No primeiro dia, o Homem criou Deus… [Republicação]

A religiosidade nos acompanha desde o nosso nascimento como espécie. Quando os primeiros da nossa estirpe vagavam em bandos nas planícies do que hoje conhecemos como África, quando ainda não dominavam o fogo nem tinham qualquer ferramenta, o dia lhes trazia calor, lhes trazia luz; permitia que identificassem, de longe, as feras e fugissem a tempo. Já a noite lhes trazia o frio e a escuridão; lhes deixava vulneráveis; gélidos de medo das sombras, de onde poderia surgir, a qualquer instante, a morte.

Nada mais óbvio do que imaginar como aqueles seres passaram a venerar o dia e a temer a noite. Daí a raiz da religiosidade: o culto à Luz e o medo da Escuridão. A noção primitiva do Bem e do Mal.

Para que a religião efetivamente nascesse, faltava ainda juntar a esse culto uma característica exclusivamente nossa, os animais ditos “superiores”: a personificação.

A seleção natural favoreceu aqueles que tinham o cérebro mais propenso a ver algo, ou alguém, naquilo que não estava totalmente definido. Os hominídeos que confundiam uma sombra qualquer tomando-a por um predador, saiam correndo para salvarem suas vidas. Se estivessem errados, isso só lhes teria custado energia e tempo. Mas eles mantinham-se vivos e passavam adiante essa característica para as gerações futuras. Já aqueles que confundiam um predador qualquer tomando-o por uma sombra, eram devorados e foram extintos.

Milhões de anos (e um cérebro três vez maior) depois, o homem aperfeiçoou essa habilidade. Nascia assim a figura da “divindade”: a personificação de algo que explicava o que não se podia entender.

Estamos a mais de quatro milhões de anos de distância daqueles primeiros hominídeos, mas ainda trazemos conosco o medo do escuro e a necessidade de nos sentirmos protegidos, quando não especiais. Ao homem moderno foi dada a opção de entender a origem do mundo e dele próprio como sendo resultado de um processo evolutivo. Mas essa ideia é altamente prejudicial aos nossos interesses: o ”processo” não ouve nossas preces, não nos protege de perigos; o “processo” não tem um plano para nossas vidas, não nos conforta em situações difíceis, não nos acena com uma outra vida muito melhor do que a que temos. O “processo” nos deixa entregues à nossa própria competência e aos nossos próprios recursos; o “processo” não se importa conosco.

Por isso é tão tentadora a ideia de um ser supremo, todo poderoso, que é convenientemente chamado de pai… porque essa necessidade de proteção vem justamente do que há de mais infantil em nós. O que passa sempre despercebido pela mente religiosa, é que o fato dessa ideia ser confortadora não a torna real. Deus é apenas uma ilusão. Uma poderosa ilusão.

Anúncios

14 Respostas

  1. Esse foi o primeiro texto que eu escrevi para o blog, e foi publicado em 30/12/2008.

  2. Nessa coisa de deuses.consigo entender as razões dos seres humanos primitivos com muito mais facilidade do que os atuais. Na verdade, quando paro pra pensar me dá uma espécie de constrangimento. ver pessoas adultas levando a sério essa ideia de um deus criador. justamente por parecer uma coisa tão infantil. Ou primitiva.

  3. É o mesmo que uma pessoa adulta dizer que pretende se comportar bem durante todo o ano pra ganhar um presente do Papai Noel…

  4. No segundo dia falsificou tudo. abç

  5. Perfeito texto, da primeira e última palavra.

    Sim, criaram um ser supremo, todo poderoso, que foi convenientemente adaptado aos critérios do próprio homem e com todas suas características. Deus é muito humano.

  6. certamente Deus não é desumano,nem ateus são desalmados!

  7. No primeiro dia, o Homem criou Deus…

    ha…ha..ha…ha..ha ..aprecio seu bom humor ateu.

    Esse foi o primeiro texto que eu escrevi para o blog, e foi publicado em 30/12/2008.

    a primeira droga a gente nunca esquece

  8. Criaturo, on 11/07/2014 at 22:18 escreveu: “a primeira droga a gente nunca esquece”

    Isso realmente é verdade, visto que ele não esquece de defender o mundo imaginário em que vive…

  9. Barros

    Este texto reflete claramente o fanatismo que possui. (não muito diferente de qualquer extremista religioso).

    Tu Barros, considera as tua crença fundamentada em fé, esquecendo que a mesma não possui embasamento empírico, assumindo-o como verdade absoluta e desqualificando os CÉTICOS a tua crença, chamando-os de cegos que vivem em uma ilusão.

