agora criticando essa sua afirmação sobre os nossos “momentos de intimidade”. Você está sugerindo que então, em razão da dúvida sobre o tão e tão distante imaterial, deve-se dar chance a ele sim. Eu vou dizer que essa fé é um produto dos seus desejos e emoções e você vai dizer que ela é muito mais do que isso. Você vai tentar provar pelos mais diversos meios que essa sua verdade procede ( … ) e vai falhar. Nesse embate teremos provavelmente dois autodeclarados vencedores. Cada um com seu prêmio favorito…

  18. Meu pseudônimo, Fernando, é QUESTIONADOR. Portanto, aqui, eu QUESTIONO, nada concluo. (“Só sei que nada sei”).

    Se a questão é aceitar verdades, você concorda que nem cristãos nem ateus a tem?

  19. Questionador,

    não acredito que exista uma única questão muito menos que “a questão” seja aceitar verdades. Se formos olhar por esta lógica simplista e ilusória eu já não concordaria com ela. E supondo que você seja um cristão ( de verdade… ),te vendo afirmar que os cristãos não tem a verdade é como te ver descendo alguns bons degraus da sua fé dogmática. Não sou idiota de imaginar muito menos afirmar que vocês acreditam que podem viver de luz divina mas sei que muitas crenças podem acabar sendo muito abaladas e portanto diminuídas a medida que são substituídas por outras percepções da verdade e/ou realidade.

    Sobre seu pseudônimo, sempre assumindo que você seja um cristão ( de verdade ou não ) , não penso que seja o mais apropriado o de alguém que questiona [ tanto ] . Numa situação hipotética de te ver fazendo certos questionamentos diante de um padre ou pastor, não seria surpresa se esses religiosos ficassem no mínimo desconfortáveis depois da ousadia .

    E sobre mim e tantos outros ateus, não existe uma preocupação sobre aceitação de verdades. As “verdades” podem ser e muitas vezes são passageiras . Mas nem por isso deixamos de dar muito mais crédito para as coisas mais razoáveis e racionais que sujeitas a mudanças.

    Se a questão é ser pelo menos justo, você concorda que julgamentos que tem viés, influência ou melhor dizendo, contaminação de reflexões religiosas tendem a ser impuros ?

  20. No final do penúltimo parágrafo onde se lê … ” razoáveis e racionais que sujeitas a mudanças ” considerem que seja ” razoáveis e racionais MESMO que sujeitas a mudanças “.

  21. Afirmar que os cristãos não têm a verdade sob sua custódia vai tornar você mal visto na sua congregação, uma vez que uma das frases feitas preferidas dos cristãos é que Jesus é a Verdade, com V. Aliás, se tem uma coisa em que os religiosos são bons é justamente em inventar verdades.

  22. A maioria das pessoas que trabalham comigo são ‘crentes’, mas cada uma delas são de denominações diferentes.

    Um dia um deles fixou um assunto da bília para ser discutido. Todos toparam. O resultado? Não houve consenso. A discussão parecia com aquelas brigas de família na hora de repartir herança.

    Ouvi muitos ”deus disse”, ”deus não disse”, ”esta errado”, interprete direito”, ”você não conhece a Deus”, ”vai se converter”, ”só o espírito santo pode fazê-lo entender a palavra de Deus”.

    Essa situação é coerente com tudo quanto você escreveu nas primeiras linhas do texto. :)

  23. Moisés, o tempo todo eu jogo isso na cara dos crentes que vêm discutir religião comigo e, acredite, eles não concordam que essas “primeiras linhas do texto”… Rá-rá-rá! Só rindo mesmo…
    Abraço

Deixe um comentário:

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: