A NORMAL (Pt. 3)

 

.angel&demon

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“É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito.”

Einstein estava certo. Nenhuma sociedade pode se valer apenas de sua vontade para se livrar de um preconceito. Há de se contar com a ajuda do tempo. E quase sempre é preciso muito tempo. Enquanto não se desintegra, o preconceito vai continuar incrustado em nossas mentes e em nossas vidas, como a inalcançável barata que rói por dentro a porta de um quarto de dormir. Ele pode não ser mais tão evidente hoje, mas ainda está lá e, de vez em quando, vai fazer com que nos lembremos disso.

essa cena engraçada, no filme Prenda-me se for capaz, em que o personagem de Leonardo DiCaprio é chamado à sala de emergência para atender um garoto com fratura exposta na perna. Como está se passando por médico do hospital e não tem a menor ideia do que fazer com o paciente ensanguentado, ele se vê obrigado a pedir conselhos aos dois residentes que supostamente deveria estar treinando. Não foi por acaso  que um garoto negro foi escolhido para fazer a cena. Independentemente dos trejeitos cômicos de Leonardo DiCaprio, uma criança branca gritando de dor sendo atendida por um falso médico não iria ter a menor graça. 

Eu também não acho divertido ter que preencher um formulário colocando Ateus num campo intitulado Religião. Na verdade, isso me deixa indignado, mas, como diz a letra de uma música, a nossa indignação é uma mosca sem asas que não ultrapassa as janelas das nossas casas. Então eu fico indignado na minha casa mesmo, e por três motivos.

Primeiro motivo. Por uma questão de semântica: ateus ou ateísmo não é um tipo de religião, assim como maçã não é um tipo de transporte.

Segundo motivo. Não faz sentido uma pessoa que não tem religião preencher esse campo com qualquer outra coisa que não seja a informação Não tem. Se fosse preciso informar a marca e o modelo do seu automóvel, como alguém que não tem carro iria preencher esse campo? Selecionando a opção Outros? Seria a única saída, mas também seria um equívoco! “Outros” daria a ideia de que a pessoa tem um carro, mas sua marca e modelo não estão listados nas opções disponíveis. De certo modo, isso agregaria valores positivos à pessoa em questão, porque, para o “Sistema” que requisitou aquelas informações, ela seria detentora de um bem material que, de fato, não possui. Com relação aos ateus, nossa sociedade jamais teria uma visão assim tão positiva, e preencher o formulário naquelas condições apenas me obriga a endossar o preconceito que ela acintosamente demonstra ter por mim, e que não me lembra nada uma barata que rói portas por dentro, mas um cão feroz que me espreita do escuro.        

É o terceiro motivo. 

 

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11 Respostas

  1. preconceito é desgualificar e julgar pela aparencias(pre-conceitos) , mas se a gente se mostrar preconceituoso (a) os amigos e familiares esconderam FATOS de nós , (serao falsa conosco) ,só naõ nos magoar , mas qdo se aceita a realidade do outro logo tudo fica resolvido .

  2. é Barros, acho que o preconceito religioso recairá sobre os que NAo tem religiao ou Nao acredta em Deuses mais do que os que tem crença em algo mas é diferente da crença do outro!
    as pessoas ja estao se acostumando com as inumeras bocas de-culto, igrejas e coisas afins , mas NAo aceitam os qu Nao acreditam em nada disso!
    o negocio é acreditar em algo, Um deus tipo o do Criaturo, tirado das orelhas ou o do Andre Lopes uma penca de coisas religiosas daqui e dali. Obs:
    Esse filme prenda-me se for capaz é muito bom!

  3. Não vejo importância alguma na especificação religiosa nesses formulários e entendo a pergunta como preconceituosa da mesma forma como perguntar qual é a cor da pessoa.
    A religião não interfere em nada no caráter ou na aptidão profissional, assim como a qualificação sexual: homem/mulher ou “outros“. Homem e mulher já bastam e entendo que a outra alternativa é algo mais pessoal que se refere a questão de comportamento ou preferência.
    O ser humano já é por si um todo, independente de cor, religião ou sexo.
    O que deve constar é a formação profissional, responsabilidade, desempenho produtivo e integridade.

  4. Mas acontece que certos formulários não têm caráter profissional, e são usados mesmo para se obter informações pessoais. O problema que eu identifico — e ao qual a série faz referência — é o preconceito embutido no processo. Mas eu ainda vou explicar melhor nos próximos textos.

