Hoje é dia de Maria

hoje é dia de maria 

 

A leitora Maria me escreveu um comentário fazendo as seguintes perguntas:

  Se se esgotassem todas as alternativas, o que faria? Imagine-se numa grande dificuldade, sem amigos, sem parentes que quisessem saber de si… Não se ajoelharia? Não suplicaria?       

Eu havia prometido a ela que responderia com um texto aqui no blog, e estou cumprindo a promessa. E aqui vai a resposta: Não.

Eu não me ajoelharia. Eu não suplicaria. E não só porque isso seria ridículo; mas principalmente porque seria inútil. Não há nada parecido com uma fada-madrinha cósmica que esteja interessada em ouvir as nossas súplicas; muito menos atendê-las. O que há são pessoas que acham fascinante essa ideia de possuírem um gênio da lâmpada pessoal que não impõe limites ao número de desejos a pedir. Vale notar que, mesmo que essas pessoas não tenham os seus próprios desejos atendidos, elas se confortam no fato de que o tal do gênio atendeu o pedido de outros, talvez assim, quem sabe, achando um motivo para continuar esperando que um dia o pedido delas também seja atendido. Talvez exista uma fila, ou uma lista de espera. Vai saber…

O que me deixa irritado nas pessoas religiosas não é a sua fé. Você pode fazer uma oração pro vento do meu lado, se quiser, que não vai me incomodar. Mas não teste minha tolerância às suas hipocrisias. Quando alguém vem se gabar pra mim que é muito importante para a criatura que supostamente construiu o nosso universo, a ponto de ter sido curado por ela, eu faço questão de criar uma inimizade, lembrando que ele ou ela não recebeu uma intervenção divina, mas sim uma intervenção cirúrgica.

As pessoas me detestam porque eu não perco a chance de lembrar a elas que tudo seria exatamente como é, mesmo que ninguém acreditasse em nenhum deus. Às vezes morreria todo mundo num desastre de avião; às vezes alguém escaparia com vida. Às vezes você se curaria de uma doença; às vezes morreria por causa dela. Às vezes você conseguiria algo que queria muito; às vezes você iria ter que simplesmente se conformar por não poder ter tudo o que quer. O mundo em que vivemos, mesmo tanta gente acreditando em Deus, é completamente indistinto de um mundo em que ninguém acreditasse nele. 

Mas o que eu, particularmente, faria numa situação de grande dificuldade em que me visse sem saída e sem ajuda? Eu continuaria mantendo a esperança. De achar uma saída. De conseguir ajuda. De tudo acabar bem.

  

 

 

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58 Respostas

  1. Eu agradeço ao criador todos os dias pelo ar que respiro, pela minha saúde e de meus familiares. Peço também que cuide de nosso mundo, cada vez mais complicado. E nos momentos de dificuldade, eu peço também ajuda, ou seja, não é só na hora do aperto, é a todo momento, pois se eu tenho um corpo, uma inteligência (ainda que muitos aqui no blog discordem), isso me foi dado, eu não poderia sair do pó sozinho. E para os que têm filhos, é fácil perceber que a receita já estava pronta, que fomos somente o canal da realização de algo já planejado. Assim, ao existir, já estou em agradecimento.

    Sobre ser uma certa petulância achar que Deus vai se preocupar com um grão de areia como eu ou você, sim, parece petulância se pensarmos na nossa inteligência limitada. Temos que estar abertos a idéia de um Deus infinitamente mais capaz e inteligente, é perfeitamente viável pensar que um ser supremo possa ouvir e se importar com cada ser vivo no universo. Para nós isso é inconcebível, mas para uma ameba trocar de roupa também é inconcebível.

  2. E para os que têm filhos, é fácil perceber que a receita já estava pronta, que fomos somente o canal da realização de algo já planejado.

    Eu diria o mesmo de uma lagartixa, por exemplo. Você acha que Deus também atende às orações das lagartixas?

  3. Tanta honra…a minha resposta em forma de texto.
    Agradeço-lhe o facto de ter cumprido com a sua promessa o que significa que tem bons princípios. Ou então, é mais uma ideia para um artigo. Talvez as duas coisas…Toda a sua reflexão sobre as causas dos acontecimentos serem aleatórias já passou pela cabeça de muita gente inclusivé pela minha. O que não tira ao Barros o devido valor pois expressou-se de forma muito elucidativa. Eu não discordo de nada do que você disse. Mas, há sempre um mas…Como ateia/agnóstica/crente dependente do estado de espírito do momento e das ocorrências da vida diária há situações em que obtemos esperança se meditarmos e pedirmos ajuda, a tal ajuda que você detesta como se fosse invencível na saúde, na doença, na fome e no ódio (quando somos alvo dele). Agora, se você pede auxílio apenas para os seus botões, duvido que seja agraciado com algum sentimento.Você diz que continuaria mantendo a esperança, de achar uma saída. Isso quer dizer que recorreria a toda a gente que pudesse encontrar. No mar alto, não há gente. No mar alto em sentido real e em sentido figurativo. Pelo que percebi, tem família e possivelmente namorada. Contaria com eles, não é? Não se ajoelharia porque é ridículo? O que você faz portas adentro sem ser visto por ninguém não tem noção de ridículo ou de sensato. Isso é só perante os outros.
    A sua imagem não seria atingida.Também afirma que seria inútil. Já experimentou?
    «Mas o que eu, particularmente, faria numa situação de grande dificuldade em que me visse sem saída e sem ajuda?». Você escreveu e muito bem «o que faria?» É apenas uma suposição da sua parte. Visto que não escreveu «o que eu fiz quando me vi sem saída e sem ajuda» acho que o seu último argumento não é válido pois não há provas da sua concretização. De resto, felicito-o por mais um artigo literário de boa qualidade.
    «Mas não teste minha tolerância às suas hipocrisias». Esta frase era-me dirigida pessoalmente ou era para os religiosos em geral? Se era para mim, então estou a passar mensagens erradas e você está em conflito direto comigo. O que eu não desejo de forma nenhuma porque já me habituei a viajar no blog e até sinto certa estima por si.

