Política de Conduta do DeusILUSÃO

 política de conduta

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Em 25/08/2014 10:38  Irineu Costa Junior escreveu:

Caro Barros,

Para seu conhecimento e como crítica construtiva, venho relatar minha infeliz experiência em minha participação no fórum “Jesus está voltando“.

Como já havia dito no post, o nível de alguns comentários é baixíssimo, ofensivo e de cunho pessoal, como no caso específico do André. E vê-se que muitos dos participantes entram na dele, rebaixando-se e respondendo no mesmo nível.

Como o André deixa transparecer em seus comentários, não parece haver real interesse dele em defender os papas, ou a fé católica, ou mesmo o cristianismo, mostrando ser apenas elemento polemizador e agitador para – como ele mesmo afirma – “dar audiência” no blog, sendo que, para tanto, usa de falsidade, fato que eu relatei no post mas ninguém sequer se dignou a “dar bola”.

No mínimo, entendo que ele deveria ser severamente advertido por sua conduta imprópria e, caso persistisse, ter seus comentários bloqueados, ou, até mesmo, a sua participação proibida.

Para mim (e espero, sinceramente, que você concorde), é essencial o respeito, a seriedade, a franqueza e o bom nível de tratamento e relacionamento entre os participantes, e não o uso de artifícios do tipo para “incentivar” a participação.

À vista disso, venho reclamar providências de sua parte, como administrador do blog, para que sejam, de alguma forma, sanadas essas pendências apontadas, demonstrando, assim, que não há conivência ou anuência sua neste quesito específico, pois, quanto a mim — não sei se para você é importante ou não a minha participação — , deixo registrada minha indignação e falta de desejo e incentivo em continuar a participar.

Atenciosamente,
Irineu Costa Junior

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Em 25/8/2014 13:00, DeusILUSÃO escreveu:

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Olá, Irineu.
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Sua participação é importante nos comentários, seja discutindo os meus textos ou apenas debatendo sobre religião, que é o tema do meu blog. Também acredito que o respeito e a seriedade são fundamentais para se manter um bom nível de qualquer debate. Justamente por isso, eu não debato com qualquer um.
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Como você já sabe, no blog não há moderação de comentários. E não tenho “funcionários” para analisar cada frase de cada texto para verificar se é ou não potencialmente ofensiva a quem quer que seja. Espero que entenda esse ponto. Mas se eu observasse, por exemplo, que um participante publica, repetidas vezes, comentários sem nenhuma relação com os temas propostos, sendo apenas gratuitamente ofensivo, fazendo uso de palavrões, etc., pura e simplesmente por causa de não haver moderação, aí certamente aquele participante seria bloqueado, tal e qual o site já faz automaticamente com qualquer spam.
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Nos demais casos, como é o caso em pauta, eu prefiro deixar que os próprios participantes percebam que não vale a pena discutir com uma pessoa específica, e, como sempre acontece, aquela pessoa acaba por não voltar mais. Mas se os demais participantes dão e continuam dando atenção a um comentarista em particular (como é o caso com o André), e continuam a discutir com ele, não vejo por que tenha que ser eu a me intitular o baluarte da moral e dos bons costumes só por ser o administrador do blog, e escolher bloquear aquele que seria supostamente o lado podre da discussão. Seria obviamente uma censura. E eu seria o censor. Não me sentiria confortável nessa posição, e sei que não estou lidando com crianças de cinco anos de idade. Acho que o comportamento mais inteligente é não ler mais o que determinada pessoa escreve, e não se dirigir mais a ela.
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Entretanto, tendo em vista este seu e-mail, bem como algumas críticas da leitora Maria, eu vou publicar em breve um texto falando sobre a “política do blog“, criando essa aba específica sobre isso, em substituição à atual “Comunicar erros”.
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Espero que, quando esse texto for publicado, você dê sua opinião lá sobre o que achou da minha decisão.
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Grande abraço, e obrigado pelo contato.
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Barros

 “Bem-vindo ao mundo real”

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Ao contrário do que possa sugerir,

Política de Conduta do DeusILUSÃO

não se refere ao comportamento esperado

dos leitores do blog,

mas do seu Autor.

