Considerações sobre o Inferno [4]

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De onde os cristãos tiraram a noção de Inferno? Do Antigo Testamento é que não foi. Lá, aparece apenas a palavra hebraica Sheol, ora significando “sepultura” ou “morte”, ora significando “o mundo dos mortos”, equivalente ao Hades dos gregos. Entretanto, diferentemente do Hades, que comportava também o Tártaro, o Sheol não tinha nada parecido com o Inferno. 

No Novo Testamento, escrito em grego, a palavra hebraica Sheol não aparece mais. Quando se faz referência ao mundo além-túmulo, são usadas as palavras ‘Hades’, ‘Tártaro’ e ‘Gehenna’, sendo que as duas primeiras já faziam parte da cultura grega, e nós já sabemos o que elas significam. Sobrou a Gehenna (escrita ‘geena’, em algumas traduções para o português: Mateus 5:22).

Gehenna foi a palavra grega usada para traduzir a expressão hebraica que se referia ao Vale de Hinom, uma ravina estreita e profunda ao sul e sudoeste da antiga Jerusalém, que se estendia por várias outras cidades, onde alguns hebreus sacrificavam seus filhos a Moloque, o deus dos amanitas. Em 2Reis 23:10, menciona-se que o rei Josias, mais no intuito de coibir aquela prática de adoração a um deus pagão do que em proteger criancinhas, profanou o Vale de Hinom, nos arredores da cidade de Tofete, considerando a Gehenna um lugar de abominação. Com o passar do tempo, o local foi transformado num tipo de aterro, onde o fogo era mantido aceso constantemente para queimar o lixo produzido na cidade de Jerusalém, e para onde iam os cadáveres dos criminosos executados, indignos que eram de ser sepultados como uma pessoa de bem.

Quando Jesus Cristo amorosamente ameaça sua plateia com um lugar onde haverá “pranto e ranger de dentes” (Mt 13:42); quando se refere ao fogo eterno “preparado para o demônio e para os seus anjos” (Mt 25:41); e quando aconselha a não ter medo de quem pode matar o corpo, mas — se referindo a ele próprio — temer aquele “que pode destruir tanto a alma como o corpo no Inferno” (Mt 10:28); ele está se referindo à Gehenna, o Vale de Hinom. Um lugar terreno, físico, ao sul e sudoeste da antiga Jerusalém, onde o calor do fogo, a fumaça, o fedor de enxofre e de corpos em decomposição já indicavam que não deveria ser um lugar muito atrativo.

Os cristãos, entretanto, passaram a considerar essa ameaça do Filho de Deus vinculada a um lugar num mundo sobrenatural, o Inferno, não mais no centro da Terra, como o Tártaro, mas em outra esfera, em outra dimensão, acessível através do portal da morte. E eles ficaram maravilhados com isso, afinal, o deus ao qual se propunham cultuar — Jesus Cristo — era o deus que trazia esse upgrade para a Criação, junto com uma Boa-Nova que era apenas uma maldição disfarçada: ou você me ama, ou você me aceita, ou você me segue, ou vai ter uma eternidade de sofrimento para se arrepender. 

 

 

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7 Respostas

  1. Barros, adoro seu blog e gostei muito do texto. É bom encontar um lugar com pessoas sensatas e com bons argumentos para trazer a luz da razão sobre essa besteirada toda de Céu, Inferno, Purgatório,Deus, Diabo e Nirvana(Aliás o único nirvana que foi real foi a banda)

  2. Malditos ateuzis deste blog, vocês vão todos queimar no lago de fogo de Daburá em nome de chessus. Barros e ssrodrigues,e os demais ateuzis,se não abandonarem o lado negro da força,chessus vai descer do ceuzis e chicotiá-los com sabre de luzis do mestre Yodiz.Que a verdadeira força esteja com nos crentiz.

  3. Jhosh, obrigado pela participação. Espero ainda tecer mais algumas considerações sobre o Inferno.

    Abraço

  4. Ohhh é a primeira vez que vejo um demônio. Como é mesmo? ele vem e age sobre as pessoas melhor do que deus que sempre permanece mundo e não se manifesta.
    Preciosidade esse vídeo que mostra a força do demo. Vou rever meus conceitos espirituais kkkkkkk

  5. Como já disse, não se pode ser cristão sem se acreditar nas palavras de Cristo e na existência do Céu, do Inferno e do Purgatório!