  4. O comentário acima é meu, da Maria. Esqueci-me de escrever o nome. Saudações.

  5. Se se esgotassem todas as alternativas, o que faria? Imagine-se numa grande dificuldade, sem amigos, sem parentes que quisessem saber de si… Não se ajoelharia? Não suplicaria?
    Eu havia prometido a ela que responderia com um texto aqui no blog, e estou cumprindo a promessa. E aqui vai a resposta: Não.
    Eu não me ajoelharia. Eu não suplicaria. E não só porque isso seria ridículo; mas principalmente porque seria inútil. Não há nada parecido com uma fada-madrinha cósmica que esteja interessada em ouvir as nossas súplicas; muito menos atendê-las.

    um ateu sem dor, com barriga é um leão rugindo contra a fé alheia.
    caso contrario não passa de um chorão arrependido, implorando por algum tipo de alivio,mas por orgulho não confessará isso nunca.
    a sua ajuda poderá vir atraves de outras pessoas, ou então em forma de pensamentos mais sábios do que os seus.
    Mas se não foi a fada madrinha, então quem foi que fez voce aparecer neste mundo?
    o acaso casado com a falta de razão? só geraria um burro!

    Vale notar que, mesmo que essas pessoas não tenham os seus próprios desejos atendidos, elas se confortam no fato de que o tal do gênio atendeu o pedido de outros

    só os que ja fizeram o teste pedindo, e não foram atendidos poderiam saber que o gênio da lampada não existe, assim são foram criados muitos ateus que antes eram crentes.

    As pessoas me detestam porque eu não perco a chance de lembrar a elas que tudo seria exatamente como é, mesmo que ninguém acreditasse em nenhum deus.

    é verdade, porem acreditar em algo positivo sempre sera mais util do que optar pelo pessimismo ateu da morte eterna, “nasci na falta de razão e para falta de razão voltarei”.

    Mas o que eu, particularmente, faria numa situação de grande dificuldade em que me visse sem saída e sem ajuda? Eu continuaria mantendo a esperança. De achar uma saída. De conseguir ajuda. De tudo acabar bem.

    apesar da sua pedengas com Deus , você é um homem de fé!

  6. Oi, Maria. Obrigado pela visita de novo. E pelo comentário.

    Olha, o «Não teste minha tolerância às suas hipocrisias» é, sem dúvida, empregado aqui de forma genérica, como o “Você” que abre a sentença anterior. É o “você” qualquer um. Por exemplo: “Você gosta de uma garota, e ela já é casada”. Não estou dizendo que você gosta de garotas. O restante da frase, com o “suas hipocrisias”, está ligado por um paralelismo semântico, até bem fácil de perceber, quando a gente não está recebendo um texto que foi escrito especificamente pra nós. Como, no seu caso, é um texto pra você (especificamente) e, ao mesmo tempo, pra qualquer um, isso gerou no seu cérebro um conflito sintático que não tem cura ainda. rsrsrssss

    Tenho que sair correndo agora, mas, à noite, eu volto pra discorrer sobre um outro trecho do seu comentário que eu achei muito interessante.

    Até

  7. Eu diria o mesmo de uma lagartixa, por exemplo. Você acha que Deus também atende às orações das lagartixas?

    Deus deu o cérebros ao homem e membros a lagartixa, assim consegue manter a vida de ambos.

  8. E volto pra ler o do Critaturo, também, que, diferentemente de Deus, eu não privilegio ninguém com a minha atenção.

  9. Conheci uma moça muuuuuuuuuuuito linda de um jeito muuuuuito louco e tô esperando um e-mail dela… Deus me ama.

  10. Barros:

    Eu diria o mesmo de uma lagartixa, por exemplo. Você acha que Deus também atende às orações das lagartixas?

    Até onde sei a lagartixa não tem discernimento ou livre arbítrio para fazer pedidos e Deus atender, mas acho sim que Deus ama o universo que criou, incluindo baratas e lagartixas.

    Conheci uma moça muuuuuuuuuuuito linda de um jeito muuuuuito louco e tô esperando um e-mail dela… Deus me ama.

    To torcendo, tomara que ela seja cristã ou um dia se converta e leve você junto. É assim, tem coisas no homem que só uma perereca consegue fazer.

  11. Barros,o seu comentário comentado pelo André é algo curioso. Você acredita estar apaixonado mas não serão as suas glândulas a segregar hormonas? Pense no assunto.

  12. Maria, ele tá é com inveja! hehehehe

  13. E quanto à sua proposição de que, se eu estivesse em alto-mar, por exemplo, eu também te garanto que não iria suplicar ajuda nem de Deus, nem do Super-Homem, nem do Aquaman. Eu ia fazer tudo ao meu alcance pra continuar sobrevivendo, até chegar a alguma praia, até ser resgatado, ou até sucumbir.