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Eu ponho meu ateísmo à prova

 gato.

O leitor Diogo “Azetech” Morelli, escreveu esse comentário enorme no qual ele me confronta com os mesmos argumentos que qualquer crente pode usar, contra qualquer um, a qualquer momento: fé e ignorância. Se ele não entende alguma coisa, se lhe falta algum dado, se não tem uma resposta, ele mete no meio o Deus no qual foi treinado a acreditar e pronto: problema resolvido! Eu me contive em apresentar as mesmas respostas de sempre, mas queria dar destaque à pergunta que eu achei mais instigante:

 Deus pode ser real e os naturalistas é quem vivem em uma ilusão. Quem garante?”

Pois muito bem… Eu garanto!

Garanto que o mundo natural é a realidade, e que todos os crentes em todos os deuses de todos os tempos foram iludidos. Assim como você. Para provar isso, eu passei algum tempo trancado no meu laboratório bolando um teste. Funciona assim:

Eu e você, Diogo, nos encontraremos num pátio de estacionamento de um shopping center qualquer, perto de uma lanchonete McDonald’s, ao pôr do sol. Nós ficaremos distantes 2 metros um do outro.

Quando o experimento tiver início, eu me aproximarei de você e esfregarei, na sua cabeça, uma considerável quantidade de cocô de gato, que eu devo ter recolhido previamente do mundo natural. O tempo para essa fase será de apenas 1 minuto.

Finalizada essa etapa, eu me afastarei de você por 176 metros. Ao atingir essa distância, você deverá orar e pedir para Deus me fulminar com um raio. Após concluída a oração, que não poderá se estender além de três minutos, o tempo para Deus se manifestar também será de um minuto.

Após isso, o teste se encerra de uma dessas duas maneiras:

1- Você vai pra casa se lavar de toda aquela merda de gato, e deixa para as autoridades a difícil missão de descolar os meus restos mortais do asfalto.

2- Você vai pra casa se lavar de toda aquela merda de gato, e eu vou tomar um milkshake de chocolate no McDonald’s.

Se você topar participar desse desafio, mande um e-mail para barros@deusilusao.com marcando dia e lugar, com uma antecedência mínima de uma semana, porque, se por um lado o seu Deus é onipresente, merda de gato não é lá uma coisa assim tão fácil de se achar.

     

 

Hoje é dia de Maria

hoje é dia de maria 

 

A leitora Maria me escreveu um comentário fazendo as seguintes perguntas:

  Se se esgotassem todas as alternativas, o que faria? Imagine-se numa grande dificuldade, sem amigos, sem parentes que quisessem saber de si… Não se ajoelharia? Não suplicaria?       

Eu havia prometido a ela que responderia com um texto aqui no blog, e estou cumprindo a promessa. E aqui vai a resposta: Não.

Eu não me ajoelharia. Eu não suplicaria. E não só porque isso seria ridículo; mas principalmente porque seria inútil. Não há nada parecido com uma fada-madrinha cósmica que esteja interessada em ouvir as nossas súplicas; muito menos atendê-las. O que há são pessoas que acham fascinante essa ideia de possuírem um gênio da lâmpada pessoal que não impõe limites ao número de desejos a pedir. Vale notar que, mesmo que essas pessoas não tenham os seus próprios desejos atendidos, elas se confortam no fato de que o tal do gênio atendeu o pedido de outros, talvez assim, quem sabe, achando um motivo para continuar esperando que um dia o pedido delas também seja atendido. Talvez exista uma fila, ou uma lista de espera. Vai saber…

O que me deixa irritado nas pessoas religiosas não é a sua fé. Você pode fazer uma oração pro vento do meu lado, se quiser, que não vai me incomodar. Mas não teste minha tolerância às suas hipocrisias. Quando alguém vem se gabar pra mim que é muito importante para a criatura que supostamente construiu o nosso universo, a ponto de ter sido curado por ela, eu faço questão de criar uma inimizade, lembrando que ele ou ela não recebeu uma intervenção divina, mas sim uma intervenção cirúrgica.

