Blasfêmia (parte 2)

.

Na Arábia Saudita, Irã e Afeganistão, uma pessoa pode ser condenada à morte por heresia, blasfêmia ou simples apostasia, que é a renúncia à fé islâmica (no caso deles). Já em países como Irlanda, Polônia, Grécia, Indonésia e Catar o Código Penal prevê punições, para o crime de blasfêmia, que vão desde multa até 7 anos de prisão. Na Grã-Bretanha, leis desse tipo vigoraram até 2008. 

Por que uma sociedade religiosa deveria se preocupar em fazer leis para punir alguém que já estaria condenado a sofrer um castigo terrível por toda a eternidade? 

Talvez um cristão se aventurasse a responder: “Porque assim está especificado na Bíblia”. Mas a resposta não serve, pois essa ordem divina foi dada juntamente com outras tantas que não são mais obedecidas hoje em dia, por conta da desculpa padrão de que “não estamos mais vivendo sob a Lei, mas sob a Graça”. Isso dando a entender que as “leis” que Deus baixou no Antigo Testamento deixaram de vigorar após a chegada de Jesus Cristo, embora, segundo a mesma Bíblia, o próprio Jesus tenha dito exatamente o contrário.

E isso me faz lembrar que, toda vez em que eu levanto essa questão, a de que Deus deixou ordens expressas para que seus fiéis seguidores matassem os que violassem o descanso sabático, o adúltero, o descrente, etc., invariavelmente a pessoa me abre um sorriso e diz algo como: “Ah, mas isso é o Antigo Testamento!”. E…?? “E” que qualquer um se enrola quando tenta explicar por que essa parte da Bíblia não é mais válida, enquanto outras, do mesmo Antigo Testamento, precisam ser, para que sua própria religião faça sentido, como a Criação, o Pecado Original, os dez mandamentos, o dízimo, etc. 

Se já é difícil os crentes fazerem um ateu engolir a estória de que o Criador do universo lhes deixou um registro escrito de suas vontades, pior ainda será tentar convencê-lo de que algumas dessas vontades não devem mais ser atendidas, embora estejam misturadas com as outras que devem, e de que eles, por acaso, sabem diferenciar umas das outras. Portanto, por uma questão de coerência com a sua própria fé, se você não está disposto a sair por aí matando adúlteros e trabalhadores de fim de semana a pedradas, deixe os blasfemadores em paz também. 

Mas mesmo acatando aquela resposta acima, a de que é Deus que manda punir o blasfemo, eu só precisaria refazer a pergunta: por que Deus incitaria seus seguidores a punir alguém já destinado a sofrer um castigo eterno?

Não sei se outros já haviam formulado essa pergunta antes, muito menos se atinaram com uma resposta para ela. Mas a que eu encontrei é extremamente simples, como toda resposta certa costuma ser.

.

.

Anúncios

Deixe um comentário:

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: