O Alquimista ~ 2 ~

o diário de um mago

Antes da publicação de O Diário de um Mago, que foi o que lhe tornou visível ao leitor brasileiro, Paulo Coelho já havia publicado três livros: O Teatro na Educação, Arquivos do Inferno e Manual Prático do Vampirismo. O primeiro relatava sua experiência ministrando cursos de teatro para estudantes e professores de umas poucas cidades do Centro-Oeste, período em que ele usou seus alunos como cobaias involuntárias para seus experimentos de magia negra, enquanto ainda estava ligado à Ordo Templis Orientis, “uma seita de cunho maçônico, místico e mágico”, segundo sua biografia. Arquivos do Inferno era apenas uma coletânea de textos sobre temas dos mais diversos (exceto o Inferno), incluindo um plágio completo que ele fez de um outro autor. Já o Manual Prático do Vampirismo foi escrito a quatro mãos, mas nenhuma delas era de Paulo Coelho, que pagou a um amigo chamado Toninho Buda, que depois viria a se tornar seu escravo, para escrever os cinquenta por cento que lhe cabia na obra.

Nenhum desses livros deu a menor pinta de que Paulo Coelho veria seu sonho de se tornar um escritor famoso algum dia realizado. Decepcionado consigo mesmo, ele resolveu tirar umas férias prolongadas pela Europa, e foi lá, durante visita a um campo de concentração nazista na Alemanha, que lhe apareceu pela primeira vez a misteriosa figura de seu mentor espiritual; aquele que o iniciaria na ordem religiosa secreta chamada RAM, e ao qual ele sempre se referiu apenas como o Mestre.

Foi seu mestre que lhe ditou uma série de tarefas a cumprir, as ordálias, após o que ele se consagraria mago. Dentre essas tarefas, estava aquela que iria mudar sua vida para sempre: ele teria que percorrer a pé o Caminho de Santiago de Compostela, que liga o sul da França ao noroeste da Espanha, tendo como missão encontrar uma espada que seria escondida em algum lugar dos setecentos quilômetros por onde é feita a peregrinação hoje mundialmente famosa.

Paulo Coelho percorreu o Caminho, embora não completamente, achou a espada e sagrou-se mago pela ordem RAM. Algum tempo depois, ele escreveria um livro contando essa aventura que seria intitulado O Diário de um Mago, que só então lhe concederia autorização para se apresentar como  escritor.

Entretanto, foi com o livro seguinte, O Alquimista, que ele finalmente teve atendidas suas orações que, ao longo de sua vida, dirigiu ora para Deus, ora para o Diabo.  

E como esse já vendeu mais de sessenta e cinco milhões de cópias em todo o mundo, acho que não vai fazer diferença se algumas centenas de exemplares não saírem das livrarias por causa desse meu resumo.

  Um pobre pastor de ovelhas passa a noite com seu rebanho numa igreja em ruínas numa cidadezinha da região de Andaluzia, sul da Espanha. Ele tem um sonho no qual lhe é revelada a presença de um grande tesouro enterrado junto às pirâmides do Egito. O pobre pastor decide, então, vender suas ovelhas, deixar tudo o que tem na vida para trás e ir em busca do seu sonho.

Durante sua jornada por terras estranhas, ele conhece vários personagens que lhe servem de inspiração, ou que o ajudam de alguma forma, ou que apenas lhe põem no caminho certo. Quando, enfim, ele chega ao seu destino e já está escavando a areia em busca do seu prêmio, é surpreendido por um homem que quer saber o que ele está fazendo ali, no meio do deserto, cavando um buraco.

Ao contrário do que qualquer um poderia esperar, ele conta a verdade: estava procurando por um tesouro que lhe foi revelado num sonho. O homem ri da sua tremenda estupidez, e até conta que ele mesmo havia sonhado com um tesouro enterrado numa igreja em ruínas na região da Andaluzia. Mas, claro, ele jamais teria sido tão idiota a ponto de largar tudo para ir ver se o sonho seria mesmo verdade. O pastor volta para sua terra natal, vai até a igreja do início do conto, e lá encontra o seu tesouro.

É isso. Uma fábula até bonitinha, eu achei. Se você quiser ver como ela fica horrível, é só ler o livro que transformou Paulo Coelho num dos escritores mais famosos e mais lido do mundo.

 

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8 Respostas

  1. Caro Barros, eu lhe sugiro percorrer a pé o Caminho de Santiago de Compostela. Só por garantia.
    Por curiosidade eu fui ler uma obra de Paulo Coelho pra entender o porque dele vender tanto. Não consegui passar da primeira página de ”Brida”. E também não consegui entender porque ele vendeu tantas palavras grafadas.
    Vai ver é mesmo o poder oculto do Caminho!

    Abraços!

  2. Márcio, rapaz, pra mim não dá. Rsrsrs Eu sou um Mago pobre…

    Paulo Coelho pôde se dar esse luxo porque ele, na época, tava ganhando rios de dinheiro devido à parceria com o Raul Seixas.

    Mas meu projeto de ter um livro publicado não vai ficar eternamente engavetado…

    Abraço!

  3. Márcio, eu lembrei que, na biografia, é mencionado que Paulo Coelho teve dois livros muito bem acolhidos pelos críticos brasileiros, que sempre foram implacáveis com ele: O Demônio e a Srta. Prim e Veronika Decide Morrer.

    Pretendo ler, pelo menos o primeiro.

  4. Mas o legar tá acontecento lá no RJ. a mulé meteu uma de racismo numa concessionária. Tu vê. Negrinhos de favela já andam no sapato; a mulé mi entra com um guri todo mal malvestido na loja e arruma um fuzuê dus inférnu. Vou botar aqui um especialista na situação:
    Triguin tá aqui. Triguin é de favela: Fala aí: “Brow, na mó, tá meteno di levantá uma grana pá pagá as multa du genoíno (o deles, RÔBÁDU, é “sargradu”, num vaoum dervolvê naum)”. É ISSO? “Tein mais, si num fô petista ‘arrumânu’, é parênti di pastô irvangélicu metenu gólpi na praça”. E a galera vai ver? “Inquânu a rênti fica tudo bobádu cum erssa, eis gânha nu móli”. “Erssa daí vai gânhá árté uma viargi pá vê u Orbama, meteu benzão, na careta”.

  5. Milba,

    Sou de esquerda e apoio o governo situacionista,sem que isso me deixe cego.Sei que há problemas seriíssimos na atual gestão mas a considero infinitamente melhor que a do sociólogo.A imprensa torna o que é bom,ruim e o que é ruim,péssimo.
    Sua escrita lembra a do também sociólogo Glberto Felisbrto Vasconcellos,muito intensa e célere.Outrossim,respeito a sua opinião e acho que em determinados assuntos você tem lá suas razões,mas,em relação ao episódio citado em seu último comentário,creio que você se tenha equivocado.

    O racismo é real,tenha certeza disso.

    Sem mais pois este não é um espaço de política partidária e acho que não nos devemos aprofundar neste assunto.

  6. […] aceito? A resposta, eu suponho, está diretamente vinculada à essência do livro, que eu resumi em três parágrafos. A fábula na qual ele se baseia é bem cativante. E talvez seja essa essência que cada leitor […]

  7. […] O Alquimista ~2~                                                  O Alquimista ~fim~“ […]

  8. […] O Alquimista ~ 1 ~ |… em O Alquimista ~ 2 ~… […]

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