Seu presente [1]

 escritor

Não acho que seja muito frequente um grande escritor divulgar o seu método particular de criação literária. Então, como é Natal, eu resolvi escrever sobre o “meu” método, quase como um presente para você, querido leitor, querida leitora do Deusilusão.

Tá certo que, se você considerar escritor apenas alguém que já teve livros publicados… Não, eu não sou um escritor. E se você acha que, para ser escritor, é preciso ganhar dinheiro pelos seus escritos; não, também não me enquadro nessa definição. Ainda assim, nas linhas que se seguem, eu apresento um passo a passo de como eu produzo meus textos, e não obrigaria você a continuar a ler nem mesmo se eu pudesse.

Pois bem. A primeira coisa que preciso deixar claro é que sou inteiramente responsável por tudo que escrevo. Nunca houve uma “inspiração divina”, e eu saberia dizer se tivesse havido, porque eu sou ateu. E por falar em inspiração, eu ando sempre em companhia de um adorável Moleskine, pois nunca se sabe quando ela vai dar o ar da graça. Aprendi a não confiar na memória. Não lembro (!) desde quando isso, mas já faz um bom tempo que escrevo minhas melhores ideias nesses caderninhos. Esse é o passo 1.

O passo 2 é a estruturação mental do texto: o tema e o emaranhado de ideias ligadas a ele. Daí, quando a estrutura está completa, mesmo não tendo a menor ideia de como irei juntar isso tudo, eu procuro por um fecho. Um bom fecho. Quando eu tenho um bom fecho, eu me sinto capaz de escrever um bom texto. É como se ele fizesse a mágica de juntar tudo no lugar certo. Entretanto isso não significa dizer que um bom fecho sirva de compensação para um texto ruim, embora um mau fecho estrague um bom.

Com o fecho adequado e a estrutura pronta, eu começo a digitar todo o texto, até o ponto final. Só quando digo “Acabei”, é que o trabalho de escritor realmente começa, porque escrever qualquer um escreve. Um escritor compõe. E o trabalho de composição se resume a revisar e editar, revisar e editar… Até o limite da perfeição ou da exaustão. O que vier primeiro.

De fato, o trabalho de edição já começa após o ponto final, na primeira leitura que faço do material recém-escrito. Um bom corretor ortográfico sempre ajuda, mas quase tudo você tem que corrigir por si. Um programa de computador nunca vai deixar o seu texto com coesão e coerência. Isso é trabalho para você. Também nunca vai organizar os parágrafos de forma a facilitar a leitura, nem vai escolher a melhor estrutura frasal, nem o melhor comprimento das frases, nem a melhor ordem para os argumentos; muito menos alinhavar tudo isso e deixar o texto leve, agradável e interessante para que o seu pretenso leitor não o abandone antes de concluir a leitura.

“Um texto produzido sem esforço é lido sem prazer”. Ele tem que ser escrito com o pensamento voltado para quem lê, não para quem escreve. E isso sob todos os aspectos. Num blog, por exemplo, o texto nunca deve ser muito longo. Por isso, eu continuo amanhã! 

 

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