    Claro que, se estivesse já nas últimas e visse que minha hora estava chegando, eu poderia me ver tentado a buscar qualquer coisa que diminuísse meu sofrimento. Mas rezar não seria uma delas. Preferiria uma garrafa de uísque.

  14. André, não leve a mal, mas não aguentei. Tenho que comentar:

    […] mas acho sim que Deus ama o universo que criou, incluindo baratas e lagartixas.

    O que que deus tem a dizer sobre isso?

    E falou o SENHOR a Moisés e a Arão, dizendo-lhes:

    E todos os outros insetos que voam, que têm quatro pés, serão para vós uma abominação.

    E por estes sereis imundos: qualquer que tocar os seus cadáveres, imundo será até à tarde.

    Qualquer que levar os seus cadáveres lavará as suas vestes, e será imundo até à tarde.

    Estes também vos serão por imundos entre os répteis que se arrastam sobre a terra; a doninha, e o rato, e a tartaruga segundo a sua espécie,

    E o ouriço cacheiro, e o lagarto, e a lagartixa, e a lesma e a toupeira.

    Estes vos serão por imundos dentre todos os répteis; qualquer que os tocar, estando eles mortos, será imundo até à tarde.

    Levítico 11:1, 23-25, 29-31

    Quer reconsiderar? Hehehehe…

    Grande abraço!

  15. Wagner Menke,

    Eu não sei o que quer dizer essa passagem do VT. Eu não estou aqui para defender o VT, eu sou teísta, e mesmo que o VT fosse um lixo, isso simplesmente invalida o próprio VT, não a existência de Deus. Por isso que já disse ao Barros e repito a você: ficar batendo no VT é só por que é fácil e está cheio de passagens a primeira vista ‘estranhas’, aos olhos do leigo, mas o VT é um livro, por que tanta fixação anal com ele se a verdadeira questão é se Deus existe ou não.

  16. Barros

    E volto pra ler o do Critaturo, também, que, diferentemente de Deus, eu não privilegio ninguém com a minha atenção.

    essa sua carência pela atenção divina, só reforça que a sua fé esta cada vez ficando mais forte.
    pare com isso, como crente voce deve ficar mais chato do que ateu.

  17. Barros

    Conheci uma moça muuuuuuuuuuuito linda de um jeito muuuuuito louco e tô esperando um e-mail dela… Deus me ama.

    será que ateísmo é falta de amor ? será?

  18. André @ Wagner Menke

    com licença posso meter minha colher de pau duro ? he…he..he..he
    obs. por favor não fiquem sentido com a brincadeira e perdoem esse trocadilho sádico.

    Andre disse:
    […] mas acho sim que Deus ama o universo que criou, incluindo baratas e lagartixas.

    Wagner disse: O que que deus tem a dizer sobre isso?

    E falou o SENHOR a Moisés e a Arão, dizendo-lhes:
    E todos os outros insetos que voam, que têm quatro pés, serão para vós uma abominação.

    Andre disse: Eu não sei o que quer dizer essa passagem do VT. Eu não estou aqui para defender o VT, eu sou teísta,

    eu mesmo costumo criticar e apontar contradições biblicas,mas neste caso permitam-me refutar o argumento de existir uma suposta contradição biblica neste caso, pois Deus de fato “ama todas suas criaturas, por isso disse que alimentar-se desses animais seria considerado algo imundo.”
    a pior contradição esta no de fato moises ensinar mas, não ter praticado aquilo que Deus teria dito através dele “não mataras”.
    assim deixariam de ser um povo carnívoro e principalmente deixariam de ser assassinos matando em nome do “deus dos exércitos de Moisés”, pois respeitariam todos seres vivos, principalmente a si mesmos.

  19. O Criaturo está sempre coberto de razão. Vê-se logo que Deus está a proteger os pobres animaizinhos de serem comidos. Quem o fizer ficará imundo (impuro) durante algum tempo e tocar nos seus cadáveres conduzirá igualmente a um estado de impureza. Ao mesmo tempo, Deus quererá dizer que estes animais contaminarão o homem sabe-se lá porquê. Talvez a experiência de terem comido esses animais tivesse produzido uma série de problemas gastrointestinais e Deus, através dos seus múltiplos mandamentos, quisesse igualmente proteger os seres humanos. Enfim, como ateia/crente, haverá diversas razões e a do Criaturo é uma suficientementa plausível.

  20. Barros, não acredito numa só palavra sua. E até nisso, dou razão ao Criaturo, minha alma gémea. Você ficaria completamente desesperado, o sol produziria insolações, os seus lábios ressequidos e queimados pelo ardor do sol, no final da sua existência, somente conseguiriam mover-se para pronunciar duas palavras: meu Deus…

  21. Eu acho que os moribundos vêem qualquer coisa quando estão próximos do fim. Sei de um senhor idoso que, perto da morte, disse:«Virgem Maria» e a minha mãe, que Deus tenha, pronunciou o nome da cunhada, já falecida, poucos dias antes de morrer.

  22. Salve Maria !
    voce que é muito amável.

    na verdade penso que moisés sendo conhecedor da ciência egípcia, em nome de “deus”, criou estas lei proibindo consumo da carne de alguns animais como a de porco, pois provavelmente sabia que ela propiciava transmissões de doenças. sendo assim diria o cachorro:
    “Graças a Deus por não ter me criado boi” em compensação diria o homem: “obrigado Sr. por não ter me dado uma vida de cachorro”
    não tem jeito para sermos nós mesmo temos que reclamar contra Deus.

