Minha pequena coleção de pecados #1

 diário

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Apesar de ter me doutrinado a nunca tratar de assuntos pessoais no meu blog, o que é um contrassenso, vez ou outra eu me permito certas impropriedades. Como agora. Há cerca de dois anos, descobri estarrecido que tinha perdido quase que completamente a habilidade de produzir textos manuscritos. Meus dedos se tornaram tão íntimos do teclado que só usava canetas para assinar meu nome. Graças à minha extrema competência em digitar com rapidez e precisão, meu cérebro meio que se acostumou a decalcar quase que instantaneamente o resplendor de suas sinapses na tela brilhante do meu MacBook. Quando, um dia, precisei redigir um texto usando uma esferográfica, o bicho travou. Meu cérebro, não o Mac.

Eu demorei muito para concluir meu trabalho, e mais ainda para entender o que tinha acontecido. Qual era o problema? Não era eu que gostava de dizer que era um “escritor”, porque escrevia textos para um blog quase todo dia? Não era eu que conseguia escrever em tempo récorde um relatório, um e-mail, ou seja lá o que fosse, justamente por ter prática de uso e domínio da linguagem escrita? Qual era a pane? O que havia de errado? E quando descobri que estava segurando todas as respostas em uma das mãos, eu me apavorei. Olhei para aquela esferográfica como se ela fosse um objeto alienígena que tivesse vindo dentro de um meteorito.

Meu primeiro pensamento foi “nunca mais pego numa esferográfica de novo”. Resultado do trauma, sem dúvida, essa decisão drástica acabou se concretizando, de certa forma. Virei fã de canetas-tinteiro, depois que decidi retreinar meu cérebro para escrever usando tinta e papel, para o caso de eu ser salvo, e descobrir que o Paraíso é tão chato que precise manter um diário pra passar o tempo, durante toda a eternidade.

A primeira providência que tomei foi adquirir o material necessário. Comprei uma das mais caras canetas-tinteiro da Sheaffer, uma Prelude Blue Shimmer; tinta japonesa de alta qualidade, da Pilot; um papel especial francês, chamado séyès, usado pelas crianças francesas para aprender caligrafia; e diversos bloquinhos da mundial-mente famosa marca italiana Moleskine. Foi quando os débitos em dólar, euros e libras esterlinas no meu cartão me revelaram duas coisas. Uma, que é um desperdício comprar uma Ferrari se o dono não sabe dirigir. A outra: a arte perdida de produzir um texto manuscrito não foi a causa dos músculos da minha mão terem esquecido seus movimentos, tornando minha caligrafia feia e penosamente lenta.

Era sua consequência.

Eu precisava praticar, e não acho que seria recomendável alguém querer aprender a dirigir numa Ferrari. Voltei pra internet e comprei algumas pontas de penas (dip pens), tinta Compactor para caligrafia, e imprimi vários copy books, aqueles livros que têm uma linha de texto que é preciso reescrever ao longo de toda a página, tentando imitar o modelo.

Foi incrível! Depois de algumas semanas me matando de tédio, lutando contra a vontade de tocar fogo naquilo tudo, e perdendo horas preciosas, eu finalmente descobri que todo meu esforço não estava adiantando absolutamente nada! Tirando um enorme calo que lentamente tomava o lugar do meu dedo médio e as manchas de tinta azul sob as minhas unhas, nada mais havia mudado.

Foi então que, depois de quase quatrocentos anos de existência, eu comecei a chorar.  

 

 

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12 Respostas

  1. Foi então que, depois de quase quatrocentos anos de existência, eu comecei a chorar.

    oh dó, só acredito se postar uma das suas bobagens escritas a mão

  2. Não entendi seu comentário. Eu escrevo todas as minhas bobagens usando minhas mãos…

  3. melhor mudarmos de assunto

  4. na boa assuma o equivoco livre-se deste mico, delete este post que foi um dos piores que voce escreveu!

  5. Deus mandou escrever o Apocalipse e aquilo ficou uma merda! Isso você não reclama, né?

  6. Hahahahaha, boa Barros!

    Se você acha o Apocalipse (de João) uma merda, dá uma lida no Apocalipse de Paulo e divirta-se!

    Grande abraço!

  7. Deus mandou escrever o Apocalipse e aquilo ficou uma merda! Isso você não reclama, né?

    pelo menos os crentes possuem, Deus como bode expiatório, a voce e o Wagner só restam assumir o próprio fracasso, na boa aceitem isso apenas como uma critica construtiva:
    pior do que o vídeo chato pra de déu do Wagner , só este seu texto tipo ” pro lixo”.

  8. Criaturo, você tem é inveja que eu escrevo infinitamente melhor do que você!

    Uai! Inveja não é um dos sete pecados capitais??!

    Criaturo, Criaturo… Acho que tu vai ser meu vizinho de cela no Inferno.

  9. me poupe , ta de brincadeira,prezo mais a ideia do que a escrita, a sua neste post foi péssima, ja teve melhor.
    quanto a céu e inferno ja somos vizinhos.

  10. Putz, ele acha chato o que o Barros escreve mas vive por aqui. Será que ele também acha meu vídeo chato mas já deu uma expiadinha nos outros?

  11. Pois é isso a tal da eterna incoerência cristã.

    E pode ter certeza de que ele viu todos os seus vídeos (e já está esperando pelo outro sobre o Novo Testamento). Eu acho que o crente pensa “Será que alguém já conseguiu provar que Deus é uma ilusão idiota? Não? Então ótimo: posso continuar com a minha crença.

    E a propósito: ainda falta a continuação desse meu texto.

  12. tem gente que não aprende nunca, então haja vida eterna!

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