Qual o sentido da vida? (parte 3)

chuva

 

Onde você estava na manhã de 5 de fevereiro de 1812?

É uma pergunta bem estranha, mas a resposta que você dará a ela pode mudar o modo como compreende sua própria vida. No caso de você achar essa pergunta absurda e fora de propósito, eu fortemente recomendo que não perca mais tempo lendo esse texto, porque ele não tem o poder para convencê-la de nada, nem para obrigá-la a trilhar um caminho que você não quer percorrer. É preciso uma certa confiança, um que de entrega e de abandono, como se você estivesse presa num labirinto gigantesco, e eu estendesse a mão e dissesse: “Vem”. Enquanto você me acompanhar, e enquanto puder resistir à curiosidade de me perguntar se eu realmente sei como encontrar a saída, eu lhe asseguro que você estará caminhando para a liberdade.

Então eu repito a pergunta, e quero que você se esforce ao máximo, que use toda a sua capacidade intelectual e toda a sua vontade, para honestamente tentar me dar uma resposta:

  Onde você estava na manhã de 5 de fevereiro de 1812?

Era uma quarta-feira.

Se você foi honesta, terá respondido algo como “Eu não estava em lugar algum”, ou “Eu ainda não existia”. Mas se por uma fração de segundo vacilou na sua honestidade, é provável que sua fé religiosa tenha serpenteado ardilosamente por entre os seus pensamentos, e contaminado sua conclusão com um aparentemente inofensivo “Eu não sei”. Uma recusa padrão em admitir o óbvio, ao mesmo tempo em que instila em sua lógica o veneno infeccioso que lhe embota a razão, acenando com a probabilidade ridícula de que, talvez, você pudesse mesmo estar em algum lugar.

O irônico daquela pergunta é que ela poderia ser modificada para “Onde você estará na manhã de 5 de fevereiro de 2212?”. Não por ser também uma quarta-feira, você se veria tentada a dar praticamente as mesmas respostas: “Eu não estarei em lugar algum”, ou “Eu já não mais existirei”. Entretanto, nesse novo cenário, a sua doutrinação religiosa se movimenta como uma rainha por um palácio. E não mais intimidada a lhe sussurrar coisas por detrás das portas do seu subconsciente, agora ela se impõe e subjuga seu raciocínio, de forma a logo afastar do seu pensamento semelhantes asneiras. Porque foi justamente para isso que ela foi inventada: para lhe dizer onde você passará os seus dias, eternidade adentro, depois que tiver superado esse detalhe inevitável da nossa existência a que chamamos de morte.

Mas toda essa ladainha foi, na verdade, apenas um introito. Isso porque a pergunta com a qual eu deveria ter começado é tão simples quanto terrena, e não teria ela o poder de enlevar o seu “espírito” a ponto de lhe conduzir aos pináculos etéreos de dimensões mágicas indizíveis, sobre as quais a sua religião alega ter conhecimento, além de uma certa jurisdição.

Foi preciso deixar que você fosse invadida por esse sentimento de infinitude, para, só então, fazer a pergunta que irá lhe revelar o verdadeiro sentido da sua existência. É a resposta que você vai dar a ela que vai lhe assombrar por noites a fio, até que você consiga esquecer a pergunta, ou esquecer a resposta, ou mesmo esquecer que qualquer que fosse a resposta, ninguém poderá jamais resgatá-la desse labirinto. E não porque ninguém sabe a saída, mas por causa dessa constatação que nos tem inspirado a inventar tantos deuses e tantos paraísos: não há saída.

A pergunta que realmente vai lhe derrubar das nuvens é essa: “Onde você estava na manhã de 5 de fevereiro de 2012?”

Era um domingo.

 

 . 

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27 Respostas

  1. No to difcil de lembrar, por

    Em 4 de fevereiro de 2013 09:35, “DeusILUSO”

  2. Não foi tão difícil de lembrar, porque eu tiro muitas fotos com datas e procurei a mais próxima do dia 052. Encontrei uma de 122, na Quinta da Boa Vista por ocasião do 1º encontro dos ateus, que foi domingo também. Eu já havia sido informado com antecedência do tal encontro e nesse domingo, lembro que andei preparando o meu discurso para o evento. Fiz isso logo depois do almoço, porque de manhã fui à praia do Flamengo pegar um bronzeado com a minha mulher. Era quase uma rotina isso, porque ela trabalha a semana toda. Vai fazer um ano amanhã. Não tenho a foto da data, mas tenho do domingo posterior que me ajudou a lembrar. Está à disposição.
    E agora? E daí?
    abç

  3. A contra barra que separa o dia do mês na data, não saiu na mensagem acima. Não tem como corrigir nem apagar. Foram 05-02 e 12-02 ambas de 2012.