    E daí se Jesus usou o Gehenna para exemplificar a existência do Inferno? Só porque não há, explicitamente, a palavra Inferno e Purgatório na Bíblia, não significa que tais lugares não estão descritos lá, direta ou indiretamente. Várias passagens da Bíblia confirmam a existência do Inferno; em especial, essa do Apocalipse: “O vencedor receberá esta herança: Eu serei seu Deus, e ele será meu filho. Quanto aos covardes, aos infiéis, aos corruptos, aos assassinos, aos imorais, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, o seu lugar é o LAGO ARDENTE de fogo e enxofre, que é a SEGUNDA MORTE”. (Apocalipse 21,7-8)

    Se os ateus não acreditam nem na existência de Deus, como poderiam acreditar na existência do Inferno?

    Porém, se Deus existe e sua Justiça é infinita (talvez, até matemática: “… Não sairás de lá até pagar o último centavo”); então, é razoável a existência do Céu, do Purgatório e do Inferno. Pois, caso contrário, não haveria justiça; pois, todos, santos e pecadores, receberiam a mesma paga; onde, tanto um São Francisco de Assis como um Hitler iriam para o mesmo lugar!

    Todos querem a Misericórdia de Deus, mas poucos aceitam a sua Justiça. Porém, devemos lembrar que a Misericórdia de Deus é infinita, mas que sua Justiça não é menor!

    Se não amamos a Justiça Divina, devemos pelo menos temê-la; pois, ela é realmente terrível. Haja vista, que o próprio Filho de Deus teve que se oferecer em sacrifício para aplacar a Justiça Divina que caia sobre nós. E Santa Catarina, em seu livro “O DIÁLOGO”, vai dizer que a Misericórdia de Deus chega até ao Inferno; pois, os condenados lá não sofrem tanto quanto mereceriam pelos seus pecados.

    “O PRINCÍPIO DA SABEDORIA É O TEMOR A DEUS” (Provérbios 9,10)

  6. Fora a Bíblia, alguns santos da Igreja tiveram revelações privadas sobre o Inferno; como Santa Catarina, Dom Bosco, Santa Faustina, os videntes de Fátima, etc. Eis alguns trechos do livro “O DIÁLOGO”, de Santa Catarina de Sena, que ela afirma ter sido ditado pelo próprio Deus:

    “…

    14.3.2 – O JUÍZO PARTICULAR

    Os pecadores não podem desculpar-se. Continuamente são por mim convidados ao conhecimento da Verdade. Não se corrigindo enquanto podem fazê-lo, uma segunda repreensão os condenará.

    Ela acontece no último instante da vida, quando meu Filho chamar: “Surgite mortui, venite ad judicium” (Levantai-vos, ó mortos, vinde para o julgamento)! Tu que morreste para a graça e morto chegas ao fim da vida terrena, levanta-te, aproxima-te do supremo Juiz.

    Aproxima-te com tua maldade, com teus julgamentos falsos, com a lâmpada da fé apagada. No santo batismo, ela foi-te entregue acesa; tu a apagaste com o sopro do orgulho e da vaidade do coração, usados como velas enfunadas às ventanias contrárias à salvação. O amor da fama soprava teu amor-próprio (egoísmo) e tu corrias alegre pelo rio dos prazeres mundanos; seguias a frágil carne, as incitações do demônio, as tentações. Tua vontade era um pano retesado e o diabo te conduziu pela estrada do mal, junto com ele, para a eterna condenação…

    Filha muito querida, esta segunda repreensão se dá no fim da vida, quando não há mais remédio. Ao chegar o instante da morte, o homem sente remorso. Já afirmei que ele é um verme cego por causa do egoísmo. No instante final, quando a pessoa compreende que não pode fugir das minhas mãos, esse verme recupera a visão e atormenta interiormente a pessoa, fazendo ver que por própria culpa chegou a tão triste situação. Se o pecador se deixar iluminar e se arrepender – não por medo dos castigos infernais, mas por ter ofendido a suma e eterna bondade – ainda será perdoado. Mas se ultrapassar o momento da morte nas trevas, no remorso, sem esperança no sangue ou, então, lamentando-se apenas pela infelicidade em que se acha – e não por ter me ofendido – irá para a perdição. Sobrevirá, pois, a repreensão pela injustiça e falso julgamento.

