Jesus: a estória que sua mãe não contou

Jesus e os vendilhões do Templo

vendilhões do templo

Mesmo sendo ateu, eu já li mais a Bíblia e conheço melhor a sua história do que todos os meus parentes mais próximos, que não passam de crentes de manada. Numa definição curta, crente de manada é aquele que se junta ao rebanho meio que por fatalidade, meio por conveniência, e segue o fluxo por puro comodismo. Com duas ou três exceções, não ficaria surpreso se meus parentes pensassem que a Bíblia foi ditada dos céus, por Deus, impressa e encadernada no mesmo dia, e doada às Edições Paulinas para cópia e distribuição.

Meus parentes não sabem nada da Bíblia, assim como não sabem nada de Deus, nem de Jesus Cristo. Quando algum deles vem me encher o saco falando de um Deus que é só ternura, ou de um Jesus que é um amor de pessoa, eu imediatamente questiono sobre a origem daquelas considerações:

  — Está escrito na Bíblia.

  — Na Bíblia?? Ué! Onde? 

E aí, se calha de haver uma Bíblia à mão, lá vai a criatura vasculhar o livro atrás do versículo apropriado, como quem procura um brinco dentro de uma fossa. Nesses casos, como a gente já está mesmo com a mão na merda, digo, na massa; eu aproveito e mostro ao infeliz a parte podre do seu mito, à qual ele obviamente torce o nariz e faz caretas de nojo.

Mas não estou dizendo com isso que só a minha família é tapada em assuntos que envolvem sua própria religião. O cristão, quando dispõe de um mínimo de inteligência, descobre que a única maneira de continuar acreditando é não pensar a respeito dos fundamentos de sua crença. Ajuda bastante, então, reunir-se uma vez por semana e ter alguém que leia a palavra de Deus, explicando o que Deus estava querendo dizer quando disse o que disse, através da interpretação que faz sobre o escrito do autor sagrado, que foi quem, afinal, recebeu a inspiração para pôr no papel a mensagem que Deus estava querendo passar. Claro que também ajuda muito não ficar pensando como uma divindade, que pôde construir átomos para montar uma infinidade de galáxias, não teve competência intelectual suficiente para escrever um livro por conta própria.

A ignorância faz parte do sistema de autodefesa inerente à própria fé religiosa. Lembra do episódio dos vendilhões do Templo, em que Jesus expulsa comerciantes da “casa do Pai” a chicotadas? Nos sermões, o padre faz Jesus parecer um herói, porque os evangelhos foram escritos com esse fim. Mas como o cristão iria encarar essa narrativa se lhe fosse tirada a trave dos olhos? 

O surgimento do comércio no Templo de Jerusalém era resultado direto das leis de Deus. Aqueles que adoravam o Deus judaico iam ao Templo oferecer sacrifícios, conforme lhes era imposto pelo próprio Deus, e conforme era procedimento padrão adotado pelos demais deuses à época. Ora, vinha gente de várias regiões, e todos precisavam trocar o dinheiro que traziam pela moeda hebraica, a única aceita no Templo. Logo, era necessário que houvesse quem trabalhasse como “casa de câmbio”, prestando um serviço utilíssimo aos fiéis, uma vez que a peregrinação deles seria arruinada se não pudessem comprar — por não disporem da moeda local — o animal a ser sacrificado. Disso decorre o segundo grupo de trabalhadores que Jesus indevidamente açoitou: os vendedores de animais. Você não iria querer andar quilômetros pelo deserto arrastando uma vaca, certo? Pois é. Os peregrinos compravam a oferenda para o holocausto só após chegarem ao Templo. Ali tinha de tudo: boi, ovelha, bode, carneiro, novilho, e, se você andasse curto de grana, um pombo já quebrava o galho.