As pessoas me detestam porque eu não perco a chance de lembrar a elas que tudo seria exatamente como é, mesmo que ninguém acreditasse em nenhum deus. Às vezes morreria todo mundo num desastre de avião; às vezes alguém escaparia com vida. Às vezes você se curaria de uma doença; às vezes morreria por causa dela. Às vezes você conseguiria algo que queria muito; às vezes você iria ter que simplesmente se conformar por não poder ter tudo o que quer. O mundo em que vivemos, mesmo tanta gente acreditando em Deus, é completamente indistinto de um mundo em que ninguém acreditasse nele. 

Mas o que eu, particularmente, faria numa situação de grande dificuldade em que me visse sem saída e sem ajuda? Eu continuaria mantendo a esperança. De achar uma saída. De conseguir ajuda. De tudo acabar bem.

  

 

 

Resposta a ‘Um Deus sem Bíblia’ [Republicação]

ao pó voltarás

Criaturo, meu querido… Li seu texto. Duas vezes. Ufa… Graças a Deus, você não me decepcionou. É um texto até interessante, do ponto de vista literário, mas é do tipo que se espera de um crente; e isso não é um elogio.

Reservo-me o direito de não comentar exatamente tudo, bem como sequer estabelecer uma ordem nos pontos abordados. Assim, eu começo pelo que achei mais revelador: os percentuais da “Trindade Divina”.

Quando se estabelecem porcentagens, presume-se que alguém fez um cálculo ou uma estimativa perfeitamente reproduzíveis, se necessário. Eu posso dizer, por exemplo, que 75% do nosso planeta é coberto por água. Não é um cálculo preciso: é uma estimativa. Também posso dizer que, mês passado, eu comprometi 46,72% dos meus rendimentos com a aquisição de peças e tabuleiros de xadrez. Não é uma estimativa, é um cálculo preciso. Nos dois casos, eu poderia demonstrar como cheguei a esses números, de modo que você fosse capaz de repetir o processo e obter praticamente os mesmos resultados: com alguma tolerância em relação à estimativa planetária, e sem tolerância em relação às minhas dívidas.

Você listar a porcentagem de Deus que é humana, a porcentagem que é mecânica, e a porcentagem que é consciência é a sua assinatura endossando o ditado popular “Papel aceita tudo”, porque a única coisa racional que te fez escolher os valores de 30%, 30% e 40% só pode ter sido o fato desses números serem bem fáceis de somar de cabeça pra dar os 100%. Outra razão não há, nem poderia haver, porque, em se tratando de deuses, você não poderia fazer estimativas ou cálculos precisos. Quer dizer… Fazer até pode, mas não iria nunca ter como explicar como chegou aos tais valores.

No começo do texto, eu estava achando que havia entendido o seu ponto de vista: “Ah, então, pra ele, Deus é ‘tudo o que existe’; matéria, energia, antimatéria, o universo enfim. Ora, então a gente só está dando nomes diferentes para a mesma coisa”. Eu, sinceramente, até daria mais crédito ao pensamento de que havia um ser “incriado” e eterno que, de tão solitário no meio do nada infinito, resolveu se matar de tédio, explodindo em zilhões de pedacinhos que deram origem a tudo o que passou a existir no lugar dele. O problema é que isso implicaria na inescapável conclusão de que somos feitos dos átomos do corpo de um Deus suicida. E só, meu caro! E SÓ!! Esqueça a vida eterna, esqueça recompensas por não comer a mulher do vizinho, esqueça presentinhos materiais em troca da falsidade de dizer que ama quem você nunca nem viu.

Não sei quantas pessoas que hoje têm algum tipo de devoção religiosa iriam dormir tranquilas com essa visão de mundo.

Mas, então, você me veio com essa:

    Nós somos o livre-arbítrio de Deus, ele sente em nós o prazer da liberdade proporcionado pela autoignorância da sua onisciência.

“Ora”, eu pensei, “então Deus não se matou”. Isso significa que não entendi qual era seu argumento, ou você não soube explicá-lo, ou não notou que está discorrendo sobre um Deus feito de massinha de modelar, que toma a forma que você quer, pelo tempo que você acha conveniente, ora sendo ‘tudo o que existe’, ora sendo algo ou alguém específico, com direito a sentir prazer com a proeza de ter conseguido se separar de si mesmo, como se Deus fosse um adolescente cósmico que fez surgir de seu corpo uma mão autônoma para masturbá-lo.

Considero o abstracionismo do seu raciocínio até certo ponto louvável, mas não posso deixar de notar que ele está infectado dessa tal doença tautológica, debilitante, detratora, contaminante e indisfarçável, que o faz desmoronar devido à incapacidade de sustentar uma definição que traz entranhada em si mesma o objeto a ser definido, sem o qual não se completa.

Deus é o que uma parte independente dele diz que ele deve ser para que tudo seja como realmente é. Minha mente matematicoenxadrística me livrou da fascinação por esses jogos de palavras. Um Deus onicoisente, caso existisse, deveria poder ser percebido de uma maneira menos tola.

Espero que, pelo menos, você tenha consciência de que não é um cristão, e de que a Bíblia não pode ser usada por você como os cristãos a usam, a menos que você se valha em igual medida de todos os outros livros sagrados que dão conta de todos e tantos deuses. Enquanto só você entendeu a essência desse Deus-além-Bíblia, talvez fundando essa nova religião da qual precisa ser o profeta, o papa e o único seguidor, também precisará aceitar cada palavra do que todos os crentes dizem, e cada ato que praticam em nome de seus numerosos deuses contraditórios e incompatíveis. Pois Deus é tudo, e pode ser tudo.

Inclusive nada.

O Inferno de Denise [Republicação]

Comentário da leitora Denise (em azul) no post A Divina Revelação do Inferno:

Se vcs lessem a Biblia vcs saberiam como é o inferno. e concerteza o céu tambem.

A minha Bíblia deve ser bem diferente da sua, Denise, pois só diz coisas bem, bem vagas sobre o Céu e o Inferno. E ‘um lugar onde haverá pranto e ranger de dentes’, bem como, ‘um paraíso’, não deveriam dar a ninguém (ninguém honestamente interessado em saber) essa certeza que você alega ter.

Louvo a Deus pelo meu pastor que me ensinou a verdade e abriu meus olhos para a realidade, nao baseado em coisas de sua propria cabeça, mais na palavra de Deus.

Eu, sinceramente, ainda prefiro entender o mundo e enxergar essa realidade ‘baseado em coisas’ da minha própria cabeça, como o meu raciocínio e discernimento, a fazer isso baseado em ‘coisas’ das cabeças de uns tantos escritores supersticiosos e ignorantes de dois mil anos atrás.

nao experimentei o inferno e jamais vou pra la, porq sirvo um Deus vivo e verdadeiro, e é ele que me garante q vou passar a eternidade no Céu.

Quando você escreve ‘sirvo um Deus vivo e verdadeiro’ eu me pergunto, aqui sozinho:

1) será que ela percebe que a noção de ‘vivo’ é muito objetiva, que a noção de ‘verdadeiro’ é muito subjetiva, e que o Deus cristão não preenche adequadamente nenhuma delas isoladamente, muito menos de forma combinada? A aceitar sua noção de ‘vivo’ e de ‘verdadeiro’, eu poderia dizer que o vento está ‘vivo’ e que o Pinóquio é ‘verdadeiro’.

2) será que ela percebe que em ‘sirvo um Deus’, esse ‘um’ nos dá a ideia de que ela, inconscientemente, admite a possibilidade de ‘outros’ deuses?

3) será que ela leu minha série intitulada Racionalizando a Eternidade? Porque eu teria interesse em perguntar pra ela o que nenhum crente me respondeu até hoje: vais passar a eternidade no Céu fazendo o quê?

Vcs falam isso mais dentro de vc tem um vazio na qual so Jesus Cristo,pode preencher, ele sim liberta de todo julgo, todo pecado e te toda incredulidade.

Frases, frases, frases… Depois que a gente aprende a falar, a gente fala; depois que aprende a escrever, a gente escreve. É isso…

saiba que Deus te escolheu desde o ventre de sua mae, outra pessoa poderia ter nascido em seu lugar mais ele quis vc, reconheça isso, ainda a chance de vc reconhecer que ele é o unico Deus, e saber q ele nao é uma mera fantasia e nem MULA…. e sim o Deus q criou vc.

Se Deus quisesse que nascesse uma determinada pessoa e não outra pessoa, acho que ele, sabido como ele só, deveria ter projetado o homem para ejacular um espermatozoide por vez, né não?

ele sim écapaz de mudar sua historia, e sua maneira de pensar…

Eu aposto como ele não pode. Fala pra ele.

procure uma igreja evangelica mais proxima de sua casa, nao deixe que sua ignorancia atrapalhar vc ter uma vida diferente.

Nossa, mas minha vida tá tão boa! Mas se eu mudar de ideia, poderia ser uma igreja de Mórmons, ou eles estão adorando o deus errado?

EM BREVE TEREI UMA BOA NOTICIA DE QUE VC SE CONVERTEU AO DEUS VERDADEIRO E VC VAI JUNTO COMIGO VAI SER TESTEMUNHA DO AMOR DELE. DEIXE O ORGULHO DE LADO…

ABRAÇO PARA TODOS,

QUE JESUS TE ABENÇOE E FAÇA DE VC UM MAIS QUE VENCEDOR EM CRISTO.

COLOQUE CRISTO NA SUA CABEÇA E CORAÇÃO, E TERAS A CERTEZA DA SUA SALVAÇÃO.

VCS SÃO MUITO ESPECIAIS PRA JESUS.

TCHAU!!!! benção do Senhor Jesus Cristo!! (e nao do adversario)

bjusssssssssssssssss

fiquem com Deus!

Não. Acho melhor levar Deus com você. Pra mim, ele é completamente desnecessário.


Como ‘esqueçer’ um “Ç”

como esquecer um Ç

O leitor Fernando me alertou que, no meu texto final da série “A NORMAL”, eu havia escrito “esquecer” com Ç: ‘esqueçer’. Acabei de mandar um e-mail curtinho pra ele — agradecendo pela correção apontada — e estou escrevendo esse texto aqui como forma de retratação, porque um erro de dedografia que consegue escapar das minhas inúmeras revisões tem a minha admiração.

Felizmente, eu consegui identificar a origem desse pecado gramatical, o que sem dúvida é um passo decisivo para evitar cometê-lo de novo. Numa das revisões, eu usei a tecla Delete para mudar a flexão do verbo de “esqueça” para “esquecer”, esquecendo eu mesmo de conduzir a deletação até o Ç. 

Eu já havia tratado desse tema antes no post Eu acho que vi um gatinho, onde eu informo os leitores sobre a criação da aba Comunicar erros, que já tem 164 comentários, e o primeiro deles é de um Fernando que não é o mesmo do Ç. Apenas para constar, eu não cometi 164 erros de ortografia até agora. Quase todos os erros identificados pelos meus leitores crentes dizem respeito à minha postura quanto a um ser que se esconde numa dimensão mágica. Mas eu só levo em consideração os comentários referentes a erros gramaticais, porque pessoas religiosas não merecem muita confiança quando o assunto é a vida real, já que elas leem a Bíblia e não conseguem perceber que estão diante de uma coleção de fábulas.       

Receber um elogio é a segunda coisa mais importante para um escritor; a primeira, é ser lido. O problema é que ninguém em sã consciência volta a ler um autor que escreve errado. Eu não volto. Portanto, se você leitor, se você leitora não quiser ou não tiver motivos para me elogiar, saiba que, pelo menos, suas correções terão de volta os meus mais sinceros agradecimentos.

Re: Um Deus sem Bíblia

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Criaturo, meu querido… Li seu texto. Duas vezes. Ufa… Graças a Deus, você não me decepcionou. É um texto até interessante, do ponto de vista literário, mas é do tipo que se espera de um crente; e isso não é um elogio.

Reservo-me o direito de não comentar exatamente tudo, bem como sequer estabelecer uma ordem nos pontos abordados. Assim, eu começo pelo que achei mais revelador: os percentuais da “Trindade Divina”.