    Ora meu caro, que raios de certeza tu tens que a tua CRENÇA é verdadeira? Como sabes que a ilusão não está em tua fé?

    Perceba, existe fé fundamentado em evidências, outras hipotéticas sem nenhum embasamento evidencial e outras, por ainda, que SE CHOCAM com os dados observados.

    Talvez possa argumentar dizendo: “Eu não tenho fé”.
    Não mesmo?
    Vejamos as tuas alegações:

    A religiosidade nos acompanha desde o nosso nascimento como espécie.

    Tu não estava lá para comprovar que de fato a “religiosidade” acompanha o ser humano desde o momento que ele nasceu.
    Apenas a assume com base em fé.
    Apesar que esta fé possui algum embasamento evidencial, visto que achados arqueológicos demonstram que desde o início da escrita, HÁ uma crença em um ÚNICO DEUS, que com o passar do tempo tornou-se politeísta.

    Quando os primeiros da nossa estirpe vagavam em bandos nas planícies do que hoje conhecemos como África, quando ainda não dominavam o fogo nem tinham qualquer ferramenta, o dia lhes trazia calor, lhes trazia luz; permitia que identificassem, de longe, as feras e fugissem a tempo.

    Outra declaração de fé.
    Como afirmas que o homem não dominava o fogo ou não possuía qualquer ferramenta?
    E posso dizer que esta fé é CONTRADITÓRIA as evidências, visto que arquiteturas megalíticas e outros achados globais atribuídos a “ET´s” refletem uma cultura mundial pré-existente e EVOLUÍDA.

    Já a noite lhes trazia o frio e a escuridão; lhes deixava vulneráveis; gélidos de medo das sombras, de onde poderia surgir, a qualquer instante, a morte.

    Ou não. Quem garante?
    Há evidências? Há provas?
    Resposta NÃO.
    Apenas uma CONJECTURA HIPOTÉTICA fundamentada em Fé.

    Nada mais óbvio do que imaginar como aqueles seres passaram a venerar o dia e a temer a noite.

    Na verdade não é “óbvio” se a conjectura não estiver alinhada com a hipótese.
    Se os homens possuíam a ciência (conhecimento) do que a Luz e a escuridão representavam NO INÍCIO DE SUA CRIAÇÃO, esta conjectura é ILÓGICA.

    Percebemos aí, um exemplo claro que a obviedade do argumento está profundamente ligado a PRESSUPOSIÇÃO (fundamentada em fé) que o mesmo apresenta.
    porém vem a questão, quem garante que esta pressuposição é verdadeira?

    Daí a raiz da religiosidade: o culto à Luz e o medo da Escuridão. A noção primitiva do Bem e do Mal.

    Ou não.
    Se o homem em seu princípio já possuía a noção do bem e do mal, esta conjectura ficará totalmente ilógica.
    Quem garante que os mesmos não possuíam? Há alguma evidência para isso ou apenas a sua fé “Naturalista”?

    Para que a religião efetivamente nascesse, faltava ainda juntar a esse culto uma característica exclusivamente nossa, os animais ditos “superiores”: a personificação.

    Ou não.
    A ação divina junto ao homem, em forma de revelação, teria a capacidade de originar a religião.
    Quem garante que não há um Deus pessoal, que criou o universo, manifestando a VERDADEIRA religião a humanidade? Sua FÉ de que ele não existe?

    A seleção natural favoreceu aqueles que tinham o cérebro mais propenso a ver algo, ou alguém, naquilo que não estava totalmente definido.

    Se a SELEÇÃO natural SELECIONA, ela não origina NADA.
    Seleção natural não é um mecanismo capaz de formar um cérebro “mais propenso”, que a propósito é originado por INFORMAÇÃO APERIÓDICA FUNCIONAL do DNA e composto de mecanismos irredutivelmente complexos.

    Milhões de anos (e um cérebro três vez maior) depois, o homem aperfeiçoou essa habilidade.

    Milhões de anos????? Que milhões de anos????
    Como sabe que este suposto tempo não passa de uma mitologia evolucionista?

    Nascia assim a figura da “divindade”: a personificação de algo que explicava o que não se podia entender.

    Ou não.
    Ou A Divindade SEMPRE existiu e criou o homem.
    Como sabe que não um Deus que sempre existiu? Pela sua fé?

    Estamos a mais de quatro milhões de anos de distância daqueles primeiros hominídeos

    É mesmo? estamos? Quem prova?
    Os métodos, “perfeitos” e “Infalíveis” da datação por estratigrafia?
    Ora, segundo estes métodos “perfeitos”, o Martelo de KingGoodie data 360 a 410 milhões de anos atrás.

    Ops…….. O que seria isso?
    Método de datação imprecisa ou artefato alienígena?

    Prefiro a primeira opção.

    mas ainda trazemos conosco o medo do escuro e a necessidade de nos sentirmos protegidos quando não especiais.

    Trazemos? E quanto aos góticos que adoram a escuridão? E quanto a vocês Ateus, que adoram a idéia de estarem sozinhos e não serem especiais (se colocando em uma posição similar a um animal,vegetal ou inseto) ?

    Ao homem moderno foi dada a opção de entender a origem do mundo e dele próprio como sendo resultado de um processo evolutivo.

    Opção sem NENHUMA evidência que a corrobore, e ainda com evidências que SE CHOCAM com este modelo.

    Mas essa ideia é altamente prejudicial aos nossos interesses

    Depende. Quem deseja viver do modo pelo qual da na telha, e deseja não prestar contas de suas atitudes ou assumir os seus atos, esta ideia é bem reconfortante e tentadora.

    o ”processo” não ouve nossas preces, não nos protege de perigos; o “processo” não tem um plano para nossas vidas, não nos conforta em situações difíceis, não nos acena com uma outra vida muito melhor do que a que temos. O “processo” nos deixa entregues à nossa própria competência e aos nossos próprios recursos; o “processo” não se importa conosco.

    O “Processo” (suposto mecanismo macro-evolutivo não direcionado) SE EXISTISSE de fato se enquadraria nestas características.
    Porém vem a questão, quem diz que este “processo” existe?
    Nem mesmo este “processo” é observado.

    Por isso é tão tentadora a ideia de um ser supremo, todo poderoso, que é convenientemente chamado de pai…

    Para quem assume a FÉ Macro-evolutiva (nunca evidenciada), a ideia de um ser supremo, todo poderoso QUE JULGARÁ OS ATOS DE CADA UM não é nada conveniente.

    porque essa necessidade de proteção vem justamente do que há de mais infantil em nós.

    Ou não.
    A necessidade poderia vir porque o próprio Deus a imputou.

    O que passa sempre despercebido pela mente religiosa, é que o fato dessa ideia ser confortadora não a torna real.

    Mas o passa desapercebido pela mente dos crentes naturalistas, é que o fato reconfortante em não ter de arcar com as consequências dos seus atos no final (fazendo o que “bem da na telha”) também não torna esta conjectura real.

    Deus é apenas uma ilusão. Uma poderosa ilusão.

    Ou não.
    Deus pode ser real e os naturalistas é quem vivem em uma ilusão.
    Quem garante?

    …………………………………………………………………………………………….

    Percebes Barros, são textos como estes que fazem concluir que a tua mentalidade e a mentalidade de um Muçulmano Xiita são similares.

    Sempre impondo o modelo de crença pelo qual escolheram como um fato (mesmo não comprovando o tal) a todos, e desqualificando e até mesmo menosprezando quem é <b CÉTICO a tal crença.

    Parabéns Barros… ironicamente tu és o que que teoricamente tentas lutar contra: um Fanático “Religioso”.

  10. Diogo

    ta bonzinho fio !

    foi bom voce ter aparecido devido a semelhança de ideias ja estava te confundindo com o Jephsimple, ele diz que te conhece ?

    abraços

  11. Criaturo

    E aí Vander, estou tranquilo e você?
    Conheço o Jephsimple do site “http://darwinismo.wordpress.com/”, pois debatemos muito lá.
    A propósito, quando puder, faça-nos uma visita. Naquele blogue existe vários posts interessantes na qual tu poderia opinar.

    Abraços.

  12. Eu não tinha visto ainda os comentários dessa republicarão. Obrigado aos que comentaram: Shirley, Ana Júdice, Alfredo Bernacchi, Carlos Eduardo, Diogo Morelli, e ao Criaturo.

    Mas olha que, então, o Criaturo é o Vanderlei!! Minino, que eu ia pro Inferno sem saber disso!!!

    O Vanderlei é o leitor mais antigo do blog. É praticamente um encosto. rsrs

  13. Diogo Azetech Morelli, não vou responder ao seu comentário, mas vou escrever um texto sobre ele. Publico no sábado. E essa imagem de uma espada enfiada num peixe significa o quê?

  14. […] leitor Diogo “Azetech” Morelli, escreveu esse comentário enorme no qual ele me confronta com os mesmos argumentos que qualquer crente pode usar, contra […]

Deixe um comentário:

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: