O sexo de Deus (parte 1 de 3)

Dos milhões de espécies de animais conhecidos, a vasta maioria reproduz-se sexualmente, incluindo a maioria dos insetos. Quase todos os animais maiores que alguns milímetros são reprodutores sexuais capazes de escolha sexual: todos os mamíferos, todos os pássaros e todos os répteis. A situação é similar com as plantas. Das cerca de 300 mil espécies de plantas conhecidas, mais ou menos 250 mil reproduzem-se pelas flores que atraem polinizadores.” *

* A Mente Seletiva: como a escolha sexual influenciou a evolução da natureza humana. MILLER, Geoffrey F. Editora Campus. 2000. pág. 194.

Você sabe por que você faz sexo [em termos biológicos]? Se respondeu que é para preservar a espécie pela geração de novos indivíduos… bem… digamos que você tirou um 7. O que pouca gente sabe é que o sexo também protege a espécie do aniquilamento provocado pelo acúmulo de mutações ao longo do tempo. E, se foi Deus quem criou esse negócio, estamos, então, à mercê de um Deus pra lá de macabro, nada onipotente, nada inteligente e muito menos perfeito, porque, se Deus fosse essa Coca-Cola toda, teria criado tudo perfeito desde o começo, tendo feito da Evolução uma coisa absolutamente desnecessária.

Senão, vejamos.

Os primeiros organismos que surgiram na Terra, muito, muito antes de Adão ter comido a Eva, se reproduziam fazendo cópias de si mesmos. Parecia ser a coisa mais simples e mais eficiente do mundo. Só que, apesar de extremamente precisas, essas cópias não eram 100% perfeitas, de forma que, de vez em quando, surgia um erro em algum ponto da cadeia genética das cópias-filhas. De uma geração para outra, esses erros eram desprezíveis e não causavam danos. Mas como o processo envolvia a cópia da cópia da cópia da cópia… indefinidamente, os erros se acumulavam de uma forma perigosíssima para a sobrevivência daqueles organismos. Isso, após inúmeras gerações, acabava levando a espécie à extinção.

Para criaturas como as bactérias, a reprodução sem sexo ainda está na moda, mas para seres absurdamente complexos como nós humanos esse tipo de coisa não teria dado certo. Ao longo de milhões de anos, com erros e mais erros se acumulando nas gerações-filhas, nossa espécie teria sido extinta. Em outras palavras, não teríamos chegado até aqui, mas nem fodendo! Ups! Essa expressão chula, além de desnecessária num blog tão família quanto o meu, é também incoerente: foi justamente o sexo que nos fez o que somos, e que nos permitiu chegar até esse nível de desenvolvimento físico e intelectual a que chegamos.

Caso você venha de uma família cristã e acredite em Deus, é bem provável que acredite ainda naquela história de cegonha, porque quem acredita em Deus é capaz de acreditar em qualquer outra idiotice. A verdade, entretanto, é bem outra.

Cada ser vivo tem, em cada célula, o seu próprio DNA, que é um projeto para criar um novo corpo. Só que, para criar uma nova vida, de acordo com esse método revolucionário, seria necessário um parceiro da mesma espécie, mas do sexo oposto.


No caso dos seres humanos, o DNA é composto por 46 cromossomos, que são sequências de genes. Para fazer um filhinho, porém, cada humano entra somente com metade desses cromossomos, ou seja, com apenas um filamento do seu DNA. Dentro de cada célula do seu corpo existe uma cópia de metade dos genes do seu pai e outra de metade dos genes da sua mãe. Cada espermatozoide e cada óvulo é fabricado, aleatoriamente, com um ou outro dos filamentos disponíveis do DNA original dos pais.

Se você considerar a figura abaixo, onde cada uma dessas filas de bolinhas representa exatamente o mesmo trecho do cromossomo responsável, digamos, pelo perfeito desenvolvimento das válvulas do coração, com cada pai produzindo dois tipos diferentes de células reprodutoras — “H” e “h”, para o homem; e “M” e “m” para a mulher — , vai chegar à conclusão de que um casal poderia gerar até 4 filhos com características genéticas diferenciadas, dependendo de qual filamento do pai (H ou h) “casou” com qual filamento da mãe (M ou m).