  23. Olá, Criaturo, é muito gentil. Na verdade, já existiria alguma ciência naquele tempo. O homem já teria um longo historial de mortes provocadas pela ingestão indevida de plantas venenosas e animais doentes. Talvez seja por isso que não se poderia sequer tocar nos seus cadáveres. Não sabendo por que motivo os animais teriam morrido era melhor evitá-los.
    Os insetos hoje em dia estão muito bem conotados e até já apareceu a notícia na televisão que poderiam ser comidos e há pessoas especializadas em cozinhá-los. Confesso que me metem nojo. Se tivesse que comer algum só gafanhotos porque eles alimentam-se de coisinhas verdes.
    Mas, vivendo na selva, e sendo tradição, à falta de coisa melhor, até formigas eu ingeriria. Há tribos que o fazem e se já tivesse morrido muita gente provavelmente teriam deixado de as comer. Mas também temos que compreender que as formigas da selva devem ser saudáveis porque não comem qualquer porcaria, não haverá restos a apodrecer, ninguém desperdiça nada.

  24. Maria
    como dizem alguns carnívoros: “não tenho culpa se Deus fez os animaizinhos tão saborosos” eitâ que povo sadico!

  25. Maria

    Seus comentários mostram que você acredita naquela máxima que diz que nas trincheiras não há ateus e para fundamentar isso propõe uma situação-limite.
    Eu poderia argumentar que essa situação proposta apela mais ao lado animal, instintivo, e não ao racional e você poderia replicar que isso seria um indício de que temos a predisposição inata para, senão saber que Deus existe, pelo menos para acreditar.

    Então proponho a seguinte questão.
    Imagine que sejam você e outra pessoa que estejam perdidos há dias em alto mar, sem nada para comer e tão atormentados pela sede que já consideram até beber a água do mar, mesmo sabendo que isso tornaria tudo muito pior.
    Você considera que seria capaz de, conscientemente, apelar para que Deus ajudasse o seu acompanhante, mas não pedir igual ajuda para você?

  26. Barros, não acredito numa só palavra sua. E até nisso, dou razão ao Criaturo, minha alma gémea. Você ficaria completamente desesperado, o sol produziria insolações, os seus lábios ressequidos e queimados pelo ardor do sol, no final da sua existência, somente conseguiriam mover-se para pronunciar duas palavras: meu Deus…

    Por acaso, se eu fosse um hindu, na mesma situação, você acha que meus lábios ressequidos iriam pronunciar essas duas palavras?

  27. Eu já vi um documentário de um cara, acho que um inglês, que ficou à deriva num bote por mais de dois meses. Sozinho, contando apenas com um dessalinizador, que, por fim, acabou sem funcionar mais. Também vi uma reportagem (há até um projeto de filme sobre o ocorrido) de um grupo de pescadores que ficou preso num barco sem motor e sem vela por mais de 9 meses em alto-mar. O inglês sobreviveu, bem como alguns dos pescadores.

    Alguém poderia perguntar a essas pessoas — que sobreviveram — a que elas atribuiriam sua “salvação”. Se elas vão dar a mesma resposta apontando para um mesmo Deus, isso não importa. O que importa é que você não poderia pergunta a todos os outros que morreram em situação semelhante para que “deus” eles estavam orando.

  28. Por acaso, se eu fosse um hindu, na mesma situação, você acha que meus lábios ressequidos iriam pronunciar essas duas palavras?

    um hindu faquir masoquista, talvez perto da morte reconsiderasse.

  29. O que importa é que você não poderia pergunta a todos os outros que morreram em situação semelhante para que “deus” eles estavam orando.

    se Deus nos fez mortais porque impediria que morrêssemos ?

  30. Maria

    Eu acho que os moribundos vêem qualquer coisa quando estão próximos do fim. Sei de um senhor idoso que, perto da morte, disse:«Virgem Maria» e a minha mãe, que Deus tenha, pronunciou o nome da cunhada, já falecida, poucos dias antes de morrer.

    não podemos estar conscientes em dois mundo ao mesmo tempo, portanto em sonhos e muitas vezes perto da morte, quando nossa consciência deste mundo fica cada vez mais fraca é natural começar sintonizar o outro mundo dai que muitos moribundo relatam estarem vendo parentes falecidos.
    ou seres espirituais .

  31. se Deus nos fez mortais porque impediria que morrêssemos?

    Exato! E um mundo em que um Deus que ama os seus “filhos” não atendesse seus rogos para que lhes salve a vida seira completamente indistinto de um mundo em que não existisse Deus algum.

    Justamente por isso que, quando alguém se safa, os crentes dizem que foi porque Deus o salvou!

    São muito tolos, vocês, por não perceberem a tolice em que estão metidos, evidenciada pelas imbecilidades que vocês mesmos dizem.

  32. Olá, querida ssrodrigues. Sabe, essa situação limite impeder-me-ia de raciocinar. Possivelmente, só pronunciaria meu deus…meu deus, sentindo-me incapaz de me concentrar em outra pessoa que não em mim própria. Mas, no início do naufrágio, ainda estaria na posse de algumas faculdades e acredito que daríamos as mãos e oraríamos em conjunto.
    Apesar de agora não estar numa situação extrema de aflição, é bom, é salutar pensar em Deus em agradecimento pelos momentos de tranquilidade, pelas tréguas no nosso mundo confuso de relacionamentos, de tragédias, de catástrofes, de problemas económicos e afins. É claro que eu não posso nem consigo dissociar a ideia de deus da cultura judaico-cristã. Não significa que deus não seja outra coisa mas não posso reverenciar os deuses hindus porque não os conheço.
    Pior do que acreditar no deus do novo testamento é ler aqueles relatos compilados de escritores da Nova Era. Sinto-me completamente abismada quando pessoas escrevem que são rencarnação de sacerdotes ou xamãs, que viram um anjo com aspeto de vagabundo simplesmente porque este lhes sorri com um rosto iluminado, que estavam para serem atacados por um desconhecido à porta de casa mas que ficaram invisíveis e escaparam assim à morte, que oraram à «antiga deusa» para os guiar na consecução dos seus objetivos, que praticam rituais mágicos e não sei que mais, isso é de enlouquecer. Pelo menos, Jesus tem uma história por detrás, um passado visível de entrelaçamento de culturas.
    Quando somos mais novos procuramos Deus para nos tirar o sofrimento e continuaremos sempre a pedir, o que muda é a forma de nos dirigirmos a Ele. Não sabemos falar com Ele durante muitos anos, estamos sempre a ordenar como se fôssemos o patrão Dele, faz isto, faz aquilo. É difícil agir de outro modo até que de repente Jesus nos faz refletir. Jesus tem uma ligação tão íntima, tão profunda, Jesus vê-o com outros olhos, com olhos diferentes de um judeu vulgar e até de eruditos da sua época. Mesmo assim continuamos a ver Deus como um canal para nos servir somente e não é assim. E Jesus, no seu último suspiro, abandonou-se com resignação porque tinha chegado a hora de se encontrar com o Pai que tanto amava apesar de, no seu desespero de homem mortal, também ter pedido para o livrar do sofrimento atroz. Deus não lhe providenciou um meio de fuga como gostaríamos que tivesse acontecido para continuar o desenrolamento de mais episódios em que o nosso herói Jesus converte toda a gente ao reino de Deus. Na nossa vida vamos ter que aceitar também com resignação o que acontece à nossa volta e a nós próprios, Deus não está ali para nos contentar por mais razão que tenhamos embora Ele nos atenda em certas situações que mais não são do que um aprendizado.

  33. Olá, Barros. Sempre espirituoso…se fosse um hindu você pronunciaria o nome dos deuses da sua preferência, tal como se se dirigisse aos santinhos ou à Nossa Senhora.

  34. corrigindo «impedir-me-ia» no comentário a SSrodrigues. Não reparei no erro, desculpe.

  35. se fosse um hindu você pronunciaria o nome dos deuses da sua preferência,

    Confere!

    Um hindu não pediria socorro ao Deus cristão; um muçulmano não pediria socorro aos deuses hindus, e um ateu não pediria socorro a deus nenhum.

  36. Apesar de agora não estar numa situação extrema de aflição, é bom, é salutar pensar em Deus em agradecimento pelos momentos de tranquilidade, pelas tréguas no nosso mundo confuso de relacionamentos, de tragédias, de catástrofes, de problemas económicos e afins.

    Já escrevi sobre isso no post intitulado Deus significa outra coisa.

  37. O Criaturo, então, acredita num mundo espiritual?

  38. Barros, os deuses hindus têm o mesmo valor para os indianos do que o deus cristão para nós. Alá significa o mesmo para os muçulmanos e os ateus movem-se dentro de culturas em que há sempre um qualquer tipo de divindade. Um ateu judeu poderá eventualmente converter-se e pedir socorro ao Deus das escrituras hebraicas, e você, Barros, poderá passar um dia por circunstâncias em que o primeiro deus que lhe vier à cabeça será o da sua cultura. Se um dia clamar, o Deus que irá vislumbrar será o Pai de Jesus, Aquele de quem ele diz: quem vê a mim,vê o Pai. A não ser que queira pedir ao próprio Jesus que agirá como intermediário ou à sua mãe,ou ao seu pai, se eles já tiverem passado o véu.

  39. A gente pode passar a eternidade debatendo mas você não irá entender isso (porque não quer entender, claro):

    Clamar pela ajuda de Deus (ou de qualquer deus) faria tanto sentido para mim quanto clamar pela ajuda do Super-Homem.

    Você dizer que eu, eventualmente, poderia me ver tentado a pedir ajuda a Deus numa situação crítica é uma extrapolação inconsciente da sua própria condição. Você sabe que VOCÊ faria isso e não consegue imaginar por que uma outra pessoa não faria também.

    E, de novo, citando sua frase:

    é salutar pensar em Deus em agradecimento pelos momentos de tranquilidade,

    Pense em como um religioso no Brasil poderia estar fazendo isso agora mesmo, enquanto religiosos judeus e palestinos não! E, no entanto, eles são — tecnicamente — crentes no mesmo Deus.

    Você pode, sim, agradecer a um ser imaginado por estar lhe proporcionando momentos de paz, assim como pode, num momento de perigo, gritar pelo Super-Homem.

