A véspera do amanhã


No deserto, uma princesa persa. No oceano digital, uma sereia chamada Liz. No topo de uma montanha, um passeio de asa-delta: aproveite ao máximo o voo e a vista, porque, de um jeito ou de outro, você vai acabar pousando; e o chão você já conhece bem.

Ela não preencheu sua autodescrição no perfil do Twitter para se poupar do trabalho de ter que atualizá-la todo dia.

Suas emoções correm nos trilhos de uma montanha-russa; seus pensamentos vêm em forma de tempestade.

Seu maior defeito talvez seja a sua total inabilidade em disfarçar suas emoções; sua maior qualidade, a de saber lidar com sua própria inconstância.

Não se culpa quando magoa (magoar os outros, às vezes, é simplesmente inevitável), nem definha em autopiedade quando é magoada. E não dá pra dizer qual das duas coisas é a causa ou consequência da outra.

Ninguém pode se dar ao luxo de ter muitos amigos sem se valer da poção mágica da hipocrisia; então ela os tem em pouca quantidade, sentindo-se perfeitamente segura para escolher com quem dividir uma pizza, e com quem dividir um segredo.

Às vezes, ela paga pra ver, noutras nem se arrisca; mas não saberia dizer por que, nem quando, uma atitude consegue sobrepujar a outra.

Pode dar um sim depois de meses de ponderações e conjecturas, e um não antes do café da manhã. E vice-versa. 

Não acredita em Deus, mas acredita no amor, embora nenhum dos dois faça o menor sentido.

Detesta rotina; não usa nem o mesmo perfume por duas vezes seguidas.

Adora dormir, mas prefere sonhar acordada.

Enfada-se com qualquer nhe-nhe-nhém.

Domina a arte do silêncio nos casos em que as palavras só atrapalham; e a da indiferença, quando os custos não compensam os benefícios.

Todos os olhares que esvoaçam em volta sempre pousam no seu sorriso. E, enquanto ela não sorri, eles aguardam pacientes como borboletas a sobrevoar um jardim.

Quando ela chega, as apostas aumentam, as vaidades se exaltam, os desejos afloram, as respirações descom-passam, e vários corações disparam às escondidas — ou descaradamente. É quando todos os sonhos valem o risco, e todos os riscos valem a pena.

Quando ela vai embora, o mundo todo parece ter sido comprado numa loja de 1,99.

É assim que eu a vejo. Como o menino de rua que contempla o brinquedo inalcançável atrás do vidro da vitrine; ou como o astrofísico que analisa em êxtase a composição de uma estrela, cujo verdadeiro brilho e beleza não podem ser sequer imaginados, pois tudo o que se tem dela são esses vestígios de luz que atravessaram distâncias inconcebíveis, e que servem menos para dizer de que ela é feita, do que para lembrá-lo de que o mínimo que ela se mostra já é muito mais do que ele merece ver.

Feliz aniversário.

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5 Respostas

  1. Eta paixão danada ! É correspondida ?

  2. É a mulher perfeita? Existe de verdade ou na sua imaginação? É uma alegoria?

  3. Não percebo o que é que este texto faz aqui. Está a perder tempo. Podia criticar a freira que ganhou aquele programa da Voice. Não entendo…

  4. Só falo na presença do meu advogado… :)

  5. Barros

    Que bela homenagem! nada mais lindo que um homem apaixonado, parabéns para Liz e para você pela declaração.
    Abçs

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