A Teoria do Barro [Republicação]

Não aparece na capa, mas há um subtítulo para esse livro: “por meio da seleção natural”. Eu menciono isso para poder explicar, de uma forma bastante superficial, o que é mutação, o que é seleção natural, e o que quer dizer, de fato, o título da obra que foi o “Gênesis” de uma das mais brilhantes teorias científicas do nosso tempo: A Origem das Espécies, de Charles Darwin.

Chama-se de “mutação” a mudança nas características genéticas de um indivíduo que pode ser repassada aos seus descendentes. “Seleção natural” é o resultado da interação entre os indivíduos que sofreram aquela mudança e o meio ambiente ao qual pertencem.

Tome o seguinte exemplo, irresponsavelmente concebido por mim mesmo. Digamos que, há muito, muito tempo, um indivíduo de uma tribo do deserto do Saara tenha sofrido uma alteração genética que lhe tornou praticamente imune aos danos causados pelos raios do Sol. Esse indivíduo teve filhos, e eles herdaram aquela “mutação”, bem como os filhos dos seus filhos, e assim por diante, de forma que, com o passar do tempo, quase todos os membros da tribo tinham incorporado aquela mutação aos seus próprios genes.

Lado a lado comigo ou com você, qualquer pessoa daquela tribo em particular não teria, hoje, nada de diferente de nós, além das muitas características que distinguem, por exemplo, um japonês de um indiano, um esquimó de um pescador de lagostas no litoral do Nordeste, ou um carioca de outro carioca. A mutação genética sofrida, portanto, não teria feito nem bem nem mal.

Agora imagine que, nos séculos por vir, além da diminuição da proteção atmosférica da Terra, o Sol passasse a disparar uma quantidade mais intensa de raios nocivos ao ser humano. O que poderia acontecer?

Ora, à medida que as gerações se sucedessem, mais e mais pessoas morreriam vítimas dos mais variados tipos de câncer; mais e mais pessoas teriam descendentes com mutações genéticas terríveis que lhes impossibilitariam a sobrevivência; e mais e mais pessoas morreriam cada vez mais cedo na vida, até mesmo antes de terem seus próprios filhos.

Em alguns milênios, se tanto, o nosso planeta não teria mais, em nenhum lugar, seres humanos iguais a mim e a você, com a nossa mesma “carga genética”. Por infelicidade, no caso, nossos corpos não poderiam contar com uma resistência extraordinária aos raios do Sol, exibida apenas por umas poucas centenas de indivíduos de uma certa tribo do Saara. Esses sortudos, mesmo sem precisar se dar conta disso, teriam sido favorecidos por uma mutação genética que, embora aleatória, possibilitou que eles adquirissem a condição necessária para sobreviver no ambiente em que se encontravam, e, mais importante ainda, passar essa característica para as gerações futuras.

Os que não tinham a mesma condição, como eu, você e os seus descendentes, teriam sido extintos.   

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