    Ô Greg, os “Deuses” do André Lopes e do Criaturo só se revelaram pra eles. Eu já avisei aos dois que esse blog trata exclusivamente do Deus cristão. Não adianta a pessoa vir aqui querer que eu esculhambe o “Deus” dela se eu não faço a menor ideia do que diabos esse “Deus” quer, faz, pensa, etc.

    E a comédia é ver como eles “exigem” que eu PROVE que o “Deus” dele não existe. Eu, hein? Tenho mais o que fazer.

  5. O Barros

    com toda a sua experiencia d vida que vc adquiriu ate hoje e informaçoes, quando vc pensa em Deus: o que vem a sua cabeça primeiramente???
    quando vc pensa sobre a sua existencia ate agora, vc pensa que pode haver algo fora do comum, metafisico, ou que esse tipo de coisa foi simplesmente alojado na sua cabeça pela sociedade??/

  6. Na verdade, eu não penso em Deus, do mesmo modo como não penso em nenhum outro personagem literário. Claro que, por exemplo, se nós começamos a discutir a lógica por trás dos poderes do Super-Homem, aí eu tenho que pensar nele, no Super-Homem. O mesmo ocorre com Deus.

    Quanto à segunda parte da pergunta, tem uma coisa que me deixa sempre atônito: o início do universo. Eu vou tratar disso nos próximos textos. Vai ser meio que uma simples exposição das minhas inquietações. Que eu acho que devem ser as mesmas que acometem a qualquer um que venha a pensar sobre isso.

    Abraço.

  7. É por cenas como essa aí do filme que muitas vezes eu penso que o americano médio estacionou entre o fim da infância e o começo da adolescência em termos emocionais e mentais. Vide American Pie e similares.
    Quanto a coisas como essa dos formulários, dos recenseamentos, e outros (srsrs) hoje estava pensando até que ponto é preconceito e até que ponto é necessidade querer enfiar todo mundo no cercadinho da crença, ainda que na marra.
    Deve ser um incômodo mental tremendo a pessoa, ainda mais se for inteligente, precisar se amparar em conceitos indigentes como o ontológico e ter outras pessoas mostrando essa indigência.
    Vai que quem formula os questionários sequer pensa em incluir a opção “ateus” ou “não tem”, por incapacidade funcional religiosa, se é que existe um trem desses? Vai que não ocorre a essa pessoa essas opções por ela nunca se permitir sequer cogitar que existem ateus, pra não correr o risco de começar a pensar nos absurdos da crença?

  8. É também uma possibilidade, mas eu ainda acho que a questão envolve um preconceito embutido, fruto da doutrinação religiosa. Vou escrever sobre isso no próximo texto, que publico amanhã mesmo se conseguir fazer a revisão a contento.

    O problema é que estou sem tempo pra nada, pois acabei de receber meu kit de polimento para as minhas peças de xadrez. Encomendei da Índia, direto com o dono da fábrica. O que há de mais parecido por aqui no Brasil, o polimento com cera de abelha, não fornece o mesmo efeito de lustre elegante que as peças têm quando novas. E olha que eu comprei 2 kg de cera e a máquina de polimento, achando que era o material certo. Os produtos que eles usam na Índia só é fabricado lá mesmo, a partir de resina de árvores nativas. Paguei um absurdo, mas valeu a pena, porque tenho uma coleção de 12 conjuntos de peças de xadrez, sendo 8 (dos doze) de madeira nobre, e 4 (dos 8) peças de luxo, finamente trabalhadas em ébano e sândalo. Agora estou obcecado para fazer o polimento de todos os conjuntos, mas estou levando mais tempo do que previa, porque o meu motor tem só meio HP, quando deveria ter, no mínimo, 1 HP. Vou levar dois dias pra polir um único conjunto de peças. Por que estou falando isso tudo? Não sei. Eu começo a escrever e não paro mais. Vício.

  9. Barros:

    E a comédia é ver como eles “exigem” que eu PROVE que o “Deus” dele não existe. Eu, hein? Tenho mais o que fazer.

    Você está tentando se auto-justificar, talvez até inconscientemente, no fundo sabe que fugiu da raia.

    O pedido era muito simples: prove que o universo não tem um criador, eu citei algumas das minhas razões filosóficas e físicas que apontam para um criador.

    Ai você sai de fininho dizendo que não prova por que eu tenho que dar o nome do “meu” Deus, senão você se recusa. Oras, conversa pra boi dormir. Estou falando de um conceito, de um criador do universo, o nome dele pouco importa.

  10. O pedido era muito simples: prove que o universo não tem um criador,

    Eu disse: comédia.

  11. tudo tem um dono !

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