7 mitos sobre Deus (Pt 1) [Republicação]

A revista Época dessa semana trás essa matéria de capa sobre o livro The Case for God, da escritora inglesa e ex-freira católica Karen Armstrong, que tem previsão para ser publicado no Brasil no fim do ano que vem.

Segundo o autor da matéria, o livro faz parte de uma nova onda que “tenta revidar os ataques do grupo de pensadores conhecido como ‘os novos ateus’” (referindo-se a Dawkins,  Hitchens e outros) e “faz o melhor contra-ataque às teses do grupo”:

“Como os fundamentalistas religiosos, eles [os ateus] infantilmente concebem Deus como um ser poderoso que os homens não conseguem enxergar.”

Essa citação é um exemplo mais do que contundente da desonestidade por trás da mente religiosa e essa ex-freira certamente vai tratar o assunto desse modo ao logo do livro: ela simples e descaradamente —  como se ninguém fosse notar — quer vender a ideia de que ateus “concebem Deus como um ser”. Se eu concebesse Deus como um ser, eu não seria ateu.

Mais à frente, o autor da reportagem parafraseia outro trecho do livro:

“Mas o avanço da ciência, a partir do Iluminismo, cerceou nossa mente e restringiu seu alcance a fatos empiricamente comprováveis.”

Nisso eu sou obrigado a concordar com a autora do livro. Uma mente inserida num universo onde existem bruxas, fantasmas, demônios, anjos, milagres e deuses, é uma mente que tem consciência de um universo bem maior do que aquele que a minha própria mente pode conceber. Isso é fato.

Eu não temo demônios, por exemplo, porque, no meu universo, eles não me afetam nem se mostram, logo, eu não tomo conhecimento deles. Mas, se há quem os tema por percebê-los, é óbvio que essa pessoa vive num universo um pouco mais abrangente do que o meu.

Felizmente, entretanto, as “criaturas” que habitam esse universo mais amplo parecem não ter livre acesso ao universo ateu, mais restrito. E isso, segundo a autora, tem um motivo, ou, antes, uma culpada: a ciência.

“A ciência suprimiu um dos ingredientes mais relevantes da fé: o mito, a capacidade humana de, por assim dizer, vislumbrar o inconcebível.”

Não sei se a tradução foi feita corretamente, mas a palavra “mito” parece ser um ligeiro deslize de honestidade no meio da argumentação desonesta da autora. Isso poria o deus cristão no mesmo nível do deus nórdico Odin e, certamente, não seria essa a intenção dela. E “vislumbrar o inconcebível” poderia ser facilmente entendido como “delirar”.


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4 Respostas

  1. Tenho essa edição em casa. Muito boa.

  2. Tenho essa edição. Muito boa.

  3. Eu guardo algumas revistas de alcance nacional falando sobre religião, cristianismo, etc. É sempre um bom material de consulta.

  4. A simplicidade da crença é o que a torna completa. Quando o homem reconhece o valor, e a realidade de Deus, que Ele esta acima de suas concepções e temores, a fé realmente torna-se firme. Se Deus é como um homem, raciocina e reage como um homem, logo, por que seria um Deus? Deus é superior em cada parte de seus intentos, isso faz dele Deus. Isso é fé, isso salva.

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