Seu presente [2]

 

escritor

Assim que eu finalizo o texto-base e o leio pela primeira vez, eu já faço uma primeira revisão, eliminando as falhas mais evidentes (pois tem sempre um errinho de dedografia aqui e ali), mexo nos parágrafos, estico e encurto frases, mudo coisas de lugar. Faço isso bem rápido, pois a ideia é salvar, fechar e esquecer. Pelo menos por algumas horas. 

Eu digito muito rápido: 300 toques por minuto, em média, alcançando velocidade máxima de quase 400 toques. Daí que, depois daquela fase de produção mental, eu consigo aprontar um texto-base em menos de uma hora; isso já incluindo a primeira revisão. Depois disso, não penso mais nele por um tempo. Você pode programar seu cérebro para trabalhar de forma inconsciente num determinado projeto, enquanto o seu consciente se ocupa com outras coisas. Einstein dizia que ia dormir com um problema e acordava com a solução. Talvez por isso que ele dormia mais de dez horas por noite.

Enfim, quando eu volto ao texto-base, já o vejo com outros olhos. Olhos descansados, talvez. E assim, enquanto faço uma nova leitura, vou reconstruindo o texto aos poucos, até que consiga melhorar a estrutura dele como um todo, desde a escolha de palavras e composição das frases até a linha argumentativa, sempre com a preocupação de deixar o processo de leitura fácil, fluente e agradável.

Essa seria a segunda revisão. A partir desse ponto, o texto precisa “maturar”. O material digitalizado original fica arquivado, mas eu mantenho uma cópia dele no meu cérebro, e essa cópia vai recebendo alterações ao longo do dia (ou dos dias), de forma que, quanto mais o texto demorar para ser realmente finalizado, melhor ele ficará (Na opinião do autor, claro).

Eu sei que isso acontece porque, quando volto ao texto, depois de algum tempo, estou cheio de ideias novas, de argumentos melhores, mais claros e mais contundentes. Assim, eu praticamente reescrevo um outro texto em cima do que estava lá, todo faceiro, achando que ia ser o definitivo. Nunca é. Se eu voltar a um texto, ele muda. E o processo de revisão/edição às vezes se repete com um certo indício de transtorno obsessivo compulsivo.

Quando, ao final de mais uma revisão, percebo que não mudei nada, é porque, pelo meu crivo, o texto finalmente está perfeito, digo, pronto. 

Mas, surpresa das surpresas! Ainda não está. Falta algo que sempre faço antes de dar o comando de “Salvar” pela última vez. Algo que descobri que compartilho com os melhores escritores do mundo.

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