  40. Barros, nunca diga «desta água não beberei». Você não sabe o que o futuro lhe reserva. Ou pensa que eu também não tenho momentos em que penso como o Barros? A diferença entre você e eu é uma questão de personalidade, vivências, local geográfico, família, circulo de amizades, situações ocorridas, traumas de infância e adolescência e, talvez, profissão. A sua convicção, forte, de que não precisa desta muleta para andar, resulta da vida que você tem e teve até agora. Se o seu rumo é diferente do meu, você considera-me uma pessoa frágil, dependente de absurdos para se manter à tona da água. Mas se ainda estou aqui, se não soçobrei já, é devido a esta esperança que eu acalento embora uma onda de pessimismo me invada de vez em quando.
    Não quero que a vida lhe desande para você acreditar em Deus. Até gostaria que fosse o contrário. Que uma experiência boa lhe permitisse ver o Deus que Jesus viu. E que, imerso nessa felicidade, você mude a vida dos outros trazendo-lhes raios do sol que o iluminará.

  41. A esperança que você tem em Deus certamente pode ser real, mesmo Deus não sendo.

  42. Maria

    O Criaturo, então, acredita num mundo espiritual?

    Claro! ta me achando com cara de ateu? Deus me livre disso!

  43. Maria
    Barros, nunca diga «desta água não beberei».

    e como poderia dizer isso se ja foi um ex crente ?
    mas agora se transformou em uma ovelha perdida da casa do pai dele…ha..ha…ha…ha..ha

    deve ser difícil conseguir viver socialmente dentro de uma maioria de crente, e ai Barros conte ai como é este drama ?
    mantem se no anonimato ATEU, ou solta o verbo abertamente ?

  44. Olá, querida ssrodrigues. Sabe, essa situação limite impeder-me-ia de raciocinar. Possivelmente, só pronunciaria meu deus…meu deus, sentindo-me incapaz de me concentrar em outra pessoa que não em mim própria.

    E isso seria o seu instinto de sobrevivência animal sendo influenciado por seus últimos resquícios de racionalidade humana.
    Foi nossa racionalidade quem produziu a ideia Deus, baseada em nossa forma de ser diferente dos outros animais. Estes estão submetidos ao meio e nós aprendemos a submeter o meio, criando um mundo em que sobreviver nos fosse o máximo favorável.
    Fomos dominando o desconhecido (e continuaremos a fazê-lo até o limite do possível).Para o que ainda nos era desconhecido, criamos um criador à feição do que somos: criadores do mundo. E que responde também à consciência que temos de que, por mais que façamos, nunca chegaremos a estar em condições de criar um mundo em que as condições sejam perfeitas, ou seja, de que não morreremos nem sofreremos mais.
    Deus é a expressão de um ideal humano. É por não ser uma existência concreta e independente, fora de nós, que esse ideal se presta a tudo, inclusive às formas de religião que a enlouquecem.
    Aliás, o seu próprio ideal é um deus representando uma utopia que em tudo foge à condição humana: não sofrer e não fazer sofrer.

    Mas voltando ao assunto: o nosso instinto de sobrevivência, misturado a nossa racionalidade, quando ameaçado procura qualquer forma de tentar escapar da aniquilação. E uma das formas poderia ser apelar a um ser sobrenatural.
    Uma outra forma, que não costuma ser rara de acontecer em situações assim é o canibalismo.
    Nesta situação, a pessoa, por mais crente em Deus que seja, passa por cima dessa crença e atende a seu instinto de sobrevivência.

    Então, um ateu apelando a alguma ideia de ente sobrenatural numa situação extrema tem o mesmo peso de um crente nalgum deus, que apela ao canibalismo.

  45. Criaturo, que boa disposição! Só por si vale a pena vir a este blog. E que desafios bem humorados lança ali ao nosso Barros. Se ninguém se risse aqui, virávamos todos ateus para a vida eterna. Assim continuo no meu elemento, ateia à 2ª feira (dia de trabalho chato), à sexta já me vou sentindo melhor e viro para o agnosticismo, sábado e domingo folgando, vida boa, sou crente.

  46. deve ser difícil conseguir viver socialmente dentro de uma maioria de crente, e ai Barros conte ai como é este drama ?

    Imagine que todo mundo tá bêbado ao seu redor, rindo pro vento, contando umas estórias sem sentido, piadas sem graça, e querendo conversar com você, que está sóbrio, uns assuntos chatos de doer!

    É mais ou menos assim.

  47. Maria

    Se ninguém se risse aqui, virávamos todos ateus para a vida eterna. Assim continuo no meu elemento, ateia à 2ª feira (dia de trabalho chato), à sexta já me vou sentindo melhor e viro para o agnosticismo, sábado e domingo folgando, vida boa, sou crente.

    Que interessante uma pessoa achar engraçada uma outra que faz chacota com a situação de pessoas que muitas vezes, para poder trabalhar e viver em sociedade, precisa esconder que não acredita nalgum deus, para não ser vista como alguém destituído de caráter e princípios ético-morais.

    Interessante também que para você, ser destituído de capacidade para o bom humor e detestar trabalhar são características próprias dos ateus. Como você diz que se tiver um bom fim de semana torna-se crente, fica implícito que para você o ateísmo é resultado da pessoa sentir-se injustiçada pelas agruras reais e imaginárias da vida.

    Resumindo, para você uma pessoa não é ateia por pensar sobriamente a respeito da crença e do objeto da crença e não encontrar correspondência com a realidade. A pessoa é ateia por estar de mal com a vida.