    Em primeiro lugar, a repreensão da injustiça e do julgamento falso em geral, praticados no conjunto de suas ações; depois, em particular, do último instante, quando o pecador considera seu pecado maior que minha misericórdia. Este (Mt 12.32) é o pecado que não será perdoado, nem aqui nem no além. O desprezo voluntário da minha misericórdia constitui pecado mais grave que todos os anteriores. Neste sentido, o desespero de Judas desagradou-me e foi mais grave que a sua traição. Também para meu Filho! É por causa deste (último) julgamento falso que o pecador sofre a repreensão, ou seja, porque acha que sua falta é maior que meu perdão. Este é o motivo da punição, indo sofrer eternamente com os demônios.

    A repreensão da injustiça acontece porque os pecadores sentem mais tristeza pelos próprios danos que por me terem ofendido. São injustos, no sentido de que não atribuem a mim o que me pertence e a si o que é deles. A mim deveriam oferecer o amor, a tristeza e contrição dos pecados cometidos. Mas agem no sentido oposto, só demonstrando autocompaixão e angústia pelo castigo que lhes merecem seus pecados. Como vês, são injustos. E por tal motivo são punidos por uma e outra coisa. Já que desprezaram meu perdão, com justiça mando-os ao castigo (Mt 25,41), juntamente com a escrava sensualidade e o tirano demônio, a quem na sensualidade serviam. Já que solidariamente me ofenderam, juntos serão punidos e atormentados. Os próprios demônios, encarregados por mim de cumprir a sentença de justiça, atormentá-los-ão.

    Filha, tua linguagem é incapaz de descrever os sofrimentos destes infelizes. Sendo três os seus vícios principais – egoísmo, medo de perder a boa fama e orgulho – aos quais se acrescentam a injustiça, a maldade e vergonhosos pecados, no inferno os pecadores padecem quatro tormentos principais.
    Primeiro tormento é a ausência da minha visão. Um sofrimento tão grande que os condenados, se fosse possível, prefeririam sofrer o fogo vendo-me, que ficar fora dele sem me ver.
    Segundo tormento, como conseqüência, é o remorso que corrói interiormente o pecador privado de mim, longe da conversação dos anjos, a conviver com os demônios.

    Aliás, a visão do diabo constitui o terceiro tormento. Ao vê-lo, duplica-se o sofrer. No céu, os bem-aventurados exultam com minha visão e sentem rejuvenescer o prêmio recebido pelas fadigas amorosamente suportadas (no mundo); da mesma forma, mas em sentido contrário, os infelizes danados vêem crescer seus padecimentos ao verem os demônios. Nestes, eles se conhecem melhor, entendendo que por própria culpa mereceram o castigo.

    Assim o remorso os martiriza e jamais cessará o ardor da consciência. Muito grande é este tormento, porque o diabo é visto no próprio ser; tão horrível é sua fealdade, que a mente humana não consegue imaginar. Se ainda o recordas, já te mostrei o demônio uma vez assim como ele é; foi por um átimo de tempo.

    Quando retornaste aos sentidos, preferias caminhar por uma estrada de fogo até o juízo final que tornar a vê-lo. No entanto, apesar do que viste, ignoras sua fealdade. Especialmente porque, segundo a justiça divina, ele é visto mais ou menos horrível pelos condenados, segundo a gravidade das culpas.

    Quarto tormento é o fogo. Um fogo que arde sem consumir, sem destruir o ser humano. É algo de imaterial, que não destrói a alma incorpórea. Na minha justiça permito que tal fogo queime, faça padecer, aflija; mas não destrua. É ardente e fere de modo crudelíssimo em muitas maneiras, conforme a diversidade das culpas. A uns mais, a outros menos, segundo a gravidade dos pecados.

    Destes quatro tormentos derivam os demais: o frio, o calor, o ranger de dentes (Mt 22,13). Como vês, repreendo os pecadores nesta vida por seus julgamentos falsos e injustiças; se não se corrigem, faço-lhes uma segunda repreensão na hora da morte; pela ausência de esperança e arrependimento, sobrevêm-lhes a morte eterna em indizível infelicidade!