  4. eu estva em algum dos meus ancestrais, DNA… para estar aqu hone e agora … e esse ancestral meu deve ter passado por poucas e boas situaes durante seu longo percurso que nosso DNA… obrigado meus ancestrais!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  5. Oi Barros
    Vou ter que discordar em parte de você e concordar com Deni Costa aí em cima.
    Em parte, pois eu, objetivamente falando, não estava em lugar nenhum, mas alguns dos átomos que viriam a me formar já estavam dispersos no mundão, parte nos engenhos da Bahia, parte na região pobre de Nápoles. Antes disso, além da parte que estava na África,não sei…rsrsrs
    Mas o dia 05 de fevereiro do ano passado é fácil. Estava em casa.
    Agora estou esperando curiosa a conclusão dessa charada.

  6. Eu começo a escrever a parte 4 ainda hoje, mas não acho provável que possa publicá-la amanhã. No entanto, a construção do argumento me dá tanto prazer quanto ver pronta a conclusão, que é a única coisa que eu tenho pronta quando começo a escrever uma nova série.

  7. Pô!! o Barros estraga brincadeira meu!!!! eu queria tanto continuar!!
    Caramba meu coração não aceita o que a razão diz!!
    Há uma luta dentro de min : Coração X Razão
    E porque sera que as razões do coração parecem ser mais confortante ao passo que caminhar na razão parece tão frio e solitário.
    E agora quem me responderá isto?! rrrrsss

    (O chapolim colorado?! rrrsss)

  8. Alfredo, eu gostei da foto como “prova”. Vai ser uma fonte de inspiração para compor o argumento no qual estou trabalhando.

    ADAMANTDOG, não vou dizer que “a ideia é essa”, porque não é. Eu só estou me valendo do blog para materializar um pensamento que me ocorreu há cerca de, vixe!, já nem me lembro mais! Dois anos atrás, eu acho.

    O interessante — o mais interessante que eu acho — é que, como eu gosto de escrever, e como eu quero ser um escritor, não necessariamente um bom escritor, ou um escritor famoso, eu sinto muito prazer em passar esses argumentos para esse “papel eletrônico”. E esses dias, enquanto eu escrevia a série As Sacolas de Sofia, eu senti pela primeira vez algo que eu pensava que era invenção, ou exagero, de escritores consagrados: chega um momento em que o autor é sequestrado pela própria história que escreve, e os personagens parecem ter vontade própria. É algo fascinante, e eu quero sentir isso de novo.

    O problema é que meu chefe acabou de me telefonar me cobrando um parecer que eu deveria ter aprontado em agosto do ano passado, se não tivesse engavetado o problema sem querer. Agora a coisa complicou e praticamente virou assunto de Estado, rsrsss. Resumindo, eu só vou poder voltar a filosofar o suficiente pra escrever a continuação quando finalizar esse parecer.

    Shirley, quando eu era adolescente, eu me viciei nos livros de Conan Doyle. Quando digo “me viciei”, entenda literalmente. Quem dera eu pudesse despertar nos meus leitores tal sensação de dependência!

    Espero estar de volta em dois ou três dias.

  9. Conheço evangélicos, conheço espíritas, conheço católicos, conheço os que não têm religião mas acreditam em Deus. Conheço, enfim, muita gente. Estou apto, portanto, a formular uma indagação.

    Ei-la: Por que ateus – PRINCIPALMENTE O BARROS – dedicam tanto tempo, mais até do que qualquer cristão, a falar de Deus?

    Freud explica….

    PS: Barros, você TEM CERTEZA de que é ateu mesmo?

    Faça um blog sobre o Saci-Pererê, acho que você vai sofrer mesnos com suas contradiçoes….

  10. Assim que o Saci Pererê tiver um bando de gente achando que ele existe e seguindo uns tantos supostos ensinamentos que ele inspirou alguns de nós a escrever, pode apostar que eu vou fazer um blog falando mal dessa crença idiota e dessa adoração ridícula a um ser imaginário.

    Se quiser ler mais, já escrevi um texto com a resposta completa: Por que um ateu fala tanto em Deus?

    E se você for o Luciano Ayan, pode escrever seu nome aí. Não é vergonha visitar um blog ateu não. Vergonha faz é se disfarçar de ateu pra criticar os ateus.

  11. Eu não sou o Luciano. Sabe por que me disfarço de ateu? Porque você se disfarça também… Freud explica essa sua obsessão.