As combinações são essas: HM, Hm, hM e hm. No desenho, as bolinhas pretas representam genes com defeito: aqueles erros de cópia que se acumulavam de geração para geração nas reproduções sem sexo. Perceba que num dos filamentos do DNA original, tanto do pai (H) quanto da mãe (M), esse trecho do cromossomo não apresenta genes defeituosos. Isto é, um tipo de espermatozoide (dentre 2 possíveis) e um tipo de óvulo (dentre 2 possíveis) têm esse trecho crucial da sua cadeia genética perfeito.

Agora veja o que acontece quando um espermatozoide de cada tipo fecunda um óvulo de cada tipo. “H” fecundando “M” é a perfeição total:



“H” fecundando “m”. Alguns genes de “m”, figura abaixo, estão defeituosos nesse trecho, mas não tem problema: o projeto da nova vida segue normalmente usando-se a cópia do gene correspondente de “H”, que está perfeita.


Esse é o “pulo do gato”: os genes vêm em pares. Se um está com defeito, usa-se a cópia reserva. Mas isso é só metade do segredo.

Continuando, quando temos “h” fecundando “M”, dá-se o mesmo caso acima, só que é “h” que apresenta alguns genes com defeito:



Por último, “h” fecundando “m”:


Percebeu o problema? Nesse caso, o trecho apresenta dois genes de “m” com defeito, mas com a cópia dos correspondentes em “h” perfeita. Até aí, tudo bem. Só que mais outros dois genes desse filamento de DNA da mãe também são defeituosos e, dessa vez, não há cópia em “h”, pois os mesmos genes são defeituosos no trecho herdado do pai.

Como os casos intermediários “Hm” e “hM” só nos levaram ao ponto de partida, ou seja, à mesma “condição genética” dos pais, examinemos os casos extremos. Digamos que esses pais gerem dois filhos: um foi produto de “HM” e o outro de “hm”.


O filho gerado por “HM”, figura acima, terá genes perfeitamente “limpos” nesse trecho do cromossomo. Ele está totalmente livre dos defeitos que seus pais tinham e que foram acumulados ao longo das gerações anteriores, podendo passar seus genes perfeitos para as gerações seguintes.


Já o filho que foi fecundado por “hm”, acima, pelo exemplo dado, não vai ter as válvulas cardíacas formadas e não vai sobreviver. Mas ele não é importante. Para a Natureza, ele é apenas “lixo genético” sendo jogado fora. Na verdade, é extremamente necessário que ele morra, para não passar à frente seus genes defeituosos.

Macabro, não?

Graças à reprodução envolvendo dois indivíduos, pode-se descartar, junto com um só “produto”, os genes defeituosos que vinham se acumulando ao longo das gerações. Esse artifício engenhoso garante a sobrevivência da espécie como um todo, mantendo seu código genético praticamente inalterado.


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Uma Divina Revelação do Inferno

Mary Baxter

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No vídeo publicado no texto anterior, Mary Baxter relata o passeio que deu pelo Inferno na companhia de Jesus Cristo, e que a levou a escrever seu livro Uma Divina Revelação do Inferno.

Encontrei esse livro AQUI, em formato de audiobook, com efeitos sonoros divinamente bem produzidos, que vão aterrorizar você, e vão fazer você não querer ir para o Inferno. AQUI, você pode ler o texto em pdf.

Eu li o livro de Mary Baxter duas vezes e, agora, estou ouvindo o audiobook. Mas continuo sendo ateu. Não acredito em Deus, não aceito Jesus Cristo como meu Salvador, e quero mais que o Espírito Santo se foda!

Amém.

 

A Teoria do Barro [Republicação]

Não aparece na capa, mas há um subtítulo para esse livro: “por meio da seleção natural”. Eu menciono isso para poder explicar, de uma forma bastante superficial, o que é mutação, o que é seleção natural, e o que quer dizer, de fato, o título da obra que foi o “Gênesis” de uma das mais brilhantes teorias científicas do nosso tempo: A Origem das Espécies, de Charles Darwin.

Chama-se de “mutação” a mudança nas características genéticas de um indivíduo que pode ser repassada aos seus descendentes. “Seleção natural” é o resultado da interação entre os indivíduos que sofreram aquela mudança e o meio ambiente ao qual pertencem.

Tome o seguinte exemplo, irresponsavelmente concebido por mim mesmo. Digamos que, há muito, muito tempo, um indivíduo de uma tribo do deserto do Saara tenha sofrido uma alteração genética que lhe tornou praticamente imune aos danos causados pelos raios do Sol. Esse indivíduo teve filhos, e eles herdaram aquela “mutação”, bem como os filhos dos seus filhos, e assim por diante, de forma que, com o passar do tempo, quase todos os membros da tribo tinham incorporado aquela mutação aos seus próprios genes.

Lado a lado comigo ou com você, qualquer pessoa daquela tribo em particular não teria, hoje, nada de diferente de nós, além das muitas características que distinguem, por exemplo, um japonês de um indiano, um esquimó de um pescador de lagostas no litoral do Nordeste, ou um carioca de outro carioca. A mutação genética sofrida, portanto, não teria feito nem bem nem mal.

Agora imagine que, nos séculos por vir, além da diminuição da proteção atmosférica da Terra, o Sol passasse a disparar uma quantidade mais intensa de raios nocivos ao ser humano. O que poderia acontecer?

Ora, à medida que as gerações se sucedessem, mais e mais pessoas morreriam vítimas dos mais variados tipos de câncer; mais e mais pessoas teriam descendentes com mutações genéticas terríveis que lhes impossibilitariam a sobrevivência; e mais e mais pessoas morreriam cada vez mais cedo na vida, até mesmo antes de terem seus próprios filhos.

Em alguns milênios, se tanto, o nosso planeta não teria mais, em nenhum lugar, seres humanos iguais a mim e a você, com a nossa mesma “carga genética”. Por infelicidade, no caso, nossos corpos não poderiam contar com uma resistência extraordinária aos raios do Sol, exibida apenas por umas poucas centenas de indivíduos de uma certa tribo do Saara. Esses sortudos, mesmo sem precisar se dar conta disso, teriam sido favorecidos por uma mutação genética que, embora aleatória, possibilitou que eles adquirissem a condição necessária para sobreviver no ambiente em que se encontravam, e, mais importante ainda, passar essa característica para as gerações futuras.

Os que não tinham a mesma condição, como eu, você e os seus descendentes, teriam sido extintos.   

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O Alquimista ~1~ [Republicação]

o alquimista

“Você não é derrotado quando perde.

Você é derrotado quando desiste.”

(Paulo Coelho – Manuscrito encontrado em Accra)

Responda rápido: o que você sabe sobre alquimia? Eu acho bem provável que o primeiro pensamento que lhe ocorreu tinha a ver com a transformação de chumbo em ouro. Esse não era o único objetivo da alquimia, mas sem dúvida é o que está mais fortemente associado à palavra. E Paulo Coelho não poderia ter escolhido um título mais conveniente para o livro que iria transformar em realidade o sonho que o acompanhou durante toda sua vida: tornar-se um escritor mundialmente famoso.

Eu também sempre sonhei em ser escritor. Mas como eu nasci muito muito pobre, meu primeiro contato com a literatura foi por intermédio de uma amiga da minha mãe, que me emprestou o livro Recordações de um Agente Secreto, quando eu tinha uns doze, treze anos. Lembro que, tendo me apaixonado por uma das personagens, uma garota de catorze anos chamada Léa Nécil (ou coisa assim), e como praticamente não havia cenas românticas entre ela e o garoto que se achava agente secreto, resolvi eu mesmo reescrever todas as cenas em que os dois apareciam juntos.

Pouco tempo depois, um outro livro também faria eu me apaixonar por uma personagem: Helena, de Machado de Assis, que eu achei no lixo de um vizinho, sem capa e contracapa, sujo e desbeiçado. Diferentemente do outro, desse eu não me atrevi a reescrever nenhuma linha. E foi desde esse tempo que venho sonhando em escrever uma história como aquela: apaixonante, e sem precisar de retoques para ser considerada perfeita.

Quando li uma resenha sobre a biografia de Paulo Coelho, logo percebi que, se quisesse realizar o meu sonho um dia, teria que saber o que levou o autor de O Alquimista a conseguir realizar o dele. Li O Mago duas vezes. Seu autor, Fernando Morais (o mesmo de Olga), é um escritor de primeira grandeza, e a vida que levou o seu biografado lhe deu o material necessário para criar uma obra excepcional e também irretocável. Foi a leitura e releitura dessa biografia que me fez segurar um livro de Paulo Coelho pela primeira vez: O Alquimista, que li em dois dias.

Como admitido logo nas suas primeiras páginas pelo próprio autor, O Alquimista se baseia numa fábula persa (presente em As Mil e Uma Noites) sobre um homem rico que ficou pobre e, acreditando num sonho, conseguiu encontrar um tesouro e tornar-se rico de novo. Essa fábula é, como quase todos as fábulas, uma estória envolvente e bem curtinha, com um final surpreendente e inesquecível. O que Paulo Coelho fez foi esticá-la até que ela ficasse com quase duzentas páginas.

Quando ainda fazia parte de uma seita satânica, Paulo Coelho redigiu com uma caneta esferográfica vermelha um pacto com o Diabo, pelo qual ele entregava sua alma em troca de realizar seu sonho de ser um escritor famoso no mundo todo. Lido o contrato e assinado por uma das partes, Paulo Coelho saiu para dar um passeio, mas voltou rapidinho. Como o Diabo ainda não tinha assinado, ele desistiu de vender sua alma, escrevendo por cima do documento, em letras de forma: “PACTO CANCELADO”.

Não pretendo ler mais nenhum livro de Paulo Coelho, porque se todos os outros forem tão ruins quanto O Alquimista, eu seria obrigado a chegar à inevitável conclusão de que Satanás não aceitou o cancelamento daquele contrato.

O Alquimista ~2~                                                  O Alquimista ~fim~

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O Diário de Anne Frank

Anne-Frank

Nunca me interessei em ler O DIÁRIO DE ANNE FRANK até semana passada, quando meu irmão me apareceu com um volume muito bem encadernado em que se lia na capa: edição definitiva. Meu irmão me explicou que aquela era a edição completa do diário, e que todas as outras em circulação tiveram vários trechos censurados pelo pai da menina, dono dos direitos autorais. Que trechos eram esses?, eu quis saber. Trechos que falavam de pessoas que, ainda vivas na época, não autorizaram que o livro as mencionasse; bem como os que traziam Anne relatando uma aventurazinha homossexual, a descrição detalhada de sua vulva e seus encontros eróticos com o rapazinho que também estava escondido no Anexo Secreto.

Peguei o livro emprestado do meu irmão e comecei a leitura imediatamente. Já nas primeiras páginas, entretanto… eu percebi que havia alguma coisa muito, mas muito errada ali. Se você já leu BLINK ou, como eu, passou toda a adolescência lendo e relendo as aventuras de Sherlock Holmes, saberá identificar a sensação de alerta que o seu cérebro lhe envia num piscar de olhos. E o meu cérebro, assim como os meus olhos, foram treinados à exaustão, anos a fio, por nada mais nada menos que Sir Athur Conan Doyle. Se isso não bastasse, eu também sou escritor, e um escritor enxerga os textos de forma um tanto diferente daquele que apenas os consome.