    14.8 – A ILUSÃO DO PECADO

    Eu disse antes (14.7) que o demônio convida os homens para a água-morta, a única coisa que lhe pertence, cegando-os com prazeres e satisfações do mundo. Usa o anzol do prazer e fisga-os mediante a aparência de bem. Sabe ele que por outros caminhos nada conseguiria; sem o vislumbre de um bem ou satisfação, os homens não se deixam aprisionar. Por sua própria natureza, a alma humana tende ao bem. Infelizmente, devido à cegueira do egoísmo, o homem não consegue discernir qual é o bem verdadeiro, realmente útil ao corpo e à alma. Percebendo isso, o demônio, maldoso, apresenta-lhe numerosos atrativos maus, disfarçados porém sob alguma utilidade ou prazer. Adapta-se ele às diversas pessoas, variando atitudes e males conforme crê oportuno. De uma forma tenta o leigo, de outra o religioso, o prelado, os chefes; a cada um, conforme sua posição social.

    Falei dessas coisas, porque no presente estou ocupando-me dos pecadores que se afogam pelo rio do pecado. São homens egoístas, que só pensam em si mesmos. Amam a si mesmos, ofendem-me. Já disse (14.5) para onde se encaminham; agora quero mostrar-te como se iludem, pois ao tentar fugir dos sofrimentos, em sofrimentos caem. Julgam que o fato de me seguir através da ponte-Cristo seja causa de muita fadiga, por isso voltam atrás com medo dos espinhos. Na realidade tal atitude procede da cegueira e ignorância da Verdade, como te fiz ver no início de tua vida, quando rogavas misericórdia em favor do mundo, desejosa de que eu o libertasse do pecado mortal.

    Naquela ocasião, mostrei-me a ti na figura de uma árvore. Não vias onde começava, nem onde terminava; somente percebias sua raiz na terra. A “terra” era vossa natureza humana, unida à natureza divina (em Cristo). No tronco da árvore – se ainda recordas – havia alguns espinhos. Evitavam-nos os amantes da própria sensualidade, os quais corriam para um monte de palha, símbolo dos prazeres humanos. A palha assemelhava-se ao trigo. Vias que muitos ali morriam de fome; outros, ao dar-se conta da ilusão, voltavam à árvore, superavam com decisão os espinhos. Essa decisão, antes de ser tomada, parece difícil a quem deseja seguir a estrada da Verdade. Há sempre luta entre a consciência de um lado e a sensualidade do outro. Mas quando a pessoa virilmente renega a si mesma e se decide, dizendo: “Quero seguir Cristo crucificado”, então ela quebra aqueles espinhos e descobre inestimável doçura. Foi o que te fiz ver àquela vez. A doçura será maior ou menor, conforme a boa disposição e o esforço pessoal.

    Então eu te disse: “Sou o Deus imutável; não me escondo de quem me procura”. Embora sendo invisível, mostrei-me visível aos homens em Cristo. Fiz ver o que é amar algo fora de mim. Infelizmente os homens, cegos pela fumaça do egoísmo, não me conhecem, não se conhecem. Vê como se iludem: preferem morrer de fome do que superar um pequeno espinho. Mas não ficarão sem dificuldades. NESTA VIDA, NINGUÉM VIVE SEM CRUZ. A não ser aqueles que caminham pela estrada superior; eles também sofrem, mas sua dor não aflige. Pelo pecado, como disse acima (10.2), o mundo produziu dificuldades e dores, bem como nasceu o rio do pecado, esse mar tempestuoso; mas para vós eu construí uma ponte, de modo que não vos afogueis.
    …”.

    FONTE: Livro “O DIÁLOGO” de Santa Catarina de Sena.

  7. O Deus do cristianismo é perfeccionista, complicado e severo, como exemplifica o texto do DR de 27/09/2013, embora eu discorde de alguns pontos. Deus se considera bondade mas acha normal punir com crueldade permanente e aterrorizante. Enfim, os poderosos gostam de ferrar os mais fracos. O jeito é conseguir gostar de Deus, mesmo ciente de sua mentalidade extremamente ditatorial . Se conseguirem realmente amá-lo estarão a caminho de uma eternidade sorridente.

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