Acontece que circulava muita gente no Templo, principalmente na época da Páscoa, quando era preciso encher as narinas sagradas de Deus com fumaça de carne assada, na esperança de que ele se agradasse do aroma, o que seria uma maneira de se ver livre de sua ira pelo resto do ano. Eram os sacerdotes que tomavam conta do Templo, mas era preciso organizar as coisas, limpar os banheiros, cuidar da segurança, e ninguém fazia isso de graça. Deus adorava mandar pragas, mas dinheiro ninguém nunca viu cair do céu. Os sacerdotes passaram, então, a cobrar impostos sobre todas as operações financeiras realizadas pelos cambistas. E assim foi preciso montar uma estrutura para arrecadação, fiscalização, armazenamento e proteção do dinheiro.

Assim, uma rede de trabalhadores dava suporte aos fiéis que vinham ao Templo cumprir ordens expressas de Deus. Aí aparece Jesus Cristo, que, em vez de aproveitar a oportunidade para acabar com aquele ritual imbecil, nada mais fez do que dar um chilique e açoitar um bando de gente inocente que trabalhava para ganhar o pão com o suor do próprio rosto, como, aliás, o pai dele os tinha amaldiçoado.

 

Anúncios

14 Respostas

  1. Otimo texto Barros
    o que acontece é que o Jesus da biblia é bem diferente do Jesus da imaginaçao das pessoas! A ilusao é melhor do que a realidade!
    Para o cristao Jesus é perfeito, è o Deus que eles desejam que exista Na verdade ele é a carencia suprema e eterna que preenche os coraçoes deles. Amanha tem mais Jesus o “bonzinho” com padre Marcelo no momento de fé! Amén a todos!

  2. Se não acredita deixa quem crer acreditar em paz rapaz. Vai procurar o que fazer da vida

  3. Achei a matéria honesta e esclarecedora. Há alguns anos, tive oportunidade de ver uma exposição sobre jerusalen antiga no museu de arte de s.paulo, qual foram exibidas as moedas de que sao mencionadas neste artigo impecavel. trataa- se de uma verdadeira casa de cambio. Parabéns.

  4. Barros a tua infelicidade salta aos olhos em cada ofensa que escreveste neste texto mas botar a culpa em Jesus não vai aliviar teu sofrimento.

  5. É que o Filho Unigênito do Pai era um idealista vivendo uma rebeldia adolescente tardia. O Pai organizou as coisas de um jeito, mas ele, Filho, queria “acabar com tudo isso que está aí” e como todo rebelde sem causa não se deu ao trabalho de pensar no lado prático das coisas. Mas como quem sai aos seus não degenera, o Filho era tão despótico, tirânico e injusto quanto o Pai.
    Azar dos vendilhões, pegos num dia de maus bofes do Filho.

  6. Anonimo quem disse que deus/jesus e a divindade correta? Talvez a gente morra e encontre odin ou zeus ou ate mesmo lord ganesha.. Nunca se sabe.. E errado supor que exista uma divindade e dizer especificamente que aquela que voce acredita e A divindade

  7. Ola Barros
    voce que é fã de Karen Baxter
    ai vai um belo e esclarecedor video dela. aprecie com moderaçao

  8. Greg e Geraldo, muito obrigado.

    Matheus, eu deixo quem crê acreditar em paz. Nunca saí por aí de casa em casa vendendo minhas convicções. São vocês, crentes de programa, desesperados por seus cérebros não aceitarem tanta besteira, são vocês que vêm aqui me encher o saco.

    Anônimo, se eu fosse escrever esse tipo de merda no blog dos outros, eu também teria vergonha de deixar meu nome.

    Greg, rapaz, que achado! Eu vou publicar isso no próximo post. Uma coisa dessas tem que ser compartilhada. A mulher é mais doente mental do que eu pensei que fosse. E o apresentador não fica atrás.

    E o legal é que ela tem as medidas certas de tudo, né? Agora, já imaginou um anjo de 35 metros montado num cavalo de um quilometro de comprimento? Que porra desproporcional, hein?

    E como que o Inferno, sendo no centro de Terra, pode ter a forma de um ser humano “deitado de costas”? Será que ela pensa que a Terra é plana?