O diário de Anne Frank que todo o mundo conhece é uma fraude; não foi escrito por ela.

Eu, na minha petulância, achei que tinha feito uma descoberta e tanto, mas, durante os três minutos em que larguei o livro para fazer uma rápida pesquisa na internet, descobri que essa suspeita foi levantada tão logo O Diário foi publicado, e que o pai de Anne, Otto Frank, foi processado em Nova Iorque, no começo da década de 1960, pelo jornalista e escritor americano Meyer Levin, ao qual foi condenado a pagar cinquenta mil dólares pelo trabalho de ter escrito o diário de sua filha.

Mesmo assim, eu li todo o livro em dois dias, só mesmo por curiosidade. Mas fiquei o tempo todo pensando: se, na nossa época, alguém pode fraudar algo tão fácil de ser desmascarado (como eu desmascarei em poucos minutos) e mesmo assim a verdade continua inacessível à grande parte das pessoas, o que pensar, então, de uma estória da carochinha que se espalhou por todo o mundo sobre um judeu-mágico que viveu há dois mil anos?

Como as pessoas podem ser tão cegas? Isso eu não posso responder, mesmo que meus olhos tenham sido treinados por Conan Doyle na arte de desvendar fraudes. Mas eu sei como elas podem ser tão gananciosas, e sei como a ganância torna as pessoas petulantes, assim como eu. Em 1980, Otto Frank processou, na Alemanha, dois jornalistas que escreveram matérias denunciando o embuste que o estava tornando novamente rico. Após os tribunais alemães submeteram os quatro volumes originais do diário a peritos em grafologia, chegou-se à conclusão de que todo o diário havia sido realmente escrito por uma mesma pessoa, e foi dado ganho de causa aos jornalistas. Otto Frank perdeu de novo. E, de novo, a fraude foi revelada.

“Como?”, você pode estar se perguntando…

Elementar, meu caro Watson! Todo o suposto diário de Anne Frank havia sido escrito com caneta esferográfica, que não haviam sido inventadas até 1951.

Anne Frank morreu de tifo, num campo de concentração nazista, em 1944. 


A Divina Revelação do Inferno [Republicação]

Em março de 1976, enquanto eu orava em casa, recebi a visita do Senhor Jesus Cristo.”

Mary Baxter

 

Um livro que começasse assim, na minha modesta opinião, só poderia ser uma de duas coisas:

1. Um relato que iria abalar o mundo;

2. Uma obra de ficção como tantas outras.

Depois de tê-lo lido duas vezes e já que não vi nenhuma manchete sobre ele nos jornais, na CNN, na internet, e como a própria autora diz que o livro não é ficção, fui obrigado a expandir a minha classificação para criar uma nova categoria: a das obras literárias escritas por doentes mentais.

A autora americana Mary Kathryn Baxter o escreveu para o mundo como sendo o relato fiel do seu passeio de 30 noites pelo Inferno na companhia de, nada mais nada menos, Jesus Cristo. A senhora Baxter é uma cristã fervorosa e, segundo as próprias informações no fim do livro, a especialidade dela é “na área dos sonhos, visões e revelações”. Também nessa parte, fiquei sabendo que “Quando ainda era jovem, a sua mãe ensinou-lhe sobre Jesus Cristo e a Sua salvação”. Mais um cérebro permanentemente danificado.

O livro valerá cada centavo que você pagar por ele*. Eu me diverti muito. E se você pretende cursar psicologia ou filosofia vai poder usar esse material nas duas áreas, porque ele é uma prova incontestável de que não há limite para a imbecilidade humana. Não estou, necessariamente, referindo-me apenas à autora. Sem dúvida, das centenas de milhares de leitores que o tiveram nas mãos (a edição de 2001 que li estampa, na capa, “600 mil cópias vendidas”), umas tantas almas devem ter acreditado nela e são, por isso, muito mais imbecis, ou os únicos imbecis na história toda, uma vez que a senhora Mary Baxter deve estar colhendo os seus galardões em notas verdinhas já nessa vida.

A seguir, umas tantas amostras grátis. [Transcrição fiel do texto traduzido.]

“Vejo agora que o Senhor estava me preparando para escrever este livro, porque ainda criança, tive um sonho com Deus.” 11

” ‘Vede, Minha filha’, disse Jesus, ‘vou levá-la ao inferno pelo Meu Espírito, para que você possa registrar a realidade dele, para dizer a toda a terra que o inferno é real, e para tirar os perdidos da escuridão para a luz do evangelho de Jesus Cristo.’ ” 16

” ‘Vão!’, disse o demônio maior para os diabinhos e diabos. ‘Façam muita maldade. Destruam lares e famílias. Tentem os crentes fracos, dêem instruções equivocadas e desviem tantas pessoas quanto puderem. Vocês serão recompensados quando voltarem.

Lembrem-se que devem ter cuidado com aqueles que aceitaram realmente a Jesus como o seu Salvador. Eles têm o poder de expulsá-los.’ ” 35

” ‘Iremos para aquela casa hoje e atormentaremos todos os que estiverem ali. Receberemos mais poder do nosso senhor, se fizermos isto certinho. Ó, Sim, causaremos muita dor, doenças e sofrimento para todos eles.’ Aí eles começaram a dançar e a cantar músicas diabólicas em adoração a Satanás, glorificando o mal.

Um deles disse: ‘Temos que observar com muito cuidado aqueles que crêem em Jesus, porque eles podem nos expulsar.’

‘Sim’, disse um outro, ‘No nome de Jesus, nós temos que sair fora.’

Aí, um outro espírito maligno disse: ‘Mas nós não vamos para aqueles que conhecem a Jesus e o poder do Seu nome.’ ” 99-100

“Nessa hora, o homem que estava a esquerda de Satanás levantou o braço e uma luz brilhante apareceu no muro a direita. No muro havia uma tela de cinema, que passava cenas do cotidiano de vários lugares. (…)

Satanás disse: ‘Vá a esses lugares, vivam e ajam como pessoas normais. Engane a muitos, e desviem o maior número possível de pessoas de Deus. (…) Vocês enganarão e levarão muitos a se desviarem da verdade. Vocês irão a todas as partes da terra, farão minha obra e voltarão com relatórios. (…) A sua missão é capturar almas. Vocês podem atrai-las pela feitiçaria, com falsas religiões e seitas. Vocês podem levar os Cristãos mais fracos a cair no pecado da carne. Podem plantar sementes de dúvida sobre a verdade da Palavra de Deus. Podem levar homens e mulheres a se desviarem do Evangelho de Jesus Cristo, e se puderem, a destrui-los.’

Uma estante alta foi trazida para Satanás, que tinha muitos papéis. Ele pegou alguns e começou a ler muitas coisas para as mulheres. (…) ‘Peguem uma alma por semana,’ Satanás continuou: ‘Trabalhem com essa alma a semana toda. Vou lhes dar três semanas para corromper uma única alma, depois disso vocês me dão um relatório.’ ” 65-66

“Jesus falou: ‘Minha filha, algumas pessoas ao lerem o livro que você escreverá, o comparará a uma obra de ficção ou a um filme que viram. Eles dirão que isso não é verdade. Mas, Você sabe que estas coisas são verdadeiras. Você sabe que o inferno é real, porque Eu a trouxe aqui muitas vezes, pelo Meu Espírito. Eu lhe revelei a verdade para que você possa testemunhá-la.’

Perdidos, se vocês não se arrependerem e se batizarem, e crerem no Evangelho de Jesus Cristo, este será o seu fim com certeza.” 133

“Na parte superior da máquina estavam as palavras: ‘Este apagador de mentes pertence a besta, 666.’ ” 144

“A bandeira americana, rasgada e esfarrapada, abandonada no chão.” 142

 

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A DIVINA REVELAÇÃO DO INFERNO. Baxter, Mary K. Danprewan Editora: Rio de Janeiro, 2001. 6a. edição

* O leitor Carlos Mello fez o download do livro em:

http://www.livrodegraca.com/2009/03/divina-revelacao-do-inferno.html

Todo mundo é cético com relação à religião dos outros

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Abaixo, minha tradução do artigo EVERYONE’S A SKEPTIC – ABOUT OTHER RELIGIONS. James A. Haught. In: EVERYTHING YOU KNOW ABOUT GOD IS WRONG. Russ Kick (org.). Disinformation, New York : 2007. p. 16-18.

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Todo mundo é cético — quando se trata da religião dos outros

Religião é um assunto extremamente delicado. Membros de igrejas frequentemente ficam irritados se alguém questiona seus dogmas sobrenaturais. (Bertrand Russell dizia que isso é porque eles, de forma inconsciente, percebem que suas crenças são irracionais.) Assim, eu tento evitar confrontos que possam machucar sentimentos. Quase todo mundo quer ser cortês.

Mas algumas vezes disputas não podem ser evitadas. Se você acha que o reino espiritual é imaginário, e se a honestidade te faz dizer isso, você pode se descobrir sob ataque. Isso aconteceu a muitos descrentes. Thomas Jefferson foi chamado de “ateu uivante”. Leo Tolstoy foi rotulado de “ímpio infiel”.

Bem, se você acabar em um debate, meu conselho é: Tente ser educado. Não se exalte, se você puder. Apele para a inteligência do seu acusador.

Eu estive chocando algumas perguntas que você pode achar úteis. Elas foram elaboradas para mostrar que membros de igrejas, mesmo os mais ardentes devotos, são céticos também — porque eles duvidam de cada sistema mágico que não seja o deles próprios. Se um clérigo repreender você, talvez você possa responder assim:

Você é um descrente, assim como eu. Você duvida de muitos dogmas sagrados. Deixe-me mostrar a você:

Milhões de hindus rezam sobre o pênis da estátua de Shiva. Você acha que existe um Shiva invisível que quer que as pessoas rezem sobre o seu pênis, ou é cético?

Os mórmons dizem que Jesus veio para os Estados Unidos depois da sua ressurreição. Você concorda, ou duvida?

Praticantes do candomblé sacrificam cachorros, cabras, galinhas, etc., e jogam os corpos em rios. Você acredita que os deuses da macumba querem animais mortos, ou você é cético a respeito?

É dito aos homens-bomba muçulmanos que, ao se explodirem, eles se tornarão ‘mártires’, e serão instantaneamente enviados a um paraíso repleto de adoráveis ninfetas. Você acredita que os homens-bomba estão no paraíso com as ninfetas ou não?

Os membros da Igreja da Unificação acham que Jesus visitou o reverendo Sun Myung Moon e disse a ele para converter as pessoas em “Moonies”. Você acredita nesse dogma sagrado da Igreja da Unificação?

As Testemunhas de Jeová dizem que, a qualquer dia, exatamente 144.000 deles serão fisicamente arrebatados para o paraíso, onde eles reinarão com Jesus Cristo. Você acredita nesse ensinamento solene da igreja deles?

Os Astecas esfolavam virgens e arrancavam corações humanos para oferecê-los a uma divindade em forma de serpente emplumada. O que você acha de serpentes emplumadas invisíveis? A-há! Exatamente como eu suspeitava: você não acredita.

É ensinado aos católicos que a hóstia e o vinho da Comunhão magicamente se tornam o corpo e o sangue de Jesus, literalmente, durante os cânticos e toques de sinos. Você acredita ou é um descrente?

O curandeiro Ernest Angley diz que ele tem o poder, descrito na Bíblia, de distinguir espíritos, o que permite a ele ver demônios dentro de pessoas doentes e anjos flutuando nos seus cultos. Você acredita nessa afirmação?

A Bíblia diz que pessoas que trabalham no sábado devem ser mortas (Êxodo, 31:15). Devemos executar trabalhadores de fim de semana ou você duvida dessa escritura?

Num templo dourado da Virgínia do Oeste, adoradores em roupões alaranjados acham que se tornarão um só com Lord Krishna se cantarem ‘Hare Krishna’ muitas e muitas vezes. Você concorda, ou duvida?

Membros da comunidade Portão do Paraíso diziam que podiam se livrar de seus ‘contêineres’ (quer dizer, seus corpos) e serem transportados para um disco voador que viajava atrás do cometa Hale-Bopp. Você acredita que eles estão agora naquela nave espacial ou você é cético a respeito?

Durante a caça às bruxas, padres inquisidores torturaram milhares de mulheres para que confessassem que elas arruinavam as colheitas, faziam sexo com Satanás, etc., e, então, as executaram por isso. Você acha que a Igreja estava certa em fazer cumprir o que diz a Bíblia, “Não deixarás viver a feiticeira” (Êxodo, 22:18), ou você duvida dessa escritura?

Membros de igrejas Espíritas dizem que podem conversar com os mortos durante seus serviços de adoração. Você realmente acha que eles de fato se comunicam com espíritos de pessoas falecidas?

Milhões de pentecostais americanos falam ‘línguas desconhecidas’, um espontâneo jorrar de sons. Eles dizem que é o Espírito Santo, a terceira parte da Trindade, falando através deles. Você acredita nesse dogma, para muitos americanos sagrado?

Scientologistas dizem que cada ser humano tem algo semelhante a uma alma, que é  um ‘Thetan’ que vem de um outro planeta. Você acredita na doutrina deles ou duvida?

Os gregos antigos achavam que a grande variedade de deuses vivia no Monte Olympo, e alguns dos Novos Agers de hoje acham que Lemurians invisíveis vivem dentro do Monte Shasta. Qual sua posição quanto a deuses da montanha: crente ou descrente?

Nas montanhas da Virgínia do Oeste, algumas pessoas obedecem ao ensinamento de Cristo de que verdadeiros crentes podem lidar com serpentes (Marcos, 16:18). Eles seguram cascavéis nos cultos. Você acredita nessa escritura ou não?

Os Thugs indianos acreditavam que a multiarmada deusa Kali queria que eles estrangulassem pessoas em sacrifício. Você acha que há uma deusa invisível que deseja que pessoas sejam estranguladas, ou você é um descrente?

Os budistas do Tibete dizem que quando um velho Lama morre, seu espírito entra em um bebê que acaba de nascer em algum lugar. Então eles permanecem sem líder por uns doze anos ou mais, até que encontrem o garoto que deve ter conhecimento sobre a vida privada do antigo Lama, e eles o ungem como o novo Lama (na verdade o mesmo Lama só que em um novo corpo). Você acredita que Lamas à beira da morte voam para dentro de novos bebês ou não?

Na China dos meados de 1800, um cristão convertido disse que Deus apareceu a ele e lhe revelou que ele era o irmão mais novo de Jesus, e ordenou que ele destruísse demônios. Ele levantou um exército de crentes e travou a Rebelião Taiping que matou cerca de 20 milhões de pessoas. Você acredita que ele era o irmão de Jesus, ou não?”

Etc., etc., etc. Você  entendeu o que quero dizer…

Eu aposto que não há um membro de igreja, seja onde for, que não pense que todas essas crenças sobrenaturais são baboseiras — exceto a única na qual ele acredita.

Pois bem: através de um sem número de teologias, eu acho que você pode estabelecer que o cristão médio duvida de 99% dos dogmas sagrados do mundo. Mas o 1% em que ele acredita não é mesmo em nada diferente do resto. É um sistema de alegações miraculosas sem qualquer evidência confiável que as suporte.

Então, se nós podemos mostrar às pessoas que algumas “verdades” sagradas são malucas, talvez a lógica subconsciente se infiltre, e elas percebam que, se algumas crenças mágicas são irracionais, todas podem ser.

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