  48. SS, calma…paz. Você é um ossinho duro de roer… aproveitou ali uma brecha de descontração em que me relaxei no sofá e degluti umas palavrinhas do Criaturo aos golinhos como se sorvesse um cafézinho para me confrontar. Eu simplesmente queria dizer que sou uma pessoa com dúvidas e por isso tenho momentos em que não acredito em nada como já tinha referido ao Barros, outras vezes tenho lampejos de esperança. Olhe, eu não vejo as coisas sempre ou a preto ou a branco. Não sou assim tão rígida como você. Há tonalidades nas coisas. Eu estou aqui dialogando com alguém com quem nunca poderia ter afinidades (Barros) se achasse que só eu tinha razão. Demos as mãos para a construção de um mundo melhor, ateus e crentes, amor…amor… é tudo o que desejo para todos do blog.
    E você está a fazer uns juízos acerca do meu pensamento e da minha pessoa só por causa de achar o Criaturo engraçado. Eu sei que ele não é sempre assim, todos temos os nossos momentos…
    «Que interessante uma pessoa achar engraçada uma outra que faz chacota com a situação de pessoas que muitas vezes, para poder trabalhar e viver em sociedade, precisa esconder que não acredita nalgum deus, para não ser vista como alguém destituído de caráter e princípios ético-morais.»
    Devo dizer que não me parece que o Criaturo faça chacota, ele não zomba, reflete a sorrir ou então sou muito ingénua. Eu vivo numa sociedade pouco religiosa e não me consigo enquadrar nessa perspetiva que você tem de que para poder viver e trabalhar em sociedade tem que esconder que é ateia. Aqui, quanto mais ateus, melhor a vida.
    «Interessante também que para você, ser destituído de capacidade para o bom humor e detestar trabalhar são características próprias dos ateus.»
    Peço a Deus que lhe dê melhor entendimento. Não quero ser vossa inimiga. Mas eu disse lá coisa semelhante a essa? Pode-se debater o ateísmo e a crença com bom humor como faz o Criaturo; imagine um diálogo durão o tempo todo consigo. Nem o Barros faz isso. Detestar trabalhar é próprio dos ateus? Eu disse aquilo a brincar; 2ª feira é um dia terrível em que estou assim mais para a escuridão e aí posso ser mais deprimente em relação à visão de Deus, posso pôr isso em causa, mas estou-me a referir a mim própria, não aos outros. Já sei que vou ser atacada por dizer isto. Afinal, é o estado de espírito que me põe assim. Não, nem sempre é assim. Tento olhar o passado e perceber o porquê dos acontecimentos.
    Tenho que parar um pouco porque ainda não li o seu comentário anterior a este.

  49. Pronto, já li. Tudo o que você disse foi ao encontro do meu lado racional, que também pensa assim. Em situações extremas acontece aquilo que os relatos do Velho Testamento apresentam: mães a cozinharem os filhos; dramas insanos porque as pessoas não estão em devidas condições mentais porque lhes falta o básico para a sobrevivência. São esses horrores que nos levam a descrer de Deus. A SS é relutante em acreditar por causa disso ou chegou a um ponto em que simplesmente rejeita a ideia de Deus devido ao avanço da ciência?

  50. Maria, o avanço da ciência tem muito a ver sim com a descrença em deuses.

    Se, por exemplo, eu vivesse numa época em que todo o conhecimento disponível viesse dos anciãos da minha aldeia, e isso envolvesse a crença em deuses e espíritos e demônios, eu fatalmente seria um crente.

    Quando alguém estivesse se contorcendo de dor, com uma diarreia intensa e coisas do tipo, e os anciãos dissessem que a pessoa estava possuída por um demônio, e que, para expulsar o bicho, todos deveríamos dançar em volta de uma fogueira cantando e bebendo, eu certamente iria fazer isso e iria achar que estava fazendo a coisa certa.

    Mas, hoje, que poderíamos atribuir aquele comportamento a uma infecção alimentar, e poderíamos mandar o paciente pro pronto-socorro, por que as pessoas ainda acreditam em Deus (deuses)?

    Por várias razões:

    – há (e sempre houve) quem ganhe com a crença que as pessoas têm em Deus (deuses);

    – cada ser humano tem um desejo inerente de sobreviver à própria morte, e a fantasia que as religiões incrustam nas mentes de cada um é justamente essa: a morte não é o fim;

    – existe uma instituição montada, e da qual a sociedade até certo ponto depende (por costume), que trata da disseminação e manutenção desse sonho de Deus;

    – nossa cultura não só prevê como espera que cada um de nós faça parte desse “clube” dos seres humanos especiais que sobreviverão eternamente num mundo mágico e pacífico, sem mortes, sem conflitos, sem sofrimento, ou seja, tudo que a gente vê nesse mundo, e detesta.

    Resumindo: a crença em Deus se alimenta dos nossos medos mais humanos, e dos nossos desejos mais prementes.

  51. Maria

    Criaturo, que boa disposição! Só por si vale a pena vir a este blog. E que desafios bem humorados lança ali ao nosso Barros. Se ninguém se risse aqui, virávamos todos ateus para a vida eterna. Assim continuo no meu elemento, ateia à 2ª feira (dia de trabalho chato), à sexta já me vou sentindo melhor e viro para o agnosticismo, sábado e domingo folgando, vida boa, sou crente.

    sim, manter o humor é sempre bom, saber ver o lado bom também.
    concordo com a sua laicidade flex, radicalismo e fanatismo só fecham as portas ao conhecimento.

  52. Imagine que todo mundo tá bêbado ao seu redor, rindo pro vento, contando umas estórias sem sentido, piadas sem graça, e querendo conversar com você, que está sóbrio, uns assuntos chatos de doer!
    É mais ou menos assim.

    sente-se superior a eles ? porem é obrigado a conviver com eles ?

    isso me lembrou quando adolescente com outro amigo, observavamos a dificuldade de um homem caminhar aparentando embriaguez, meu amigo de pronto tentou ajuda-lo chegar em casa, eu fui mais na intenção de fazer piadinhas, de repente o bêbado ficou lucido e me chamou atenção! confesso que fiquei envergonhado.

    outra vez visitava eu uma casa com alguns deficientes, havia uma mulher em uma cadeira de rodas gritando coisas desconexas, quando me abaixei para despedir me ela ficou “sóbria” e me disse aos ouvidos: “eu não estou bem não, reze por mim”, e logo voltou ao seu mundo de “embriaguez “.
    comece a prestar atenção no que os loucos dizem e perceberá algum fundo de verdade no que dizem, alias os mais “doidos” são sempre os mais inteligentes.

  53. SS

    maria disse:

    Se ninguém se risse aqui, virávamos todos ateus para a vida eterna. Assim continuo no meu elemento, ateia à 2ª feira (dia de trabalho chato), à sexta já me vou sentindo melhor e viro para o agnosticismo, sábado e domingo folgando, vida boa, sou crente.

    Que interessante uma pessoa achar engraçada uma outra que faz chacota com a situação de pessoas que muitas vezes, para poder trabalhar e viver em sociedade, precisa esconder que não acredita nalgum deus, para não ser vista como alguém destituído de caráter e princípios ético-morais.
    não fiz chacota , apenas tive curiosidade em saber na vida real como vocês se comportam dentro de uma sociedade crente, se se sentem coagidos ao anonimato ou se manifestam suas descrenças abertamente.
    eu acho que ateus “podem ser gente como a gente”….ha..ha..ha..ha.ha

    sério! não compactuo com pre conceitos de religiosos como sendo boas referência morais.

    Interessante também que para você, ser destituído de capacidade para o bom humor e detestar trabalhar são características próprias dos ateus. Como você diz que se tiver um bom fim de semana torna-se crente, fica implícito que para você o ateísmo é resultado da pessoa sentir-se injustiçada pelas agruras reais e imaginárias da vida.

    são voces mesmos que justificam suas descrenças na falta de evidencias , pois em um mundo cheio de “agruras” não pode existir um Deus bom.

    A pessoa é ateia por estar de mal com a vida.
    ateus são pessimistas por preferirem crer na morte eterna do que na possibilidade da vida ser eterna, preferem acreditar que nasceram da falta de razão e que voltarão para ela.

  54. Pois é, Criaturo, o ceticismo a cada instante da nossa vida, torna-se fanatismo também. Há quem lhe chame andar com os pés no chão. Mas uma lagarta transformar-se em borboleta não é um mistério? Uma semente dar origem a um pezinho verde e folhas não parece algo improvável? Como estamos fartos de ver isso acontecer logo passa a ser normal.
    Um dia, estava eu na varanda a assistir à chegada das andorinhas. Apareceu um bando delas e começou a haver uma espécie de perseguição entre elas. Deduzi que fosse o cortejamento. O que elas rodopiavam! Parecia uma valsa e eu era uma espetadora sentada a ver a mocidade divertir-se num baile. Um pardalinho que andava no quintal a voar para cima da vedação pretendeu juntar-se-lhes. Mas não conseguia atingir o ponto alto delas que voavam muito acima no céu. Ele esforçou-se tanto para chegar ao pé delas mas não conseguia. Até dava cambalhotas no ar ao aterrar no chão. Ele ascendia mas não aguentava e caía. Eu perguntava-me: será que ele não percebe que elas não têm nada a ver com ele? Mas ele fez tantas tentativas antes de desistir. Não podemos nós também tentar penetrar num mundo que não percebemos à primeira e só depois desistir após termos feito as devidas experiências?

  55. Eu partilho das suas observações, Barros, eu compreendo tudo o que você disse. Mas eu também sou coerente quando me chama a vontade de acreditar. «Então,Jesus disse-lhe:«Se não virdes sinais extraordinários e prodígios, não acreditais.». Crer dentro de uma visão simples da vida, sem esperar nada em troca, se calhar é o caminho.

  56. Maria
    voce é um ser sensível a natureza, no quintal da minha casa em um pé de limão é comum passarinhos fazerem ninhos, havia um com dois filhotes que os pais se revezavam a criar, certa dia um gato conseguiu subir e quando percebi, só havia penas pelo chão, pensei o bichano com fome devorou a família toda, mas…..depois encontrei um filhote por entre os canteiros, como ja estava ensaiando os primeiros vôos, torci para que ele aprendesse logo antes que o gato voltasse para o jantar, mas…..no final da tarde chovia e tive uma surpresa agradável e comovente os pais haviam voltado e reencontraram seu filhote, e incrível pai e mãe protegiam seu filhote da chuva, entre suas asas e davam beijos neles a todo instante, que graça!
    A natureza é uma beleza!

  57. Olá, Criaturo. Essa cena que descreveu é muito ternurenta. No meu quintal só aparecem pardalinhos e um melro. Às vezes, um pardalinho vai debicar um raminho de uma planta que eu tenho que dá florinhas brancas e arranca-o levando-o no bico. Presumo que é para fazer um ninho. Tenho também um limoeiro mas eles apenas esvoaçam por lá como se visitassem o parque infantil e vão-se embora. A natureza é bela e terrível ao mesmo tempo. Essa dualidade contribuiu para a formação das religiões.

  58. sim MARIA , a natureza tambem pode ser cruel, a mão que acaricia é a mesma que mata.

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