  9. Bom depois do vídeo da Karen vou e viver mais tranquilo, porque pelas medidas do inferno que ela deu, lá já deve estar cheio sem poder aceitar mais ninguém, o que e ótimo pois quer dizer que como do tem o inferno e o céu e o inferno já ta cheio do sobra o céu, então vão vive. As que acreditam em estorinhas, boas estorias

  10. Barros
    Greg, rapaz, que achado!
    sabia que voce iria adorar!! rsrsrsrsrsrsr
    é muita insanidade para uma ´pessoa só!
    o triste é que ela vendeu milhoes de copias desta bobagem que nao acrescenta nada na vida das pessoas, um bom livro ou um livro de ciencias nao vende na maioria colossal das vezes nem mil!!
    Tambem se a Biblia que é um conto de fadas mais famoso vende o que vende esta mulher ate que esta dentro dos padroes mundiais de idiotice.
    Agora vai fazer um livro serio pra ver se vende!
    Eu cheguei a conclusao, a maioria das pessoas, quase a totalidade delas gostam mesmo é de comprar ILUSAO!!!
    Nao é a toa que aqui em casa tem Agape & Kairos do padre MArcelo
    Nao canso de ouvir coisas do tipo: Isso é no tempo de Deus!
    sera que um cancer, um acidente é no tempo de Deus? as pessoas na Siria morrendo com armas quimicas (crianças) corpos desmanchando, um terror total, as pessoas morrendo de fome na Africa, isso tudo é no tempo Deus??//? Da vontade de falar padre ; troca de lugar com pessoas realmente em situaçoes de risco, ai voce me diz sobre esse negocio de: NO TEmpo DE dEus! — vai passar umas ferias na Coreia do Norte! onde o Estado convence as pessoas que elas estao em guerra com os EUa , elas veneram um ditador como um Deus, sendo que o cara ja morreu a anos!, nao tem liberdade! – nem internet, nem perspectiva nenhuma! — passa umas ferias lá e me diz sobre o tempo de Deus! — pra quem nao esta com frio e esta com a barriga cheia, este Tempo de Deus é otimo! pra quem nao esta, paciencia!!

    A dublagem tambem é otima né???!!! A Mary Baxter fica parecendo uma criança de 7 anos contando seu passeio pelo inferno na compahia de Seiya de Pegasus ou dos Changeman!!!

  11. Ria e caçoe bastante de Deus agora mas depois não vai chorar….

  12. Certo, Anônimo, e…?

  13. Se Jesus fez isso, com certeza, é porque ele teve um bom motivo; mesmo porque, ele conhece o coração dos homens.

    Tanto que, nesta passagem, ele disse:

    “Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, a fazeis um COVIL DE LADRÕES.”

    Por essa frase, podemos concluir que os cambistas e vendilhões do templo estavam lá para explorar e lucrar com a fé do povo e não para servir a Deus e prestar um bom serviço aos fiéis que lá vinham.

    Talvez, com essa atitude, Jesus já profetizava sobre os VENDILHÕES DO TEMPLO de hoje; que transformam a religião numa grande fonte de lucro a custa da fé e ingenuidade dos fiéis. Como por exemplo, esses “vendilhões” da Teologia da Prosperidade.

    Quem não se revolta com o grande comércio abusivo existente nos arredores de grandes santuários católicos (como Aparecida, Lourdes, Fátima, Guadalupe, Medjugorje, etc.) ou com a venda de amuletos milagrosos (como água do Rio Jordão, areia da Terra Santa, óleo ungido, lenço com suor de apóstolo, etc.) e com o dízimo abusivo de certas igrejas evangélicas?

    Esses são os verdadeiros VENDILHÕES DO TEMPLO de hoje; que transformam a Igreja num comércio (“Não façais da casa de meu Pai uma casa de negócio.”); que não servem a Deus, mas ao dinheiro!

    Aliás, lembrei-me de uma passagem do filme sobre a vida do Pe. Pio de Pietrelcina onde ele faz algo bem parecido com o que Jesus fez, com aqueles que estavam vendendo imagens e fotos suas (trecho: 2:21:00):

  14. Realmente a troca de moeda e a venda de animais facilitavam a vida de quem ia sacrificar, só q nâo precisava ser no templo por respeito, as negociaçôes podiam ser realizadas nos arredores, a uma certa distancia do templo.

Deixe um comentário:

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: