O Estupro Sagrado da Virgem Maria

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Bendito é o fruto do vosso ventre: Jesus!

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O Evangelho de Mateus meio que passa por cima do assunto, sem querer entrar muito em detalhes, o que é bem compreensível, visto a natureza deveras escabrosa do ocorrido. Mas o livro de Lucas, segundo o meu ponto de vista, descreve uma recatada moça de família, virgem e maritalmente comprometida sendo vítima de assédio sexual seguido de estupro.

Na verdade, e a bem da verdade, o termo “estupro” não se ajusta perfeitamente nesse caso específico. É que, tecnicamente falando, o nosso Código Penal não abrange a situação em que o intercurso sexual se dá sem a presença do estuprador, mesmo que, como prova do crime, tenha resultado numa gravidez indesejada, como foi a de Jesus Cristo. Uma vez que o meliante autor do delito estava presente apenas em Espírito, esse crime hediondo escapuliu do devido enquadramento legal, visto que um princípio jurídico determina que nenhum ato pode ser considerado criminoso sem uma lei prévia que o estabeleça como tal.

Explica-se, então, que a atitude divina para com aquela plebeia judia só não pode ser considerada adequadamente um estupro por conta de nossa ferrenha atenção às normas que nós mesmos criamos. Mas se não foi aquilo um estupro, teria sido o quê? Um contato imediato do sexto grau? Para quem não sabe, um CI-VI é aquele em que um humano tem relações sexuais com extraterrestres. (No caso em questão, o E.T. seria Deus; ele “não é terreno”, logo, a terminologia se aplica.)

Assim, por falta de uma nomenclatura vigente; por o caso em apreço não ter se configurado uma conjunção carnal propriamente dita — segundo nossas próprias definições — , eu passarei a adotar uma expressão própria para me referir ao ato da concepção do Salvador, daquele que é a Luz do mundo e sem o qual ninguém chegará ao Pai.

Segundo a Bíblia, embora não esteja lá assim tão claramente posto, Deus assediou sexualmente e violentou de uma forma sobrenatural a Virgem Maria. Um caso clássico, portanto, de “estupro sagrado”.  

E é isso que passo a analisar agora, dando início com a transcrição do B.O., digo, das Escrituras:

E estando Isabel no sexto mês, foi enviado por Deus o anjo Gabriel a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada de um varão chamado José, da casa de Davi, e o nome da virgem era Maria.

Entrando pois o anjo onde ela estava, disse-lhe:

“Deus te salve, cheia de graça! O Senhor é contigo! Bendita és tu entre as mulheres.”

Ela quando o ouviu, turbou-se do seu falar, e discorria pensativa que saudação seria esta. Então o anjo lhe disse:

“Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus. Eis que conceberás no teu ventre e darás à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus.” (…)

E disse Maria ao anjo:

“Como se fará isso, pois eu não conheço varão?” 

E respondendo, o anjo lhe disse:

“O Espírito Santo descerá sobre ti, e a virtude do Altíssimo te cobrirá da Sua sombra. E por isso mesmo o Santo, que há de nascer de ti, será chamado Filho de Deus.” (…)

Então, disse Maria:

“Eis aqui a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra.”

E o anjo se apartou dela.

(Lucas, 1:26-38)

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CONTINUAÇÃO:

Um estupro versículo a versículo (parte 1)

Um estupro versículo a versículo (parte 2)

Não deixe de ler, também:      A Cobiçada Vagina de Nossa Senhora

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5 Respostas

  1. Bom texto, exceto pelo vício de linguagem: “Meio que”.
    É um termo que empobrece o conteúdo. Algo não pode “meio que” passar por cima. Passa ou não passa.

  2. Obrigado.

  3. Não havia percebido a dupla ocorrência de “meio que” no texto. Vou editar uma e a outra eu deixo meio que pra fazer graça… : )

  4. Essa desculpa de ser engravidada pelo espírito santo é uma grande piada, acho que foi uma inseminação abstrata e não figurativa. Congratulo a quem teve a ideia inventar essa história para salvar Maria de ser apedrejada até a morte por ela ter dado antes de casar. Essa foi a grande mentira que a salvou, esse Jesus é fruto de um grande engodo, já começou errado e ludibriando as pessoas e continuou assim até sua morte.
    Hoje em dia não cabe mais uma desculpe dessa, porque já foi inventada antes e está escrito na bíblia.
    A expressão ‘meio que’, deve ser entendida pela forma e intenção de como o texto foi escrito.
    Um abraço Barros, que bom ter você de volta, seus textos são riquíssimos e atuais.

  5. Talvez a história de Jesus ter sido gerado por um deus tivesse sido influenciada pela mitologia grega e romana em que os deuses geravam semideuses tendo relações com mulheres mortais.
    Nos escritos de Paulo não há qualquer preocupação em abordar esse assunto. Essa lenda deve ter sido construída séculos depois da morte de Jesus. Deviam fazer-se muitas perguntas que ficavam sem resposta e os evangelistas, na sua busca pela verdade, teriam optado por essa explicação que lhes pareceu mais plausível.
    Jesus passou a ser um Filho de Deus carnal por parte da mãe e espiritual por parte do Pai. Não bastava Ele ter nascido de novo através do batismo e arrependimento dos pecados. Os homens nunca estão contentes. Resta saber o que terá ouvido Paulo no seu encontro com os apóstolos que terá feito com que a sua aceitação de Jesus fosse plena e cheia de confiança.
    Se os novos conversos tivessem tido curiosidade em saber as origens de Jesus, porque não teria Paulo escrito coisa alguma? O que é que se saberia de Jesus nessa altura? Uma coisa é certa: não havia mistério algum nem nada que não fosse transparente e como tal não havia que prestar esclarecimentos.

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