    Acabei de ler a sua “explicação”. Muito simplória, NÃO EXPLICOU nada… só DISFARÇOU o que VOCÊ sabe: Você é MAIS CRISTÃO que muito religioso por aí…

  12. Chama, no texto rídiculo de tão inconsistente, todo cristão de imbecil. Em outras palavras: GENERALIZA. Coisa de amador mesmo, que NÃO tem argumento, generalizar nesse texto – “Por que um ateu fala tanto em Deus…”

    Absolutamente simplório. O cara NÃO tem a resposta e sai “enrolando”…

    Sou cristão e NUNCA fui obrigado a NADA. JAMAIS dei um centavo de dízimo, e NUNCA fiz proselitismo. Tanto é verdade que, só aqui em minha casa, convivem PACIFICAMENTE evangélicos, espítitas e ateus. SÓ isso DERRUBA seu “argumento”.

    O fato de guerras terem sido feitas em nome de uma religião. Sim, foram feitas muitas sim.

    Então, diante da IMBECILIDADE do seu “argumento”, é possível afirmar que, se eu QUEIMAR uma pessoa com um ferro de passar de roupa, a culpa é do ferro?

    Ora, Barros, NÃO subestime a inteligência dos seus leitores…

  13. “E se você for o Luciano Ayan, pode escrever seu nome aí. Não é vergonha visitar um blog ateu não. Vergonha faz é se disfarçar de ateu pra criticar os ateus.”

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk!!!!!!!

    Em fantasmas Ele acredita…

  14. Tenho ou não razão? Fiz várias provocações. E o que obtive de resposta? NADA.

    Sabe aquele time de futebol que, diante do domínio adversário, só sabe dar chutões para frente, à media que toma um gol atrás do outro?

    Analogia perfeita para os textos do Barros.

    Barros É, sim, um cristão, mais do que qualquer evangélico, católico ou espírita. Aliás, TODO ateu é um enrustuido.

    Sabe os valentões que agridem -lamentalvelmente, homossexuais? Na verdade,são gays, mas LUTAM contra essa condição – e extravasam condição agredindo os iguais a eles.

    Outra analogia que conceitua o Barros – um CRISTÃO enrustidíssimo.

    PS: Meu nome NÃO é Luciano.

    Vai uma dica para descobrir minha identidade: meu nome contém algumas das 26 letras do alfabeto… rsrsrsrs

  15. O Barros só se expõe dessa forma porque tem uma pá de imbecis que pensam que o assessoram, numa legítima “causa”; causa essa que causa muito desconforto diante da humanida (zinha) brasileira. Você, por exemplo, respeitaria um homem que defendesse ALFREDO e SHIRLEY?
    Barros, reveja seus conceitos, do contrário essas bactérias irão, aos poucos, acabar contigo. Gostaria de vê-lo combatendo, até mesmo seus podres súditos, e não se engane: Eles mesmos irão acabar contigo! Ser ateu é tão de direito quanto ser viado ou sapatão. A problemática consiste em eles e elas quererem fazer de você um neoateuzito do caralho, quando você, humildemente, já declarou que quer ser um escritor. E você é, amigo. Só aprenda a separar o joio bichona do trigo hipócrita. Seja um escritor e esqueça tais idiotas que nem sabem do que estão falando. Foi assim que todo o povo alemão aderiu à uma causa que tinha, por trás, um ódio pelo ser humano.

    Ainda acredito em você. Quanto ao “súditos”.que se fodam! Seja o Barros, o escritor!

    Abraço!

  16. E ATEU mesmo,

    Que porra é essa, cara? Por que Barros o confundiu com o Luciano? Você conhece o Luciano? (só para saber)

    Deixem o Barros em paz. Se há erros, sejamos sábios e tentemos estar ao lado de uma pessoa rara que assumiu – HUMILDEMENTE – que quer ser escritor.

    Não mando abraços porque é coisa de viadão; e beijo porque é coisa de viadão assumido. Mas respeitem o ESCRITOR. Mando sorte, com preservativos.

    Aqui é boa noite! :p

  17. Sou cristão e NUNCA fui obrigado a NADA. JAMAIS dei um centavo de dízimo, e NUNCA fiz proselitismo

    Então torce pro teu Deus não existir mesmo, porque, do contrário, tu vai pro Inferno comigo!

  18. Zé, o meu livro vai demorar uns cinco anos pra sair, mas eu ainda vou estar por aqui pra divulgar… Só acho difícil que vocês ainda estejam me visitando por esse tempo… Rsrs

  19. “Zé, o meu livro vai demorar uns cinco anos pra sair, mas eu ainda vou estar por aqui pra divulgar… Só acho difícil que vocês ainda estejam me visitando por esse tempo… Rsrs”

    “Senhor” Barros, eis aí a sua virtude. Enquanto escritores correm para ganhar notoriedade e barganharem uns trocados, pegando carona nessa “bossa nova neoateísta”, você diz, publicamente, que não estaremos mais aqui. Vejamos: ” Só acho difícil que vocês ainda estejam me visitando por esse tempo… Rsrs” (5 anos)

    Sinceramente. Mui honestamente: Você acha mesmo que seu livro demoraria 5 anos para ser publicado? Ok. Pode ser. Mas… como assim não estaríamos mais visitando tal espaço? Quem, exatamente, não estaria mais aqui? Vossa mãe? Os crentes? O Papa? Os Pais-de Santo?; Kardecistas? Umbandistas? Católicos? Ah!!!! Quem sabe um ser nojento e não-ateu que odeia a raça humana? Já me falaram que neo-ateus têm problemas, mas você, como futuro escritor, deveria fazer a diferença.

    EU digo que NÃO existe homem ateu! Éeeeeeeeee!!

    Sim, alguns se degeneraram; outros se distanciaram; muitos se elevaram econômica e politicamente. No entanto, depois do holocausto, acho quase impossível repetirmos tamanha disseminação humana. A menos que os pós-humanistas tragam uma boa proposta de mudança, ficará no ar qual a verdadeira intenção dessa nova religião. E, estamos todos de olhos abertos. Publique seu livro, mas sem influências bélicas. Acho que você sabe que, em toda fomentação bélica, o lado perdedor é apanhado porque, ainda mais sendo escritor e divulgador de novas doutrinas perigosas in letras, a coisa fede. Caso percam, serão, infelizmente, os primeiros presos políticos.

    Que saibamos usufruir a pouca democracia que ainda nos resta. Pense, antes de declarar sentenças, tais como: “Só acho difícil que vocês ainda estejam me visitando por esse tempo… Rsrs”

    Logicamente, estaremos esperando uma boa resposta de um bom escritor; e um filósofo, que é como o vemos. Publique seu livro imediatamente, já que material bom não falta.

    Vejo em você muito mais coisas, muito mais filosofia, e muitos questionamentos que deveriam ser levados mais a sério.

    Parabéns, pois viver a experiência com personagens, como você teve, ou seja, se você, escritor, sentiu-se ‘perseguido’ por suas personagens (As sacolas de Sofia), digo que, por mais que tenhas ideologias, ouça os personagens. Quando li isso, decretei, em meu interior, que estava diante mesmo de um verdadeiro ESCRITOR. Todavia, nem todos os personagens precisam ser ateus hihihiiihih!

    Só quem tem tal dom, sabe do que se trata ser perseguido por personagens.

    Abraço, escritor. E muita sorte. e 5 anos é demais!

  20. Barros:

    “Sou cristão e NUNCA fui obrigado a NADA. JAMAIS dei um centavo de dízimo, e NUNCA fiz proselitismo”

    Onde e quem escreveu isso?

  21. Eu dupliquei esse comentário aqui, mas ele tá lá na parte 3, em resposta ao Ateu mesmo.

    Muito grato pelas suas considerações acerca do meu futuro literário.

  22. Ah, sim. Desculpe-me, Barros. Só não entendi o itálico, mas deixa isso pra lá. Coisas de escritor.

  23. O itálico foi só pra enfeitar mesmo. Sem ironias…

    Grato.

  24. Zé do apocalipse kkkkkkkkkkkk personagem do Glauco, ta achando qeu os ateus são iguais aos nazistas se tomarem o poder vão colcocar os crenes em campos de concentração kkkkkkk

  25. ADAMANTDOG:

    “Zé do apocalipse”

    Oi, cara ou caro: Barros é uma proposta na literatura.

  26. “Sou cristão e NUNCA fui obrigado a NADA. JAMAIS dei um centavo de dízimo, e NUNCA fiz proselitismo”

    KKKKKKKKKKKKK

    Nunca foi obrigado? Ele(a) pode “nunca ter obedecido”, mas “obrigado” foi sim!!! hehehehhehehe

    Ou existe alguma classe de cristão que não precisa seguir “as ordens” da bíblia?
    Pelo pouco que eu sei, cristão é aquele que segue a Jesus (não?), e a mesma coleção de livros que DIZ QUE ELE EXISTE é a que TE OBRIGA A FAZER um monte de coisas (boas ou não tão boaaas)… o que inclui o dízimo no velho testamento, ou pior…… “conforme a sua prosperidade” no novo!!! Não tem para onde correr!

  27. […] Parte 3 […]

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