Quando se estabelecem porcentagens, presume-se que alguém fez um cálculo ou uma estimativa perfeitamente reproduzíveis, se necessário. Eu posso dizer, por exemplo, que 75% do nosso planeta é coberto por água. Não é um cálculo preciso: é uma estimativa. Também posso dizer que, mês passado, eu comprometi 46,72% dos meus rendimentos com a aquisição de peças e tabuleiros de xadrez. Não é uma estimativa, é um cálculo preciso. Nos dois casos, eu poderia demonstrar como cheguei a esses números, de modo que você fosse capaz de repetir o processo e obter praticamente os mesmos resultados: com alguma tolerância em relação à estimativa planetária, e sem tolerância em relação às minhas dívidas.

Você listar a porcentagem de Deus que é humana, a porcentagem que é mecânica, e a porcentagem que é consciência é a sua assinatura endossando o ditado popular “Papel aceita tudo”, porque a única coisa racional que te fez escolher os valores de 30%, 30% e 40% só pode ter sido o fato desses números serem bem fáceis de somar de cabeça pra dar os 100%. Outra razão não há, nem poderia haver, porque, em se tratando de deuses, você não poderia fazer estimativas ou cálculos precisos. Quer dizer… Fazer até pode, mas não iria nunca ter como explicar como chegou aos tais valores.

No começo do texto, eu estava achando que havia entendido o seu ponto de vista: “Ah, então, pra ele, Deus é ‘tudo o que existe’; matéria, energia, antimatéria, o universo enfim. Ora, então a gente só está dando nomes diferentes para a mesma coisa”. Eu, sinceramente, até daria mais crédito ao pensamento de que havia um ser “incriado” e eterno que, de tão solitário no meio do nada infinito, resolveu se matar de tédio, explodindo em zilhões de pedacinhos que deram origem a tudo o que passou a existir no lugar dele. O problema é que isso implicaria na inescapável conclusão de que somos feitos dos átomos do corpo de um Deus suicida. E só, meu caro! E SÓ!! Esqueça a vida eterna, esqueça recompensas por não comer a mulher do vizinho, esqueça presentinhos materiais em troca da falsidade de dizer que ama quem você nunca nem viu.

Não sei quantas pessoas que hoje têm algum tipo de devoção religiosa iriam dormir tranquilas com essa visão de mundo.

Mas, então, você me veio com essa:

    Nós somos o livre-arbítrio de Deus, ele sente em nós o prazer da liberdade proporcionado pela autoignorância da sua onisciência.

“Ora”, eu pensei, “então Deus não se matou”. Isso significa que não entendi qual era seu argumento, ou você não soube explicá-lo, ou não notou que está discorrendo sobre um Deus feito de massinha de modelar, que toma a forma que você quer, pelo tempo que você acha conveniente, ora sendo ‘tudo o que existe’, ora sendo algo ou alguém específico, com direito a sentir prazer com a proeza de ter conseguido se separar de si mesmo, como se Deus fosse um adolescente cósmico que fez surgir de seu corpo uma mão autônoma para masturbá-lo.

Considero o abstracionismo do seu raciocínio até certo ponto louvável, mas não posso deixar de notar que ele está infectado dessa tal doença tautológica, debilitante, detratora, contaminante e indisfarçável, que o faz desmoronar devido à incapacidade de sustentar uma definição que traz entranhada em si mesma o objeto a ser definido, sem o qual não se completa.

Deus é o que uma parte independente dele diz que ele deve ser para que tudo seja como realmente é. Minha mente matematicoenxadrística me livrou da fascinação por esses jogos de palavras. Um Deus onicoisente, caso existisse, deveria poder ser percebido de uma maneira menos tola.

Espero que, pelo menos, você tenha consciência de que não é um cristão, e de que a Bíblia não pode ser usada por você como os cristãos a usam, a menos que você se valha em igual medida de todos os outros livros sagrados que dão conta de todos e tantos deuses. Enquanto só você entendeu a essência desse Deus-além-Bíblia, talvez fundando essa nova religião da qual precisa ser o profeta, o papa e o único seguidor, também precisará aceitar cada palavra do que todos os crentes dizem, e cada ato que praticam em nome de seus numerosos deuses contraditórios e incompatíveis. Pois Deus é tudo, e pode ser tudo.

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